jan 08 2010

A ARGENTINA, A VERDADE E A IMPRENSA

Postado por Maia at 11:04 sob Uncategorized

A notícia que a imprensa publica é uma, a verdade é outra. Foi dito, há pouquíssimos dias, que a Presidenta da Argentina pediu que o presidente do Banco Central daquele País pedisse demissão. E ele recusou o pedido. A Presidenta, portanto, teria sido publicamente humilhada. Essa é a versão da imprensa.

II
Se fosse só isso, voltaríamos à discussão do Banco Central Independente, ou autônomo. Ou seja, um órgão dos bancos e para os bancos, onde o Presidente da República não manda. De nada adianta votar porque quem manda na política monetária não é o Presidente da República, mas um banqueiro escalado para presidir o Banco Central. E me preocupou uma entrevista da Senadora Marina Silva, do PV, ao defender candidamente “banco central autônomo”. Pareceu-me que esse verde, do PV, estava mais próximo do verde do dólar.

III
Mas o que houve na Argentina foi além. A Presidenta da República solicitou que 6,5 bilhões de dólares das reservas fossem apartados para um fundo destinado a pagar títulos da dívida argentina. A Argentina ainda deve muito no mercado internacional. Fez esse movimento, separou mais esses 6,5 bilhões, dentro uma política de buscar a normalização da situação argentina no mundo. E o Presidente do Banco Central Argentino se recusou. A Presidenta solicitou que ele pedisse demissão. E ele se recusou, de novo.

IV
Ontem, a Presidenta da Argentina demitiu o Presidente do Banco Central. O que há na Argentina?

V
Em primeiro lugar, há a oposição ferrenha, cotidiana, insana do grupo El Clarin. A propósito, o dono do jornal está sendo processado porque há desconfiança de que seus filhos adotivos sejam, na verdade, filhos de sangue de militantes políticos mortos durante a ditadura. O caso foi denunciado pelas “Avós da Praça de Maio”, aquelas cujos netos foram seqüestrados e entregues a alguém para adoção.

VI
A imprensa brasileira tentar fazer parecer irresponsabilidade o que houve na Argentina. Na verdade, o que o governo argentino fez foi buscar pagar mais um pouco da sua imensa dívida, apartando recursos. E foi impedido pelo boicote deliberado do presidente do Banco Central. A Presidenta da República tão somente restabeleceu a autoridade e demitiu o sujeito.

VII
Daí as reflexões necessárias: a primeira, sobre a insanidade de bancos centrais independentes; a segunda, sobre a distorção de informações feita pela mídia, tanto a argentina quanto a brasileira.

8 respostas até o momento

8 Respostas em “A ARGENTINA, A VERDADE E A IMPRENSA”

  1. Fernandoem 08 jan 2010 �s 19:35

    Ficamos então com a escolha da opção d:
    (d)NRA
    A causa do estranhamento entre essas duas entidades ainda não foi dita.
    Certamente não tem a ver com ela rapar as curtas divisas do país ou com a posição “heróica” do chefete do BC portenho.
    E que papel o da imprensa brasileira, que conluio! A argentina eu não li, mas devemos tomar atenção com essa amostra de como a imprensa brasileira tenta nos manipular. E em conjunto!

  2. Marlon Britesem 08 jan 2010 �s 21:45

    Eu não concordava com muito do que o jornalista Paulo Francis falava ou escrevia, quando o assunto era política e questões social. No entanto, concordei em todos os sentidos quando ele, jornalista, disse, certa vez, em uma entrevista, que a imprensa deveria se cuidar muito, após a queda da ditadura no Brasil (já ocorrida quando da ocasião da entrevista), para não se tornar ela (a imprensa) uma ditadora.
    Paulo Francis parecia estar prevendo o que está acontecendo hoje, no Brasil. Eu, pelo menos, quando leio ou ouço algo vidno da imprensa sem- pre faço com um grau de seticismo considerável.
    Enfim….é isso.

    Saúde, Dr. Maia.

