Jan 05 2009
DO SONHO E DA REALIDADE
Os comunistas pretendem, em síntese, a abolição da propriedade privada. Em um primeiro momento, essa propriedade seria estatal. Em um segundo momento, o próprio Estado desapareceria. A primeira fase seria o socialismo chamado de “científico”. Na segunda fase, seria o comunismo.
II
Pois bem. E o hoje, o agora? Aí é que está a curiosidade. A impressão que tenho é a de que alguns comunistas não sabem o que fazer em relação ao hoje. Como não dá, hoje, por uma série de motivos - a começar pela Constituição Federal - para abolir a propriedade privada, não sabem o que fazer. Digo isso a propósito do Diretor Superintendente da ANP - Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima, do PCdoB. Não é só ele, mas ele representa bem a idéia. Tocam o projeto que está aí enquanto aparentam sonhar com um futuro socialismo.
III
Confortável demais: não precisa pensar no hoje, na dívida pública, na falta de professores, na política entreguista do Banco Central. É só sonhar com o futuro e, de preferência, remar no sentido contrário. Há questões importantíssimas, como a retomada do desenvolvimento, a necessária modificação da política econômica, a exploração das riquezas naturais de forma a trazer proveito para o País. Há a questão dos minérios, a construção de ferrovias que permitam o transporte barato de produtos. Há a urgência na implantação de escolas de turno integral que providenciem educação e saúde às crianças e aos jovens. Mas isso fica fora da pauta porque exige recursos, e os recursos, hoje, são direcionados ao pagamentos dos juros da dívida interna que o Banco Central mantém artificialmente altos.
IV
A impressão que tenho, portanto - e aí está a curiosidade - é que nos tempos atuais a opção pelas bandeiras de esquerda se transformou, para alguns, em uma nova espécie de alienação. Não é preciso pensar no aproveitamento das riquezas nacionais, na política econômica, nas questões relativas à aposentadoria, nas questões que dizem respeito ao cotidiano do povo. Basta sonhar com o socialismo e ir tocando os projetos neoliberais por aqui. Ou seja, é só manter um discurso futurista calhorda e semear, por aqui, a terceirização, o aviltamento das condições de trabalho, a entrega das riquezas nacionais, a submissão completa aos “mercados”.