jan 08 2010

MILITARES

Postado por at 10:52 sob Uncategorized

Duas situações atuais envolvendo os militares. A primeira, o estabelecimento da Comissão da Verdade; a segunda, a questão da compra dos caças.

II
Alguns países, a exemplo da Argentina, anularam as leis que anistiaram militares pelos crimes praticados durante a ditadura. Há poucos dias houve a condenação do General Videla. Antes disso, há cerca de 3 anos, um bispo argentino foi condenado: era dedo-duro, entregava aos militares até mesmo o que ouvia durante as confissões.

III
Aqui, a discussão é outra. Há duas possibilidades em curso. A primeira, a de fazer como na Argentina, ou seja, não considerar anistiados os crimes bárbaros cometidos durante a ditadura. É preciso que fique claro: a ditadura brasileira implantou uma nova Constituição Federal em 1967; dois anos após, a Emenda Constitucional nº 01 foi praticamente uma nova Constituição. E editou atos institucionais, e leis, e decretos-leis. Ou seja, mexeu como quis na estrutura jurídica. E DESCUMPRIU SUAS PRÓPRIAS LEIS. Ou seja, mesmo as bárbaras leis da ditadura não previam a autorização para a tortura, para a morte sumária sem julgamento, para as execuções feitas.

IV
Há um caso emblemático sobre a tortura. A prisioneira, após apanhar, após ser estuprada, após ser humilhada, é sentada, nua, sobre uma lata. Os torturadores começam a bater, com pedaços de pau, nessa lata, até que o rato, que se encontrava no interior da lata, enlouquecido, busca qualquer saída. E entra pela vagina da prisioneira. A prisioneira enlouqueceu. Isso aconteceu aqui, no Brasil, e é apenas um fato, um lembrete, uma das milhares de histórias bárbaras sobre o que houve.

V
E há mais. Houve empresários, que financiavam a paramilitar Oban – Operação Bandeirantes – que disputavam ingressos para assistir a sessões de tortura. A ditadura brasileira se prestou a isso, a divertir empresários maníacos com suas sessões de tortura, quando iam assistir a tortura dos seus opositores.

VI
É possível o caminho da Argentina, o de julgar os que cometeram esses crimes, os que atentaram contra as próprias leis da ditadura. E há outro caminho, o da África do Sul, que é o de fazer toda a verdade vir à tona, inclusive os cadáveres até hoje escondidos. É outra possibilidade, é tentar reconstruir uma nação a partir da dolorosa verdade, e não da hipocrisia. Não significa processar, mas abrir toda a verdade.

VII
Os militares, por meio de seus clubes, têm se manifestado contra qualquer das possibilidades. E rosnam, e ameçam. É curioso: se se orgulham tanto de seus feitos, por que esconder? E se diziam que havia apenas “excessos”, e não uma política institucionalizada de tortura e extermínio, por que não revelar esses tais excessos? Na verdade, em 1964 houve um golpe entreguista, planejado e financiado pela CIA, e que envolveu civis e militares brasileiros. Foi tão somente a continuidade do golpe de 54, interrompido por Getúlio com seu suicídio.

VIII
Quanto à questão dos caças, já comentamos aqui. É preciso descartar, de imediato, os caças norte-americanos. Os EUA não transferem tecnologia. Ainda pior: os EUA impediram a Embraer de vender supertucanos à Venezuela porque são utilizados componentes norte-americanos. A Venezuela acabou comprando aviões da Rússia. Não dá para confiar, portanto, em qualquer promessa dos EUA. Quanto aos aviões suecos, além de terem apenas uma turbina, nunca foram testados em combate e nem fora dele: ainda são projetos no papel.

IX
O curioso, no entanto, é que se cria um clima de vazamento de informações dentro da área militar. A compra de caças não se dá a partir de preço, como se fosse uma feira. Envolve transferência de tecnologia, reciprocidade, compromissos de compras de outras mercadorias. E é assunto, enfim, do Presidente da República. A aeronáutica, no entanto, deixa vazar informações de que estaria descontente, e faz o que pode para que o governo fique em uma saia justa.

