Archive for junho, 2010

jun 17 2010

A AUSÊNCIA DO NOTÁVEL

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Impressionante na convenção do PSDB, que lançou o candidato José Serra, foi a ausência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Sem dúvida, seu legado é um peso para qualquer candidato: foi FHC quem aprovou a reforma da previdência de 1998; que criou o fator previdenciário; que retirou o monopólio estatal do petróleo da Petrobrás; que iniciou a política lesiva de leilões de bacias petrolíferas; que fez o PROER; que fez programas de demissão em massa nas estatais; que privatizou a Vale do Rio Doce. Foi no governo FHC que houve a intervenção na PREVI, logo após uma visita noturna de Daniel Dantas a FHC no Palácio da Alvorada. Foi no governo FHC, ainda, que havia a figura do “engavetador geral da República”.
Pelo visto, a maneira de lidar com a vaidade de FHC é simplesmente mandá-lo para o exterior. Se fica por aqui, tira votos e quer ser o primeiro da cena.

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jun 17 2010

ALGUMAS RESPOSTAS

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Vamos a algumas respostas. Quanto à ação civil pública na 14ª Vara, que registra “suspensão do processo”, ocorreu por ordem do Juiz. É que há o agravo de instrumento em curso noTRF, ainda pendente de despacho. Lá, buscamos produzir provas na ação civil pública. O Juiz Federal do 1º grau entendeu que é melhor aguardar a manifestação inicial do Relator do Agravo de Instrumento. Ou seja, a suspensão se deu a partir de iniciativa do Juiz Federal.

II
Quanto ao RE 571.969 no STF, sem novidades. Trata-se da ação movida pela Varig contra a União. Houve a comunicação da Ministra Cármen Lúcia de que o tema seria agilizado. Após, houve o pedido de suspensão formulado pela União e Varig para que fosse discutida a possibilidade de acordo. Após isso, sem novidades. O tema deverá pautado novamente pela presidência do STF.

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jun 17 2010

“REPORTAGEM HUMORÍSTICA” E PROTESTO PATROCINADO

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Não tenho o hábito de assistir ao programa ´”Pânico”, e descobri o “CQC” há poucos meses, que também não assisto. Há alguma coisa nesses programas que me incomoda, e não é apenas o freqüente baixo nível.

II
Programa de humor é uma coisa, e costuma ser bem vindo. Programa de reportagens é outra coisa, e também costuma ser bem vindo. O problema é quando se mistura as duas coisas e se tenta fazer um “humor reportagem”. É esse o problema.

III
Um parlamentar sisudo, ou uma autoridade sisuda, dificilmente vai aceitar participar de um programa de humor. Não é do seu feitio, não sabe fazer graça, e é muito comum gente assim. Sua área é outra: o sujeito é especialista em educação, ou em trânsito, ou qualquer outra coisa que não humor. E aí, absolutamente legítimo que se recuse a participar de um programa de humor. Quanto a um programa de entrevistas, há um consenso de que, na democracia, os governantes, parlamentares e por aí afora devem responder às indagações da imprensa, desde que dentro do limite do razoável.

IV
O Pânico e o CQC fazem a tal “reportagem humorística”, ou coisa parecida. Não há saída para quem for por eles abordado. Fatalmente será levado a uma situação de ridículo ou algo assim. Tem gente que convive bem com isso, tem gente que faz qualquer coisa para aparecer, inclusive adotar comportamento ridículo. Mas tem gente que não tem esse perfil, que não consegue contrapor uma gracinha a outra gracinha.

V
Aí é que está a armadilha: o sujeito se apresenta como se fosse um repórter, e a autoridade, ou o parlamentar, ou seja lá quem for, se dispõe a responder. Só que aí vem uma gracinha, um deboche, algo no rumo do “humorístico” que, curiosamente, raramente é engraçado.

VI
Há uma outra questão, ainda, especificamente em relação ao CQC. Primeiro, é que se colocam como moralistas, ou seja, como caçadores de irregularidades. Segundo, que agora adotaram um quadro de “denuncie” ou algo parecido, se é que não é “proteste”. E também vejo isso com minhas reservas.

