mai 31 2010
SOBRE AS MATÉRIAS ABAIXO
Publiquei alguns blocos abaixo: o dos 75 milhões de teto de indenização da British Petroleum; o da confissão da BP de não conseguir resolver o vazamento no Golfo do Méxio; o das substâncias cancerígenas; o dos agrotóxicos.
II
Há uma história para contar. Cada bloco – ou matéria – é um capítulo do domínio das transnacionais. A matéria relativa aos agrotóxicos é impressionante: estamos nós, o povo brasileiro, nossos pais e nossos filhos, sujeitos ao que há de mais terrível, de mais venenoso, ao que já foi banido em diversos países do mundo. A matéria é do jornal O Estado de São Paulo, ou seja, um jornal de perfil absolutamente conservador e, por isso mesmo, isento para esse tipo de coisa. Está aí o poderio das transnacionais, sua capacidade de influência, de financiamento de campanha, de suborno. A sua saúde, a de seus filhos, a de seus pais, é vendida pelos corruptos. Por isso são corruptos: porque vendem o que não é deles, vendem a sua saúde, a dos seus pais e a dos seus filhos para essas multinacionais do veneno.
III
Cadê a fiscalização, cadê o Estado? Está nas mãos dessas agências reguladoras que buscam uma “independência” para poder se entregar de vez aos seus fiscalizados, como ocorre com a ANATEL, com a ANEEL, com a ANP. É um modelo onde o fiscalizado manda na agência. Hoje é fiscal, amanhã é fiscalizado, depois de amanhã volta a ser fiscal. E são indicações disputadas pelos diversos partidos políticos, não raro em verdadeiro chantagem contra o Presidente da República. Um esforço brutal para assumir tais agências. Esforço para que? Para servir a Pátria? Para cuidar da saúde do povo brasileiro? Ou porque é um lugar extraordinário para fazer favores a quem tem dinheiro?
IV
O mesmo raciocínio vale para a outra matéria, a relativa às substâncias cancerígenas. Já abordei, aqui, questões relativas ao Aspartame, ao ciclamato. A Coca Zero não existe nos EUA porque lá o ciclamato é proibido. Chavez proibiu a Coca Zero na Venezuela quando descobriu que era proibida nos EUA. Foi chamado de louco. Quanto ao Aspartame, no primeiro ano após a sua liberação pelo FDA, nos EUA, os casos de esclerose múltipla aumentaram 50%.
V
Já falei em outras oportunidades sobre um documentário chamado “Corporations”. Trata exatamente do poderio da indústria, aí incluída a indústria química, a indústria farmacêutica, e a indústria bélica. Trata da manipulação do sistema, do verdadeiro atentado à democracia praticado por esse poderio econômico. A crise de 2008, que desempregou tanta gente no mundo, contou exatamente com a participação dessa gente: do grande capital que conseguiu um mundo praticamente sem regras para atuar.
VI
O poderio dessas companhias é o maior desafio atual à democracia. Sua capacidade de manipulação, de compra de parlamentares, de autoridades, é impressionante. A indústria farmacêutica, por exemplo, tem seus lucros contados em dezenas de bilhões de dólares. Imagine o impacto de 1 milhão de reais no financiamento de campanha de um deputado. Imagine que com miseráveis 300 milhões – nas cifras dessas companhias – poderiam comprar 300 consciências no parlamento.
VII
O Estadão, o conservador Estadão, publicou duas extraordinárias matérias – a dos agrotóxicos e a dos produtos químicos cancerígenos. Qual parlamentar tocou nesse assunto? Qual Deputado? Qual Senador? Quem, enfim, vem tratando desses assuntos no Congresso Nacional? Ou a conta que fizemos acima já foi feita há várias eleições?
90 segundos para entendermos a Faixa de Gaza …
http://www.closedzone.com/
Beijinhos carinhosos .
90 segundos é o intervalo entre uma bomba e outra, salve-se quem puder…
Tá tudo dominado. Prá quem apelar ??? As agências regulam a favor de quem deveriam fiscalizar.
Bancam campanhas e os financiados vão estar ao lado de quem????
A indústria química tem um poder absoluto em quase todo mundo….a indústria petolífera idem….
“”E são indicações disputadas pelos diversos partidos políticos, não raro em verdadeira chantagem contra o Presidente da República”"
E a base aliada como fica ????
E dificil achar algum parlamentar que pense verdadeiramente nas necessidades do povo; promessas nas eleições e quando chegam ao poder viram elite e aí deliciam-se com as facilidades que os cargos oferecem. Tudo vira uma grande farra.
O pobre contribuinte é apenas um objeto. De vêz em quando pequenas migalhas são distribuidas. Sempre me pergunto se um dia isso vai mudar…se teremos uma nação mais consciente,
cidadãos mais bem informados, interessados e que lutem e façam valer seus direitos.
A massa que verdadeiramente elege quer carnaval, futebol, cerveja e comida, não quer pensar e não gosta de muita informação, isso entendia.
Ah! Se vc quiser tomar uma Coca Cola em São Paulo vão te empurrar a Coca Zero…a diet quase não se encontra mais…..
” E são indicações disputadas pelos diversos partidos politicos…”.
Sim, verdade das verdades no atual contexto do Brasil.
Eu, com a nossa verdade democratica, acrescentaria:
Não somente as Agências, tambem outros setores.
O PT leva Centrais, Federações, Movimentos e Sindicatos.
Boa tarde , Dr. Maia !
De volta do nosso almoço de confraternização que me fez muito bem , por que me faz bem ver pessoas queridas , que fizeram e continuam fazendo parte da minha vida .
Pelo puro prazer de celebração à vida , disponibilizo um momento muito especial , de pura emoção , que recebi a tempos , acho que hoj é o momento certo , pois foi isto que o nosso almoço significou , a celebração da vida , a alegria do reencontro vencendo a doença , a tristeza , a depressão . .
