Archive for abril, 2010

abr 29 2010

DAS DIFERENÇAS ENTRE LULA E SEU GOVERNO

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Várias vezes já escrevi, aqui, sobre Lula. Não escondo minha admiração por ele, particularmente, por dois programas de governo: a bolsa família e o PAC. A bolsa família porque é um resgate de uma dívida histórica. O PAC porque é o início da retomada do papel do Estado como indutor do desenvolvimento, como aconteceu com os chamados tigres asiáticos, com a França, com a Alemanha.

II

Uma coisa é Lula, outra coisa é o governo Lula. Lula é generoso, é eucado, é culto. Friso: Lula é educado e culto. O seu governo, no entanto, é outra coisa. No governo Lula há aquela chamada “base aliada”, esquisitíssima. E havia, pelo menos antes da última reforma ministerial decorrente das desincompatibilizações, os ministros ligados ao PT. Sobraram pouquíssimos, já que a maioria saiu para ser candidato.

III
O que vai pesar nas eleições? A tal transferência de votos vai se dar a partir de Lula ou do governo Lula? Aí é que está a questão a ser resolvida.

IV
Vejamos alguns casos: o dos anistiados políticos, o dos participantes dos fundos de pensão, o de trabalhadores nas estatais, o dos detentores de benefícios temporários por invalidez no INSS. No caso dos anistiados, a gestão do Ministro Tarso Genro foi trágica. Na verdade, findou expondo o próprio Presidente Lula: há o caso de profissionais de nível universitário que tiveram sua indenização fixada em nível inferior à indenização mensal recebida por Lula. Tarso Genro criou o “circo da anistia”, que percorre o País fazendo verdadeiros cultos, com direito a histeria coletiva. Ou seja, puro marketing.

V
No caso da previdência complementar, tivemos a aplicação e continuidade do mesmíssimo projeto de Fernando Henrique Cardoso, tão somente aprofundado. No pessoal da Petros, o calote de uma dívida bilionária, a negativa de desfazer qualquer uma das ilegalidades anteriormente feitas e a divisão dos petroleiros em dois planos de benefícios, com um dos planos contendo inacreditáveis 4 regras diferentes. No caso da Previ, a autorização governamental para que parte significativa do superávit fosse ilegalmente apropriado pelo Banco do Brasil. No caso do BNB, a mantença de uma situação absurda de arrocho contra os aposentados e pensionistas da Capef, conseqüência da intervenção ocorrida ainda no governo FHC. Na Capaf, do Basa, nada. Não há solução, a ilegalidade é cotidiana, permanente, sob as barbas do órgão de fiscalização. No caso do Aerus, não é preciso nem comentar: milhares de pessoas feitas de palhaças a partir de uma promessa de acordo que nunca deu um passo sequer.

VI
E no caso dos trabalhadores nas empresas estatais? Veja-se o pessoal do BB, da CEF, da Petrobrás. As políticas de recursos humanos implementadas nessas empresas foram apenas apenas a continuidade do neoliberalismo desprofissionalizante. Em boa parte, são empresas confusas, de critérios de ascensão profissional insondáveis. Patinaram em suas políticas internas durante oito anos. E mais: em boa parte dos casos, transformaram suas políticas de metas em assédio moral puro e simples. Em síntese, essas empresas – bancos estatais, Petrobrás etc – são fábricas de adoecimento do seu pessoal porque suas políticas de recursos humanos são de uma incompetência brutal.

VII
No caso dos beneficiários de auxílio-doença, dos que se submetem à perícia médica do INSS, é outra questão. O atendimento é péssimo, a humilhação é cotidiana. A qualidade da perícia é sofrível, e não raro há ofensas de peritos, não bastasse o mau atendimento. Isso ocorre lá na ponta, é certo. Mas não há qualquer canal para comunicação com o Ministro da Previdência, com o Presidente do INSS. Não há qualquer iniciativa para resolver isso, para mostrar autoridade.

