mai 31 2010
SOBRE AS MATÉRIAS ABAIXO
Publiquei alguns blocos abaixo: o dos 75 milhões de teto de indenização da British Petroleum; o da confissão da BP de não conseguir resolver o vazamento no Golfo do Méxio; o das substâncias cancerígenas; o dos agrotóxicos.
II
Há uma história para contar. Cada bloco – ou matéria – é um capítulo do domínio das transnacionais. A matéria relativa aos agrotóxicos é impressionante: estamos nós, o povo brasileiro, nossos pais e nossos filhos, sujeitos ao que há de mais terrível, de mais venenoso, ao que já foi banido em diversos países do mundo. A matéria é do jornal O Estado de São Paulo, ou seja, um jornal de perfil absolutamente conservador e, por isso mesmo, isento para esse tipo de coisa. Está aí o poderio das transnacionais, sua capacidade de influência, de financiamento de campanha, de suborno. A sua saúde, a de seus filhos, a de seus pais, é vendida pelos corruptos. Por isso são corruptos: porque vendem o que não é deles, vendem a sua saúde, a dos seus pais e a dos seus filhos para essas multinacionais do veneno.
III
Cadê a fiscalização, cadê o Estado? Está nas mãos dessas agências reguladoras que buscam uma “independência” para poder se entregar de vez aos seus fiscalizados, como ocorre com a ANATEL, com a ANEEL, com a ANP. É um modelo onde o fiscalizado manda na agência. Hoje é fiscal, amanhã é fiscalizado, depois de amanhã volta a ser fiscal. E são indicações disputadas pelos diversos partidos políticos, não raro em verdadeiro chantagem contra o Presidente da República. Um esforço brutal para assumir tais agências. Esforço para que? Para servir a Pátria? Para cuidar da saúde do povo brasileiro? Ou porque é um lugar extraordinário para fazer favores a quem tem dinheiro?
IV
O mesmo raciocínio vale para a outra matéria, a relativa às substâncias cancerígenas. Já abordei, aqui, questões relativas ao Aspartame, ao ciclamato. A Coca Zero não existe nos EUA porque lá o ciclamato é proibido. Chavez proibiu a Coca Zero na Venezuela quando descobriu que era proibida nos EUA. Foi chamado de louco. Quanto ao Aspartame, no primeiro ano após a sua liberação pelo FDA, nos EUA, os casos de esclerose múltipla aumentaram 50%.
V
Já falei em outras oportunidades sobre um documentário chamado “Corporations”. Trata exatamente do poderio da indústria, aí incluída a indústria química, a indústria farmacêutica, e a indústria bélica. Trata da manipulação do sistema, do verdadeiro atentado à democracia praticado por esse poderio econômico. A crise de 2008, que desempregou tanta gente no mundo, contou exatamente com a participação dessa gente: do grande capital que conseguiu um mundo praticamente sem regras para atuar.
VI
O poderio dessas companhias é o maior desafio atual à democracia. Sua capacidade de manipulação, de compra de parlamentares, de autoridades, é impressionante. A indústria farmacêutica, por exemplo, tem seus lucros contados em dezenas de bilhões de dólares. Imagine o impacto de 1 milhão de reais no financiamento de campanha de um deputado. Imagine que com miseráveis 300 milhões – nas cifras dessas companhias – poderiam comprar 300 consciências no parlamento.
VII
O Estadão, o conservador Estadão, publicou duas extraordinárias matérias – a dos agrotóxicos e a dos produtos químicos cancerígenos. Qual parlamentar tocou nesse assunto? Qual Deputado? Qual Senador? Quem, enfim, vem tratando desses assuntos no Congresso Nacional? Ou a conta que fizemos acima já foi feita há várias eleições?