Anthony Quinn dançando enquanto Miki Theodorakis dirige a orquestra, num concerto na Grécia . Depois , Miki Theodorakis junta-se a Anthony Quinn e eles dançam juntos pelo espírito do amor .
Este momento belíssimo aconteceu 1 ano antes de Anthony Quinn morrer .
Pura demonstração de alegria de viver .
http://www.youtube.com/watch_popup?v=CKHlmb5xcq8#t
Abraços e beijinhos mais que carinhosos .
31 de Maio, dia do comissário de bordo.
Tem por dever e obrigação; prover e zelar pela segurança, conforto e bem estar dos passageiros.
“AERUS” Ironia do destino! Afim prover esta mesma segurança, conforto e bem estar para minha família, aderi à um plano de previdência complementar AERUS ! ! Esta é a verdade “Ironia do destino”! É muito triste, tenho ainda a esperança que chegará o momento de resgatar mos por inteiro na Justiça do homens a nossa segurança, conforto e bem estar.
Cordialmente, Amaury Antunes Guedes
amaury.guedes@gmail.com
Prezados colegas,
parabéns a todos os comissárias e comissários.
31 de Maio, dia do comissário de bordo.
Que tem por dever e obrigação prover e zelar pela segurança, conforto e bem estar dos passageiros. Fui comissário de bordo de bordo por muitos anos na Varig…
A fim de prover dessa mesma segurança, conforto e bem estar para minha família, aderi ao plano de previdência complementar da empresa que já não é a estrela brasileira no céu azul, o AERUS. Ironia do destino, há quatro anos, não recebemos nosso benefício. Esta é a verdade, “Ironia do destino”!
É muito triste, tenho ainda a esperança que chegará o momento de resgatarmos por inteiro na Justiça do homens a nossa segurança, conforto e bem estar.
Cordialmente, Amaury Antunes Guedes
amaury.guedes@gmail.com
Em tempo:
http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=102492&codAplicativo=2
Neste link os senhores poderão escutar os discursos proferidos pelos senadores Álvaro Dias e Paulo Paim.
O SR. PAULO PAIM (Bloco/PT – RS) – Senador Mão Santa, Senador Alvaro Dias, demais Senadores e Senadoras que se encontram na Casa.
Senador Mão Santa, nesse fim de semana, viajei na sexta-feira porque estava muito gripado. Até tentei pegar o avião na quinta, mas não consegui devido à gripe, ao estado em que me encontrava. E queria, em primeiro lugar, pedir desculpas, Senador Mão Santa, aos companheiros de partidos aliados, como o PSC, com quem eu teria um encontro na quinta-feira à tarde. Estamos dialogando, caminhando juntos nessa campanha de 2010, mais precisamente na questão do Senado da República.
Infelizmente devido à gripe, eles entenderam e nós marcamos uma reunião para a próxima semana. Também tive de adiar, porque teria na mesma tarde, uma conversa com o PRN e também com o PR nesse mesmo sentido.
Mesmo assim, Senador Mão Santa, eu viajei na sexta. E, para minha alegria, chegando a Porto Alegre, fui convidado a participar de um ato, na sexta-feira ainda, promovido pela Central Única dos Trabalhadores, em frente ao prédio do Ministério da Fazenda em Porto Alegre. Estavam naquele ato centenas de trabalhadores – metalúrgicos, bancários, comerciários, da construção civil, da área da alimentação, professores –, exigindo a aprovação dos 7,7% para os aposentados e o não veto ao fator previdenciário.
Eu fiquei satisfeito. Lá estava o meu amigo Milton Viário, presidente da Federação estadual dos Metalúrgicos, que me informou – e falarei mais amanhã sobre este tema – que amanhã, em São Paulo, no Pacaembu, teremos mais de 40 mil trabalhadores num ato nacional que unifica todas as centrais e confederações exigindo não ao veto ao fator previdenciário. O projeto original, de minha autoria, e do qual V. Exª foi o Relator, foi aprovado por duas vezes, em resumo, aqui no Senado da República, e está agora na mão do Presidente da República.
Sinto, Senador Mão Santa, que esta questão do fim do fator e a garantia dos 7,72% aos aposentados está iluminando o nosso País como uma tocha olímpica a correr por todas as cidades, por todas as ruas, alertando que em todas as casas o povo brasileiro está de pé e exigindo o fim do fator, que confisca pela metade o salário dos mais pobres, daqueles que ganham – eu diria dez, mas ninguém ganha dez – de cinco salários mínimos para baixo. Nós não queremos que isso continue. Pelo contrário, nós gostaríamos que eles voltassem a receber o número de salários mínimos que recebiam.
Senador Mão Santa, é um movimento muito forte. Veja bem, o PT do Rio Grande do Sul reuniu o seu Diretório Estadual e deliberou, por unanimidade, encaminhar um documento ao Presidente Lula pedindo o não veto aos 7,7% e também ao PL que aqui nós aprovamos, embutido na MP, da questão do fim do fator previdenciário.
Senador Alvaro Dias, é um tema em que V. Exª também tem atuado e, logo no início da sua fala, eu fiz um aparte. Como eu vou falar mais deste tema, um aparte seu só enriquece o meu discurso.
O Sr. Alvaro Dias (PSDB – PR) – Obrigado, Senador Paulo Paim. Apenas para manifestar também o meu apoio. Tenho sido questionado pela Internet, por e-mails, pelo twitter : as pessoas perguntam o que nós podemos fazer.
O SR. PAULO PAIM (Bloco/PT – RS) – Exatamente, eu ouvi muito isso no final de semana.
O Sr. Alvaro Dias (PSDB – PR) – Exatamente. Querem saber o que nós podemos fazer. Nós fizemos aquilo que nos cabia, ou seja, a aprovação aqui no Senado Federal, como fizemos com a Emenda 29, da saúde pública, que está…
O SR. PAULO PAIM (Bloco/PT – RS) – A PEC Paralela.