VII
Em síntese, na previdência complementar, nas estatais, nos perseguidos políticos, nos que estão em auxílio doença junto ao INSS, o passivo desse governo é brutal. A sensibilidade política, o humanismo, as características positivas de Lula, enfim, não sensibilizaram o restante do seu governo. E aí é que surge a grande questão: na hora de votar, os perseguidos políticos, os trabalhadores nas estatais, os participantes de fundos de pensão, os que são cotidianamente humilhados nas perícias do INSS, vão lembrar de Lula ou de seu governo? É essa a questão a ser respondida, a tal “transferência de votos” que ainda não se fez.

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abr 29 2010

O TEXTO DE MICHAEL MOORE

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Todos vimos, hoje, a notícia de que a revista Times apontou Lula como uma das pessoas mais influetes do mundo. Abaixo, a íntegra do perfil de Lula publicado na Times, de autoria do cineasta Michael Moore. O texto foi retirado da página jusbrasil.
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LULA, por Michael Moore
Quando os brasileiros elegeram pela primeira vez Luiz Inácio Lula da Silva Presidente, em 2002, os barões larápios do país checaram nervosamente os indicadores de combustível dos seus jatinhos. Eles tinham transformado o Brasil num dos lugares mais desiguais da Terra, e parecia que havia chegado a hora da retaliação. Lula, 64 anos, era um filho genuíno da classe operária da América Latina- de fato, um membro fundador do Partido dos Trabalhadores-, que já tinha sido preso por liderar uma greve.
Ao tempo em que Lula finalmente conquistou a Presidência, depois de três tentativas fracassadas, ele já era uma figura conhecida na vida nacional brasileira. Mas o que o havia levado à vida política? Teria sido o seu conhecimento pessoal do quão duro muitos brasileiros precisam trabalhar só para conseguir sobreviver? Ter sido forçado a abandonar a escola na quinta série para ajudar no sustento da família? Ter trabalhado na infância como engraxate? Ter perdido parte de um dedo num acidente de trabalho?

Não, foi quando, na idade de 25 anos, ele viu sua mulher, Maria, morrer aos oito meses de gravidez, junto com seu bebê, porque eles não podiam pagar um tratamento médico decente. Há aí uma lição para bilionários do mundo: permitam que as pessoas tenham acesso a um bom tratamento de saúde e elas não causarão muitos problemas no futuro.

E aqui vai uma lição para o resto de nós: a grande ironia da presidência de Lula- ele foi eleito para um segundo mandato em 2006 e ainda vai completá-lo este ano-é que, ao mesmo tempo em que ele conduz o Brasil rumo ao Primeiro Mundo com programas como o Fome Zero, destinado a eliminar a inanição, e projetos para melhorar a educação dos membros da classe trabalhadora do Brasil, os EUA parecem mais, a cada dia que passa, com o antigo Terceiro Mundo.

O que Lula quer para o Brasil é aquilo que costumávamos chamar de “O Sonho Americano”. Em contraste, nós, nos EUA, onde o 1% mais rico da população tem agora mais riqueza financeira que os 95% mais pobres, estamos vivendo numa sociedade que está rapidamente se tornando parecida com o Brasil.

Tradução: Marcelo Zero

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abr 27 2010

“ASPARTAME É A NOVA TALIDOMIDA”

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Retirado da excelente página www.medicinacomplementar.com.br –
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“ASPARTAME É A NOVA TALIDOMIDA”

Fonte: Página do Dr. Marcos Dias de Moraes
Tradução livre por Beatriz Medina

O aspartame é encontrado na Diet Coke e em outros refrigerantes Diet.