VII
Ainda que tarde, digo: acho que é uma gurizada excelente. Alguns são extremamente talentosos. Um deles, especificamente, é oriundo de um quadro do “Terça Insana”, um espetáculo de humor que acontece em São Paulo e que é muito bom. Então, ainda que tardiamente, fica o registro: há talento, sim, há inteligência embora o freqüente baixo nível. O que abordo aqui não é isso, mas a linha do programa, a mescla do “reportagem com humor”.

VIII
Um quadro moralista, denuncista, é algo que acrescenta politicamente? É algo que incentiva o exercício da cidadania? Tenho minhas dúvidas. Na verdade, tendo a concluir o contrário. Essas explosões de denuncismo frequentemente mascaram a despolitização.

IX
Veja o exemplo: algum deles resolveu, por exemplo, divulgar que o País é sangrado em 200 bilhões de reais ao ano somente em juros da dívida interna? Alguém questionou a existência dos cargos políticos em TCU e TCEs?Por que ministros e conselheiros de TCU e TCEs não são concursados? Nada disso. É um moralismozinho de varejo, que foge de temas concretos, daqueles que teriam relevância política. Volto a outro tema: qual o critério para obter uma concessão de rádio ou televisão? Qual o critério utilizado para aceitar ou não doação de empresas para campanhas? Isso tudo daria uma boa discussão política. O resultado de uma discussão sobre esses temas levaria, sim, ao exercício da cidadania. Mas isso não vai ao ar naqueles programas, nem com pitadas humorísticas.

X
E quanto ao “proteste” ou “denuncie”? Aí é que fica mais evidente a despolitização. Vou protestar em quadro patrocinado pela Pepsi, ou pelo Santander? Ou seja, meu protesto é patrocinado pelas multinacionais? Veja a incoerência, veja o nível de despolitização. O que há, pois, é a instrumentalização disso – de denúncias e do protesto – por um programa de televisão.

XI
Todo o respeito aos meninos e meninas do programa, ao esforço e ao talento. Mas essa linha de “reportagem humorística” é um embuste: ou é humor, ou é reportagem. A mistura das duas coisas é tão somente deboche, onde o palhaço busca esconder sua atividade sob o manto da “liberdade de imprensa”, quando o que está querendo é “liberdade de palhaçada”. E quanto aos “denúncias e protestos”, é mera instrumentalização da boa-fé do povo, é o denuncismo superficial, agora com patrocínio das multinacionais.

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jun 10 2010

A DOSE DIÁRIA DE DOUTRINA

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Impossível não comentar a respeito de Miriam Leitão, hoje, na CBN. Fez um longo e ideológico discurso contra o novo modelo do pré-sal, ou seja, contra o modelo de partilha. Afirmou que o modelo anterior “estava funcionando muito bem”. E fez um longo lamento ao vivo. Foi um momento muito bonito, confesso.

II
É impressionante isso, impressionante a doutrinação cotidiana. São doses maciças de Miriam Leitão, depois de Carlos Sardenberg, depois de cada comentarista convidado que, curiosamente, tem sempre o discurso igual ao dos dois anteriores.

III
De outro lado, há dois dias o jornal Valor Econômico publicava trechos de uma carta enviada pelo Secretário de Tesouro norte-americano aos seus pares na Europa. Alertava quanto às dificuldades de consumo do povo norte-americano, ao tempo que fazia alerta quanto a eventuais exageros dos demais países no aperto fiscal. Ou seja, alertou quanto a uma possível queda do consumo e suas conseqüências na economia mundial.

IV
Ou seja, o secretário do tesouro dos EUA metendo abertamente o bedelho no funcionamento da economia, no planejamento do consumo dos países. É claro, é evidente, é o papel dos governos: olhar o futuro, tentar influenciar no direcionamento econômico, quanto mais em época de crise mundial. Aqui, no entanto, é que o discurso permanece o mesmo: a cantilena de Miriam Leitão e de Carlos Sardenberg contra a Petrobrás e as estatais, e a favor de qualquer multinacional que apareça, a começar pela Monsanto; o permanente discurso a favor do aumento das taxas de juros e contra qualquer hipótese de crescimento do País.