  3. Petraem 09 jan 2010 �s 11:13

    Bom dia , Dr. Maia !
    Acabo de ler o jornal de hoje e transcrevo o melhor que achei nele , a coluna de Arnaldo Bloch , ” O X do ponto G ” , caso o Sr. achar que o tema não tem nada a ver com o seu Blog ou que o conteúdo possa ser ofensivo a alguém , sinta-se a vontade de não publicá-la . Por ser um assunto tabu para muitas/os , escrito de maneira bem humorada e inteligente acaba sendo divertido sem ser ofensivo .

    O X DO PONTO G

    Num episódio clássico da série que leva seu nome , o filósofo Jerry Seinfeld , num daqueles momentos de ” stand up comedy ” , compara o gozo feminino ( no seu sentido da desejável ” tarefa ” masculina de proporcioná-lo ) á Bat Caverna ( o esconderijo de Batman) , dizendo mais ou menos o seguinte :

    – Ninguém sabe onde fica , e se a gente vai lá , não tem a mínima idéia de como chegou .

    Claro que não é bem assim . Não é nada assim . Em primeiro lugar o orgasmo feminino não depende só de quem proporciona , mas do estado de espírito da mulher , de sua personalidade , de sua relação com o próprio corpo , do quanto ela se toca e de uma infinidade de aspectos de sua subjetividade .

    Aí entra (!) o homem ” latu sensu ” : claro que são fatores importantes , sua habilidade , as técnicas , os encaixes , seus conhecimentos anatômicos , sua sensibilizada , sua paciência , suas características em face as preferências da parceira . Mas a Mãe Natureza é misteriosa e generosa : em alguns casos ( os melhores) , a química , por si só , faz maravilhas sem qualquer esfôrço de uma parte ou de outra , sendo que os detalhes técnicos podem ou não participar da festa , só como uma cereja no embalo do bolo .
    Mas num ponto a piada careta e simplificadora de Seinfeld acerta em cheio : o orgasmo feminino é rico , complexo , e sua geografia é um mistério . A ponto de se ter criado o conceito do ponto G como algo que poderia vir para explicar , mas que acabou servindo para confundir . A existência de um ponto ” atrás do osso púbico , perto do canal da uretra e acessível através da parede anterior da vagina ” como sendo o centro ótimo da estimulação orgástica ( trazendo inclusive uma série de benefícios médicos ) criou uma espécie de corrida ao ouro , que , no final se revelou infrutífera : embora muitas e muitos se gabassem de tê-lo encontrado , a coisa sempre esteve mais para história de pescador .
    Isso não quer dizer . de forma alguma , que o ponto G não exista , como agora um estudo vem preconizar . Ao contrário : o que não existe é uma localização determinada para ele na vastidão da sexualidade feminina . Assim , o fato do ponto G ser um mito , por paradoxal que pareça , é a prova maior da sua existência !!!!!
    Ele existe em vários lugares . Um hoje , outro amanhã . Ou ao mesmo tempo , ubíquo e onipresente , em todos os lugares . Ou , creiam , num lugar só e em vários , complementarmente . O gozo feminino é uma onda de energia que percorre todo o corpo , pode durar muito tempo e conduz a um estado de alma posterior elevadíssimo , que transcende o simples desejo de dormir depois do ” descarrego ” tão carecterístico masculino . Este tende a ser descrito como sempre localizado e de curta duração . Ou seja , o ponto G do homem estaria muito mais próximo da definição original : sua localização é conhecida , é o pênis (ou , segundo algumas vozes iogues , outras iogays , a próstata …)
    Por isso o homem inveja tanto o orgasmo feminino. Alguns buscam através de esforços tântricos ou reichinianos a superação . Outros desistem de ver nele algo tão especial , como um amigo meu que , dia desses , veio com esta :
    – Arnaldo , tem tantas coisas melhores para se fazer com uma mulher do que gozar ! Quer gozar , vá ao banheiro .
    Ou seja , para esse meu amigo , gozo= ejaculação , a não ser no banheiro , onde a fantasia bate um bolão …
    Respondi de bate pronto :
    - Cara , a qualidade do seu orgasmo com mulheres deve estar muito baixa . E vou te dizer : depois que passei dos 30 , e mais ainda , dos 35 , o orgasmo passou a ser ao mesmo tempo mais demorado , mais intenso , mais curtido e mais espraiado . Sobe pela espinha , solta o peito , liberta os pensamentos …
    _ Menos Arnaldo . Voce está descrevendo um orgasmo feminino .
    Se é isso , que assim seja . Uns 20 anos atrás , lembro-me de meu pai dizendo coisa semelhante . Que , com a idade , o gozo dele foi melhorando . Talvez seja isto : como a mulher é sempre mais madura que o homem , ela goza melhor . Quando o homem alcança tardiamente a maturidade , ganha de presente este atributo : o gozo com G maiúsculo .
    Donde se conclui , penso , agora , com meus botões ainda atados , que o ponto G , em toda a sua grandeza e virtualidade , existe para todos , homens e mulheres ( heteros e gays), onde quer que ele esteja , e quando for o momento . O ponto G é único e múltiplo , individual e coletivo , pode estar em dois lugares ao mesmo tempo e sua geografia é mais quântica do que newtoniana . E ponto final .