A mensagem a seguir é uma enfática recomendação para MANTER DISTÂNCIA de tais produtos. Ao considerar o fato adicional de que a maioria deles vem em latas de alumínio (os ácidos da bebida dissolvem os cátions Al+++ – cf. Mal de Alzheimer), há ainda mais incentivo para jogá-los fora. AVISO! NutraSweet é uma neurotoxina ! A talidomida dos anos 90 é o aspartame, também conhecido como NutraSweet e outras marcas comerciais. Em maio de 1992, a revista Flying Safety (Segurança de Vôo) explicou seus perigos:

“Na gravidez os efeitos do aspartame podem passar diretamente para o feto, mesmo em doses pequenas. Algumas pessoas sofreram problemas relacionados ao aspartame com doses pequenas como as que se encontram num chiclete diet. Isso pode significar que um piloto que beba refrigerantes dietéticos é mais suscetível a vertigens ou a atividade epiléptica induzida pela luz. Significa também que estes pilotos são vítimas potenciais de perda súbita de memória, tonteira durante vôo por instrumentos e perda gradual de visão.”
Alguns pilotos sofreram ataques epilépticos nas cabines de vôos comerciais e tiveram de abandonar a carreira. A Food and Drug Administration (Administração de Alimentos e Remédios – FDA – órgão americano que cuida do credenciamento de remédios e aditivos alimentares para consumo humano) recebeu mais de 10.000 queixas de consumidores contra o Nutra Sweet. Isso corresponde a 80% do total de queixas sobre aditivos alimentares, mas a FDA parece estar em coma e não alerta o público americano, que supõe que um produto tão anunciado deve ser seguro como leite materno.

A FDA costuma aprovar drogas assassinas, como a revista Omni de fevereiro de 94 relatou. Se você usa aspartame e tem dores de cabeça, depressão, fala arrastada, perda de memória, sintomas semelhantes aos da fibromialgia, perda de sensação ou dores repentinas nos membros inferiores, perda de equilíbrio, vertigens, ataques de ansiedade, fadiga crônica, perda de visão ou costuma ver pequenas luzes flutuantes piscando, se sofre descolamento de retina, ataques semelhantes aos epilépticos, espasmos musculares, palpitações cardíacas etc. você está com a doença do aspartame.
Muitos médicos têm diagnosticado esclerose múltipla quando o que existe na realidade é intoxicação por metanol, que se assemelha à esclerose múltipla.

Livre-se desta droga perigosa imediatamente. Esclerose múltipla não é uma sentença de morte; intoxicação por metanol é.

51% das drogas aprovadas pela FDA apresentam riscos sérios e podem causar reações adversas que levam à incapacidade severa ou permanente e até à morte. O Center for Disease Control (Centro para Controle de Doenças) da Universidade John Hopkins e a New Jersey School of Medicine (Escola de Medicina de New Jersey) estimam que de 80.000 a 120.000 americanos morrem por ano por causa de remédios prescritos por seus médicos. A persistência deste atroz holocausto tem tudo a ver com dinheiro e nada a ver com saúde pública. A Monsanto (fabricante do aspartame) amealha 2 bilhões de dólares por ano com a bonança tóxica do aspartame.

Isto pode comprar muitos burocratas! A FDA trabalha para a indústria, não para os cidadãos. O chefe da FDA, Arthur Hayes, passou por cima de sua própria comissão de pesquisas para aprovar o aspartame, e depois foi trabalhar na empresa de relações públicas do fabricante. O promotor federal Sam Skinner foi designado para processar a Searle (fabricante de adoçantes com aspartame) por causa de testes fraudulentos em seu pedido de aprovação do produto, mas mudou de lado e foi trabalhar junto aos advogados da Searle.

O caso morreu quando os prazos se esgotaram.

O Dr. Adrian Gross, honesto e já falecido toxicologista, escreveu ao senador Howard Metzenbaum: “Os relatórios do Center for Food Safety (Centro para a Segurança dos Alimentos) da FDA podem ser lidos como scripts de Abbott & Costello, por terem percepções viradas pelo avesso e de cabeça para baixo. A FDA deveria trabalhar para o cinema… Tal “processo” ou DANÇA representa uma farsa e uma zombaria.”

