ago 06 2010

OS EMPRESÁRIOS, FINALMENTE!

Postado por at 13:21 sob Uncategorized

Já havia passado do tempo. Finalmente um setor empresarial se levanta contra os apátridas que buscam tanto o aumento dos juros quanto diminuir o papel do BNDES. É o que se vê do texto anterior, da nota da ABINEE.

II
Imagine o que é para um empresário dessa área, elétrica e eletrônica,a competição com a China, por exemplo. Na China, a moeda absolutamente subvalorizada e vastos recursos estatais para investimento. Aqui, essa indústria é obrigada a brigar não apenas com os produtos chineses, mas principalmente com os neoliberais que ainda estão encastelados. Pagam a maior taxa de juro do mundo; pagam um transporte caríssimo, porque não temos ferrovias, e ainda são obrigadas a aguentar a discurseira daqueles que quebraram o mundo – e quebraram o Brasil por duas vezes, como houve no governo FHC.

III
O relevante dessa nota é que finalmente um setor empresarial assume o combate e sai em defesa do BNDES. Até pouco tempo, o governo se via obrigado a assumir sua própria defesa. Agora, finalmente, esses setores resolveram enfrentar esse discurso maluco pregado, diariamente, pelos “comentaristas econômicos” da Globo, dentre outros.

IV
Agora está ficando bonito. Lembro do Senador José Ermírio de Moraes, por exemplo, grande empresário e filiado, curiosamente, ao velho PTB, ou seja, a um partido nacionalista e que defendia os trabalhadores. Da mesma forma, o Conde Matarazzo e, acima de tudo, Mário Simonsen, da Pan-Air. Depois disso, viu-se um longo ensaio de empresários entreguistas. Agora, finalmente, um setor empresarial resolve sair da timidez e assumir um discurso contra o neoliberalismo cego. É uma excelente notícia.

107 respostas até o momento

107 Respostas em “OS EMPRESÁRIOS, FINALMENTE!”

  1. Petraem 06 ago 2010 �s 15:26

    Dr. Maia !
    Abrir este seu blog está ficando cada vez mais uma tarefa para corações fortes , o que não é bem o caso do meu .
    Ainda estou tentando colocar em ritmo adequado as batidas do meucoração neste momento . Se o título daquele último post me dava calafrios ( O tal – Aerus- vamos a julgamento ) este será culpado por meia dúzia de infartos nos nossos velhinhos do Aerus quando abrirem o Blog .
    FINALMENTE !
    Este não é um título adequado no seu Blog que tem um grande número de cardíacos , portadores de marca-passos , pressão alta , diabéticos etc . como seus maiores e mais fiéis ( apesar de que não únicos) leitores e seguidores .
    Sugiro mudar novamente o título , pois todos pensarão como eu , que os nossos problemas finalmente acabaram , estão resolvidos …
    Bem , me perdoe me meter onde não sou nem fui chamada , mas é só uma sugestão de amiga que levou algum tempo para colocar seu coração em ritmo normal depois de abrir o PC e ler o seu FINALMENTE !
    Beijinhos carinhosos , agora vou ler com calma do que se trata afinal o seu FINALMENTE !!!

  2. neriaalvesem 06 ago 2010 �s 15:58

    Dr.Maia,
    Boa tarde.
    Assim não há coração que aguente!!!!!!. A cada dia aumenta a nossa expectativa em termos como notícia no seu blog a frase FINALMENTE, e para decepção esse FINALMENTE não refere-se aojulgamento do Aerus, serviu somente para bater mais forte o nosso coração e jogar mais adrenalina no sangue. Mas mesmo assim, continuamos acreditando na nossa vitória e com certeza o ‘ FINALMENTE II”, será o da nossa vitória. Mas o meu coração continua disparando…… e com certeza o de muitos que que irão ler esse título. Ou será que esse título é um prenúncio de um aviso para nós?

    Resposta – Na verdade, há mais “finalmente” entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia, Horácio.

  3. Petraem 06 ago 2010 �s 16:19

    Dr. Maia , com a sua resposta para a Neria o Sr. está inaugurando uma nova vertente no bolicho , a do humor negro filosofal …
    Acho que hoje não vai ter beijinho de boa noite musical , não tem mais clima .
    Beijinhos carinhosos .

  4. O ANARQUISTAem 06 ago 2010 �s 16:20

    O Horácio nâo sofria do coração e tambem não era do Aerus. abçs

  5. Petraem 06 ago 2010 �s 16:21

    Barbas, cabelos e bigodes

    Minha experiência pessoal com barba é péssima. Uma única vez, num distante verão, tentei deixar crescer uma barba. Mas, depois de três semanas, sofrendo com o calor, o suor e coceiras torturantes, raspei. Além de uma sensação de frescor e limpeza, passei a ouvir dos amigos que encontrava: “Você está parecendo mais jovem, fez botox?”. Tinha só tirado a barba.

    Alguns usam a barba para melhorar o desenho do rosto, para encobrir lábios muito finos, ou grossos demais, ou disfarçar uma papada. Uns, para se esconder, outros para se exibir. A verdade é que a barba protege bem o rosto em climas frios – mas é muito incômoda nos trópicos.

    Esta chateação diária masculina, movida a espuma e gilete, ou ao zumbido do barbeador elétrico – e pior, enfrentando o espelho – ou a opção preguiçosa ou vaidosa pelos pelos, virou uma questão política no Brasil. A barba se tornou a cara do PT.

    Nunca na história deste país um partido político, além de se apresentar como mais ético, honesto e solidário do que os outros, exibia a sua diferença com uma identidade visual – as barbas bravias de seus líderes e militantes, inspiradas nos barbudos de Sierra Maestra. Nos bares, surgia um novo tipo popular urbano: o “barbudinho do PT”. Se fosse marketing, a estratégia do branding capilar se tornaria um case de sucesso, paralelo à trajetória da barba de Lula, que de eleição em eleição foi sendo aparada e tratada, enquanto o sapo barbudo passava a príncipe barbado.

    Quando o careca e barbeado Marcos Valério e o barbudo Delúbio fizeram coisas cabeludas no mensalão, os petistas puseram as barbas de molho. Os bigodudos Tarso, Luís Dulci e Mercadante queriam refundar o partido, mas as barbaças e barbichas sindicais se eriçaram. Seria fazer o jogo sujo da direita bem barbeada. A direita é glabra.

    Hoje, as barbas aparadas de Antonio Palocci, Marco Aurélio Garcia, Celso Amorim e Jaques Wagner estão em unidade capilar com os bigodudos e com os cavanhaques leninianos de Zé Dutra, Berzoini e Genoino. Não há no primeiro time petista, tirando Marta e Dilma, ninguém de cara limpa. Só o neocabeludo Zé Dirceu.

  6. Petraem 06 ago 2010 �s 16:49

    Yessss!!!!!! Dr. Maia ! Danke ! Danke !
    Melhorou , ficou bonito , com menos expectativas não concretizadas .
    Não temo mais por nenhum infarto nem picos de pressão alta . Agora , quem não pegou a história desde o começo vai ficar sem entender nada …
    Em agradecimento o Sr. ganha mais uma porção extra de beijinhos carinhosos e um agrado musical de fim de tarde de sexta-feira ;

    http://www.youtube.com/watch?v=NEOem7U2LPE

  7. Roberto Haddadem 06 ago 2010 �s 16:50

    Horácio não sofria do coração, não era do AERUS. Horácio era o dono de uma leiteria na rua Aristides Cáires, no Cachambi, ha mais de 50 anos.

  8. Petraem 06 ago 2010 �s 16:59

    P.S.
    Ainda tonta com o ” Finalmente ” do Dr. acabei esquecendo de colocar os créditos para o Nelson Motta na sua crônica ” Barbas , cabelos e bigode ” postada no comentário por mim acima , aos 16:21 , antes que voces pensem que têm uma amiga ” mulher barbada ” , pois a crônica no início diz : Uma única vez , num distante verão , tentei deixar crescer uma barba …
    Então , para não haver mais mal-entendidos neste Post , que já começou com tantos , deixo claro que eu , Petra nunca deixei crescer nenhuma barba em estação nenhuma , está claro ? E mesmo que eu fosse homem acho que jamais deixaria crescer barba alguma , cara limpa escanhoada e perfumada sempre é melhor , não é ?
    Bem , era isto , beijinhos carinhosos .

  9. carlos irmãoem 06 ago 2010 �s 17:03

    Petra, adorei o texto barbas, cabelos e bigodes. Hilário ! Ri muito….”tirando Marta e Dilma, ninguém de cara limpa. Só o neocabeludo Zé Dirceu”"”.

  10. Petraem 06 ago 2010 �s 17:05

    O único Horácio que eu conheço além do filósofo , é aquele burrinho ?? cavalo ?? das histórias de desenhos infantis , do sítio da vovó Donalda ou coisa parecida .
    Pronto Dr. Maia , turba ignara que acabou com a sua profunda citação filosófica ao cair da tarde , acabou em burros , cavalos , gibis e dono de leiteria …( rs,rs,rs,)

    Beijinhos carinhosos , fica chateado não .

  11. paizoteem 06 ago 2010 �s 18:50

    Heim!!!???

    AH!! Sei!!! Embora não sei se concordo totalmente, com as entrelinhas.

    O bom de entrar aqui é que na maioria das vezes não sei do que estamos falando, não sei o que dizer e nem mesmo porque entrei.
    Só para não perder a viagem;
    Plásticos termorrígidos ou termo fixos, não servem para reciclagens.
    E a divisão das silabas nas palavras citadas seguem regras diferentes.
    Abcs!

  12. O ANARQUISTAem 06 ago 2010 �s 20:17

    Paizote
    Tá doidão????
    Ajuste seu dial para sintonizar a estação… abçs

  13. O ANARQUISTAem 07 ago 2010 �s 00:20

    Essa mudança de opinião está cheirando perda de terreno e dinheiro. Como não estão mais suportando as perdas e vendo que continuando com a política de combate ao governo (tipo “si ay gobierno soy contra”) resolveram mudar de lado para ver se conseguem passar a lucrar. Sim porque nessas alturas quem tem força em abundância é o governo e para ele dar apoio, só será beneficiado quem o apoia. Com tudo isso para fazer frente à indústria chinesa e a indiana, vão ter que procurar outras tecnologias que propiciem menor gasto, menor tempo de mão de obra = preço mais baixo. Mas o mais importante, o meu ver, controle de qualidade rígido (que hoje está totalmente desmoralizado) para que os produtos tenham e/ou voltem a ter a confiança do cliente.

  14. Petraem 07 ago 2010 �s 09:31

    Bom dia , Dr. Maia !

    Paizote , Hellloooo!!!! Terra fazendo contato !!!!

    Já li o jornal , nada que se aproveite , assim no momento não trancrevo nada . Quem sabe alguma crônica interessante da Veja ? , aí passo por aqui mais tarde .
    Tentarei com calma transcrever mais um dos contos do Nelson Motta , apesar de ninguém ter se manifestado no Blog, a favor , contra , nem muito pelo contrário …
    Se eu estiver sendo incoveniente Dr. Maia , let me know .
    Por hora , sómente abraços e beijinhos carinhosos com gosto de pêra portuguesa , durinha , doce , deliciosa ( estava em promoção no super mercado ) !!!!!

    ___________________________________________________________________

    O que fazer no avião quando o passageiro do lado é um chato :

    PASSO 1. Tirar o laptop da mala;
    PASSO 2. Abrir o laptop devagarzinho e calmamente.
    PASSO 3. Ligar;
    PASSO 4. Assegurar-se de que o vizinho está olhando;
    PASSO 5. Ligar a Internet;
    PASSO 6. Fechar os olhos por breves momentos, abri-los de novo e dirigir o olhar para o céu;
    PASSO 7. Respirar profundamente e abrir esste site: http://www.myit-media.de/the_end.html;
    PASSO 8. Observar a expressão facial do vizinho.

  15. Petraem 07 ago 2010 �s 09:38

    Vai mais um passatempo para o fim de semana , sendo de graça …

    http://www.velhosamigos.com.br/Jogos/Forca.htm

    Beijinhos carinhosos .

  16. Petraem 07 ago 2010 �s 10:25

    Mais um passatempo para este sábado , dizem que ajuda a manter aquele alemão ( Alzheimer ) á distância …
    ( não esqueçam sde ligar o som e pressionar F11 para ter tela cheia ) .

    http://www.jacquielawson.com/viewcardm.asp?code=2388074185902&ob=1&cont=1

    Divirtam-se e beijinhos carinhosos .

  17. O ANARQUISTAem 07 ago 2010 �s 18:20

    CHANG (o chinês) ataca novamente. Agora sorrateiramente adquiriu a Laguna Taxi Aéreo de São José dos Campos, já solicitou a alteração da razão social (e conseguiu junto a ANAC) para Laguna Linhas Aéreas, http://www.voelaguna.com.br/ANAC.pdf. Pretenção em operar em 14 estados, para 96 destinos com 48 aeronaves FOKKER 50 e 100. Muitos destinos são inéditos e junto às autoridades e/ou responsáveis pelos aeroportos estão articulando melhorias em infraestrutura em geral para molda-los ao gosto e necessidades da operadora. Serão gerados aproximadamente 4.000 empregos em todo o território nacional sendo 700 para comandantes e comissários. Para quem interessar , os curriculos deverão ser enviados para o site GRUPO TRIPULAÇÃO ( e-mail / curriculos@tripulação.com.br) que eles encaminharão para a Laguna Linhas Aéreas.

  18. Petraem 07 ago 2010 �s 19:14

    Como prometido vai mais uma história saborosa de Nelson Motta do seu livro Força Estranha ”

    ______ “ Bola na rede “

    “ Ustedes saben lo que es Ego ?” , perguntou o jovem Tarso Bueno à mesa cheia de jornalistas , na noite gelada de Mar Del Plata , às vésperas da Copa do Mundo de 1978 . Ele mesmo respondeu , em perfeito portunhol :
    “ Es un argentino chiquitito que vive dentro de cada uno de nosotros “ , e todos nós , até os argentinos , estouramos em gargalhadas .
    Éramos um grupo de jornalistas de vários lugares do mundo , quase todos latino-americanos , comendo carnes e esvaziando garrafas de vinho , tentando gastar o tempo que ainda faltava para a bola rolar em Buenos Aires , Mendoza , Rosário , Córdoba e Mar Del Plata . A Copa , na verdade , era motivo , a paixão e a profissão de todos que estavam ali , torcedores fanáticos disfarçados de jornalistas isentos e imparciais . E profundos conhecedores do futebol , de seus grandes craques e times históricos , que não se cansavam de recordar . No frio e na umidade do inverno de Mar Del Plata , com carne e vinhos fartos e baratos , as línguas estavam soltas e os corações quentes e ansiosos pelas batalhas .
    Tarso Bueno tinha 20 anos e era uma das grandes revelações do jornalismo esportivo gaúcho , integrando a equipe do Correio do Povo de Porto Alegre em sua primeira cobertura de Copa do Mundo . Gremista fanático , dizia-se admirador do futebol duro e feio , mas eficiente e vitorioso , debochava do futebol arte como “ coisa de veados “ , divertia todos à sua volta com seus causos , apesar de tão pouca idade , que demonstravam não só a sua precocidade , mas a sua grande capacidade inventiva , sem fronteiras muito nítidas entre fantasia e realidade . Acusado de alguma mentira , se ofendia .
    “ É uma figura de retórica , seu babaca , é só uma versão turbinada da verdade “ .
    Ficava ainda mais puto quando era confundido , pelos cabelos longos e amor á maconha , com os hippies que tanto desprezava . Fã de Bob Dylan , se considerava uma expressão tardia de beat generation , na linhagem de Jack Kerouac , William Burroughs e Allen Ginsberg , sempre na estrada , doidão , reescrevendo a vida .
    Era impossível negar , Tarso era mesmo um belo rapaz . Alto e magrelo , com longos cabelos lisos e escuros emoldurando seu rosto de traços finos e viris , um nariz atrevido , uma boca carnuda e sensual e dois olhos pretos vivíssimos . Além de sua natural simpatia , seu visual facilitava muito as coisas , mais ainda com as mulheres . E , eventualmente , com os gays . Mas também abria portas entre os homens , como os jogadores da seleção brasileira .
    Simpático e falastrão , especialista em elogiar e encher a bola dos seus entrevistados para encorajá-los a falar , Tarso era muito querido entre os jogadores , mais ainda pelos gaúchos , que o privilegiavam com boas informações sobre os bastidores da Vila Marista , onde a seleção se concentrava , e que ele transformava em cenários de suspeitas , conspirações e manchetes de crises no comando da Seleção .
    Sua tática inquiridora não era nova no mundo do futebol , mas turbinada :
    “ Fulano , você acha que o meio de campo ganha mais solidez com o Chicão do que com o Cerezo ? “
    Resposta : acho , ou não acho . Manchete de Tarso no dia seguinte : “ Fulano exige Chicão ( ou Cerezo ) no meio de campo da Seleção . “
    Como a maioria dos jornalistas brasileiros , ele se considerava muito mais capacitado do que o técnico Cláudio Coutinho para escalar o time ideal . A única diferença é que uns , como ele, escalavam para vencer , enquanto outros , para dar show de bola e, se possível , vencer .
    A velha rivalidade Brasil X Argentina estava mais acesa do que nunca . Comandados pó Coutinho , um ex-capitão do exército , formado em educação física e que começava uma carreira brilhante como técnico de futebol , e pelo ex-jogador César Luis Menotti , o carismático “ El Flaco “ , os dois times eram fortes candidatos a suceder a Alemanha como os novos campeões do mundo . Com os vôos superlotados , milhares de brasileiros haviam cruzado as fronteiras de carro , de ônibus e até a pé , para apoiar a nossa seleção no inverno portenho .
    A primeira fase , em Mar Del Plata , foi desastrosa para o Brasil , que jogou mal , e se classificou a duras penas , atrás da Áustria . Em suas reportagens , mais opinativas do que muitas colunas de especialistas , Tarso culpava o gramado , além dos dirigentes , poupando os jogadores . Na verdade , o tapete verde que eles tinham preparado durante meses para ser o palco da Copa do Mundo havia , literalmente , afundado . Chuvas fortes encharcaram tanto o gramado novo e frágil que , a cada chute , escorregão ou bola dividida , grandes nacos de grama voavam . Em pouco tempo o gramado impecável estava esburacado como um campo de pólo . Os jogadores escorregavam e tropeçavam , as bolas não chegavam , se desviavam nos buracos , o nível técnico foi baixíssimo . Claro , os maiores prejudicados foram as melhores equipes e os jogadores mais habilidosos ; o gramado pantanoso nivelava por baixo os times do grupo : Esanha , Suécia , Áustria e Brasil .
    Era incontestável que o relvado se mostrara inadequado para a prática do violento esporte bretão , repetiam os locutores de rádio e os jornalistas ; os jogadores reclamavam . Para Tarso Bueno , os argentinos haviam encharcado o gramado de propósito , num plano para prejudicar o Brasil e tirá-lo da disputa , como havia apurado com suas fontes secretas . Um de seus informantes , um argentino de identidade não revelada , ligado aos serviços de informação , resolvera denunciar a conspiração porque queria ganhar do Brasil na cancha de jogo pois no cambalacho não teria graça nem valor . A Argentina não precisava de truques sujos para ganhar , porque tinha o melhor time e o melhor técnico . E a torcida mais apaixonada do mundo .
    Além da ditadura mais sangrenta do continente . Enquanto os militares brasileiros iniciavam uma distensão lenta e gradual com o general Geisel , a Argentina vivia o fundo do poço do terror sob a Junta do draculesco general Videla e dos não menos sinistros almirante Massera e brigadeiro Agosti . No Brasil , estimava-se em cerca de quinhentos os mortos e desaparecidos na guerra revolucionária , enquanto na Argentina , com uma população cinco vezes menor , dizia-se que o número macabro chegava a 30 mil pessoas . A coisa estava feia ao sul do Trópico de Capricórnio . Todos se sentiam ameaçados pelos guerrilheiros e terroristas , ou pela polícia e as Forças Armadas .
    No Brasil , nem tanto . Ou pelo menos já fora pior , a censura e repressão pareciam abrandar , o medo diminuía , as esperanças de liberdade aumentavam , a anistia aos presos políticos começava a ser discutida .
    Para os hermanos , um dilema atroz . A Copa do Mundo era uma audaciosa –e caríssima – jogada da ditadura militar para tentar melhorar a imagem da Argentina no exterior – e para dar pãp , circo e glória ao povo pressionado pelo custo de vida , desviando as atenções da repressão brutal , das torturas e assassinatos que não chegavam à imprensa censurada . Mas afetavam profundamente a vida de milhões de argentinos que tinham parentes e amigos , colegas e conhecidos , presos , mortos ou desaparecidos . E tinham muito medo . E raiva . Mas como torcer contra a gloriosa seleção de futebol , orgulho e paixão nacional ?
    Era uma situação semelhante , mas agravada por ser em solo pátrio , à que as esquerdas brasileiras viveram em 1970 , quando a posição política era torcer contra a seleção por que seria a vitória da ditadura , que serviria para anestesiar o povo e fortalecer os militares . Mas como torcer contra Pelé , Tostão , Jairzinho , Rivelino e seus companheiros nas jornadas gloriosas nos campos mexicanos ? Ainda não nasceu ideologia capaz de sufocar a paixão de um brasileiro , ou de um argentino , por futebol .
    Tarso logo arranjou uma namorada em Mar Del Plata . Loura de farmácia , pele alva , olhos claros , bem cafona , mas muito gostosa , Blanquita dizia ter 28 anos , mas aparentava mais . Estava com um casal amigo na mesa ao lado , numa véspera de jogo , quando Tarso dava seu showzinho em portunhol e divertia a imprensa esportiva continental .
    Foi ela que tomou a iniciativa de falar com ele , quando se levantou para ir ao banheiro . Aquela história do Ego ser um argentino pequinininho foi muito divertida ; adorava a irreverência dos brasileiros , os argentinos eram muito formais . Trocaram algumas palavras e telefones e o resto é história .
    O que Tarso não sabia era que Blanquita não se chamava Blanquita nem Blanca , mas Gladys , e trabalhava como oficial do temido Side ( Serviços de Informações do Estado ) , em missão de infiltração e vigilância de subversivos argentinos , e eventualmente estrangeiros , entre os milhares de jornalistas presentes , para prevenir qualquer tentativa de usar o Mundial para ações terroristas . Todo o aparato repressivo argentino estava de orelhas em pé , dia e noite . Enquanto a bola rolava nos gramados e o povo vibrava diante das televisões , milhares de argentinos eram torturados e mortos nos porões da ditadura .
    Nos intervalos das intensas atividades esportivas e conspiratórias de Tarso , os encontros com Blanquita eram sempre agradáveis e divertidos . Ela era advogada , dizia , e um pouco careta apara o gosto dele – demorou dois encontros para transar , e mesmo assim só de camisinha , não fumava maconha ou tomava LSD como ele , só bebia vinho . Mas fumava como uma chaminé . Embora meio tensa e inibida para os padrões de Tarso , Blanquita tinha um bom corpo e se desempenhava a contento na cama – era uma reprimida em processo de desrepressão , como confidenciara ao colega Bernardão , de um jornal carioca , outro personagem popular das rodas jornalísticas de Mar Del Plata .
    “ Se precisar de ajuda … “ , Bernardão provocava com um risinho sórdido . Grande , peludo e desengonçado como um urso , quarentão malandro e experiente , assim como Tarso , era dotado do dom da simpatia , e daí a identificação e a amizade instantânea entre os dois . Formado na malandragem da Zona Norte carioca , Bernardão fizera a sua carreira como repórter de polícia e havia pouco tempo se mudara para a editoria de esportes , sua paixão .
    Blanquita não gostava de falar sobre política , mas era muito curiosa para saber como iam as coisas no Brasil . E não poderia encontrar um informante mais otimista e menos confiável do que Tarso , que considerava a abertura irreversível e antevia para breve a anistia , a volta dos exilados , a liberação dos partidos políticos e “ em um ano , no máximo “ , eleições livres . Tudo que estava fora dos horizontes argentinos . Blanquita não dizia nada , só prestava atenção e duvidava .
    Nem foi preciso perguntar , Tarso elencou , com orgulho , todos os opositores da ditadura que estavam entre os jornalistas brasileiros . Eram maioria absoluta , alguns até ex-militantes políticos , outros mais oportunistas viviam em torno e puxavam o saco dos milicos que dominavam a Confederação Brasileira de Futebol e o comando da seleção .
    Aparentemente as atividades de Blanquita com Tarso eram somente amadoras . Como profissional , ela não perderia seu tmpo com um tipo como aquele . E nunca foi nem jamais iria para a cama com um homem em troca de informações , não estava em suas atribuições , nem seu patriotismo chegava a tanto . Era apenas uma forma de se manter próxima de grupos que lhe cabia vigiar , unindo o útero ao agradável .
    Ficara sinceramente seduzida pelo charme dele , era uma companhia deliciosa , ajudava a quebrar a sua rigidez , não oferecia qualquer perigo . A não ser um certo apego que estava nascendo no seu coração duro , mas que terminaria com o final da Copa .
    Com Tarso , Blanquita freqüentava as rodas de jornalistas nos bares e restaurantes e era obrigada a ouvir , além dos desafios no futebol , as piores acusações e ofensas contra o governo a que servia . Se fossem prender todos que falavam mal da Junta Militar , a copa do Mundo ficaria sem cobertura , imaginava , realista . Cumpriria as determinações da chefia e apresentaria seus relatórios . Sem maiores esperanças . Depois de duas semanas de convívio , não havia qualquer indício de atividades suspeitas entre eles . Simpatias esquerdistas , sim , sempre , mas nada além de bravatas movidas a vinho , nenhum plano de protestos públicos ou de alguma ação para criar um escândalo e desmoralizar a Argentina diante do mundo , o maior temor da Junta Militar .
    Como Blanquita morava com os pais – a mãe era doente crônica – , Tarso só conseguia se encontrar intimamente com ela graças á generosidade de Damião , ftógrafo e seu colega de jornal , com quem dividia o quarto do pequeno hotel San Lorenzo , na calle Constituicíon . Damião ficava cochilando na poltrona do quarto de Bernardão e Zé Maria enquanto Tarso e Blanquita namoravam , e só voltava quando o telefone tocava , devolvendo-lhe a cama .
    Blanquita não gostava muito de fotógrafos , mas Damião era um quarentão discretíssimo , casado , morria de saudade da mulher e dos filhos , e de medo de perder o emprego . Era inocente e inofensivo . Só fotografava jogadores ou cartolas que Tarso apontava .
    Mas a loura gostava de fotografia . Havia tirado muitas com sua pequena e eficiente Pentax em noites alegres com grupos de jornalistas nos bares e restaurantes em Mar Del Plata . Estavam todas identificadas e arquivadas no Side .
    No hotel San Lorenzo , depois de uma noite de amor , enquanto Blanquita tomava banho , Tarso em busca de um isqueiro , revirou sua bolsa de couro e encontrou várias fotos de grupos com os nomes escritos no verso , inclusive o dele . Mexeu mais e encontrou , dentro de uma carteira de couro , uma pequena identificação da Divisão de Informações do Ministério do Interior , em nome de Gladys Torres com a foto de Blanquita de cabelos escuros . E um revólver calibre 22 . Tarso ficou gelado . Quando Blanquita saiu do banho , com seu corpão mal cabendo na toalha , apesar do sorriso e dos olhos brilhando , já não era mais a mesma pessoa para Tarso .
    Começou a repassar mentalmente tudo o que falara sobre milicos , tiras e dedo-duros , mas concluiu que não havia nada que pudesse complicar a sua vida . A não ser a maconha , que trouxera do Brasil e fumava sozinho todos os dias , economizando avaramente e tomando todos os cuidados nas cidades ultrapoliciadas . Os maconheiros brasileiros estavam a pão e água , a carne e vinho .
    “ Então você precisa se livrar dela urgentemente “ , aconselhou Bernardão quando Tarso lhe confidenciou , no banheiro do bar , depois de meia garrafa de vinho , que estava dividindo a cama com uma cana , uma espiã . Afinal , era o Tarso , NE? Bernardão o aceitava como ele era , não perdia muito tempo com suas histórias , o bicho devia estar paranóico de tanta maconha , imagine uma espiã, e para espionar o que ? Um bando de homens bebendo e falando de mulher e de futebol dia e noite ? Caso Tarso liberasse Blanquita , Bernardão seria o primeiro da fila . As policiais e espiãs também querem amor e carinho . E ele estava pronto para oferecer .
    Ao fim de duas semanas em Mar Del Plata , Blanquita estava cada vez mais apegada a Tarso , que , ao contrário , queria se livrar dela o mais rapidamente possível , tinha até perdido o tesão . Não todo , é claro , porque Blanquita estava cada vez mais solta e gostosa , mas pelo menos uma boa parte . Quando o tesão encontra o medo , as coisas se complicam .
    Se ficar com ela era perigoso , mais perigoso seria abandoná-la . Os infernos não conhecem fúria maior do que a da mulher rejeitada , todo mundo sabia disso , até Tarso . Fumando um baseado escondido, trancado no banheiro do quarto , se tranqüilizava pensando quea copa do Mundo terminaria , o Brasil seria campeão , e ele voltaria para Porto Alegre e teria muitas histórias para contar , turbinadas , naturalmente .
    Depois do empate do Brasil com a Espanha , coitada , roubada pelo juiz , desencantado com a Seleção , Tarso foi a Buenos Aires para ver a Argentina jogar contra a Itália , as duas já classificadas para a fase seguinte . Não só porque eram dois favoritos ao título , mas pela oportunidade para conhecer Buenos Aires . Sem Blanquita .
    Achou a cidade linda e elegante , as árvores nuas nos parques sob o vento do inverno , gostou da imponência do Estado Munumental Nuñes , emocionou-se com a torcida argentina cantando e empurrando o time o tempo todo . O jogo foi chato e amarrado , com a Argentina e a Itália já classificadas . Um opaco 1 X 0 para a Itália no final .
    Foi para o hotelzinho El Libertador , na calle Esmeralda , tomou um banho e saiu para a noite . Aceitando o convite do seu amigo argentino Martin , foi encontrá-lo no La Brigada , em San Telmo , onde comeu uma carne muito melhor do que a melhor de Porto Alegre , teve que admitir . Depois , Martin o deixou em um bar de tangos tradicional em Palermo , onde se sentou numa banqueta em frente ao balcão e pediu um Pernod , ouvindo um veterano crooner acompanhado por um pequeno grupo musical que tocava tangos clássicos .
    Uno , Mano a Mano , Cambalache , Por uma Cabeza , Sur , El Dia em que me Quieras , Tarso conhecia todas , desde criança eram as músicas queridas de sua mãe . As canções e os copos de Pernod se sucediam , na banqueta ao lado de Tarso , em frente ao balcão , uma argentina , morena , de uns 40 anos , tomava vinho e o olhava sorridente . E começava a fazer pequenos comentários sobre a música e o ambiente . Era muito simpática , pena que fosse tão feia , pensava Tarso , bebendo mais um Pernod , se sentindo um Rimbaud e Baudelaire bebendo absinto .
    Vários Pernaud depois , Tarso já achava a argentina bem passável , até comível , e além disso , apesar das roupas de inverno , parecia ter um bom corpo , e, sem dúvida , uma ótima conversa . Arquiteta , mas também professora de filosofia , Irene tinha um papo envolvente , contava de forma simples e divertida complexas teorias filosóficas , comentava com humor ácido a situação argentina , era safada e autoirônica . Tarso estava encantado , como ficam as menininhas diante de professores sedutores . Nunca estivera tão próximo de uma mulher tão feia . Nem tão fascinado . Irene era nariguda , com um cabelo maltratado de corte indefinido , uma boca pequena de lábios finos , e olhos escuros e tristes . Tarso lembrava de Bernardão louvando os poderes das feiosas : “ Não há mulher melhor na cama do que a feia . Elas capricham para compensar a feiúra , querem agradar , valorizam você . As bonitas só se preocupam com elas , você é que tem que mostrar serviço “ .
    A noite acabou no apartamento de Irene , os dois bêbados e felizes . E Tarso ficou sabendo que , além d uma ótima foda , confirmando as teses de Bernadão , Irene era uma militante sindical , que também já havia sido presa , e tinha um irmão que passara três anos na cadeia , onde havia sido torturado sem piedade . Havia sido solto há pouco e estava morando com ela , vagando como um zumbi pelo apartamento , ouvindo vozes , tendo pesadelos , sem ousar sair de casa .
    Quando Tarso acordou , Irene já havia saído para trabalhar e deixara um bilhete carinhosos na cozinha avisando que tinha café e leite nas garrafas térmicas .
    Malandra esta Irene , pensou Tarso , saiu fora antes de se mostrar de cara limpa e cabelos desgrenhados de manhã . Seria um susto . Mas assim ela me deixa com a lembrança de ontem á noite , quando as luzes estavam baixas e as taxas de álcool no sangue elevadas . Pô , saí de uma policial e caí numa subversiva , cada uma no seu estilo , refletia passando manteiga no pão .
    Pegou um táxi para o Aeroparque e um vôo sacolejante da Austral para Mar Del Plata . Assistiu ao Brasil ganhar de 1 X 0 da modesta Áustria e classificar-se para a segunda fase , e á noite estava no bar El Tiburón para comemorar com Blanquita e sua máquina fotográfica . No dia seguinte partiria para Mendoza de avião , seguindo a Seleção Brasileira , que disputaria com Peru , Polônia e Argentina uma das vagas na grande final . Holanda , Itália , Áustria e Alemanha disputariam a outra em Buenos Aires .
    Na manhã seguinte , Tarso ficou um pouco cabreiro quando Blanquita veio toda sorridente e saltitante contar que teria férias no escritório – estava tudo parado com a Copa do Mundo – , e ela poderia ficar duas semanas na casa de uma amiga em Mendoza , onde Tarso dividiria um quarto com Damião no hotel Puerta Del Sol . Ele queria que ela fosse , não ? Claro , claro , Tarso sorria e lhe dava uns beijinhos desajeitados . Blanquita iria de carro , com amigos . Num camburão , por supuesto , pensou , mas não disse Tarso .
    Mendoza era uma cidadezinha adorável no sopé dos Andes , cercada de montanhas nevadas , com ótimos queijos e vinhos e uma gente muito simpática e acolhedora . E belas mulheres . Tarso lamentou a iminente chegada de Blanquita ao conhecer a estudante Patrícia Garcia , de 20 anos , uma loura deslumbrante , recepcionista do Centro de Imprensa de Mendoza . Depois de um café uma saraivada de galanteios de Tarso , a belíssima Patti concordou em jantar com ele . Saía do trabalho às vinte horas e conhecia ótimos restaurantes ; nascera e fora criada em Mendoza , o pai era um conceituado médico na cidade .
    “ Quantas horas se leva de Buenos Aires até aqui de carro “? , perguntou Tarso como quem não quer nada , querendo tudo .
    “ Umas nove , ou dez , até Córdoba , e de lá mais umas cinco até Mendoza , uma viagem muito cansativa , a subida das montanhas é perigosa “ , advertiu Patti .
    “ Então o nosso jantar está marcado , oito e meia te busco em casa “ , Tarso estava animado , mas cauteloso :
    “ É melhor não nos verem juntos aqui no Centro de Imprensa , isto é um ninho de víboras , cheio de fofoqueiros invejosos e despeitados , pode até te prejudicar . Eles não vão se conformar em me ver com a gata mais bonita da cidade .”
    Patti riu , mandou um beijinho com a ponta dos dedos e voltou ao trabalho .
    Blanquita chegou exausta , não de camburão mas num sinistro Ford Falcon de placa fria , dirigido por um agente do ministério do Interior . Assim , que entrou no apartamento que abrigava quatro agentes em Mendoza , dois homens em um quarto e Blanquita e uma colega no outro , começou a telefonar para o hotel Puerta Del Sol à procura de Tarso Bueno , mas só encontrava a voz sonolenta do ftógrafo Damião , pedia desculpas e desligava . À meia – noite e meia ligou mais uma vez , em vão , provocando um resmungo em Damião .
    Bernardão tinha razão , as policiais e espiãs também amam . E pior , algumas se apaixonam , ficam loucas como nas letras de tango , perseguem , dão golpes baixos , matam por seu homem , se entregam de corpo e alma aos boleros da vida real . Tarso ainda não desconfiava , mas Bernardão o advertia que esse parecia ser o caso de Blanquita .
    “ A loura está loca por você . Olha lá , hein? Olho vivo e faro fino . Esta mulher é uma chave de cadeia , literalmente , como você measmo disse . Mulher apaixonada é espeto . .”
    Enquanto Blanquita ligava , Tarso jantava com Patti no Restaurante El Mercuurio . Conversavam , e derrubaram uma tábua de queijos , uma peça de lomo e uma garrafa de vinho . Duas horas depois já estavam aos cochichos , risinhos e beijinhos nas orelhas . Tinham que tomar cuidado , advertia Patti , trançando sua perna na dele por debaixo da mesa – a cidade era pequena , todo mundo a conhecia . depois ela o levaria a um lugar lindo , onde poderiam ver as estrelas protegidos pela noite e pela solidão das montanhas geladas .
    Quando Tarso e Patti , encostados numa árvore , olhando o céu cravejado de estrelas , começaram a se beijar , Blanquita dava o seu último telefonema para o hotel Puerta Del Sol . E o seu primeiro para os colegas da polícia de Mendoza , passando a descrição de Tarso . Meia hora depois já sabia que ele havia saído do hotel por volta de 20h30 e chegado ao restaurante El Mercúrio por volta das 20h45 acompanhado de uma jovem loura de aparentes 20 anos . Jantaram e saíram no carro dela para rumo ignorado . Até uma e meia da madrugada ele não havia voltado ao hotel ; manteriam um homem lá e continuariam a busca em bares . Blanquita pediu que fosse comunicada imediatamente da chegada dele ao hotel , era um subversivo brasileiro com contatos na Argentina , que estava sob vigilância do Side .
    Às duas da madrugada , feliz e excitado , Tarso voltava ao hotel , ainda com o gosto de Patti na boca , o cheiro dos seus seios , de suas coxas e de seu sexo nas suas mãos . Pena que , no banco de trás do carro , ela não o deixaria ir até o fim , talvez porque ainda fosse virgem , mas era um vulcão prestes a entrar em erupção . Saberia esperar a hora , seria paciente , e cuidadoso , para não despertar suspeitas em Blanquita , o que não seria difícil : estaria sempre trabalhando na concentração brasileira ou no Centro de Imprensa .
    Tarso apenas entrara no quarto quando o telefone começou a tocar . Damião acordou resmungando : “ Porra , essa mulher já te ligou cem vezes .”
    “ Aonde estavas , cariño ? Estava preocupada, ninguém sabia de você “ , a voz de Blanquita estava mais tensa do que nunca , “ você sabe , as ruas são perigosas com estes terroristas . Não queria dormir sem te dar um beijinho .” .
    A coisa estava feia . A policial durona , agente de repressão , estava como coração derretendo como dulce de leche . E incendiada de ciúme e paixão , como uma Carmen portenha . Aquela loura ia dar trabalho , bem que Bernardão avisara .
    Mesmo cheio de vinho e embriagado de tesão por Patti , Tarso não teve dificuldade em concluir que não era pura coincidência que Blanquita houvesse ligado assim que ele chegara . Devia ter um informante , vários , eles estavam em todos os hotéis , uma rede de motoristas de táxi e garçons espalhados por toda a cidade , que lhes contavam tudo . Com certeza ela já sabia que ele havia saído com Patti , deveria saber até o que eles haviam comido e bebido , só não deve estar ciente , ainda , do que aconteceu nas montanhas geladas depois , porque não havia ninguém por perto . A estas alturas ela pode estar forjando um flagrante de subversão para prender Patti , pensou , e talvez até a família dela .
    Era muito fácil prender pessoas na Argentina da ditadura militar . Com o aparelho repressivo fora de controle , não era raro que pretextos políticos fossem usados para vinganças pessoais ou roubos , inclusive da mulher , ou do homem , alheios . Agora é que ele nem podia pensar em abandoná-la . Achou melhor passar no Centro de Imprensa e avisar Patti que não poderia sair á noite , havia muito trabalho a fazer . E precisava falar urgentemente com Bernardão .
    Depois de uma garrafa de vinho , concluíram que o melhor , para a própria segurança de Tarso , era avisar aos jornalistas amigos que Blanquita era … uma agente secreta da repressão . Tarso estava vingando os perseguidos , comendo a ditadura argentina , era um herói da liberdade . Era pouco provável que alguém acreditasse . Mas se ele sumisse , já sabiam onde procurar .
    O Brasil ganhou fácil do Peru por 3 X 0 e pela primeira vez jogou bem , enquanto a Argentina vencia a Polônia apertado , por 2 X 0 . Na rodada seguinte a terra iria tremer em Rosário , no estádio Gigante de Arroyito , onde Brasil e Argentina se enfrentariam em jogo de vida ou morte : só um deles chegaria á grande final contra o vencedor do grupo de Buenos Aires .
    A maioria absoluta dos jornalistas brasileiros acantonados em Mendoza preferiu assistir à magna pugna pela televisão , tomando vinho e comendo queijo , sem coragem para enfrentar um vôo da Austral e , pior , a fanática torcida argentina no estádio e nas ruas de Rosário . Para Tarso era a oportunidade para um alívio da pressão de Blanquita , que tentou dissuadi-lo , ameaçou ir , mas acabou ficando em Mendoza , “ rezando por ele “ .
    Iria mesmo precisar . Depois de um vôo apavorante , com o avião sacudindo e balançando da decolagem ao pouso em Rosário , Tarso , Bernardão e alguns poucos heróis desembarcaram sob frio e chuva e dividiram dois quartos no Hotel Callao , a poucas quadras de onde se hospedava a Seleção Brasileira . Foi um grande erro . Não dos jornalistas , mas dos cartolas brasileiros , que escolheram um grande hotel no centro da cidade . Uma multidão de torcedores argentinos cercou o prédio e passou a noite gritando , buzinando , tocando cornetas , batendo bumbos , chamando os brasileiros de macaquitos , de negritos , fazendo uma barulheira infernal que não deixava ninguém dormir .

