Archive for outubro, 2009

out 20 2009

MAIS 17 NA FILA

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O Promotor de Justiça responsável pelo caso dos vereadores, em São Paulo, anuncia que há MAIS 17 na fila para cassação. Os 13 cassados até agora são 25% da Câmara de Vereadores. Os novos 17 farão com que as cassações atinjam MAIS DA METADE dos vereadores em São Paulo.
 
E repito: é apenas o setor imobiliário. Não se falou do financiamento de campanhas a partir dos interessados na terceirização da merenda escolar, ou de livros didáticos, ou daqueles que querem manter a dependência do transporte rodoviário. Apenas o setor imobiliário, e ali já se foi mais da metade da Câmara de Vereadores paulistana.

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out 19 2009

A CASSAÇÃO DE UM QUARTO DA CÂMARA DE SP

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Foram 13 os vereadores cassados em São Paulo, ou 1/4 da Câmara de Vereadores. A acusação é de financiamento ilícito de campanha. A origem da cassação foram as doações da AIB – Associação Imobiliária Brasileira. A associação foi dos maiores financiadores da última campanha eleitoral: doou 2,94 milhões para 26 candidatos. Segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo, seria um braço do Secovi – Sindicato das Imobiliárias e Administradoras.

 II

Trata-se de condenação de mérito no primeiro grau. O peso das construtoras e imobiliárias nas eleições municipais é conhecido. Dessa vez houve a constatação de financiamento acima de valores permitidos por lei, o que levou à sentença de mérito.

 III

Mais uma vez o tema financiamento de campanha. Enquanto houver financiamento privado, haverá a imposição do poder econômico. É assim nos municípios, nas assembléias legislativas, na Câmara e no Senado. Um milhão de reais, por exemplo, é valor significativo para uma campanha eleitoral para deputado federal. Com 300 milhões de reais pode-se doar 1 milhão de reais para 300 deputados federais. E 300 milhões de reais são um valor absolutamente irrisório frente, por exemplo, a 1 bi a mais que os consumidores pagaram às companhias de eltricidade por ano; ou frente a 5 trilhões de reais, valor que apontamos em texto anterior relativo às riquezas líquidas do pré-sal.

 IV

É preciso acabar com o financiamento privado de campanha. É preciso que os partidos políticos recebam vultosos – vultosos, sim – recursos públicos para que façam campanha integralmente com valores vindos dos cofres públicos.

 V
O que houve em São Paulo, agora – o comprometimento de 1/4 da câmara de vereadores – é apenas uma amostra. Foi apenas UMA entidade financiadora. As demais simplesmente não apareceram. Lá, em São Paulo, onde já houve escândalo da merenda escolar terceirizada, onde há disputa brutal pela distribuição de livros didáticos, onde há empresas de transporte interessadíssimas na permanência da prioridade do transporte rodoviário, lá, enfim, foi identificado o financiamento APENAS do setor imobiliário. E só esse setor comprometeu 25% da câmara de vereadores.

 VI

Imagine o resto. Imagine os demais setores de lobby, os demais setores que vendem para o município, que têm interesse na aprovação de leis municipais. E imagine isso no plano federal, na Câmara dos Deputados. Imagine o peso de 1 milhão de reais na campanha de um deputado, apenas. E imagine que com 300 milhões de reais se consegue doar 1 milhão para 300 deputados, o que perfaz a maioria da Câmara.

 VII

Aí está a importância do financiamento público de campanha. Não há outra salvação. E se depender dos parlamentares, apenas, o atual sistema é absolutamente lucrativo.

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out 19 2009

DA DIFERENÇA ENTRE SOLUÇÃO E ENGANAÇÃO

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A noção de escândalo deste País é uma coisa curiosa. Houve o caso do Ministro que, em viagem, pagou o lanche com cartão corporativo governamental. O problema é que o lanche era tapioca, e isso foi considerado escândalo. Há poucos dias, o atraso na devolução do Imposto de Renda foi considerado o último grande escândalo. E imediatamente antes disso houve o tal escãndalo do laranjal, quando os sem-terra derrubaram algumas laranjeiras em uma fazenda invadida.
 