O aspartame é uma molécula com três componentes: ácido aspártico, fenilalanina e metanol. Depois de ingerido, o metanol – álcool de madeira que já matou ou cegou milhares de bêbados de sarjeta – converte-se em formaldeído e ácido fórmico (veneno de formiga). O formaldeído, neurotoxina mortal, é o fluido geralmente usado em embalsamamentos, um cancerígeno classe “A”.

A fenilalanina também é neuro-tóxica quando isolada dos outros aminoácidos das proteínas.

O ácido aspártico causa lesões cerebrais e desordens neuroendócrinas, em experiências com animais. Há 92 sintomas documentados, incluindo dores de cabeça, dormência, fadiga, visão borrada palpitações cardíacas, tonteira, espasmos musculares, ganho de peso, irritabilidade, ansiedade, vertigens, ataques epilépticos, urticária, cegueira, taquicardia, zumbido nos ouvidos, depressão, perda de audição, fala arrastada, perda do paladar, insônia.

O aspartame está presente em 5.000 produtos alimentares e em muitas mesas de restaurantes, pela mesma razão que o tabaco está por toda parte: ganância, vício e lucro! A NutraSweet e sua irmã Searle, cujos químicos descobriram o aspartame durante experiências com um remédio para úlcera, pertencem à Monsanto.

Se você toma outros remédios, pense nas possíveis reações que pode sofrer. Em 1969, a Searle contratou o Dr. Harry Waisman para estudar os efeitos do aspartame em primatas. Sete bebês macacos receberam o produto no leite. Um morreu em 300 dias; cinco outros tiveram ataques epilépticos. A Searle eliminou estes resultados quando submeteu o estudo à FDA. A melhor maneira de entender o aspartame é vê-lo como uma minúscula dose de gás dos nervos, que paralisa as funções do cérebro e do sistema nervoso.

Algumas doenças provocadas pelo aspartame: tumores no cérebro e outros canceres; esclerose múltipla; epilepsia; fibromialgia; doença de Graves; síndrome da fadiga crônica; doença de Epstein Barr; doença de Parkinson; mal de Alzheimer; diabete; retardamento mental; linfoma; defeitos no feto; lupus eritematoso sistêmico; e morte!

Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT – Instituto de Tecnologia de Massachusetts) observaram 80 pessoas que sofreram ataques cerebrais depois de comerem ou beberem produtos com aspartame. Disse o Community Nutrition Institute (Instituto de Nutrição da Comunidade): “Estes 80 casos ajustam-se à definição da própria FDA de risco iminente para a saúde pública, que exige da própria FDA a retirada imediata do produto do mercado.”

Os Estados Unidos estão presenciando um enorme aumento de casos de ataques epilépticos. A fenilalanina do aspartame reduz o patamar de ataque no cérebro e bloqueia a produção de serotonina. Hoje o país está sendo varrido por uma onda de violência. Os pesquisadores atribuem este fato, em parte, aos níveis baixos de serotonina, que induzem à depressão, ao ódio e à paranóia.

Assim, o presidente Clinton, diet coke na mão, programa bilhões de dólares para construir penitenciárias para os paranóicos.

O tecido fetal não tolera o metanol, e o Dr. James Bowen chama o aspartame de controle instantâneo da natalidade. A placenta pode concentrar a fenilalanina e provocar retardamento mental. Testes com aspartame em animais produziram tumores cerebrais e mamários. Não admira que o câncer de mama esteja crescendo nos Estados Unidos em ritmo exponencial! Durante a Operação Tempestade no Deserto (Guerra do Golfo), caminhões de bebidas dietéticas cozinharam sob o sol da Arábia, e a 30ºC o aspartame libera metanol na lata. Milhares de soldados, homens e mulheres, voltaram para casa com síndrome de fadiga crônica e estranhos sintomas de intoxicação.

Em 28 de julho de 1983 a National Soft Drink Association (Associação Nacional dos Refrigerantes) divulgou um protesto de 30 páginas questionando a segurança do uso do aspartame em refrigerantes. Então descobriram, que os americanos preocupados com o peso beberiam soda o dia inteiro se ela não tivesse açúcar, e esqueceram suas objeções; nem nos disseram que o aspartame faz a pessoa implorar por carboidratos, e assim engordar. O formaldeído fica armazenado no tecido adiposo, principalmente nos quadris e coxas. Beba diet coke, engorde agora e depois tenha ataques, diabete, cegueira, doença de Epstein Barr, depressão, esclerose múltipla e morra.

