mai 29 2010

RECUERDOS

Postado por at 19:54 sob Uncategorized

Enviado por: Fernando
___________________________________________________

Eta saudosismo, gente. Para os leitores estranhos à aviação pode parecer meio deslocado num blog de advogados, mas basta alguém começar a relembrar que aparecem outros viajando também.

Uma coisa que eu tenho como um ganho meu é ter estado naqueles anos 70 viajando e abrindo meu mundo para além de um país em que tudo era censurado. Era o auge da repressão e ter um livro do Sartre podia ser perigoso. Vejam que situação: hoje em dia ninguém sabe mais quem era o Sartre. Isso quando não saíam atrás de subversivos como o Sócrates, para prendê-lo. Comunista! Tempos da Invernada de Olaria. E de ter cuidado ao falar no telefone, pois para a polícia tudo era permitido.

Na primeira vez que fui à Inglaterra (1969) me surpreendi ao ver que eles tinham relações normais com os russos! E mesmos nos Estados Unidos se podia comprar um livro do Marx sem que tivéssemos que olhar por cima do ombro para vermos se alguém estava vindo atrás.

Lá fora o sexo no cinema era aberto. Só os pornôs escancarados é que tinham cinemas próprios. Quando lembro da polêmica aqui no Brasil em torno da proibição do filme “O Último Tango em Paris”… Hoje se vê coisa bem mais explícita em novelas no horário em que as crianças vêm TV com os adultos.

Eu também tive meu bocado de aprendizagem sobre o que era, na prática , um país viver sob o regime comunista. Na repressão, era igualzinho ao Brasil da época… Vi gente em Angola, que era mais para tribo indígena que para cidadão, ser obrigada a assistir “emulações” após o expediente. E o pessoal que no ocidente chamávamos de executivos atuar com sua corrupção pequenininha. E que a-do-ra-va vir curtir fora da cortina de ferro.

São muitas as coisas que me trazem o astral para cima. E outras tantas que o trazem para baixo. Só que tenho que continuar a viver. Não é porque eu estou nessa situação por causa do Aerus que eu vou ficar focado só no que baixa o astral. Tive e continuo a ter também bons momentos. E, como disse uma colega, eu escolho o que quero ler, e se não gosto, passo adiante. Ou, no caso Aerus, mesmo que não goste, eu leio.

Eu só não posso é achar que quem escreve tem que escrever algo que responda a algum anseio meu. E aceito também algum mau humor, pois, afinal, temos motivos de sobra para isto.

_______________________________________

Uma resposta até o momento

Uma Resposta em “RECUERDOS”

  1. Petraem 30 mai 2010 �s 15:40

    Boa tarde , Dr. Maia !
    Aproveito para transcrever um pedaço muito interessante e triste sobre as condições de trabalho das empresas chinesas terceirizadas e contratadas pela Apple , da revista Veja desta semana ;

    O “Vale do Suplício”
    Na disputa mundial pela rentabilidade, a produção industrial tende a migrar para países em que os custos de produção sejam mais baixos.
    Foxconn, na China: os iPads e iPhones são feitos com mão de obra escrava?
    Parte do crescimento extraordinário da China vem daí. Os cobiçados aparelhos da Apple são desenhados na sede da empresa, em Cupertino, no coração do Vale do Silício americano. Mas os iPods e iPhones são efetivamente fabricados por empresas asiáticas. A mão de obra chinesa é barata e, em geral, disposta a trabalhar até a extenuação. As greves são raras, mesmo porque manifestações acabam sufocadas pela linha dura comunista. Apesar da repressão, no entanto, o clima de insatisfação tem aumentado. Operários da Honda entraram em greve, reivindicando aumento salarial. Outra manifestação do descontentamento dos chineses ficou evidente na semana passada com a notícia do suicídio de dois funcionários da Foxconn, a maior fabricante de componentes eletrônicos do mundo. Ambos se atiraram do topo da fábrica do grupo em Shenzen, no sul da China. Desde o início do ano, dez trabalhadores da empresa tiveram o mesmo fim.

    A Foxconn é uma das principais fornecedoras da Apple, para a qual fabrica o iPhone, além de outras companhias, como Hewlett-Packard, Dell, LG e Samsung. Seus empregados, em geral jovens vindos do interior, recebem salário inicial não superior a 1 900 iuanes (cerca de 500 reais) e trabalham, de pé, doze horas por dia, não raro sete dias por semana. As condições são similares às de outras fábricas localizadas no Delta do Rio das Pérolas. É o “Vale do Suplício” dos trabalhadores chineses. Os suicídios, ao menos, chamaram a atenção das empresas americanas, que temem ter suas marcas associadas à exploração dos trabalhadores chineses. Quem sabe seja o início do fim desse suplício .