II
É uma busca diária de escândalo. Mas há um, concreto, visível, palpável: o das contas de eletricidade. A própria Agência Nacional de Energia Elétrica reconhece que desde 2002 o povo brasileiro está pagando UM BILHÃO A MAIS por ano do que deveria pagar. As contas já são extorsivas, claro. Mas estamos falando de 1 bi a mais do que a extorsão, 1 bi simplesmente indevido que foi descontado do povo brasileiro.
 
III
Qual o espaço que isso recebeu na imprensa? Qual o espaço que isso ganhou no Jornal Nacional? Foi pífio. Tão somente a Folha publicou o tema com algum destaque. Por que isso? Ora, essas empresas são grandes anunciantes. E por que essas empresas são ricas. Só isso.
 
IV
Compare essa situação com aquela da moça negra que furtou pasta de dentes no supermercado. Aqui, neste caso, é 1 bilhão de reais de prejuízo. E a autoridade pública – a ANEEL – diz que faz apenas a “crítica ética”.
 
V
Há problemas aí, e são problemas típicos das tais agências reguladoras. Foram criadas para que ninguém nelas mandasse. Ou seja, seriam “independentes”. O sujeito teria mandato fixo para fazer o que bem entendesse. E qual a linha de atuação que deveria adotar? A rigor, deveria constar da lei. Mas na grande maioria dos casos não constou. Então, deveria constar de um contrato de gestão. E também não constou, não foi feito qualquer contrato de gestão com agências. São monstros criados com absoluta autonomia, cujos dirigentes se acham indemissíveis.
 
VI
Os dirigentes das agências são indemissíveis, mesmo? Pela lei, seriam. Pela Constituição Federal, não. A Constituição diz que o chefe do Poder Executivo é o Presidente da República. Portanto, se o Presidente da República quiser demitir, pode demitir. Para isso foi eleito, para administrar a máquina pública. Esses burocratas, no entanto, que nunca tiveram um voto de ninguém, se acham “indemissíveis”, e apontam para a miserável lei que diz isso contra a Constituição Federal.
 
VII
Na verdade, essa questão da “estabilidade”, ou do “mandato” dos dirigentes das agências é uma absoluta hipocrisia. Veja o caso da gestão anterior da ANAC. Caiu por que? Caiu por pressão da imprensa, ou seja, do quarto poder. A maneira, pois, de demitir – quando se tem um Presidente da República acovardado – é fazer uma campanha de imprensa até que, sob tortura, os dirigentes da agência peçam demissão. Ou seja, o Presidente da República, segundo querem alguns, não pode demitir. Quem pode é a imprensa, fazendo campanha de desmoralização até que o sujeito caia.
 
VIII
O governo Lula se acovardou no enfrentamento à estrutura das agências. Diferentemente, resolveu criar novas, a exemplo da ANAC. E todas elas a partir de um discurso “non sense”: a agência representa os interesses “do Estado”, e não os interesses “do governo”. É conversa para trouxa, com o perdão da expressão. Não existe “interesse do Estado versus interesse do governo”. O que existe é “interesse do Estado versus interesse partidário”. Não existe essa dicotomia entre “interesse do Estado e interesse do governo” porque SÓ PODE HAVER INTERESSE DO ESTADO. O governo está lá para GERIR A MÁQUINA DO ESTADO, tão somente. Como contaram essa piada numa primeira vez, e soou bem, resolveram continuar contando. E aí até hoje se vê gente com alguma lucidez, com alguma leitura, digamos assim, repetindo essa insanidade. Então, que fique claro: toda a máquina pública, todo o governo, está lá para cumprir as políticas de Estado.
 
