jul 13 2010
IMPRENSA
Enviado por: Fernando
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Eu não resisto trazer à baila o assunto goleiro Bruno diante desse vai e vem de notícias. Num blog de advogado. O motivo é que a imprensa continua se portando de maneira a atropelar até a verdade para conseguir um furo de reportagem. E acho que ela, a imprensa, deveria personalizar suas mancadas para que os afoitos jornalistas que passam dos limites quanto ao direito dos outros possam aparecer. Mas como ela não faz isto eu acho razoável que responsabilizemos “a grande imprensa”, e os afoitos jornalistas podem continuar aprontando.
Vi agora no noticiário da TV da hora do almoço um dos canais afirmar que o último depoimento do tal menor, ontem, revelou isso e aquilo. Eram notícias conhecidas há 3 dias! Dadas como novas! E vi também que a bola da vez é uma outra namorada do goleiro. Antes de qualquer um entrevista-la a imprensa botou aquilo no ventilador e queimou a moça. Fico babando pelo dinheiro que se pode tirar de um jornal que faz uma coisa dessas com uma pessoa.
Lembro do caso da atriz Malu Mader, que foi fotografada nua por um funcionário da TV quando fazia uma cena de novela em estúdio fechado. As fotos foram vendidas para o jornal Extra, da própria Rede Globo, que as publicou! Em 1a instância a atriz ganhou indenização de 1 milhão de reais. Depois eu não acompanhei.
Mas o caso mostra que a imprensa passou a ser, além da tal garantia de democracia (?) também um estorvo. É como as mulheres graciosamente definem o homem: ruim com eles, pior sem eles. Pois no jornal em que lemos contentes as denúncias contra a corrupção também vemos muito abuso dos jornalistas atrás de uma fofoca maior que a do concorrente, ou que a de minutos atrás.
Veja, Dr. Maia, eu acho que tenho um ou dois casos de abuso para reclamar. Excluindo o Aerus. Claro que nenhum é como o da Malu, pois desconfio que o grande publico não compraria um aposentado nu, mas nunca se sabe.! Antes o Maradona. Sei que não é a sua área de atuação, mas diante de tantas mancadas da imprensa contra a pessoa eu acho que seria proveitosa uma diversificação aqui e ali. Me parece tão fácil ganhar dinheiro dos jornais e das TV!
A imprensa é antes de qualquer coisa um negócio.
E negócio tem que dar lucro ou não se sustenta.
Assim, os assuntos são focados de acordo com o interesse dos clientes, daí o foco constante na desgraça alheia: quanto mais detalhes que satisfaçam a sede mórbida do povão por tudo que é mundano, maiores são as tiragens, audiência e consequentemente, lucros.
Como todo negócio, há uma dimensão política a ser considerada.
Assim, há limites para o desdobramento de cada assunto, por isso estranho a falta de cuidado com a exposição negativa do Flamengo.
É compreensível o que ocorre, basta avaliar o descaso da mídia com o caso Aerus, que não tem espaço; mesmo morrendo cada um de nós a cada tres dias, prevalece o peso das possíveis repercussões políticas.
Assim, fica o Aerus para depois da Copa, para depois do desfecho do affair Bruno, para depois..depois…
“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta, formará um público tão vil como ela mesma”
Boa tarde Dr. Maia !
Gostaria de repassar este comunicado que recebi e tomei a liberdade de me certificar que o relefone existe e é mesmo do Centro de Pesquisa de Oncologia .
Me foi passado que estariam aceitando pacientes a partir do início de agosto .
VAMOS FAZER NOSSA PARTE. DIVULGUEM AO MAIOR NÚMERO DE PESSOAS POSSÍVEL.
FACULDADE DE MEDICINA DO ABC -SP
A Equipe de Oncologia da Faculdade de Medicina do ABC informa que, além do tratamento de todos os casos oncológicos inteiramente grátis, estão com protocolo novo para câncer de pulmão e mama, com novos medicamentos que ainda não estão disponíveis no mercado e que estão dando uma nova perspectiva no tratamento destas duas neoplasias.