O Sr. Alvaro Dias (PSDB – PR) – …lamentavelmente paralisada na Câmara dos Deputados, como fizemos com o fator previdenciário, projeto de V. Exª, com o reajuste. Agora, cabe-nos fazer apelo ao Presidente da República, num contraste com a posição dos ministros. Os ministros estão puxando de um lado, e nós puxamos de outro. O apelo que fazemos ao Presidente da República é que tenha sensibilidade, sobretudo porque, de 6,14% para 7,71% não há uma diferença exorbitante. O Governo não vai ter nenhum rombo em razão disso. Essa história de rombo nós já conhecemos. Quando nós rejeitamos aqui a CPMF, o mundo iria acabar. O Presidente da República dizia que seria impossível governar o País sem CPMF. No primeiro mês de receita, R$40 milhões a mais, sem CPMF. Portanto, esta alegação de que os cofres da Previdência não suportam esse reajuste não é honesta, perdoem-me. Suporta, tem suportado incompetência administrativa, sonegação, roubo, corrupção. O Governo tem a receber bilhões de reais, há uma inadimplência, portanto, significativa. O Governo tem de ir atrás disso, tem de receber, tem de cobrar, tem de tapar os buracos dessa forma e não sacrificar ainda mais os aposentados brasileiros. É preciso ter uma postura de sinceridade, sem mistificação, sem manipulação de número, porque nós sabemos que os recursos destinados à Previdência são suficientes. Ocorre que há desvio de finalidade. Desde a Constituinte de 1988 se estabeleceu que os recursos para pagamento de aposentadoria rural viriam do Orçamento da União e não dos cofres da Previdência. Isso não se cumpriu; os recursos saem dos cofres da Previdência e depois alega-se déficit. É uma alegação imprópria. V. Exª tem mostrado números aqui, tem se preocupado em trazer números, cifras, para justificar uma posição que é nossa, do Congresso Nacional, diante do Poder Executivo, porque aprovamos aqui por unanimidade e esperamos que o Presidente sancione aquilo que foi aprovado no Congresso Nacional.
O SR. PAULO PAIM (Bloco/PT – RS) – Muito obrigado, Senador Alvaro Dias.
Embora eu esteja sentindo aqui um pouquinho o efeito da gripe, eu faço questão de continuar falando hoje, amanhã, até o dia limite da decisão do Presidente: do veto ou da sanção.
Senador Mão Santa, em pronunciamentos que fiz esse final de semana, nas cidades por onde passei – Passo Fundo, onde visitei o Prefeito, meu amigo Dipp, que foi um grande Deputado Federal; depois, em Erechim, onde estive também com o Prefeito Paulo –, deixei claro o meu ponto de vista. Tanto numa cidade como em outra, falei para milhares de pessoas, tanto em atos públicos como à imprensa.
E eu dizia: que bom a gente poder olhar hoje as manchetes do mundo falando do crescimento do Brasil, com um PIB de 8%; do nosso Presidente, como grande estadista – seja no Time, seja no Le Monde, seja no El Pais –, recentemente, mediando essa crise com o Irã. E por que não lembrar também da questão dos palestinos, dos judeus, que ele também esteve mediando; ajudando aqui nos conflitos da nossa América Latina? Podemos ver que o Brasil se encontra num momento mágico da sua economia. No mês de abril, batemos todos os recordes de arrecadação. Por isso não acredito no veto, Senador Mão Santa. Faço todas essas considerações positivas, lembrando também os 12 milhões de empregos com carteira assinada – quase que o pleno emprego, isso é verdade. Eu dizia outro dia e repito: um empresário de Canoas me procurou e disse: “Me arruma 500 trabalhadores e eu coloco os 500. E meu escritório está lá à disposição. Quem estiver ouvindo em Canoas, vá ao meu escritório que vou indicar para essa empresa que precisa de 500”.
Então, se vivemos um momento tão rico da economia é sinal de que a Previdência está arrecadando mais. A própria LDO mostra que a arrecadação prevista é 17% a mais em relação ao ano passado. Se tudo isso é verdadeiro, o momento é este: de olhar para aqueles que construíram este País e que não querem nada mais nada menos que um reajustezinho de 1,6%, porque já foi dado 6,14%, falta 1,6% para dar os 7,72% e naturalmente a queda do fator, porque se confisca metade do salário de cada um.
Eu acredito na sensibilidade do Presidente. Por isso, quando me perguntam, como disse o Senador Alvaro Dias, o que fazer tenho dito: “Quem não chora não mama.” É preciso manter a mobilização. “Como manter a mobilização, se não tenho computador?”, alguém me disse; “Eu podia mandar um e-mail, mas não tenho.” Procure o vereador do seu Município, mande ele se posicionar lá na câmara de vereadores se é a favor ou contra; e aprovar na câmara de vereadores uma moção e mandar para o Executivo; ou mande para mim que entrego ao Executivo. Vá à assembléia legislativa, vá ao diretório do seu partido; peça a eles que se posicionem. É a hora de pagarmos para ver de que lado estão os homens públicos neste País. Homem público não é só o Senador ou o Deputado. Todos. Vá ao seu prefeito, peça-lhe que se posicione também. Como é uma grande injustiça, quero ver quem fica do lado de lá concordando que tirem a metade do salário daqueles que estão aposentados e que recebem cinco, seis no máximo, porque 95% ficam na faixa de até três salários-mínimos. É para esse povo que estamos olhando. Eles são do regime geral, onde dizem que o teto é de dez, mas aplicam o tal salário de referência, o que já baixa para sete. Aí, devido ao fator e ao arrocho imposto, a maioria está ganhando entre cinco e seis para baixo. Noventa e cinco por cento, para mim, ficam na faixa de até três, no máximo quatro salários. E olhem que, se não me engano, 82% ficam com até três salários-mínimos somente.