    “ Vamos , vamos Argentina, vamos , vamos a ganar , que esta barra quilombera , no te deja , no te deja de alentar “ .
    Não adiantou a hinchada cantar e gritar do início ao fim da partida . No Gigante do Arroyito superlotado , explodindo de paixão , a anunciada “ final antecipada “ da Copa do Mundo foi pífia e sem vencedores . Mais do que ganhar , os dois times não queriam , não podiam perder . Tarso viu um jogo nervoso , defensivo , feio , congestionado no meio de campo , com pouquíssimas oportunidades de gol , terminando num frustrante e aliviante 0 X 0 . O vencedor do grupo e finalista da Copa seria o que vencesse seu próximo adversário por maior diferença de gols . E brasileiros e argentinos estavam certos de vencer Polônia e Peru , respectivamente .
    De volta a Mendoza e aos braços , ás pernas , aos tentáculos e ás ventosas de Blanquita , Tarso estava confiante na vitória do Brasil , e por goleada . Berndão , nem tanto , temia por um cambalacho : a Argentina enfrentaria o Peru em Rosário já sabendo do resultado de Brasil X Polônia , em Mendoza , que seria jogado mais cedo , ás 17 horas .
    “ Me engña que me gusta “ , rosnava Bernardão , na mesa do bar Continental , “ a essas alturas o time do Peru já está recebendo suas malas de dinheiro . O goleiro do Peru , logo o goleiro , Quiroga , é um argentino naturalizado . E os milicos argentinos já devem estar negociando com os generais peruanos , que são todos corruptos . Para a ditadura ganhar a Copa é questão de vida ou morte , não tem preço , eles vão fazer o que tiver que ser feito “ .
    Blanquita ficava muda , com um sorriso congelado . Bernardão tinha prazer em torturá-la . Tarso se deliciava . Novos problemas começaram quando ele recebeu , no hotel , um recado de que Irene havia telefonado e ligou de volta . Ela estava com saudades , lembrava da noite deliciosa , perguntava se Tarso iria para a final em Buenos Aires , se quizesse podia ficar na casa dela . Havia até conseguido uma maconhazinha para eles fumarem .
    Informada do teor da conversa pela telefonista do hotel , com o número de telefone de Irene em Buenos Aires , Blanquita fez algumas consultas com seus colegas da capital federal e pouco depois já sabia das atividades subversivas e das prisões de Irene e de seu irmão . Essa gente gosta de brincar com fogo , Blanquita pensava e rangia os dentes , merece levar um suto . E se pendurava no pescoço de Tarso , cobrindo-o de beijinhos , na cama do hotel Puerta Del Sol , enquanto Damião roncava na poltrona do quarto do Bernardão .
    Mais tarde , no café do Centro da Imprensa , Patti estava preocupada , ele havia sumido . Trabalho , viagens , problemas , Tarso se desculpava . Cochichou para que ele tomasse cuidado ; havia sido seguida por um Ford Falcon , andaram fazendo perguntas sobre ela na faculdade – uma amiga da scretaria lhe contara . A víbora , o polvo , o abutre , pensou Tarso . Não podia enfrentá-la , isso só criaria problemas para Patti . Puto da vida , foi encontrar Bernardão no bar La Peña para traçar uma estratégia de sobrevivência , de liberdade e , se possível , de vingança .
    “ Sua sorte é ter 20 anos e pau para comer esta vaca , mesmo sabendo de udo “ , Bernardão sacaneava , “ se você precisar de ajuda , eu posso fazer o sacrifício “ .
    No fim da noite , depois de duas garrafas de vinho , tinham um plano de ação , achavam eles .

    Na véspera dos jogos decisivos , depois de comer Blanquita sem grande esforço – ela estava cada vez mais entregue , ávida e solta – e proveitando que ela estava no banheiro , Tarso fez mais uma vistoria na sua bolsa e viu que o revólver continuava lá .
    Saíram para jantar e , depois de muita carne e vinho , Tarso disse meio brincando , que talvez fosse precisar de uma advogada depois do jogo Brasil X Polônia . Pediu segredo e contou em voz baixa que um grupo de jornalistas franceses , italianos , americanos , ingleses , brasileiros , mexicanos , ia levar para o estádio uma grande faixa , dividida em dez partes , e cada um levaria uma , e a estenderiam na tribuna de imprensa , diante das câmeras de televisão do mundo inteiro :

    FUERA LA DITADURA, VIVA LA LIBERTAD

    Blanquita achou que era uma loucura , uma tonteria , tentou dissuadi-lo de todas as formas , seria preso , poderiam bater nele , sumir com ele . E nem ela nem nenhum advogado poderiam ajudá-lo . Blanquita sabia do que falava . Tarso voltou para o hotel sozinho .
    Depois de uma noite em claro , com a sua colega agente roncando na cama ao lado , Blanquita pôs um ponto final em seu relatório , com o coração partido , denunciando a conspiração e sugerindo revistas rigorosas nos jornalistas que entrassem na tribuna de imprensa . A manifestação não aconteceria , graças a seus esforços ; estaria prestando um serviço ao Estado e ao mesmo temp salvando seu amor de perigos que ele nem imaginava . Blanquita foi até elogiada pelo seu supervisor : o coronel Molina disse que a Argentina se orgulhava de jovens patriotas como ela . Uma vasta operação de revista foi montada no estádio , mas nada foi encontrado com os jornalistas que entraram na tribuna de imprensa . Ou a operação vazara e fora abortada , ou era um alarme falso . De Blanquita , por supuesto . O coronel Molina não gostou .
    No final , o Brasil enfiou 3 X 1 na Polônia e , com um saldo de cinco gols , exigiria que a Argentina , com saldo de dois , ganhasse de pelo menos quatro gols de diferença do Peru , para conseguir a vaga na final .
    Ainda na tribuna de imprensa do estádio de Mendoza comemorávamos não só a vitória mas a ótima atuação do Brasil , quando começou na televisão Argentina X Peru , no Gigante do Arroyito , em Rosário .
    Jogo duro no início , os argentinos nervosíssimos , errando passes , a torcida enlouquecida cantando e gritando sem parar , sob chuva torrencial , á beira de um ataque de nervos coletivo .
    Aos quinze minutos o Peru meteu a bola na trave e emudeceu o estádio . A Argentina só conseguiu fazer um gol na metade do primeiro tempo e , no finalzinho , o segundo . E assim os times foram para o intervalo. A Argentina teria que fazer mais dois gols no segundo tempo , com o time mais cansado e mais nervoso pela pressão . E não deixar o Peru fazer nenhum . Tarso e Bernardão bebiam vinho e comiam carnitas al carbon .
    Como em um roteiro predeterminado , em menos de seis minutos a Argentina fez dois gols e o estádio explodiu na noite gelada . Aos 22 minutos housemann fez o quinto gol e Luque fechou em 6 X 0 .
    O Brasil , mesmo invicto , estava fora da final da Copa , a Argentina enfrentaria a Holanda em Buenos Aires . Nós jogaríamos contra a Itália pelo terceiro lugar . Mudos , Tarso e bernardão pegaram um táxi para o hotel , fizeram as malas , pagaram a conta e foram para o aeroporto . Para despistar Blanquita , na saída Tarso pediu para a recepção fazer uma reserva no Hotel Libertador , em Buenos Aires , sabendo que a telefonista a informaria imediatamente .
    Quando a televisão mostrava o sexto gol da Argentina , Blanquita recebeu no apartamento do serviço em Mendoza as fotos e o prontuário de Irene Beatriz Marín , e não acreditou no que via . Não era possível que tarso a houvesse corneado com aquela bruxa , que tinha idade para ser mãe dele , e ainda era uma subversiva e uma inimiga do Estado . Mesmo se quisesse se vingar dela , ele não poderia ter feito pior , nem ter sido mais cruel . Arrasada , Blanquita se olhava no espelho do banheiro e chorava , borrando a maquiagem , com as fotos de Irene na mão , e Tarso no coração .
    Em Buenos Aires , Irene era visitada por dois agentes da Side com ordens para uma revista no apartamento .
    Três horas depois , no aeroporto de Ezeiza , Tarso esperava o avião que o levaria de volta a Porto Alegre , Bernardão ficaria em Buenos Aires para ver o Brasil jogar pelo terceiro lugar . E quem sabe comer alguém , ou até mesmo poderia dar a Blanquita uma oportunidade para se vingar de Tarso .
    Do telefone público , Tarso fez uma ligação a “ cobro revertido .” para Blanquita em Mendoza . Ela atendeu no primeiro toque .
    “ Cariño , onde você está ? Eu não tenho culpa do que aconteceu no jogo . Lamento muito , pobrecito . A que horas vai para Buenos Aires ? Em que hotel você vai ficar ? ,” , ela perguntava como se não soubesse que ele havia feito uma reserva no Libertador . Os alto-falantes chamavam os passageiros para Porto Alegre . Tarso saboreava a fuga vitoriosa :
    “ Abaixo a ditadura e viva a liberdade “ , sussurrou ao telefone , fez uma pausa dramática e caprichou no tom sarcástico : “ Adiós , Gladys Torres . “ . Olhou para a cara de Bernardão , soltou uma gargalhada e desligou . Teria muitas histórias para contar em Porto Alegre .
    Difícil seria acreditarem .
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    Vai o beijinho musical da noite ;

    http://www.youtube.com/watch?v=hjCoBTzrN9E

  19. Petraem 07 ago 2010 �s 20:03

    Daniel Favero

    Os recentes atrasos e cancelamentos nos voos da Gol teriam sido ocasionados por falhas no sistema de escala. De acordo com funcionários da companhia, a carga de trabalho aumentou de maneira preocupante, colocando em risco até a segurança dos voos. Para o pesquisador da área de transportes do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós Graduação em Engenharia (Coppe/UFRJ) Elton Fernandes, após o colapso da Varig, em 2007, muitos profissionais brasileiros migraram para o mercado estrangeiro, gerando um déficit no País.

    Os riscos à segurança ocasionados pelo cansaço não são um problema específico do Brasil. Pilotos americanos relatam incidentes após 14 horas de voo, e tripulantes de companhias do Oriente Médio afirmam que enfrentam uma carga horária até 55 horas maior do que a estabelecida pela legislação brasileira.

    A lei nº 7.183, de 1984, que regulamenta a profissão do aeronauta, estabelece que a jornada de trabalho, contada entre a hora da apresentação do tripulante e encerrada 30 minutos após a parada final dos motores, não pode exceder 11 horas diárias, 85 mensais, 230 trimestrais ou 850 anuais para tripulações simples.

    De acordo com os funcionários da Gol, o sistema de escalas comprado da empresa da companhia aérea Lufthansa, implantado em julho, não estava de acordo com a legislação brasileira. Os tripulantes reclamaram de excesso de horas de voos, trocas frequentes de diárias de escalas e acúmulo de funções. Uma comissária de bordo da empresa diz que eles passaram a ser responsáveis pela limpeza das aeronaves após as viagens. Em nota divulgada na terça-feira, a Gol afirmou que o seu quadro de 5 mil tripulantes tem a carga horária de trabalho de acordo com a legislação vigente do setor.

    O diretor de Segurança de Voo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Carlos Camacho, afirma que, após a adoção do novo sistema de escalas da Gol, o Crew Link, o número de denúncias contra a segurança ou contra a legislação trabalhista subiu 400%. “A média era de 85 denúncias por mês, no entanto, no mês de julho, em virtude de uma mudança nos regimes de escalas, esse número subiu para 345. Deste total, 95% eram referentes às práticas adotadas pela Gol”.

    A Gol alegou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que houve falha no software, no entanto, a fabricante do programa disse que obedeceu os parâmetros estabelecidos pela companhia aérea e que a Gol não relatou problemas.

    Para Camacho, as excessivas horas de voo representam um risco de segurança, principalmente para aqueles que trabalham no período noturno – entre 23h e 6h. “Ao enfrentar seguidas escalas nesses horários, a segurança é colocada em risco. Os hotéis brasileiros não estão preparados para receber um trabalhador que dorme de dia. Após 18 horas sem sono, a pessoa apresenta os mesmos sintomas de alguém que ingeriu duas ou três doses de whisky”, disse Camacho.

    Déficit de profissionais
    De acordo com o pesquisador do Coppe/UFRJ, as queixas dos tripulantes podem ser um reflexo da falta de profissionais no mercado de trabalho. “Os pilotos ou vêm da aeronáutica, ou passam por uma formação que é cara e longa. Com o colapso da Varig, muitos profissionais foram atraídos por ofertas na Ásia e no Oriente Médio. Muita gente foi embora, até mesmo, porque os brasileiros têm se adaptado muito bem ao exterior”, disse.

    Para ele, até então, as empresas negociavam com esses profissionais de forma muito “confortável”, mas com o aumento da demanda no mercado brasileiro, e também no resto do mundo, esse quadro pode ter se revertido. “Sei que o Oriente Médio não tem tradição em formar esses profissionais”, disse, afirmando que a Emirates Airlines tem cooptado profissionais no Brasil.

    Carga menor que no Exterior
    Apesar das reclamações dos aeronautas da Gol, o limite máximo de 85 horas de voo por mês, nos casos de aviões a jato, ainda é menor do que o enfrentado pelos colegas que atuam no exterior. Nos Emirados Árabes, por exemplo, esse teto varia entre 120 e 140 horas por mês, segundo afirma o comissário da Emirate Airlines, que vive em Dubai, Daubert Voltz.

    De acordo com outra comissária de voo da empresa árabe, Henriette Rainho, no Brasil, os colegas brasileiros são pressionados pelas empresas para ultrapassar os limites que voo para evitar cancelamentos. “O mesmo acontece com manutenção da aeronave, o que acaba sendo uma falta grave. Eles fazem voos mais curtos, mas com vários pousos e decolagens por dia”, disse.

    De acordo com ela, o Brasil tem fama de ser mais flexível com os funcionários na troca de escalas, e as empresas são conhecidas por “atuar por baixo dos panos” no que diz respeito à legislação. “A própria empresa aciona um funcionário em dia de folga ou coloca tripulantes que deveriam estar de reserva (substitutos) em alguma tripulação pra trabalhar, debaixo dos panos”, disse. No entanto, para ela, algumas dessas mudanças são em benefício da própria tripulação. “Se o último trecho de um voo é Rio – São Paulo, um tripulante carioca pode ficar no Rio e ser substituído por alguém que vai assumir, como extra, em São Paulo.”

    Fadiga é um problema mundial
    A fadiga é um problema recorrente na aviação internacional. A Nasa, responsável nos EUA pelo espaço e aeronáutica, possui o Sistema de Relatórios de Segurança, que reúne relatos anônimos de pilotos sobre e incidentes provocados pelo cansaço após horas de voo.

    De acordo com o último relatório publicado em janeiro deste ano, pilotos descrevem os efeitos do cansaço, após muitas horas de voo e frequentes mudanças de turnos. São incidentes de erro na determinação de rota, e outros procedimentos, além de vários outros relatos de excessivas horas de voo, descanso precário, e mudanças em escalas.

    De acordo com o relato de um dos pilotos, após quase 20 horas acordado, e trabalhando por 14 horas, ele notou os efeitos do cansaço ao protagonizar pequenos erros, na hora do pouso, que culminaram com a aeronave saindo da pista.

    “A empresa continua a operar com o mínimo de funcionários, em turnos alternados para cobrir múltiplos turnos. Muitos pilotos reclamam que a fadiga compromete a segurança, mas a companhia segue ignorando, e alega que os pilotos estão apenas cansados”, disse.

  20. Petraem 07 ago 2010 �s 21:05

    Boa noite , Dr. Maia !
    Me lembrei de sugerir para quem ainda tem Net e canais HBO o filme ” Enigma do espaço ” .
    Passará terça dia 10 ás 15:15 ; quinta 12 00:00;segunda dia 16 ás 18:00 ; sábado 21 ás 14:30
    No canal HBO PRI , canal 80 . É um filmão , tipo SCi/FI , vale a pena .
    Pode ser encontrado também em locadoras .
    Fica a dica .
    Beijinhos carinhosos .

  21. Amaury A. Guedesem 07 ago 2010 �s 22:19

    Trecho matéria Revista Piauí Agosto 2010 (Data venia, o Supremo)

    “A sessão de julgamento do supremo é geralmente uma farsa, um teatro contra producente”, opinou o professor Hübner Mendes. “Todos chegam com seus votos prontos e gastam horas apenas para lê-los em público. Eventualmente, até há alguma interação entre eles, uma pergunta, uma rápida discussão, mas quase sempre superficial, que nunca muda o voto de ninguém.”

    amaury.guedes@gmail.com

  22. Petraem 08 ago 2010 �s 03:44

    Bom dia , Dr. Maia !
    Voltei ao meu plantão da madrugada !
    Mais algumas informações sobre o filme sugerido , é um filme de 1999 com Johnny Depp e Charlize Teron . O nome em inglês é ” The Astronaut´s Wife ” .
    Enquanto astronautas fazem reparos externos na nave , eles ficam 2 minutos sem contato e comunicação com o centro espacial .
    Quando astronauta retorna a terra , para os amigos ele continua o mesmo , mas para a sua esposa algo nele mudou …
    É um suspense muito do bom , vale a pena conferir .

    Beijinhos carinhosos .

  23. Petraem 08 ago 2010 �s 18:04

    Boa tarde Dr.Maia !

    Transcrevo a crônica de Martha Medeiros do Globo de hoje ;

    ” Pai é um só ”

    Mãe é tudo igual , só muda de endereço .
    Não concordo 100% com essa afirmação , mas é verdade que nós , mães, temos lá nossas semelhanças . Basta reunir um meia dúzia num recinto fechado para se comprovar que , quando o assunto é filho , as experiências são práticamente xerox uma das outras .
    Por outro lado , quem arriscaria dizer que pai é tudo farinha do mesmo saco ?
    Históricamente , nunca foram supervalorizados , nunca receberam cartilhas de conduta e sempre passaram longe da santificação . Cada pai foi feito à imagem e semelhança de si mesmo .
    As meninas , assim que nascem , já são tratadas como pequenas ” nossas senhoras ” e começam a ser catequizadas pela campanha : ” Mãe , um dia voce vai ser uma ” . E dá-lhe informação , incentivo e receitas de como se sair bem no papel . Outro dia vi , uma menina de não mais de 3 anos empurrando um carrinho de bebê com uma boneca dentro . Já era uma minimãe . Os meninos , ao contrário , só pensam nisso quando chega a hora , e aí acontece o que se vê : todo pai é fruto de um delicioso improviso .
    Tem pai que é desligado de nascença , coloca o filho no mundo e acha que o destino pode se encarregar do resto . Ou é o oposto : completamente ansioso , assim que o bebê nasce já trata de sumir com as mesas de quinas pontiagudas e de instalar rede em todas as janelas , e vá convencê-lo de que falta um ano para a criança começar a caminhar .
    Tem pai que solta dinheiro fácil . E pai que fecha a carteira com cadeado . Tem pai que está sempre em casa , e outros que nunca estão . Tem pai que vive rodeado de amigos e pai que não sabe o que fazer com suas horas de folga . Tem aqueles que participamde todas as reuniões do colégio e outros que não fazem idéia do nome da professora . Tem pai que é uma geléia , e uns que a gente nunca viu chorar na vida . Pai fechado , pai moleque , pai sumido , pai onipresente . Pai que nos sustenta e pai que é sustentado por nós . Que mora longe , que mora em outra casa , pai que tem outra família , e pai que não desgruda , não sai de perto jamais . Tem pai que sabe como gerenciar uma firma , construir um prédio , consertar o motor de um carro , mas não sabe direito ser pai , já que não foi treinado , ninguém lhe deu uma dica .Ser pai é o legítimo ” faça voce mesmo “.
    Alguns preferem não arriscar e simplesmente obedecem suas mulheres , que têm mestrado e doutorado no assunto . Esses pais correm o risco de um dia também só trocarem de endereço , já que seguem os conselhos da mamãe-sabe-tudo , aquela que é igual a todas . Mas os que educam e participam da vida dos filhos a seu modo é que perpetuam o charme dessa raça dascinante e autêntica . Verdade seja dita : há muitas como a sua mãe , mas ninguém é como o seu pai .
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    Só não concordo com a Martha de que pai é um só . Nós , por exemplo , temos cada um o nosso biológico e mais o nosso coletivo ,que é o Sr. dr. Maia !
    Ou seja : dr. Maia, parabéns pelo dia dos pais !!!!!!!!!

    Beijinhos carinhosos .

