Archive for junho, 2010

jun 30 2010

A FRASE DO DIA

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A frase do dia é do Presidente do PT, José Eduardo Dutra: “Pelo menos agora, ninguém vai poder dizer que na campanha do Serra só tem cacique”.

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jun 27 2010

MAIS DOIS PONTOS

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Ainda sobre notícias não dadas. Acabei nada comentando a respeito de duas ações, particularmente. A primeira, um mandado de segurança movido em nome de diversas federações de bancários contra a FENATRACOOP – Federação Nacional dos Trabalhadores Celetistas em Cooperativas. Ajuizei a ação visando suspender o registro sindical concedido àquela Federação. Em essência, aquela Federação busca representar todos os trabalhadores celetistas assalariados de cooperativas. Aí entram desde as enfermeiras da Unimed, passando por caixas bancários de cooperativas de crédito e chegando a pilotos da aviação agrícola vinculados a cooperativas agrícolas. O mandado de segurança foi provido e, portanto, nulificado o ato de concessão do registro sindical. Atuei em nome de federações de bancários filiadas à CONTRAF e à CUT.

II
De outra parte, findei não comentando mais a ação movida contra o Banco do Brasil em virtude dos atos praticados por seu Diretor Jurídico. Tratava-se de ação civil pública movida em nome de Sindicatos de Bancários, a começar pelo de Brasília, e que apontava a prática de assédio moral por parte do então Diretor Jurídico do BB. A ação acabou tendo intensa repercussão porque a íntegra da petição inicial foi postada no informativo eletrônico Consultor Jurídico, a partir da sua disponibilização pelo Sindicato dos Bancários de Brasília. A ação foi extinta no primeiro grau tão logo noticiada a destituição do então Diretor Jurídico do BB. Mesmo assim, recorremos daquela sentença. Nossa atuação, naquela causa, foi em defesa dos advogados do Banco do Brasil que vinham sendo vitimados pela política de perseguição que então havia sido implantada.

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jun 27 2010

APROVEITANDO O TEMPO

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Também eu venho aproveitando a época da Copa do Mundo para colocar em dia algumas questões pessoais, das quais já dei conhecimento por aqui. Daí a escassez de notícias, de um lado, o que não significa que as coisas estejam paradas. A matéria abaixo é só uma pitada do que anda acontecendo por aí.

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jun 27 2010

A AFABRB E A RESPONSABILIDADE DA UNIÃO

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Na última semana, foi sentenciada ação sob meu patrocínio movida pela AFABRB – Associação dos Funcionários Aposentados do BRB contra União, Regius e BRB – Banco de Brasília. A ação foi originalmente subscrita pelos Drs. Aparecido Soares de Assis e João Batista da Silva. A partir do momento que firmei contrato com a AFABRB, passei a conduzir aquela ação. Faço este registro inicial como homenagem aos dois patronos originais da causa, ambos associados da AFABRB e que conceberam a ação para defender os interesses dos participantes ativos, aposentados e da própria Regius.

II
Em essência, de 01.02 a 31.12.1997 o BRB nada contribuiu para a Regius. O regulamento da Regius foi alterado para que essa contribuição da patrocinadora não ocorresse, tudo sob o argumento de que a entidade estava superavitária, à época. Na verdade, aquele foi o primeiro ano do superávit , e a legislação traz uma série de exigências para que o superávit se consolide e seja utilizado. A rigor, deveria, à luz da legislação à época, ser constituída uma Reserva de Contingência até atingir um quarto da Reserva Matemática; a partir daí, deveria ser constituído o Fundo de Oscilação e Risco; e após 3 anos é que esses recursos do fundo de oscilação e risco poderiam servir à diminuição de contribuições. No caso da Regius, o que houve um atropelo do BRB para cessar, à época suas contribuições.

III
A Secretaria de Previdência Complementar, à época, chegou a rejeitar, originalmente, o pedido. Mas após alguma insistência, autorizou a suspensão do pagamento durante onze meses de 1997. Ou seja, ratificou uma ilegalidade. Daí o ajuizamento daquela ação.

IV
Na semana passada, pois, veio a sentença do primeiro grau. A partir do próximo tópico, extraio alguns tópicos da decisão de mérito de primeiro grau.