Por isso, Senador Mão Santa, como dizia meu amigo Gilmar, dos bancários de São Paulo, que deve estar me ouvindo, me assistindo, a palavra é “Orai e vigiai.” É claro que vamos, também, manter a nossa fé, muita fé na Justiça; porque, se prevalecer a Justiça, esse veto aí não vai vir. Não poderá vir.
E, olha, eu falo com muita segurança para os senhores que eu sei que estão assistindo à TV Senado: não teve uma cidade do Rio Grande, por menor que eu fosse, que o cidadão não dissesse lá: “Eu não vou dormir sem que o senhor fale, na TV, sobre a nossa questão dos aposentados e dos nossos jovens e adultos que vão se aposentar um dia”; que levam ferro, ferro quente, que nem ferro, que eu, diria, no Rio Grande, de marcar gado. Porque a dor é muito grande! Sabe o que é ferro de marcar gado? Pega o ferro, bota ali a letra que identifica a família dona daquele número de rês, esquenta e marca o gado para dizer que é de propriedade X ou Y. E por que dói – eu conheço? Eu fui operário metalúrgico. Eu trabalhei na construção civil. Eu trabalhei de vendedor de quadro nas ruas.
Calcule o cidadão que pagou a vida toda sobre R$2 mil, por exemplo, durante 35 anos. Chega um belo dia em casa: “Gurizada, meus filhos, me aposentei; agora vou poder ficar um pouco mais com vocês. Agora, no fim do mês, vem meu primeiro carnê da Previdência”. Chega o carnê, no fim do mês, o neto, ou o filho mostra para ele: “Ó pai, acho que lograram o senhor. O senhor esta recebendo a metade do salário que recebia!” Dá um desespero total, meus amigos! O cara já ganhava pouco, ganhava R$2 mil ou R$1 mil, passa a ganhar R$500,00 ou R$1 mil. Se ganhava mil, vai ver que passou a ganhar salário-mínimo; se ganhava R$2 mil, passa a ganhar R$1 mil. E aí, quem é que vai pagar as contas? Lá vai o cidadão sem as condições adequadas, porque neste País a partir dos 45 anos já há discriminação, todos sabem que há, no mercado de trabalho; e como ele vai retornar?
Por isso que, por uma questão de justiça, essa dor eu não quero para ninguém, de se aposentar sob o ferro quente – eu diria-, o ferro em brasa do famoso fator previdenciário.
Senador Mão Santa, quando eu falava em Santa Maria e explicava, eu vi que tinha gente chorando no plenário e dizendo o seguinte: “Senador, foi exatamente isso que aconteceu comigo. Eu não sabia desse tal de fator, completei meu tempo, encaminhei meu benefício e, quando eu vi, saí da empresa recebendo metade daquilo que eu teria por direito pelos cálculos que eu tinha feito, pegando a média das minhas contribuições”.
Esse é o mundo real. Quem quiser contar historinha da carochinha que conte, mas esse é o mundo real. E aí eu vou me socorrer aqui, só para dar um exemplo, de uma carta que recebi do Movimento Dignidade aos Aposentados e Trabalhadores do Brasil, de autoria do Sr. Osvaldo Colombo Filho. Eu não vou ler toda a carta, nem vou entrar na linha do debate duro que ele faz com aqueles que faltam com a verdade. Ele cita dados belíssimos aqui. Quem quiser entre na minha própria página, que essa carta está lá. E esse senhor conhece, com certeza, o que ele está dizendo aqui. Ele diz o seguinte numa parte da carta: primeiro, o déficit da Previdência é cantilena, não existe; quem diz isso vem com uma discussão vazia, nula de qualquer crédito, transparecendo apenas uma inconsequência, conversa de botequim.
O que ele está dizendo aqui? Não sou eu que estou dizendo. Diz que quem alega, com números que não existem, que a Previdência está falida está ofendendo até aqueles que, normalmente e infelizmente, se apresentam bêbados pelas ruas. Diz mais: quem fala isso falta com a ética e a moralidade mínima e esquece os interesses de 8,4 milhões de aposentados e pensionistas e de 48 milhões de brasileiros que são aqueles que, amanhã ou depois, vão ser atingidos pelo fator.
Diz ele: Quem paga, religiosamente, são os assalariados. Eles pagam porque descontam em folha; e os altos salários, esses se aposentam com salário integral. Agora, o celetista, descontado em folha, vai receber pela metade. Depois, ele diz: Alguns falam, mostrando um conhecimento nulo em Previdência, sobre a previdência em outros países do mundo. Diz ele que ouviu alguém comparando o Brasil à Inglaterra, à Dinamarca, à Noruega, à Itália, à França etc., países esses onde são fixadas idades mínimas para a concessão da aposentadoria. Diz ele: “De fato, é verdade, porém, lá, a idade é fixada em 60 anos, só que a média de vida do cidadão lá é de 81 anos. Aqui no Brasil é de 72 anos”.
Então, onde a média de vida é de 81 anos, claro que é uma realidade! Aqui, no Brasil, é 72. E eles querem aplicar a mesma idade mínima que há em países como Inglaterra, França, Itália, onde a expectativa de vida é de 82 anos, enquanto aqui no Brasil é de 72 anos – ainda em algumas regiões. Ele é muito feliz em sua carta!
Lá, a saúde pública, diz ele, é gratuita e de qualidade. Aí ele pergunta: acontece aqui? Aqui, se você não tiver um planinho de saúde, que Deus te salve, reze bastante. Lá, o atendimento médico, hospitalar, odontológico, medicamentos, onde pessoas com mais de 70 anos nem de coparticipação (que já é baixa) são cobradas. A título de exemplo: todos os franceses ao irem a uma consulta médica, todos os franceses – atendimento de saúde de primeiro mundo – pagam €1,00, €1,00! Uma mulher grávida paga só a primeira consulta: €1,00.
Enfim, os dados que ele dá aqui, Senador Mão Santa: na Itália, a coparticipação na aquisição de medicamentos é limitada a €36,00 por mês. Ele tem direito a todos os remédios e só pode gastar €36,00 por mês. É direito dele.