    Resposta – Obrigado por esse carinho todo, Petra.

  24. carlos irmãoem 09 ago 2010 �s 10:07

    Dr. Maia, quanto dinheiro deixa de entrar em nosso país – perda de receita – com a extinção da nossa Varig. O BNDES poderia ter ajudado mas a política não deixou….

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    Das 58 novas rotas internacionais autorizadas este ano, apenas 11 foram alocadas para a TAM e a Gol
    AE | 09/08/2010 09:16
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    O crescimento vigoroso do setor aéreo no País tem estimulado o apetite das companhias estrangeiras pelo mercado brasileiro, aponta um levantamento feito pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

    Das 58 novas rotas internacionais autorizadas este ano, apenas 11 foram alocadas para as companhias nacionais TAM e Gol. Enquanto as empresas brasileiras expandiram em 43% suas operações para o exterior desde 2003, as estrangeiras cresceram 76,9%. “As empresas nacionais têm perdido participação principalmente nas ligações de longo curso, como para os Estados Unidos e a Europa”, diz Elton Fernandes, professor da Coppe/UFRJ e presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo (SBTA).

    “No início da década, existia um equilíbrio. As companhias brasileiras detinham cerca de 50% do mercado internacional, com liderança da Varig, antes do seu colapso”, explica o pesquisador.

    O avanço das estrangeiras é reflexo de uma política de abertura do mercado adotada pela Anac nos últimos anos, que inclui a instituição da liberdade tarifária e os acordos bilaterais, que permitem a operação de voos internacionais.

    O Brasil possui acordos com 78 países, dos quais 40 foram negociados a partir de 2008. O foco é a livre determinação, pelos países signatários, do número de voos e a escolha de rotas e cidades de destino. Segundo a presidente da Anac, Solange Vieira, essa é uma forma de expandir a aviação internacional. “Hoje os aeroportos de São Paulo e do Rio de Janeiro estão relativamente saturados. A tendência, para que este mercado cresça, é a distribuição de voos para outros aeroportos. Há alguns anos, praticamente só havia voos internacionais partindo dessas duas capitais”, diz.

    Exemplo disso é a American Airlines, que até 2008 voava apenas para Rio e São Paulo. Desde então, passou a ter voos para Belo Horizonte, Salvador e Recife. Hoje, a portuguesa TAP tem voos partindo de oito capitais brasileiras: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Natal, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  25. Petraem 09 ago 2010 �s 13:59

    Boa tarde , Dr. Maia !
    Em resposta à sua resposta : Carinho todo este , que o Sr. fez por merecer !!!!!

    Dito isto , vamos a mais um conto do livro de Nelson Motta ?

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    “ Noite quente no motel barato “

    Durante mais de vinte anos , até o final dos anos 80 , um motel a pé fez história em Ipanema . Sem garagens , o Agris funcionava em um pequeno sobrado decadente , com a pintura azul descascada , no final da movimentada Farme de Amoedo . O mais intrigante era a sigla abaixo do nome na portinha de entrada : P.HO. Perguntado , o porteiro respondia que era abreviação de “ Para Homens .” Ah, bom.
    Sem juízo de valor , apenas como referência de ambiente , sórdido é um qualificativo apropriado para o Agris . Para os anglo-parlantes , sleazy , lousy. Um “ Schiffo “ para os italianos . Um muquifo piolhento com oito apartamentos apertados em três andares , ligados por uma escada estreita e trôpega . Colchões de espuma esburacados , travesseiros murchos , lençóis de brancura duvidosa , mas o que se podia esperar por aquele preço , no coração de Ipanema ? O Agris custava um terço do preço de qualquer motel da Barra .
    Quem passava pela rua , e muita gente passava pela Farme de Amoedo , nem desconfiava . Com uma porta estreita e janela sempre fechada , o prédio podia passar por uma modesta clínica veterinária . A recepção era uma decepção . Numa saletinha , atrás do balcão , o porteiro sonolento recebia os pagamentos e entregava a chave , presa a um grande bloco de madeira com o número do quarto escrito á mão . . E ás vezes , advertia que o velho ar-condicionado ou o chuveiro elétrico daquele quarto estavam queimados . Não aceitava pedidos de desconto , era pegar ou largar . Mas , com uma gorjeta era possível trocar de quarto .
    Entre Ipanema e Leblon não havia nada pior do que o Agris . Também não havia nada melhor . Porque não havia qualquer motel naquela área residencial, comercial e turística , valorizada e familiar . O que não faltava era gente procurando um ninho de amor : pares formados nos muitos bares das redondezas , profissionais e clientes sem casa própria , romances proibidos e perigosos , encontros casuais que se tornavam urgências sexuais . Muitos que poderiam pagar um ótimo motel – embora mais distante , exigindo uma viagem de carro – acabavam no Agris . Eu fazia parte desta clientela fiel de infiéis , secretos , discretos e come-quieto . Os sem-carro , sem – casa ou sem-cama. Os sem –saco, ou com tesão demais , para viajar até a Barra . Por ser muito barato para os padrões de um motel , embora caríssimo por suas instalações , o Agris se tornou bastante popular e democrático . Seus quartos eram ocupados , muitas vezes , ao mesmo tempo por patrões e empregados , pobres , ricos e remediados , jovens de grana curta e coroas de mão-fechada , doutores e boçais , putas e madames , todos se encontravam no Agris P.HO.
    Foi lá que fui parar , mais uma vez , depois de encontrar Helena em uma reuniãozinha na casa de um amigo . Quando cheguei , já estava todo mundo muito doido , umas dez pessoas cheirando , bebendo e fumando , e falando sem parar . Como não gosto de cocaína e bebo pouco , e não suporto bêbados exuberantes e cafungueiros loquazes , pensei em ir embora logo depois de entrar . Mas o sorriso de Helena , esparramada no sofá , com as longas pernas saindo pela fenda lateral da saia indiana , brincando com os pés descalços no ar , me convenceu a ficar .
    Felizmente , logo o pó acabou e os convivas partiram em busca de novas aventuras .
    Ficamos só nós dois e o anfitrião , que estava torto de tanto pó e birita , já cambaleante , mas ainda gentil e afetuoso . Entregou o violão para Helena e pediu :
    “ Toca aquela da Bethânia “ .
    Para mim foi uma surpresa . Conhecia Helena como uma talentosa roteirista de cinema e televisão , cheia de imaginação e humor , com uma visão irônica das aventuras e desventuras do amor . Mas não imaginava que ela tocasse violão , e muito menos que cantasse . E tão bem !
    “ Quando você passa três , quatro dias desaparecida , me queimo num fogo louco de paixão ou você faz de mim alto-relevo no seu coração …”

    Era “Anjo Exterminado “ , um lindo bolero de Jards Macalé e Wally Salomão , gravado por Bethânia no início dos anos 70 .
    Com a saída da turma do cafunguelê , o apartamento estava em silêncio , o dono da casa deitado no tapete de olhos fechados , e eu ouvindo embevecido a voz de sereia de Helena , cantando e olhando nos meus olhos :
    “ Quando você passa três , quatro dias desaparecida , subo e desço , desço e subo escadas , apago e acendo a luz do quarto , fecho e abro janelas sobre a Guanabara “…

    Conhecia Helena havia bastante tempo , tínhamos trabalhado juntos nos roteiros de uma série de televisão . Não chegávamos a ser amigos , mas sempre nos tratamos com carinho e simpatia . Admirava o seu talento , gostava do seu humor , mas, sinceramente , até aquela noite , nunca me sentira atraído por Helena como mulher . Não que fosse feia , mas estava longe de ser uma gata . Tinha sua graça , belos dentes , uma boca bem desenhada , um bom corpo , mais para o magro . O que ela não tinha era um estilo , se parecia com muitas moças que se via pelas calçadas de Ipanema , talvez lhe faltasse um pouco de originalidade .
    Não naquela noite , naquele sofá . Ela era a única mulher do mundo naquele momento . Não que eu estivesse carente ou fosse um predador da noite .Pelo contrário , havia me livrado de um namoro incômodo fazia alguns meses e estava me sentindo muito bem solteiro , vinha me fazendo muito boa companhia . Foi o impacto da surpresa , acho , mais do que o adiantado da hora e os drinques bebidos , que favoreceram a minha descoberta de Helena . Além do seu sorriso de lábios rosados , suas pernas compridas e sua voz de sereia :

    “ Me queimo num fogo louco de paixões , anjo abatido ,planejo lhe abandonar , pois sei que você acaba sempre por tornar ao meu lar , mesmo porque não tem outro lugar onde parar “ .

    Quando Helena terminei aplaudi com entusiasmo , pedindo bis ; ela agradeceu , abaixando os olhos . Reparei que tinha ficado muito mais bonita com aqueles cabelos cacheados do que com os alisados que usava quando trabalhamos juntos .
    “ Por favor , é bis mesmo , toca de novo “ , pedi com meu melhor sorriso .
    Ela retribuiu.
    “ Eu posso tocar outra , se você quiser . “
    “ Não , não , é essa mesma , é muito linda , estou adorando como você canta “ . Me sentei no chão , bem na frente para ela .
    Helena sorriu , sentou-se mais para a frente no sofá , afastou as pernas e puxou a saia para cima dos joelhos , ajeitou o violão sobre a coxa morena , e começou de novo :

    “ Quando você passa três , quatro dias desaparecida … “

    Depois que Helena cantou pela terceira vez , a meu pedido a mesma música , o anfitrião deu boa-noite e saiu arrastando os pés para o quarto :
    “ Estou mortinho . A casa é de vocês “ .
    Helena pôs o violão de lado e abriu os braços para mim . Nos abraçamos e beijamos com carinho , beijos longos molhados , acendendo o desejo . Consegui sair dos braços dela e pedi :

    “ Só mais uma vez “ .
    Ela riu , pegou o violão e cantou . Melhor do que nunca , olhando nos meus olhos cheia de promessas , balançando as pernas entreabertas no ritmo da música , reparei como seus pés eram bonitos , bem tratados , com unhas pintadas de vermelho .
    Quando Helena terminou a música , “ mesmo porque não tem outro lugar onde parar “ , pensei logo que pararíamos no Agris , a poucas quadras onde estávamos .
    Saímos de mãos dadas e trocando beijos pela Visconde de Pirajá deserta , cruzada por um raro ônibus ou carro . Entramos na Farme de Amoedo e caminhamos três quadras até o Agris , passando por alguns bares ainda abertos .
    Um pouco constrangido , pedi desculpas pelo hotel . Ela riu , disse que já conhecia , que era sórdido , mas muito prático . Com uma cama , um banheiro e uma porta para fechar , era o que nos bastava , ela estava animada .
    Pegamos a chave , entramos no quarto e começamos a nos beijar .
    Para o porteiro Marivaldo , tudo corria normalmente naquela noite quente de verão . Ás 2h40 da madrugada , a fudelança seguia animada no Agris , quatro quartos estavam ocupados . Dois aparelhos de ar-condicionado zumbiam mas não funcionavam . Uma privada estava entupida .
    Um carro parou na porta e desceram dois homens . Tocaram a campainha , exibiram as carteiras de policiais , Marivaldo abriu e eles entraram :
    “ Assalto ! “
    Enquanto um apontava a arma para o porteiro trêmulo , o outro abria a porta e chamava mais dois comparsas que estavam no carro .
    “ Tranca a porta “ , ordenou o chefe , assim que eles entraram .
    Mandou baterem nos quartos e dizer que era a polícia , só para averiguação de documentos , que estavam procurando um bandido .
    Acho que fomos as primeiras vítimas , porque estávamos no térreo . Ouvimos a gritaria , homens andando pelo corredor , e, quando ouvi batidas e o grito “ polícia “ , eu entreabri a porta com cuidado . O bandido a escancarou com um pontapé , enfiou um revólver na minha cara e mandou que saíssemos . Não deixou nem que Helena se enrolasse no lençol : “ è todo mundo nu , ordem do chefe “.
    Apavorados , os quartos se abriam , o assalto era anunciado . Pelados e aterrorizados , os pares eram empurrados escada abaixo .
    Um a um , foram todos descendo , nus em pelo , cobrindo com as mãos as suas vergonhas , como adões e evas expulsos do paraíso pela espada flamejante de Jacaré , o chefe dos bandidos .
    Sob a mira dos revólveres , a massa compacta de pelados se aglomerava na saletinha de entrada . O porteiro apavorado , de braços levantados , rendido e trêmulo . Mulheres chorando , tentando se cobrir com as mãos e os braços . Homens assustados , quase todos porque , além de serem assaltados , estavam onde jamais deveriam estar ,muito menos com quem estavam , e fazendo o quê . Pior , só se a polícia chegasse e cercasse o Agris .
    Um dos problemas de um motel de bairro é que muitos freqüentadores moram nas vizinhanças e se conhecem , ou pensam que se conhecem , o que pode gerar encontros surpreendentes e desagradáveis . Morador há mais de vinte anos na área , conheço todo mundo , e o mais constrangedor , naquelas circunstâncias , foi testemunhar o encontro involuntário do empresário Nelito Sampaio e Maria Lucia Sampaio , pai e filha . Cada um com seu par , que não eram nem a esposa dele e mãe dela , nem Renatinho , o seu namorado . Mas isso só eles sabiam , e desviavam os olhos , separados apenas por alguns corpos nus , como os deles . Cochichei para Helena quem eram os dois , ela arregalou os olhos e sussurrou :
    “ Mentira . Não acredito . Que história , que história sensacional !”
    Os bandidos estavam enlouquecidos de tanto pó e anfetaminas misturadas com álcool , espumavam de tensão e excitação . Recolheram em um grande saco plástico de lixo relógios , jóias , bolsas , carteiras , tudo que houvesse de valor . Jacaré achou pouco . Mandou recolher em um outro saco todas as roupas dos casais , dizendo que eram coisa fina , ia dar para os pobres .
    “ Pega os chaveiros também , joga tudo no saco , vamos dar trabalho para esses putos “ , comandou Jacaré . Os sapatos , podia deixar . Mandou outro bandido juntar todos os lençóis e toalhas dos quartos e trazer para baixo .
    Com a ponta do revólver , mandou a roda de corpos nus abrir espaço para o monte de pano . Disse para um de seus homens pegar duas garrafas de rum em uma prateleira e esvaziar na pilha de lençóis e toalhas .
    Pressentindo o desastre , mulheres gritavam aterrorizadas , homens nus pediam clemência , misericórdia , pelo amor de Deus , perguntando , em vão , por que tanta maldade ? Helena firme , registrando tudo , escrevendo a sua história na cabeça . Eu escrevia a minha , imaginando quem seriam aqueles pares em tão insólita situação, que segredos esconderiam ? O que queriam aqueles bandidos ? Não era só dinheiro e jóias , queriam se divertir . Será que tentariam estuprar alguma mulher ? Sodomizar algum homem ?
    Helena pressentiu o meu roteiro e tentou me tranqüilizar , dizendo que no estado em que estavam , eles não seriam capazes de comer alguém . Tinha as minhas dúvidas , eles estavam elétricos , com os olhos esbugalhados , os músculos tremendo de excitação . Jacaré abriu um sacolé , esticou uma fileira grossa no balcão e aspirou profundamente , sacudiu a cabeça e deu uma risada com dentes podres e bafo de álcool . Acendeu um isqueiro e tocou fogo na pilha de pano . Enquanto os pelados gritavam e as labaredas cresciam , os bandidos saíram rápidos com os sacos , trancaram a porta por fora , entraram no carro que os esperava com o motor ligado e fugiram dando tiros para o alto e cantando pneus pela contramão , rumo á Lagoa .

    Com a porta arrombada a pontapés pelas vítimas descalças e desesperadas , a Frame de Amoedo foi abalada por uma manada de homens e mulheres nus em tropel desordenado , correndo como baratas tontas pela calçada . Os últimos bêbados dos bares não acreditavam no que viam e riam , gargalhavam . Seu Antônio , o português do botequim Sagres , pedia respeito pelos caídos e entregava seu avental imundo a um casal , oferecendo abrigo em seu banheiro .
    O casal preferiu aguardar por socorro abaixado atrás do balcão , mas ao ar livre . Para surpresa do seu Antônio , o casal era formado por Betão , conhecido machão da área , temido por quebrar bares e dar porrada em gays e simpatizantes , e o travesti Rúbia , uma gatona loura e linda , peituda e gostosa , embora com um pau enorme , muito maior do que o do Betão , que sua mão com longas unhas vermelhas mal conseguia cobrir .
    Um grupo de rapazes que passava de carro não acreditou no que via : um garotão e uma gatinha , muito gostosinha , nus em pelo , gritando e esmurrando a porta de um edifício , ás três da manhã , no coração de Ipanema . Pararam o carro , assobiaram , ofereceram carona , aplaudiram e seguiram . Eram Maria Lúcia e o rapaz que não era Renatinho implorando para entrar no prédio onde o pai dela e sua amante se abrigavam .
    Outro carro parou , uma garota saiu e bateu muitas fotos de todos nus , que tentavam se esconder trás dos carros . Ela era de Campinas , contando ninguém acreditaria ; tinha que mostrar as fotos depois . Só no Rio de Janeiro …
    “ Deve ser uma dessas performances de teatro “ , comentou uma amiga .
    Muito antes que o socorro chegasse , que amigos e familiares fossem avisados , que alguém fosse resgatá-los , nus e sem um tostão no bolso , perdidos na rua da amargura , antes mesmo dos bombeiros , chegavam a polícia e a imprensa , avisados pelo próprio Jacaré .

    Com todo o alarido , algumas janelas se abriram , um porteiro caridoso abriu a porta de vidro gradeada de um pequeno prédio de quatro andares e resgatou o pai de Mari Lúcia e sua amante Georgette . E fechou rápido a porta , deixando de fora a garota e o rapaz que não era o Renatinho . Enquanto o casalzinho esmurrava a porta , implorando para entrar , o porteiro gritava nervoso :
    “ menor de idade , aqui não “ !
    Uma senhora grisalha abriu a porta do apartamento em frente , de penhoar e muito assustada , e, quando viu a cena , logo a fechou . O porteiro bateu na porta com delicadeza :
    “ Não tem perigo , dona Raquel , eles foram assaltados , coitados . Será que a senhora podia fazer a caridade de emprestar um lençol , uma toalha , um pano qualquer para esses infelizes se taparem “ ?
    “ Infelizes é o cacete “ , rosnou Nelito , recebendo um olhar fulminante de Georgette , e sendo obrigado a reconsiderar . Se não eram infelizes , o que seriam então ? Roubados e pelados em Ipanema , às três da madrugada , com a filha e um estranho nus no meio da rua , cercados pela polícia e ouvindo as sirenes dos bombeiros .
    Com uma mangueira , o porteiro do prédio vizinho dominou o princípio de incêndio no Agris sob aplausos do público que se aglomerava em frente ao motel .
    Um táxi parou e o motorista levou um susto , pensou que estava sonhando , quando uma loura grandona e peituda , nua em pelo , com as mãos cobrindo as partes , abriu a porta do carro e se jogou no banco de trás :
    “ Por favor , meu querido , eu fui assaltada e agredida , me leva até Copacabana , eu pago o dobro da corrida quando chegar em casa , mas vamos sair daqui pelo amor de Deus “ , Rubia implorou com sua voz mais grave e sedutora , sentando-se em cima do pauzão e mostrando apenas o que parecia uma xoxotinha lisinha para os olhos extasiados do motorista no retrovisor . Faria a corrida até de graça . Quem sabe ganharia um algo a mais quando a levasse a salvo para casa ?
    “ Qual é o endereço , princesa ?”
    Betão esmurrava o vidro do táxi , tentava abrir a porta travada , nu em pelo , gritando palavrões e balançando o pau mole e o saco .
    “ Raspa daqui , moço , esse homem está louco “ , Rúbia implorou e o motorista obedeceu .
    Um policial segurou Betão e pediu que se acalmasse , ou voltaria para casa de camburão . Queria registrar queixa na delegacia ? O que tinham roubado dele ? Havia sido agredido ? Podia fazer um retrato falado dos bandidos ?
    Betão não disse uma palavra e saiu bufando de raiva . Morava a duas quadras do Agris e caminhou pela calçada até o seu apartamento , como se estivesse com as mãos nos bolsos e vestido da cabeça aos pés , sem ligar para os deboches e apupos dos vagabundos que assistiam à cena . Quem se metesse a engraçadinho ia entrar na porrada .
    Enrolados em um lençol velho , gentilmente cedido pela bondosa vizinha , Nelito e Georgette saíram do prédio como xifópagos e foram acomodados no carro da polícia , aplaudidos com entusiasmo e cercados por fotógrafos e repórteres pedindo declarações . Pior do que chegar em casa seriam os jornais do dia seguinte . Nelito se afundava no banco fedorento da viatura maldizendo o Agris .
    Maria Lúcia e o garotão que não era Renatinho correram para o carro dos bombeiros assim que o viram chegar e foram envolvidos em cobertores , como os queimados . Estavam torrados de vergonha . Como enfrentar o pai , e o resto da família , e o Renatinho , no dia seguinte ?
    Maria Lúcia chorava baixinho . O rapaz , embora feliz por ser alvo de tantas fotos , atenções e aplausos , começou a se dar conta da vergonha que sua namorada Camila passaria na faculdade , com os jornais rodando de mão em mão , sob deboches e gargalhadas . E pior , que humilhação para seu amigo Renatinho , tão gente boa .
    Eu e Helena fomos salvos por meu amigo Castelinho , que morava quase em frente ao Agris . Quando ouviu a barulheira , ele foi para a janela , me viu naquela situação e tomou providências . Fez um sinal para esperar e um minuto depois jogava pela janela uma sunga e um biquíni de sua mulher , que vestimos sob os aplausos e protestos do público . A sunga ficou meio apertada e o biquíni meio folgado em Helena , mas com um nó na lateral cumpriu a sua função .
    Éramos apenas um casal de banhistas boêmios e retardatários , amantes de mergulhos noturnos , voltando para casa e testemunhando um evento tragicômico de grandes proporções . Fui levar Helena em casa a pé , caminhando a seu lado , em silêncio , por Ipanema deserta .
    Cada um escrevendo a sua história na cabeça – a dela , o roteiro de um curta , e a minha , este conto .

    ____________________________________________________________

    A música que acompanha este conto é a música com a qual tudo começa entre Helena e seu par , em duas versões , uma com Bethânia ;

    http://www.youtube.com/watch?v=WHvsnuVdUbQ

    e com Jards Macalé , autor do bolero ” Anjo Exterminado ” ;

    http://www.youtube.com/watch?v=jUUQJ2OCTSY&feature=fvw

    Dr. Maia , abraços e beijinhos carinhosos recheados com virada de tempo , entrada de nova frente fria , e com gosto e sabor de pedaços doces de melancia .
    Não esquecendo de muuuuiita saúde , carinho e paz !!!!!

  26. Petraem 10 ago 2010 �s 05:57

    Bom dia , Dr. Maia !

    Antes de sair para o meu passeio matinal com Sophie aproveito para colocar mais um conto do Nelson Motta .
    Até o fim de semana acho que terei transcrito o livro todo , espero que alguém esteja lendo ( pelo menos o Sr. antes de liberar o comentário) e que achem interessante . Quem não deve achar interessante é o próprio Nelson Motta , que desta maneira está perdendo a venda de alguns exemplares . Tentei escanear mas ainda não me acertei com a multi-funcional , aí fico digitando . Passa o tempo , fico escutando músicas e é agradável .
    Dito isto , vamos ao conto :

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    “ Conversas roubadas “

    Depois de nossa noite quente no motel barato de Ipanema , comecei um romance com Helena . Nós dois trabalhávamos muito , ela em seus curtas e seriados , eu na publicidade e nos livros ; tínhamos pouco tempo para nos ver ; aproveitávamos cada segundo juntos . E chegamos até a voltar ao Agris P.HO. algumas vezes , quando minha filha Antônia estava passando o fim de semana comigo . Na casa de Helena era inviável , ela morava com um filho de 11 anos , que me odiava . A cama dela era um lugar sagrado para o edipozinho de Ipanema .
    Eu e Helena tivemos um bom ano . Ela conseguiu um novo contrato na televisão , com um ótimo salário , e també ia dirigir seu primeiro curta . O mercado publicitário esteve em ebulição , redatores foram valorizados , mudei de agência com grandes vantagens . E, ainda por cima , contrariando as minhas expectativas modestas , e mais ainda da editora , meu romance “ Noites Quentes “ foi um sucesso editorial . Pela primeira vez ganhei dinheiro com um livro .
    Fomos comemorar passando o fim de ano em Paris . Num fim de tarde gelado , estávamos bebendo chocolate quente no Café de Flore , tão cremoso e espesso que quase se podia comê-lo , quando ouvi , o que não é difícil em Paris , alguém falando português na mesa ao lado . Me virei sem muito interesse e vi uma jovem magrinha , de cabelos curtos e oclinhos , com uma aparência punk-chique , conversando com um jovem gay elegantíssimo , de terno de cashmere bege , camisa azul e uma bela gravata verde – escuro com um laço perfeito .
    Também era brasileiro , aparentava por volta de 30 anos e falava em francês fluente com um senhor que o apresentava à esposa :
    “ Mona mi Charles Ramos Bapttista , de L `Ambassade du Brésil “.
    Charlie curvou-se e beijou a mão da senhora , despediu-se com mesuras e voltou a conversar com a garota :
    “ Pink , você é uma louca , não precisa de mais nada , para que arriscar mais “ ?
    Me lembrei dos métodos criativos de Marçal Aquino , que se alimenta de conversas que ouve , entreouve , espiona , nas ruas , nos bares , em salas de espera , em ônibus , em qualquer lugar , para escrever suas histórias . Chega até a seguir , com discrição , casais na rua , se a briga for boa . Ali , ao alcance do ouvido , era irresistível . Ela estava arriscando o quê ?
    “ Sei lá , Charlie , para quebrar o tédio , estou há dois anos de bobeira , só viajando , desfrutando , comendo bem , dançando , comprando o que quero , dando uma transadinha aqui e outra ali , sem nenhuma preocupação , e até isso cansa , Charlie .”
    “ querida , você deu um golpe sensacional , ficou rica , com menos de 30 anos , pode fazer o que quiser com a sua vida … “ , Charlie falava como um amigo e confidente . Meus ouvidos e os de Helena entraram em sintonia fina .
    “ … só não pode abusar da sorte . Você já conseguiu tudo o que queria , mais , até ; se vingou do seu pai e ficou rica , você já tem uma vida feita , menina “ , completou Charlie , tomando uma taça de vinho .
    Se vingou do pai? Ficou rica ? Aquela punkzinha magrela de oclinhos ? Fiz um grande esforço para aparentar indiferença e me concentrar no chocolate , só trocando olhares elétricos com Helena .
    “ desde que conheceu o Jordi você mudou muito , nunca te vi assim , acho que você está ficando meio apaixonada … oh , l `amour “ , Charlie riu e levantou a taça em brinde .
    “ Para com isso, Charlie “ , ela cortou , “ não quero nada com ele , nós somos amigos , ele tem um projeto e eu estou interessada .No projeto , não nele . Você está é com ciúmes , seu possessivo . Não precisa se preocupar , você vai ser sempre meu melhor amigo “ .
    “ Eu não tenho nada contra , você sabe que eu gostei dele logo de cara , achei inteligente , charmosos , viril , eu adoro estes catalães . Aliás , hoje o embaixador me disse que está quase certa a minha transferência para o consulado de Barcelona no ano que vem . E aí com certeza também vou encontrar o meu Jordi “ , Charlie e Pink riram , cúmplices .
    “ Essa história de filme é arriscada , Pink , você devia só ficar comendo o Jordi , namorando , vendo filmes , falando de cinema e passeando pelo mundo .”
    “ Charlie , já te falei que nunca comi o Jordi , “ Pink foi incisiva .
    “ Mas comerá , e muito , e faz muito bem , ele está louco por você , é tudo que você quer . O seu erro foi contar a história das cafetinagens , espionagem e chantagens .”
    “ Mas eu contei a ele como se fosse ficção , uma história que eu havia inventado , e ele adorou , e ficou com idéia fixa de transformar em roteiro e filmar .”
    Epa ! Cafetinagens , espionagens e chantagens ? A coisa estava esquentando , enquanto o chocolate esfriava na xícara . O Marçal ficaria louco com essa conversa roubada .
    “ E agora não tem desculpa para não assinar como corroteirista , nem para não deixar fazer o filme . E se ele fizer sucesso , ou se pelo menos passar no Brasil , você vai ser identificada , caçada , pode ser presa e até morta . É esse o projeto ?”
    “ A menos que eu contasse para ele toda a verdade , que foi o que eu fiz “.
    “ Você é louca , Pink , está apaixonada e não sabe , você conhece o Jordi há dois meses , não sabe nem quem ele é ; essa história de “ grande talento do novo cinema espanhol “ é pouco , baby , você está colocando sua vida na mão do cara .”