V
Diz a sentença:
“Falhou, portanto, o serviço de fiscalização da Secretaria de Previdência Complementar ao aprovar a alteração do Regulamento que isentou por 11 meses a patrocinadora e os participantes das respectivas contribuições, porque a sua ação deveria ser exercida, conforme art. 3º da antiga Lei 6.435, com o objetivo de “proteger os interesses dos participantes dos planos de benefícios” (item I) e de “determinar padrões mínimos adequados de segurança econômico-financeira, para preservação da liquidez e da solvência dos planos de benefícios” (item II), o que não se alcança com a isenção, ainda que por curto tempo, mas cuja soma que deixou de ingressar na entidade certamente não é desprezível.

O ato administrativo impugnado, ao admitir alteração dessa natureza, viola regras legais que não dispensam a contribuição, salvo mediante retirada de patrocínio, e a que determina a proteção, pelo Poder Público, dos interesses dos participantes e assistidos dos planos de benefícios. Exsurge daí a responsabilidade civil da União no que se refere às contribuições dos participantes, porquanto em relação às contribuições do patrocinador responder o próprio Banco de Brasília, contra quem também foi ajuizada a ação”.

VI
Ou seja, entendeu o magistrado pela condenação do B RB ao pagamento das contribuições da patrocinadora, as que deixou de contribuir durante aquele período; e condenou a UNIÃO a pagar as contribuições dos participantes, também suspensas naquele período, tudo em benefício da Regius.

VII
Quem julgou a ação foi o Juiz Federal da 14ª Vara da Seção Judiciária do DF, Doutor Jamil Rosa de Jesus. A sentença abre extraordinários precedentes, tendo em vista se tratar de decisão de mérito de primeiro grau. Haverá recursos, tanto da União quanto do BRB.

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jun 22 2010

RECORDAR É VIVER

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Publiquei, abaixo, dois textos do Bob Fernandes. Para quem não lembra do Bob, publico, a seguir, atalho para uma de suas extraordinárias matérias na Carta Capital, onde foi Editor-Chefe. Melhor ainda a matéria quando é tempo de se falar em dossiês. Para acessar, recorte o atalho a seguir e cole no seu navegador – www.terra.com.br/cartacapital/142/destaque.htm

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jun 22 2010

MATANDO A CHARADA – II

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Do blog do jornalista Bob Fernandes, no Terra Magazine –
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Bob Fernandes
Direto de Durban

Resumo da ópera Dunga x Globo & Mídia em geral nesta terça-feira, 22 de junho de 2010: Dunga não vai ceder.

A seleção continuará fechada, focada nos termos em que Dunga e os jogadores decidiram, e o treinador não atenderá a apelos de quem quer que seja. O chamado “grupo”, a seleção brasileira, está pactuada com seu técnico.

Quem teve e tem acesso aos fatos, nada além de Sua Senhoria O Fato, conta:
- …o consenso interno é esse… Dunga não cederá, irá com sua filosofia até o final, dê no que der. Ele tem a convicção de que tem gente que quer detonar o trabalho dele e que não é hora para privilegiar ninguém.

Isso de um lado do cabo de guerra. De outro, as reações da Globo depois do episódio de domingo entre Dunga e o comentarista Alex Escobar – narrado aqui, na segunda-feira, no post “Dunga divide e racha com a Globo, que reage”.

O editorial de domingo, lido no “Fantástico” pelo apresentador Tadeu Schmidt, foi redigido nos mais altos escalões do jornalismo da emissora.

A Globo, depois da reação inicial, decidiu dar o episódio por encerrado. Até que os fatos, ou os fados, a levem a voltar ao tema, trabalhará apenas nos bastidores.

A emissora entende que deve cobrir a Copa como se o episódio tivesse sido superado, deixando sempre clara sua torcida pela melhor performance do Brasil.

A Globo leva em conta, para tomar essa decisão, o rumo da opinião pública, amplamente favorável a Dunga neste momento da Copa.

Mais ainda.

A emissora percebe claramente os riscos e não pretende se prestar ao papel – nem mesmo num plano secundário – de ”vilã” no caso de uma derrota. Se as coisas não caminharem bem para a seleção, entendem, que fique claro que a emissora nada fez além de jornalismo.

Insistir agora em críticas exacerbadas ao treinador seria, além de pouco produtivo, levar a Globo para uma posição de risco excessivo diante da opinião pública, sempre volúvel e sensível a quaisquer ventos em momentos de comoção.

