jan 10 2010
“CAFÉ ANTIGO”
Enviado por: Felix S.R. Neto
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Esse negócio de “blog” é um espaço de debate rápido, assim meio de passagem, como se fosse o café antigo, nas vizinhanças da nossa casa ou trabalho. Pode ser aproveitado para piadas idiotas, pra futebol ou, quando com pauta provocada pela sensibilidade desse meu amigo, resultar em ajuda ao esclarecimento mútuo. Daí me atrevo ocasionalmente, embora consciente das coisas tenderem muito à rota do AERUS, infelizmente apenas taxiando ou no hangar. Hoje, no entanto tenho um pouco sobre o tema, quando mais não seja afetivamente e me alongo.
Ditaduras, operação Condor e coisas do tipo, levaram minha irmã caçula ao Estádio Nacional, em Santiago do Chile. Com 18 anos, recém casada e cujo marido, também brasileiro, cursava sociologia. Não foi pra torcer pelo Brasil e nem foi nas arquibancadas, mas embaixo destas, onde as execuções e interrogatórios se sucediam. Ela própria interrogada, inclusive por agentes da CIA. Pois bem, naqueles dias infamantes pro Itamarati, como ela se saiu disso e foi posta no primeiro avião que decolou para o Brasil depois do ataque ao La Moneda?
Foi por interferência dos gerentes do Banco do Brasil e da saudosa VARIG em Santiago. Este texto carrega um pouco do meu grande preito de gratidão não somente a eles, mas a toda gente daquela organização cujas filiais estrangeiras eram ditas como consulados brasileiros e que levou isso ao limite na ocasião.
Quanto aos caças franceses! Pessoalmente minha intuição é de que Presidente está no caminho certo. Armamento sofisticado para as forças armadas não pode ser uma coisa de momento. Nem a Varig faria isso hoje. Compra Tupolev hoje, um Boeing amanhã, conforme a relação “estado-da-arte” moderna e preço. Até componente complica. Veja-se o caso dos Tucanos que não pudemos vender à Venezuela, por que o fornecedor invocou cláusula contratual de fornecimento e vetou.
Quando foi da concorrência para o sistema de rastreamento da Amazônia, uma empresa francesa ganhou. Houve alvoroço, denúncias por certa agência tida por muito bisbilhoteira e o resultado foi anulado. Daí a Raythion levou. Naquela época eu torcia por uma terceira proposta, feita por pessoal do CTA de São José do Campos em que (tal qual o caça sueco) tinham apenas um projeto no papel, que combinava tecnologias ocidentais e orientais (depois da queda do Muro a coisa ficou mais acessível). Tal projeto, se vencesse, viabilizaria o melhor estado-da-arte na espécie. Nosso sistema varreria todo o Caribe e o Sul dos EUA. Propiciaria algo como 20 mil empregos e provavelmente seria o mais competitivo do mundo pra outros negócios. O príncipe que então nos governava declarou que estava comprometido com um governante adepto de charutos (não era Fidel) e desprezou proposta da burguesia nacional (“que não tem vocação hegemônica e se contenta com papel subalterno”, segundo escreveu, embora queira que isso – seu texto – seja esquecido).
O Brasil já foi parceiro da França não somente quanto a armas, mas também quanto à estruturação do Exército. Um marco fácil de identificar-se o início da influência estadunidense, após a II Guerra, é quando os uniformes passam a incluir gravata. Antes eram fechados até o pescoço. Cá pra nós que, com nosso calor, isso foi um avanço. Decerto pelo Napoleão, a artilharia manteve o jeito francês por muito mais tempo que as outras armas.
Pois bem. Se queremos uma parceria que melhor desenvolva nosso parque industrial militar, propiciando-nos autonomia (segurança na reposição), empregos e até bons negócios, quem seria melhor do que um país com tecnologia de ponta, mas sem escala de necessidades próprias e fatia de mercado cativa, como a França?
A Suécia? Talvez fosse um pouco, mas alguém conhece um submarino ou porta-aviões desenvolvido na Suécia. Alguém lembra de caças suecos fazendo o estrago que os Mirages vendidos a Israel fizeram contra os Migs do Egito, Síria, Jordânia etc?
Produto e tecnologia de produção os franceses têm, mas escala de produção não, pois não têm mercado garantido pra tanto justificar. Ouso imaginar que, a longo prazo, uma tal parceria vá ter o parceiro preponderante abaixo da linha do Equador, para desenvolver caças com quantas turbinas estiverem na moda ou até sem turbinas.
Por fim. Qual a capacidade da Suécia turbinar novo membro ao Conselho de Segurança da ONU?
Quando possível volto para mais um cafezinho e um bate-papo como esses daqui, que dão gosto! Feliz ano novo pra todos e que o pessoal do AERUS saiba que um segurado da PREVI compreende e é afetivamente solidário.
Prezado Sr. Felix S.R. Neto !
Gostei muito de ler seu comentário , das explicações sobre a parceria França/Brasil no passado , coisa que eu desconhecia , depois de ler os seus argumentos faz todo o sentido a escolha do Presidente pelos caças Rafale , só foi um ” faux pas ” o presidente dar a entender em setembro para o presidente Sarkozy que o negócio já estava práticamente fechado , isto antes de qualquer manifestação da Aeronáutica , possívelmente esqueceram de combinar com eles que a escolha já estava feita …
Fiquei especialmente tocada lendo seu relato sobre a sua irmã em Santiago naqueles tempos negros , e fiquei feliz por saber que colegas nossos fizeram mais do que exigia seu profissionalismo para ajudar sua irmã a se salvar e sair daquele inferno .
Gostei muito deste seu bate papo , volte mais vezes , só que troco seu cafezinho ( muuiito calor ) !!!! por um um delicioso chá gelado , pode ser ?
Agradeço também a sua solidariedade afetiva para conosco !
Abraços !!!
Hi Dr. Maia,
num momento confuso, o Sr. Felix traz uma palavra sensata e que espero seja o que prevalecerá. E a Petra já fez o agradecimento à altura.
Os dois posts do Blog, que abordam recentes problemas de saúde e os tratamentos oficiais e alternativos, são muito bons e construtivos.
A sua contribuição nesta área já se torna um fator aglutinador que esperamos que continue.
O espirito de busca é o que deve estar sempre presente.
Uma justa homenagem ao Linus Pauling, duas vezes premio Nobel e um dos grandes responsáveis para que aqueles dois jovens ingleses chegassem à estrutura do DNA.
Votos de Saúde e Paz. Sempre.