ago 17 2010

A VENDA DA TAM

Postado por at 11:36 sob Uncategorized

Do Blog do Luís Nassif
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Vamos a algumas conclusões sobre essa suposta associação da TAM com a LAN, companhia aérea chilena.

Em termos efetivos, não foi associação. Foi uma venda disfarçada, para poder contornar a legislação brasileira – que proíbe mais de 20% de capital externo em companhia aérea.

A montagem consistiu no seguinte:

Monta-se uma nova empresa, a Latam Airlines. Nela haverá um bloco de controle, constituído por 24,07% do capital com a família Cueto (da Lan) e 13,52% com a família Amaro (da TAM). Essa companhia terá 20% da TAM. A família Rolim continuará com 80% do controle até ser efetivada a fusão e a operação ser aprovada pelas autoridades aeronáuticas. Em circunstâncias normais, jamais seria aprovada. Mas o Brasil é Brasil.

Não foi por outro motivo que, já há alguns meses, a TAM eliminou o slogan “orgulho de ser brasileira”.

Acertada a fusão, as ações da TAM serão trocadas por BDR (Brazilian Depositary Receipts, títulos que representam ações de empresas em bolsas estrangeiras) da LAN, negociadas na Bolsa de Nova York e de Santiago, na proporção de 90% do valor. Pelos cálculos do mercado, na sexta-feira, cada ação da TAM poderá chegar a R$ 43,50 – 90% do valor da LAN, de 13.900 pesos chilenos, equivalentes a R$ 48,33. Antes da operação, o mercado considerava R$ 40,00 o preço justo para uma ação da TAM, conforme informou a analista Rosangela Ribeiro, da SLW Corretora, a Tatiane Correa, da Dinheiro Vivo.

Em seguida, a TAM fecha capital e suas ações desaparecem.

***

Não se deixe iludir por manchetes, alerta o consultor Igor Cornelsen: a TAM foi vendida. Além do desaparecimento das ações, da TAM, o executivo chefe será chileno.

***

Foi uma operação visando burlar a legislação brasileira. Mas foi boa para os acionistas.

A TAM não estava em situação financeira grave. Continuava honrando seus compromissos. Mas a distribuição de dividendos não tinha perspectiva de curto e médio prazo. E a família não estava à altura do patriarca comandante Rolim Amaro.

Agora, além da entrada de uma empresa mais valorizada, os acionistas ganharão com a hipervalorização do real, já que o valor das ações foi calculada em dólar.

***

Do ponto de vista operacional, segundo Rosangela, os dados de mercado mostram a TAM líder do mercado brasileiro, com 43% de participação e a LAN com 75% do mercado chileno. Em relação aos vôos internacionais, a TAM tem 82,7% do mercado brasileiro contra 50% da LAN no mercado chileno.

A TAM tem 143 aeronaves e 25 mil funcionários; a LAN 86 aeronaves e 16 mil funcionários. A TAM só atua no mercado de passageiros; já a LAN tem 11 aeronaves para transporte de carga.

***

Para o Brasil é um péssimo negócio, como foi a fusão entre a Brahma e a Antarctica na AMBEV, que depois foi desnacionalizada, e seus acionistas brasileiros foram viver no exterior.

No caso da viação aérea, a situação é mais complexa. Cervejas não são empresas estratégicas, aviação comercial sim. Além disso a aviação comercial funciona sob regime de concessão. São importantes como geradoras de divisas, como elementos de integração nacional e, em caso de conflito, como elementos de apoio na defesa nacional.

16 respostas até o momento

16 Respostas em “A VENDA DA TAM”

  1. jayme nunes barbosaem 17 ago 2010 �s 11:55

    Só não vê quem não quer,pois todos nós da aviação sabiamos que a empresa TAM sempre foi deficitária comercialmente,e todavia sabiamos que éra uma lavanderia de dinheiro e o PT está envolvido nisso tudo até o pescoço é só esperar que um dia vai aparecer tudo isso.
    Quem viver verá.

  2. paizoteem 17 ago 2010 �s 11:58

    O que surpreende é que como disse o vice -presidente no caso da Varig , “o mercado tem que encontrar suas proprias soluções”.
    Não seria isto um neo-liberalismo enrustido?
    Pior ainda se oportunizar fuga de capital e de empregos..aí então…

  3. Roberto Haddadem 17 ago 2010 �s 13:07

    Para o que a TAM (Táxi aéreo Marília), se prestava até quase o fim dos anos 70, já não serve mais.