X
Não há conflito de opinião entre superior e subordinado. O que há é um sobordinado demitido. Logo, se esse Grupo da FAB resolveu botar as manguinhas de fora, deve ser imediatamente enquadrado, deve ser restabelecida a disciplina. Devem, enfim, ser punidos. O País não pode continuar refém desses que rosnam, que ameaçam veladamente, que abrem mão da dignidade militar para vazar informações à imprensa. É o resquício da velha República do Galeão, a mesma que levou Getúlio ao suicídio em 1954. São setores da aeronáutica que precisam ser enquadrados.

XI
São, portanto, dois assuntos envolvendo militares, e ambos com feições parecidas: a necessidade de fazer com que voltem para os quartéis. Geisel conseguiu isso, em 77, quando demitiu o General Silvio Frota. Mas Geisel era Geisel, e Lula é Lula. A conjuntura, também, é absolutamente diferente. Qualquer episódio desses pode ser aproveitado pela imprensa golpista para semear a instabilidade econômica e política. É preciso ser firme, mas é preciso que haja inteligência nessa firmeza. A imprensa cria crises sem qualquer fundamento, e pode se aproveitar desse momento para buscar, mais uma vez, desgastar o governo ao ponto do golpe.

XII
O que não se pode mais é viver permanentemente sob ameaça velada. Ou é uma nota de algum clube de militares de pijama, ou são vazamentos à imprensa, ou é desrespeito aberto e direto ao Presidente da República. Ou seja, o Brasil não está, ainda, em plena normalidade institucional. Só estará quando os militares forem definitivamente enquadrados na hierarquia e forem plenamente subordinados ao Presidente da República.

12 respostas até o momento

12 Respostas em “MILITARES”

  1. João Leopoldoem 08 jan 2010 �s 15:46

    Prezado Dr Maia

    Boa tarde, o RESPEITO se conquista, não se impõe. O RESPEITO se conquista ao longo do tempo. A vida política é ingrata quando temos a internet ao nosso alcance. As noticias chegam a todo instantes e podem ser comparadas com notícias do passado, graças ao Google. Mentira hoje tem “perna curta” e os que mais sofrem são os políticos sem cultura e sem memória, pois não sabem que existe a possibilidade de se checar coisa ditas no passado em fração de minutos, é só ter um computador por perto. Por isso que muitos são eleitos por pessoas que não tem acesso ao computador, pois com certeza não cairiam mais em mentiras. É uma pena.

    Quanto a escolha do Caça do Projeto X, deveria sim ser estudado e escolhido por pessoas que entendem do assunto e lógico, com a participação direta do Governo e não só da FAB. A escolha política por uma só pessoa é perigosa e deixa margem para corrupção. O Brasileiro tem que saber o motivo da escolha, o que representa em custo para nação e quais as necessidades de se ter um caça deste porte.
    No meu ponto de vista, o Gripen NG (seria desenvolvido juntamento com o Brasil) deveria ser o escolhido, pois é uma aeronave monomotor (tendência de caças modernos, veja o F-35 USA que é de QUINTA GERAÇÃO e é monomotor) baixo custo operacional e poderá ser usado componentes brasileiro inclusive bombas e foguetes nacionais. Lembro também que o F-18, o Rafale e o Gripen NG são Caças de QUARTA GERAÇÃO. Como não temos inimigos a serem caçados fora do nosso país, o Gripen NG seria nosso Caça do futuro. Grande abraço a todos.

  2. Ekitonem 08 jan 2010 �s 20:07

    Já que o tema é militares,tortura,civis,mortes, de um tempo passado e ainda na memória dos brasileiros sem a devida punição dos culpados quase 50 anos depois, aproveito o post para fazer uma comparação de como vivem hoje os aposentados e trabalhadores no Brasil que dependem da Previdência Social para sobreviver sob tortura do Estado de achatamento salarial que esse governo vem dando continuidade de outros governos passados desde o fim da ditadura militar até hoje.Além dos programas de bolsas e outros benefícios eleitoreiros,o que mais impressiona na avalanche de medidas de incentivo a ociosidade é o Auxílio Reclusão.
    Vide página da Previdência Social no enderêço abaixo:

    http://www.previdenciasocial.gov.br/conteudoDinamico.php?id=22

    O assunto rola na internet pela razão do auxílio ser maior que o salário mínimo de Jan/10 e o anterior de R$465,00. O Programa Nacional de Direitos Humanos,A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e a tal Comissão da Verdade zelam por uns em detrimentos de outros.No caso específico acima,os familiares dos criminosos são contemplados com um auxìlio maior que o SM,enquanto os familiares das vítimas pagam por isso com seus impostos e os trabalhadores e aposentados suam a camisa para ganhar menos do que os presidiários.É de doer!
    O que se conclue,que para o governo,a secretaria,a comissão e o programa de direitos humanos, vale a regra dos dois pesos,duas medidas.Os miltares devem ser punidos,nada contra.Os familiares e as vítimas são punidos também com os benefícios aos seus algozes.Os aposentados e trabalhadores idem por ganharem menos do que os detentos.Os invasores de terra,não.Os terroristas, ativistas, sindicalistas, não.E os anistiados com remuneração vitalícia como políticos,jornalistas e outros que sofreram na ditadura,sim.Já nós,aposentados do Aerus,um caso também que não pode ser esquecido,somos punidos por um crime não cometido, que o governo e o secretário Vannuchi,ele deve estar a par do assunto mas ignora e nem considera como ofensa aos direitos humanos e nos pune por omissão.

    Resposta – Alguns fundos de pensão ainda têm o “auxílio-reclusão” no rol dos seus benefícios. Sou a favor, e já convenci muita gente a ser favorável. É que não se trata de um auxílio dirigido a quem errou, mas à família. A família, os filhos, não podem ser punidos pelos erros do pai. Daí a importância desse auxílio. O problema do País não está aí, como não está nas aposentadorias. Está na sangria dos juros da dívida interna, na corrupção desenfreada, na impunidade permanente.