V
Ou seja, é um discurso absolutamente ideológico, completamente afinado com um modelo econômico que fracassou. Fazem cotidianamente a pregação da continuidade do governo Fernando Henrique Cardoso. Talvez seja por isso, porque a todo momento relembram a tragédia que foi o governo FH, que Serra esteja caindo nas pesquisas.

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jun 10 2010

PEDRA CANTADA

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Os projetos relativos ao pré-sal foram encaminhados pelo governo ao Congresso sem tratar da questão dos royalties. A urgência era mudar o sistema para o de partilha, definir a Petrobrás como operadora e capitalizá-la. Quem se precipitou e exigiu a discussão imediata sobre royalties foi o governador do Rio de Janeiro.

II
A discussão prematura deu no que deu: uma emenda apresentada pela Senador Simon igualou a distribuição dos royalties, contrariamente ao que defendiam os governadores do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Já comentei aqui anteriormente: a visão de Sérgio Cabral, de criar o “Kwait –de-Janeiro”, não teria a menor chance de ser aprovada pelos demais estados. Faltou estratégia, faltou capacidade de conversa, de negociação.

III
Há uma questão curiosa na postura do governador do Rio: é que defendeu a continuidade do atual modelo de concessões, ou seja, do modelo entreguista que levou o Brasil a transferir fortunas para os cofres das multinacionais. Agora, quando as pesquisas já mostraram o potencial do pré-sal e quando, a rigor, acabou o risco da prospecção, seria um absurdo manter aquele modelo. Seria dar de presente às multinacionais uma quantidade de petróleo impressionante, que levará o Brasil à condição de quarta reserva mundial. Ou seja, manter o sistema anterior seria um crime contra as gerações futuras.

IV
O curioso é que Sérgio Cabral, Pedro Simon e Ibsen Pinheiro são todos do PMDB. Então, problema deles.

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jun 10 2010

APELO

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Enviado por: Gabriella
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Bom dia!
Hoje eu gostaria de estar aqui fazendo algum comentário, não fazendo um apelo.
É um apelo sim, de ajuda, não está sendo fácil, não por orgulho, mas por saber que muitos se encontram na mesma situação que me encontro hoje.
Antes gostaria de dizer que pedi autorização do Dr. Maia para expor meu pedido.
Esta semana minha mãe ligou no meu serviço que estava passando mal, corri para ver o que ela tinha, quando cheguei ela estava no chão, entrei em verdadeiro desespero, pois achei que algo de pior havia acontecido.
Quando vi que ela havia desmaiado, tentei anima-la, quando vi que tinha um papel na mão, e ai ela me contou, que com todos os problemas que estamos atravessando o pior aconteceu, ela recebeu a visita de um oficial de justiça, com uma ordem de despejo, nós temos vinte poucos dias para desocupar o imóvel.
O banco ganhou todas, nossos acordos não foram aceitos e perdemos, nesta hora juro não senti o chão, era como se eu estivesse morta por segundos,mas o que importava na hora era a vida de minha mãe, pedi calma para ela e a levei ao hospital.
Quando chegamos aquela burocracia, estamos sem plano médico, esperamos o dia inteiro, quando à tarde ela foi atendida, pediram internação, mas não tinha leito , fiquei com ela no corredor do hospital a noite inteira, quando amanheceu eles nos disseram que seria melhor eu leva-la para casa, pois ela poderia pegar até uma infecção hospitalar, foi quando me disseram que eles notaram um nódulo na axila direita dela, e pediram muitos exames.
Pedi muita força para Deus , pois neste momento de desespero estava sozinha, não tinha ,não tenho a quem pedir ajuda, o que fazer cuidar de minha mãe, procurar um lugar para morar, sem dinheiro nenhum.
Me senti tão pequena, tão impotente, coisa que minha mãe sempre me ensinou nunca se revolte , e dessa vez eu fiz me revoltei muito, a justiça já havia nos tirado tudo quando meu pai morreu, pois minha mãe passou uma procuração com todos poderes para um advogado, quando ela soube nós não tinhamos mais nada.
Me revoltei por ser tão pequena quando meu pai morreu, e agora que nos tiraram tudo novamente eu me vejo aqui, sozinha com um ser tão bom, que tira do prato dela para ajudar os outros sem saber o que fazer.
Ir para onde não tenho como, foi quando resolvi pedir ajuda, sei que muitos estão sem condiçoes tambem, mas quem puder me ajudar neste momento, eu apenas prometo devolver cada centavos que me ajudarem,é uma promessa que fiz para o Dr. Maia no e-mail que enviei.
Minha mãe ganhou um processo da época de meu pai, no SNA entrei em contato com Dra Dalila e ela me informou que já habilitou toda documentação de minha mãe, e já estão pagando, ela acredita que vai levar uns tres meses, muitos do grupo do processo já recebeu.
Este apelo é de uma filha de 25 anos desesperada, mais hoje por saber que ela esta comigo com muita força para lutar, vergonha eu teria se estivesse enganando as pessoas, vergonha teria se não estivesse fazendo nada.
Peço que me desculpem logo nos primeiros comentários de hoje deixar um comantário tão triste, mais tenho muita fé que vou sair dessa.
Meu nome é Gabriella meu e-mail é ga_biba22@hotmail.com.
Matricula aerus 012310-9.
Quem não puder me ajudar , uma oração de coração será muito bem vinda.
Mais uma vez muito obrigado e me desculpe, fiquem com Deus, tenho certeza que ele não me abandonará.