  4. carlos irmãoem 17 ago 2010 �s 15:06

    “A privatização da vale entregou o nosso subsolo”
    ….a aviação comercial funciona sob regime de concessão. São importantes como geradoras de divisas, como elementos de integração nacional e, em caso de conflito, como elementos de apoio na defesa nacional.”"”(estão entregando o nosso céu)
    O território Raposa Vale do Sol já tem muitas ONGS (países) de olho nele…falta entregar o Rio Amazonas, nossas águas territoriais ….
    Pois é vamos continuar gerando novos empregos no Chile, como fazemos com a China e por aí afora.
    Dr. Maia, o mestre Hélio Fernandes sempre cita, com muita propriedade que não há projetos para o país, é tudo promessa e dá nisso que o sr. muito bem elencou…nunca antes nesse país houve tanta fartura, “farta” projeto….
    Quantas divisas irão para fora….e lembrar que destruiram , de caso pensado, a Varig…
    Uma empresa com 80 anos de história…não há nacionalismo, não há amor à pátria, é o poder da grana.
    Temo muito pelas futuras gerações, vejo tudo isso com uma tristeza que chega a dar um nó no coração. Cheguei a acreditar que poderiam fazer diferente.

  5. HILTONem 17 ago 2010 �s 19:51

    Bem,agora finalmente a verdade veio a tona ;QUEBREM A VARIG,A TAM ASSUME SUAS LINHAS,A GENTE AUTORIZA A VENDA DA TAM AO ARREPIO DA LEI,PEGAMOS NOSSA PARTE DA TRAMÓIA E FAZEMOS DE CONTA QUE TUDO FOI LEGAL.
    -E as linhas? elas não pertencem a união? Como os cucarachos poderão se servir delas? elas não são mais variáveis estratégicas?,e os funcionários?os cucas irão manter dois sistemas espelhos concorrendo entre si ?
    A SOMA DE TODOS OS MEDOS:ALGUÉM DISSE,NÃO FAZ MUITO TEMPO,QUE IRIA VIRAR DETRAN E VIROU.

    HONRA E CORAGEM-AINDA DA TEMPO

  6. Valdetarem 18 ago 2010 �s 11:23

    Caro Dr.Maia.
    Parabéns mais uma vez pela matéria postada,uma vez que é de suma importância a discussão sobre o momento da aviação comercial Brasileira…
    É simples de entender:
    A Verdade Nua & Crua nos céus do BRAZIL…..
    A quebradeira geral das cias aéreas nacionais e o caos aéreo e afins nesse governo, estão a representar o descaso com a nossa soberania,sorte nossa que o Socialismo e o Comunismo já foram para o brejo além fronteiras,caso contrário teríamos aqui cias aéreas Russas e Chinesas para rasgarem também os céus do nosso querido Brazil(com Z) para representar a importância que esse governo dá ao país q governa.
    -A LAN CHILE,já opera na área de cargas através de uma laranja a ABSA a muitos anos no em nosso país.
    -A AVIANCA,passou recentemente a operar com a laranja Ocean Air..
    -Agora a LAN CHILE comprou a Tam(sim comprou),tanto que o primeiro nome da nova marca é Lan,como o processo de fusão Itaú Unibanco,e o unibanco vai para o espaço.
    -A proxima deve ser uma fusão da Iraq Air Lines com a Gol..(o que será um gol de placas),para esse governo.
    Assim que os extrangeiros assumiram a aviação comercial,essa turma toda já estará morando nos Estados Unidos e ou paraíso fiscal,e nós aqui no Brazil aparando as bombas e desviando dos terroristas.
    Em tempo:estava esquecendo;A Aeronautica está prestes a ser incorporada pela aviação Francesa materialmente….
    A história do Brazil reclama até hj dos pobres portugues que aqui chegaram e levaram algumas coisinhas durante séculos(infelismente pouca coisa chegava a destino),seus porta-aviões da época eram interceptados por,ingleses,franceses e outros metidos a piratas(esses pelo menos ostentavam as suas bandeiras),ao contrários de muitos governantes brasileiros que estão camjflados…
    Forte abraço e sucesso a todos.

  7. João Leopoldoem 18 ago 2010 �s 15:09

    Boa tarde a todos…
    Temos que admitir que tam com uma dívida de mais 9bilhões, não resistiria até o final deste ano… e agora? Fecharam a VARIG (por puro “revanchismo político”) para erguer a tam, que, além de ser a quarta empresa aérea em acidentes e incidentes do mundo, só transporta brasileiros o que não traz divisas em dólares para o nosso país. Não adianta chorar o leite derramado. O Governo atual conseguiu o que queria, ACABAR COM A AVIAÇÃO NO BRASIL, PARABÉNS PT e viva os Chilenos.
    Abraço a todos.

