fev 21 2010
DO FINANCIAMENTO E DA INDEPENDÊNCIA
Imagine que nos juntemos, todos, e estabeleçamos uma contribuição mensal. O dinheiro seria destinado a financiar campanhas políticas daqueles que apoiarem determinadas idéias. Por exemplo, recomposição real do valor das aposentadorias, fim do fator previdenciário, coisas assim. Aí elegemos uma bancada. E vários desses deputados resolvem votar contra exatamente esses projetos.
II
Acharemos isso normal? Que é parte da democracia, que o deputado tem todo o direito de votar de acordo com sua consciência? Ou vai acusar de traição porque o sujeito recebeu contribuição de campanha sabendo quais os interesses que deveria defender?
III
É evidente que quem paga, manda. Então por que tem alguns que acham que um deputado financiado pela Monsanto, ou por companhias telefônicas, ou por bancos e empreiteiras, manterá uma posição de “absoluta independência e em paz com sua consciência”? Se não votar de acordo com o interesse de quem o financiou, não receberá mais financiamento de campanha.
IV
Algum grupo de pessoas físicas, no País, tem capacidade de competir em financiamento de campanha com as grandes empresas? Ninguém. O financiamento de campanhas, portanto, é exclusividade das grandes empresas. Estou falando de finciamento pesado, não de contribuições simbólicas. A rigor, portanto, são essas grandes empresas que escolhem quem será eleito ou não. São esses que disporão de propaganda, gasolina, cartazes, cabos eleitorais, pesquisas.
V
Há, da parte de muitos, uma ingenuidade aí, ao achar que o financiamento de campanha nada tem a ver com as posições políticas. Tem a ver, sim, com as posições políticas e com futuros contratos do financiador com o Estado. Na maior parte dos casos, no entanto, o que temos aí é uma imensa hipocrisia. Faz-se de conta que não há vínculo entre o financiamento e as posições políticas. Você financiaria alguém frontalmente contra os seus interesses?
VI
O financiamento privado de campanhas é uma vergonha. É tão somum, tão aberto, tão frequente que se perdeu a noção da indecência que é. Não há a menor possibilidade de melhora, de moralização da administração pública enquanto houver o financiamento privado de campanha. É necessário o financiamento público e a proibição completa do financiamento privado, que nada mais é do que a possibilidade de compra de posições e de opiniões.
Caro Dr. Maia.
Sem generalizar, acho que é mais uma corrupção explicita e oficializada.
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Cordialmente, Amaury Antunes Guedes
amaury.guedes@gmail.com
O item VI é exatamente a minha opinião sobre essa pouca vergonha, a grosso modo é a mesmice da venda de voto.