IX
Agora, anuncia-se, novamente, a criação da PREVIC. Seria uma agência para a Previdência Complementar. Não li o novo projeto, não opinarei a respeito do encaminhamento. Mas há vício de origem. A previdência complementar brasileira está, desde 1977, absolutamente regulamentada. O problema é que o compadrio autoriza negociações, mudanças de regulamentos, mudanças de estatutos, alterações brutais em planos de benefícios. Agora, há pouco, a Secretaria de Previdência Complementar acabou de autorizar a retirada de patrocínios onde os participantes – assistidos – necessariamente PERDERÃO a vitaliciedade do Plano, e que havia sido anteriormente contratada. Ou seja, é uma ilegalidade flagrante, e isso continua acontecendo hoje, agora. Não estamos tratando, pois, de temas de mais de uma década. Estamos tratando do dia de hoje.
 
X
Onde isso será modificado com uma estrutura de agência? A tendência é apenas piorar. O que é feito agora, sob os olhos do Ministro da Previdência Social, será feito sob olhos de ninguém. Essas agências não têm comando, não tem submissão hierárquica a ninguém.
 
XI
O problema não é ter ou não estrutura de agência. O problema é cumprir a lei, é ter FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS – e não aventureiros – ocupando esses cargos. Gente de carreira, profissionais formados, e não gente que está atrás tão somente de enriquecer currículos. Ou seja, diz respeito à REDUÇÃO DOS CARGOS DE CONFIANÇA, diz respeito à PROFISSIONALIZAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO. E diz respeito, ainda, a fiscalizar e punir as autoridades públicas que agiram errado. Se o dirigente da ANEEL nada fez para impedir que houvesse a absurda cobrança dos consumidores, deve ser punido na forma da lei. Deixou de cumprir suas obrigações. Se os dirigentes da Secretaria de Previdência Complementar não agiram, ou agiram de forma irresponsável ou leviana, devem ser punidos. Para tanto, o Ministério Público deve tomar iniciativas e o Judiciário deve ter suficiente agilidade para julgar.
 
XII
Ficou um texto longo, mas o problema está aí. Não está em ter estrutura de agência ou não. Não há aí uma solução mágica, mas um engodo a partir da falsa premissa da “estabilidade” e da “política de Estado”. Isso é enganação. A questão é: punição no próprio Poder Executivo, a partir de processos administrativos determinados pelo Ministro de Estado responsável, sempre que haja denúncia de irregularidade; iniciativa do Ministério Público Federal, visando responsabilizar civil e criminalmente as autoridades públicas que se omitem, deixam de cumprir suas obrigações ou expressamente autorizam aquilo que deveriam proibir. Ou seja, é só cumprir o que está na lei, e cobrar do Judiciário a celeridade. O resto é enganação.

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out 18 2009

PARABÉNS: VOCÊ PAGOU 1 BILHÃO A MAIS POR ANO DESDE 2002

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A notícia é da Folha de domingo que, para esses casos, é absolutamente isenta. Vamos à manchete — “Erro faz consumidor pagar mais pela energia há sete anos”.

II

É isso mesmo. Desde o ano de 2002, nós, o povo brasileiro, pagamos 1 BILHÃO DE REAIS AO ANO A MAIS do que devíamos na conta de energia elétrica.

III

Segundo a matéria, o governo sabe do atual problema há 2 anos. O dinheiro vem sendo embolsado pelas concessionárias. E traz a manifestação da Aneel — Agência Nacional de Energia Elétrica: “o ato é ‘eticamente discutível’, mas não dispõe de nenhum mecanismo para exigir a devolução do dinheiro ou uma compensação para o consumidor”.

IV

Em outras palavras — no popular — estamos sendo roubados há SETE ANOS. A cada ano pagamos 1 bilhão a mais do que deveríamos pagar. E isso por um “erro” ocorrido no ano de 2002, e que vem se repetindo. E a tal “agência reguladora” diz que estamos sendo roubados, certifica isso e o montante, e diz que nada pode fazer a respeito.

 V

São as tais agências reguladoras. Servem exatamente para isso. Antigamente, éramos pisoteados pelos fornecedores: a companhia de luz, a companhia telefônica. Hoje, somos pisoteados por essas companhias e mais as agências reguladoras, uma espécie de sindicato ou de comitê de defesa dos interesses dessas empresas. Quanto ao consumidor, aí está visto seu destino: o de pagar, ser roubado, e ficar quieto.