De forma semelhante, a American Diabetic Association (Associação Americana dos Diabéticos), que recebe megaverbas da NutraSweet, ignorou um artigo de 1987 apresentado pelo Dr. H. J. Roberts (especialista mundial em aspartame e em diabetes), listando 58 casos de reações adversas do aspartame em diabéticos. Ele diz: “Hoje aconselho TODOS os pacientes com diabete e hipoglicemia a evitarem produtos com aspartame.”

O Dr. Russell Blaylock, neurocirurgião, disse, em seu livro “Excitotoxinas: o sabor que mata” que o aspartame pode provocar a diabete clínica. Ele afirma que as excitotoxinas que podem ser encontradas em produtos como o NutraSweet literalmente estimulam os neurônios à morte, provocando danos cerebrais de vários graus. Telefone da Health Press: 1-800-643-2665.

Diz também que “o que realmente me preocupa quanto ao aspartame é sua associação com tumores cerebrais, pancreáticos, uterinos e ovarianos… e que tantos pacientes desenvolvam uma síndrome semelhante à de Alzheimer com a exposição prolongada.”

O NutraSweet e outros adoçantes com aspartame são as toxinas mais mortais de nossa sociedade, por causa de sua presença em toda parte, em milhares de alimentos, até mesmo vitaminas para crianças, remédios…

O NutraSweet e outros adoçantes com aspartame são as toxinas mais mortais de nossa sociedade, por causa de sua presença em toda parte, em milhares de alimentos, até mesmo vitaminas para crianças, remédios, pudins, gelatinas e em mesas de restaurantes. Recebemos milhares de doses, todo ano!

Este aviso deveria estar em todo produto contendo aspartame: VENENO QUÍMICO: MANTENHA LONGE DO ALCANCE
DE SERES HUMANOS: GENOCIDA!

Fonte: Página do Dr. Marcos Dias de Moraes
Tradução livre por Beatriz Medina

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abr 23 2010

A VELHA CANTILENA DE DESTRUIÇÃO DO ESTADO

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Vem se repetindo uma manchete sobre “o aumento da intervenção do Estado na economia”. Na verdade, vem sendo construída essa história, tijolo por tijolo num desenho lógico, como diria o Chico.

II
A empresa privada se move pela busca do lucro. É da sua natureza, é da sua essência, e não há como ser diferente. Se não vê possibilidade de lucro, não investe. As pesquisas feitas pela área privada, portanto, são direcionadas ao lucro, e isso é exigência dos acionistas. Nunca você verá o resultado de uma pesquisa da área privada que não diga respeito a gerar lucros para a companhia. Dá lucro pesquisar a cura para a Doença de Chagas, por exemplo? Se não der, não conte com a empresa privada. Boa parte das doenças do terceiro mundo simplesmente não contam com suficiente pesquisas.

III
Mas isso não diz respeito apenas às pesquisas. O esgoto, por exemplo. O esgoto de sua casa dá lucro? É evidente que não. Então, você pode dispensar o esgoto? É evidente que não. Aí está um papel típico do Estado. E não é só o esgoto. Há outras áreas que devem ser desenvolvidas pelo Estado porque a iniciativa privada não se interessa. Veja o caso das ferrovias, por exemplo. Dificilmente haverá ferrovia auto-sustentável ou que dê lucro. Mas é ela que permite a integração de regiões longínquas, o barateamento do transporte de safras, a diminuição do desgaste das rodovias. Aí o Estado age como indutor do desenvolvimento. A partir da iniciativa do Estado é que a iniciativa privada passa a fazer o seu papel: na produção de grãos, na construção de fábricas, que escoarão seus produtos pela ferrovia

IV
E além disso há áreas em que o Estado deve estar presente para equilibrar o mercado, áreas delicadas, sensíveis, que facilmente podem ser monopolizáveis. Melhor um monopólio público do que um monopólio privado. Há áreas que precisam de um competidor oficial, de um regulador. O caso dos bancos é típico: ou o Estado impõe o seu banco para moderar taxas de juros e tarifas, ou fica na mão do clube dos banqueiros. O mesmo deveria valer para a telefonia: deveria haver o competidor oficial do Estado.