  8. Carina Goncalesem 18 ago 2010 �s 15:39

    Senhores:

    Nao sejamos tolos a ponto de acreditarmos que prestação de serviço como é o core de uma Cia Aerea somado aos impostos e inúmeras burocracias tem a somatória positiva de lucro. Não tem como ter lucro com tantos impostos e uma máquina administrativa incoerente.
    Quem vive de capital estrangeiro, sobrevive a sua moda já que o governo não age, e não temos perspectivas de modificação das leis tributárias.

    é a lei da sobrevivencia – além disso faz parte da globalização – que sim, se trata de um processo onde a nacionalidade tem que ser deixada para a sobrevivência.

  9. Valdetarem 18 ago 2010 �s 16:40

    João Leopoldo tem toda razão:
    O altos escalões desse governo em especial (PT),foram militantes contrários a Ditadura Militar período em que a VARIG agigantou-se,porém por suas próprias forças e conquistas de espaço,levando e promovendo no mundo inteiro o Brasil através de seus vôos e profissionais devidamente capacitados..
    A pergunta que não quer calar…Porque esse governo permitiu a quebradeira geral da aviação comercial em nosso país? ? ?
    Qual o sentido da Intervenção do governo na VASP & no AÉRUS ????
    Uma coisa é um governo desenvolver boas relações internacionais,em especial com países alinhados com a nossa política de nação livre e demogrática,a outra é alinhar-se com países com governos ditatoriais e que querem se perpetuar no poder,Ex:BOLÍVIA que invadiu a Petrobrás com o seu exercito,a Venezuela que acoberta as Farc e traficantes de toda a ordem,Paraguai que descumpriu o acordo da hidrelétrica de Itaipu,e finalmente o nosso apoio ao Grande Armadehinojar presidente do Irã que negou o holocausto e quer acabar Israel,fabricar bomba atómica e por ai a fora…
    E o Brasil patriota como fica,se a política atual continuar; em breve seremos refens dos países vizinhos..
    Há que se resgatar com urgência a honra e a soberania nacional inconestável!!!!
    Forte abraço e sucesso sempre.

  10. Peterem 18 ago 2010 �s 16:45

    Esta já foi tarde. Fez por merecer!

  11. WALDEMAR NIELSENem 19 ago 2010 �s 11:39

    PREZADO DR MAIA,

    INFELIZMENTE, FALTA MUITO POUCO PARA QUE OS 70% QUE CONSAGRAM O ATUAL GOVERNO, E MAIS SEUS ILUSTRES ELEITORES, POSSAM COMEMORAR O INICIO DO FIM DESTE GIGANTE CEGO E EMBURRECIDO.
    …OU SOMOS NÓS OS 30% DE INDOLENTES??? Nielsen

  12. Breno Dominguesem 21 ago 2010 �s 18:35

    Prezados,
    pelo que tenho lido nos comentários :

    - praticamente todos acham que a VARIG ( só um lembrou da VASP e ninguém lembrou da TransBrasil ) foi quebrada pelo atual governo.
    - praticamente todos acham ótimo que a TAM seja vendida e acabe ( “já vai tarde” alguém escreveu ).
    - alguém escreveu que a TAM é uma das campeãs em acidentes/incidentes.
    - que a TAM só transporta brasileiros e não trás divisas para o país.
    - que a VARIG cresceu( agigantou-se ) pelo seu próprio esforço…
    - que todos “nós”da aviação sabiamos que a TAM era deficitária…
    - etc….

    Mesmo respeitando as opiniões acima, gostaria de discordar das mesmas.
    Também sou profissional da aviação ( à 38 anos) e conheço também a história de nossa aviação. Quem sabe bem como a VARIG cresceu, são, principalmente, os profissionais da REAL, Panair do Brasil e Cruzeiro do Sul, entre outras !!! Basta ler os vários livros escritos por vários daqueles antigos profissionais. A situação da VARIG, a qual levou à sua “quebra”, todos “nós” da aviação conhecemos e sabemos muito bem….A VARIG, ELA MESMA, caminhou para seu triste desfecho final…e vejam que quando a TransBrasil teve sua conceção cassada, muitos hoje exVariguianos falaram – ” cada um com seus problemas”, ainda achando que com eles tudo seria diferente !!!!
    Se falarmos em número de acidentes, infelizmente, a Varig ainda é imbatível. Foram desde a sua criação, 78 acidentes fatais ( basta ler o livro “Breve História da Aviação Comercial Brasileira”), a VASP também teve um número muito grande de acidentes e incidentes. Claro que elas tiveram uma substancial diminuição do número de acidentes, depois de mais ou menos 45 anos de criadas . Mas como todos nós temos sempre memória curta, lembramos “apenas” os mais recentes !
    Lembro à todos, que até os últimos dias como Varig ( hoje VRG-GOL ), aquela empresa nunca transportou mais que 15 milhões de passageiros/ano( somadas as subsidiárias) e que a TAM transporta hoje 35 milhões/ano…pela estatistica 30% são estrangeiros ( 7 milhões de pass./ano), a mesma proporção da VARIG dos “bons”tempos”, portanto nunca mais do que 4,5 milhões de pass./ano em divisas p/ o país !!!!
    A TAP, no auge da crise da VARIG, esteve para comprá-la ( só não comprou pois achou mais vantajoso ficar só com a VEM-Varig Engenharia de Manutenção). Ninguém falou em “perda de soberania” !!!
    A holding LATAM, é semelhante as criadas na Europa entre Air France-KLM, Iberia-British Airways e aqui mesmo na America Latina pelo Grupo Sinergy- AVIANCA-TACA.