  3. Tatianaem 09 jan 2010 �s 00:50

    Infelizmente o Brasil hoje joga um jogo político perigoso, num território historicamente perigoso na política chamado América Latina. Nosso continente tem extenso currículo em golpes e políticas extremistas – nos dois extremos.
    Em primeiríssimo lugar, deixo clara aqui a minha opinião completamente contrária a qualquer regime ditatorial, seja de direita ou esquerda! Também acho injustificável as tantas barbaridades cometidas no referido período das ditaduras militares. Casos como o descrito acima pelo Dr. Maia transcendem a toda e qualquer forma de maldade que a mente humana é capaz de conceber e executar. Tenho absoluto repúdio por isso!
    Dito isso, gostaria de gerar aqui uma reflexão: a antropologia e a história já mais do que provaram a capacidade de adaptação do ser humano. A constante evolução que o pensamento humano, e a representação desse pensamento, sofreram ao longo de eras de história. Vamos analisar o cenário político do século vinte: com a revolução industrial sedimentada e a todo vapor, surgiu uma nova forma d eexploração econômica, bem como uma nova forma de divisão social: a burguesia e o proletariado. E era uma divisão tão nítida quanto os senhores feudais e seus vassalos. Daí surgiram novos ideais como o comunismo, o socialismo, o trabalhismo e tantos “ismos” nacionalistas e com ideais de igualdade para a massa sofrida de milhares de explorados. Entretanto, se formos absolutamente imparciais, devemos reconhecer que TODOS falharam! Em toda nação em que o comunismo foi implementado, uma DITADURA de esquerda é que foi implantada, com barbáries abomináveis semelhantes às ditaduras de direita. Como eu disse antes, acho que nada justifica essa barbárie, mas que tipo de barbárie teria acontecido se comunistas guerrilheiros armados tomassem o poder e nos transformassem numa China, URSS ou Cuba? E no único país “socialista” que todo esquerdista enchia a boca cheio de orgulho para admirar, surgiram problemas de ordem social e econômica totalmente previsíveis. Era “igualdade demais”!rs Poxa, se o gari (trabalho mui digno, usado aqui apenas como exemplo de trabalho humilde) ganha o mesmo que o médico, pra que eu vou querer me matar estudando medicina e praticando uma profissão de tanta responsabilidade e desgaste se, no fim, meu diferencial vai ser apenas um fardo maior? Começaram a faltar trabalhadores qualificados no mercado. Bom, isso tudo pra dizer o seguinte: no mundo globalizado de hoje, eu acho um absurdo, uma tacanhice altamente retrógrada essa divisão entre “burgesia” e “povo”, “trabalhador” (ou qualquer outro jargão) que o governo brasileiro e tantos outros latino-americanos usam para angariar votos impensados e desesperados de uma massa sofrida que sonha com melhorias e que se identifica com o apedeuta com o microfone na mão. Não acho que Che Guevara, tão badalado até hoje, fosse menos sádico e assassino que os militares. Não acho que Stalin, Mao, e Castro são menos sádicos assassinos, ou menos “safados” no bom português, pq se escondem atrás de uma idéia que seus governos provaram ser falsas, são hipócritas!. A história provou que o comunismo é muito mais “selvagem” que o capitalismo. Não acho menos criminoso os sequestros, assaltos, atentados e guerrilhas para-militares praticados por golpistas de esquerda na época do regime militar, igualmente golpista. Mas isso tudo é romantizado na imagem do guerrilheiro de bom coração, do Robin Hood comunista tirando do rico para dar ao pobre. MENTIRA!! O homem é mau, é perverso e faz tudo na ganância e sede de poder, seja de esquerda ou direita. E o que dizer de Hugo Chavez, Evo Moralles e cia que chafurdam, como outros latinos, numa ditadura de esquerda “validada” por desrespeito à constituição e com a mordaça não mais do pau-de-arara, mas de políticas populistas de pão e circo. E o Brasil? Ah! Nosso glorioso PT e seu apedeuta até chegaram a flertar com a idéia (nem dá pra tentar negar, né), mas isso sim é pólvora pra golpe militar. Não acho que episódios como os citados sejam perigosos nesse sentido. O que eu acho que desgasta o governo ao ponto do golpe é a pressão na panela do brasileiro comum que está a ponto de explodir, sentindo-se um palhaço que financia a sacanagem. Tudo é escancarado na imprensa, mas “apurado com rigor” a portas fechadas e nossa dignidade cidadã é vendida em acordos espúrios. Durante algum tempo realmente pensei que esse sentimento de indignação que me corrói fosse compartilhado pela massa e pudesse culminar num novo impeachment presidencial ou até num golpe militar, mas enquanto o bolsa-esmola e o Ronaldo estiverem em campo, tudo ok!
    Quanto aos crimes do regime militar, infelizmente isso é Brasil. Os frequentadores desse blog são a prova viva de que aqui não há justiça. Se é pra abrir a caixa de Pandora, que saiam TODOS os males e não apenas de um lado. Mas isso seria impossível! Nosso próprio governo é hoje formado por também criminosos. Será que, para dar justiça à moça do relato, a Dilma (ou seria companheira Estela?) diria finalmente onde está o dinheiro do cofre? Ou sacrificaríamos uma figura como a de Gabeira, na minha opinião, um dos poucos políticos que realmente representa os interesses do povo? Ele também assaltou, sequestrou e ameaçou à mão armada. Pq essa ideologia justifica crime, tortura e restrição de liberdade, mas a de direita não. E o que dizer desses mesmo políticos (Lula, Dilma, Dirceu e tantos outros que foram “perseguidos” pelo regime e hoje se fartam com seus “algozes” às custas do povo? Falam de “elite”, mas mascaram o fato de que a maior elite hoje são eles mesmos! Meu pai também nasceu pobre, estudou muito, trabalhou muito, nunca viveu de palanque, promessas e pensões prematuras. E quando finalmente teria sua pensão merecida, os que o chamam de “elite” o roubam na mão grande… Acho que os militares devem sim, serem subordinados ao Presidente e, principalmente à Constituição, quando o Presidente resolve se desfazer dela como nosso conhecido em Honduras. Os militares devem servir à Pátria e ao povo dentro dela. A constituição sempre será nossa balança fiel. Quanto aos caças, acho que não é uma questão exclusivamente presidencial. A decisão final, sim, mas acho que a opinião técnica de quem entende do assunto e, em última análise, irá usar os caças deve ser levada em conta. O governo também não pode simplesmente eliminar (demitir) quem disse o que ele não queria ouvir. Acho que a Aeronáutica tem o direito de dizer que não gostou, assim como o Presidente está em posição de ignorar isso e fazer o que bem entende. A hierarquia de poder no Brasil permite isso hoje, e viva a democracia!