Caso vocês conheçam alguém que tenha um destes dois tipos de tumores e queiram fazer o uso deste novo protocolo, poderão indicar esta equipe, pois o tratamento, além de gratuito e inédito, faz parte de projeto multicêntrico mundial.
Endereço: Centro de Pesquisa em Oncologia
Av. Príncipe de Gales, 821 – anexo 3 – Oncologia.
Santo André SP (Prédio da Faculdade)
Fone: (11) 4993.5491
Marcar consulta que logo será agendada
POR FAVOR , repasse a tantos quantos você puder.
Só quem enfrenta problemas semelhantes sabe a importância de uma opção nova, uma esperança nova.
Vera Lúcia S.Cunha
Secretária da Pós-Graduação de Pneumologia
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Abraços e beijinhos carinhosos .
Boa noite , Dr. Maia :
REPASSANDO :
“Rita Apoena é uma poetisa interessantíssima.
Doce e alegre, sempre passa algo de mágico e esperançoso
para quem tem o prazer de ler seus escritos.
Sei que é jovem, muito simpática, estuda Letras na UFRGS e
passa a sua magia poética também no sorriso e no contato pessoal
de uma forma geral.
Mais nada.
Alguns fragmentos:”
“Deitada na grama, o céu empoeirado de estrelas. Passei o dedo e – curioso –
algumas vieram grudadas na ponta. Olhei para cima e assoprei.
Foi tanta estrela caindo que agora eu mal consigo enxergar de tanta esperança.”
“Quem não compreende o silêncio
ainda não está pronto
para ser flor.”
“A gente dorme de olhos fechados
que é para poder sonhar por dentro, amor.”
“Quando você vai embora de nós
o pronome parte-se ao meio
você diz que só leva o s
e o que adianta?
se comigo sobra o nó
na garganta.”
“Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura. Esses, sim, são os bons. Eu só escrevo para fazer afagos. E porque eu tinha de encontrar um jeito de alongar os braços. E estreitar distâncias. E encontrar os pássaros: há muitas distâncias em mim (e uma enorme timidez). Uns escrevem grandes obras. Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas.”
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Abraços e beijinhos carinhosos .
Bom dia , Dr . Maia !
Mais um pouco de Rita Apoena :
Dos cílios ;
Os cílios agarraram-se às pálpebras quando tentei fechar meus olhos. Mas você assoprou e todos voaram. De novo nasceram e de novo voaram. Não faça mais isso! Quem vai cortar a lágrima em fatias no dia em que você for embora?
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Sobre o sono ;
Meu sono é um crânio escuro, onde mora um homenzinho alado. Às seis da manhã, ele levanta as minhas pálpebras, assim como eu, na esperança do amanhecer, também levanto as janelas do quarto.
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Da leitura ;
Era uma vez um leitor, curioso sobre a história dentro de um livro. Era uma vez um livro, curioso sobre os olhos daquele leitor. Era uma vez a história de um. Era uma vez a história de outro. Mas porque alguém tinha de dar o braço a torcer, o livro rendeu-se e começou o primeiro capítulo. Os livros sempre se rendem: não é a toa que eles capitulam.
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O meu sapato ;
E depois fiquei ali, com a cabeça baixa, sem desgrudar os olhos do meu sapato. Alguns modelos de sapato são assim: feitos com olhos grudados, não há solvente que os possa tirar. Há uma grande distância entre o pensar e o agir. A distância de um passo que o meu sapato, tão cheio de olhos, não soube enxergar.
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O acidente ;
pois ali está uma senhora levantando a porta enrugada do seu automóvel que, num segundo, envelheceram. No retrovisor, um pedaço de espelho partido e o olhar de uma moça que colidiu contra o tempo. E por isso acariciam-se – o automóvel e a senhora – com suas peles envelhecidas, abraçadas à árvore que não guarda rancor.