    É bom esperar a Lei dos 49% ser aprovada pelo Congresso Nacional….outras “compras” e/ou holdings surgirão. Hoje mesmo no Brasil temos uma grande empresa regional americana ( SkyWest) com, por enquanto, 20% de participação acionária na maior empresa regional brasileira.

    E não se procupem, eu também faço parte dos 30% dos brasileiros “indolentes” !

  13. henriqueem 22 ago 2010 �s 15:46

    Caro Dr Maia- O pesadelo da Varig volta a assombrar os aeronautas e aeroviarios
    em um governo TRABALHISTA, com a venda da TAM..
    Uma nação que manda mais de 15 motores a reação para reparos na Indonésia não se preocupa com a segurança nacional nem com a geração de empregos qualificados para os brasileiros. Para barrar o comentário; Onde se pronunciam os sindicatos?

  14. Breno Dominguesem 24 ago 2010 �s 22:41

    Gostaria de comentar o post do Sr. Hilton de 17 de agosto,

    Quais seriam as linhas internacionais da exVARIG, que foram “entregues” à TAM ?

    Vamos começar por… Londres : no final da década de 90, duas empresas tinham linhas p/ a capital inglesa : VARIG e TransBrasil…..hoje a TAM tem um vôo diário partindo de São Paulo e outro ( que não é diário e que começou neste mês, partindo do Galeão ). Teriam estas linhas atuais da TAM sido repassadas da VARIG ou da TransBrasil ? ….
    Paris : A TAM iniciou vôos p/ Paris em 1998 e a VARIG parou de voar Paris na metade da década de 2000 !!!!
    Frankfurt : nos anos 90, VARIG e VASP voavam p/ aquele aeroporto alemão, a TAM começou em 2001, interrompeu por um tempo e reiniciou à pouco mais de 3 anos atrás…teria esta linha p/ Frankfurt sido “roubada”da VARIG ??? Como, se a VARIG parou de voar Frankfurt já no seu final ? Munich..até agora não foi “entregue”p/ a TAM !!!
    Madrid : a TAM começou à voar Madrid e a VARIG só parou já como VRG-GOL !!! Ambas operaram simultaneamente…a VASP e a VARIG operavam tBém p/ Barcelona…até agora “ninguém” repassou aquela linha p/ a TAM !!!!
    Milão : a TAM iniciou e a VARIG ainda operava !
    New York e Miami : VARIG, VASP, e Transbrasil operavam estas linhas ( Miami a TAM iniciou em 1998 !!! NY em 2007 !).
    Orlando : ficou sem vôos regulares do Brasil depois que a TransBrasil parou em 2001 ( a Vasp já havia encerrado antes ) e a TAM só iniciou em 2008 !!!
    Amsterdam ( VARIG, TransBrasil ); Bruxelas ( VARIG, VASP ); Lisboa e Porto ( VARIG, TransBrasil – só Lisboa e depois BRA ); ATENAS ( VASP ); Los Angeles ( VARIG, VASP ); San Francisco ( VASP ); Chicago ( VARIG ) ; Toronto ( VARIG, VASP )….etc…etc, “estranhamente”, nunca foram entregues “de mão beijada” para a TAM. Entretanto sempre ouço e leio, que a VARIG foi “quebrada”pelo Governo, para “favorecer” a TAM e querem incutir ao brasileiro essas inverdades….a VARIG, SIM, herdou linhas – principalmente as da PANAIR do BRASIL p/ a Europa…entre outras.
    Era o que eu tinha para comentar, por enquanto !
    Breno Domingues