 VI

A política das agências reguladoras é uma vergonha, e só sobrevive por causa da covardia do governo em enfrentar a imprensa – que acusará o governo de “estatista” ou “atrasado”. A ANP, até mesmo após a descoberta do pré-sal, permaneceu fazendo leilões absurdos de bacias petrolíferas. A Anatel é uma vergonha, e basta olha nossa conta de telefone para ver isso. A propósito, outra notícia  folha de domingo. Pagamos as contas de celular MAIS CARAS DO MUNDO, em termos reais, ou seja, em dólar.

 VII

Aí está: há um cartel, o  das telefônicas, que cobra o que bem entende, que esclarece apenas o que pretende esclarecer, que faz planos de telefonia que torna impossível comparar os planos de uma companhia com os da outra. De outro lado, as companhias de energia elétrica privatizadas.

 VIII

Quanto às elétricas, ainda, algumas anedotas ocorridas no período: há “energia velha”, e “energia nova”. A mesma energia elétrica é tratada de forma diferente, a depender da origem. As usinas foram privatizadas; as distribuidoras foram vendidas. E aí passamos nós a pagar 1 bilhão a mais — ou seja, 1 bilhão a mais do que é a extorsão brutal da conta telefônica — para que a agência, que se comporta como o cartel das companhias, diga que não tem o que fazer a não ser a “crítica ética”.

 IX

Isso tudo é o resultado das privatizações. Já existiam as usinas, já existia a distribuição. O patrimônio público foi vendido. No meio disso tudo, veio a crise do apagão. O que fez o então governo? Mandou construir as usinas termelétricas, movidas a gás boliviano. Ficamos dependentes daquele gás. E pior: os contratos dessas usinas funcionavam na modalidade “take or pay”. Ou seja, mesmo que o governo não utilizasse a energia termelétrica gerada, era obrigado a pagar. Um negócio de pai para filho, que foi sendo desmontado pela Petrobrás a partir de 2003, mas que fez a fortuna de muita gente famosa: a mamata no Estado, sempre, sem dúvida, desse empresariado da área de energia termelétrica.

 X

Eis aí, portanto, o exemplo do liberalismo: a exploração do povo de boa fé; a autorização para que debitem valores exorbitantes nas contas de energia elétrica e telefônicas. Tudo isso é “moderno”: lesar o povo, roubar descaradamente na conta telefônica. Tudo isso é neoliberalismo: vender patrimônio que já existia, que já estava construído, para quem pagou com moeda podre; permitir o aumento absurdo das tarifas; e, além disso, permitir que as cobranças sejam  feitas sem qualquer fiscalização, ao ponto de um povo pobre ser chamado a pagar mais de 1 bilhão de reais ao ano a troco exatamente de nada.

XI

Cabe ação de cada um, no juizado especial cível. E com o pedido de devolução dobrada do que foi cobrado até agora.

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out 18 2009

A IMPRESSIONANTE MEMÓRIA DA EX-SECRETÁRIA

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 E volta à cena a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira. Agora, pelas mãos da revista Veja. Após muito esforço e, provavelmente, remédio para memória, lembrou da data da reunião que supostamente teve com a Ministra Dilma:  dia 09.10 do ano passado.

 II

Em um primeiro momento, a ex-Secretária afirmou aos Senadores da oposição que a data da reunião era, inequivocamente, 19.12 do ano passado. Só que naquela data a ex-Secretária estava em Natal, a serviço, e a Ministra passou o dia em reunião do Conselho de Administração da Petrobrás. Não batia, portanto.

 III

Alguns meses após, ressurge a ex-Secretária e, finalmente, diz que achou sua agenda perdida. E aí divulga que a reunião teria ocorrido no dia 09.10.

 IV

Só que a reunião do dia 09.10 foi COLETIVA, e já havia sido abordada na comissão do Senado que investigou o tema. No blog do Nassif há o atalho para a gravação no youtube exatamente sobre esse dia e esse tema. Para assistir, clique http://www.youtube.com/watch?v=iCy_Z8mvxhw&feature=player_embedded.

