nov 22 2009

FIOCRUZ ESTUDA PESTICIDAS E PRODUTOS QUÍMICOS COMO CAUSA DE CÂNCER

Postado por Maia at 11:12 sob Uncategorized

De O Globo Online –
RIO – O aumento de casos de câncer de mama em mulheres com menos de 50 anos vem intrigando oncologistas. No Brasil, 30% dos casos são diagnosticados antes desta idade. No México, o número sobe para a metade. A preocupação é tanta que o tema foi destaque no simpósio “Câncer de mama e países em desenvolvimento”, realizado no início do mês em Boston, nos Estados Unidos.

O que preocupa especialistas é que essas mulheres, além de não terem um histórico familiar da doença, muitas vezes também não apresentam outros fatores de risco como o sedentarismo, a maternidade tardia e a má alimentação. O fenômeno acontece principalmente em países em desenvolvimento como o Brasil, o México e a China, reforçando a ligação entre câncer e fatores ambientais.
Uma pesquisa coordenada pelo epidemiologista Sergio Koifman, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, aponta para uma possível associação entre pesticidas e o câncer de mama em mulheres jovens sem histórico da doença.
- A discussão sobre pesticidas e câncer não é nova, é um tema controvertido que vem sendo debatido há muitos anos. Alguns estudos comprovam, outros não deixam claro se existe este impacto na saúde. Mas temos que tentar entender por que o câncer de mama, uma doença da mulher mais velha, está aparecendo em jovens – explica Koifman, pesquisador do Programa de Oncobiologia da UFRJ.

Pesticidas agem como hormônios
Segundo ele, alguns pesticidas e inseticidas muito usados no Brasil até os anos 90 podem ter uma substância química muito parecida com os hormônios esteroides encontrados no corpo. Moléculas como as do diclorodifeniltricloretano (DDT), pesticidas usado em lavouras e no combate a mosquitos; e o hexaclorociclohexano (HCH), inseticida conhecido como pó-de-broca; podem ter relação com uma série de doenças, entre elas leucemia, câncer da tireoide, mal de Parkinson e a má formação fetal.

O pesticida e o inseticida foram proibidos para uso agrícola no Brasil em 1985. Em maio deste ano, a fabricação, a exportação, a manutenção em estoque e a comercialização do DDT foi proibida em todo território nacional. Já o HCH ainda é usado no controle de pragas.

No Brasil, Koifman alerta que vem sendo observado um aumento na incidência de casos da doença em mulheres com menos de 40 anos sem história de agregação familiar de câncer de mama ou ovário. O médico avaliou 250 pacientes com menos de 36 anos diagnosticadas com a doença no Instituto Nacional do Câncer (Inca) e um número semelhante de jovens controles sem antecedentes pessoais de câncer.

Eliminando outros fatores de risco, foi possível chegar à conclusão que mulheres expostas aos pesticidas domésticos na infância ou na juventude corriam um risco 5,5 vezes maior de desenvolver este tipo de tumor.

A explicação, segundo Koifman, é que, no contato prologando com a substância, nossas células acabam percebendo estas moléculas como um outro hormônio e desencadeiam uma série de ações que podem desequilibrar o organismo e levam a doenças.

- A gama de efeitos dos pesticidas é muito amplo. Eles podem ter um efeito estrogênico, o mesmo efeito danoso que alguns tipos de plástico, como o bisfenol-A (BPA) e as resinas. Isto pode causar alterações hormonais ou celulares que deixam o organismo mais suscetível a disfunções.

Como os pesticidas são considerados um risco invisível, a recomendação de Koifman é tentar minimizar a exposição a substâncias químicas no dia a dia. O cuidado deve ser maior na gravidez e na lactação, já que as substâncias se acumulam no tecido adiposo e no leite materno e podem causar uma série de danos no bebê.

Para a oncologista Lizbeth Carrillo-López, pesquisadora sênior do Instituto Nacional de Saúde Pú$do México, ainda é cedo determinar se agressores externos são responsáveis por estes tumores, mas nem por isso eles devem ser ignorados.

- Muitas mulheres na América Latina não se encaixam no grupo de risco, mas desenvolvem a doença. Temos que pensar em todas as possibilidades para entender como podemos salvar mais vidas.