  4. Tatianaem 09 jan 2010 �s 00:58

    Ah! Não poderia de parabenizar aos Srs. João Leopoldo e Ekiton pela eloquência bem humorada e precisa nos comentários. É triste, mas é a nossa verdade no Brasil hoje. Concordo plenamente.rs

  5. Ekitonem 09 jan 2010 �s 07:43

    Dr.Maia,bom dia!
    Voltando às Aposentadorias e Auxílio Reclusão:
    E os direitos humanos das famílias das vítimas? Elas também tem direitos,não?Nos EUA,em alguns estados as penitenciárias são privatizadas, os prisioneiros ao sairem em liberdade tem um débito com estado por sua permanência na cadeia, dependendo do crime e pena.Aqui não,recebem por isso.Não sou favorável.
    Os problemas do país são vários e as aposentadorias estão entre eles sim e são importantes também.O sujeito é descartado só porque é velho,ou seja é útil em quanto serve?Tudo beml! Isso serve para mostrar a desigualdade social que há num país onde o governo tenta consertar de um lado e privilegia grupos com fins e interesse para se manter no poder e fomenta a pobreza e a miséria de outro criando uma legião de aposentados,velhos e doentes sem nenhuma assistência social,porque previdência, saúde,educação e segurança são secundários.

    Resposta – Um dia, farto de tanta injustiça, você comete uma insanidade. E aí seus filhos devem pagar por isso? Ou apenas no seu caso deveríamos amparar seus filhos? Quanto aos direitos humanos, não se afirma o de um negando o de outro, muito menos estendendo punições às famílias, não apenas a quem errou.

  6. mariaem 09 jan 2010 �s 11:32

    Dr. Maia diz:

    “Resposta – Um dia, farto de tanta injustiça, você comete uma insanidade. E aí seus filhos devem pagar por isso? ”

    Um dia farto de tanta injustiça? E eu? e nós que estamos fartos de tanta injustiça,por mais de 3 anos,podemos então cometer insanidades,matar,roubar e os nossos herdeiros, teriam direito a uma “pensão”?(uma ótima solução,porque com certeza seria bem mais do que recebemos por trabalhar e depositar dinheiro alto na previdencia).

    Não podemos culpar os herdeiros de bandidos(que quase certo,bandidos serão).
    Agora, EU/NÓS,o povo ter que pagar sustento da familia? NÃO MEREÇO NÃO!

    A divida deveria ser paga com trabalhos,como ir para uma plantaçao,plantar a comida deles e da familia,trabalhar no presidio e aí,sim ganhar o sustento da familia.
    Pingar grana sem esforço(a familia)não recupara e nem salva!
    Muito pelo contrario.

  7. Roberto Haddadem 09 jan 2010 �s 12:09

    Boa tarde Dr. Maia,
    Primeiramente, obrigado por permitir Tão verdadeiros comentários acima. Por muito menos o senhor ja passou a foice em meus comentários. Por isso não escrevi antes.
    Gostaria de parabenizar o João Leopoldo, o Ekiton e principalmente à TATIANA pelos comentários muito bem colocados. O comentários da TATIANA, cada vez que leio, interpreto melhor, não faltou nada. Nem tenho coragem de começar uma frase qualquer. Quando tento…….ja esta lá no comentário da TATIANA. Mas farei uma pequena observação: Pra mim, como cidadão comum (um João, como dizia Garrincha),
    funcionário da PANAIR DO BRASIL e logo após, da NOSSA VARIG por 30 ano, trabalhador. Não consigo admitir que chamem de “ditadura”o período do governo militar. DITADURA é o regime em Cuba. Lá, o cubano não pode deixar o País. Aqui, durante o regime militar (ditadura???) ninguém foi cerceado de nada. Qualquer um podia viajar à vontade. continuávamos com os direitos de ir e vir. Então não era ditadura concorda???. E tem mais, foi exatamente durante o governo militar que passei o melhor período de minha vida. Nunca me foi cometida, por parte do governo, nenhuma injustiça. Nesse período, comprei meu apartamento, meu carro zero e vivia com muito conforto porque eu trabalhava pra isso. Insisto na pergunta: E a família da vitima, recebe quanto????.Sabe Dr. Maia, parece até que as coisas ja eram previstas. No meu tempo de guri, havia uma expressão popular que a gente dizia pra quem estava na pior: ” O RAPAZ, VAI ROUBAR PRA SER FELIZ”. E não é o que acontece agora???. Trabalhei por 37 anos na aviação, não roubei, nunca cometi nenhuma infração, mas o governo atual, agora sim, me cercea o que me é de direito.