  15. STRINGHINIem 09 set 2010 �s 14:49

    >
    > ONDE ESTA A IMPRENSA QUE NÃO NOTICIOU QUE A TAM ESTAVA FALIDA E
    > QUE EM 4 ANOS DE MERCADO SENDO A PRINCIPAL CIA. AÉREA DO BRASIL
    > CONSEGUIU UM DIVIDA DE 9 BI DE DÓLARES ENQUANTO A VARIG DEPOIS DE
    > 80ANOS TENDO FEITO MAIS PELA AVIAÇÃO BRASILEIRA TINHA UMA DIVIDA DE
    > 4BI DE DÓLARES. MAIS TEM ATÉ HOJE PARA RECEBER DO GOVERNO MAIS 8BI
    > DÓLARES. pergunta de 418 milhões de dólares Por que a
    > proposta de 738 milhões da TAM pela Varig
    > foi recusada e a de 320 milhões da Gol foi aceita?
    > Felipe Patury e Fábio Portela
    > _
    > Dedicatória – “Para o amigo Marco Audi, um abraço do Lula”
    > (1) Larissa, filha de Roberto Teixeira; (2) Cristiano Martins,
    > genro de Teixeira; (3) o chinês Lap Chan, do fundo Matlin Patterson;
    > (4) Valeska, filha de Teixeira; (5) Marco Audi, da VarigLog; (6) Lula;
    > (7) Guilherme Laager, então presidente da Varig; (8) Eduardo Gallo,
    > da VarigLog; (9) Santiago Born, do Matlin Patterson; (10) Roberto
    > Teixeira
    > De todas as indagações sobre as circunstâncias que cercaram a
    > venda da Varig para a Gol, uma parece ser a de resposta mais
    > difícil. Por que, tendo uma oferta de 1,2 bilhão de dólares pela
    > companhia feita pela TAM, a VarigLog, então dona da Varig, optou por
    > uma proposta de 320 milhões de dólares? Pela simples aritmética,
    > essa resposta vale 900 milhões de dólares. A suspeita, no entanto,
    > é a de que a busca dessa explicação pode trazer à tona fatos
    > desabonadores para altas autoridades do governo Lula e para o
    > próprio presidente, cujo nome foi usado por interessados no negócio
    > – em especial por aqueles que conseguiram que a venda fosse feita ao
    > comprador que oferecia menos. O documento cujo trecho ilustra a
    > página ao lado mostra que a TAM chegou a oficializar por escrito sua
    > proposta em que aceita a avaliação inicial de 1,2 bilhão de
    > dólares. A proposta andou. Foram feitas as diligências financeiras
    > próprias desse tipo de negociação e a TAM decidiu que, para
    > prosseguir, estaria disposta a desembolsar 738 milhões de dólares
    > para se tornar dona da tradicional marca Varig e de seu patrimônio.
    > Pela simples aritmética, a diferença inicial de 900 milhões de
    > dólares cai para 418 milhões. Mas isso não muda em nada o valor da
    > resposta sobre por que a pior oferta foi a vencedora. Por quê? Uma
    > reportagem do jornal Estado de S. Paulo, _publicada na última
    > quarta-feira, começou a responder à pergunta de 418 milhões de
    > dólares e a outras que cercam a operação, mas o enigma não terá
    > solução satisfatória sem que se abram investigações sobre as
    > circunstâncias da transação. O que existe são versões. A
    > primeira é a de Marco Antonio Audi, líder dos três empresários
    > brasileiros proprietários da VarigLog, empresa então dona da
    > Varig.. Ele contou ao jornal paulista que foi pressionado a fechar o
    > negócio pela pior oferta por seu sócio estrangeiro na empreitada,
    > um chinês chamado Lap Chan, representante do fundo americano de
    > investimento Matlin Patterson. Até aqui se tem apenas uma confusão
    > empresarial difícil de entender e chata de ler até mesmo em
    > páginas especializadas em negócios. Ocorre que, como em quase todos
    > os países do mundo, no Brasil as transações envolvendo empresas
    > aéreas só deslancham quando elas recebem sinal verde de órgãos do
    > governo e da agência reguladora da atividade, no caso a Anac –
    > Agência Nacional de Aviação Civil. A tendência natural e esperada
    > dos empresários nesses casos é procurar advogados com experiência e
    > “trânsito” no governo e na agência reguladora. Audi diz que fez uma
    > pesquisa de mercado e decidiu-se pelo nome do advogado paulista
    > Roberto Teixeira, que vem a ser um amigo de trinta anos e compadre do
    > presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse ponto, o que parecia ser
    > apenas uma história de um negócio privado nebuloso começa a ter,
    > segundo os relatos publicados pelo _Estado de S. Paulo,_ as feições
    > de uma transação mais complexa, com tentáculos públicos, um
    > daqueles casos típicos de Brasília que envolvem favores e
    > empurrões oficiais vindos de cima em troca de não se sabe bem o
    > quê.
    > José Cruz/ABR
    > _
    > Teixeira, ao centro, no elevador do Planalto com os donos da Gol,
    > Nenê Constantino (à esq.)_ e Constantino Junior: sem escalas para a
    > sala de Lula
    > Entra em cena a ex-diretora da Anac Denise Abreu, demitida do cargo
    > no ano passado no auge das repercussões negativas do caos aéreo
    > para o governo. Denise, militante de esquerda na juventude, alinhada,
    > portanto, com o atual governo, contou aos repórteres do jornal ter
    > sido pressionada pelo governo, em especial por Dilma Rousseff,