    ___________________________________________________________________

    Agora vai o artigo de Roberto Pompeu de Toledo da Veja ;

    ” O fantasma se diverte ”
    “O que o fazia sorrir, em Teerã, era a suspeita de que estavam de volta os bons tempos. O presidente do Brasil não ia se meter de graça numa encrenca como a do Oriente Médio”
    Não deu para ver, como todos os fantasmas ele era invisível, mas havia um fantasma naquela cena triunfal de mãos dadas e braços ao alto, em Teerã, irmanando o presidente Lula, o iraniano Mahmoud Ahmadinejad e o turco Tayyip Erdogan. Os mais afoitos sugerirão que o fantasma era o próprio acordo. Ao concordar em ter o urânio enriquecido em outro país, e em seguida acrescentar que nem por isso deixaria de continuar a fazê-lo ele próprio, o Irã entrou nos anais com um caso raro, talvez inédito, de comprometimento simultâneo com uma coisa e seu contrário. Não. O fantasma em questão é outro. Atende pelo nome de Garrastazu de Almeida. Nelson Rodrigues chamou de Sobrenatural de Almeida o fantasma que costumava plantar-se sobre as traves nos jogos do Fluminense. Este é o Garrastazu de Almeida. Estava invisível, mas muito feliz e sorridente, na brecha aberta entre os braços erguidos de Lula e Ahmadinejad.
    Em atenção aos jovens: Emílio Garrastazu Médici foi presidente do Brasil entre 1969 e 1974, durante a ditadura militar. Comandou o país no período mais duro, de censura à imprensa, repressão às atividades políticas e tortura nas prisões. Nada a ver com os dias atuais, de liberdades democráticas. Mas, no outro lado da moeda, era o tempo do “Brasil Grande”, como se dizia. O país crescia de 8% a 10% ao ano, o consumo alcançava níveis nunca antes vistos neste país, a bolsa de valores batia recordes, o governo investia em grandes obras, como a Transamazônica e a Ponte Rio-Niterói. A euforia estampava-se no dístico “Brasil, ame-o ou deixe-o”, exibido nos vidros dos carros. O próprio presidente proferiu uma frase que virou música de sucesso: “Ninguém segura este país”. O Brasil parecia ter chegado lá.
    Ainda em atenção aos jovens: como se pode constatar, o clima atual de “estamos chegando lá” não é inédito no país. Já ocorreu no governo Médici, como ocorrera no de JK. É antes fenômeno de eterno retorno do que de “nunca antes neste país”. Mas o que fez o Garrastazu de Almeida particularmente feliz, na cerimônia de Teerã, foi que o assunto em pauta eram armas atômicas. Quando ele era vivo, e se chamava Emílio Médici, não se contentou com o milagre econômico. Ansiava por um Brasil potência. Nuclear, de preferência. Em seu governo foi anunciada a compra de uma usina atômica, a ser montada em Angra dos Reis. O Brasil recusava-se a assinar o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. Já não bastasse a histórica rivalidade, vivíamos um grave contencioso com a Argentina em torno da construção da hidrelétrica de Itaipu. Não se falava abertamente, mas tudo levava a crer que caminhávamos em direção à bomba.
    O que fazia o fantasma sorrir, em Teerã, era a suspeita de que estavam de volta os bons tempos. Ora, como podia ser de outra forma? Claro que o presidente do Brasil não ia se meter de graça, só pela compulsão ao marketing, numa encrenca do tamanho da do Oriente Médio. Claro que a diplomacia brasileira, que não é boba, não ia na conversa iraniana de que seu programa nuclear tem fins pacíficos. Conclusão: o Brasil agia em função de seu próprio projeto. O que estava contestando era o direito de uma só potência, ou um grupo de potências, determinar quem pode e quem não pode ter a bomba. A leitura do episódio pelo fantasma ia além. Se o Brasil vem investindo, com insistência sôfrega e pedinchona, em obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, precisa acumular cacife para isso. Não há membro do Conselho de Segurança que não tenha a bomba. Por que não nós? Por quê? O fantasma exultava.
    Não se ignora no além-túmulo que muita coisa mudou, do regime militar para cá. O Brasil é agora signatário do Tratado de Não Proliferação e as relações com a Argentina evoluíram para a aliança e a colaboração, inclusive nos respectivos programas nucleares. Até foi inscrito na Constituição de 1988 que “toda a atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos”. Mas… E o nosso peso específico? E a nossa projeção de poder? (O fantasma assimilou o jargão que nos indica o caminho da grandeza.) O atual vice-presidente já declarou que é a favor de o Brasil ter a bomba atômica. Precisamos proteger nosso patrimônio, ele disse. Temos um imenso território, um extenso mar territorial… Temos o pré-sal!
    Garrastazu de Almeida saiu satisfeito de Teerã. Voltou feliz para Porto Alegre. Como o Sobrenatural de Almeida, ele gosta de futebol, e costuma frequentar as traves do Grêmio. Ainda leva um velho radinho de pilha .

    Roberto Pompeu de Toledo

    ___________________________________________________________________

    Mais uma música especial de Phil Collins ;

    http://www.youtube.com/watch?v=-Qn-YTAvgT4

    Beijinhos carinhosos .

Trackback URI | Comments RSS

Deixe uma mensagem.