No dia da audiência na Presidência do Senado saí apressado. A dor no estômago vinha aumentando, o que provavelmente contribuiu para que o final da reunião não fosse exatamente afetivo de minha parte. Ao sair da sala de reuniões, sequer consegui cumprimentar os aposentados e pensionistas que vinham carinhosamente me dar um abraço.
II
Há algumas semanas vinha sentindo aquela dor. Comecei a ter dificuldade para engolir. Finalmente, fui ao médico e foi solicitada endoscopia. Estou com um tumor de 1,5 cm no finalzinho do esôfago e começo do estômago. Daí vinha a dor ao engolir e que vinha se tornando cada vez pior, ao ponto da perda de peso. Foi ocasionado pelo ácido clorídrico do estômago que, por alguma falha, invadia e irritava o esôfago, fazendo lesões constantes que levaram ao surgimento do tumor.
III
Fiquei bastante atordoado com a notícia. A biópsia confirmou ser um adenocarcinoma. Um amigo – mistura de amigo, pai e, às vezes, filho – me levou imediatamente, no mesmo dia em que peguei o resultado da endoscopia, a um oncologista, Dr. Bruno Oliveira. Lá fui melhor orientado e encaminhado a fazer um “PET-CT”, uma verdadeira varredura no organismo para identificar a existência de eventuais outros focos, ou seja, de metástase. Não há metástase. Há, tão somente, o comprometimento de linfonodos ao redor do tumor original localizado ao final do esôfago. Ou seja, são pequenas “ínguas” que, no trabalho de defender o organismo, se comprometeram com a doença.
IV
A orientação é de cirurgia. A medicina trabalha com os tais “protocolos”, ou seja, o detalhamento dos tratamentos a partir das pesquisas de grandes hospitais e centros de excelência. O moderno protocolo para tratamento do tumor de esôfago é a realização prévia de 3 quimioterapias; a realização da cirurgia; e mais 3 sessões de quimioterapia. No dia 23 de setembro fiz a 1ª sessão de quimioterapia. A próxima ocorrerá em 21 dias; a terceira, em mais 21 dias. Após, novo PET-CT e, a seguir, a realização da cirurgia.
V
Consultei, também, o Chefe da Oncologia do Hospital Sírio Libanês, Dr. Paulo Hoff, que ratificou a orientação: três químios, cirurgia, mais três químios.
VI
Há cerca de dez dias me retirei. Fui para uma casa de repouso em Cascavel, no Paraná, orientado a fazer alimentação unibiótica como forma de reestabelecer o equilíbrio físico e psicológico. Já estou de volta a Brasília, e amanhã retornarei ao trabalho.
VII
Estou bem, física e mentalmente. Não tenho dores. Tenho disposição. O impacto psicológico inicial foi superado. Tenho, agora, uma batalha pela frente e uma luta para tentar evitar a cirurgia, embora a indicação médica seja efetivamente cirúrgica. Além do tratamento convencional, estou tomando avelós. Curiosamente, tive essa indicação cerca de um mês e meio antes da descoberta do meu problema, e cheguei a publicar aqui no blog. Estou fazendo os tratamentos alternativos possíveis que possam auxiliar a evitar a cirurgia.
VIII
Enfim, estou com câncer no esôfago. Já realizei a primeira sessão de químio. A seguir, me recolhi por alguns dias para fazer um reequilíbrio. Estou de volta a Brasília, retornando ao trabalho. Diminuirei o ritmo, certamente. Meu ritmo “normal” é trabalhar o tempo todo, exceto quando estou dormindo. A idéia é disciplinar o ritmo de trabalho a um patamar “humano” e desenvolver uma vida mais natural, mais harmônica, onde haja espaço para a saúde. Estou trabalhando, escrevendo ações novas, reunindo com novos clientes, avançando nos projetos de ampliação do escritório.
IX
Torno pública essa questão porque não pude realizar a cirurgia de imediato, dada a exigência das quimioterapias prévias. Ou seja, é notícia que não ficaria entre quatro paredes. Estou, portanto, enfrentado outra batalha, outra “causa”, sem prejuízo de todas as outras que estão em curso. É isso.