  8. João Leopoldoem 09 jan 2010 �s 13:14

    Boa tarde a todos
    Gostaria que alguém me respondesse qual a diferença entre matar de fome, matar afogando, matar enforcando, matar a tiro, matar de desgosto, matar torturando, matar sufocando, matar a facadas, matar com tortura psicológica, matar aos poucos… enfim, poderia enumerar mais de um milhão de tipo de mortes. No me ponto de vista, matar independe da maneira de como foi praticado.
    Eu sempre tive respeito por Governo, uma espécie de “Endeusamento” talvez, e agora com um pouco mais de experiência de vida, esse respeito caiu para ZERO, com raras exceções, pois temos políticos da melhor qualidade ainda atuando. Rasgam a Constituição por simples interesse pessoal, dois pesos e duas medidas são praticados diariamente e isso tudo deixa uma brecha enorme para que outra intervenção militar seja organizada. O povo já está de “saco cheio” com esses josés e arrudas da vida que podem tudo e nada acontece. – Desculpa por ter roubado. – Perdoei quem me ofendeu, vcs tbm podem me perdoar por ter roubado vcs. CARAS DE PAU NOJENTOS e o pior que nada vai acontecer sabe porque? Porque todos tém o RABO PRESO.
    Toda e qualquer barbárie deve ser apurada e condenada e não ser acertada de maneira política como foi feito nosso pós ditadura, independente se foi militar ou civil.
    Do jeito que as coisas estão indo, meu maior medo é ter que dizer, – Saudades da ditadura militar. Deus que me perdoe.

  9. Petraem 09 jan 2010 �s 13:23

    Hoje , sábado de sol demais , temperaturas beirando os 40 º graus aqui no Rio , aproveito o ar condicionado á toda para transcrever o que li de mais interessante neste dia .
    Desta vez transcrevo o artigo escrito por J.R. Guzzo da Veja desta semana .
    Não entendo nada da parte técnica mas o que li fez todo o sentido para mim.