Ora, e querem comparar conosco aqui, como se o brasileiro tivesse isso. Brasileiro, se não tiver dinheiro para comprar remédio, morre, morre! Eu tomo remédios caríssimos, por exemplo, mas sou Senador da República. Eu quero ver receitarem os remédios que eu tomo para um brasileiro comum; comum eu digo em matéria de faixa de renda, aqueles que ficam onde estão os aposentados, que ganham 3, 4, 5 salários. Só um que eu tomo e vou dizer o nome aqui, porque é caríssimo mesmo, é o tal de Liptor, eu pago R$120,00 a caixinha. E vão querer que o cidadão que ganha 2, 3 salários-mínimos pague por ele os R$120,00 pois vai tomar os outros que eu não vou dizer, mas tomo mais três, são mais ou menos R$500,00 por mês – eu, com sessenta anos!
E querem que esse cidadão ganhe um salário mínimo, porque, se não houver resposta para o que estamos fazendo aqui – dar um reajuste para ele e acabar com o fator –, no futuro ele vai estar ganhando um salário mínimo. Quer dizer, vai ter de gastar de remédio um salário mínimo, no mínimo, vai ter de comer, vai ter de se vestir, vai ter de viver, vai ter, enfim, de enfrentar o custo de vida. Por isso que é uma tremenda injustiça o que estão fazendo com os idosos no nosso País.
Olha, ele usa dados que eu uso muito também. Diz ele que ficou estarrecido quando, outro dia, ouviu alguém falar que o fim do fator representará um gasto de R$40 bilhões. Olha, eu não vou dizer o que ele diz aqui, eu estou pulando trechos da carta em respeito às pessoas que ele cita. Eu estou pulando, mas estou dando a fonte em homenagem a ele. Mas eu estou pulando coisas que não dá para dizer aqui no microfone.
Ele classifica de piada esse número, já que os próprios dados do Siafi – eu tenho dito isso aqui – e da Previdência dizem que houve uma economia de R$10 bilhões em dez anos – então, é R$1 bilhão por ano. Eles dizem que vai ser um gasto de R$40 bilhões, fazendo terrorismo. Então, esses dados não são citados apenas pelo Paim, ele cita onde ele buscou os dados. E por aí vai.
Com a queda do fator, agora as pessoas poderiam… Ah, esse dado que ele usou eu também uso. Eu quero dizer que comungo com a crítica que ele faz a quem diz que, com o fim do fator, o homem ou a mulher poderão se aposentar com quarenta anos de idade. Diz ele: “Sinceramente, nem sei se houve resposta a indagação tão absurda, pois o meu bom senso não me permite sequer ouvir ou responder isso”.
É aquilo que eu disse outro dia: para o homem se aposentar com quarenta anos, teria de ter começado a trabalhar com cinco anos. E dizem isso de boca cheia por aí, ouve-se isso nos meios de comunicação – ele está citando aqui; eu estou preservando os meios de comunicação que ele cita aqui. Ele cita nominalmente onde viu esse tipo de citação, dá o nome de quem está dizendo. Dizer que alguém vai se aposentar com quarenta anos com a queda do fator… Ele diz que uma afirmação dessa é ter o brasileiro como bobo, no mínimo.
Se a Constituição diz que só se pode começar a trabalhar com dezesseis anos, quem souber fazer cálculos simples vai dizer: 16 mais 35 anos corridos, porque não pode ficar um dia fora do trabalho, já deu 51, e o camarada diz que ele pode se aposentar com 40 anos! Só se alguém tivesse assinado a carteira dele, como eu disse outro dia, com cinco anos de idade! Se é com 42, foi assinada com 7 anos de idade. Não dá, né?
Quero valorizar o trabalho dele. Olhem o que ele diz aqui depois. Vou ler essa outra parte aqui:
“O fator previdenciário, como se sabe, leva em conta a expectativa de vida; ou seja, em outras palavras a ampliação da expectativa de vida de um cidadão corresponde a um desembolso por maior tempo do Regime Previdenciário. Este “fenômeno” acontece em todos os países, mas por aqui se tornou elemento trágico para usurpar os direitos dos trabalhadores de forma mais do que proporcional ao que se possa dar nexo causal ao dito “fenômeno”. Exemplificando, atualmente nossa população de idoso acima de 60 anos, pouco supera 10% do total, nos países citados por V. Sa. [comentando algo que ele viu em um jornal, ele diz, tal participação situa-se entre 23% (Noruega) [no Brasil é 10%] a 31% (Alemanha e Itália). Nestes países, a possibilidade de um cidadão chegar a 60 anos de idade [aumenta cada vez mais, e aí ele dá todos os dados todos, todos, todos].
No final, ele diz:
“Nos países sugeridos [por aqueles que são contra a derrubada do fator] … os 20% da população mais rica: Alemanha, 23,7%; Itália, 36,3%; Suécia, 34,5%; França, 40,2% [ ele quer dizer que a população mais rica nesses países fica nesses patamares]; Inglaterra, 43,2%; Noruega, 35,3%; Dinamarca, 32,6%; e no Brasil os 20% mais ricos detêm 64,1% da riqueza da nação e os 10% mais pobres só têm 0,7%”.
Vejam, a riqueza maior nesses países foi de 23,7% a 43,2%. No Brasil, os 10% mais pobres só ficam com 0,7%. Então, há uma diferença como a do dia para a noite, ninguém tenha dúvida em relação a isso.
E ele repete que querer comparar Alemanha, Itália, Suécia, França, Inglaterra, Noruega e Dinamarca com o Brasil é uma piada em matéria de distribuição de renda. Enquanto lá – repito – a riqueza maior é dividida por quase a metade da população, aqui a riqueza maior fica nas mãos de 10%. Os pobres não têm direito a praticamente nada e ainda ficam com o tacão do fator previdenciário em cima de suas cabeças.