V
Mas até aí não há novidade, é uma questão conhecida. Foi na década de 80, no entanto, que ressurgiu a visão fundamentalista. Digo ressurgiu porque essa mesma visão já era forte no final do século XIX e início do século XX, e que começou antes, com a Revolução Industrial. Não havia necessidade de salário mínimo, nem de aposentadoria, nem de qualquer garantia: o “mercado” tudo resolveria. Só que virou uma selvageria brutal. E foi o próprio capitalismo, a bem de sua existência, que resolveu colocar balizamentos para a atuação das empresas, particularmente após a 1ª Guerra Mundial.

VI
Enfim, a década de 80 trouxe a visão fundamentalista. Tudo deveria ser privatizado. Tudo, mesmo. Há quem diga que o ar deveria ser privatizado, que tudo deveria ser pago porque tudo é conversível em dinheiro. Começou na Inglaterra, com Tatcher, e teve respaldo nos EUA, com Reagan. A partir dali foi imposto para todo o mundo. No Brasil, começou com Maílson da Nóbrega, do governo Sarney, continou com Collor, com as privatizações de Itamar, com Fernando Henrique Cardoso.

VII
Ali se criaram as quadrilhas dos beneficiados pelas privatizações, a começar por Daniel Dantas – que utilizava o dinheiro dos fundos de pensão para ele mesmo mandar nas empresas privatizadas. Ali veio com força a terceirização. Não se fazia concursos para contratar funcionários públicos estáveis e profissionais, mas empresas de amigos, financiadoras de campanhas, para fazer tudo que é trabalho. Até na área social isso aconteceu por meio das OSCIPs – Organizações Civis de Interesse Público. Até hospitais seriam geridos por terceiros, não pelo Estado. De um lado, o Estado era asfixiado, os recursos eram cortados; de outro, a campanha contra o próprio Estado era brutal. Não era por não ter dinherio que o Estado não fazia: era por ser incompetente, diziam as campanhas.

VIII
Para retirar recursos do Estado, melhor forçar o endividamento. E, melhor ainda, forçar as taxas de juros para cima. Aí o endividamento aumenta brutalmente e o dinheiro dos impostos reverte para os bancos, não para a atividade do Estado, não para os serviços públicos. Então, houve endividamento mais privatizações. E houve a grossa mentira: a de que as privatizações serviriam para pagar a dívida interna. Não foi nada disso, a dívida aumentou. Mas houve o clube de amigos beneficiado pelas privatizações.

IX
E tais companhias privatizadas anunciam pesadamente nos jornais, nas televisões, nos rádios. E criaram um cartel que faz a ligação por celular, no Brasil, ser a segunda mais cara do mundo. E houve os pedágios, claro. Diferente de outros países do mundo, onde há a rodovia estatal e a rodovia privatizada, aqui ficaram apenas as privatizadas. E há as vergonhosas: rodovidas de pista simples, no Rio Grande do Sul, com pedágio. Ou seja, é uma vergonha. Mas são grandes anunciantes.

X
Pois bem. Com a crise de 2008, viu-se que o modelo estava exaurido, que, a depender apenas do mercado, o capitalismo estava caminhando para o suicídio. E que, a bem do capítalismo, deveria ser recuperada a capacidade de planejamento, fiscalização e execução do Estado. Assim ocorreu no mundo todo.