    “ Ele é um cara sério , Charlie , um artista , um cara maduro , sofrido , que eu respeito ,que me respeita , ele entendeu tudo , sabe o perigo que eu corro , que não posso me expor , ele vai fazer tudo para me proteger . Mas eu sou a autora da história , mereço o crédito , em reconhecimentos e em dinheiro . E fizemos um pacto secreto . Criamos um pseudônimo para mim , que só eu e ele , e o advogado que vai receber por procuração , saberemos , “ Pink sorriu e lhe estendeu a mão :
    “ E agora você também sabe > Muito prazer , Francesc Picòn” . Os dois riram apertando as mãos . E pediram mais uma garrafa de vinho .
    Antes de o garçom voltar com o vinho , chegou um homem de uns 30 anos , moreno , alto e magro , com cabelos bem curtos , e se sentou à mesa com Pink e Charlie . Falava um portunhol diferente do que se ouve na América Latina , mais próximo do português de Portugal , que soa tão parecido com o catalão .
    “ Então , já contou tudo para o Charlie ?” , Jordi perguntou a Pink .
    “ Claro , e ele aprovou tudo , não é , Charlie ? Ele está do nosso lado , ele gosta de arte e de aventuras .”
    Jordi falou um pouco mais baixo , olhando nos olhos dos dois :
    “ Agora nós temos um pacto , um segredo , somos uma família mafiosa “ , e riu .
    De vez em quando era preciso trocar algumas palavras falsas com Helena para não parecer que estávamos ouvindo a conversa deles . Agora com Jordi sentado de frente para nós , tínhamos que fingir que falávamos muito baixo , quase aos cochichos , como conspiradores , mostrando que estávamos alheios a eles . Olhares se cruzaram com naturalidade , como parte do reconhecimento , mas não era possível saber que língua falávamos , e a nossa aparência , coberta por casacos , cachecóis e gorros , era bem cosmopolita .
    Eles continuaram , animados . O homem era o cineasta espanhol com que Pink estava envolvida . Mas a forma como Charlie o olhava ia muito além da admiração . Jordi estava muito animado :
    “ Hoje falei com Don Agustín , mandei uma sinopse , e ele ficou muito interessado . Conversei uma hora com o Carlos Domenéc , ele adorou a história e vem para cá escrever o roteiro comigo “ , completou , em tom cúmplice , para Pink . “ Conosco . O Carlés quer abrir o filme com a história daquele senador machão que mandou moldar seu próprio pênis em borracha e o levava para ser sodomizado pelas garotas “ .
    Os três riem , Jordi completa :
    “ E o homem tinha um instrumento enorme . “
    Continuam rinso ; Pink conta para Charlie :
    “ Foi a nossa primeira ação , o homem não acreditou , e nós inundamos Brasília com os filmeinhos e as fotos . Todo mundo ficou sabendo e depois disso o esquema começou a funcionar legal . O pesoal começou a pagar sem discutir muito . Depois do estrago o Raposão dizia para os amigos que preferia mil vezes ter pago o resgate do que explicar a história no sertão pernambucano . Ele foi nosso garoto-propaganda .”
    Todos riem . Nós fingimos não ouvir , fazemos força para não rir .
    Jordi contou que , apesar de todas as críticas , o seu filme estava entre as cinco maiores bilheterias da Espanha no ano e Don Agustín estava feliz . Que filme seria este ?
    Charlie também parecia animado , adorando fazer parte daquela cumplicidade . Disse que , se tivesse um bom roteiro e fosse bem filmada , a história poderia mesmo dar um ótimo filme , fazer sucesso , dar dinheiro .
    Helena o reconheceu de fotos em revistas , reportagens e críticas sobre o polêmico filme Turbilhão de Paixões . Era o catalão Jordi Serrat , me cochichou . Pelo que havíamos visto no filme sobre sua mãe bagaceira , que ainda passava em um cineminha de Saint Michel , mesmo sem ser nenhum gênio , Jordi Serrat sem dúvida sabia filmar , contar uma história . E estava ali na mesa ao lado , conversando com dois brasileiros . E sendo ouvido por mais dois .
    “ Vai ser muito divertido quando o filme passar em Brasília “, ria Charlie . Jordi também adoraria ver o filme exibido no cenário em que seria filmado , mas não pretendia pôr os pés no Brasil , não queria responder perguntas e colocar o sigilo em risco ; nas entrevistas diria que era tudo ficção , dele e de dois escritores catalães . Diria que era uma história internacional , que poderia se passar na Espanha , no México ou na Itália , e que escolheu o Brasil pelo cenário futurista de Brasília e por seus políticos pitorescos . E olhava para Pink com expressão protetora . Ela gostava .
    Então ele ia filmar a história real de uma punk-chique milionária , feita de cafetinagem , espionagem e chantagem . O Marçal ia ficar louca com esta , pensei .
    Quando estávamos no melhor da história , depois de tomar uma taça de vinho , Jordi se levantou :
    “ Então vamos , deixei o carro estacionado aqui perto “ .
    Não me restou outra alternativa ; mal tive tempo de pensar e agi por reflexo , por puro instinto . Me levantei e, me dizendo um admirador que o havia reconhecido , cumprimentei Jordi Serrat :
    “ Gostei imensamente do seu filme . Aliás nós gostamos muito “ , e o apresentei a Helena , “ somos roteiristas no Brasil , ela trabalha em televisão e eu , em publicidade . Somos fãs do cinema espanhol , aliás , de quase tudo espanhol “ ; me dei conta da gafe e corrigi a tempo , “ e mais ainda da Catalunha “.
    Ele foi simpático e receptivo , como qualquer diretor magoado com críticas ; Helena aproveitou e falou de Barcelona , dos seus cenários , seus personagens , que estava escrevendo uma história ambientada em Barcelona . Jordi engrenou um papo sobre os altos e baixos da Catalunha , de sua beleza , de sua cultura , de seu nacionalismo radical , mas , apesar de toda a sua modernidade , lamentou a mesquinharia , a inveja e o provincianismo da crítica cinematográfica e do ambiente de cinema .
    Me apresentei a Pink e Charlie , eles estenderam mãos moles e olhares blasés , enquanto Helena conversava com Jordi . Aos poucos eles se davam conta de que havíamos ouvido toda a conversa e, pior , que éramos brasileiros . Com certeza estavam repassando mentalmente tudo o que haviam falado , o que haviam dito de comprometedor que pudesse ser usado por estranhos . Afinal nós sabíamos até a identidade secreta de Francesc Picón . Se fôssemos policiais ou jornalistas , eles teriam problemas .
    Só nos faltava saber como aquela garotinha , que nem sequer era bonita , conseguiu ficar rica com cafetinagem , espionagem e chantagem em Brasília , mas , conhecendo os políticos brasileiros , não era difícil imaginar . Estávamos em franca vantagem sobre eles , não tínhamos nada a perder com o que já sabíamos . Pink chamou Jordi e nos deu boa-noite com um sorriso amarelo . Charlie foi mais gentil . Arrisquei tudo e disse para Jordi :
    “ Você sabe que está uma onda de roubos de histórias em Nova York ? E que agora também está acontecendo em Paris ?”
    Ele ficou interessado : “ Roubo de histórias “ ? Pink franziu a testa .
    “ Isso mesmo . O New York Times deu uma matéria contando que , como as editoras americanas começaram a comprar reportagens , relatos , narrativas , processos judiciais , qualquer coisa que julgassem possível de ser desenvolvida em livro , filme ou seriado de TV , piratas literários passaram a espionar escritores e jornalistas , a violar correspondências e latas de lixo , a invadir computadores de roteiristas , e até ouvir conversas em bares , clubes e restaurantes , para roubar histórias e vendê-las às editoras e produtoras de cinema . Uma boa história , verdade ou mentira , nunca valeu tanto “ .
    Jordi estava boquiaberto , Pink , ansiosa e irritada :
    “ Vamos , Jordi , senão vamos perder o filme “.
    Nos despedimos , eles pagaram a conta e saíram ; pedimos outro chocolate .
    A tentação era sair atrás deles , entrar em um táxi e dizer : “ Siga aquele carro “ , brinquei com Helena .
    “ nem precisava . É claro que ela está apaixonada por ele “ , Helena fez uma pausa , “ e a bichinha diplomata também “ , e riu , “ para começar já temos um triângulo bem original , e você sabe que um bom triângulo amoroso vale ouro .
    “ Se com tudo isso nós não conseguirmos escrever uma história divertida , só pode ser por preguiça ou incompetência “

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    Dr. Maia , abraços e beijinhos carinhosos com gosto e cheiro de mamão , recheados de saúde , carinho e muita paz .

    Carlos irmão ; que tal esta jóia enterrada na poeira do tempo ? É da mesma época do I´m not in love ;

    http://www.youtube.com/watch?v=D_P-v1BVQn8

    Beijinhos carinhosos .

  27. carlos irmãoem 10 ago 2010 �s 10:29

    Jornal do Commercio (PE) – 08/08

    OPINIÃO – Gol contra

    Alberto Dines

    Foi apenas um apagãozinho. Mais um: felizmente sem vítimas fatais. Funcionou como exercício de estoicismo, preparação dos

    usuários do transporte aéreo para as drásticas peripécias que nos aguardam nos próximos meses e anos.

    Tudo previsível: último dia das férias escolares de inverno, tripulações estressadas pelo aumento da demanda, poucas

    aeronaves de reserva, aeroportos saturados há muito tempo, condições meteorológicas adversas, típicas da estação. O caos

    instalou-se e concentrou-se na Gol na última segunda-feira porque a empresa lidera o transporte aéreo barato, mas poderia ter

    arrastado as concorrentes estabelecendo um blecaute de primeira grandeza.

    Jornais trombetearam manchetes indignadas, a Gol prometeu comprar aviões maiores (o que só agravará as próximas crises),

    autoridades prometeram pesadas multas, a charmosa presidente da ANAC, Solange Vieira, deu o ar de sua graça em

    Congonhas mas nenhuma providência estrutural foi tomada.

    Nem será. O sucessor (a), do presidente Lula só tomará posse em 1º de Janeiro e até lá teremos que nos preparar para a

    inevitável sucessão de eventos dramáticos quando começar a temporada de chuvas, nas vésperas ou fim dos feriadões de

    setembro, outubro, novembro e na temporada natalina.

    O problema não se resume à Gol. O problema foi criado há três anos quando o governo recusou-se terminantemente a intervir

    na Varig para evitar o seu desaparecimento. O BNDES não é hospital de empresas falidas, O mercado resolverá o problema

    proclamaram ministros e ministras do governo Lula estranhamente travestidos de neo-liberais.

    A mídia sempre temerosa de intervenções (ao contrário da congênere americana que tem aplaudido as intervenções do

    presidente Obama na indústria automobilística e no mercado financeiro), aplaudiu a opção empresarial e mercadista do

    governo.

    Assim, a celebrada e quase-octogenária Varig foi entregue de mão beijada a uma empresa com apenas seis anos de

    experiência no ramo da aviação e uma ficha algo estranha em matéria de negócios.

    Em 2007, depois da tragédia com o Airbus da TAM e já na condição de ministro da Defesa, Nelson Jobim colocou o dedo na

    ferida com a sua gauchesca bravura: a aviação comercial brasileira tem apenas um problema – o duopólio.

    Foi o mais conciso e acertado diagnóstico sobre a crise no negócio da aviação feito até hoje. A TAM não foi concebida nem

    jamais conseguiu preencher a função de national carrier ocupada pela Varig (como a Lufthansa na Alemanha ou a TAP em

    Portugal) e a Gol, oriunda do setor rodoviário, popular, é naturalmente vocacionada para as operações de baixo custo.

    Uma intervenção profunda na Varig com prazo limitado e poderes ilimitados teria salvo a empresa e produzido o tertius, um

    terceiro grande concorrente, capaz de manter o mercado equilibrado e o segmento em saudável expansão.

    Três anos depois, o ministro Jobim continua no cargo e o duopólio que denunciou continua punindo o usuário de aviões além

    de prejudicar o desenvolvimento do mercado e o segmento de empresas médias (Azul, Webjet ou Avianca). Duopólios são tão

    nocivos quanto os monopólios quando se trata de estrangular a concorrência, sobretudo em mercados como o brasileiro,

    impregnados pelo paternalismo e o corporativismo.

    A lambança aeroportuária da última segunda-feira é filha do duopólio que continua produzindo apagões, apagõezinhos e, em

    breve, apagãozões. A entrega da Varig à Gol foi um tremendo gol contra.

  28. neriaalvesem 10 ago 2010 �s 10:36

    Dr. Maia
    Bom dia!!!
    Como o sr. mesmo disse, haverão muitos “FINALMENTES”, e como a nossa ansiedade é grande, quando haverá o nosso “VERDADEIRO FINALMENTE”? Desculpe pela cobrança, mas o coração não cansa de bater forte!!!!!!

    Resposta – O primeiro passo é o desembargador decidir.

  29. Petraem 10 ago 2010 �s 11:27

    Pois é Carlos irmão , gol contra a sociedade , contra a população ( leia-se usuários dos transportes aéreos ) . Só não foi gol contra quem se locupletou e fez muuuito $$$$ com o verdadeiro ” negócio da ( do ) China ” , não é ?

    Para desestressar que tal uma musiquinha light de uma menina linda com uma voz mais linda ainda ?

    http://www.youtube.com/watch?v=gvH9Ccqk5qc

    Beijinhos carinhosos .

  30. neriaalvesem 10 ago 2010 �s 11:40

    Dr. Maia,
    Muito obrigada pela resposta. Agora é pedir à Deus que ilumine o Desembargador em sua decisão, não é mesmo?
    Saúde e força para o Sr.

  31. carlos irmãoem 10 ago 2010 �s 15:04

    Petra, a musiquinha do Gilbert Sullivan fez muito sucesso à época e nos tráz lembranças, por outro lado o penteado dele deve ser à base de laquê (rsrs).

  32. Petraem 10 ago 2010 �s 15:54

    Carlos irmão : o Gilbert O Sullivan podia fazer parte do 10 CC , layout para isso ele tinha ( rs,rs,rs,) .
    ___________________________________________________________________

    Agora vai um recado para o pessoal do Rio .
    Repassando :

    Olá pessoal ,

    Mais uma reunião do pessoal da ex-Varig, desta vez a festa será mais completa, não só o grupo da ex Varig, da atual Varig,mas também da Tam, da Gol, da Webjet, da Azul, da multicolorida etc. Vamos nos encontrar, como se fosse nosso antigo DO, para mais uma vez contar histórias do passado, para saber como está a vida no presente, até mesmo para fazer negócios, o que importa é não perder o vínculo que nos uniu por tantos anos. Me chamo Henrique Joriam, sou um dos donos do Brothers Hostel e outro abandonado pela Varig, esta será a quarta reunião e cada vez mais recebendo adeptos, venha vc tambem, ambiente descontraído, boa música, cerveja gelada e amigos do passado, existe por acaso combinação melhor?

    Reunião será no Brothers Hostel (www.brothershostel.com.br), rua Farani n°18 Botafogo, Rio de Janeiro, no dia 21 de agosto das 19hs30min até 1 hora da manhã.

    Abraço a todos…

    Se quiserem ver fotos de outras reuniões tem no meu orkut ou facebook (Henrique Joriam).

    Henrique Joriam

    Sócio / Gerente Brothers Hostel

    http://www.brothershostel.com.br

    Joriam@brothershostel.com.br

    Telefone: +5521 25510997

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    Beijinhos carinhosos .

  33. Petraem 10 ago 2010 �s 15:58

    Achei o artigo aterrador mas muito interessante .
    Me parece ter sido escrito por um português , e faz todo o sentido .
    Vale como alerta .

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    COMO FICARÁ A CHINA DO FUTURO???

    Luciano Pires
    (Luciano Pires é diretor de marketing da Dana e profissional de comunicação)

    Alguns conhecidos voltaram da China impressionados. Um determinado produto que o Brasil fabrica em um milhão de unidades, uma só fábrica chinesa produz quarenta milhões…
    A qualidade já é equivalente. E a velocidade de reação é impressionante. Os chineses colocam qualquer produto no mercado em questão de semanas… Com preços que são uma fração dos praticados aqui.

    Uma das fábricas está de mudança para o interior, pois os salários da região onde está instalada estão altos demais: 100 dólares.

    Um operário brasileiro equivalente ganha 300 dólares no mínimo que acrescidos de impostos e benefícios representam quase 600 dólares.

    Quando comparados com os 100 dólares dos chineses, que recebem praticamente zero benefícios…. estamos perante uma escravatura amarela e alimentando-a.

    Horas extraordinárias? Na China? Esqueça!!!
    O pessoal por lá é tão agradecido por ter um emprego que trabalha horas extras sabendo que nada vai receber por isso…

    Essa é a grande armadilha chinesa.

    Não se trata de uma estratégia comercial, mas sim de uma estratégia de poder.

    Os chineses estão tirando proveito da atitude dos marqueteiros ocidentais, que preferem terceirizar a produção e ficando apenas com o que ela “agrega de valor”: A marca.

    Dificilmente você adquire nas grandes redes comerciais dos Estados Unidos da América um produto “made in Estados Unidos”.

    É tudo “made in China”, com rótulo estadunidense.

    As Empresas ganham rios de dinheiro comprando dos chineses por centavos e vendendo por centenas de dólares…

    Apenas lhes interessa o lucro imediato e a qualquer preço. Mesmo ao custo do fechamento das suas fábricas. É o que se chama de “estratégia preçonhenta”.

    Enquanto os ocidentais terceirizam as táticas e ganham no curto prazo, a China assimila essas táticas para dominar no longo prazo.

    Enquanto as grandes potências mercadológicas que ficam com as marcas, com os designes… Os chineses estão ficando com a produção, assistindo e contribuindo para o desmantelamento dos já poucos parques industriais ocidentais.

    Em breve, por exemplo, já não haverá mais fábricas de tênis ou de calçado pelo mundo ocidental.

    Só as haverá na China.

    Então, num futuro próximo veremos os produtos chineses aumentando os seus preços, produzindo um “choque da manufatura”, como aconteceu com o choque petrolífero nos anos setenta.

    Então já será tarde de mais. E o mundo perceberá que reerguer as suas fábricas terá um custo proibitivo e irá render-se.

    Perceberá que alimentou um enorme dragão e que dele ficou refém.

    Dragão que aumentará ainda mais os preços, já que será ele quem ditará as novas leis de mercado pois quem manda é ele.

    É ele e apenas ele quem possui as fábricas, inventários e empregos. É ele quem vai regular os mercados e não os “preçonhentos”.

    Iremos, nós e os nossos filhos, assistir a uma inversão das regras do jogo que terão impacto de uma bomba atômica… chinesa.

    Nessa altura é que o mundo ocidental irá acordar, mas já será tarde.

    Nesse dia, os executivos “preçonhentos” olharão tristemente para os esqueletos das suas antigas fábricas, para os técnicos aposentados, para as sucatas dos seus parques fabris desmontados, etc.

    E então lembrarão, com saudade, o tempo em que ganharam dinheiro comprando baratinho dos “escravos” chineses, vendendo caro aos seus conterrâneos.

    E então, entristecidos, abrirão suas “marmitas” e almoçarão as suas marcas que já deixaram de ser moda e, por isso, poderosas.

    PEDE-SE A TODOS QUE REFLITAM E COMEÇEM A COMPRAR –
    JÁ – PRODUTOS DE FABRICO NACIONAL, FOMENTANDO O EMPREGO DO SEU SEMELHANTE, DO SEU AMIGO, DO SEU VIZINHO E ATÉ MESMO O SEU…
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    Beijinhos carinhosos .

  34. lucia pconseguiramaesem 10 ago 2010 �s 19:50

    Boa noite Dr. Maia. Com a verdade que lhe é peculiar , será que o sr. pode responder? Este julgamento é fruto de um consenso de ambos os lados dos que buscam o acordo ? pois este só será possivel se a justiça nos for favorável e claro o dinheiro só saíra rapidamente atraves de uma medida provisoria que o LULA assinaria ? Será que estou viajando na maionese ?

    Resposta – Você está se referindo a qual ação, a de defasagem tarifária ou a nossa ação civil pública? Se for a nossa acp, não há qualquer consenso, nem qualquer conversa com a União nesse sentido.

  35. Petraem 10 ago 2010 �s 20:02

    Repassando …

    Aumento real das aposentadorias garantido para 2011
    Lula sanciona Lei de Diretrizes Orçamentárias

    O aumento real para aposentados e pensionistas que ganham acima do salário mínimo está garantido por lei também para o próximo ano. O presidente Lula sancionou hoje, 10, o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2011, conforme aprovada pelo Congresso Nacional no dia 7 de julho.
    A COBAP, que participou de reuniões para a aprovação da LDO na Comissão Mista de Orçamentos, fará parte das negociações de novo índice de reajuste dos benefícios previdenciários, porém o resultado sairá somente após as eleições de outubro devido ao recesso branco no Congresso Nacional.
    Aposentados e pensionistas comemoram mais uma vitória para o segmento. “Ainda temos muitas lutas pela frente para conseguirmos de fato dignidade para nossa categoria, mas a garantia de um aumento real já pode ser considerada um avanço”, afirmou o presidente da COBAP Warley Martins.
    Para 2011, é prevista a meta de superávit primário de R$ 125, 5 bilhões, sendo R$ 81,76 bilhões para os Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social e R$ 7,61 bilhões para o Programa de Dispêndios Globais. O texto foi publicado nesta terça-feira (10) no Diário Oficial da União.

    Por Livia Rospantini – COBAP
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    Beijinhos carinhosos .

  36. Petraem 11 ago 2010 �s 07:21

    Bom dia , Dr. Maia !!!!
    Vamos a mais um conto do livro de Nelson Motta ?

    “ O cavalo “

    O abandono é uma merda . O ser humano aceita tudo – ofensas , injustiças , maldades – menos a rejeição . É isso que dói . Você sabe que ela não vale nada , que não serve para você , que vai fazer a sua infelicidade , mas mesmo assim você a quer . Pior : só porque ela não o quer mais . Todo mundo sabe : é uma estupidez , um sofrimento atroz e inútil , mas não se consegue evitar . Além de rejeitado , você se sente burro .
    Era assim que eu estava quando decidi aceitar a ajuda do amigo Britinho e acompanhá-lo ao terreiro de mãe Josefa , em busca de alívio para minhas dores permanentes e intoleráveis .
    Não havia remedos e em drogas , nem bebedeiras e nem análise que dessem jeito naquilo . Durante várias sessões , repetimos os argumentos à exaustão , a inutilidade de tudo aquilo , a impossibilidade de uma volta – concordávamos que seria apenas adiar um desastre ainda maior – , mas eu saía de lá pior do que havia entrado . Ou igual , o que dá no mesmo . Desisti da análise , não apareci mais , sem aviso .
    Não conseguia tirá-la da cabeça . E , vá lá , do coração e da memória . Pensava nela 24 horas por dia , havia mais de três , ou quatro , intermináveis meses . Estava possuído . Dialogava imaginariamente com ela todo o tempo , criando os cenários , as perguntas e respostas , dentro de minha cabeça . Caminhava como um zumbi pela calçada da orla , do Rio Vermelho ao Porto da Barra , vendo-a em todos aqueles corpos jovens tostando ao sol . No meu mundo de sombras , com a camiseta empapada de suor , imaginava-a ali , ao alcance de meus olhos e de minha voz . mesmo sabendo que ela estava longe , numa praia distante , com seu novo namorado . É duro a vida de corno .
    Não havia pior momento para ficar desempregado . Fui mandado embora do jornal sem motivos graves , além de atrasos habituais , desatenção ao trabalho e um certo número de faltas injustificadas . Corte de despesas , oficialmente . De certa forma , eu já esperava por isso . Mas não tão cedo , e muito menos naquele momento . Paciência . Saquei o fundo de garantia , consegui uma graninha do seguro-desemprego e arranjei uns frilas de futebol para um jornal de esportes de Portugal e para um jornalzinho de Feira de Santana .
    O maior problema do meu desemprego não é a falta de dinheiro . É o excesso de tempo de que disponho para sofrer com o abandono e a rejeição . Me sinto como um doente . Como deve se sentir um viciado em heroína , em síndrome de abstinência . Não sei como é , mas imagino > Uma amiga do ramo me disse que , com a heroína , você não tem vontade de nada , não pensa em nada , não quer nada – sexo , poder,amor , comida , carinho – você não precisa de nada , se sente em um estado de vazio pleno , de conforto total . O problema começa quando a onda passa . o tombo é proporcional à altura do coqueiro .
    Talvez por isso , diante de vários oferecimentos , eu nunca tenha experimentado . Vai que eu gosto ? Preferi não arriscar . Eu me conheço . ia gostar tanto que não conseguiria me livrar dela nunca mais . Era uma viagem sem volta : tudo que era prazer se tornaria dependência e sofrimento mil vezes multiplicados . Como um apaixonado que é abandonado .
    Achei melhor parar com tudo . Menos o álcool . Maconha me deprime , acentua a minha paranóia , me leva à confusão mental , a autocríticas devastadoras e a delírios persecutórios . Em vez de afastá-la de minhas lembranças , a faz mais presente e dolorida . Cocaína , nem pensar . A última coisa de que preciso agora é ficar ligado , excitado , aceso e agudo , falando sem parar , falando qualquer besteira para qualquer pessoa , ouvindo estranhos falarem compulsivamente sobre assuntos que não me interessam , quase sempre sobre eles mesmos . Porque só um assunto me interessa . Não posso imaginar pior pesadelo do que ficar acordado , rolando na cama, vendo o dia clarear na janela , pensando nela . Exausto , devastado pela tristeza , querendo desesperadamente apenas dormir . De preferência , sem sonhar . Porque ela também povoa os meus sonhos , que , de uma forma ou de outra , são vividos sempre como pesadelos . Ou quando os sonho , ou quando acordo com eles .
    Remédios , detesto . Evito sempre , mas tentei alguns hipnóticos e antidistônicos no início , com algum sucesso . Eles me davam uma acalmada , mas eu continuava pensando nela obsessivamente , sem descanso . Fazia alguma coisa ou falava com uma pessoa , mas o pensamento estava sempre nela , como uma vida paralela . Um tormento . Não havia remédio capaz de me livrar daquilo . Os antidistônicos serviriam para se tornar mais uma dependência . Não valiam o custo – benefício .
    Já o velho e bom álcool cumpre sempre a sua missão : embebeda , tonteia , torna inconsciente , apaga , obnubila . Funciona . Por isso , a sempre bem – sucedida associação entre cornos e bêbados . beber para esquecer , velho clichê sempre confirmado . Talvez seja o único alívio possível para uma situação como a minha . Prisioneiro de uma obsessão , escravo de uma memória , vítima de meus próprios sentimentos . De meu temperamento . De minha paixão pelo excesso . De minha mente conturbada . De minha burrice .
    Era assim que eu me sentia quando o Britinho tocou o interfone e desci para irmos ao terreiro de mãe Josefa . Vou lhes poupar de uma longa , ou mesmo breve , descrição do terreiro . Por melhor que seja , soará sempre como macumba para turista ou documentário terceiro-mundista mil vezes visto . Vamos direto ao que interessa .
    Parece que dei sorte , porque era o dia da comemoração de um santo , de uma entidade do candomblé , então a noite seria d festa e celebração . Podia até me dar uma aliviada , pensei , a caminho do terreiro , sempre pensando nela , a cada música que tocava no rádio do táxi , a cada paisagem que passava na janela . Britinho contava com uma história atrás da outra sobre as vibrações do terreiro e os poderes e feitos de mãe Josefa e de seus orixás . Eu fingia que ouvia .
    Abrindo caminho entre um monte de gente que se espremia em frente à porta da casa branca , Britinho conseguiu entrar no salão de piso de cerâmica e nos levar até a corda que separava os devotos do espaço sagrado onde os orixás dançariam incorporados em seus “ cavalos “ , as filhas de santo , chamadas de iaôs . No fundo da sala , como uma rainha africana , mãe Josefa sentava-se majestosa e obesa em um trono pintado de azul e dourado e puxava os cantos de devoção aos orixás , com o coro das filhas de santo . Ao seu lado , quatro homens repicavam os atabaques com vigoe e fé .
    Estavam todos de branco e descalços .
    Os devotos repetiam os cantos , as filhas de santo se prostravam diante de mãe Josefa e depois deslizavam pelo salão em passos miúdos e ritmados , de olhos fechados , convocando as divindades a se incorporarem em seus corpos . A batida dos atabaques crescia , os cantos se repetiam como mantras nagôs . os fiéis cantavam juntos e acompanhavam com palmas , o salão vibrava .
    De repente , uma filha de santo e logo em seguida outra se sacudiram como quem recebe um choque elétrico , fizeram caretas e esgares pavorosos , começaram a dançar de outra maneira e pareciam , não há como negar , possuídas por alguém ou alguma coisa . Tinham recebido um santo . Eram eles que dançavam dentro de seus corpos , que falavam pela sua voz , que olhavam pelos seus olhos . Se não eram eles , então quem seriam ? Elas não faziam aquilo sozinhas .
    Eu não acreditava em nada disso , feitiçaria barata , engana-trouxa , conversa fiada . Estava ali como quem vai a Lourdes em busca de uma cura milagrosa para uma doença do coração . E, vá lá, da mente . Bonito , era . Também meio assustador , um pouco selvagem e primitivo demais para o meu gosto . Mas gostava da batida dos atabaques , dos cantos e das danças ; cada orixá tem a sua , com seus passos , sua coreografia . Era bonito de ver e ouvir .
    A batida dos atabaques e os cantos me hipnotizavam , comecei a sentir uma tonteira , tentei me apoiar no Britinho , mas fui arrebatado para o centro da roda por alguns braços e uma força estranha e desconhecida , a sala começou a girar , as lâmpadas piscavam , o ritmo dos atabaques e o volume das vozes cresciam , ondas de calor emanavam dos fiéis que lotavam o terreiro . Daí para diante não me lembro de nada .
    Acordei em um quarto pequeno e sem forro , de paredes caiadas , com esteiras no chão e uma lâmpada nua no teto , onde eu estava deitado em uma cama estreita baixa . Era como se voltasse de uma anestesia geral . Ou de uma prise de lança-perfume . Ao lado da cama , duas filhas de santo passavam panos úmidos no meu rosto suado , meus olhos se abriam como se estivesse dormindo havia muito tempo , um cheiro forte de arruda perfumava o ar . Ou seria alfazema ? Alecrim?Onde eu estava? O que teria acontecido comigo ?
    Meus lhos encontraram os de Britinho , acocorado ao lado da cama , ele sorriu meio desajeitado , mas fez um sinal com o polegar de que estava tudo bem , que eu estava bem , entre amigos . As filhas de santo responderammeus olhares sorrindo com doçura . Uma delas era uma lindeza de morena , com seus dentes branquíssimos e seus olhos amarelos e amendoados , se chamava Domícia . A outra , Dandara , me ofereceu um copo de água de coco .
    Como um mecanismo pré-ajustado , a figura feminina deflagrou em mim um processo que levou à fusão daquele rosto com aquele outro , que não precisa nomear e que quero tanto esquecer . será que quero mesmo ?
    Ali , naquele momento , pelo menos , parecia que sim . Me entregaria feliz aos tratos espirituais e corporais de uma sacerdotisa, ou das duas , porque a outra não era de se jogar fora . Ainda mais no estado em que eu me encontrava .
    Tentei me levantar e o Britinho fez sinal para eu ir devagar . Me sentei na cama , não senti nada , levantei confiante . Me despedi de Domícia e Dandara com agradecimentos e beijinhos e elas nos levaram até a porta do terreiro .
    No táxi , Britinho meexplicou que eu tinha pego um santo . Que dancei como as filhas de santo , cantei com uma voz que não era a minha cantos de candomblé que não conhecia , numa língua que eu não falava . Puta que o pariu , Britinho , só me faltava essa ! Corno , desempregado e agora virei cavalo de santo . Me afundei no banco do carro , de volta para casa , sempre pensando nela , como em um universo paralelo .
    Tomei um litro de água e dormi como uma pedra . Sem sonhos .
    Acordei com o sol entrando pela janela , pássaros cantando em volta da grande mangueira que chegava até a minha varanda . Estava com muita fome . Fiz café , esquentei leite , fritei ovos , torrei pão , espremi laranjas , me sentei à mesa como um hóspede de luxo em minha própria casa . Comi e bebi com um prazer que não experimentava desde que ela havia partido .
    Só quando acabei de comer notei que , desde que acordara , quando estava fazendo café e depois comendo e bebendo , ainda não havia pensado nela . Até que pensei . Que não estava pensando . Ela veio como uma sombra dentro da minha cabeça , mas logo se esvaneceu , e me concentrei em lavar a frigideira , os pratos , a xícara e o copo , com toda a atenção e todo o cuidado para que não escorregassem , não se quebrassem e, eventualmente , me cortassem .
    Era um recorde .Mais de meia hora livre daquela obsessão . Isso não acontecia havia mais de três meses . Acendi um cigarro e li o jornal inteiro , de cabo a rabo , inclusive turfe e anúncios funerários , quase duas horas com a cabeça desocupada de demônios e fantasmas , concentrado na vida real lida como se fosse ficção .
    Debaixo do chuveiro , me ensaboei e me esfreguei com força com a bucha , esquentando e avermelhando a pele dos braços , pernas e peito , sob a água quente , muito quente . E depois fria , muito fria.
    Saí titilando e batendo queixo , me esfreguei vigorosamente com a toalha até ficar ofegante , mas seco e bem-disposto .. Meu corpo parecia rejuvenescido , me sentia com uma energia diferente , mais próxima de antes do que de ontem . Ela me vinha à memória brevemente , como uma foto antiga , num porta-retratos de prata . Estaria mesmo me livrando daquela obsesão ?
    E ontem, . no terreiro? O que terá acontecido de verdade? Será que desmaiei ? Ou tive , sei lá , um ataque epilético , uma convulsão ? Faço um esforço para tentar me lembrar de alguma coisa , enquanto caminho pela calçada da orla aspirando o ar fresco da manhã . O fato é que gasto mais tempo pensando na filha de santo de olhos puxados do que “ naquela pessoa “ . Um milagre ? Minha graça terá sido atendida? Caminho com naturalidade , como qualquer pessoa que passa por mim, pensando em seu trabalho , seus problemas , suas perspectivas , seus desejos , suas necessidades , olhando a vida passar em volta e comentando-a consigo mesmo – e não pensando apenas em uma pessoa . Sou invadido por uma deliciosa sensação de liberdade . E um forte cheiro de maresia .
    De volta para casa , antes mesmo de qualquer pensamento , como se obedecendo a uma outra vontade , comecei a arrumar tudo que estava fora do lugar , o que quer dizer quase tudo entre o quarto , a sala , a cozinha e o banheiro . Estranho , muito estranho . Além de óbvio como metáfora – o cara que quer arrumar sua cabeça e seus sentimentos e arruma a casa -, uma pobreza estilística na vida real . O fato é que , durante todo o tempo em que me mantive ocupado em arrumar a casa , minha cabeça esteve livre , voando entre notícias de jornal , pessoas que vi na calçada e na praia , o velho mar de Amaralina , a iaô de olhos puxados .
    O telefone do Britinho não atendia .Tentei marcar uma hora no analista , mas ele só podia me atender no fim da tarde . Escrevi minha matéria sobre a rodada do campeonato brasileiro para o A Bola de Lisboa e mandei , lembrando que os pagamentos estavam atrasados duas semanas . A conta no banco , zerada . A vida estava voltando ao normal .
    Almocei no restaurante a quilo na esquina de casa e , mal saí do elevador e entrei , fui tomado por uma sonolência quase irresistível . Só tive tempo de tirar os sapatos e me jogar no sofá da sala . Acordei quando já estava escurecendo . Porra , será que dormi a tarde inteira ?
    Estava todo suado , mas me sentia bem , descansado . Tomei outro longo banho de chuveiro , me vesti todo de branco e peguei um táxi para o terreiro . O telefone do Britinho continuava não atendendo .
    Mas o terreiro não era cinema nem teatro , não tinha sessão todo dia , me explicou a senhora gorda e mal-humorada que abriu a porta . Perguntei se podia falar com mãe Josefa . Tinha um problema sério e só ela poderia me ajudar . Ela quase riu na minha cara .
    “ E a Domícia , posso falar com ela ?” , insisti .
    A sacerdotisa de olhos puxados apareceu por trás da velha ranzinza . “ deixe comigo , tia , que eu atendo “. Abriu a porta e saiu para falar comigo .
    Seu sorriso brilhava ao sol como um espelho , sob seu nariz fino e atrevido , seus olhos negros e puxados :
    “ Gostou , é ? Quer pegar mais um santo ?”
    Sorri meio encabulado com a desenvoltura dela :
    “ Não , eu queria mesmo era falar com mãe Josefa , ou com alguma pessoa , com você , saber direito o que aconteceu comigo “.
    Ela sorriu , divertida com a minha ignorância :
    ! Ora , você pegou um santo e pronto . Não é tão difícil assim . Não pecisa de nenhuma aptidão especial . Eu mesma recebi muitas vezes .