Uma derrota e eliminação da seleção brasileira em Copa do Mundo é, sempre, um fator para comoções. Recordemos: Roberto Carlos até hoje paga pela célebre arrumada no meião no jogo contra a França em 2006, seja ele culpado ou não.

Barbosa, o goleiro de 1950, morreu meio século depois carregando a cruz da suposta falha no gol de Ghiggia na final contra o Uruguai. Para não irmos tão longe, fiquemos em 1998.

Até hoje prosperam boatos ridículos sobre a final França 3, Brasil 0. Um deles, sem pé nem cabeça, envolve imaginários interesses da Nike. Quem for aos comentários a esse texto, em seguida, perceberá claramente como o boato ainda vive.

Outro boato, também em 1998, criou problemas para um profissional correto e sério da emissora, que chegou a receber ameaças após a derrota. Não volto ao núcleo da boataria de então para não reacender os mesmos apetites.

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jun 22 2010

MATANDO A CHARADA – I

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Do blog do jornalista Bob Fernandes, no Terra Magazine –
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Bob Fernandes
Direto de Johannesburgo

Soccer City, caminho entre o estádio e as tendas da FIFA que abrigam o Centro de Mídia. Galvão Bueno, Arnaldo Cezar Coelho e o diretor da Central Globo de Esportes, Luiz Fernando Lima conversam, não escondem a irritação e nem se preocupam com quem passa ao lado e ouve. O alvo é o técnico da seleção brasileira, Dunga. Minutos antes, na coletiva pós Brasil x Costa do Marfim o técnico, numa dividida bem a seu estilo, deu na canela do comentarista Alex Escobar, da Globo.

Luiz Fernando Lima lembra as conversas recentes da emissora com Dunga, já na África do Sul:
- Falamos com ele duas vezes e ele não consegue entender que não é “a Globo”, ele está falando para todo o país…

Seguem as observações do grupo, sempre ferinas. Um deles chega a dizer: – …e a única coisa que eu acho que ele aprendeu em quatro anos foi falar ‘conosco’ e não mais ‘com nós’ como sempre fez…

A cena do entrevero de Dunga para com Escobar pode ser vista aqui, no YouTube.

Poucas horas depois, no que pode ser o início de uma escalada, um dos apresentadores do programa, Tadeu Schmidt, da África para o “Fantástico” mandou uma reportagem sobre a rusga. Soou mais a um editorial da emissora.

Essa é, sem dúvida alguma, uma crise a rondar a seleção brasileira. Mas uma crise em tudo diferente das que envolvem a França e a Inglaterra, seleções que vivem crises internas, para dentro do elenco.

Anelka x o técnico Domenech, o capitão Evra contra o preparador físico, Zidane nos bastidores, sacodem a França. Até o presidente Sarkozy já palpitou. (De Carla Bruni ainda não ouvimos nada).

Na Inglaterra, o trivial básico: o ex-capitão Terry, que já derrubou Mourinho e Felipão no Chelsea, agora pôs a boca no trombone, e na mídia, contra o técnico italiano da seleção, Fabio Capello.

A crise que ronda o Brasil é uma crise para fora, que não envolve os jogadores. É uma crise de poder.

De um lado o poderoso sistema Globo, que carregou 300 profissionais para a África do Sul e quer um retorno para tanto. Em outras palavras, deseja o que querem os quase mil profissionais do Brasil que aqui estão: acesso. E quanto mais privilegiado, melhor.

Assim foi, assim é da índole e história da Globo, de emissora que no Brasil tenha a dimensão que ela tem.

O problema é que, na outra ponta, está Dunga, o Schwarzenegger. E como sabemos desde quando ele era o pitbull da seleção amarela, quando divide, o Dunga racha.

Está claro, cada dia mais claro, que secundado por quem ele confia e a quem tem como leais, casos de Jorginho e Taffarel, o técnico Dunga fechou um pacto com seus jogadores. De um lado ele, eles, do outro, o resto. Em especial a mídia e quem mais, dentro ou fora da seleção, não reze integralmente pela mesma cartilha.

Se há fissuras no chamado “grupo” não se sabe; não se sabe mesmo, não existem informações concretas que levem a dizer isso. Estas coisas, que sempre existem em agrupamentos humanos, costumam aparecer, vide França e Inglaterra, quando pintam os fracassos.