Eu não vou insistir tanto aqui com os números, quero só cumprimentar o economista, principalmente pela análise técnica que fez, ele não fez uma análise política. Ele também se colocou totalmente à disposição para participar, conforme ele diz aqui, de qualquer desafio – Movimento Dignidade dos Aposentados e Trabalhadores do Brasil. Repito o nome do economista que assina a carta: Oswaldo Colombo Filho.
É bom para mim apresentar este documento, porque só eu fico repetindo dados e números, que são semelhantes a esses, e as pessoas acham que só o Paim entende de Previdência. Não! Entendo de forma razoável, não sou especialista, mas, por causa do monte de asneiras que tenho ouvido por aí, sou obrigado a vir aqui e comentar. Acredito muito que é este o momento de fazer uma verdadeira cruzada nacional pelo fim do fator e pelo reajuste de 7,7% para os aposentados.
Quero cumprimentar aqui todas as centrais que foram paras as ruas. Agora mesmo, no meu Twitter, recebi informações do Celsinho, presidente da CUT no Rio Grande do Sul, sobre um grande ato, ocorrido agora em Porto Alegre, com esse objetivo. E não é somente o Celsinho: vêm notícias de todas as centrais sindicais, do Fórum Sindical dos Trabalhadores, Zé Augusto, Janta, Paulinho, Patá, Calixto, todos estão dizendo que a mobilização cresce.
E dentro das empresas, Senador Mão Santa, é impressionante. Ouvi o relato de um sindicalista que sempre defendeu a mesma posição que defendo, o fim do fator e o reajuste para os aposentados. Sabe o que ele me disse? Ele disse que, chegando à porta de uma fábrica ou à porta de um comércio ou de um banco para defender o acordo da categoria, se vai ser 1%, 2%, 3%, ouve mais ou menos o seguinte: “Meu velho, não vem com essa história aí, porque o que quero saber agora é o que vocês estão fazendo para derrubar o fator. Vamos ou não derrubar? Vai ter o reajuste para os aposentados?”.
Vejam bem – eu venho do Movimento Sindical e sei disso –, os trabalhadores tomaram consciência, nos seus locais de trabalho, de que, neste momento, o mais importante de tudo não é o seu acordo coletivo ou dissídio coletivo – e olha que normalmente os associados dos sindicatos são corporativistas, eles incorporam os interesses da categoria. E para nós, Senador Mão Santa, é uma alegria ouvi-los dizer que o Senado está certo mesmo, porque esse debate começou dentro do Senado. Parabenizam os nossos Senadores que levantaram esse debate. A peãozada está dizendo isso. E não é só a peãozada que deveria estar se manifestando, porque qualquer profissional liberal também paga e vai levar ferro com o fator também. Não pensem que não vão, porque vão levar também. Só quem não leva são os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Então, é geral.
Por isso, quero mais uma vez insistir. Quando alguém me diz – usei o termo e vou continuar usando-o – que um ou outro tecnocrata de plantão dá números absurdos, eu não estranho, porque esses mesmos tecnocratas sempre foram contra o aumento do salário mínimo. Eu os conheço, ou agora vão me dizer que, quando eu dizia que o salário mínimo podia chegar a duzentos dólares, não me chamavam de louco ou de demagogo? Chamavam. Todos sabem de quem estou falando, não vou citar nome de ninguém aqui. Quando fiz aquela luta pela PEC Paralela – não fui o único naturalmente; foram os Senadores e os Deputados -, disseram que era um absurdo; quando aprovamos o Estatuto do Idoso, disseram que só faltava isso – o Estatuto do Idosos possui duzentos e poucos artigos.
Então, duvido até que esses tecnocratas, derrotistas de sempre, Senador Mão Santa, tenham sido de fato favoráveis às políticas de distribuição de renda, porque…
porque os tecnocratas pensam o seguinte: tem que acumular, acumular, acumular – é aquela velha teoria – para, depois, distribuir. O Presidente Lula, felizmente, pensa diferente e mudou a história deste País. Hoje, nós temos uma situação de mercado interno muito, muito boa e que bom a gente poder dizer isto. Eu só espero que, por uma questão de birra, eles não continuem insistindo com isto e digam: “Olhem, nós, enfim, entendemos que essas lutas são corretas, fortalecem o mercado interno, distribuem renda”. Inclusive, o Governo arrecada mais, porque se as pessoas estão recebendo mais, estão gastando mais, tudo está embutido. O próprio Governo arrecada mais. E esse percentual mínimo para o aposentado acaba, de uma forma ou outra, entrando no mercado de consumo.
Senador, eu vou terminar, mas tinha que fazer esta reflexão aqui. Mas quero agradecer muito às cidades que me receberam, desde Almirante Tamandaré, Passo Fundo, Erechim e Santa Maria. Enfim, passei por algo em torno de 10 cidades, nessa correria de fim de semana, além de Porto Alegre e São Leopoldo. Por onde passei o carinho foi muito grande. E só quero dizer para aquela senhora lá de Santa Maria – eu fui na casa dela, Senador Mão Santa e ela teve comigo o gesto de carinho mais bonito que eu recebi na minha vida. Eu fazia uma palestra em Santa Maria, numa cidade do interior, e tinha uma coletiva que eu teria que dar em Santa Maria, que é um grande centro. E aí, Senador Eurípedes Camargo, na hora em que eu estava terminando, veio uma jovem
– em torno de vinte e poucos anos – e disse que a avó dela queria muito me ver. Eu disse: olha, é difícil eu ir agora na casa da tua avó porque eu tenho uma coletiva em Santa Maria. E ela disse: Senador, ela tem 78 anos e é cega. Ela quer te ver. E eu disse: dançou a coletiva, estou indo à casa dela. No caminho, eu perguntei: mas como é que ela quer me ver? E ela disse: ela te assiste pela TV Senado. E eu perguntei: mas como ela me assiste? E ela disse: ela te ouve, não vai dormir sem que você termine. Naturalmente, não era somente eu, mas também outros Senadores que falam sobre esse tema. Quando cheguei lá, o gesto mais bonito foi este: como é que ela me viu ? Ela me tocava, tocava no meu rosto, tocava em mim e me disse: eu rezo por você todas as noites, meu filho. Você é meu filho. E começou a chorar. Como eu perdi uma irmã com o mesmo problema, ficou cega, criou-se aquele momento, aquela energia que só o universo e aquela senhora, que deve estar me assistindo lá… A senhora, que deve estar nos assistindo, me fez chorar, mas eu não me arrependo, foi uma coisa linda. Isso não tem preço! Aqueles que só jogam contra os que mais precisam não vão ter nunca isso, mas nós vamos ter. Então, esse momento que a senhora me proporcionou, abraçando-me, tocando-me, dizendo que reza por mim todas as noites, é o que interessa. Isso faz com que eu acredite cada vez mais que vale à pena essa luta, essas pelejas, que vai ter de dar certo. Então, minha amiga, receba esse abraço.