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jun 06 2010

ÁGUA PURA?

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Para ver um excelente video sobre água, recorte o atalho a seguir e cole no seu navegador – http://www.youtube.com/watch?v=KdVIsEUXIUM

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jun 06 2010

CURIOSIDADES DAS PESQUISAS

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Duas curiosidades nas pesquisas que vêm sendo divulgadas: 25% do eleitorado de Serra pretende votar no candidato que vier a ser sugerido por Lula.
A segunda curiosidade: segundo a última pesquisa Ibope, Serra tem 37%, Dilma também 37%. O curioso é que Lula aparece com 12% de intenções de votos.

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jun 06 2010

SOBRE DOSSIÊS

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O “rei dos dossiês” era ACM – Antônio Carlos Magalhães. Durante seu longo reinado, por diversas vezes divulgou a existência de dossiês contra desafetos, o que normalmente ficava só na ameaça: não divulgava os tais dossiês. Valia-se, tão somente, da ameçada.

II
ACM se deu mal, no entanto, com Itamar Franco. Quando Itamar era Presidente da República, em gesto bombástico ACM disse que entregaria um dossiê sobre corrupção no governo federal. Itamar, então, resolveu receber ACM na presença dos jornalistas que cobrem o Planalto, em audiência pública, e aproveitou para entregar um dossiê sobre corrupção no Estado da Bahia. ACM não era acostumado ao jogo às claras, e saiu desconcertado do encontro com Itamar à frente das câmeras.

III
O que é um dossiê, afinal? É um apanhado de papéis. O que na interessa, na política, é (1) se os papéis dizem respeito à vida pública ou à vida privada; e (2) se a documentação traz informações verdadeiras. Se disser respeito à vida pública, e se as informações forem verdadeiras, faz parte do jogo político. Ninguém espera que um dos competidores, sabendo que o outro é chegado em uma falcatrua ou em fraudes, fique em silêncio. Daí que é curioso ver a impresa chiando tanto em relação a “dossiês”, tratando como se fosse algo absurdo. Quem tem munição contra o adversário político deve usar, seja ou não na forma de dossiês.

IV
Já ouvi muita conversa, em Brasília, sobre dossiês. Uma, particularmente, há uns 2 anos, chamou a atenção: dizia respeito a denúncias de consumo de cocaína por um sujeito graúdo, inclusive com referência a fotos feitas por arapongas. Não sei se isso é verdade, nunca apareceu. Parece que faz parte de alguma guerra de nervos movida por um político contra o outro. É provável que nunca apareça, é provável que sirva, apenas, para tentar macular a imagem do suposto fotografado.

V
Agora, o País assiste a uma nova discussão de “formação de dossiê”. As informações são falsas ou verdadeiras? Curiosamente, a imprensa fugiu dessa discussão, preferindo centrar, tão somente, na informação de que estaria sendo montado um dossiê. Inicialmente, a notícia veio pela Veja. A seguir, O Globo deu repercussão, e acrescentou algo: estaria no dossiê a sociedade entre a filha de José Serra e a irmã de Daniel Dantas.