No Tempo Dunga na seleção não há fracassos; salvo na Olimpíada da China, quando máquinas se moveram para derrubá-lo. Como não há fracassos, parece evidente que Dunga escolheu um caminho: vencer ou vencer.

Por mais que pareça rudimentar a lógica “ou está comigo ou contra mim”, o técnico da seleção já viveu e apanhou o suficiente para saber o que significa a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar.

Dunga, que apanhou injustamente entre as Copas de 90 e 94, cuja família teve que suportar o marido, o pai, o filho a carregar por 4 anos a negativa marca da “Era Dunga”, certamente sabe o que alimenta contra si de rancor, de ressentimento, a cada bordoada que distribui.

Ele, que já me admitiu em 2007 não terem cicatrizado ainda as feridas da “Era Dunga”, obviamente sabe que está jogando a cartada mais arriscada de sua vida profissional. A de construir para si mesmo a alternativa “vencer ou vencer”.

Quando se decide por enfrentar a Globo, Dunga sabe que está encurtando seu caminho à frente da seleção brasileira, perca ou ganhe. Dunga sabe quais são e como se movem os interesses para a Copa 2014, e sabe quem maneja boa parte dos cordéis.

Nos idos da Copa América e Olimpíada, eventos que acompanhei, Dunga distribuiu fartamente bordoadas contra o sistema Globo. Durante e depois. Basta consultar os noticiários, capturar o que disse aqui e ali o técnico. São fatos.

Fato é, também, que depois disso tudo um acordo foi costurado. Com a participação do diretor de Comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, encontraram-se o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e um dos Marinho da Globo.

Selou-se, então, um acordo de paz, de convivência por conta dos mútuos interesses. Não por acaso duas entrevistas exclusivas ao Jornal Nacional na Copa das Confederações, não por acaso Dunga na bancada do Jornal Nacional depois da convocação para a Copa de agora.

Isso é inegável. São os fatos. Não há como negá-los.

Mas, havia, há um Dunga no meio do caminho. Com a mesma determinação que jogou em 94, que então protegeu Romário de si mesmo e do assédio da mídia, Dunga agora se fecha com seu grupo.

A propósito, Romário, que não é bobo, sentiu o cheiro da crise e nesta terça-feira postou em seu twitter, @Romário11, as seguintes mensagens de apoio ao capitão do Tetra:
- Infelizmente sobrou pro Escobar (ele é gente boa e americano). Mas geral só gosta de bater, então apanhar um pouco faz bem!
- Parceiro “Dunga”, não perca o foco, vamos em frente e faltam 5 jogos!

Ao se fechar tanto, Dunga comete erros. Erros como o de enxergar e tratar a todos, sem distinção, como se fossem adversários, inimigos mesmo, e isso não é uma verdade.

Em algum momento Dunga perceberá, ou algum amigo lhe dirá, que não seria preciso tanto e contra todos. Nesta terça-feira, com a experiência de quem já viveu e enfrentou essa tsunami, Felipão Scolari aconselhou. A todos:
- Pelo bem da Seleção não adianta um dar um soco e o outro revidar, depois um dar um chute e o outro dar um chute também, porque, se não, nunca vão se entender…

Dunga, o Schwarzenegger, decidiu-se por pagar o preço, por queimar as caravelas. A ele e seu grupo só uma coisa importa. Vencer. Ganhar a Copa do Mundo. Custe o que custar.

O velho parceiro Romário, herói do Tetra a quem Dunga tanto deve e vice-versa, também nesta tarde postou em seu twitter:
- A gente já sabe o que vai acontecer. Se o Brasil ganhar é obrigação, se perder não vou querer estar na pele do Dunga…

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jun 18 2010

SARAMAGO

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O que havia de mais extraordinário em Saramago era o seu comprometimento absoluto com o ser humano. Daí nascia a sua convicção comunista, daí nascia, também, sua negação da divindade. Um extraordinário humanista, sempre apoiando as causas que dizem respeito à dignidade humana, ao fim do sofrimento.

II
Poucas filosofias nasceram com a inspiração tão generosa, tão grandiosa, quanto o comunismo. Em pleno soterramento do homem pelas máquinas, na revolução industrial, surge um pensador para dizer que um dia tudo seria diferente, que aqueles que estavam sendo esmagados pelas máquinas um dia tomariam o poder e estabeleceriam a igualdade. Em meio àquela tortura impressionante, à exploração desmedida do ser humano, à exploração de crianças de quatro anos de idade, surge essa promessa, essa esperança. Grandioso e humano.