Eu sei que você está me ouvindo neste momento, não está me vendo. Você perguntou para a neta como é que eu era, e a neta disse: “Olha, ele é um negro de altura média.” Daí eu brinquei, dizendo assim: “E tu disseste para ela que eu sou muito bonito!” E a menina disse: “Eu disse que você é simpático.” E daí elas deram risada. Então, foi um momento mágico.
Enfim, para mim, é isso o que dá gosto na política, Senador Alvaro Dias. Isso é uma das coisas, para mim, mais carinhosas, mais fortes que eu vou levar sempre comigo por onde eu for.
A senhora me deu o melhor presente que eu recebi na minha vida – aquele abraço e aquele toque de mãos me dizendo: “Você é exatamente como eu imaginava.” As mãos dela fizeram a leitura do meu rosto.
Um beijão para a senhora, hein – outro beijão! –, lágrimas que se encontraram num rosto só: o meu e o seu!
Parte do discurso do senador Álvaro Dias……
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Senador Mão Santa, Srs. Senadores, Senador Paulo Paim, Senador Geraldo Mesquita Júnior, aproveitando o vazio desta segunda-feira, vamos abordar vários assuntos, porque, certamente, estamos falando com milhares de brasileiros e aqueles que, em nome das autoridades públicas, buscam as informações da atividade do Senado Federal para orientação, sobretudo das atividades administrativas.
Há pouco, recebi um recado. Hoje é Dia do Comissário de Bordo e me pediram para, exatamente em função dessa data, lembrar ao Governo que há uma pendência, que não se superou o impasse, que os aposentados Aerus estão aguardando a satisfação das suas expectativas em relação a direitos adquiridos durante muitos anos de trabalho e contribuição.
Há poucos dias, viemos a esta tribuna e fizemos a abordagem do tema. É um tema que se arrasta há bastante tempo no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. O Ministro Gilmar Mendes, no exercício da Presidência do Supremo Tribunal Federal, sugeriu um entendimento entre Governo e aposentados e pensionistas do Aerus, para evitar um julgamento prestes a ocorrer. É prudente o entendimento, faz bem ao Governo e, sobretudo, deve fazer muito bem aos aposentados.
Neste dia em que homenageamos os comissários, queremos pedir ao Governo que os atenda, sobretudo aqueles que envelheceram na labuta e que chegaram a esse impasse que tem produzido muita angústia e desesperança. Que o Governo seja sensível! É o último ano do Governo Lula. Por que repassar essa herança? Por que não resolver isso? Por que não atender as expectativas de milhares de aposentados do Aerus, do Aeros – são dois institutos –,trabalhadores da Vasp, da Varig, da Transbrasil? Por que não atendê-los em um pleito que é da maior justiça?
Antes de passar para o tema seguinte, concedo, com satisfação, o aparte ao Senador Paulo Paim.
O Sr. Paulo Paim (Bloco/PT – RS) – Senador Alvaro Dias, quero cumprimentá-lo por trazer, mais uma vez, esse tema. V. Exª é daqueles Senadores que trataram desse tema, eu poderia dizer, centenas de vezes, nesta Casa, na busca de ajudar a construir uma solução. Estivemos juntos no Supremo Tribunal Federal, estivemos juntos dialogando com a AGU. Infelizmente, até o momento, não houve solução concreta. Senador Alvaro Dias, recebi um pedido para que eu apresentasse um decreto legislativo que apontasse o que eles chamam de conforto legal. Pediram isso. Apresentei essa redação, construída, aqui, pelos consultores do Senado. Foi para a CCJ. Tomarei a liberdade, se V. Exª concordar – foi agora, recentemente -, de indicá-lo como Relator. Se tiver de fazer alguma alteração nesse texto, na verdade, V Exª tem toda a competência, porque conhece o tema, para adequá-lo. Quem sabe a gente possa aprovar o mais rápido possível esse conforto legal e até colocá-lo, se assim entendemos necessário, dentro de uma medida provisória, se for esse o entendimento da Casa, sobre a redação que vamos construir juntos. Comungo do mesmo quase sofrimento, que eu sei que é de V. Exª e de milhares e milhares de homens e mulheres deste País que estão nessa expectativa, infelizmente, grande parte falecendo e não recebendo aquilo a que teriam direito, e somente um centésimo do valor que deveriam estar recebendo neste momento. Por isso, quero cumprimentar V. Exª. Se depender de nós, com certeza, mesmo esse decreto-legislativo, que visa a forçar mais para que haja entendimento, será votado antes, ainda, do recesso parlamentar. Parabéns a V. Exª.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Muito obrigado, Senador Paulo Paim.
Vamos conversar, então, com o Senador Demóstenes Torres, que é o Presidente da Comissão de Justiça, e, se ele entender oportuno, nós poderemos deliberar sobre essa sua proposta de decreto-legislativo, oferecendo um instrumento legal ao Executivo, para que ele possa, confortavelmente, como diz V. Exª, atender as justas aspirações dos aposentados e pensionistas do Aerus.
