fev 15 2010
DE UM VETO ESPECÍFICO
Vetei um comentário, hoje, que me deixou pensando. Concluí que minha admiração por Lula cresce ainda mais. Conforme sabemos, Lula tem uma origem miserável, e, a rigor, sua oportunidade de estudo foi aprender uma profissão útil. Útil, sem dúvida. Diz respeito a fazer coisas. Sua educação formal, pois, foi um trabalho técnico. Apesar da rudeza que permeou boa parte de sua vida, Lula é um homem gentil, ou seja, educado. É a prova de que educação formal e educação verdadeira são coisas diferentes. A primeira é invocada como argumento pelos petulantes, pelos afetados, pelos que só conseguem tentar mensurar o valor de alguém a partir de algo que não implique elaborar uma opinião pessoal. São os que colocam como diferenciação sua, por exemplo, o domínio de língua estrangeira, coisa que Lula efetivamente não domina. Ou seja, é gente que consegue ser mal educada em mais de um idioma.
II
O início da vida sindical de Lula se deu, provavelmente, movida por uma mescla de solidariedade e de revolta. O comentário que vetei não tinha qualquer traço de solidariedade. É provável que o autor do comentário nunca te se colocado em qualquer tipo de movimentação coletiva, de esforço coletivo, de solidariedade. E, muito menos, que tenha liderado qualquer iniciativa nesse sentido. Critica qualquer iniciativa de distribuição de renda, e consegue pensar somente em si, não no País ou nos outros. É individualismo puro, doentio, que abomina qualquer tema no blog que não seja diretamente relacionado ao seu problema. E concluo que, além de educado – porque gentil – Lula também é solidário. Se o autor daquele comentário fosse, por um acaso da vida, Presidente da República, sua absoluta falta de visão solidária das coisas levaria a fazer um governo radicalmente individualista, algo próximo a George Bush. Temos a sorte, portanto, de o horizonte de vida do referido comentarista ter sido limitado pelo seu próprio individualismo. Nunca foi guindado a nada que envolvesse ser o deposítário da confiança ou da esperança dos seus pares.
III
Em outras palavras, a vida foi, sim, aparentemente perversa com Lula até determinado momento, mas foi essa aparente perversidade que o levou a se superar. E se tornou gentil, solidário. O autor do comentário que vetei transformou-se em alguém intragável, amargo, cujo sofrimento não serviu para nada. De onde concluo, também, que Lula é inteligente, ao contrário do autor do comentário vetado. Lula aprendeu na adversidade, seu sofrimento serviu para alguma coisa.
IV
Olhei, ontem, o blog do Senador Paim, por quem tenho uma admiração absoluta. E vi a quantidade de lixos postados a título de comentário, em boa parte desrepeitosos com o Senador, e alguns reclamando de vetos que aparentemente ocorreram por lá. Eu, aqui, não teria deixado passar a metade dos comentários que o Senador Paim liberou no seu blog. Há críticas rasteiras, que não reconhecem o esforço de um dos poucos parlamentares que se dedicam com afinco às questões dos aposentados.
V
Esse nível de desinformação, de efetiva ignorância que vi em comentários naquele blog, perturba. A rigor, a agressão ao Senador o iguala àqueles que fazem exatamente o contrário, ou seja, que propõem novas “reformas da previdência” para aviltar, sempre, aposentados e pensionistas. Quem postou aqueles comentários por lá, portanto, faz um serviço extraordinário aos inimigos dos aposentados: mostra que, independente da postura, da coerência e das propostas, será vítima, sim, do mau humor e da má educação. Isso despolitiza, portanto. De nada vale a pena atuar na defesa dos trabalhadores e aposentados se a crítica é igual a todos. Esse tipo de crítica, portanto, favorece os corruptos, favorece àqueles que querem aparentar que todos são iguais – e não são.
VI
Enfim, no que se refere ao comentário que vetei, e a comentários que o Senador Paim não vetou, ficou a reflexão. Mas me dei conta, sim, de que deixei passar comentários de gente sem qualquer educação, qualquer gentileza, qualquer solidariedade ou qualquer inteligência. Não há, pois, como comparar Lula a esse tipo de comentarista. Entre esse tipo de gente e Lula, não há comparação. É preciso observar onde está a educação verdadeira, a gentileza, a solidariedade, a inteligência.