    Longe da luz

    Qualquer manual de instruções sobre o bom exercício da chefia , mesmo os que não são lá uma obra prima , traz sempre uma regra clara . Toda vez que o chefe diz ” aqui quem manda sou eu ” , cuidado – é sinal de que alguma coisa está errada , para ele , para os subordinados ou para ambos . Quem manda de verdade não precisa ficar dizendo isto ; se diz, é por que acha que não está mandando como gostaria , ou , pior ainda , é por que os outros não acreditam que mande mesmo , a começar pelos que deveriam obedecer as suas ordens .
    O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva , nestes últimos tempos , está começando a falar muito que quem manda é ele . Por que será ?
    Aconteceu mais de uma vez na semana passada , agora em relação a essa esquisita
    história dos 36 jatos que o Brasil quer comprar , mas parece não estar conseguindo , para renovar a frota de caças da Força Aérea Brasileira .
    Concorrem como vendedores três modelos , um americano , um sueco e um frances ; o governo não quer o americano por que é americano , e não quer o sueco por que está querendo mesmo o francês .
    Trata-se do modelo mais caro , com o menor alcance e a característica de não ter sido comprado até agora por nenhum país , salvo a própria França .
    Nada disso , assegura o governo brasileiro , tem nenhuma importância ; há outras questões a considerar , complicadas demais para o entendimento dos leigos que pagarão essa conta , sendo a principal delas a formação de uma ” parceria estratégica ” com a França .Só Deus sabe o que seria esta ” parceria estratégica ” na vida real – espera-se que seja coisa boa , pois se for coisa ruim não vai dar para consertar mais tarde , quando os aviões estiverem comprados e pagos . Em todo caso , Lula e os cérebros internacionais do governo estão convencidos de que a compra do avião francês é fundamental para seus projetos de reorganização geopolítica do planeta . O diabo é que a Aeronáutica brasileira , a quem cabe voar com os jatos , preparou um relatório técnico no qual fica claro , conforme antecipou a coluna Radar na última edição de Veja , que o modelo com mais vantagens é o sueco. Pronto : o presidente ficou bravo , partiu para um ” aqui quem manda sou eu ” e avisou que a FAB vai comprar no fim das contas , o modelo que ele achar melhor .
    Eis aí , é claro , o tumulto formado . ” Essa visão da Aeronáutica é equivocada e parcial ” disse o deputado e líder petista José Genoíno , recém saído do purgatório para onde foi enviado pelas desventuras do homem-cueca , personagem inesquecível do mensalão . ” Não se pode comprar equipamento militar como se fosse objeto de prateleira em um shoping ” . É um alívio para todos , realmente receber esta informação do deputado ; os brasileiros podem , a partir de agora , ficar sossegados , pois ele nos garante que ninguém do governo ou da FAB , vai entrar numa loja das Casas Bahia e sair de lá com 36 jatos supersônicos no carrinho de compras . Muito justo , mas, se a Aeronáutica não tem condições de entender os altos propósitos estratégicos do país , nem de tomar uma decisão sobre os caças que deve utilizar em sua própria frota , por que , então , pedir sua opinião sobre o assunto ? Para que perder tempo , fazer viagens de estudo , gastar dinheiro e escrever relatórios se o presidente da República já resolveu que modelo o Brasil vai comprar ?
    É como se os oficiais envolvidos no processo tivessem recebido a seguinte instrução : aprovem o modelo que quizerem desde que seja o françes .
    Quando resolveu fechar esse negócio do seu jeito , e de nenhum outro , o presidente Lula bem que poderia ter ficado quieto , dado as ordens que caberia dar enunciado , um belo dia , que a compra estava feita . Em vez disso , saiu falando em público de suas preferência , deixou promessas no ar e agora tem que escolher entre dois males : ou desautoriza a força aérea que comanda ou não cumpre o que prometeu aos franceses ou deu a entender que estava prometendo . A situação não melhora em nada , é claro , quando se considera a tenebrosa reputação que o governo vem construindo sempre que se dispõem a comprar alguma coisa e pagar por ela ; conforme demonstrado na mesma Veja da semana passada , o metro cúbico pago numa obra federal tem a mania de custar o dobro , o triplo ou muito mais do que custa pelos preços correntes no mercado seja em fundações , drenagem de areia ou tubos de aço – carbono . Para quebrar esta escrita , uma transação de impacto mundial como a dos jatos da FAB deveria estar sendo feita com a maior exposição possível á luz do sol . É o contrário justamente , do que se vê .

    Abraços calorosos !!!!!

  10. JC BOLOGNESEem 09 jan 2010 �s 22:35

    Tatiana, assino embaixo e ainda recomendo três grandes livros que lí recentemente.

    Caso não tenha lido, vale a pena ver: “STÁLIN – A Corte do Czar Vermelho”, de Simon Sebag Montefiore, “CISNES SELVAGENS”, de Jung Chang e “MAO – A História Desconhecida”, de Jon Halliday e Jung Chang. Em http://www.tutomania.com.br, pode-se fazer o download de “Cisnes Selvagens”.

  11. Felix S. R. Netoem 10 jan 2010 �s 10:17

    Meu caro Maia.

    Esse negócio de “blog” é um espaço de debate rápido, assim meio de passagem, como se fosse o café antigo, nas vizinhanças da nossa casa ou trabalho. Pode ser aproveitado para piadas idiotas, pra futebol ou, quando com pauta provocada pela sensibilidade desse meu amigo, resultar em ajuda ao esclarecimento mútuo. Daí me atrevo ocasionalmente, embora consciente das coisas tenderem muito à rota do AERUS, infelizmente apenas taxiando ou no hangar. Hoje, no entanto tenho um pouco sobre o tema, quando mais não seja afetivamente e me alongo.