III
Daí a sedução das idéias comunistas: a idéia de igualdade, onde um ser humano não se mediria em face do outro a partir de seus bens. A inspiração, portanto, foi generosa. Mesmo que a quase totalidade das experiências tenha sido ruim, não se pode negar a generosidade, a grandiosidade da inspiração original.

IV
Digo isso, primeiro, porque Saramago levou até o fim sua convicção comunista. Segundo, porque é preciso falar sobre o chamado “neocon”, ou seja, o neoconservadorismo. Hoje mesmo, no site da UOl, a chamada era “Saramago apoiou Cuba”. Há duas questões a registrar, aí: a primeira, que essa informação estava completamente desatualizada. Saramago retirou o seu apoio incondicional a Cuba há cerca de 4 anos, desgostoso com alguma coisa que lhe pareceu como a gota d’agua. A segunda questão, no entanto, é que o “neocom” busca levar a uma satanização de Cuba, ou de tudo o que for de esquerda. Há um discurso de gente nova, de pouco mais de 30 anos de idade, de um conservadorismo absurdo, abjeto, de um individualismo completo. A chamada da Uol é de um reducionaismo impressionante: morre o maior escritor da língua portuguesa, e a chamada deles diz respeito a Cuba.

V
Li, há poucos dias, e não vou citar o nome, o livro de um desses “neocon” tentando fazer uma releitura da história do Brasil. O livro foi interessante no começo, tolerável no meio, e absolutamente intragável no fim. Um guri de 31 anos de idade já completamente tomado por idéias sem qualquer inspiração, qualquer traço de generosidade, qualquer rudimento de humanismo. Nada disso. O tempo todo o tal “mercado”, o individualismo exacerbado, o cinismo, enfim. Não é a toa que foi repórter de uma dessas revistas que já trazem a opinião pronta para quem não consegue formular a sua própria.

VI
E aí comparo as duas coisas: de um lado, a inspiração humanista, generosa, grandiosa de Saramago. De outro, essa visão amesquinhada do ser humano, o permanente cinismo, a louvação a um tal “mercado” que se transformou em uma nova religião, um certo deboche pelos desvalidos que passam, também aqui, a ser “loosers”.

VII
Saramago tinha como formação Torneiro Mecânico. E seus avós eram analfabetos. Dizia que o homem mais sábio que conheceu na sua vida, o seu avô, era analfabeto. O prêmio Nobel de Literatura, pois, rendia suas homenagens ao maior sábio que conheceu, ao homem que lhe ensinou a contar histórias, ao seu avô analfabeto.

VIII
Mais ainda avulta a generosidade, a grandeza, a humanidade de Saramago. Dentro dos tais “neocon”, nada disso importa. O que vale é ostentar algum tipo de formação educacional superficial, de preferência com algum “MBA”, sem qualquer traço humanista. E, sempre, procurar humilhar aqueles cuja vida não permitiu chegar ao curso superior. É uma distinção esnobe, onde a educação formal não significa, necessariamente, educação ou cultura, mas tão somente o disfarçar de uma permanente ignorância sobre a condição humana sob o biombo de um diploma. Nada se fala do caráter, da alma, das aspirações e das inspirações, da generosidade na visão do mundo. Fala-se, tão somente, em curso superior.

IX
Essa dita visão “neocon” perpassa, agora, os necrológios sobre Saramago. O Uol , quando morre o maior escritor atual da língua portuguesa, o nosso Prêmio Nobel, resolve chamar a atenção tão somente para o apoio a Cuba, como se o simples apoio a Cuba fosse de todo censurável. Se apoiasse Bush Júnior, se apoiasse quaisquer dos ditadores de direita, nada seria dito. Mas a moda, agora, é o “neocon”, e para isso é preciso, a cada momento, ridicularizar tudo o que está à esquerda. Moderno é o mercado, o resto é antiguidade.

X
Já fiz, aqui, várias vezes críticas aos comunistas. Algumas, em referência histórica ao mencionar o equívoco durante os governos Getúlio e o maior equívoco, ainda, ao se aliar, ainda que momentaneamente, à UDN. Depois, a crítica direta ao PCdoB no que se refere ao s leilões de bacias petrolíferas, já que aquele partido dirigiu durante longo tempo a Agência Nacional do Petróleo durante o governo Lula.