 V

Por que a Ministra esconderia um fato desses, absolutamente banal, de pedir “agilidade” em um processo administrativo? Só haveria um motivo: a reunião efetivamente não ocorreu. E, agora, a ex-Secretária, cujo marido é dono de uma gráfica e de uma agência de publicidade que prestam serviços à prefeitura de Natal, dirigida por aliada política do Senador Agripino Maia (PFL-DEM), “localiza” sua agenda perdida. E aí a reunião teria ocorrido MAIS DE DOIS MESES anter do anteriormente divulgado pela ex-Secretária. E pior: trata-se de reunião COLETIVA, já debatida e divulgada na CPI que tratou do tema.

VI

Veja-se, sempre, que quando a questão é muito leviana, muito irresponsável, não vem pelas mãos da oposição formal, pelos partidos de oposição. Vem pela Veja, pela Folha, pelo Estado ou pelo Globo. São, na verdade, um partido político, com ideologia, programa de governo e  prioridades de atuação. A prioridade, agora, é bater de qualquer jeito no governo e na Ministra Dilma, à revelia do que seja notícia ou do que seja verdade.

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out 18 2009

CONFERÊNCIA DE COMUNICAÇÃO

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Enviado por: Samuel Pantoja Lima

A rigor, o novo marco regulatório de políticas públicas de comunicação, recentemente aprovado pelo Congresso Nacional argentino, é democrático e pulveriza a prática de propriedade cruzada, horizontal e vertical, instrumento que pode impedir a prática de monopólio e oligopólio neste setor tão vital à democracia.

A “grita” reacionária dos jornalões é um eco dos hermanos barões argentinos, à frente o grupo O Clarín – que é similar da Rede Globo de Comunicações.

Participei ontem, no plenário da câmara municipal em Joinvile, da abertura da Conferência Municipal de Comunicação da cidade. Quase 200 pessoas, representando dezenas de entidades e movimentos sociais, de diferentes matizes políticos e áreas de atuação, empenharam esforços para discutir o tema e indicar caminhos para a democratização das comunicações.

Fiz uma síntese, a convite da organização e propus que os participantes pensassem a democratização da comunicação como um insumo estratégico da sociedade, na luta por graus crescentes de liberdade.

A ação política do Estado argentino, somada ao enfrentamento corajoso do governo Barack Obama com a Fox News, do megaempresário ultraconservador Rupert Murdoch (a quem a Casa Branca chamou de “partido político”), é um fato histórico. Como escreveu o prof. Venício de Lima (NEMP/UnB), em recente artigo publicado no Observatório da Imprensa: “A posição pública do governo Obama em relação à rede de televisão Fox obriga, necessariamente, a uma reflexão sobre o papel da grande mídia nas democracias representativas. Inclusive, é claro, no Brasil. Ou os Estados Unidos serão também incluídos, a partir de agora, na relação de governos que a grande mídia considera não democráticos, autoritários e/ou totalitários?” – ou talvez “chavista” ou “bolivariano”, como eu acrescento.

De resto, meu camarada, a ação da chamada “grande imprensa” brasileira, salvo raríssimas exceções (talvez a cobertura internacional da Record, com a jornalista Heloisa Vilella), foi dócil e generosa com o governo golpista de Roberto Micheletti, em Honduras. Globo, Estadão, Folha et caterva inventaram o adjetivode “governo interino” e mantiveram o bórdão, desinformando ao máximo, batendo adoidado na ação do ministro Celso Amorim e no governo Lula.

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out 17 2009

CRITÉRIOS

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Quanto a vetos, alguns novos critérios -

 1. Quando não disser respeito ao tema do post, vetarei. É que há tendência de haver monopólio em qualquer tema, inclusive os que não dizem respeito à questão do Aerus.

 2. Quando for suposto “esclarecimento técnico” errado, vetarei. É que há gente que publica questões como se fossem juridicamente corretas, e não são, e acaba passando como se fosse ratificação minha.

 3. Quando há falta de educação, vetarei. Fico comovido com a generosidade do ser humano, mas dispenso a generosidade de espalhar para todos a própria falta de educação. Melhor guardar para si.