    > ministra-chefe da Casa Civil, para cortar caminhos em favor do grupo
    > que queria vender a Varig para a Gol pela pior proposta. As
    > pressões, na verdade, antecederam a venda da Varig para a Gol, pois
    > era preciso antes legitimar a própria compra da VarigLog para o
    > grupo de empresários liderados por Marco Antonio Audi, que, como se
    > viu acima, tinha como sócio endinheirado um chinês com capital
    > americano. A Anac relutava em chancelar a transação, pois havia a
    > suspeita clara de que Audi e companhia eram apenas testas-de-ferro
    > dos americanos. Os brasileiros estariam no negócio somente para
    > atender ao Código Brasileiro de Aeronáutica, que impede o controle
    > acionário de empresas aéreas por estrangeiros. Denise Abreu conta
    > então que, embora dirigisse uma agência reguladora, por princípio
    > independente do executivo, recebeu pressões para ignorar a lei e
    > aprovar rapidamente o negócio, sem verificar as credenciais
    > nacionais do capitalista comprador. Dilma Rousseff teria sido o
    > instrumento do governo nessas pressões. “Numa reunião, a ministra
    > se insurgiu contra as (duas) exigências, dizendo que isso não era
    > da alçada de uma agência reguladora, mas do Banco Central e da
    > Receita”, afirma Denise. A ministra Dilma Rousseff admitiu ter
    > acompanhado com interesse o negócio, mas nega ter pressionado Denise
    > Abreu. Três outros ex-diretores da Anac – Leur Lomanto, Jorge Velozo
    > e Josef Barat – apareceram para corroborar as acusações de Denise
    > Abreu. A mesma atitude teve o brigadeiro José Carlos Pereira,
    > ex-presidente da Infraero. A VEJA, Denise diz ter vindo a público
    > apenas para se proteger.. Ela alega ter decidido conceder a
    > entrevista depois que soube da circulação de um dossiê contendo
    > contas bancárias das quais seria a titular. “Enquanto os ataques se
    > limitavam a destruir minha auto-estima profissional e me enxovalhar,
    > mantive-me quieta, embora emocionalmente destruída. Mas quando
    > inventaram um dossiê falso contra mim, colocando em jogo a minha
    > integridade, o quadro mudou. Tenho o dever de proteger a minha imagem
    > e a da minha família.” Antes que se avance na conclusão de que se
    > tratou de uma negociata, é preciso ter em mente que a maneira de
    > trabalhar do governo Lula lembra em muito os tempos autoritários do
    > governo militar. O governo decide que a Varig tem tradição, tem
    > milhares de funcionários e é preciso salvá-la. “A engrenagem
    > abaixo então começa a trabalhar a toda nesse rumo, atropelando as
    > leis e o bom senso”, lembra um poderoso ex-ministro do governo dos
    > generais. A observação é boa. Ajuda a entender o interesse e os
    > métodos do governo no caso. Mas não ajuda a compreender por que a
    > proposta pior venceu. Permanecem, portanto, sem explicação as
    > razões pelas quais Audi, seus sócios brasileiros e mesmo os
    > americanos donos do dinheiro e o representante chinês decidiram que
    > não precisavam de 418 milhões de dólares. Volta à cena o advogado
    > Roberto Teixeira, aquele amigo e compadre do presidente Lula. Segundo
    > Denise Abreu, a ex-diretora da Anac, Teixeira, sua filha Valeska e o
    > marido dela, também advogado, não apenas defendiam seus
    > constituintes, mas o faziam a toda hora lembrando os funcionários de
    > sua intimidade com o presidente da República. “Podemos ir embora,
    > papai já está no gabinete do presidente”, teria dito Valeska para
    > demonstrar suas relações privilegiadas com Lula, de quem, de fato,
    > é afilhada. Em junho de 2006, a Anac finalmente avalizou a venda da
    > VarigLog, legalizando a existência da empresa que viria a ser dona da
    > Varig. Um mês depois, à frente da VarigLog, o então desconhecido
    > Audi é apresentado ao Brasil como um empresário de grande tino
    > comercial ao arrematar a Varig por 24 milhões de dólares – cuja
    > origem, via o chinês Lap Chan, era o fundo americano. Mais uma vez a
    > história estiolaria se não entrasse em cena, de novo, com todo o seu
    > esplendor, o estado regulador. Quanto valia a Varig? Com suas dívidas
    > de 4,8 bilhões de dólares com o governo, não valia nada.. Sem as
    > dívidas, valia uma fortuna. O empresário Audi diz que o advogado
    > Teixeira foi o instrumento mais efetivo em Brasília para livrar a
    > Varig das dívidas, tornando-a atrativa no mercado. “Teixeira chegou
    > a sugerir pagamento de propinas a funcionários públicos, mas eu
    > nunca aceitei. Só paguei dinheiro a ele a título de honorários”,
    > afirma Audi. O empresário conta que, em Brasília, o advogado amigo
    > do presidente abria portas com muita facilidade – “como um deus”,
    > nas palavras de Audi. Pelos canais de Teixeira, Audi foi recebido
    > pelos ex-ministros Waldir Pires (Defesa) e Luiz Marinho (Trabalho),
    > além da ministra Dilma Rousseff. Com o assessoramento jurídico de