XI
Ainda antes da crise, alguns países não entraram na cantilena do “mercado”. É o caso da Coréia do Sul, de Taiwan, ou seja, dos chamados Tigres Asiáticos. Solenemente ignoraram todas as recomendações do FMI. O Estado, lá, incentivou pesadamente a economia. Incentivou pesquisas, empresas. É um modelo à parte, que furou o discurso uníssono do FMI e das grandes potências. Essas potências, a propósito, fizeam exatramente o contrário do que pregam. É o que Luiz Nassif chamada de “chutar a própria escada”: subiram e não querem que mais ninguém suba. Pesadamente criaram barreiras ao ingresso de importações; estimularam as exportações e a internacionalização das suas empresas com dinheiro público, e agora impõem fórmulas para impedir que outros façam a mesma coisa.

XII
Com a crise de 2008, enfim, o papel do Estado vai sendo recuperado. Só que essa imprensa partidária e colonizada resolve levantar a discussão do “capitalismo de Estado”, ou do “fortalecimento do Estado”. Foi justamente essa visão ultraliberal que levou a Varig, uma empresa viável, à quebra. O problema não era o montante da dívida, mas o prazo para pagamento. Havia a necessidade, tão somente, de alongar aquela dívida e dar fôlego financeiro à companhia. A visão neoliberal, no entanto, impede que o Estado se envolva. Bastou vir a crise nos EUA, que o Citibank, que o JP Morgan, que todos esses foram socorridos pelo Estado. Ou seja, essa visão valia para os outros. E é a visão cobrada, agora, pela imprensa: a imprensa quer que isso continue, que o Estado “se ausente” da economia. Como, se foi o próprio mercado que pediu socorro quando quebrou?

XIII
Na sua tacanhez, a imprensa embarca em mais uma canoa furada. Mantém a cantilena dos seus liberais – a exemplo do Sardenberg, na CBN e dos seus permanentes comentaristas convidados, todos com a mesmíssima opinião. É a mesma imprensa que inventou campanhas e colocou a oposição em situação ridícula: a CPI da Petrobrás, a tentativa de uma CPI da Tapioca. Ou seja, é uma imprensa que inventa e que corre atrás da oposição para repercutir suas invenções. E a oposição, sem projeto – justamente porque o projeto neoliberal fracassou – acaba embarcando na cantilena da grande imprensa. Agora, surge esse discurso de “intervenção do Estado na economia”. Ora, se isso foi uma imposição mundial! Os mercados quebraram, os estados nacionais vieram em socorro.

XIV
O mais engraçado é que, neste festival de insanidades, salvar o capitalismo virou coisa de esquerda. Quem fala em recuperar o papel do Estado como fiscalizador, como indutor do crescimento, como planejador, é tachado de radical de esquerda. Salvar o capitalismo é coisa de radical de esquerda?

XV
Isso é o mais impressionante, e é o que deprime já às portas de uma campanha eleitoral. Esse discurso de que recuperar o papel do Estado significa uma proposta “radical de esquerda” é mentiroso, é ultrapassado. Esse discurso envelheceu. A partir de 2008 ficou visível para todos que é preciso, sim, impedir que periodicamente o capitalismo se suicide.

XVI
Há, portanto, uma falsa questão levantada pela imprensa, como se a recuperação do papel do Estado fosse uma bandeira esquerdizante, tentando ressuscitar um anticomunismo ainda mais fora de moda do que o comunismo. Talvez essa postura da grande imprensa finde por facilitar tudo. Estão querendo uma comparação Estado fraco versus Estado forte. É só mostrar telefonia, pedágios, saúde pública, que tudo fica claro. Ou seja, mais uma vez é a imprensa decadente que colocará a oposição numa fria, e quem suportará a pecha de entreguista é a oposição,

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abr 22 2010

Dr. GENÉSIO PACHECO DA VEIGA

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Para conhecer a impressionante história do Dr. Genésio Pacheco da Veiga, copie e cole no seu navegador o endereço a seguir – http://www.seculodiario.com.br/arquivo/2007/julho/09/noticiario/meio_ambiente/09_07_05sau.asp

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abr 19 2010

Dra. HULDA CLARK

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Para quem ainda não conhece, vale a pena dar uma olhada no trabalho da Dra. Hulda Clark. Pode ser via google e também pelo youtube. Estou lindo o livro, as informações são impressionantes.