    Domícia era uma morena jambo de 23 anos , estudante de enfermagem e sobrinha de mãe Josefa . Foi “ feita “ no santo aos 14 anos e está sempre presente nas festas e no trabalho do terreiro .
    “ Você pensa que santo é feito táxi , que você pega o primeiro que vier ? É o santo que te pega , seu moço , e quando ele quer . “
    Eu ri , não havia outra coisa a fazer , me senti meio ridículo ali , todo de branco , como quem está prontinho para receber um santo com hora marcada .
    “ Queria só falar com mãe Josefa , para que ela me explicasse o que aconteceu comigo . “
    “ e explicar o quê ? Se aconteceu , aconteceu e pronto , não foi melhor assim ?”
    Me senti desconcertado .
    “ É verdade , eu estou me sentindo muito melhor e… “
    “ …e pronto , é isso que interessa , não é ? “ , cortou Domícia sorridente , “ e para que é que você quer saber? Para nada . “
    “ Queria saber o que eu disse , o que fiz , eu não me lembro de nada “ , falei baixo . Ela riu .
    “ Nada que possa te envergonhar . Só cantou e dançou , e muito bem , com muita energia , o orixá deve ter gostado do cavalo . Dançou a noite inteira “ .
    “ Como assim ? Quanto tempo eu fiquei neste … transe ?”
    “ Sei lá , o normal , umas duas a três horas “.
    “ Meu Deus , é por isso que eu estava tão cansado ; com 45 anos , fumante , bebendo e sedentário , dançar três horas direto , e ainda por cima carregando alguém nas costas , uma entidade que nem sabe quanto pesa .”
    Ela riu e me disse :
    “ Volte amanhã , que tem festa de novo . Chegue cedo para pegar lugar . Estou te esperando , hein? , me deu um beijo no rosto e entrou .
    “ Domícia “ …fiquei parado com o gesto no ar .
    Fiquei zanzando pelas redondezas , tomei um lanche num boteco , discuti futebol , voltei para casa me sentindo leve e bem alimentado . Dormi como um anjo , sonhei com paisagens de minha infância , minha mãe e meu pai jovens , devo ter acordado sorrindo . Puta que pariu , que milagre !
    Passei o dia muito bem , a manhã inteira na praia de Stella Maris , lendo jornal e mergulhando no mar tranqüilo , procurando anúncios d empregos , telefonando para possíveis empregadores , oferecendo meus serviços para uma agência de publicidade , a vida normal de um desempregado baiano . No meu caso , mais parecia estar fazendo hora para voltar ao terreiro . E ao Oxossi Caçador ! No fim da tarde , tomei um banho e, todo de branco parti para o terreiro . Cheguei cedo , fui um dos primeiros a entrar , consegui ficar colado à corda , próximo ao trono da ialorixá . Com a casa cheia , soaram os atabaques . Mãe Josefa entrou majestosa e se sentou no trono , cercada pelas iaôs . Atrás das cordas , os devotos acompanham os cantos com palmas ritmadas .
    Por mais que eu quisesse , que me dispusesse , que me oferecesse ao santo – não só a Oxossi , mas a qualquer um dos que dançavam incorporados nas iaôs -, nenhum me queria . Entre as iaôs , Domícia , que estava tomada pelo seu orixá e não me reconheceu . Fui apenas um espectador , o último a sair . Tentei falar com Domícia e me disseram que ela estava descansando , como mãe Josefa e todo mundo ali . Que era o que eu também deveria fazer .
    Noite alta , caminhei por mais de uma hora do terreiro até a beira do mar , passando por partes desertas da cidade adormecida , sem medo nenhum , embora Salvador não seja das cidades mais seguras do hemisfério Sul . Achava que por estar saindo do terreiro , todo de branco , estaria de alguma forma protegido , como se os assaltantes baianos não se vestissem de branco nem freqüentassem terreiros .
    Tentei me imaginar como um iluminado , procurando respostas e soluções nas estrelas que brilhavam no céu de verão . Nada . Na beira do mar , com os pés na água e as calças arregaçadas , olhando o céu como um bobalhão , sem entender nada . Talvez o efeito da magia tivesse passado .
    Passei a noite sentado na areia , olhando as estrelas até o pescoço doer , pensando em tudo da vida e da morte , menos nela . Quando o dia amanheceu , senti que estava mesmo curado . Me sentia mais seguro , até tentei me lembrar dela , como um exercício para testar a minha firmeza , e nada , o que me veio foi só uma nuvem branca de olvido .
    De volta para casa , encontrei vários recados do Britinho na secretária . Só então notei que meu celular estava desligado desde que entrei no terreiro . Estava muito cedo para ligar para ele . Tomei um banho , o café da manhã , e fui ler o jornal e pensar no que fazer do dia , quando o telefone tocou . Britinho estava preocupado , passara o dia fora trabalhando fora da cidade , sem acesso , e depois não me encontrava em lugar nenhum.
    Sim , eu estava bem , muito bem , de um jeito ou de outro a coisa tinha funcionado , parecia liberto da obsessão .
    “ É como se você tivesse sido exorcizado “ , ele disse , rindo , “ está prono para outra rebordosa “”.
    E assegurou que “ só se cura um amor com outro . Por enquanto você está convalescente , só vai estar completamente curado quando se apaixonar outra vez e …” , fez uma pausa dramática , “ ser corneado de novo e voltar ao terreiro “ , gargalhava , sórdido , o Britinho , “ é o nosso destino , meu irmão “.
    Dediquei o dia inteiro a pesquisas acadêmicas e jornalísticas sobre o mistério do transe , que se revelaram inúteis , embora muito interessantes . É unânime , entre religiosos e cientistas , que discordam sobre tudo , mas concordam quanto aos que entram em transe , e não só nos terreiros de candomblé : as pessoas nunca se lembram de nada . É da natureza do transe o seu olvido . A respeitadíssima mãe Stella de Oxossi , do Ilê Axé Opô Afonjá , ialorixá considerada uma intelectual do candomblé , que dá palestras e trabalha com um laptop , é sucinta : “ O transe é inexplicável “ .
    Sob influência da psicologia européia , estudiosos como o célebre médico e antropólogo baiano Nina Rodrigues classificavam o “ estado de santo “ como histeria . Seu colega psiquiatra e antropólogo famoso , Arthur Ramos , o considerava uma demonstração de esquizofrenia . A verdade é que o transe , como fenômeno psicofisiológico , é encontrado em diversos grupos culturais , que lhe atribuem significados diversos , mas a cultura ocidental , cartesiana, com a tradicional divisão entre corpo e mente , se mostra incapaz de explicá-lo racionalmente , diz a psicóloga francesa Monique Augras .
    No fim da tarde , o analista ouviu o meu relato da possessão com uma mistura de incredulidade e condescendência que me provocou grande irritação . Atribuiu ao tratamento psicoanalítico o que chamou de desfecho natural de um processo de crescimento , me cumprimentou pelos progressos e acabou me sugerindo fazer um eletroencéfalograma , só por precaução . Quase o mandei á merda , paguei contrafeito , me sentindo roubado . Não vou mais voltar a esse charlatão . O candomblé é mais confiável e dá mais resultados .
    “ Diga aí , Britinho , o que é que rola ?”
    “ Tudo beleza . Vamos tomar uma cervejinha “ ?
    “ Estou aqui no Porto da Barra , no quiosque do Argentino “.
    Várias cervejas depois , não havíamos chegado a nenhuma conclusão , mas comemorávamos o resultado final . Nem querendo eu conseguia pensar nela ; era como se tivesse sido apagada de minha memória , como se nunca a tivesse conhecido .
    “ Pêra lá , aí também é demais “ , protestou o Britinho , “ não lembra de mais nada , nadica de nada ? Depois de um ano de paixão desvairada e de meses de sofrimento obsessivo ?”.
    “ Pois é o que lhe digo , seu Britinho “ , eu me sentia sólido e seguro , “ a gente às vezes exagera , mas o passado passou “ .
    De volta para casa , senti um vazio diferente , incômodo . Tudo me parecia meio estranho à volta , como se nunca estivesse estado ali . Os móveis e objetos me pareciam diferentes dos que eu conhecia , embora a atmosfera dos 40 metros quadrados me fosse familiar . Não podia ser só a cerveja . Mal consegui chegar até a cama , desabei sem tirar os sapatos .
    Acordei numa ressaca danada , a cerveja fermentada no estômago vazio fazia a cabeça latejar e provocava náuseas e tontura . Era natural . depois do chuveiro , tomei café e li o jornal e estava me sentindo bem melhor do que havia acordado .
    Trotando pela calçada , pensava , então , eu era um cavalo . Beleza . Desde que não fosse para ser montado ou para puxar carroça , tudo bem . Receber um santozinho de vez em quando , dar uma dançadinha , isso não pode fazer mal a ninguém . No meu caso , muito pelo contrário . Me livrei da rebordosa amorosa num passe de mágica e me sinto outro homem , isto é , o mesmo de sempre . Só que mais misterioso .
    Cabeça vazia , oficina de Satanás . Caminhando a esmo , imagino formas , jeitos e maneiras de usar a minha mediunidade , ou , digamos , “ receptividade para entidades “ , em benefício próprio . Para , sei lá , ganhar no bicho , arranjar um emprego , saber se a mulher está traindo o marido . Mas como , se eu não me lembro de nada do que vi , ouvi , senti ou pensei durante o transe ? É , os santos não são bobos , não iriam dar uma moleza destas para os seus cavalos .
    Bem que o Britinho falava , quando tentava me levar até a mãe Josefa , que aquilo era um sacerdócio , que elas levavam vidas de sacrifício , dedicadas à caridade , como freiras católicas . Só que sem pecado e culpa . Seus dons de clarividência não poderiam ser usados para o mal , sob pena de se voltarem contra quem o desejou . “ A lei do retorno é um dos pilares do candomblé “ dizia ele , “ cuidado com os seus desejos : eles podem se realizae “.
    É verdade , eu não só desejava , como precisava muito , com urgência , me livrar daquela obsessão . Mas também não queria esquecê-la de todo , afinal , ela deve ter sido muito forte e importante em minha vida para causar tanto estrago .
    Porra , é como se a minha história pessoal tivesse um buraco , um branco , um buraco negro , naquele determinado período , quase todo consumido com ela , bebendo , cheirando cocaína e fodendo . A conversa era só pretexto para beber , cheirar e foder . Uma relação bastante doentia , por supuesto , sendo ela uma psicóloga argentina . Mas não para ser apagada para sempre da memória . Assim , nem sequer aprendo com todos aqueles erros . Paciência . Não se pode querer tudo . Já foi um grande lucro ter me livrado daquele encosto . A superstição pode ser barata , mas a imagem é eloqüente , alguém que encosta seu peso e sua frustração em você , que impede ou dificulta seus movimentos e a sua ação , que parece colado a você , como uma mochila pesada e permanente . Desta estou livre , eu acho .
    Já havia algum tempo que eu queria me livrar dela . A vida devassa e transgressiva se tornava , bem , outra rotina . O mais difícil não seria passar sem aquele sexo incendiário , sem sua perversidade cúmplice , sua alma de puta ; seria vê-la passar , ou mesmo imaginá-la dando aqueles prazeres para outros homens . Eu não a queria mais . Estava viciado nela , dependia dela , não a queria por vontade própria , por escolha , estava preso naquele ritual diário de nos embebedarmos , cheirarmos e fodermos até apagar na cama e acordar no dia seguinte no meio da tarde .
    Que futuro teria aquilo para mim? Ela queria família e filhos . Só se eu fosse mais louco do que ela , eu pensava nos intervalos de lucidez . E, no entanto , caminhávamos para isto , estávamos procurando um apartamento para abrigar a nossa futura família . Ou eu aceitava ou era a prova definitiva de que não a amava de verdade , de que tinha medo de dividir uma casa com ela , de que não queria ter filhos com uma maluca drogada como ela . Neste caso , ela não ficaria comigo e buscaria novas parcerias – hipótese intolerável .
    Só que ela devia estar um pouco apressada , e entre uma visita e outra a um apartamento para alugar , acabou reencontrando um ex-namorado e se tornou a sua amante . Como era muito sincera , mesmo quando não queria , logo começou a dar pistas . Contou que o tinha reencontrado – colega de faculdade , muito inteligente , sociólogo brilhante -, voltou a falar nele algumas vezes . Até que , numa discussão comigo , me chamou pelo nome dele . Mais sincera , impossível . Caí fora , quebrando tudo , xingando – a de puta e maluca. Com o coração despedaçado , disparei pela escada sem esperar o elevador .

    Voltei ao terreiro . Não para tentar pegar um santo , como um ônibus , mas para ver Domícia , falar com ela , ouvir sua voz e suas risadas , ver seus peitos morenos aflorando do decote da bata branca , os seus cabelos cacheados , ponteados por trancinhas longas e finas , que elas chamam de “ tererê “ .
    Ela não estava . Mas morava ali ao lado , como as iaôs que trabalhavam no terreiro . Uma casinha cor-de-rosa , com janelas brancas e cortininhas floridas , uma varandinha , uma rede . A sombra de uma imensa mangueira se projetava sobre toda a casa , onde ela morava com a mãe e uma irmã menor .
    Quando apareceu na janela foi como se abrissem as cortinas para um filme . Toda de branco , com seu andar felino de havaianas , os olhos amarelos brilhando ao sol , se aproximou sorridente .
    “ Procurando alguém ?”
    “ Já encontrei “ , entrei no jogo .
    “ Entre , quer um café ? Uma água de coco ?”
    A sala era pequena e fresca , a brisa baiana circulava pelas janelas abertas e a mangueira protegia a casa do sol . Bebi a água de coco como se fosse um vinho sagrado , celebrando a deusa de jacarandá que ondulava seus quadris da sala para a cozinha . Epa ! Às vezes a expressividade baiana me toma a linguagem de assalto , sem que eu esboce qualquer reação . Uma questão de estilo .
    Domícia colocou um CD no player . Atabaques e cantos de candomblé , gravados ao vivo . Muito bem gravados ,com volume , peso e nitidez , você se sente no meio da cena .
    “ Foi um amigo alemão que gravou ; ele trabalha para uma gravadora “ , comentou Domícia , “ e então , alguma coisa lhe soa familiar ?”.
    Um arrepio me percorreu do alto da cabeça aos calcanhares , deslizando pela espinha e pelas pernas como um filete de água gelada . Eu tinha certeza de que ela iria me dizer aquilo :
    “ Foi gravado na noite em que você pegou o santo . Uma dessas vozes é a sua “ , e deu um risinho .
    Fechei os olhos e tentei relaxar , me deixei invadir por aqueles sons , aquelas batidas de atabaque , pelos cantos gritados com vozes esganiçadas ; me senti transportado para o terreiro . E logo comecei a sentir uma tontura , me acomodei melhor na cadeira , pousei um braço sobre a mesa , respirei fundo .
    “ Epa!, epa! , Domícia bateu palmas e desligou o CD , “ aqui não é hora nem lugar de pegar santo . Você anda muito sensível , hein?
    Devia fazer um descarrego . Deve estar cheio de encosto “.
    “ E como é que eu faço esse descarrego ?”
    “ Não é você que faz , você é o descarregado , pode deixar que eu mesmo faço . Tire a roupa e tome uma chuveirada ali , enquanto vou buscar água quente para o banho de ervas .”
    O chuveiro ficava numa casinha de chão de tijolos , no fundo do quintal , com uma privada sem tampa . Deixei a água fria escorrer pelo meu corpo , me esfreguei com um pedaço de sabão de coco que encontrei no chão . Só saí quando ouvi a voz de Domícia avisando que estava chegando . Abriu a porta , me encolhi cobrindo as partes pudendas com as mãos ; ela colocou no chão um grande balde com o banho de ervas e uma cuia .
    “ Vire de costas “ , ordenou . Virei . “ Abra os braços e as pernas “. Abri . “ Encoste as mãos na parede .” Encostei . “ Pense em coisas boas “. Pensei . Nela . Nua .
    E comecei a sentir a água morna e o cheiro forte das ervas descendo pelas minhas costas , pelas minhas pernas até os pés , deslizando pelo peito e escorrendo pelo púbis e pelas coxas . Domícia cantava e fazia preces e pedidos de limpeza e proteção para os espíritos das águas e das florestas , em nagô . Sua voz era como uma água morna e perfumada descendo pelos meus ouvidos .
    Fiquei com medo de meu pau endurecer . Com mais medo ainda de que não endurecesse , na remotíssima hipótese de ela resolver dar para mim.
    Domícia derramava a água sobre a minha cabeça , as ervas se grudavam no meu rosto e no meu corpo .
    “ Agora vier “ . Virei .
    “ Feche os olhos “ , me ordenou . Com os braços e as pernas entreabertos , cobrindo com as mãos o pau duro e pulsante , senti a água morna e as ervas escorrendo pelo meu rosto e descendo pelo meu corpo , enquanto Domícia cantava e rezava em nagô . O som dos atabaques ia e voltava aos meus ouvidos , como se tocasse no rádio de um vizinho .
    Domícia mandou que eu virasse de novo e começou a me chicotear , nas costas , bem de leve , com uns ramos de palmeiras . Depois , um pouco mais forte , e também na bunda e nas pernas . Eu sentia o sangue correr mais rápido por onde os ramos passavam .
    “ Ah, acho que vou precisar de um descarrego desses todos os dias . Estou mesmo muito carregado “ , eu suspirava de prazer .
    “ Pronto “ , a voz de Domícia me acordou dos devaneios . Me estendendo uma toalha , disse : “ Está descarregado . Mas não entre no chuveiro de novo , que estraga a limpeza. Só se enxugue “.
    E saiu da casinha fechando a porta .
    Quando voltei á casa , já seco e vestido , ouvi a sua recomendação :
    “ Agora são sete dias sem álcool , sem drogas e sem sexo , e você está pronto para outra , ta zerado “ , riu com aqueles dentes fosforescentes : “ Tudo tem seu preço , Né ? Nada sai de graça , nem graça de santo . Mas no fundo quem se beneficia é você mesmo . Uma semana de limpeza faz muito bem . Agora , se você não segurar , problema seu , o santo mesmo está pouco ligando se você bebe , fuma ou trepa ou tudo isso junto . Ele não se ofende nem dá castigo . isto é coisa de católico e de crente . Mas se voce não cumpre as obrigações com o santo , quando você pedir de novo ele não vai lhe ouvir .”
    “ Você pode me emprestar este disco ? “ , pedi .
    Domícia me entregou o CD . “ Eu trouxe mesmo para lhe dar , deve ter um significado especial para você . Quem sabe , ouvindo bastante , você consegue entender um pouco mais este mistério?”
    “ Agora , licença porque tenho que ir para a faculdade “ , se despediu , “ depois a gente se fala . Aí você me conta o que descobriu . Anote aí o meu celular .”
    Assim que cheguei em casa , transferi o CD para o laptop e dele para o meu i-Pod , que tem capacidade para mais de 1500 músicas , três dias e meio de som ininterrupto . Apaguei tudo e gravei só a noite no terreiro . Agora posso levá-la ao lugar mais conveniente para ouvi-la , talvez sozinho numa praia deserta . Mas se eu passar mal , quem vai me ajudar ? Talvez eu possa chamar Domícia , ela entende dessas coisas , pode me orientar . É , mas não vou me sentir à vontade com alguém por testemunha , tenho que viver esta experiência sozinho , comigo mesmo , tentando juntar memória , razão e sentimentos .
    À noite , numa praia deserta , ou quase , perto de Itapoá , apenas um ou outro casal , mais entretidos em outras coisa , cheguei, todo de branco , de chinelos , e com meu i-Pod ritual . Diante do mar imenso e escuro , coloquei os fones , aumentei o volume e, como se tivesse vontade própria meu corpo começou a se mexer , num arremedo de dança ao ritmo dos atabaques . Fechando os olhos eu podia me ver no terreiro , entrando na roda e dançando com os outros cavalos de Oxóssi , cantando os pontos . Tirando os fones e abrindo os olhos , só via a escuridão do mar e das pedras , a brancura da areia e o céu infinito . Me senti muito só . Mas sem medo de nada .
    Coloquei de novo os fones , fechei os olhos e me deixei levar pelo som , dançando no mesmo lugar , sentindo a areia macia sob os pés , tentando repetir os cantos , num volume muito mais alto do que ouvia nos fones . Talvez por isso um dos casais tenha saído meio assustado e apressado das pedras que se abrigavam .
    Me sentia leve , como se não tivesse corpo ; não pensava em nada , era como se estivesse sonhando que dormia . O ritmo dos atabaques crescia nos ouvidos , me sentia cheio de vigor e energia , com um ímpeto irresistível de dançar , dançar , dançar até cair . Logo eu , que não sei nem gosto de dançar .
    Não sei quanto tempo se passou até a gravação terminar . Desabei na areia , exausto , banhado de suor , com a lua alta no céu . Só que desta vez me lembrei de muita coisa . Ou imaginei ?
    Era como um filme , ou um sonho , eu via a cena do alto , fora dela , cantando e dançando no terreiro , em transe , de olhos fechados , via todo o ambiente , o rosto das pessoas . Domícia , Dandara , mãe Josefa , Britinho , os ogãs tocando os atabaques , as fitas coloridas que pendiam do teto , as luzes , o chão de cimento , as imagens de orixás pintadas nas paredes , Oxóssi Caçador , de arco e flecha , cercado de animais . O som fazia minha memória ver . Ou imaginar?
    Ainda estou meio confuso , mas começo a me fazer algumas perguntas que vão ale da magia e das coincidências . Só alguém que já foi dominado por uma obsessão , qualquer uma , vai entender tudo o que eu digo . Se bem que uma boa dor de corno é mais do que suficiente para um perfeito entendimento .
    A realidade do obsessivo se passa em duas telas simultâneas : em uma , o que seria a realidade “ natural “ , a vida real ; em outra , a obsessão , que não dá um minuto de trégua , em diálogos e ações paralelas e incessantes , que não se passam nem no passado das memórias , nem no futuro dos desejos , mas no presente incômodo e irreversível .
    Será que quando eu estava tomado pelo orixá as duas telas foram apagadas ? Uma com certeza sim , por isso não me lembrava mais dela , em quem pensava obsessivamente quando fui possuído .Mas consigo me lembrar , estimulado pelo som , do que se passou na outra tela , a “ natural “ , que meus olhos viram , meus ouvidos ouviram , minha boca cantou e meu corpo dançou durante o transe .
    Dormi até o meio da tarde , tomei um café , uma chuveirada , e me fechei no quarto . Nu , me deitei na cama , coloquei os fones e liguei o som . Apaguei a luz e fechei os olhos . Trovoadas . Gargalhadas . Tambores , palmas e gritos . A cena de possessão se repete , no mesmo cenário , com os mesmos personagens . E mais dois , novos , que não estavam na primeira vez , ou que eu não havia notado : meu tio Zes Ventura e meu primo Venturinha , mais ou menos da minha idade , que moravam no interior e eu não via fazia uns cinco ou seis anos . Eles estavam na primeira fila dos fiéis , seguravam na corda e me olhavam , mas não pareciam me ver .
    Fui até o final , possuído pela mesma sensação de leveza e de ausência de massa corporal , já sem o medo do desconhecido que quase me paralisava antes . Pelo desarranjo dos lençóis , a dança deve ter sido animada . Desta vez , foi bastante agradável , como se dormisse , ou entrasse em uma meditação profunda . Acordei todo suado , mas não cansado ; pelo contrário , me sentia com energias renovadas e , sei lá , a imagem que me vem é dos católicos depois da comunhão quando voltam para seus lugares com ar beatífico , de olhos baixos e com o corpo de Jesus Cristo .
    Meia hora depois , saindo do chuveiro , atendi o telefone : minha tia Zuleide avisava que o tio Zé Ventura e o Venturinha tinham morrido em um desastre na estrada , na noite passada . Desliguei perplexo . O que estava acontecendo comigo ?

    Fiz eletroencefalograma . Tudo normal . O que não quer dizer muito : se de perto ninguém é normal , imaginem então por dentro , e pior , do cérebro . Pelo menos não estou doente , tudo está funcionando a contento , dizem os gráficos . premonições são fenômenos corriqueiros , ainda não explicados em profundidade , mas banais , que não exigem prática nem habilidade , podem acontecer a qualquer um , a qualquer momento .
    Assim que cheguei em casa , enchi a banheira de água quente , apaguei a luz e me deitei com os fones nos ouvidos . Antes de ligar o i-Pod , fechei os olhos e imaginei que o banheiro ficaria inundado se o santo se animasse muito nas danças , com o cavalo na banheira . E uma viagem muito diferente . Imagens de minha infância se misturavam às cenas do terreiro , em câmara lenta . à medida que a água foi esfriando , o ritmo dos atabaques foi diminuindo . No final , a água estava fria e eu , relaxado , sem saber se estava sonhando , delirando ou mais acordado do que nunca .
    Telefonei para Domícia e disse que tinha grandes novidades . Marcamos na saída das aulas na Escola de Enfermagem .
    Tomando sorvete no Jardim de Alá , lhe contei tudo com entusiasmo . Ela ouviu sem muito interesse , ás vezes com uma expressão de quem ouve uma criança falar . De repente me dei conta de que ela recebe santo desde os 14 aos a sério , digamos , profissionalmente . Não pode mesmo se animar muito com relatos de amadores e cavalos de primeira viagem .
    “ Mas , e a premonição ?”, murmurei.
    Domícia deu uma lambida lúbrica no sorvete de morango :
    “ Bobagem , você não previu a morte deles , só recebeu a informação de que eles estavam mortos antes da sua tia ligar . Alguém te ligou sem fio . Telepatia , no máximo . Você não tem nenhum poder sobre os fatos . Pode relaxar .”
    Ela sorria de maneira perturbadora :
    “ Quanto mais se mete a esperto , mais bobo , você parece “.
    “ E então ? “ , tentei mudar o tom da conversa , “ tem recebido muito santo ?”.
    Ela escancarou aquele riso luminoso :
    “ Deve ter sido mesmo assustador você ser pego sem aviso , sem querer . Mesmo quando você quer muito , quando se prepara para isso , já é muito forte .”.
    “ Foi mesmo . Mas com você , isso mudou alguma coisa na sua vida ?”
    “ Mudou nada . Já estava destinada . Foi só confirmação . sabe como é ? Já estava escolhida pelo santo , para servir a ele , antes de nascer “.
    “ Mas eu digo , depois que começou a receber o santo , mudou “?
    “ Que nada , a gente só faz o que tem que ser feito ; é seguir as ordens do orixá . Deve mudar é para os outros do terreiro , o santo fica contente de dançar para eles . E a gente está no mundo para fazer o santo feliz , e aí ele faz a gente feliz . Simples , não é ?”
    Mais para desconcertante , pensei nem tanto pelo que ela dizia , mas como dizia , sua expressão ambígua , entre a ingenuidade e a ironia . Aquela morena era mesmo estonteante .
    Um jovem negro alto e simpático , todo vestido de branco , se aproximou . Deu um beijo no rosto de Domícia . Ela retribuiu e o apresentou :
    “ Esse é o Jorge , é ogã lá no terreiro , toca atabaque . Nós já estamos indo . Obrigado pelo sorvete .”
    Jorge me cumprimentou com um sorriso e um movimento de cabeça e saiu com Domícia rua abaixo , aos risos e beijinhos , ela enlaçando a cintura dele .
    Voltei para casa chutando latas pela rua , se houvesse latas para chutar . Competir por Domícia com aquele efebo de ébano estava fora das minhas cogitações . Peguei um ônibus quase vazio e durante todo o percurso até a minha casa fui pensando em Domícia , imaginando-a nua , com seu sorriso luminoso , se oferecendo ao seu jovem príncipe negro , Domícia se …epa! Era só o que me faltava : começar outra paixão , agora por Domícia . Se continuasse assim , logo estaria de volta ao terreiro para receber mais um santo e me curar de novo , cumprindo a profecia do Britinho .

    ___________________________________________________________________

    Abraços e beijinhos carinhosos com gosto de croissant quentinho ( estava em promoção ) com geléia de abacaxi feita por Dna. Ruth , recheados com muuuuita saúde , carinho e paz !!!!