    > Teixeira e de outros escritórios de advocacia, Audi e seus sócios
    > conseguiram se livrar das dívidas bilionárias da velha Varig,
    > estimadas em 4,8 bilhões de dólares. Ficaram apenas com a parte boa
    > – e lucrativa – da companhia: suas rotas internacionais. Logo,
    > apareceram diversos interessados com propostas para comprar a Varig.
    > A partir desse ponto, o advogado Teixeira e o empresário Marco
    > Antonio Audi, que estiveram do mesmo lado da trincheira no processo
    > de legalização da VarigLog aos olhos da Anac, começam a tomar
    > rumos diferentes na história. O chinês Lap Chan também adquire
    > outros ares, e seus interesses, antes coincidentes com os dos sócios
    > brasileiros, subitamente passam a ser conflitantes com os deles. Audi
    > e o advogado Teixeira, a quem o empresário afirma ter pago, no
    > total, 5 milhões de dólares para resolver os problemas da Varig-Log
    > em Brasília, começam a se estranhar. Qual é a razão da briga,
    > agora que todos conseguiram o que tanto queriam em Brasília? Seja
    > qual for o motivo da cizânia, o certo é que tem sua origem ali a
    > resposta à pergunta de 418 milhões de dólares. O azedume começou
    > justamente quando chegou a melhor hora para todos: a de vender o
    > maior patrimônio da VarigLog, a própria Varig que o grupo
    > arrematara por uma bagatela e planejava desde o começo passar à
    > frente com grande lucro. O que se sabe é que Audi e seus sócios
    > brasileiros começaram a negociar com a TAM. Lap Chan, com a ajuda de
    > Teixeira, conversava com a Gol. A briga ficou feia. O fundo americano
    > e seu chinês decidiram tomar a empresa de Audi e companhia. Cessaram
    > toda a injeção adicional de recursos e foram à Justiça em busca do
    > bloqueio das atividades da VarigLog. A Justiça entregou o comando da
    > companhia a Lap Chan. Diante disso, a Anac quer agora que o fundo
    > Matlin Patterson reduza sua participação na empresa, atraindo
    > sócios capitalistas brasileiros. A parte mais explosiva da história
    > ainda não é conhecida. Ela tem a ver com os 418 milhões de dólares
    > da diferença entre a proposta da TAM e a da Gol – e trará em seu
    > bojo um escândalo incomensurável se ficar provada a ingerência no
    > episódio do advogado Teixeira, amigo e compadre do presidente da
    > República.
    > Memorando no qual a TAM admite comprar a Varig por 1,2 bilhão de
    > dólares. No fim da negociação, a TAM se propôs a pagar 738
    > milhões de dólares pela companhia. Surpreendentemente, a Gol levou
    > a Varig pela metade do preço
    > As acusações contra Teixeira Nas negociações que envolveram a
    > Varig e a VarigLog, Roberto Teixeira teria tido atuação muito mais
    > destacada que a de advogados comuns. Além de cuidar de processos
    > jurídicos, ele teria tratado de assuntos relativos às empresas com
    > pelo menos quatro ministros e apresentado seus clientes a três deles
    >
    > Fotos Sergio Lima/Folha Imagem e André Dusek/AE
    > Dilma Rousseff,
    > ministra da Casa Civil
    > O advogado e os sócios brasileiros da VarigLog relataram a ela os
    > obstáculos postos pela Anac para que eles operassem a companhia
    > Nelson Jobim,
    > ministro da Defesa
    > O ministro contou a executivos do setor aéreo que Teixeira pediu a
    > ele que interferisse nas disputas societárias da VarigLog
    > Luiz Marinho,
    > ex-ministro do Trabalho
    > Teixeira orientou seus clientes a convencê-lo de que a compra da
    > Varig evitaria que milhares de aeroviários perdessem o emprego
    > Waldir Pires,
    > ex-ministro da Defesa
    > Em uma visita de cortesia, Teixeira e os donos da VarigLog
    > apresentaram seu plano de negócios para a companhia
    > Como o caso abalroou o governo Compadre de Lula, Roberto Teixeira
    > pode ter extrapolado em sua função de advogado no caso Varig. Ele
    > é acusado de ter feito tráfico de influência 25 de janeiro de 2006
    > À beira da falência, a Varig vende sua subsidiária de transporte
    > de carga, a VarigLog, ao fundo americano Matlin Patterson e a seus
    > sócios brasileiros por 48 milhões de dólares 24 de junho de 2006
    > A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprova a venda da
    > VarigLog. A empresa dá um prêmio de 750 000 dólares a Teixeira, a
    > quem atribui o sucesso da operação 20 de julho de 2006
    > Assessorada por Teixeira, a VarigLog compra a Varig por 24 milhões
    > de dólares. Fica com as rotas da companhia, mas não herda suas
    > dívidas bilionárias 28 DE MARçO DE 2007
    > Teixeira e o fundo Matlin Patterson planejam a venda da Varig para a
    > Gol por 320 milhões de dólares. A TAM queria comprar o mesmo ativo
    > por 738 milhões de dólares. Foi preterida 4 DE ABRIL DE 2007
    > A Casa Civil é acusada de pressionar diretores da Anac a aprovar a
    > legalização da VarigLog apesar de a maioria de seu capital ser
    > estrangeiro
    > Monalisa Lins/AE