 4. Quando é só praguejar, vetarei, também. Nada acrescenta.

5 – Quando é notícia velha, dada como nova, vetarei também.

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out 17 2009

SL

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Conforme informado pelo Paizote, foi incluído julgamento da SL-127 na pauta do próximo dia 22 no STF. Na segunda-feira peticionarei a RETIRADA de pauta, com base nos seguintes motivos -

1. O pedido de vistas do Ministro Eros foi acompanhado de ponderação, no dia 19.12, de que os DOIS TEMAS deveriam ter julgamento conjunto: a SL0127 e a o Recurso Extraordinário referente à ação da defasagem tarifária. O RE ainda não entrou em pauta.

2. Houve Portaria do Ministro Chefe da AGU constituindo grupo de trabalho para discutir as duas ações: SL e DT. O Grupo de Trabalho não concluiu seus estudos, ainda, e há reunião marcada para o próximo dia 27.

Ou seja, não há motivo para inclusão em pauta de um processo que está sob tentativa de acordo. A propósito, o pedido de suspensão de prazo foi feito na outra ação, na defasagem tarifária, e não na SL. Agora, isso será informado na SL-127 e será solicitado que o STF aguarde o final  dos trabalhos desenvolvidos pela AGU.

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out 17 2009

O LIBELO ANTINACIONAL

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Os editoriais de O Globo e do Estadão estão impressionantes. O de hoje, do Estadão, é extraordinário. Fala da Vale do Rio Doce.

II

A privatização da Vale foi a maior vergonha da história brasileira. Foi vendida pelo equivalente a um ano de seu faturamento. Foi, portanto, dada de presente durante o governo FHC. Com a Vale, o Brasil entregou o domínio do seu subsolo no que se refere aos diversos mineirais, inclusive ouro, inclusive ferro. Até hoje a privatização da Vale é questionada na Justiça.

III
E o que fez a Vale, desde então? Um ano após a privatização publicou anúncio de página inteira comemorando 4.000 demissões que havia realizado. Eram outros os tempos: era a década de 90, era tudo “moderno”. Vender patrimônio público era o auge da modernidade. E assim foi feito. A Vale, então, passou a ser uma empresa privada, e se dedicou àquilo que as empresas privadas se dedicam.

IV

Veja-se o Pará, por exemplo. A Vale abre imensas crateras no Pará. É o minério sendo retirado, é o ferro que sai dali e é exportado. E o que é feito, então? O ferro é enviado para a China, onde é transformado em aço e tem o seu preço multiplicado. No Pará sobra uma cratera, tão somente.

V
Por que toda a revolta contra a Vale? Porque a empresa tem tido uma postura antinacional, antibrasileira. E mais: é comandada, hoje, por quem tem apenas 22% das ações. E a imprensa – o Estadão, principalmente – pretende que quem tem apenas 22% das ações mande e desmande na Vale do Rio Doce.

VI

Exportamos o ferro puro. A China faz o aço. E, após, é a mesma Vale que compra navios no exterior, e não de estaleiros brasileiros. A Vale, pois, não tem o menor compromisso com o Brasil, com o desenvolvimento brasileiro. Ao contrário, faz uma exploração predatória, lesiva, que reverte apenas em lucros de curto prazo para si mesma, e não para a sociedade, para o Brasil. É a mesma lógica das hipotecas norte-americanas: o maior lucro no menor tempo, e abandone-se qualquer perspectiva de construção de um futuro melhor.

VII

A Vale, ainda, reduziu substancialmente seus investimentos tão logo anunciada a crise. E semeou desemprego, e ajudou aqueles que tentavam afundar o Brasil.

VIII

Pois bem: há uma pancadaria sobre a Vale, agora. Quando da privatização, FHC disse que o “Governo ficaria com uma ‘golden share’, uma ‘ação de ouro’, para dar opinião sobre os rumos da empresa”. Ou seja, ainda haveria alguma peso na opinião do Estado. Não houve o exercício dessa “golden share”, não houve qualquer iniciativa do governo no sentido de colocar a Vale a serviço, de fato, do Brasil, sem prejuízo dos compromissos que tem com seus acionistas.