    Abraços carinhosos , muuuiito calorosos ( Rio 40º ) , e bom fim de semana .

    Resposta – Não só o assunto é permitido, como, tão logo resolvido o problema do Aerus, o orgasmo feminino provavelmente se tornará a grande especialidade do blog e seus comentaristas.

  4. Petraem 09 jan 2010 �s 21:03

    Dr. Maia , ( rs.rs,rs, ) como o Sr. disse , resolvidos o problema do Aerus garanto que as discussões sobre o orgasmo feminino serão bem mais interessantes e divertidas do que discussões sobre o sexo dos anjos , como sobreviver sem $$$$ etc…
    Vamos combinar que resolvido o problema do Aerus quase todos os nossos problemas estarão resolvidos , não é ?
    Lhe desejo um bom domingo , abraços carinhosos á todas/os .

  5. Petraem 10 jan 2010 �s 07:21

    Aos meus amigos e amigas gaúchos . Autoria desconhecida .

    VERANEIO DE GAÚCHO

    Não sei se voces de outros Estados , sabem , mas temos o mais fantástico litoral do País : de Torres ao Chuí , uma linha reta , sem enseadas , baías , morros , re – entrâncias ou recortes . Nada ! Apenas uma linha reta , areia de um lado , o mar do outro .

    Torres , aliás é um equívoco geográfico , contrário às nossas raízes farroupilhas e devia estar em Santa Catarina .

    Característica nossa , não gostamos de intermediários .

    Nosso veraneio consiste em pisar na areia , entrar no mar , sair do mar , pisar na areia . Nada de vistas deslumbrantes , vegetações verdejantes , montanhas e falésias , prainhas paradisíacas e outras frescuras cultivadas aí para cima .

    O mar gaúcho não é verde , não é azul , não é turquesa .

    É marrom !

    Cor de barro iodado , é excelente para a saúde e a pela ! E nossas ondas são constantes , nem pequenas nem gigantes , não servem para pegar jacaré ou furar onda. O solo do nosso mar é escorregadio , irregular , rico em buracos . Quem entra nele tem que se garantir .

    Não vou falar em inconvenientes como estradas engarrafadas , balneários hiper-lotados , supermercados abarrotados , falta de produtos , buzinaços de manhã , de tarde e de noite , areia fervendo , crianças berrando , ruas esburacadas , tempestades e pele ardendo , por que protetor solar é coisa de fresco e em praia de gaúcho não tem sombra . Nem nos dias de chuva , quase sempre nos fins de semana , provocando o alegre , intermitente , reicidente e recorrente coaxar dos sapos e assustadoras revoadas de mariposas .

    Dois ventos predominam , em nosso veraneio : o nordeste – também chamado de nordestão – e o sul , cuja origem é na Antártica .

    O nordestão é vento com grife e estilo … estilo vendaval .
    Chega levantando areia fina que bate em nosso corpo como milhões de mosquitos a nos pinicar . Quem entra no mar , ao sair rapidamente sfe transforma no – como chamamos com bom humor – veranista à milanesa . A propósito , provoca um fenômeno único no universo , fazendo com que o oceano se coloque em posição diagonal à areia : voce entra na àgua bem aqui e quando sai , está quase a um quilômetro para sul . Essa distância é variável , relativa ao tempo que voce permanecer dentro dágua .