De outro lado, amanhã, este plenário deve deliberar sobre uma medida provisória que trata exatamente de carreiras do Estado. São inúmeras carreiras de Estado que poderão ser beneficiadas com uma medida provisória que devemos apreciar no dia de amanhã.
Quem sabe não seria oportuno, Senador Paulo Paim, transformar esse decreto-legislativo numa emenda a essa medida provisória? O Relator é o Líder do Governo, Senador Romero Jucá, portanto, ninguém melhor do que o Líder do Governo para assumir essa responsabilidade. Porque nós já presenciamos o Governo atendendo empresários do setor aeroviário; presenciamos a participação efetiva do Presidente da República, através da Ministra-Chefe da Casa Civil à época, Dilma Rousseff, nas transações que levaram à venda da Varig. Foram milhões, para não dizer bilhões, de reais envolvidos em várias transações empresariais. E por que, no momento de atender ao lado mais fraco desse conjunto de operadores do sistema aéreo brasileiro, o Governo demonstra tanta insensibilidade?
Vamos levar esse pleito. Quem sabe V. Exª possa, como integrante da base aliada do Governo, levar esse pleito ao Senador Romero Jucá, para que, quem sabe, possamos deliberar sobre essa matéria no conjunto das medidas que estão colocadas nessa medida provisória.
Ouço V. Exª com prazer, Senador.
O Sr. Paulo Paim (Bloco/PT – RS) – Acatando a sugestão de V. Exª, amanhã mesmo eu me proponho a dialogar com o Senador Romero Jucá, e sei que V. Exª, uma grande liderança do PSDB, também tem muita influência. Oxalá nós dois então, um da base e um Líder da oposição, consigamos convencer o Senador Romero Jucá a acatar essa emenda que apontará uma saída para a questão do Aerus. Mas, antes de terminar, quero dizer que V. Exª será muito bem-vindo com sua esposa ao aniversário lá em Gramado e Canela. Sei que V. Exª está indo para lá. Pode ter certeza de que o Rio Grande, Canela e Gramado o receberão com muita alegria.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Vou conferir o eleitorado de V. Exª lá, Senador Paulo Paim, com muito prazer.
O Sr. Paulo Paim (Bloco/PT – RS) – Se puder, faça campanha para o Senador lá. Está precisando.
O SR. ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Farei a campanha do Senador Paulo Paim.
Sr. Presidente, esse é um assunto da maior importância, da maior seriedade, e certamente vamos tratar dele com muito entusiasmo no dia de amanhã.
Eu passo para um outro tema. Recebo um comunicado, assinado pelo Dr. Rogério Vieira Rodrigues, que é o Presidente da Unafe (União dos Advogados Públicos Federais do Brasil). Diz esse comunicado, que eu passo a ler:
http://www.blogalvarodias.com/
Aerus: longa espera de aposentados e pensionistas
Mais uma vez cobrei hoje no Senado o entendimento do Governo com os aposentados do AERUS que reivindicam direitos previdenciários . Sugeri ao Senador Paulo Paim, PT-RS, a apresentação de emenda à MP que trata das Carreiras de Estado e que estará na ordem do dia de amanhã . O relator é o Senador Romero Jucá ,lider do governo. A emenda poderia oferecer instrumento legal ao governo para efetuar o pagamento devido a aposentados e pensionistas do AERUS-
discurso acima
Dr. Maia: ainda sobre sua postagem “O Valentão da América Latina”:
- Eu não considero uma posição decente defender o governo da Bolívia. Ou fingir que não vê seu comprometimento com as plantações que correspondem a, dizem, 80% do insumo para a fabricação mundial da cocaína..
A cocaína é produzida a partir das plantações sediadas na Bolívia. Podemos até lembrar os cartéis colombianos que comercializam a droga, mas quem planta é a Bolívia.
Claro que estamos vendo uma disputa eleitoral entre o Serra e o PT, mas o Serra deu uma dentro. Cobro eu também deste governo uma posição sobre o banditismo. Afinal, o governo do PT vai se apoiar nos bandidos? Vai continuar a fingir que não vê nada?
Não vai cobrar nada do Evo? Vai deixar os bandidos ficarem ricos e , portanto, fortes?
Resposta – E o tráfico nas periferias, e nas favelas? Por que o valentão não acabou com isso em São Paulo? Por que no Estado do valentão a delegacia de narcóticos foi leiloada, e arrematada pelo delegado que ofereceu 1 milhão de reais? Por que no Estado dirigido pelo valentão um delegado de polícia recebe MENOS DO QUE UM DELEGADO DE POLÍCIA DO PIAUÍ? A ONU já mapeou a rota da cocaína, e a Bolívia não aparece como um estado bandido. Diferentemente, o Afeganistão é grande produtor e exportador de papoula, que gerará heroína. Quem incentivou a papoula no Afeganistão? A CIA: era a forma de financiar os “bravos guerrilheiros contra os comunistas”, a começar por Bin Laden.
Oô, Dr. Maia, foi mal. Como cobrar de um estado, de uma cidade, de um município isoladamente que resolva a periferia? Se um estado sozinho resolvesse TODOS os problemas da periferia, fornecendo água, esgoto, escola, pavimentação, coleta de lixo, eficiência burocrática, segurança, e sei lá o que mais, o resto do Brasil pobre iria fluir em direção a este fenômeno. E anulá-lo.
Mas ainda espero um argumento seu para justificar tanto apoio do PT e nenhuma cobrança em cima do Evo. Toda a produção de cocaína do planeta começa com as plantações de coca da Bolívia E todo mundo fica fingindo que o pobrinho do povo boliviano precisa tanto desta plantação. Dr. Maia, quem precisa da plantação são os mesmos bandidos que estavam na Bolívia antes do Evo.