IX

Agora, finalmente, o governo cobra pesado da Vale do Rio Doce a sua atuação. A empresa está, sim, com uma política antinacional, colonialista, extrativista. Atua exclusivamente de forma predatória, e já passou da conta.

X
Veja alguns trechos do Estadão de hoje, com alguns comentários que faço  -

“A interferência do presidente já é explícita na administração da Petrobrás. Bem antes de se anunciar a descoberta do pré-sal, Lula tentou forçar a estatal a comprar equipamentos pesados de fornecedores nacionais”. Ou seja, parece que é um crime gerar empregos aqui dentro.

“Mas as pressões voltaram e a legislação proposta para o pré-sal transforma a Petrobrás em instrumento de política industrial. Manobra semelhante – e mais audaciosa – ocorreu quando o presidente criticou a Vale, recentemente, por encomendar navios a um estaleiro chinês”. Ou seja, a Petrobrás NÃO DEVE ser instrumento de política industrial? E a Vale NÃO DEVE direcionar suas compras, tanto quanto possível, às indústrias brasileiras?

“Se o seu sucessor for eleito por um partido de oposição, terá muita dificuldade para retomar a pauta de reformas inaugurada nos anos 90.Terá de enfrentar a resistência de um funcionalismo engordado e moldado segundo os interesses políticos do atual governo. Terá de enfrentar, além disso, a pressão de grupos articulados para movimentos de rua e para demonstrações de força”.  Ou seja, o Estadão mostra suas saudades do período neoliberal. E fala em “funcionalismo engordado”, como se estivessem sobrando médicos, fiscais do trabalho, professores, fiscais da vigilância sanitária!

XI

Adiante, enfim -

A moldura perfeita para este quadro é o conjunto, em torno do Brasil, formado por governos com evidente vocação autoritária, todos apoiados pela atual diplomacia brasileira, francamente intervencionista. Não se trata só dos governos de Venezuela, Equador e Bolívia. A recém-aprovada legislação argentina de controle dos meios de comunicação combina com essa tendência, até agora defendida como perfeitamente democrática pelo presidente Lula e por seus assessores. É uma afinidade cada vez mais clara e mais preocupante.

XII

Pois bem: o que o Estadão faz é se contrapor à Conferência Nacional de Comunicações. O que lá será discutido? O que existe em qualquer país civilizado. Qual o grau de concentração de imprensa admissível? Quem tem jornal pode ter rádio? Quem tem rádio pode ter televisão? Nos EUA, quem tem jornal não pode ter televisão, por exemplo. Em qualquer País razoável do mundo há restrições. Aqui, não. Aqui, também as comunicações são capitanias hereditárias que vêm desde 1.500, de pai para filho. Mas não é o que pensa a aristocracia quatrocentona paulistana, que fala como se estivesse falando em nome do povo brasileiro. E há poucos dias o Presidente do Senado criticou exatamente isso: a imprensa se comporta como se tivesse sido eleita para representar o povo brasileiro! E nova pancadaria contra ele, na grande imprensa, por causa da frase.

XIII

Isso é um editorial de jornal? Não. Isso é uma pregação golpista do Estadão. Não há análise, não há notícia. O que há é um levante golpista que sai a defender, em primeiro lugar, as multinacionais do petróleo; a seguir, os fornecedores internacionais da Vale. Por fim, defende a continuidade do monopólio absoluto das comunicações brasileiras, quando sequer houve, ainda, a conferência nacional de comunicação. Defende toda a pauta neoliberal, mesmo após a crise, mesmo após a quebra dos mercados.

XIV

Bate na Petrobrás, em defesa das multinacionais. Bate no governo, em defesa da politica antinacional da Vale. E não tem qualquer vergonha de se colocar como o principal partido de oposição, a dizer o que os líderes da oposição não dizem. Mas o Estadão é um partido de oposição ou é um jornal que, inclusive, aceita publicidade oficial?