  37. Petraem 11 ago 2010 �s 07:49

    Repassando :

    Ser mulher de um piloto profissional é antes de tudo, ser uma especialista em extraterrestres.

    Toda mulher que casa com um aeronauta entra para a aviação. Não tem como fugir. Ou a mulher aprende a falar a linguagem dos tripulantes ou torna-se a burrinha da história.

    Considerados turistas bem remunerados, os aeronautas hospedam-se em hotéis cinco estrelas,conhecem os melhores restaurantes e criam hábitos sofisticados, independentemente de suas vontades.

    À força de perambular por aeroportos nacionais e internacionais, conviver com outros povos e outras línguas, conhecer hábitos, artes, artimanhas, e todos eles com etceteras, suas cabeças são bombardeadas a cada vôo com novos e irregulares conhecimentos.

    Daí, quando eles atravessam o salão de um aeroporto com seus uniformes (que a maioria detesta), impecáveis e com aquele ar de quem vive num mundo inconsúltil e sabe das coisas, trazem consigo uma aura de grande romantismo e charme; podem até ser barrigudinhos e feios, o charme é inevitável.

    São assediados e incentivados a ter aventuras amorosas, como qualquer marinheiro. Isso não quer dizer que todo tripulante seja amante da comissária. Há exceções, não mais que o médico com a enfermeira ou o chefe com a secretária.

    De um modo geral, são ligadíssimos a suas famílias, que são seu lado terráqueo. Suas mulheres convivem com este risco, assim como convivem com o risco de verem um programa de televisão ser interrompido para darem a notícia de que “acaba de cair um avião, assim, assim, voltaremos em instantes com maiores detalhes.”

    Um dia, ao ouvir uma notícia destas, uma amiga casada com um comandante ligou horários e possibilidades e desesperou-se. Ligou para a companhia sem se identificar, pedindo mais informações sobre o acidente. Quem atendeu, tentando acalmá-la, disse: Minha senhora, não se preocupe, era só um vôo de treinamento. Morreram só os tripulantes.
    Claro que eu não vou escrever o que ela disse ao informante.

    Quando um piloto morre em vôo é porque alguma coisa o traiu. A máquina, a natureza a percepção.
    Todo piloto morto voando, morreu à traição. Por isso, dói de forma diferente em todos os outros, sentir o companheiro traído – às vezes por tão pouco, apenas uma fração de qualquer coisa. Então sufoca e deprime, inquieta e magoa, ter toda a vastidão e depender de milésimos e milímetros. Daí talvez aquele algo diferente existente neles.

    Quando eles chegam de um vôo, trazem nos sapatos a poeira do mundo, nos cabelos o pó das estrelas e nos olhos um cansaço cósmico.

    Penalizados pelo diferencial de pressão atmosférica e pelo fuso horário, sentem-se exaustos de imensidão.
    Incompatibilizados com fronteiras, levam horas para adaptar-se ao micro dia-a-dia.
    Metade gente, metade ficção não podem, ao chegar de um vôo, serem recebidos de maneira prosaica.

    Jamais os receba assim:
    - O Jr. vai perder o ano!
    -Roubaram aquele relógio que foi do seu pai !
    -Hoje é dia 15 e o dinheiro já zerou !

    De difícil convívio, fortes candidatos a neuroses e depressões, já saem do avião defasados de realidade. Mas esta realidade só pode ser ministrada em doses homeopáticas, sem o que, eles estuporam.
    Contudo, não há motivo para desesperar-se. Dentro daquelas inconfundíveis maletas que eles usam, você encontrará toques de carinho. Uma revista italiana, um bombom suíço, um perfume francês ou uma escultura nigeriana.
    Também poderá ouvir frases assim:
    - Estava com tantas saudades e tanta pressa em chegar que larguei todas as porteiras do céu abertas.

    Outra coisa que também os mantém profissionalmente de rédea curta: os exames periódicos. Qualquer profissional, por mais importante e sofisticada que seja sua área, forma-se, faz mestrado, cursos, mas nunca mais um vestibular eliminatório. Com o tripulante é diferente. Até os 40 anos, ele tem uma espécie de vestibular anual, depois desta idade passa a ser semestral.

    Lá vão eles para os rigorosos e altamente sofisticados exames – físico, psíquico e técnico. Todos são eliminatórios. É mais uma dura realidade deste duro mundo aviatório.

    Cortados de vôo se não preencherem 100% de cada requisito, eles têm uma segunda chance se, dentro de um rígido prazo estipulado pelo setor em que foram eliminados, conseguirem recompor-se integralmente.

    Naturalmente, os leitores estão pensando:
    -Mas é claro! A vida de muita gente depende das mãos e da cabeça destes senhores!
    É…tudo bem! Então por que a sociedade é tão condescendente com os senhores médicos, senadores, deputados, vereadores e o até com o Rei? Por que nenhum candidato precisa fazer exame nenhum? Para fazer e acontecer com a vida e o dinheiro – não de alguns como os senhores passageiros, mas de todo cidadão, indefeso nas mãos deles. Por isso vemos o mundo nas mãos de incompetentes. Com raríssimas e honrosas exceções.
    Pensem nisso.

    Então, de repente ,os tripulantes têm que fazer greve para sobreviver decentemente.

    Um tripulante em greve por melhores salários é uma coisa tão absurda como se os aviões entrassem em greve por uma melhor manutenção.

    Para a segurança de vôo, nem tripulante, nem avião, podem ser mantidos com o mais ou menos; a sofisticação técnica e profissional só se mantém com o melhor. Cada dia mais.

    Assim, se eu estiver viajando numa companhia na qual os aeronautas estejam fazendo “operação tartaruga”, peço licença ao senhor comandante, pego o microfone e digo:
    - Senhores passageiros, por favor desapertem os cintos saiam devagar, desçam a escada e corram. Procurem outra companhia, porque esta está economizando em cima de sua segurança..

    E você aí, que de avião só sabe quando olha para cima, saia de baixo…

    Abraços e bons voos…
    ___________________________________________________________________

    Beijinhos carinhosos

  38. Petraem 11 ago 2010 �s 08:19

    Dr . Maia :

    Parabéns pelo dia de hoje !!!!!!

    Beijinhos carinhosos especiais para o nosso super , hiper , master , mega , gigante , amigo – advogado !!!!!!

  39. José Feioem 11 ago 2010 �s 10:04

    Dr. Maia

    Felicidades no seu dia!
    Saúde,Sorte e Sucesso……………………..

  40. Roberto Haddadem 11 ago 2010 �s 11:56

    Prezado amigo,
    parabéns pelo dia de hoje (dia dos advogados, também).
    Segue uma brincadeira para descontrair.
    Saúde.
    Roberto Haddad

    POR QUE OS JUÍZES GOSTAM DE OUVIR AS PARTES?

    Seu Zé, mineirinho, pensou bem e decidiu que os ferimentos que sofreu
    num acidente de trânsito eram sérios o suficiente para levar o dono do
    outro carro ao tribunal. No tribunal, o advogado do réu começou a
    inquirir seu Zé:

    - O Senhor não disse na hora do acidente ‘Estou ótimo’?

    E seu Zé responde:

    - Bão, vô ti contá o que conteceu. Eu tinha cabado di colocá minha
    mula favorita na caminhoneti…

    - Eu não pedi detalhes! – interrompeu o advogado. – Só responda à
    pergunta: O Senhor não disse na cena do acidente: ‘Estou ótimo’?

    - Bão, eu coloquei a mula na caminhoneti e tava desceno a rodovia…

    O advogado interrompe novamente e diz:

    - Meritíssimo, estou tentando estabelecer os fatos aqui. Na cena do
    acidente este homem disse ao patrulheiro rodoviário que estava bem.
    Agora, várias semanas após o acidente ele está tentando processar meu
    cliente, e isso é uma fraude. Por favor, poderia dizer a ele que
    simplesmente responda à pergunta.

    Mas, a essa altura, o Juiz estava muito interessado na resposta de seu
    Zé e disse ao advogado:

    - Eu gostaria de ouvir o que ele tem a dizer.

    Seu Zé agradeceu ao Juiz e prosseguiu:

    - Como eu tava dizeno, coloquei a mula na caminhoneti e tava desceno
    a Rodovia quano uma picapi travessô o sinar vermeio e bateu na minha
    Caminhoneti bem du lado. Eu fui lançado fora do carro prum lado da
    rodovia e a mula foi lançada protro lado. Eu tava muito ferido e
    não pudia me movê. Mais eu pudia ouvi a mula zurrano e grunhino e,
    pelo baruio, percebi que o estado dela era muito feio. Em seguida o
    patruero rodoviáriu chegou. Ele ouviu a mula gritano e zurrano e
    foi até ondi ela tava. Depois de dá uma oiada nela, ele pegou o
    revorve e atirou 3 veiz bem no mei dos ôio dela. Depois ele travessô
    a estrada com a arma na mão, oiô para mim e disse:

    - Sua mula estava muito mal e eu tive que atirar nela. E, como o
    senhor está se sentindo?

    - Aí eu pensei bem e falei: … Tô ótimo!

  41. Fernando Rochaem 11 ago 2010 �s 12:46

    Dr. Maia.
    Parabéns pela data de hoje. Se cuide. Abç.

  42. DORNÉLIO LIMAem 11 ago 2010 �s 13:23

    PREZADO DR. MAIA
    COM CHEGADA DAS ELEIÇÕES EM BREVE, TEMOS QUE FAZER BARULHO PARA QUE OS
    DEPUTADOS E SENADORES QUE NÓS APOIAM
    POSSAM CONCATENAR SOLUCÕES VISANDO
    O GOVERNO NA LIBERAÇÃO DO ACORDO SE
    NÃO DR. ESTAREMOS MAIS UMA VEZ FRITOS.

  43. O ANARQUISTAem 11 ago 2010 �s 14:54

    Dr Maia, congratulações pelo dia de hoje.

  44. Petraem 11 ago 2010 �s 18:33

    Faltou o beijinho de boa noite musical ;

    http://www.youtube.com/watch?v=V2ddj5uKbpY

  45. lucia pconseguiramaesem 11 ago 2010 �s 20:48

    Boa noite Dr Maia. Eu me referi exatamente a ação civil , obrigado pela resposta. Então quer dizer que agora só depedemos da justiça , com sentença favoravel a nós , caso contrário adeus ao nosso dinheiro porque acordo , não existe apesar de todos os esforços, correto?

  46. Petraem 12 ago 2010 �s 06:53

    Bom dia , Dr. Maia !

    Vamos ao conto de Nelson Motta ?

    “ As mal amadas “

    Alzira e Ivonete moravam em Copacabana e tinham quase a mesma idade , por volta dos 50 , mas não admitiam . Uma viúva e a outra desquitada , eram amigas havia mais de vinte anos e se encontravam todos os dias de manhã , na praia , cada uma com a sua cadeirinha de lona e sua barraca colorida .
    Ivonete preferia padrões estampados e Alzira as cores lisas em seus maiôs de duas peças , que deixavam a barriga de fora , uma audácia no Brasil de 1964 . Ainda mais em duas balzaquianas animadas , como se sentiam , ou velhuscas exibidas , como cochichavam as vizinhas . Apesar das eventuais gorduras indesejadas , das inevitáveis estrias e celulites , as duas se consideravam em ótima forma , muito enxutas . Havia controvérsias na vizinhança .
    Se não chegavam a ser altas , as duas também não podiam ser chamadas de baixinhas . Uma morena e outra loura oxigenada , as duas tinham em comum o corpo bronzeadíssimo , á custa de longas exposições diárias ao sol dos trópicos . E a doses cavalares de óleos bronzeadores , do argentino Rayito de Sol , caro , só de contrabando , até as combinações mais alternativas , como se bezuntar com Coca-Cola , ou com uma mistura de urucum com iodo diluída em óleo Johnson, que dava , instantaneamente , uma cor acobreada , linda , que buscavam. . Mas não bronzeava , na verdade , tingia a pele .
    Tão ou mais bronzeado do que elas era Danilo , na flor dos seus 27 anos , sem profissão definida , que nunca havia trabalhado na vida . A maior parte passada se tostando ao sol de Copacabana . Entre os amigos , ficou célebre a sua reação ao ler a manchete do jornal :
    “ Aposentadoria aos 30 anos “.
    “ Oba! Estou com 27 , só faltam três “ ! , vibrou .
    Quando a gargalhada amainou , uma alma caridosa o informou que eram trinta anos , sim, mas de trabalho .
    “ Ah, que pena “ , Danilo ficou desapontado , “ estava bom demais para ser verdade “.
    Danilo era um típico “ cachorro de tapete “ de Copacabana – garotões desocupados que freqüentavam a praia e estendiam suas esteiras ao lado de mulheres sozinhas , de todos os estados civis , nos melhores estados de saúde e beleza , como cachorros que se deitam no tapete ao lado da dona . E, como tinham todo o tempo do mundo , ouviam , e ouviam , e ouviam , com infinita paciência , as mulheres se queixando dos maridos , dos filhos , da sogra , dos vizinhos , da solidão , e eventualmente as conversas evoluíam para fantasias de romance e aventura .
    Exímios ouvintes , os “ cachorros de tapete “ pouco falavam , e assim logo conquistavam o apreço e a cumplicidade de suas presas : “ Ah, minha filha , até que enfim encontrei alguém que me entende “ , elas contavam ás amigas , encantadas .
    Dali para a garçonniére de seu primo Gaspar , no Lido , era um pulo .
    Num dia nublado , com a praia quase deserta , Danilo , bronzeado , atlético e sorridente , estendeu a sua esteira ao lado das cadeirinhas de Alzira e Ivonete , e foi recebido com calorosa simpatia pela dupla . Ivonete estava estreando um novo rádio de pilha , um tijolo de plático azul , sintonizado na Radio Mundial e sua programação jovem , animada pelo disc jockey Big Boy .
    Danilo adorava música e era fã de Big Boy . Estavam em família . Podiam passar por mãe e filho , tia e sobrinho . Danilo não tinha a menor intenção d nada , sua prioridade eram carnes jovens e frescas , não era um garoto de programa atrás de trabalho . Como não havia quase ninguém na praia e ele não tinha nada para fazer , arrastara sua esteira até elas para ouvir o som de perto .
    E não se arrependeu . Elas não falavam de maridos , nem de filhos , nem de vizinhos , mas de artistas famosos , de políticos que ele conhecia vagamente , e, Danilo pasmou , de futebol , um dos poucos assuntos em que ele não era só ouvinte . Uma era Flamengo e a outra , Vasco , discutiam aos gritos sobre o último encontro entre os dois e quase se estapearam . Depois se abraçaram e se beijaram , ás gargalhadas . Para Danilo , foi uma sorte ser Fluminense .
    Se no futebol eram adversárias inconciliáveis , na política , Ivonete e Alzira estavam do mesmo lado , as duas eleitoras e fãs de Carlos Lacerda , governador do Estado da Guanabara , como passara a se chamar o Rio de Janeiro depois que a capital se mudou para Brasília , quatro anos antes . Lacerdistas roxas , elas o achavam belo e viril , se encantavam com sua voz grave e vigorosa , os virulentos discursos pelo rádio , as aparições na televisão de dedo em riste , com seus célebres óculos de aros grossos e os vitupérios contra comunistas que queriam tomar o poder . Os adversários o chamava de “ O corvo “ , mas para elas Lacerda era belo como o pavão , arguto como a águia , majestoso como o condor . Para os antilacerdistas , elas duas , e uma legião de mulheres como elas , eram as típicas “ mal-amadas” , a base do eleitorado de Lacerda . Solteironas , viúvas , desquitadas , feias , gordas , velhas desprezadas , abandonadas , elas canalizavam seu afeto , seu ressentimento e sua energia sexual reprimida para Lacerda e se entregavam de corpo e alma às campanhas . O lacerdismo como patologia .
    Ivonete e Alzira ficavam muito ofendidas ao serem chamadas de “ mal – amadas “ , talvez porque na verdade se sentissem assim . E lhes fosse tão doloroso admitir . A vida não era fácil para uma viúva e uma desquitada , cinquentonas de classe média , que estavam longe de ser bonitas , no Rio de Janeiro de 1964 , com as praias inundadas de brotinhos e balzacas bem apanhadas , todas dando sopa .
    Danilo nem sabia direito quem era Lacerda , achava que era um narigudo de óculos que aparecia na televisão , mas talvez estivesse confundindo o político com seu discípulo Flávio Cavalcanti . Gostava de histórias em quadrinhos , do Capitão América , do Super-Homem , de vampiros , de caubóis , e de filmes de aventura . Além do futebol e da música .
    Morava com a mãe , viúva de um capitão do exército , morto quando Danilo tinha 3 anos . Para dobrar a magra pensão , dona Diva costurava para fora roupas de senhora e de crianças , com uma boa clientela . Dedicava , com prazer e sem reclamar , seu trabalho e sua vida ao filho único . Nunca fora rigorosa com a ( falta de ) freqüência dele na escola , nem se importava com os boletins cravejados de notas vermelhas de seu menino. Era a primeira a dizer-lhe para não ir ás aulas em dias de chuva , podia pegar um resfriado , uma pneumonia , e afinal aula havia todo o dia . Ficou feliz quando ele , a duras penas , em um colégio pagou-passou , conseguiu terminar o ginásio . Não pelo diploma , mas porque assim poderia ficar mais tempo em casa e na praia , aproveitar mais a vida , fazer-lhe companhia . Sua maior alegria era fazer as vontades de Danilo , comprar-lhe presentes , vê-lo sorrir , tão lindo , tão doce o seu menino .
    Nas raras vezes em que pensou em um trabalho qualquer , comparando os possíveis salários com o que sua mãe lhe dava para não fazer nada , as conclusões de Danilo não eram animadoras . O amigo Heitor não concordava :
    “ Pô , cara , você fica com o teu salário e o dinheiro que tua mãe te dá , dobra a tua grana “.
    “ Ah, mas aí eu vou ter que trabalhar , vou perder oito horas por dia , não vale a pena , é melhor deixar como está “. Danilo estendeu sua esteira ao sol de Copacabana .
    Enganam-se os que pensam que Danilo estava se preparando para seduzir e depois dar algum golpe sujo nas duas senhoras indefesas . Ele tinha bom coração , boa índole , sua mãe sempre lhe dizia , mesmo quando errava por ignorância , esquecimento ou distração , nunca por mal . Danilo acreditava em sua mãe mais do que qualquer pessoa no mundo . Era um crianção , um bobalhão explodindo de testosterona , que andava em bandos e se alimentava de brotinhos caçados nas areias brancas de Copacabana .
    Mas não operava com coroas : seu limite estava na marchinha de carnaval “ Balzaquiana “ , que exaltava a mulher depois de 30 . Mas não ia além . Alzira e Ivonete podiam ser suas tias , estavam fora do seu radar sexual . Mas eram muito simpáticas e divertidas , pensava Danilo , vendo-as discutindo futebol e depois uma sacaneando a outra , como num programa de humor do rádio , só para diverti-lo . Danilo ria como menino, Alzira e Ivonete estavam encantadas com a companhia , elas sim , com fantasias mirabolantes lhes enchendo as cabeças brancas , agora coloridas .
    Naquele fim de verão de 1964 o país estava pegando fogo , com grande agitação política nas ruas e intensa movimentação nos quartéis , com boatos de iminente golpe militar contra o governo João Goulart , embora Danilo não soubesse de nada disso . Para ele , o verão estava melhor do que nunca , com uma boa safra de brotinhos e festinhas , e agora com a companhia de Alzira e Ivonete que eram muito mais divertidas do que as garotas que queriam fazer romance e casar de véu e grinalda .
    No dia seguinte o sol reapareceu e a praia voltou a se encher de jovens , turistas e desocupados . Entre eles Danilo , que chegou pouco depois de Alzira e Ivonete e foise juntar à sua turma de cafajestes , a conveniente distância delas . Em vão . Assim que o viram , mesmo , a mais de 50 metros , elas começaram a acenar espalhafatosamente , apontando para Danilo . A turma encarnou :
    “ Novas conquistas , é ? Valorizando a experiência , Danilo ?”
    “ Vai lá , estão te chamando , Danilo , o gostosão das mal-amadas . “
    “ O que vale é a beleza interior , né , Danilo “?
    Sob vaias e gritos de estímulo , trotando na areia quente , de cabeça baixa , Danilo foi até as duas coroas , que se levantaram para recebê-lo com tapinhas nas costas e dois beijinhos . E logo lhe ofereceram uma cestinha com empadas de camarão , que se revelaram deliciosas . Abriram uma grande garrafa térmica cheia de cerveja geladinha e encheram os copos de plástico .
    Saboreando a empada e a cerveja , Danilo provocava a turma á distância , levantando o copo num brinde debochado . Eram um bando de duros , só poucos podiam se dar ao luxo de pagar um mate no copinho de papel ou um pacote de biscoitos Globo , que era tudo que havia à venda na praia , além de um eventual picolé de frutas . Danilo não tinha nada do que se envergonhar , eles é que deviam invejar suas novas amizades . Comeu mais uma empada , se despediu e voltou para a turma , arrastando os pés na areia:
    “ Pô pessoal , é só a minha tia Alzira e uma colega dela “. Danilo foi recebido aos gritos , deboches e jatos de areia , e fugiu correndo para o mar , perseguido por um bando de jovens faunos bronzeados .
    Ao longo da manhã , enquanto Ivonete e Alzira acabavam com as empadas e a cerveja ao som da Rádio Mundial , Danilo tentou dois “ cachorros de tapete “ , com uma trintona recém-desquitada , um dos seus pratos favoritos , e um brotinho de São Paulo , um pouco magro para o seu gosto . Mas os dois se revelaram infrutíferos . Apenas mais um dia de sol .
    De volta á turma , viu Alzira e Ivonete fechando as barracas e as cadeiras e acenando para ele . Não estavam dando adeuzinho , elas estavam chamando . Talvez para lhe dar o que havia sobrado das empadas , pensou Danilo faminto , trotando de volta em direção a elas , sob os apu´pos da turma.
    “ Vem almoçar com a gente , tem u vatapá sensacional que a Alzira fez “ , convidou Ivonete , “ ela é de família baiana . Você nunca comeu nada igual . Ajuda a carregar as barracas . Vamos embora que a areia está quente e a barriga está roncando .
    “ Já está prontinho , é só esquentar e comer “ , insistiu Alzira .
    Danilo não pensou duas vezes, o estômago falou por ele .
    Vestiu a camisa que estava enrolada na cintura , sacou de um pequeno pente de plástico , que , junto com a chave de casa , era tudo que havia no bolsinho do seu short , e penteou para trás suas melenas morenas e molhadas , sob os olhares maternais , ou nem tanto , de Alzira e Ivonete . E partiu sob as vaias da turma , tão altas que se ouvia apesar da distância e do barulho das ondas .
    Foi o início de uma bela amizade .
    Os almoços se sucederam , Alzira adorava cozinhar , deixava tudo pronto antes de ir para a praia . Bobó de camarão , frigideira de siri , frango ao molho pardo . Foram tardes alegres discutindo futebol e contando para Danilo as novidades da ciência , do cinema e da música . Eles ouviam a Rádio Mundial o dia inteiro , telefonavam para votar em suas músicas favoritas : cada música representava uma cor , e como eram muitas , não eram só música verde ou vermelha , mas também música cíclame e fúcsia . Os ouvintes votavam e ouviam as vencedoras no fim da tarde . Danilo comia os brotos , mas se alimentava é com as coroas . Com todo respeito .
    Danilo estava adorando . Encontrara duas tias bondosas que o alimentavam e o divertiam de graça , sem pedir nada em troca . Estava até se afeiçoando a elas . Eram boas pessoas , senhoras honestas , que viviam confortavelmente com suas rendas e não deviam nada a ninguém .
    Alzira , a desquitada , tinha uma filha que morava nos Estados Unidos e mais ninguém no mundo , além de suas velhas tias em Salvador com quem não tinha maiores contatos . Ivonete , a viúva , não tivera filhos , e suas duas irmãs casadas com filhos moravam em Belo Horizonte . Depois que sua mãe morrera , no Rio , viviam insistindo para que ela mudasse para Minas , mas sem praia , sem Alzira , e agora Danilo , não havia a menor possibilidade . O que ela iria fazer , cuidar dos sobrinhos ?
    Era dali para o túmulo ? Ainda tinha muita vida para viver .
    Com o passar dos dias , a turma desistiu de debochar e começou a invejar :
    “ Pô , Danilo , traz umas empadinhas pra gente , mermão “ , imploravam .
    “ Aí , Danilo , uma cervejinha ia cair bem com esse calor , e eu aqui durango kid “ , esmolavam .
    Danilo nunca trazia nada , e ainda sacaneava :
    “ Não trouxe empada porque não tinha . Hoje era coxinha de galinha , estava um delícia . Depois eu conto a vocês o cardápio do almoço .”
    Depois do almoço , tirava uma soneca no quarto de hóspedes com ar-condicionado do apartamento de Alzira , no Edifício Gibraltar .
    Danilo se despedia com beijinhos e voltava revigorado para a praia , pronto para mais um “ cachorro de tapete “ . O turno da tarde era pródigo em jovens solitárias , com seus livros e suas revistas , precisando de ágüem que ouvisse as suas histórias , que acreditasse nelas , que as elogiasse . Com todo o respeito . Pelo menos para começar . Mulher detesta cafajeste , dizia sua mãe , e ele acreditava . Além de educado e simpático , também ajudava no exercício da função o fato de Danilo ser um moreno muito bonito , atlético e bronzeado , de dentes branquíssimos e um sorriso radiante .
    Radiantes estavam Alzira e Ivonete ; Danilo era mesmo um “ pão “ , como diziam as garotas , uma bem-vinda fonte de alegria e juventude nas suas vidas . Estavam felizes com o que tinham , viam e ouviam , não precisavam de mais nada , além da sua companhia e do óleo que ele passava com delicadeza nas costas delas , na praia , várias vezes ao dia .
    Ivonete herdara um fusca do marido , mas tinha medo de dirigir entre os ônibus e lotações do Rio de Janeiro e quase não saía de carro ,
    Danilo , que adorava dirigir e tinha carteira de habilitação desde os 18 , embora não tivesse carro , assumiu o volante e deu grande mobilidade ao trio , que passou a fazer passeios a Santa Tereza , ás prais desertas da distante Barra da tijuca , ao Bar Bem , no largo de São Conrado , onde havia só uma igrejinha , o clube de golfe e o mar bravio em frente . Foram a Petrópolis , visitar o Museu Imperial e almoçar na famosa Confeitaria D`Ângelo .
    Descendo a serra , Danilo se lembrava de seus tempos de colégio : no primeiro dia de aula , para os meninos , todas as meninas pareciam horrorosas . Mas com a convivência diária , ele e os colegas iam descobrindo os seus encantos . No final do ano , se transformaram em deusas , objetos de desejo de todos os meninos da turma . Por que com Ivonete e Alzira seria diferente ?
    Quanto mais as conhecia , menos velhas , gordas ou feias elas lhe pareciam , eram até umas coroas jeitosas , sempre perfumadas , com suas peles bronzeadas , seus cabelos e unhas bem-cuidados . A verdade é que Alzira e Ivonete haviam mesmo melhorado , e muito , pareciam rejuvenescidas e mais magras , estavam com os rostos mais felizes , usavam vestidos soltos e coloridos , caprichavam na maquiagem , antes mesmo de ir a praia . E adoravam dançar no meio da sala com o rádio ligado alto . cantavam juntas os sucessos do rádio , Oh Pretty Woman , com Roy Orbison , Que c`est Triste Venise , com Charles Aznavour , La Bamba , com Trini Lopez , e o grande sucesso do momento She loves you , com a nova sensação inglesa , The Beatles .
    A primeira vez que Danilo ouviu os Beatles foi no rádio de pilha azul de Ivonete . E adorou . Não só a música , mas aqueles terninhos e os cortes de cabelo que ela mostrara nas revistas . Alzira logo comprou o single de She Loves You e I Wanna Hold Your Hand , e eles se acabaram de dançar e de cantar . Inclusive Danilo , que antes de conhecê-las era tido como um rapaz tímido , que não gostava de dançar , porque não sabia . Na sua turma de cafajestes , homemque dançava qualquer coisa que não fosse rock-and- roll era considerado pouco macho .
    Mas Alzira e Ivonete logo perceberam seus motivos e explicaram a ele que não havia mais esta coisa de danças coreografadas como chá-chá-chá , twist e hully-gully , em que era preciso saber os passos , a coreografia , agora cada um dançava do jeito que queria , sózinho , em dupla ou em grupo , se mexendo como quizesse . Enquanto os Beatles cantavam “ she loves you yeah, yeah, yeah “ em Londres , o Brasil respondia com Roberto Carlos com Parei na contramão e Wanderléa , com O exército do Surf . Em Copacabana , Alzira , Ivonete e Danilo caíam no iê-iê-iê .
    O primeiro abalo no triângulo foi o aparecimento de Marconi , um coroa boa-pinta , mais ou menos da idade delas , que uma manhã veio até a barraca pedindo fogo para o seu cigarro . Alzira acendeu com seu poderoso Zippo , á prova de qualquer vento . E convidou-o para uma cerveja e uma empada de palmito . Ele aceitou , agradeceu , e disse que era de origem italiana , trabalhava com imóveis e morava no Leme . Todos os dias caminhava de lá ao Posto Seis , com pausas para mergulhos e um cigarrinho . Alzira o convidou a sentar na sombra e se abriu em sorrisos . Danilo não gostou da pinta nem do papo do coroa . De malandros e cafajestes , ele sentia o cheiro longe .
    QuandoMarconi reapareceu no dia seguinte , como quem não quer nada , e se alongou num papo com Alzira sobre as belezas de Nápoles , terra de seus pais , Danilo ficou com as orelhas em pé . A baiana estava toda derretida , mais um pouco o convidaria para almoçar . Mas Marconi partiu , sua movimentada vida imobiliária o esperava .
    Na terceira aparição , Danilo já sabia o que fazer . Deixou-o falar á vontade , sobre receitas italianas , sobre a alegria do povo de Nápoles , sobre o seu amor pelo Brasil . E quando ele se levantou e partiu rumo ao Leme pela beira d´água , Danilo avisou :
    “ meninas , vou ter que ir em casa buscar uns discos novos que quero mostrar para vocês , volto já , já “ , e atravessou a areia quente , pegou o fusca e segiu Marconi pela avenida Atlântica . O homem nem chegou até o Leme , parou no Lido e pegou um táxi . Danilo o segiu até Borafogo , a uma transversal da Voluntáriosda Pátria , onde entrou em um prédiozinho modesto de três andares .
    “ Aqui não tem nenhum Marconi , quem entrou agora foi seu Giovanni “ , informou o porteiro a Danilo , que ficou sabendo também que ele morava com a mulher e uma filha adolescente .
    “Seu Giovanni “ , gritou Danilo da calçada . Marconi apareceu na janela .
    Vitorioso , Danilo voltou ás areias do Posto Quatro , para dar as boas e más notícias a Alzira e Ivonete . Elas receberam com estupor e incredulidade as informações sobre o trambiqueiro , mas depois caíram na gargalhada e brindaram com cerveja a eficiência investigativa de Danilo , que , além de tudo , ainda as protegia de sedutores golpistas .
    “ Você não acha que ele ficou com uma pontinha de ciúme ?”, Alzira comentou baixinho com Ivonete e as duas se escangalharam de rir enquanto Danilo desarmava as barracas e preparava a retirada para o almoço .
    “ Estamos rindo do italiano “ , explicou Alzira , quando ele se virou sorridente e inocente .
    Marconi nunca mais apareceu .
    Depois de uma tarde enfadonha ouvindo , e depois comendo , uma jovem paulista e desajeitada , falando bobagens e contando vantagens com aquele sotaque de “ apartameintos “ , Danilocomeçou a questionar a sua rotina de vida . Tanta chatice para uma fodinha pífia , com a garota toda tensa , repetindo que seu maior pavor era ficar grávida e exigindo que ele usasse camisinha , o que ninguém na turma fazia : as meninas que contassem os dias férteis e usassem seus diafragmas , era problema delas . Danilo quase desistiu , mas acabou indo até o fim , de camisinha , rápido como um coelho , só para não se sentir diminuído em sua macheza . Era muito pouco para três manhãs de “ cachorro de tapete “, avaliava arrependido .
    No início da primavera , seis meses depois de conhecer Alzira e Ivonete , a vida de Danilo mudara para melhor . Muita coisa aconteceu no Brasil , além do início do programa da Jovem Guarda na televisão , nas tardes de domingo , que eles não perdiam . Garota de Ipanema ganhou o Grammy de “ música do ano “ . Um golpe militar sacudiu o país , prendendo corruptos e comunistas , cassando deputados subversivos , deixando Ivonete e Alzira eufóricas . Carlos Lacerda era um dos líderes da revolução vitoriosa , que limparia o Brasil de ladrões , imorais e subversivos . Os militares só fariam o trabalho sujo , a limpeza , e logo devolveriam o poder aos civis . E aí Lacerda seria presidente da República , esmagaria JK nas urnas ; elas vibravam de civismo . Danilo sentia uma pontinha de ciúme de Lacerda .
    Alzira e Ivonete melhoravam a olhos vistos , pareciam haver florescido com a primavera . Ninguém daria mais de 100 anos para a dupla , no máximo 45 por cabeça . Só os comunistas e as despeitadas ousariam chamar as lacerdistas bronzeadas do Posto Quatro de mal-amadas . Ao mesmo tempo em que emagreciam , diminuíam pouco a pouco os soutiãs e a parte de baixo do maiô , mostrando mais da barriga e do alto das coxas firmes e morenas . Do verão à primavera as calcinhas haviam diminuído alguns centímetros , e ajudavam a atrair olhares masculinos para a dupla . Ainda mais quando elas rebolavam caminhando de chinelos na areia quente .
    Um otário novo da turma chegou acreditar que Alzira era a tia de Danilo :
    “ Pô , se eu tivesse uma tia dessas não saía de casa…”
    Uma tarde , na casa de Alzira , eles haviam voltado para o almoço , e já saindo do elevador , Ivonete se deu conta de que esquecera o doce de abóbara que havia feito e foi até a sua casa , no edifício ao lado , buscar a sobremesa .
    Enquanto Alzira tirava o almoço da geladeira , Danilo tomou uma chuveirada para tirar a areia e foi para a varanda se enxugar ao sol .Alzira se preparava para entrar no chuveiro , quando a campainha tocou e ela gritou , entreabrindo a porta do banheiro :
    “ Danilo , abre a porta para a Ivonete , ela deve ter esquecido a chave “.
    Quando Danilo passou pelo corredor rumo à sala , uma lufada de vento escancarou a porta entreaberta do banheiro e mostrou Alzira inteira no espelho , só de calcinha , com seus belos peitos à mostra . Quando o viu , ela não se mexeu nem se assustou , apenas sorriu e fechou a porta sem pressa . Estonteado com a visão , Danilo abriu a porta da cozinha para Ivonete , ainda assustado .
    “ que é que houve ? Viu assombração ? Tô tão feia assim ?”
    “ Não , não , você está muito bonita “ , Danilo gaguejou que estava distraído e se assustara com a campainha .
    Ivonete colocou o doce de abóbora na geladeira , pegou uma cerveja e dois copos e ficou conversando na cozinha com Danilo enquanto Alzira tomava banho .
    Disse que estava mesmo se sentindo muito bonita , e não só pelos assobios dos paraíbas da obra da esquina . Em vez de quarenta , estava vestindo tamanho 38 . Graças aos genes maternos tinha ótima pele , que mantinha em notável estado para uma mulher de 51 anos . O rosto bronzeado contrastava com os olhos amarelados e os cabelos louros de Ivonete , que últimamente só usava maiôs de duas peças pretos , cada vez menores , que para Danilo pareciam calcinha e sutiã . Ainda mais quando ela cruzava e descruzava as pernas sentada no banquinho da cozinha . Danilo fez um balanço e concluiu que dos seus cinco últimos “ cachorros de tapete “ bem sucedidos , pelo menos quatro não tinham pernas e coxas mais gostosas do que as de Ivonete . Nem os peitos de Alzira . Só mesmo a mineirinha casada , que dizia ter 30 anos , poderia ser páreo para elas . Ou elas estavam melhorando muito , ou a qualidade das conquistas estava decaindo demais .
    Não era o caso , mas se tivesse que escolher entre Alzira e Ivonete , Danilo não saberia o que fazer . Pelo jeito que dançavam , que mexiam os corpos , Danilo adivinhava nelas uma vitalidade e um apetite que quase nunca encontrava nos brotos .
    Depois do almoço , elas ficaram jogando cartas na sala enquanto Danilo tirava seu cochilo no ar-refrigerado .
    Acordou uma hora depois de pau duro , saindo do short , sem se lembrar do que tinha sonhado , e ficou com medo que o vissem daquele jeito . Se enrolou numa toalha e foi tomar uma chuveirada fria e se acalmar . Era melhor voltar para a praia .
    Depois do banho , Danilo vestiu o short e a camisa e foi para a cozinha , tomar uma Coca-Cola . Ouviu a voz de Alzira e os passos dos seus tamancos :
    “ A Ivonete já foi , te deixou um beijo .”
    Com a geladeira aberta sobrava pouco espaço entre a porta e a pia na bancada da cozinha . Foi por ali que Alzira se esgueirou , apertando as costas de Danilo com os seus peitos :
    “ Pega uma para mim também , estou morrendo de sede “.
    Além dos tamancos , Alzira estava de short , com uma camisa de homem com os três primeiros botões abertos , mostrando boa parte dos seus seios apertados no sutiã preto . Danilo mal teve tempo de lhe entregar a Coca-Cola , os corpos se aproximaram perigosamente se abraçaram quase sem querer . E começaram a se beijar com fome e prazer .
    O barulho das Coca-Cola se espatifando no chão deve ter encoberto o girar da chave na porta da cozinha e a interjeição de espanto de Ivonete , que voltara para buscar as formas de bolo que havia esquecido .
    Na moldura da porta aberta , Alzira e Danilo viram a expressão de surpresa , decepção e horror de Ivonete que começou a chorar , bateu a porta e desceu correndo as escadas . Até Alzira pegar o elevador e chega à portaria , ela já havia sumido na Avenida Atlântica .
    Danilo ficou como um bobalhão na cozinha , tomando Coca-Cola e tentando imaginar o tamanho da enquenca . Numa hipótese otimista talvez pudesse comer Alzira , e depois Ivonete . Afinal , eram todos amigos . Talvez tivesse sido só o choque da surpresa , logo Ivonete voltaria à alegria de sempre , afinal não acontecera nada além de um beijo rápido . Podia beijá-la também , se ela quizesse , não precisava ficar com ciúmes . E além disso , ele não tinha compromisso com ninguém , não traíra ninguém .
    Quando Alzira voltou , Danilo não entendeu muito bem o que ela gaguejou , nervosíssima chorando :
    “ Fui na casa dela mas ela não quis abrir a porta de jeito nenhum , disse que não quer conversa , acho que está muito magoada “ . Alzira falava com uma voz grave e triste , como Danilo nunca ouvira .
    Tentou abraçá-la e levou um safanão :
    “ Sai fora ! Nenhum homem do mundo vai acabar com a minha amizade com a Ivonete . Meu Deus , o que é que eu vou fazer ?”
    Telefonava sem parar para a Ivonete :
    “ Ela não quer atender , desliga quando houve a minha voz “ , e começou a chorar , encolhida no sofá , com a televisão ligada sem som . Danilo saiu em silêncio .
    Ivonete acabou atendendo Alzira e a recebeu em sua casa . Alzira passou a noite pedindo desculpas e dizendo que a amava mais do que a uma irmã , que aquela fraqueza infeliz tinha servido para mostrar como era impossível imaginar a vida sem ela , que faria qualquer coisa para vê-la feliz , fariam uma viagem , se divertiriam , começariam outra história . Terminaram aos prantos , beijos e abraços , dormindo de mãos dadas como duas irmãs .
    No dia seguinte , Danilo estranhou que elas não aparecessem na praia . Foi até o Edifício Gibraltar procurar por Alzira , e o porteiro disse que elas haviam viajado . Não sabia para onde , nem quando voltavam .
    Era mentira , elas ainda estavam no Rio , apenas tinham mudado de praia . Passaram a freqüentar o Posto Cinco , onde ninguém as conhecia .