  16. Breno Dominguesem 12 set 2010 �s 22:00

    caro Stringhini,
    é simples responder por que a imprensa não noticiou a “dívida de US$ 9 bi ” da TAM….. é porque esta dívida nunca existiu !!! Foi “inventada”por um destes “consultores de economia” que surgem do nada…. Caso esta dívida realmente existisse, a TAM não teria crédito nem com a BOEING, nem com a AIRBUS e não estaria recebendo aviões novos à muito tempo !!!! Sem o recolhimento de impostos, pagamentos de taxas aeroportuárias ( Brasil e exterior ), taxas de sobrevôo, seguro aeronáutico – que você sabe muito bem- caso não estivessem sendo pagos, aviões da TAM não estariam voando para fora deste país. Se a TAM estivesse realmente com esta dívida, seus aviões não estariam sendo abastecidos, tanto no Brasil, quanto no exterior ( esta foi uma das “dificuldades” da VARIG e também da VarigLog lá fora- você muito bem sabe ! ). As tripulações não teriam hotéis para pernoitar ( também foi a grande dificuldade da Varig e também da VASP e TransBrasil !!! ). Os funcionários da TAM estariam com seus salários atrasados e o repasse do recolhimento do FGTS e fundo de pensão não estariam “religiosamente” sendo cumpridos ( mais uma situação bem diferente da VARIG, que ficou anos não repassando os recolhimentos do FGTS e Aerus…não foi à toa que tanto Varig, qto a TransBrasil eram já na década de 90, as maiores devedoras do INSS ! Caso a TAM estivesse com esta dívida 2x maior do que a da VARIG, tenha certeza, não teria sido aceita sua entrada na STAR Alliance…você sabe muito bem as várias auditorias que são feitas antes de alguma empresa ser aceita nestas grande alianças ( lembra qdo a STAR desligou a VARIG ? ).
    A entrada da TAM na STAR foi à menos de 3 meses atrás !!!!
    Quanto ao “imbrólio” da venda da Varig….muito de tudo o que aconteceu deveu-se também pela própria Varig/ Fundação, você não pensa assim também ?
    A Varig realmente fez muito em seus mais de 80 anos, assim como várias empresas importantes do mundo…Panam,TWA,Braniff entre tantas outras. Outras “grandes” estão em situação complicada e nem vou sitá-las…mas basta ler os jornais e revistas…
    Existe hoje uma situação concreta. A criação da LATAM aconteceu, mas precisa ser aprovada ( tanto no Brasil, qto no Chile ). Se for aprovada, será mais uma “holding” da aviação mundial…muito parecida com British-Iberia, AirFrance-KLM, AVIANCA-TACA e outras tantas que com toda a certeza virão.
    um abraço,
    Breno Domingues

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