VI
A história é curiosa. Justamente O Globo chama a atenção para esse “vínculo familiar” envolvendo Serra e Daniel Dantas. Ou seja, buscou antecipar-se, detonando antecipadamente uma notícia para, primeiro, dar validade à especulação sobre o tal dossiê; segundo, para esvaziar essa mesma notícia envolvendo Daniel Dantas. Não veio em manchete, não veio em letras garrafais.

VII
O jornalista Ricardo Noblat publicava, em 01.06, nota de um leitor onde estava escrito – ” “Decidir.com, Inc. é uma empresa multinacional, registrada em Miami no dia 3 de maio de 2000 sob o número P00000044377, na qual foram sócias Verônica Dantas Rodemburg, irmã de Daniel Dantas, do Banco Opportunity, e Verônica Allende Serra, filha do governador José Serra. Seu site oferecia oportunidades de negócios, inclusive na área de licitações públicas no Brasil. “Encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”.

VIII
A notícia, no entanto, é velha: a Carta Capital já publicou essa vinculação há algum tempo, sem que houvesse maior repercussão. Agora, a notícia surge para dar credibilidade a um suposto dossiê que estaria em elaboração. Uma notícia velha atestaria que estava em elaboração um dossiê.

IX
Parece que a história sobre o tal dossiê é diferente.

X
Segundo Nassif e segundo Paulo Henrique Amorim, o que há é a confecção de um livro. O autor é Amaury Ribeiro Júnior, ex-repórter do Estado de Minas e de vários grandes jornais, ganhador de 3 prêmios Esso e 4 prêmios Vladmir Herzog. O livro de Amaury diz respeito às privatizações, essencialmente à privatização da Vale do Rio Doce e o episódio conhecido como “no limite da irresponsabilidade”, frase dita pelo então Diretor do BB, Ricardo Sérgio, ao então Presidente da República FHC.

XI
Aqui vai um trecho da Introdução do livro de Amaury Ribeiro, retirado da página eletrônica de Paulo Henrique Amorim – “Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do país, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC. Seus personagens pensaram ou pilotaram o processo de venda das empresas estatais. Ou se aproveitaram do processo. Ribeiro Jr. promete mostrar, além disso, como ter parentes ou amigos no alto tucanato ajudou a construir fortunas. Entre as figuras de destaque da narrativa estão o ex-tesoureiro de campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio de Oliveira, o próprio Serra e três dos seus parentes: a filha Verônica Serra, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Todos eles, afirma, tem o que explicar ao Brasil.
Ribeiro Jr. vai detalhar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã. A começar por seu primo Gregório Marín Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marín. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como (Marin) é conhecido, precisa explicar onde obteve US$ 3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil …

XII
Voltamos ao ponto: a simples existência de um dossiê, ou sua confecção, é problema? Entendo eu que não. Prá ser franco, acho que faltam mais dossiês. Por exemplo, sobre o motivo pelo qual alguns são pela continuidade do entreguismo das licitações de bacias petrolíferas; sobre as ligações de dirigentes de agências ditas “reguladoras” com as empresas por elas fiscalizadas; sobre o número de concessões de rádio e televisão que estão nas mãos de políticos. Ou seja, o que interessa é se a informação diz respeito à vida pública (excluindo, portanto, acusações relativas à orientação sexual dos candidatos, à sua fidelidade ou infidelidade conjugal) e se as informações coletadas são verdadeiras.

XIII
Enfim, a campanha eleitoral está só no começo. Pelo visto, no entanto, a pancadaria irá aumentar. E o curioso é que um livro já parcialmente escrito, com pesadas acusações, subitamente é transformado em “dossiê” pela grande imprensa. Seu suposto conteúdo, no entanto, simplesmente não é trazido a público pelos jornalões.

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jun 06 2010

“O CASO DO SUPOSTO DOSSIÊ”

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Do Blog do Luís Nassif –
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O caso do suposto dossiê

Luís Nassif –

À primeira vista, não fazia lógica a história da divulgação do suposto dossiê contra a filha de José Serra, que estaria sendo armado pelo PT.