    Outra coisa : nosso mar é prá macho ! Água gelada , vai congelando seus pés e termina nos cabelos . Se voce prefere sofrer tudo de uma só vez , mergulhe e erga-se , sabendo que nos próximos quinze minutos sua respiração voltará ao normal : é o tempo que leva-se para recuperar-se do choque térmico .

    Noventa por cento do nosso veraneio gaúcho é agraciado pelo nordestão que , entre outras coisas , promove uma atividade praiana , inusitada e exclusiva do Sul : Caça ao guardassol . Guardassol , voce sabe , é o antigo guarda- sol , espécie de guarda-chuva de lona , colorida de amarelo , verde , vermelho , cores de verão , enfim , cujo cabo tem uma ponta que voce enterra na areia e depois senta embaixo , em pequenas cadeiras de alumínio que não aguentam o seu peso e se enterram na areia .

    Chega o nordestão e … lá se vai o guardassol , voando alegremente pela orla e voce correndo atrás … Ganha quem consegue pegá-lo antes de ele se cravar na perna de alguém ou desmanchar o castelo de areia que , há tres horas , voce está construindo com seu filho de cinco anos .

    O vento sul , por sua vez , é menos espalhafatoso . Se voce for para a praia de sobretudo , cachecol e meias de lã , mal preceberá que ele está soprando . É o vento ideal para se comprar milho verede e deixar a água fervente escorrer em suas mãos , para aquecê-las .

    Raramente , mas acontece , somos brindados com o vento leste , aquele que vem diretamente do mar para a terra . Aqui no Sul , chamamos o vento leste de ” vento cultural ” , porque quando ele sopra , apreendemos científicamente como se sentem os camarões cozidos ao bafo .

    E , em todos os veraneios , acontece aquele dia perfeito : nenhum vento , mar tranquilo e transparente , o comentário geral é : ” foi um dia de Santa Catarina , de Maceió , de Salvador ” e outras bichices . Esse dia perfeito quase sempre acontece no meio da semana, quando quase ninguém está lá para aproveitar . Mas fala-se dele pelo resto do veraneio , pelo resto do ano , até o próximo verão .

    Morram de inveja , esta é outra das coisas de gaúcho !

    Atenta a essas qustões , nossa indústria da construção civil , conhecida mundialmente por suas soluções criativas e inéditas , inventou um sistema maravilhoso que nos permite veranear no litoral a uma distância não inferior a quinhentos metros da areia e , na maioria dos casos , jamais ver o mar : os famosos condomínios fechados .

    A coisa funciona assim : a construtora adquire uma imensa área de terra ( areia) , em geral a preço barato por que fica longe do mar , cerca tudo com um muro e , mal começa a primavera , gasta milhares de reais em anúncios na mídia , comunicando que , finalmente agora voce tem ao seu dispor o melhor etilo de veranear na praia : longe dela . Oferece terrenos de ponta a ponta , quanto mais longe da praia , mais caro é o terreno . Voce vai lá e compra um .

    Enquanto isso a construtora urbaniza o lugar : faz ruas , obras de saneamento , hidráulica , elétrica , salão de festas comunitário , piscina comunitária com águas térmicas , jardins e até lagos e lagoas artificiais onde coloca peixes para voce pescar . Sem falar no ginásio de esportes , quadras de tênis , futebol , futebol-sete , se o lago for grande , uma lancha e um professor para voce esquiar na água e todos os demais confortos de um condomínio fechado de Porto Alegre , além de um sistema de segurança quase , repito , quase invulnerável .

    Feliz proprietário de um terreno , agora voce tem que construir a sua casa , obedecendo é claro ao plano diretor do condomínio que abrange desde a altura do imóvel até o seu estilo .

    O que fazemos nós , gaúchos, diante dessa fabulosa novidade ? Aderimos , é claro .
    Construímos as nossas casas que , de modo algum , podem ser inferiores as dos vizinhos , colocamos piscinas térmicas nos nossos terrenos para não usar a comunitária , mobiliamos e equipamos a casa com o que tem de melhor , sobretudo na questão da tecnologia : internet , TV à cabo , plasma ou LCD , linhas telefônicas , enfim , veraneamos no litoral como se não tivéssemos saído da nossa casa da cidade .