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Madrugada ;
Para o homem que dorme na rua
o asfalto é uma noite escura
e sem estrelas.
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Sobre os vestidos esvoaçantes ;
Olha, eu não deveria mais vestir um pedaço de tecido que já se considera “vestido” antes mesmo de abraçar o meu corpo. Trazer um particípio passado enrolado na pele é estar envolta nessas lembranças.
sobre os vestidos de algodão
Não, não te preocupa vestido!
Amanhã, quando o sol quente voltar ao céu
e todas as nuvens te quiserem de volta,
os dois pregadores, no varal, vão te salvar!
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Novo sinal de trânsito ;
O semáforo de pedestres acabou de me dizer que o Incrível Hulk pode atravessar.
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Sobre eles ;
Ela afundou o corpo nele o mais que pôde, como se assim pudesse aprisionar um instante, como se assim pudesse aprisionar o amor. E ele, querendo as respostas que a vida não lhe entrega e que só uma mulher é capaz de abrigar dentro de si, puxou os seus quadris com a ânsia de escorregar para dentro dela e ali ficar. Só uma fêmea é capaz de dividir-se assim ao meio: a metade de baixo a sobrepor-se forte, desfalecendo as resistências do macho e a de cima a ampará-lo doce, beijando e acarinhando os medos de um filhote.
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Reciclagem ;
Tempo difícil para as pessoas desse mundo:
quem tinha tempo para a poesia?
Pois ela comprou um carrinho invisível
e começou a catar palavrão.
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Preste atenção:
O mundo é um moinho. Não de vento, mas de sopro. O que Cartola chama de sonho mesquinho, as crianças… de catavento.
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Anúncio para solitários ;
Procura-se um amigo sozinho
de andar discreto e gesto silencioso.
Procura-se desesperadamente um amigo
que saiba se aproximar
de um passarinho.
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Do futebol ;
Seus dedos na minha pele são arrepios. Todos os pelos, curiosos, levantam-se para ouvir o suspiro. E, comemorando a vitória da pele sobre as palavras, acompanham os seus dedos em ola, arrepiando-se, arrepiados. Seus dedos que, de tão leves, escorregam sobre minha pele, cortando-me em quatro pedaços.
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Das respostas ;
Algumas frases têm o poder da folha em branco. Se alguma delas acertar você, abandone todas as suas respostas: é inútil escrever de branco sobre folhas brancas. Minha caneta transparente estourando frases dentro da bolsa:
foi um grande silêncio.
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Dos postes de luz ;
Quando voltar do trabalho, olhe para cima e repare:
no meio dos prédios, altos, frios e cinzentos
todos os postes de luz, com seus fios
adormecem de mãos dadas.
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Do shopping center ;
Olhar a manequim de uma loja é deparar-se com o silêncio triste de uma boneca que cresceu. E que agora só queria inverter a brincadeira e vestir em você aquele monte de roupinhas.
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Dos grandes centros ;
E só essa multidão que esbarra
e esbarra em meus ombros.
Em alguns anos terei os ombros
esculpidos pela solidão.
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Verbete “amour” ;
Em francês, “amour” significa o par de meias macias que um estende ao outro ao perceber que seus pezinhos estão esfriando.
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Dos poetas ;
Então, quando você me beijar,
vai sentir o gosto da minha escrita,
pois a fim de nunca esquecê-las
eu trago todas as minhas palavras
na ponta da língua.
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Carrinho invisível ;
Tempo difícil para as pessoas desse mundo:
quem tinha tempo para a poesia?
Pois ela comprou um carrinho invisível
e começou a catar palavrão.
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Poeira ;
Mas a poeira é só a vontade que o chão tem de voar.
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Nada como começar um dia de muita chuva , escuro , triste com um pouco de delicadeza , não é ?
Abraços e beijinhos carinhosos .