8 respostas até o momento

8 Respostas em “FIOCRUZ ESTUDA PESTICIDAS E PRODUTOS QUÍMICOS COMO CAUSA DE CÂNCER”

  1. Gabrielaem 22 nov 2009 �s 11:55

    Obrigada Dr. Maia por esse esclarecimento.
    Abraços carinhosos
    Gabriela

  2. paizoteem 22 nov 2009 �s 12:53

    Pouca gente sabe, mas os homens também desenvolvem o tumor de mama como as mulheres. Embora a incidência da doença ainda seja considerada baixa – equivalente a 1% dos cânceres –, ela vem aumentado a cada ano. Os índices de cura estão diretamente relacionados ao diagnóstico, ou seja, as chances de cura crescem à medida que o tumor é descoberto precocemente. “Quanto antes for diagnosticado, melhor o prognóstico. Pois, como na mulher, os índices de cura para o diagnóstico precoce são de cerca de 80% a 90%, enquanto que, se descoberto tardiamente, este índice cai brutalmente, “, revela o cirurgião oncológico do Hospital e Maternidade São Luiz (São Paulo), Renato Santos.

  3. Sérgio Salgadoem 22 nov 2009 �s 13:56

    Dr. Maia, boa tarde e muita saúde !!!

    Interessante o artigo na medida em que a mídia apresentou proposta no sistema americano de saúde para suspender exames de mama em mulheres mais jovens alegando a baixa incidência da doença nelas.
    Prova viva do violento lobie que planos de saúde devem fazer. Em princípio o Obama agüentou o tranco e afirmou que continua a incentivar esses exames.
    Não demora muito e os urubus donos dos planos aqui no Brasil começam a pressionar a ANS de forma a seguirem a indicação americana.
    Isso é briga de cachorro grande mas, de qualquer forma, convém ficarmos espertos para não sermos atropelados.

  4. O ANARQUISTAem 22 nov 2009 �s 19:15

    Prezado Dr Maia, em primeiro lugar torço para que o seu restabelecimento seja breve. Quanto ao estudo acima, não tenho nenhuma ligação com qualquer cientista, portanto as minhas observações e considerações são apenas de conhecimento na mídia, este estudo não foi conclusivo, pois nele em todos os parametros abordados só alegaram que PODEM ou PODE, para um estudo creio que é muito pouco, é como divulgar uma noticia dizendo que pode ser, talvez, quem sabe, creio que seria mais justo afirmar ou negar que tal pesticida ou produto quimico causa cancer. Outra coisa que me chamou atenção foi a informação de que o cancer de mama tem o seu desenvolvimento majorado nos paises em desenvolvimento, aquí estranhei a colocação da CHINA como um pais que mais se desenvolve o cancer, pois numa pesquisa efetuada à alguns anos pela Prof Jane Plat, constatou que a incidencia de cancer de mama entre as mulheres era 1 para cada 10.000 habitantes, enquanto que no Reino Unido essa proporção era de 1para cada 12 , e confirmado pela OMS quando da divulgação de cancer entre os homens, na China 0,5 para cada 10.000 e no Reino Unido a incidencia era 70 vezes maior. Creio que algumas pesquisas são efetuadas com rigor mas se deturpam quando passam a divulgação e perdem a sua confiabilidade. Este estudo da Prof. Jane Plat é aquela em que eu lhe enviei via e-mail que fala sobre a LACTOSE X CANCER na qual essa prof. acabou por escrever um livro “YOUR LIFE IN YOURS HANDS” contando a sua peregrinação e pesquisa sobre o assunto. abçs

  5. carlos irmãoem 23 nov 2009 �s 11:00

    Dr. Maia, muito oportuna a matéria inserida no seu blog.
    A ciência avança a passos largos com suas pesquisas e creio que o ideal seria a união dela com as terapias alternativas, dais quais sou adepto confesso.
    Vivemos num mundo em que a produção de alimentos tem que ser acelerada devido ao aumento do consumo e a geração de grandes lucros. Tudo é modificado em laboratório, químicas, conservantes; aceleração artificial do crescimento dos animais, confinamentos e toda espécie de recursos que redundem em lucros para as empresas. As empresas são responsáveis por muitas doenças causadas aos consumidores.
    Os pestecidas são é sempre serão um dos grandes vilões da saúde. Quantos produtos que consumimos na nossa mesa que possuem excesso deles ..batatas, tomates, morangos , só para citar alguns. Precisamos desses produtos na nossa mesa mas precisamos aprender a nos defender com recursos caseiros para eliminar uma parte desses excessos. Uso de vinagre e outros produtos à venda são necessários que utilizemos como prevenção para lavarmos os hortifruti.
    Nossa saúde depende e muito daquilo que ingerimos no nosso dia a dia. E, cada dia mais temos que tornamos donos e senhores de nossa vida. Ou seja, somos o nosso melhor médico. Temos que reaprender e nos reeducar com nossa alimentação para evitarmos muitas doenças.