    Nossos veraneios costumam começar aí pela metade de janeiro e terminar aí pela metade de fevereiro , depende de quando cai o Carnaval . Somos um povo trabalhador , não costumamos ficar parados nas nossas praias , Vamos lá nas sextas-feiras de tarde e voltamos de lá nos domingos à noite . Quase todos na mesma hora , ida e volta .
    È assim que , na sexta – feira , pelas quatro ou cinco da tarde , entramos no engarrafamento . Chegamos ao nosso condomínio lá pelas nove ou dez da noite . Usufruímos nosso novo estilo de veranear no sábado – manhã , tarde e noite – e no domingo , quando fechamos a casa .

    Adoramos o trabalhão que dá para abrir , arrumar e prover a casa na sexta de noite , o mesmo trabalhão que dá no domingo de noite .

    E nem vou contar quando , ao chegarmos , a geladeira estragou , o sistema elétrico pifou ou a empregada contratada para o fim de semana não veio .

    Temos aqui no Sul , uma expressão regional que vou revelar ao resto do mundo :

    GRAÇAS A DEUS QUE TERMINOU ESTA BOSTA DE VERANEIO !!!!!

    Veja só do que o Sr. se livrou indo para BSB , Dr. Maia …
    Abraços carinhosos e muito calorosos ( aqui nas últimas semana só dá vento cultural , aquele do camarão ao bafo … Rio 40 º ) , bom domingo á todas/os

  6. Gabrielaem 10 jan 2010 �s 16:33

    Dr. Maia ,

    Petra , A DO REI, valeu , dei muitas risadas.

    Dr. Maia , gostei do ” tão logo resolvido nosso problema”, na esperança de que se resolva rápidinho, rápidinho.

    Abraços carinhosos

    Gabriela

  7. Petraem 11 jan 2010 �s 08:44

    Já que o assunto está permitido , me atrevo a fornecer mais um pouco de material para as futuras discussões no seu Blog ( já com o asssunto Aerus resolvido definitivamente e todos ganhando integralmente suas aposentadorias , o que será muito em breve , espero ) …
    Discussões do tipo orgasmo feminino e pontos G , etc… , discussões estas que colocarão o seu blog como campeão de audiência , sem sombra de dúvida . A crônica de hoje é do Globo escrita pelo colunista Joaquim Ferreira dos Santos .

    ” È o ponto I ”

