Archive for janeiro, 2010

jan 08 2010

“DA GENTE QUE EU GOSTO”

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Enviado por: Petra
Para amenizar um pouco este inicio de ano triste e confuso vai este texto belíssimo de Mario Benedetti .
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Da gente que eu gosto

Eu gosto de gente que vibra , que não tem que ser empurrada , que não tem de dizer que faça as coisas , mas que sabe o que tem que fazer e faz .
A gente que cultiva seus sonhos até que estes sonhos se apoderam da própria realidade .
Eu gosto de gente com capacidade para assumir as consequencias de suas ações , de gente que arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho , que se permite , abandona os conselhos sensatos , deixando as soluções nas mãos de Deus .

Gosto da gente que é justa com sua gente e consigo mesma , da gente que agradece o novo dia , as coisas boas que existem em sua vida , que vive cada hora com bom ânimo dando o melhor de si , agradecido de estar vivo , de poder distribuir sorrisos . de oferecer suas mãos , e ajudar generosamente sem esperar nada em troca .

Eu gosto da gente capaz de me criticar construtivamente e de frente , mas sem me lastimar ou ferir . Da gente que tem tato .
Gosto da gente que possui sentido de justiça .
A estes chamo de meus amigos .

Gosto de gente que sabe a importância da alegria e a pratica .
Da gente que por meio de piadas nos ensina a conceber a vida com humor .
Da gente que nunca deixa de ser animada . Gosto de gente que nos contagia com sua energia .

Gosto de gente sincera e franca , capaz de se opor com argumentos razoáveis a qualquer decisão .
Gosto de gente fiel e persistente , que não descansa quando se trata de alcançar objetivos e idéias .
Encanta-me a gente de critério , a que não se envergonha em reconhecer que se equivocou ou que não sabe algo .
Da gente que ao acertar seus erros , se esforça genuínamente por não voltar a cometê-los .
De gente que luta contra adversidades .
Gosto de gente que busca soluções .

Gosto da gente que pensa e medita interiormente . De gente que valoriza seus semelhantes não por um estereótipo social , nem como se apresentam .
De gente que não julga nem deixa que os outros julguem .
Gosto de gente que tem personalidade .
Encanta-me a gente que é capaz de entender que o maior erro do ser humano é tentar arrancar da cabeça aquilo que não sai do coração .
A sensibilidade , a solidariedade , a bondade , o respeito , a tranquilidade , os valores , a alegria , a humildade , a fé , a felicidade ,o fato , a confiança , a esperança , o agradecimento, a sabedoria , os sonhos , o arrependimento e o amor para com os demais e consigo próprio são coisas fundamentais para se chamar GENTE.

Com gente como esta me comprometo , para o que seja , pelo resto da minha vida …
Já que por tê-los junto a mim , me dou por bem retribuído .

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jan 05 2010

AS LICENÇAS-MÉDICAS NO TJ-SP

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O informativo Consultor Jurídico informa que 10% do quadro de funcionarios do Tribunal de Justiça de São Paulo estão em licença de saúde irregular. Ou seja, licenças de saúde falsas. Há, inclusive, um que mora nos EUA e outro que mora na Espanha. Ambos em licença-médica, alguns há mais de 5 anos. E há o caso de uma funcionária que se mantinha em licença-médica a partir de “assédio sexual” ao médico responsável por conceder as licenças.

II
A revelação foi feita pelo presidente do Tribunal que se despede, quando da posse do novo presidente. Há algumas questões a abordar aí.

III
Que quantidade de funcionarios é essa, que 10% do quadro está há anos em licença-médica e ninguém se dá conta? Que tipo de administração é essa, que permite que esse tipo de coisa aconteça? Há algo muito errado aí. O povo pagando a conta e o tribunal sequer tem um controle, um comparativo estatístico relativo ao absenteísmo.

IV
O novo presidente que assumiu disse que todos foram convocados para uma perícia médica efetiva. E que não “olhará pelo retrovisor”. Tem todo o direito o magistrado de fazer isso em sua casa, em perdoar a ausêcia de sua empregada doméstica durante 5 anos por atestados falsos. Mas com dinheiro público, não. Não tem o magistrado esse direito. Ao contrário, tem o dever de buscar ressarcir os cofres públicos, sob pena de incorrer em crime.

V
Mas está aí a notícia: uma falcatrua dentro do Judiciário, e o anúncio de que “não vamos olhar pelo retrovisor”. A conta, pois, fica com o povo.

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jan 05 2010

“A VERGONHA”

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Há uma brasileira que mora em Paris e escreve, semanalmente, para o blog do Noblat. Há uns dois meses escreveu um texto dizendo que contrata uma diarista para sua casa, também brasileira. E a diarista disse a ela, quando foram juntas a uma loja, que o que ela gostava na França é que ambas – patroa e empregada – eram tratadas de forma igual. Daí o principal orgulho francês: o da igualdade.

II
Parte da elite econômica brasileira é perversa. Gosta de humilhar os seus empregados, sempre trazendo a lembrança da escravatura. São dados ao tratamento estúpido, sem sequer perceber que justamente essa grosseria é que revela seu provincianismo, seu primarismo, sua falta de educação, de polidez.

III
Isso tudo a propósito do vídeo do Boris Casoy, quando, do alto da sua empáfia, acha um absurdo que dois garis mandem um feliz ano novo a todos. Boris Casoy é parte do que há de mais reacionário, mais à direita no Brasil. Foi Chefe de Redação do Estadão, eternamente à direita na história do Brasil, até que seus talentos de apresentador foram descobertos. E passou a repetir, a cada momento, “é uma vergonha”.

IV
O curioso dessa repetição de “é uma vergonha” é que sempre se dirige a uma banalidade. Nunca é dito “é uma vergonha” para as taxas de juros, por exemplo, ou para os latifúndios construídos a partir da grilagem bandida. É dito para os sem-terra, quando invadem as terras griladas para protestar. É portanto, uma banalidade reacionária, sempre conservadora, sempre representando os interesses quatrocentões da elite paulistana.

V
O que se vê no vídeo é que Boris Casoy não faz idéia do que seja civilização. Nisso reproduz parte do pensamento da elite financeira brasileira – e digo elite financeira porque temos outras elites, a exemplo da elite cultural. É a velha elite que se revoltou contra a CLT, que nunca aceitou os direitos mínimos dos trabalhadores, que até hoje se revolta contra a previdência e inventa déficits inexistentes. Para essa gente, elite significa dinheiro, meia dúzia de leituras de fascículos da editora Abril e ter na ponta da língua, sempre, 6 ou 7 nomes de vinhos muito caros. Não diz respeito à educação, à polidez, à cortesia, ao respeito ao ser humano. Boris Casoy resolveu usar da sua ironia contra quem faz um trabalho muito mais digno, muito mais útil do que servir durante toda a vida de papagaio dos interesses reacionários da elite financeira paulistana.

VI
Para ver o vídeo, acesse http://www.youtube.com/watch?v=f_E4j7vi3js.

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