    Ditaduras, operação Condor e coisas do tipo, levaram minha irmã caçula ao Estádio Nacional, em Santiago do Chile. Com 18 anos, recém casada e cujo marido, também brasileiro, cursava sociologia. Não foi pra torcer pelo Brasil e nem foi nas arquibancadas, mas embaixo destas, onde as execuções e interrogatórios se sucediam. Ela própria interrogada, inclusive por agentes da CIA. Pois bem, naqueles dias infamantes pro Itamarati, como ela se saiu disso e foi posta no primeiro avião que decolou para o Brasil depois do ataque ao La Moneda?

    Foi por interferência dos gerentes do Banco do Brasil e da saudosa VARIG em Santiago. Este texto carrega um pouco do meu grande preito de gratidão não somente a eles, mas a toda gente daquela organização cujas filiais estrangeiras eram ditas como consulados brasileiros e que levou isso ao limite na ocasião.

    Quanto aos caças franceses! Pessoalmente minha intuição é de que Presidente está no caminho certo. Armamento sofisticado para as forças armadas não pode ser uma coisa de momento. Nem a Varig faria isso hoje. Compra Tupolev hoje, um Boeing amanhã, conforme a relação “estado-da-arte” moderna e preço. Até componente complica. Veja-se o caso dos Tucanos que não pudemos vender à Venezuela, por que o fornecedor invocou cláusula contratual de fornecimento e vetou.

    Quando foi da concorrência para o sistema de rastreamento da Amazônia, uma empresa francesa ganhou. Houve alvoroço, denúncias por certa agência tida por muito bisbilhoteira e o resultado foi anulado. Daí a Raythion levou. Naquela época eu torcia por uma terceira proposta, feita por pessoal do CTA de São José do Campos em que (tal qual o caça sueco) tinham apenas um projeto no papel, que combinava tecnologias ocidentais e orientais (depois da queda do Muro a coisa ficou mais acessível). Tal projeto, se vencesse, viabilizaria o melhor estado-da-arte na espécie. Nosso sistema varreria todo o Caribe e o Sul dos EUA. Propiciaria algo como 20 mil empregos e provavelmente seria o mais competitivo do mundo pra outros negócios. O príncipe que então nos governava declarou que estava comprometido com um governante adepto de charutos (não era Fidel) e desprezou proposta da burguesia nacional (“que não tem vocação hegemônica e se contenta com papel subalterno”, segundo escreveu, embora queira que isso – seu texto – seja esquecido).

    O Brasil já foi parceiro da França não somente quanto a armas, mas também quanto à estruturação do Exército. Um marco fácil de identificar-se o início da influência estadunidense, após a II Guerra, é quando os uniformes passam a incluir gravata. Antes eram fechados até o pescoço. Cá pra nós que, com nosso calor, isso foi um avanço. Decerto pelo Napoleão, a artilharia manteve o jeito francês por muito mais tempo que as outras armas.

    Pois bem. Se queremos uma parceria que melhor desenvolva nosso parque industrial militar, propiciando-nos autonomia (segurança na reposição), empregos e até bons negócios, quem seria melhor do que um país com tecnologia de ponta, mas sem escala de necessidades próprias e fatia de mercado cativa, como a França?
    A Suécia? Talvez fosse um pouco, mas alguém conhece um submarino ou porta-aviões desenvolvido na Suécia. Alguém lembra de caças suecos fazendo o estrago que os Mirages vendidos a Israel fizeram contra os Migs do Egito, Síria, Jordânia etc?

    Produto e tecnologia de produção os franceses têm, mas escala de produção não, pois não têm mercado garantido pra tanto justificar. Ouso imaginar que, a longo prazo, uma tal parceria vá ter o parceiro preponderante abaixo da linha do Equador, para desenvolver caças com quantas turbinas estiverem na moda ou até sem turbinas.

    Por fim. Qual a capacidade da Suécia turbinar novo membro ao Conselho de Segurança da ONU?

    Quando possível volto para mais um cafezinho e um bate-papo como esses daqui, que dão gosto! Feliz ano novo pra todos e que o pessoal do AERUS saiba que um segurado da PREVI compreende e é afetivamente solidário.

  12. Tatianaem 11 jan 2010 �s 23:46

    Obrigada pela dica J.C.! Anotado!
    Um grande abraço a todos!

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