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    Abraços e beijinhos carinhosos com gosto de abacate com açúcar e limão , recheados de carinho , muuuiita saúde e paz .

  47. Petraem 12 ago 2010 �s 07:01

    O filme em 35 mm mais antigo do mundo; rodado em San Francisco USA a partir de uma câmera montada na frente de um bonde em 1906 , pouco meses antes do grande terremoto que destruiu a cidade! O fascinante neste vídeo é poder observar a grande avenida e seu trafego de bondes, veículos, carroças, cavalos na mais completa balburdia!

    As pessoas são exemplos de perfeita inspiração para um quadro de Toulouse Lautrec, desfilando seus trajes com os indefectíveis chapéus, desprezando as regras de como transitar no meio daquela “babilônia”!

    Reparem o detalhe: a linha eletrificada dos bondes é no subsolo entre os dois trilhos ficando desta forma preservada a “beleza da paisagem” e não se vê redes aéreas de energia.

    http://www.youtube.com/watch_popup?v=NINOxRxze9k

    Beijinhos carinhosos .

  48. Amaury A. Guedesem 12 ago 2010 �s 10:53

    http://www.youtube.com/watch?v=GMZ-tvC6Lkc&feature=player_embedded#!

    Jet Blue- Flight Attendant Slider……( Sou fã desse senhor)

    Dr. Maia, Um abraço e muita saúde. Parabéns pelo seu aniversário

  49. Petraem 12 ago 2010 �s 18:27

    REPASSANDO ;

    Mais uma boa ação da INTERNET ..

    Confirmei a veracidade pelos telefones oferecidos.

    O serviço é gratuito mesmo. Para fora do RJ, há que se pagar somente o frete.

    Divulgue, por favor!

    Empréstimo: Camas hospitalares e cadeiras de rodas. Gratuito e EM TODO BRASIL!

    Um ser humano muito especial, chamado Aroldo Mendonça, integrante do Rotary Clube, formou um banco de leitos hospitalares e cadeiras de rodas e os empresta, sem cobrar nada, só pedindo em troca a sua devolução, quando não é mais necessária. Ele é um anjo da guarda para muita gente.

    Atualmente, o banco, conta com mais de 600 leitos espalhados por todo o Brasil, já que o Sr. Aroldo conserta e aceita doações das camas hospitalares e cadeiras de roda, mesmo quebradas, ele retira no local e leva para a sua oficina que é especializada nesse tipo de conserto; As doações são as propulsoras dos empréstimos e ajudam a mais e mais pessoas, todos os dias e em todos os pontos do país, sem pedir nada em troca..

    O frete dos empréstimos fica por conta da pessoa interessada que faz uma espécie de contrato com o Sr. Aroldo por seis meses, sendo renovável por mais tempo, mediante a necessidade do prolongamento do uso do equipamento.

    Caso precise, ligue para o Sr. Aroldo Mendonça: (21) 2761-4923 ou (21) 9636-8000

    Vale divulgar, não é mesmo?

    Passe para sua lista de contatos, de modo a chegar a quem precisa.
    Se alguém conhecer pessoas ligadas a hospitais divulguem também.

    Acredito que se você não precisa e pode ajudar, vai aí uma ótima causa!

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    Beijinhos carinhosos .

  50. Petraem 13 ago 2010 �s 05:12

    Bom dia , Dr. Maia !
    A medida que o tempo avança , a angústia em relação ao nosso acordo aumenta e assim volto a arrastar correntes no meu plantão da madrugada .
    Para espairecer , volto a colocar mais um conto do livro de Nelson Motta ;
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    “ Felizes para sempre “

    O galante dr. Gouveia , com seus ternos bem cortados e seu topete construído diariamente com brilhantina e paciência , morava em uma boa casa de dois andares no Bairro Peixoto , com a filha adolescente Camila e a esposa Anita . Viviam em paz e harmonia na Copacabana idílica do final dos anos 50 , na euforia dos anos JK , de quem Gouveia era eleitor entusiasta .
    Gouveia estava se tornando um respeitável e próspero pediatra , com uma vasta clientela d filhos de classe média da Zona Sul carioca . Gostava de jogar peteca na praia , tinha um bom físico para seus 50 anos , caprichava nos ternos e nas gravatas , que o faziam se sentir com mais autoridade e inspiravam mais confiança nos pacientes ou em suas mães .
    Além de mães , Gouveia também gostava de crianças , era cuidadoso e competente , muito delicado e paciente . E galante . Sempre pronto para um elogio do cabelo , do vestido ou da forma física da mãe , e da beleza e vitalidade do rebento .
    Mas Gouveia não queria comer ninguém , era só galante , fazia parte do seu estilo meio antiquado . Era apaixonado pela esposa Anita , sua primeira e única namorada , adorava a filha Camila , pianista que os dois consideravam potencialmente um gênio musical . Gouveia gostava muito da sua família , de seu trabalho e de sua vida , só não gostava do próprio nome , herdado do pai e do avô , junto com o consultório médico .
    Poucos o conheciam como Cornélio Gouveia Neto . Até na porta do consultório , no bloco de receitas e no carimbo do registro profissional ele se apresentava como dr . C.Gouveia Neto . Nos hospitais , era conhecido como dr. Gouveia Neto . Até a esposa e a filha o chamavam de Gouveia . Só à sua velha mãe permitia chamá-lo de Nelinho . E mesmo se não permitisse , ela chamaria . Até de Cornelinho , se quisesse . E ele atenderia .
    Com 19 anos , tocando em uma apresentação de jovens talentos no Conservatório Musical Lorenzo Fernandes , Camila ganhou um fã : o jovem diplomata Sérgio ramos Baptista , dez anos mais velho do que ela , de férias no Brasil d seu posto na Embaixada em Londres .
    Foi amor à primeira vista , às primeiras notas . Sérgio amava louras diáfanas e música clássica , especialmente para piano , e principalmente tão bem tocadas . Ficou encantado com o que ouviu e viu , e foi cumprimentá-la no camarim .
    Quando viu aquele jovem cavalheiro de terno cinza risca de giz , camisa branca e gravata preta de tricô , Camila sentiu o perfume de gente elegante e bem nascida . Ele estava emocionado com as suas interpretações e beijou suas mãos com ardor . Camila sentiu o coração bater mais forte e acelerado , como nunca sentira na vida . E teve certeza de que era o seu príncipe encantado que chegava em seu carro b ranco puxado por oitenta cavalos .
    E era mesmo . Como em um conto de fadas moderno , tudo foi fácil e rápido , as famílias se conheciam , logo os dois se tornaram um par constante . Sérgio passava as tardes em casa ouvindo-a tocar piano e, á noite , a levava a um cinema em Copacabana e depois para um sorvete no Bob´s ou uma pizza no Caravelle . No fim das férias a pediu em casamento .
    Gouveia e Anita ficaram chocados . E com os corações divididos . Sérgio era perfeito para Camila , para qualquer mulher . Em Londres , ela poderia ter os melhores professores de piano , assistiria aos melhores concertos dos melhores pianistas , teria contato com a nata do mundo musical , poderia começar a sua carreira internacional .
    Mas eles perderiam a sua única e adorada filha
    . “ Calma , gente , eu não vou morrer , só vou morar um pouco longe “ , Camila os consolava , “ vocês vão me visitar quando quiserem, nós vamos ter um quarto para vocês . E claro que quando o bebê nascer vai ser examinado pelo dr. Gouveia “ .
    Depois de dois meses de intensa troca de cartas , cada vez mais ardentes , pela mala diplomática , Camila partiu com os pais para Londres , para três semanas com o noivo .
    Antes da partida , com Camila estudando piano, Anita arrumava sua mala e , ao ver o maço de cartas enlaçadas por uma fita rosa, não resistiu . Afinal , era só para o bem dela , para protegê-la , ainda era uma menina . Não devem existir segredos entre mãe e filha .
    O namoro estava quente , Anita enrubescia mais a cada carta qie lia , em ordem cronológica , com o crescendo da paixão e do desejo dos noivos de consumar o que havia começado no Rio . Nas últimas filas dos cinemas , ou nas noites em que não foram ver os filmes para assistir às “ corridas de submarino “ na praia do Arpoador , no banco detrás de um carro , fazendo seu próprio filme . Que parava no momento de suspense máximo .
    “ Entre essas coxas de alabastro , lisas como a seda mais fina , quentes como os teus beijos de amor “, escrevia Sérgio . O que viria depois ? , se angustiava Anita , ao mesmo tempo em que sentia uma estranha mas poderosa excitação lhe tomando pelas entranhas , disparando os seus hormônios e a sua imaginação . Não só de mãe , mas de mulher . . Não conseguia parar de ler .
    “ … minha língua acariciava os teus botões de rosa úmidos e túrgidos , enquanto a minha mão conhecia as portas quentes e molhadas do paraíso “ , se entusiasmava o noivo . A noiva se revelava um vulcão de sensualidade , jamais suspeitado pela mãe , e , pior , já em erupção .
    “ como em um sonho , sinto de novo a pressão dos seus lábios me levando ao êxtase e dando à sua boca o gosto do meu amor .”
    Na última carta , já nus no quarto dela , quando os pais haviam saído para jantar fora , estiver perto , muito perto , de romper a última barreira . Para que esperar mais , se queremos tanto , e vamos nos casar ? , ele pedia . Quanto mais a gente esperar , mais gostoso vai ser , o mundo não vai acabar , ela prometia .
    Ufa! A filha ainda chegaria virgem a Londres , Anita leu a última carta . E que importância tinha isto ? Sua mãe estava com a calcinha úmida de excitação .
    Sentiu um calor lhe subindo pelo rosto , fechou rapidamente o maço de cartas com a fita cor – de – rosa , como se alguém pudesse chegar a qualquer momento e surpreendê-la naquele estado . Mas , a menos que o piano estivesse tocando sozinho , ninguém apareceria . Foi direto para o chuveiro , tomou um longo banho frio , tentando se esquecer do que lera , e como se sentira . Mas não esqueceria nunca .
    A viagem a Londres foi puro prazer . Para todos . Gouveia , encantado com a civilização , a educação , a cultura , as brilhantinas Yardley , se sentia um Humphrey Bogart com seu impermeável Burberry´s . A filha estava em boas mãos . Anita concordava , cada dia descobrindo novas qualidades no genro , um homem bonito e inteligente , elegante , de ótima família , com uma carreira brilhante pela frente . E de temperamento ardente – mas isso só ela e a filha sabiam .
    Todos os dias observava Camila , se perguntando se ela ainda seria virgem . Muitas vezes sentia medo de estar olhando o genro como alguém que sabe o que ele disse e fez com a sua filha . Mas pelas expressões deles , não pareciam nada preocupados , tudo seguia em plena harmonia . Sérgio trabalhava de segunda a sexta na Embaixada , mas todas as noites os levava a um restaurante , cada um melhor que o outro – indianos , chineses , japoneses , italianos , franceses e até ingleses , que desmentiam a má fama da comida local . Além dos musicais nos teatros do West End e os filmes em Piccadilly aos sábados , os passeios pelos parques aos domingos .
    Além disso , foram convidados para uma recepção de gala que o embaixador Porto Domingues ofereceria ao Corpo Diplomático nas comemorações do 7 de setembro . Vários membros da família real inglesa eram esperados , se excitava Anita . Camila preferia assistir a um concerto em Albert Hall ou um balé em Covent Garden , iria só para acompanhar Sérgio , estava incomodada por ter que comprar um vestido longo em Regent Street . Gostaria muito mais de ficar com Sérgio no quarto dele , nua debaixo do edredon de plumas e com a lareira acesa , como no último sábado , enquanto os sogros faziam uma excursão ao castelo de Windsor , distante uma hora de Londres . Quando chegasse , Anita notaria uma expressão diferente de felicidade na filha . Coração de mãe não se engana .
    Voltaram para Londres felizes , menos Camila , que havia provado do “ taste of honey “ e teria que esperar mais dois longuíssimos meses até o casamento no Rio de Janeiro , no Outeiro da Glória .
    Os dois meses seguintes foram dedicados aos preparativos do casamento , à lista de convidados , à festa , à lua d mel em Paris , até algumas aulas de piano foram negligenciadas . Anita não parava , se sentia mais nervosa do que se fosse seu próprio casamento . Mesmo se a filha não fosse mais virgem , tudo mais seria novidade , um país estranho , uma língua estrangeira , o inverno rigoroso , sem amigos , sem os pais . Felizmente estaria com o seu príncipe moreno , de ternos de Saville row , sempre penteado e perfumado , falando várias línguas , conhecendo membros da realeza inglesa , apaixonado e insaciável , louco para beijá-la e penetrá-la dia e noite .
    O casamento foi um sucesso , um acontecimento social que ocupou as colunas de jornais e fofocas de cabeleireiros e modistas.
    Quando Camila se casou , já estava grávida . Enjoou durante toda a lua de mel e só em Londres , com a ajuda de um obstetra competente , começou a melhorar . A gravidez foi tranqüila , olhando as cores do parque mudarem com as estações , estudando piano como nunca , cada vez mais apaixonada pela música . Todas as semanas ia a concertos na Royal Opera House , no Barbican , no Queen Elizabeth Hall . Conseguiu uma ótima professora , miss Bonievski , uma ex-concertista polonesa que havia perdido parte dos movimentos dos dedos , mas estava lhe ensinando os segredos da disciplina , do toque preciso , da leveza das mãos sobre o teclado .
    Passado o ímpeto inicial , o despertar da sexualidade , a gravidez e o piano passaram a ocupar quase todo o espaço no desejo e nas atenções de Camila .
    Gouveia levou um susto quando Anita desligou o telefone e lhe disse que o bebê iria ter o nome do avô . Era o paterno , para alívio de Cornélio . Se chamaria Carlos Augusto , mas Camila e Sérgio só o chamavam de Charlie . Os avós só o conheceriam pessoalmente no Natal , quando a família viesse ao Brasil .
    No fim do verão, Charlie voltou com a mãe para Londres , deixando os avós saudosos , depois de dois meses de convívio diário . Sérgio voltou antes porque tinha que trabalhar e Camila ficou mais um mês com Charlie e os pais , esperando o fim do inverno europeu .
    Depois de um mês em Londres , Camila insistiu tanto que Anita teve que ir . Mesmo com a ajuda de uma nanny inglesa e de Sérgio , que passava o dia na Embaixada , ela estava se sentindo muito só e deprimida . Charlie chorava muito , era manhoso , Camila estava nervosa e exausta com tantas noites em claro , na frieza e umidade de uma cidade estranha . Nenhuma mãe resistiria ao apelo . Por sua vontade , Anita já teria embarcado com o neto no final do verão .
    Anita ficou em Londres até junho , foram dois meses deliciosos de primavera , apesar de um ou outro choro de Charlie . Sérgio , como sempre , um gentleman impecável , coitado , tinha muito boa vontade mas nenhuma habilidade com bebês . Camila havia melhorado , estava mais animadinha , mas ainda não estava como era antes . Se sentia cansada , desanimada , pouco tocava piano , para não acordar Charlie . Anita administrava a casa , fazia a comida , dava instruções à nanny Annabel , cuidava do neto , da filha e do genro . \estava cansada , mas muito feliz com a nova fase da sua vida .
    Durou pouco a separação do neto . Já no início de julho , fugindo do calor londrino , Camila e Charlie vieram para o Rio de Janeiro . Sérgio ficou trabalhando em Londres .
    No início de setembro voltaram para casa , deixando Anita devastada de saudades . prometeu que iria a Londres para o primeiro aniversário de Charlie , em outubro . E foi .
    Mas Camila não estava bem . Teve vários desmaios , aparentemente sem motivo. Voltou a ter enjôos , mas com certeza não estava grávida de novo . Sentia dores de cabeça , perdeu o apetite . Não tinha ânimo nem para tocar piano . O médico pediu uma série de exames , e o diagnóstico era o pior possível , confirmado por uma segunda e terceira opinião : Camila tinha um tipo raro de leucemia , estava condenada a alguns meses de vida .
    Desesperado com a notícia , Gouveia partiu para Londres .
    Foram os meses mais tristes de suas vidas , vendo sua bem-amada Camila definhar , passar por transfusões diárias , sofrendo brutais tratamentos químicos que a faziam vomitar e a deixaram careca .. Foram meses de muita tristeza e muito sofrimento , em que Anita teve que assumir as funções de mãe , cuidando de Charlie e administrando a casa . Além de consolar Gouveia e Sergio ..
    Gouveia ficou devastado . Como médico , tinha ainda maior consciência da sentença de morte que pesava sobre sua única filha . Sua vida estava acabada , pensava . Com 52 anos , uma carreira brilhante , dinheiro , prestígio e saúde , mas só pensava em morrer .
    Camila só voltou ao Brasil morta , aos 22 anos , cinco meses depois de diagnosticada . no mesmo avião , Sérgio , Gouveia e Anita levavam Charlie para o sepultamento da mãe .
    Sérgio teve uma semana de licença para ficar no Rio , mas em seguida deveria voltar para Londres com Charlie , seu único consolo para o inconsolável vazio deixado por Camila .
    Por mais que Gouveia e Anita insistissem que estariam em melhores condições de criá-lo , pelo menos nos primeiros anos , no Rio de Janeiro , onde o clima era melhor , onde teriam muito mais tempo para dedicar ao neto , que ainda teria um avô pediatra em casa , Sérgio estava irredutível . Charlie voltava com ele . Os avós eram bem-vindos a acompanhá-lo , seria muito bom para o menino , mas tinam suas vidas e seus compromissos , não podia lhes pedir isso .
    Com 42 anos , Anita sentiu um abismo abrindo se abrindo aos seus pés , como nos romances que lia na adolescência . O que lhe restava de Camila e da vida , além de Charlie ? Como Sérgio o criaria sozinho ? Com uma nanny ?
    A avó paterna , Irene , era viúva e vivia entrevada em uma cadeira de rodas , depois de um pavoroso acidente na serra de Petrópolis . Em nada poderia ajudar .
    Gouveia estava um farrapo , perdera muito peso , chorava muito , foi visitado por incontáveis amigos e ex-pacientes , pais e filhos que ele havia curado de doenças , aliviado o sofrimento , ajudado a manter saudáveis . Ele não poderia simplesmente ir para Londres , deixando dezenas de crianças sem os seus cuidados . E de que adiantaria ? Já que não morreria , por que viver onde não conhecia ninguém , não falava a língua e não tinha possibilidades de exercer a sua profissão ? Se não tinha mais a sua filha , o melhor a fazer era cuidar dos filhos dos outros .
    Concordaram que Anita voltaria com Charlie para Londres e ficaria os três meses iniciais , até que a vida da casa se normalizasse . E que Sérgio conseguisse uma nova nanny , ela a aprovasse e , como avó e mulher de pediatra , a orientasse sobre como criar o seu neto .
    Durante três meses , o menino cresceu saudável , com a avó e a nanny Annabel , uma jovem escocesa de pele alva e cabelos ruivos , até graciosa , mas que não parecia muito confiável . Dava uns olhares estranhos para Sérgio . E não parecia muito amiga de banhos .
    Sérgio , coitado , chegava em casa cansado , bebia um pouco , cochilava na frente à televisão , e acabava dormindo . Anita descalçava os sapatos dele , colocava seus pés no sofá e o cobria com uma manta . E o beijava de leve na testa , como fazia com Charlie , murmurando “ sweet dreams “.
    Nos sábados e domingos , quando o tempo permitia , levavam Charlie para passear no Hyde Park , deitavam-no em um pano sobre a grama e o deixavam respirar o ar puro de Londres , enquanto tomavam chá gelado e viam passar casais de patinadores entre cavaleiros e amazonas , assustando seus belos animais .
    Foram tristes e cinzentos os primeiros fins de semana , mas com a chegada do verão , do calor , do sol e da luz , a grama e as árvores dos parques ganharam um novo brilho . Mesmo com a temperatura ainda em 12 graus , vários ingleses já se deitavam de sungas e maiôs ás margens do Tamisa , em busca d sol para seus corpos leitosos , espantava-se Anita .
    Não só três , como quatro e cinco meses se passar, rapidamente . O outono encontrou Sérgio e Anita empurrando o carrinho de Charlie pelo parque coberto de folhas vermelhas , amarelas e alaranjadas . O menino estava tão apegado a ela , e ela dedicava todo o seu tempo e seu carinho a ele , que Sérgio se preocupava com a volta de Anita para o Brasil .
    Mas só raramente o assunto era tocado . Com certeza Charlie não poderia estar em melhores mãos , de alguém educada , inteligente e experiente , do seu próprio sangue , e ficaria profundamente abalado , sem a avó , e a mãe . A nanny Annabel foi despedida por Anita , era pouco higiênica e meio folgada , e a nova , mais séria e madura , era miss Simpson , uma gorduchinha de Brixton.
    No Royal Albert Hall , Sérgio e Anita assistiram , aos prantos , ao concerto da nova sensação do piano , a jovem argentina Marta Argerich , sem deixarem de pensar em Camila um segundo , era quase como se a vissem e ouvissem ali . Voltaram para casa de mãos dadas e cabeças vazias sem dizer uma palavra .
    No início do inverno , Londres sob chuva , frio e vento , foram ao aeroporto de Heathrow buscar Gouveia , que chegava para uma visita de uma semana . Seis meses haviam se passado , Charlie estava gorducho e rosado , nos braços de miss Simpson . Anita mostrava ótima aparência , mais magra com os cabelos mais claros e curtos , numa capa preta muito elegante . Sérgio , gentilíssimo , também parecia mais bem disposto , havia a possibilidade de uma transferência para o consulado em Paris , a vida continuava .
    Também para Gouveia . O consultório , as visitas , os hospitais , as preocupações com os filhos dos outros , ocupavam o espaço deixado por sua filha . Difícil era quando chegava em casa , á noite . Terríveis , os fins de semana . Ansiava por um chamado de urgência para tirá-lo da sua solidão e de suas lembranças . Sentia muitas saudades de Anita , que expressava em longas cartas semanais de estilo rebuscado . Mas estava voltando á praia , á peteca , indo ao futebol com os amigos , já estava recuperando a sua cor , e até engordara um pouquinho .
    Anita o achara mais gordo do que nunca . E, pela primeira vez na vida , achou ridículo aquele topete de brilhantina que conhecia desde adolescente . Ainda mais em um homem de 52 anos . Para piorar , Gouveia havia tingido os cabelos de um pavoroso tom acaju .
    Foi uma semana difícil para Anita .
    Em Londres , ao mesmo tempo em que ocupava seu tempo com o neto , Anita começou a se preocupar mais com ela mesma , comprou roupas mais modernas , saias mais curtas , clareou os cabelos originalmente castanhos para cor de mel e se olhava no espelho como quem via a filha , uma bela mulher de 43 anos .
    Sérgio notou , e estimulou , cada mudança da sogra . Ela era impecável , não só nos cuidados com Charlie , mas nas atenções com ele , sempre discreta e educada , uma lady . Deu-lhe um lindo vestido longo de veludo negro , para que ela o acompanhasse a uma recepção no Palácio de Buckingham . Se permitiu até brincar com colegas da Embaixada :
    “ Quem não gostaria de ter uma sogra assim ?”
    Ou a apresentando a colegas estrangeiros :
    The most gorgeous mother-in-law i n town
    Anita enrubescia , feliz . Era um privilégio ter um genro tão elegante e cavalheiresco , um homem tão bonito e inteligente , com tanto futuro . Não passava pela sua cabeça voltar a morar no Brasil .
    A chegada de Gouveia obrigou Anita a profundas reflexões . Sentia falta das amigas , embora mantivesse intensa atividade epistolar e de alguns poucos parentes . Do dia a dia com Gouveia , não . Não conseguia se imaginar de novo naquela casa , vivendo o vazio de Camila ,
    Ao lado daquele homem , com quem já vivera uma vida , lhe parecendo um estranho , com aquele topete indecente . Nunca fora apaixonada por ele , começara o namoro por insistência dele , casara-se com 20 anos , por pressão das duas famílias amigas , em 1941 . Logo Camila ocupara todo o seu espaço de afeto e sua vida tomara outro rumo .
    Aprendera a entender e respeitar Gouveia , que era um bom homem , sério , generoso com ela , sempre muito gentil . Mas amor era outra coisa . Até mesmo beijá-lo sempre fora difícil para ela , o sexo foi se espaçando . Se habituara a viver , como sua mãe e sua avó , a vida do seu marido . Mas agora era diferente , ela tinha outras possibilidades , ainda tinha bastante juventude , e já muita experiência , além de muita vontade de viver , viajar , comer e se vestir bem . De sexo e romance . Como toda mulher , não sabia bem o que queria . Mas não queria voltar ao Brasil .
    Gouveia voltou sozinho . Anita decidiu ficar em Londres e seduzir o genro .
    Não seria difícil . Com um cenário tão favorável , uma mulher bonita e elegante disposta a dar e ter prazer , e um homem tão cheio de vigor e desejo , com tanto futuro , seria inevitável . Para o bem de Charlie .
    Na sala aquecida pela lareira , enquanto o bebê dormia no quarto , Sérgio e Anita tomavam vinho aconchegados no sofá diante da televisão . Sob o mesmo cobertor , os corpos de genro e sogra se encontraram no calor da noite . E nas noites seguintes .
    No Rio , por carta , Gouveia recebeu a notícia com grande dor , mas sem muita surpresa . Vendo os dois juntos em Londres , se sentira um intruso > Sabia que era só uma questão de tempo e que não poderia fazer nada para evitar . Depois de perder a filha , nada mais o abalaria .
    Vendeu a casa , e com ela muitas lembranças dolorosas , e mudou-se para um apartamento na avenida Atlântica . Dedicou-se ainda mais com afinco à clínica , passou também a atender no posto médico da favela da Praia do Pinto , na Lagoa . Até que uma noite sentiu falta de ar e uma pressão no peito e achou melhor chamar o seu colega e vizinho , dr. Romero , um cardiologista . Na clínica fizeram um eletrocardiograma , que revelou uma arritmia , controlada por medicação . Voltou para casa com recomendação de pelo menos duas semanas de repouso e alimentação sem sal e sem gordura , medindo a pressão diariamente .
    A conselho de Romero , Gouveia fez uma viagem de navio a Lisboa , Barcelona , Marselha e Gênova , e na volta conheceu a condessinha Franziska Zwarowski , uma jovem encantadora da nobreza polonesa falida , que viajava com a família , fugindo do comunismo .
    Uma gripe os aproximou . Gouveia a curou e ganhou seu coração . E de sua família . A mãe viúva , a tia e os dois irmãos o consideravam um homem muito educado e cavalheiresco . Embora não dominasse o polonês nem o inglês , Gouveia falava um ótimo francês , distribuía galanteios não só a Franziska e sua família , mas por todo o navio . Se sentia renascer no deque do SS Lavoisier , com o vento quente dos trópicos desmanchando o seu topete de brilhantina , que Franziska adorava . Convenceu-o a deixar crescer um bigodinho e dizia que ele estava a cara do príncipe Obolenski . Mais bonito , é claro.
    Já desembarcaram na Praça Mauá como namorados sob as bênçãos da família , que ainda mantinha os hábitos da nobreza de um bom casamento . Naquele momento de dificuldades , sem dinheiro , sem conhecer ninguém , numa terra estranha , o galante dr. Gouveia era um enviado de Deus .
    Franziska também foi um anjo em sua vida . Linda , loura , jovem , culta , educadíssima , encontrara nele o pai que não tinha , seria eternamente grata por ele ter abrigado a sua família nos primeiros tempos . Seria fiel e amorosa com ele até o fim de seus dias . Os trinta anos de diferença entre eles nunca foram um problema , mas uma solução : com ele , Franziska amadureceu ; com ela , Gouveia rejuvenesceu . Tiveram duas filhas bonitas e saudáveis – uma advogada e outra bailarina – foram muito felizes durante muito tempo . Gouveia morreu aos 83 anos , de causas naturais , dormindo .
    Anita e Sérgio provocaram um pequeno alvoroço no Brasil quando chegaram as primeiras notícias do novo casal . Mas em Londres eram apenas Mr. and Mrs . Ramos Baptista , presenças constantes e bem-vindas no circuito diplomático , um casal elegante e apaixonado . Ficaram mais quatro anos em Londres e Sérgio foi promovido e transferido para a Embaixada do Brasil em Genebra , onde viveram felizes por muitos anos , enquanto Charlie crescia e se educava nos melhores colégios .
    Criado com todos os mimos pelo pai e pela mãe-avó , Charlie sempre foi muito delicado e feminino , gostava de brincar com bonecas , de vestir fantasia e de ouvir contar histórias .
    Com 12 anos , quando foi para um internato em Lausanne , Charlie se mostrou um ótimo aluno , inteligente , sensível e já indisfarçavelmente gay . E se sentia muito bem assim , com o apoio do pai e da avó . A avó sonhava com um futuro concertista , mas Charlie demonstrava muito mais interesse pelas revistas de moda , o que a levava a imaginá-lo um criador de alta costura . Mas depois que se formou na Suíça , Charlie preferiu voltar ao Brasil e, como o pai , seguiu a carreira diplomática .