Primeiro, por ser inverossímil. Com a campanha de Dilma Rousseff em céu de brigadeiro, à troco de quê se apelaria para gestos desesperados e de alto risco, como a divulgação de dossiês contra adversários? Se a campanha estivesse em queda, talvez.

Além disso, os dados apresentados pela Veja, repercutidos pelo O Globo, eram inconsistentes. Centravam fogo em Luiz Lanzetta, que tem uma assessoria em Brasília que serve apenas para a contratação de funcionários para a campanha de Dilma – assim como Serra se vale da Inpress e da FSB para suas contratações.

Serra atacou Lanzetta, inicialmente, através de parajornalistas usualmente utilizados para a divulgação de dossiês e assassinatos de reputação. Só que há tempos caíram no descrédito e os ataques caíram no vazio. Serviram apenas como aviso.

Aí, se valeu da Veja que publicou uma curiosa matéria em que dava supostos detalhes de supostas conversas sobre supostos dossiês, mas nada falava sobre o suposto conteúdo do suposto dossiê.

Até aí, é Veja. Mas os fatos continuaram estranhos.

Há tempos a revista também caiu em descrédito tal que sequer suas capas são repercutidas pelos irmãos da velha mídia. Desta vez, no entanto, entrou O Globo, inclusive expondo a filha de Serra – como suposto alvo do suposto dossiê. Depois, o próprio Serra endossando as suposições, em um gesto que, no início, poucos entenderam. A troco de quê deixaria de lado o «Serra paz e amor» para endossar algo de baixa credibilidade, em uma demonstração de desespero que tiraria totalmente o foco da campanha?

Havia peças faltando nesse quebra-cabeças. Mas os bares de Brasília já conheciam os detalhes, que acabaram suprimidos nesse festival de matérias e editoriais indignados sobre o suposto dossiê.

A história é outra.

Quando começou a disputa dentro do PSDB, pela indicação do candidato às eleições presidenciais, correram rumores de que Serra havia preparado um dossiê sobre a vida pessoal de seu adversário (no partido) Aécio Neves.

A banda mineira do PSDB resolveu se precaver. E recorreu ao Estado de Minas para que juntasse munição dissuasória contra Serra. O jornal incumbiu, então, seu jornalista Amaury Ribeiro Jr de levantar dados sobre Serra. Durante quase um ano Amaury se dedicou ao trabalho, inclusive com viagens à Europa, atrás de pistas.

Amaury é repórter experiente, farejador, que já passou pelos principais órgãos de imprensa do país. Passou pelo O Globo, pela IstoÉ, tem acesso ao mundo da polícia e é bem visto pelos colegas em Brasília.

Nesse ínterim, cessou a guerra interna no PSDB e Amaury saiu do Estado de Minas e ficou com um vasto material na mão. Passou a trabalhar, então, em um livro, que já tem 14 capítulos, segundo informações que passou a amigos em Brasília.

Quando a notícia começou a correr em Brasília, acendeu a luz amarela na campanha de Serra. Principalmente depois que correu também a informação de um encontro entre Lanzetta e Amaury. Lanzetta jura que foi apenas um encontro entre amigos, na noite de Brasília. Vá se saber. A campanha do PT sustenta que Lanzetta não tem nenhuma participação na campanha.

Seja como for, montou-se de imediato uma estratégia desesperada para esvaziar o material. Primeiro, com os ataques iniciais a Lanzetta, que poucos entenderam o motivo: era uma ameaça. Depois, com a matéria da Veja.

A revista foi atrás da história e tem, consigo, todo o conteúdo levantado por Amaury. Curiosamente, na matéria não foi mencionado nem o nome da filha de Serra, nem o do repórter Amaury Ribeiro Jr. nem o conteúdo do suposto dossiê.

O Globo repercutiu a história, dando o nome da filha de Serra, mas sem adiantar nada sobre o conteúdo das denúncias – medida jornalisticamente correta, se fosse utilizada contra todas as vítimas de dossiês; mas só agora lembraram-se disso.

Provavelmente Veja sairá neste final de semana com mais material seletivo do suposto dossiê. Mas sobre o conteúdo do livro, ninguém ousa adiantar.

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