XI
É preciso que se diga, no entanto, que parte significativa das conquistas do povo brasileiro veio, sim, também a partir da luta dos comunistas, da permanente pressão que exerciam sobre o capitalismo que precisava, à época, demonstrar que era melhor do que a alternativa comunista. Hoje não há mais a ameaça de alternativa comunista, e essa ameaça faz falta. Desde a queda do muro de Berlim que toda a pressão mundial está em retirar direitos de trabalhadores e aposentados. O capitalismo não precisa mais provar que é melhor do que ninguém.

XII
Foi embora Saramago, comunista e ateu. Foi embora o nosso Prêmio Nobel da língua portuguesa. Quem perde é a humanidade, são os desvalidos, são todos aqueles que buscam um olhar de conforto, de incentivo, de compaixão pelo sofrimento humano. O mundo fica menos doce, menos generoso, menos fraterno.

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jun 18 2010

AMADORES E PROFISSIONAIS

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Segundo a grande imprensa, a previdência é deficitária. É que eles somam apenas as contribuições de empregados e empregadores, e não as demais destinações que compõem o orçamento da seguridade social. Esse discurso prepara outro: o de que é preciso diminuir o valor das aposentadorias e, principalmente, o de que é preciso privatizar a previdência.

II
Daí o esforço da imprensa no sentido de impedir a aprovação dos 7,74% de reajuste nas aposentadorias. De alguma forma, precisam manter o seu discurso do dito déficit previdenciário.

III
Aí entra outro ponto que já tocamos aqui. A oposição está desarticulada e sem discurso. Na falta da oposição, a imprensa resolveu assumir esse lugar. Só que o baronato da imprensa não é exatamente especialista em fazer política de massas. Então, consegue impor sua vontade, seus discursos, contratando seus comentaristas de sempre, mas não consegue manipular tudo o tempo todo.

IV
Foi a grande imprensa que inventou diversos “escândalos”, jogando a oposição em situação constrangedora. A imprensa pautava, a oposição vinha atrás, o tema não vingava. Isso desde a compra da tapioca com cartão corporativo até o último, agora, o do tal dossiê. Dois dados, a propósito: o primeiro, que segundo pesquisas feitas na época dos “aloprados”, a imensa, a maioria absoluta do povo brasileiro achava que dossiê era um tipo de doce. Sério. Agora, na atual “crise”, o Noblat faz mais uma das suas enquetes. O público do Noblat é essencialmente conservador. No resultado, 61% dos que responderam aprovam o uso de informações verdadeiras contra os adversários; 12,6% desaprova o uso de informações falsas; e apenas 22,6% é contra o uso de qualquer informação, verdadeira ou falsa, que enlameie candidatos. Ou seja, o povo quer saber se é verdade ou se é mentira, não quer saber se é ou não dossiê ou pasta.

V
Já comentei aqui, em outra oportunidade: a imprensa pautou a oposição, e pautou mal. No caso do pré-sal, parte da oposição se viu obrigada a assumir a camisa de antinacional. No caso da crise de 2008, então, a imprensa ficou atônita, dando tiros para tudo que é lado. Agora, mais recentemente, resolve criticar posições do Brasil nas negociações internacionais, assumindo claramente uma postura pró-EUA. O que se conclui é: quem sabe fazer política é a oposição, não a imprensa. Quando a imprensa se substitui à oposição, passa a levantar bandeiras que comprometem a própria oposição.

VI
No caso do reajuste das aposentadorias, só os muito ingênuos não viram. Lula deixou a imprensa gritar, deixou a imprensa propagandear uma posição contra os aposentados. Quando isso ficou bem claro para a população, quando ficou bem claro de que lado estava a imprensa, Lula não vetou. Aprovou o reajuste. Como dito antes, política é para políticos, sejam da oposição, sejam da situação. Quando a imprensa se mete a fazer política diretamente, dá nisso: conseguiu fazer um fundo de contraste maravilhoso para que Lula posasse de grande defensor dos aposentados, enfrentando toda a imprensa! É a diferença entre amadores e profissionais.

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jun 17 2010

LET’S SAVE!

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TO SAVE THE LITTLE BIRD

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