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abr 18 2010

“ESSA FRAQUEZA”

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A Globonews colocou no ar, há poucos dias, uma entrevista com o General Newton Cruz, Comandante Militar do Planalto no Governo Figueiredo. Continua com a mesma virulência daquela época, mas trouxe algumas informações importantes. A principal delas, que foi procurado por Paulo Maluf, então candidato derrotado à Presidência da República pelo colégio eleitoral. Segundo Newton Cruz, Maluf foi claro em pedir o assassinato de Tancredo Neves, o candidato vitorioso.

II
Sobre Maluf, o jornalista Paulo Henrique Amorim conta uma história. Diz que, há algum tempo, tomou um táxi em São Paulo e o motorista começou a falar bem do Maluf e a dizer que o que falta para São Paulo era o seu retorno à prefeitura ou ao governo. Paulo Henrique Amorim argumentou: “Mas amigo, o Maluf é ladrão.” E o motorista: “É, ele tem essa fraqueza”.

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abr 18 2010

OS FICHAS-SUJAS

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Tudo indica que o projeto “ficha limpa” está fazendo água. É que justamente os deputados que estão sendo processados, ou seja, os “fichas-sujas”, querem impor uma tramitação longa, que impedirá a votação ainda neste ano. Antigamente, falava-se de uma “minoria que mancha a reputação dos demais parlamentares”. Hoje em dia não se fala mais em “minoria”.

II
O projeto foi de iniciativa popular. E mesmo assim está sendo desrespeitado pela mesa da Câmara dos Deputados.

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abr 18 2010

NO DF, A LÓGICA

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Pois deu a lógica: a eleição indireta para o mandato-tampão de governador do DF foi controlada por Joaquim Roriz e por Arruda, ambos sob investigação da Polícia Federal. O governador “eleito” serviu a esses dois senhores, em uma oportunidade como presidente de uma estatal, em outra como secretário de Estado.

II
Em síntese, em Brasília não há o menor perigo de melhorar. O destino da capital do País foi decidido por 13 deputados distritais.

IV
A capital do País não é uma questão que diz respeito a todos os brasileiros? Então como pode o seu destino dizer respeito tão somente a 13 deputados distritais? Ou mesmo, como pode o destino das capitais do País ser decidido apenas por quem mora na capital federal? Brasília diz respeito a todos os brasileiros. Deve, necessariamente, ser administrada por alguém indicado pelo Presidente da República. A câmara distrital deve ser fechada. O Tribunal de Contas do DF deve ser extinto.

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abr 18 2010

RESPOSTAS

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Alguém perguntou sobre a liquidez do Aerus. Toquei nesse assunto quando apresentamos a proposta à AGU. Naquele momento, o que propusemos foi a unificação dos planos, o que permitiria a liquidez suficiente para suportar a íntegra dos pagamentos por um período, se não me engano, de doze meses ou até um pouco mais. A partir dali é que iniciaria a responsabilidade da União. Ou seja, tudo estava condicionado à proposta levada à União.

Não tenho informações sobre a liquidez, hoje. Mas é provável que a venda do hotel na Bahia a tenha melhorado, embora os gastos feitos todos os meses com o pagamento das aposentadorias e pensões.

Houve uma outra pergunta, dessa vez encaminhada por email. É indagado quanto à possibildiade de sequestro de verbas da União, ou algo parecido. Quem fez a pergunta está equivocado. Isso era uma alternativa para FAZER CUMPRIR a antecipação dos efeitos da tutela, e não uma alternativa à antecipação dos efeitos da tutela. Só seria realizável caso a antecipação de tutela estivesse vigente. E não está. O STF suspendeu a antecipação até que prolatada a sentença de primeiro grau, conforme todos sabemos.

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