    Ah , senhores cientistas , não me venham com essa eterna necessidade de sintetizar tudo no lugar exato , nem uma dobra a mais para lá nem um gemido a menos para cá . Desistam de encontrar em que paralelo ao norte o prazer cruza com o meridiano das sensações ao sul e – ” è aqui , cravam as bandeiras ! ” – dá-se o shazam feminino . Mulher é desdobrável , disse a poeta Adélia Prado , e eu , sem nunca ter usado o feng shui para localizar de onde vêm seus focos de vibração , eu as acho mais felizes por isso . Parem de compará-las aos ratinhos brancos e deixem – nas fora dos laboratórios . Elas jamais serão decifradas . Suas palpitações não cabem num ponto único , como é o caso do homem, que coloca toda a sua excitação na grande área do futebol . Cabem , talvez num ponto de exclamação – o sinal de espanto que as mulheres provocam com suas improbalidades e pernas tão grandes quanto este polissílabo ruim.
    Abandonem, senhores cientistas , esta busca insana sobre onde exatamente – nos vales de que colinas ? entre copas de árvores ou rio de seixos ? – elas escondem o ponto xis de seus controles orgásticos .
    São graças a Deus , incatologáveis . ao estilo daqueles drops Dulcora do passado , também parecem embrulhadas uma a uma . Algumas recendem a morangos , outras , taperebás . São estupefacientes únicas , sem reprodução em série como obras de arte da vulgaridade contemporânea . Elas são um caso clássico de estupor para os olhos , os sentidos e a investigação dos seus adoradores – mas como se vê no caso do ponto G , dão trabalho . Algumas tatuam nas omoplatas hieròglifos que parecem dar o bizu . È pista falsa . Insista . podem até carregar algo parecido com um ponto G , um botão que dispara quando o ladrão arromba a porta de segurança – mas cada uma guarda o segredo numa gaveta escondida . Ele deve ser procurado com delicadeza e autorização .
    Para se descobrir o ponto culminante de um país , basta combinar um bando de alpinistas- geógrafos , pô-los para comparar as montanhas nacionais e , pronto , consagra-se o Pico da Bandeira como o mais alto do Brasil . A régua do prazer é subjetiva . Só os homens mais grosseiros escalam mulheres com técnicas de montanhismo . Alguns , orgulhosos de ter feito a escalada pela zona sul , depois passam a informação num bar sujo e a confrontam com a de seus parceiros . Até esta gente fracassa no intento . Nem nesses laboratórios de cafagestagem se chega a traçar um mapa exato das trilhas que conduzem ao cume do prazr feminino .
    Não me venham senhores pesquisadores , com raio laser em busca dessa pepita escorregadia que se abriga em alguma mina úmida e escura do lado de baixo do Equador . Hoje , aqui , não tem aula de geologia , nem projeção de ” Os caçadores da arca perdida ” – o assunto é o amor segundo o ” Cânticos dos Cânticos ” .
    Trata-se de religião e êxtase , a busca do cálice bento onde Deus fez a morada .
    Vá com calma , leve miolo de pão para a volta . Nada de ” Guia Rex ” nem a edição especial da revista ” Quatro Rodas ” . Grandes repórteres fracassaram na pauta . È preciso paciência e culto á causa .
    Pergunte com delicadeza , mas sem palavras , por favor , se está no caminho certo . È aqui ? Fique sensível para a sinalização da estrada . O anúncio de que finalmente voce chegou ao destino procurado não será dado por uma placa com inscrição espalhafatosa de ” Sorria , voce está na Barra ” . O ponto a que se quer chegar no fim da aventura tem códigos bíblicos e precisos . Sinta . A terra vibrará .
    Uma mulher não se vasculha com GPS programado , que alerta sobre uma rotatória a metros , e depois pede que se dobre á direita para chegar ao destino , onde soarão as trombetas de Eros e a voz cavernosa do Arnaldo Antunes estará lendo sílaba a sílaba , o capítulo quarto do ” Kama Sutra ” , aquele que descreve as minúncias de como mordiscar o lóbulo da orelha esquerda dela .
    À luta , ao carinho , pesquisador . Esta é uma civilização de preguiçosos , todos acostumados a digitar a frase ” Quero ser feliz ” no Google e deixar que o pobre macho digital dê-se ao trabalho com suas ferramentas de busca . Desista de acionar o Google Maps . O ponto G também não é visível de lá . Continue procurando com fantasia , como se ele fosse aquela água marinha que vinha dentro dos sabonetes Cinta Azul . Leia Drummond ao pé do ouvido dela , dedilhe sua lira abdominal e acredite na música que toca ao fundo da cena . Essas palmeiras da estrada vão dar no avarandado do amanhecer . Ainda não é o ponto G , mas fica perto .
    Definitivamente , o Repórter Aéreo também desconhece a alternativa de trânsito para se chegar lá sem enfrentar retenções no caminho .
    Se o samba e a prontidão são coisas nossas , o ponto G é dela . Vá com cuidado . primeiro voce imprime a digital , depois informa a senha de números e confirma a data de nascimento . Só então ela revela qual é o seu saldo sensual e se é possível continuar a operação . Convide-a para o cinema . Um vinho branco gelado depois ajuda a encontrar o que aqui se procura . Sem sofreguidão . Não existe o mapa abreviado para chegar na mina , colocar as pás de fora e cavar o tesouro no veio certo .
    O ponto G era uma maneira de dizer , uma provocação . Os cientistas ingleses procuravam como se fosse um cofre enterrado , mas na semana passada perceberam que ele está em águas muito profundas para os impacientes escafandristas modernos . Deixaram a tarefa ás próximas gerações de pesquisadores . Aprenderam todos que sexo é mais que um bom uso de bússula poderosa . Um pouco de dedicação e saberiam que o ponto G fica logo ali , vizinho dos abraços , dos beijinhos e dos carinhos sem ter fim do ponto de Imaginação .

    Bom início de semana á todas/os !!!!!

  8. John Raschle Juniorem 11 jan 2010 �s 15:25

    Como está tudo resolvido , vou dormir em paz, abraços John

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