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out 15 2009

À DIREITA DA DIREITA

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O problema da concentração fundiária brasileira é antigo. Getúlio falava da “marcha para o Oeste” e dos projetos de colonização. Após, veio a luta pela Reforma Agrária que culminou no MASTER – Movimento dos Agricultores Sem Terra, organizados no Rio Grande do Sul. Em Pernambuco havia as ligas camponesas. Isso tudo antes de 1964.
 
II
O Estatuto da Terra é de novembro de 1964, aprovado pelo Congresso Nacional logo ao início da ditadura, e também trazia a preocupação da desconcentração fundiária. Ou seja, é tema antigo. A concentração começou com as capitanias hereditárias.
 
III
Há duas questões-base para discutir esse tema: a primeira, a grilagem; a segunda, o tamanho da propriedade. Boa parte das grandes propriedades brasileiras se construiu sobre a grilagem de terras públicas. Grilagem pura e simples. Avançam as cercas, e o sujeito passa a dizer que são suas as terras que na verdade são públicas. Isso houve agora, recentemente, no “grande escândalo” da destruição de algumas laranjeiras pelos sem-terra em uma fazenda invadida em São Paulo. Aquela terra era pública, grilada. A destribuição das laranjeiras foi o protesto contra a grilagem das terras públicas. A imprensa omitiu que aquela terra é pública e grilada. Publicou, apenas, que se tratava de mais uma barbárie dos sem-terra.
 
IV
Agora, é publicada uma “pesquisa” do Ibope. O Ibope, a propósito, é instituto de pesquisa absolutamente desmoralizado. Quem mora no Rio Grande do Sul sabe disso: lá o Ibope já foi desmoralizado, mesmo quando, 5 dias antes das eleições, procura demonstrar “viradas sensacionais”, buscando adequar seus números à realidade. Nem sempre dá tempo de fazer essa adequação, e o Ibope já passou muita vergonha por lá.
 
V
Mas a última pesquisa do Ibope diz respeito a assentamentos. Pegaram um número pífio, uma amostra mínima, para demonstrar que política de reforma agrária não dá certo. Fazem referência ao não acesso a financiamentos e coisas assim, mas a conclusão é: reforma agrária, política de assentamentos, isso não dá certo.
 
VI
Pois essa foi a novidade dos últimos tempos. Discutia-se o que deve ou não ser considerada terra improdutiva, a partir de que tamanho e de que produção. A discussão se dava por aí. Agora, não. A nova pesquisa do Ibope – feita em parceria com a Folha – traz a novidade de buscar soterrar a política de reforma agrária – mesmo essa reformazinha mixuruca que vem sendo feita no governo Lula. De um lado, falam que não há acesso a crédito – e é provável que haja alguma verdade aí. Mas o ataque se dá à política de assentamentos e à reforma agrária.
 
VII
Ou seja, se colocam à direita dos militares, à direita da direita. O conservadorismo é impressionante, e é capitaneado pela CNA – Confederação Nacional da Agricultura, presidida pela Senador Kátia Abreu, do PFL-DEM. Essa Senadora, a propósito, fez questão de se manifestar em defesa dos donos de uma fazenda autuada por manter trabalhadores em situação análoga à de escravos. A discussão não se dá mais sobre a forma da reforma agrária, sobre o tamanho e a produtividade das propriedades. É ataque puro e simples à reforma agrária, é o recuo de mais de 50 anos em uma discussão sobre a desconcentração fundiária.
 
VIII
O problema é que essa discussão acaba soterrando outra: a da bandidagem pura e simples, a da grilagem de terras públicas. Já vimos isso no caso da Reserva Raposa Serra do Sol. Toda a movimentação foi feita por grileiros de terras públicas que iniciaram uma campanha supostamente nacionalista, onde diziam que “o patrimônio brasileiro não pode ser entregue aos ínidos”. Ou seja, aos índios, não; mas a eles, grileiros, sim.
 
IX
Está havendo um recuo imenso nessa questão. A direita brasileira vai assumindo uma posição ainda mais reacionária do que a dos militares, ainda mais agressiva aos direitos de trabalhadores urbanos e rurais do que a dos militares. E isso tudo com o auxílio, agora, do Ibope.

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