  6. Fátimaem 23 nov 2009 �s 15:28

    Dr. Maia,

    Nas doenças a ignorancia não protege, quanto mais informações temos
    maior é a possibilidade de cura.
    Obrigada por passar seu conhecimento a outras pessoas.

  7. R. Jorgeem 24 nov 2009 �s 11:49

    Creio que todos vão achar essa apresentação informativo. Não deixa de ler ….. Tenho uma irmã que costuma dizer que :”Informação é poder!!”.

    http://www.slideshare.net/mspnet/hospital-john-hopkins-eua-456928

    Posso sentir sua frustração pois já enfrentei essa luta duas vezes … até agora. Boa sorte com seu tratamento, Dr. Maia.

    Um grande abraço,

  8. Jayme nunes barbosaem 24 nov 2009 �s 16:27

    Flex deve parar, para sempre, hoje
    Foram quatro anos de recuperação judicial e quase dois anos de voos operados à Gol O único avião da antiga Varig, um Boeing 737-300 com a bandeira Flex, deve permanecer definitivamente no chão a partir de hoje. Foram quatro anos de recuperação judicial, um ano e oito meses de voos operados para a Gol, mas uma dívida de R$ 15,1 milhões impede a Flex de decolar, segundo o seu último relatório mensal, referente a outubro. Os outros negócios da companhia, como o centro de treinamento de pilotos, continuam em atividade. “No mês de novembro, caso não ocorra a liberação de recursos não operacionais, até o dia 6, para pagamento dos funcionários, dos fornecedores e recolhimento de tributos, tornar-se á inevitável a paralisação das atividades”, informa o relatório da Flex, assinado pelo gestor judicial e presidente da empresa, Aurélio Penelas. O relatório é mensalmente enviado ao juiz Luiz Roberto Ayoub, da 1ª Vara Empresarial do Rio, que comandou a recuperação judicial da companhia. Procurado, Ayoub não quis se manifestar porque prefere, primeiro, conversar com Penelas hoje. O gestor da Flex diz que o avião só voará novamente se obtiver algum recurso na Justiça que libere R$ 5 milhões em depósitos em juízo, bloqueados pelo Tribunal Regional do Trabalho do Rio. “A gente brigou, brigou e se sente frustrado por chegar tão perto de um acordo e não ter conseguido”, afirma Penelas. O que ele mais lamenta é a situação dos 212 empregados. Outra alternativa seria o governo dar algum sinal de que está disposto a fazer o encontro de contas entre o que a empresa cobra por perdas com o congelamento de tarifas entre os anos 80 e 90 e o que ela deve de tributos. A Flex herdou da Varig um passivo estimado em R$ 7 bilhões. Mas o próprio Penelas admite que isso é improvável, pois o pacto está emperrado há mais de 210 dias. Um dos impasses é o valor. A empresa alega cerca de R$ 4 bilhões, mas o governo fala em pouco mais de R$ 2 bilhões. Penelas conta que outra frente seria a Gol interceder junto à dona do avião, a empresa de leasing Wells Fargo, que pode arrestar o 737-300 a qualquer momento. O executivo lembra que originalmente a aeronave era da frota da Gol, mas foi arrendada para a Flex. Mas já são quatro meses sem pagar o arrendamento, cujo valor total é de US$ 900 mil, e a Wells Fargo quer arrestar a aeronave. Isso só não ocorreu antes porque o avião estava em manutenção até hoje. Além disso, a Flex não pagou a segunda parcela do seguro, de US$ 150 mil, que venceu na sexta-feira. Sem essa garantia, ela não pode voar. Os 212 empregados da Flex esperam hoje por um “milagre”.

Trackback URI | Comments RSS

Deixe uma mensagem.