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    Veremos se funciona a transferência do email para cá , se não funcionar , desconsiderem o aviso abaixo .

    TOQUE QUALQUER INSTRUMENTO NO TECLADO DO SEU COMPUTADOR.

    CLIQUE AQUI

    Beijinhos carinhosos .

  51. Petraem 13 ago 2010 �s 05:14

    O link no comentário anterior não funcionou , mas agora com este endereço funcionará , quem tem aptidões artísticas / musicais vai se divertir …

    http://www.bgfl.org/BGFL/CUSTOM/RESOURCES_FTP/CLIENT_FTP/KS2/MUSIC/PIANO/INDEX.HTM

    Beijinhos carinhosos .

  52. Petraem 13 ago 2010 �s 06:27

    Faltou uma música para começar bem o dia de hoje , nada como Eric Clapton para dar o recado ;

    http://www.youtube.com/watch?v=86Kzks6SalE&p=1FC3059F2D3CABEB&playnext=1&index=14

    Abraços e beijinhos carinhosos recheados de saúde , carinho e paz !

  53. Petraem 13 ago 2010 �s 08:59

    Coluna de Luis Garcia , do Globo de hoje ;

    ” Sistema doente ”
    O ministro Joaquim Brabosa , do Supremo Tribunal Federal , foi fotografado num bar e numa festa em Brasília . Ficou indignado : as fotos supostamente colocariam em questão as repetidas licenças médicas que o têm afastado de julgamentos no STF por longos períodos desde fevereiro de 2008 .
    Em nota oficial , Barbosa informou que tem dores crônicas na região lombar e no quadril , e argumenta que seus médicos aconselharam ” poucos momentos de lazer ” , o que explica a sua presença na festa e no bar . Deve ter razão . Afinal , que direito têm ” aspirantes a paparazzi e fabricantes de escândalos ” ( na irada definição de Barbosa ) a fotografá-lo fora do STF fazendo apenas o que os médicos aconselharam ?
    Os problemas do tribunal não são o que acontece fora dele . São o que não acontece dentro dele . No momento , 57.121 processos esperam julgamento no STF . Apenas pouco mais de 20% entopem as prateleiras de Barbosa . Ou seja , 11.726 . Os outros ministros podem ter menos processos na fila , mas todos estão com prateleiras e gavetas lotadas .
    Ou seja , o problema não está no estado de saúde dos ministros : é o sistema que está doente . Há mais de 30 anos já se reconhecia que o Supremo estava abarrotado de processos , o que levou à criação , já em 1989 , do Supremo Tribunal de Justiça . A idéia era a de que ele seria a última instância de todos os processos que não envolveriam a Constituição . Os que tivessem a ver com ela ficavam para o STF .
    Numa modesta opinião de leigo , tenho a impressão de que o pessoal esqueceu de ler a Constituição . Pelo visto , ela cuida de quase tudo . Que outra razão explica a existência dos 57 mil e tantos processos na pauta do STF ?
    Entre os 11 mil e tantos processos no gabinete de Barbosa está o do mensalão , com 40 réus . Quem se atreveria a dar um palpite sobre quando ele chegará ao fim ?
    Há certamente remédios eficazes para as dores crônicas do ministro Barbosa . Mas ainda não surgiu , dos políticos e dos juristas brasileiros , qualquer proposta de cura para o inchaço nas prateleiras do STF. Na verdade , poucas vozes ilustres e sábias têm sido ouvidas revelando pasmo a indignação em face do problema .
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    Beijinhos carinhosos .

  54. Roberto Santannaem 13 ago 2010 �s 11:17

    É Petra, enquanto isso ficamos aqui à deriva sem qualquer perspectiva de solução do nosso caso. Lamentável!

  55. Amaury A. Guedesem 13 ago 2010 �s 12:47

    Oi gente,
    uma boa oportunidade para quem dispor de R$12,00 para comprar a revista PIAUÍ 47, tem uma boa matéria, inerente relevante sobre o Supremo. Acredito que em breve será liberada a matéria na Internet. O Link abaixo é o seguinte: http://revistapiaui.estadao.com.br/
    PIAUÍ_47 Agosto de 2010 (revista mensal)
    Título (Data venia, o Supremo)
    O funcionamento e o cotidiano do STF. reportagem Luiz Maklouf Carvalho
    Obs. Vai da página 36 até a 46, e ainda continua na próxima edição.

    amaury.guedes@gmail.com
    Vai dar tudo certo!

  56. Petraem 13 ago 2010 �s 14:47

    Dr. Maia , veja só , sobre o que é a crônica do Nelson Motta do Globo de hoje ;

    ” Estado de calamidade postal ”

    Não sou exceção, sou mais uma das incontáveis vítimas do apagão postal e do desastre administrativo dos Correios. Mas tenho uma coluna de jornal.

    Casos como o meu se multiplicam todos os dias, com incalculáveis prejuízos para quem confia nos Correios. Recebi no dia 10/8, em Ipanema, um boleto bancário postado no dia 3/8, no Centro da cidade. O envelope levou uma semana, entre dois bairros do Rio de Janeiro. Se viesse a pé teria chegado em duas horas. Os Correios dizem que faltam aviões.

    Mas a questão é: quem vai me reembolsar os 10% de multa que fui obrigado a pagar por culpa dos Correios? E a vergonha que passei? Quem paga os prejuízos econômicos e morais dos pagadores pontuais que passam por inadimplentes? Quem se responsabiliza pelo tempo que se perde e o dinheiro que se gasta com atrasos e documentos extraviados?

    À enxurrada de reclamações nos jornais, respondem sempre que “os Correios têm não sei quantos anos de serviços prestados, padrão internacional de atendimento, estamos nos esforçando para…”

    Mas nada mudou. Só trocaram o presidente, para engabelar a opinião pública em ano eleitoral. Mas vocês viram a cara do novo chefão dos Correios? Ninguém confiaria uma carta para aquele homem entregar. O apagão postal faz milhares de pessoas honestas e pontuais perderem prazos, pagarem juros injustos e multas indevidas. Se os Correios não são mais confiáveis, não temos opção. O ex-ministro Hélio Costa logo diz que é lobby pela privatização. Mas é o responsável pelas nomeações que fizeram dos Correios o que hoje são.

    Aparelhar órgãos públicos e estatais, fazer politicagem com cargos, tem um alto custo – para os funcionários e os usuários – tanto em corrupção como no apodrecimento administrativo. As provas vivas são os atuais Correios e as históricas imagens de Maurício Marinho pegando dinheiro, que levaram à CPI do mensalão.

    Assim como carimbam a data da postagem no envelope, os Correios deveriam ser obrigados pelo Procon a carimbar a data da entrega. E assumir as responsabilidades legais pelos prejuízos. Se fosse assim, as indenizações já teriam quebrado os Correios.

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    Beijinhos carinhosos .

  57. Petraem 13 ago 2010 �s 16:15

    Vá que ajude alguém …

    Tudo o que um homem sempre quis saber sobre aquele cômodo cheio de azulejos que não é o banheiro…
    Todas as receitas são caseiras e fáceis de fazer, além de dicas de como conhecer cada tipo de carne, como aproveitar o arroz que queimou…etc
    Especial pra quem mora sozinho!!

    http://www.megaupload.com/?d=UQB3JG03

    ___________________________________________________________________

    Beijinhos carinhosos .

  58. Carolinaem 13 ago 2010 �s 17:33

    Lucia!

    Espero que voce esteja errada, pois agora o que nos move é esse acordo, primeiro eles nos dão a esperança, estamos em Brasilia,vamos ter notícias, agora nos tiram a esperança, pois um acordo é improvável, qual é, querem nos matar antes do tempo?,já estamos morrendo, não precisamos mais de noticias falsas.
    Queremos que a Graziela fale nos dê noticias, gente daqui a pouco vamos completar 5 anos, Dr. Maia se o Sr. não tem noção o que tem gente com prblemas cardíacos, com cancer, com depressão e síndome do pânico, gente eu fiquei boba quando soube, estamos sendo sustentados por parentes, filhos, até amigos, que vida é essa.
    Ou vamos botar a boca antes das eleições, ou vamos comer capim.
    Minhas reservas estão acabando, não sei o que fazer,preciso de uma solução o mais rápido possivel, por favor Graziela sei que voce entra no blog, nos dê uma resposta, nós somos os únicos interessados, e somos nós que não temos noticias.

  59. nilton filhoem 13 ago 2010 �s 18:27

    PESSOAL, A JUSTIÇA DIVINA ESTA FAZENDO A PODEROSA TAM UNIR-SE A LAN, AGORA SIM O BRASIL ESTARA BEM REPRESENTADO LATAM, É UMA PIADA, MAS QUEM SABE AINDA APROVEITEM O NOME VARIG PARA DIVULGAREM O BRASIL.
    ABRAÇOS A TODOS.

  60. paizoteem 13 ago 2010 �s 19:45

    O bom em não haver notícias novas, é que não há notícias ruins novas.

  61. Petraem 13 ago 2010 �s 20:15

    Por que esta notícia da fusão da TAM com a Lan Chile me deixou tão triste ?
    Li que a TAM agora se tornou uma mega companhia , e isto no lugar que era ocupado pela nossa Varig .
    E pensar que ninguém na época quis nos ajudar , passamos pelas mãos de um escroque chinês , através de um leilão fake , para tudo acabar numa empresa de ônibus …
    E isto tudo nas barbas deste nosso governo que não moveu uma palha para mudar a história e salvar o que era a mais confiável e competente empresa aérea deste país .
    Cegueira empresarial .
    Como pudemos acabar desta maneira ?
    Acho que hoje mais uma vez não terei uma boa noite de sono , devo novamente arrastar muitas correntes .
    Além de estar triste e muito decepcionada por mais uma semana ter chegado ao fim e não termos nenhuma notícia em relação ao nosso Aerus .
    Beijinhos carinhosos .

  62. Roberto Santannaem 13 ago 2010 �s 22:49

    Não fique triste minha amiga, isso mais ou menos era o esperado, porque sózinhos êles (TAM) não tinham estrutura para alçar vôos maiores. Como já te falei uma vez, você é a “musa” do blog e por isso é estranho ver você triste, ao contrário você sempre levanta o astral do pessoal, eu inclusive. Deixe as correntes de lado e tenha um ótimo sono. Um abraço do seu amigo Santanna. Dr. Maia, saúde e um bom fim de semana.

  63. CARLOS EDUARDOem 13 ago 2010 �s 22:53

    É Petra mais uma vez voce esta com a razão, vou ti ajudar a carregar as correntes.
    Um bom final de semana.

  64. lucia pconseguiramaesem 14 ago 2010 �s 00:26

    Boa noite para todos . Prezado Dr. Maia, peço licença para fazer um apelo a Graziela para que se reuna conosco para esclarecer os fatos, relativo ao acordo , pois não aguentamos mais esperar por noticias . Sabemos que ela tem feito o que pode para resolver o nosso problema AERUS , mas a impresão que tenho é que eles continuam a enganar a ela e a nós com falsas promesas . antes , pelo o que entendi a ação civil não deveria ir a jugamento sem que todas as provas estivessem construidas , agora vamos com o que temos e seja o que Deus quizer . Realmente sinto um mal presentimento com tantas incertesas e duvidas , já disse e volto a repetir , prefiro saber que vou morrer do que ficar ouvindo do medico falsas esperanças . Porfavor não me levem a mal , não tenho intenção de ofender , mas estou exausta . Espero ser atendida no meu pedido pois com certeza o desejo de me reunir com a Grasiela não é só meu , queremos ouvi-la .

  65. Freitasem 14 ago 2010 �s 00:35

    Amigos e amigas, pelo andar da carruagem creio que vamos acabar tendo que fazer o que fou sugerido há algum tempo por alguns heróicos colegas: a greve de fome.
    Só desta maneira conseguiremos chamar a atenção das autoridades e do grande povão. Sei que isto vai exigir um sacrificio enorme pois já estamos em idade avançada e ficar sem comer vai ser muito dificil. Mas neste momento eu pergunto: e se nossa situação não for resolvida não iremos passar fome a partir de janeiro, quando acaba o dinheiro do Aerus? Então torna-se razoável passar agora alguns dias de fome e evitar a desgraça maior a partir de janeiro. Sei que é uma atitude extrema, mas tudo já foi feito para chamar a atenção para o nosso drama e não deu nenhum resultado. Ao contrário, como não há mais nenhuma divulgação na mídia as pessoas acham que nossa situação já foi resolvida.
    Dito tudo isto, penso que só nos resta esperar até setembro. Se não houver uma solução vamos partir para a bendita greve de fome. Pode ser que assim a gente deixe de ser invisivel e aconteça alguma coisa.

  66. Polianaem 14 ago 2010 �s 02:25

    Sera que este Blog mudou de dono?
    Porque já mudaram os assuntos!!!
    Poliana

  67. Polianaem 14 ago 2010 �s 02:34

    Dr. Maia,
    Esta notícia é boa ou não para nós???

    Seção Judiciária do Distrito Federal(DF)
    Consulta Processual – w2

    Processo: 2004.34.00.010319-2
    Nova Numeração: 10295-77.2004.4.01.3400
    Classe: 65 – AÇÃO CIVIL PÚBLICA
    Vara: 14ª VARA FEDERAL
    Juiz: JAMIL ROSA DE JESUS OLIVEIRA
    Data de Autuação: 24/03/2004
    Distribuição: 7 – REDISTRIBUICAO MANUAL (13/09/2005)
    Nº de volumes: 1
    Objeto da Petição: 1030000 – ATOS ADMINISTRATIVOS – ADMINISTRATIVO
    Observação:
    Principal do(s): 2008.34.00.025138-9,2006.34.00.010930-3

    Movimentação

    Data Cod Descrição Complemento
    12/08/2010 16:33 210 PETICAO / OFICIO / DOCUMENTO: RECEBIDA(O) EM SECRETARIA EXPOSICAO E REQUERIMENTO – ADVOCACIA-GERAL DA UNIAO.
    22/07/2010 15:22 238 SUSPENSAO PROCESSO CIVEL : ORDENADA OUTROS (ESPECIFICAR) AGRAVO DE INSTRUMENTO
    14/07/2010 10:41 159 DILIGENCIA CUMPRIDA
    13/07/2010 14:29 210 PETICAO / OFICIO / DOCUMENTO: RECEBIDA(O) EM SECRETARIA
    09/06/2010 10:44 238 SUSPENSAO PROCESSO CIVEL : ORDENADA OUTROS (ESPECIFICAR) AGRAVO DE INSTRUMENTO
    28/05/2010 15:04 159 DILIGENCIA CUMPRIDA PARA ANALISE
    27/05/2010 16:43 176 INTIMACAO / NOTIFICACAO PELA IMPRENSA: ORDENADA PUBLICACAO DESPACHO
    26/05/2010 12:45 210 PETICAO / OFICIO / DOCUMENTO: RECEBIDA(O) EM SECRETARIA
    21/05/2010 12:21 185 INTIMACAO / NOTIFICACAO / VISTA ORDENADA PARTES / PRAZO COMUM
    18/05/2010 12:48 178 INTIMACAO / NOTIFICACAO PELA IMPRENSA: PUBLICACAO REMETIDA IMPRENSA DESPACHO
    11/05/2010 16:37 176 INTIMACAO / NOTIFICACAO PELA IMPRENSA: ORDENADA PUBLICACAO DESPACHO
    11/05/2010 16:30 218 RECEBIDOS EM SECRETARIA
    10/05/2010 15:32 154 DEVOLVIDOS C/ DESPACHO
    10/05/2010 15:30 137 CONCLUSOS PARA DESPACHO
    04/05/2010 15:58 159 DILIGENCIA CUMPRIDA
    04/05/2010 10:43 210 PETICAO / OFICIO / DOCUMENTO: RECEBIDA(O) EM SECRETARIA

  68. Petraem 14 ago 2010 �s 06:52

    Bom dia , Dr. Maia !
    Dia amanhecendo com chuvinha chatinha aqui no Rio , friozinho gostoso , dia bom para ficar de preguicinha na cama vendo um bom filme , comendo pipoca ou namorar .
    Santanna , amigo , foi uma tristeza passageira esta a minha de ontem , elas não se criam muito comigo , mas , as vezes acontecem . Quanto a ser musa do bolicho , acho que o nome correto é ” A folgada do bolicho ” , isto sim , mas musa … São os seus olhos de amigo querido e companheiro de inesquecíveis vôos e deliciosas gargalhadas mundo afora que me vêem assim , mas , valeu o agrado !
    Carlos Eduardo , hoje só arrastei correntes a partir das 4 da manhã , já tive noites piores , mas também já tive melhores .
    Vamos ao conto do Nelson Motta ?

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    “ O pulo da gata ”

    A grande heroína de Rosângela era a americana Heidi Fleiss , que ficou conhecida nos anos 90 como “ The Hollywood Madam “
    Rosângela tinha 20 anos quando Heidi , foi presa em Los Angeles e o mundo conheceu a história da filha de um rico e conceituado médico de Beverly Hills , criada como uma JAP ( Jewish-American Princess ) e educada nos melhores colégios , que realizou seu grande sonho : ser madame . Não uma madame fulano de tal , mas o eufemismo que a imprensa usava para cafetina .
    Foi um banquete para os tablóides de escândalos . Hollywood nunca mais foi a mesma depois que Heidi foi presa . Nem Rosângela .
    Filha de um deputado federal goiano e divorciado , de fortuna duvidosa e vida airada , Rosângela tinha o mesmo sonho de Heidi . E , pelos hábitos e gostos de seu pai e dos amigos dele , Brasília era a cidade certa para a futura madame Rosy .
    Como estudava em Los Angeles , mais do que acompanhar o caso diariamente nos jornais e na televisão , Rosângela mergulhou na vida de Heidi – sua trajetória , seus clientes , seus métodos , seus lucros fabulosos . Seu poder . Se alguém lhe perguntasse o que queria ser quando crescesse , não hesitaria : a Heidi Fleiss de Brasília .
    Alta e magra , nariguda , mesmo sem traços bonitos , Heidi era muito estilosa e atraente . Elegante , fria , forte , era uma mulher de palavra : mesmo dona de uma das mais preciosas e disputadas agendas de telefone da América , não entregou nenhum de seus clientes . Alguns foram revelados em off , pela polícia . Outros vieram espontaneamente á luz , como o pândego Jack Nicholson , presença obrigatória em qualquer caderninho do gênero .
    Perguntado sobre o que levaria homens como ele , Warren Beatty , Mick Jagger , Rod Stewart – símbolos sexuais desejados por mulheres do mundo inteiro , muitas até pagariam para comê-los – a pagar garotas de programa :
    “ Ora , nós não as pagamos para irem para a cama conosco . Pagamos é para depois irem embora “.
    O sistema de recrutamento de Heidi era infalível . Freqüentadora da noite de Los Angeles , conhecia os clubes onde estavam as garotas mais bonitas , a nata da multidão de aspirantes ao estrelato , todas bebendo , fumando , cheirando pó e tomando extasy , quase todas dispostas a quase tudo para chegar lá . E, muitas vezes , lá era apenas a cama de um secretário ou assistente de um popstar. Eram poucas as que chegavam aos verdadeiros astros , como Nicholson , Jagger e Beatty , mas eles não podiam freqüentar esses lugares e muito menos ser flagrados com garotas bonitas em lugares escuros e escusos .
    Garotas lindíssimas , vestidas de grifes , com pernas intermináveis , dentes quase azulados de tão brancos , cabelos , peito e unhas enormes , e uma disposição ilimitada para agradar às pessoas certas : tudo que aqueles cafajestes de Hollywood gostavam . E pagavam com prazer .
    Não só as estrelas propriamente ditas , mas toda a fauna de predadores que os circundava – agentes , produtores , advogados , empresários , assistentes , secretários , executivos de cinema , de televisão e de gravadoras , jornalistas de entretenimento -, gente que consumia gente . O mercado de carne humana estava renovado e aquecido em Hollywood .
    Para uma Brasiléia , como Rosângela , era estranho , parecia sem sentido a polícia prender uma mulher porque intermediava encontros profissionais entre adultos . O que o Estado tinha a ver com isso : O que eles faziam entre si era problema , ou solução , deles . No Brasil ninguém entenderia isso .
    Mas nos Estados Unidos a legislação era diferente , misturando puritanismo e hipocrisia . à exceção do estado de Nevada , onde fica Lãs Vegas , qualquer forma de prostituição ou agenciamento é crime em todo o território americano , que pode resultar em muita chateação , multa e cadeia . Por isso , a prostituição tem que ser exercida com cuidado e discrição nos Estados Unidos . É uma atividade secreta , ilegal e de risco . Por isso movimenta tanto dinheiro . Prazer proibido é mais caro .
    Assim como agentes disfarçados vendem droga e prendem os eventuais compradores , em vários estados americanos , policiais femininas se fazem passar por garotas de programa , abordam transeuntes e oferecem os seus serviços . Se eles aceitam , sacam da carteira e lhes dão voz de prisão . São levados para o distrito policial , onde são interrogados e fichados e se inicia um processo judicial . A maioria dos juízes considera legítimo o procedimento da polícia e condena os acusados a penas brandas , mas humilhantes .
    Rosângela era sexualmente tímida , difícilmente se interessava por rapazes de sua idade . Preferia homens mais velhos , mais experientes , mais canalhas . Mas ainda tinha medo deles . E com medo jamais seria uma Heidi Fleiss . Aos poucos , foi entendendo que o seu fascínio por Heidi tinha muito mais a ver com poder do que com sexo .
    Se era forte e poderosa como mulher de negócios , sexualmente Heidi era fraca , se deixava dominar por homens estúpidos e pervertidos , abusava do álcool e da cocaína , se deixava abusar por eles . Era o que Rosângela lia nas revistas de celebridades . Era o que Rosângela lia nas revistas de celebridades . Sexo bom para Heidi era o que as suas meninas faziam com os homens ricos , bonitos e vitoriosos de Hollywood , a 2 mil dólares por programa , menos trinta por cento de comissão de agente para Heidi .
    Heidi visitava os clubes , fazia uma seleção de garotas estonteantes e as convidava para uma festa em sua casa , onde estariam os seus Jacks, Warrens e Micks , agentes , produtores , diretores e executivos . Quando chegavam às festas , regadas a álcool e secadas a cocaína , elas encontravam muitos figurões , ou nem tanto , como os promoters , amigos e secretários e assistentes que ajudaram Heidi a trazer os astros ao seu paraíso hollywoodiano . Por 2 mil dólares , o cliente podia beber , cheirar e comer todas , ou qualquer uma .
    Na festa , anfitriã perfeita , Heidi consultava os clientes famosos sobre suas preferidas entre as presentes , fazia as apresentações , desejava-lhes felicidade . O resto era com eles . Depois que o último par saía , Heidi fazia as contas : 12 garotas , 24 mil dólares em uma noite . Uma boa noite , 7 .200 dólares sem sair de casa nem trepar com ninguém .
    No dia seguinte , cada uma das convidadas que havia saído com um cliente recebia um buquê de flores em sua casa , com um agradecimento de Heidi e um cheque de 1400 dólares no envelope . Depois , quando alguma telefonava ofendida , jurando que não era garota de programa , que não fora para a cama com aquele homem por dinheiro , mas porque estava louca por ele , Heidi explicava . Sabia que ela não era puta , mas estava propondo um novo jogo , que unia o divertido ao lucrativo , o útero ao agradável . Os clientes já haviam pagado e estavam muito satisfeitos . Se estava tão ofendida , a garota podia devolver o cheque . nenhuma devolvia . Todas queriam mais . E não necessáriamente com assinaturas famosas . Heidi começava a formar o seu plantel de máquinas de fazer dinheiro.
    Assim começava a história de Heidi Fleiss , que Rosângela Guedes acompanhou eletrizada , nos meses seguintes . Chegou até a ir à Corte de Justiça de Beverly Hills , onde Heidi se apresentaria para depor , só para vê-la de perto . Em liberdade sob fiança , ela desceu de um carro negro , de tailleur negro , com dói advogados e um segurança , todos negros , de ternos negros . A coisa estava mesmo preta para Heidi . Entrou rapidamente no tribunal , com passos firmes e rápidos , nariz para o alto , e imensos óculos escuros . Foi a única coisa que viu .
    Três anos depois , Heidi ainda estava na cadeia e Rosângela voltava a Brasília , formada em relações internacionais e putaria .
    Com 24 anos , madame Rosy estava pronta para entrar em campo .
    “ Uma empresa de serviços ! , era o que Rosângela dizia , sem mentir , aos que lhe perguntavam sobre o que faria em Brasília . E começou a freqüentar os clubes noturnos , onde diferente de Los Angeles , profissionais se misturavam a amadoras na pista e na cama dos políticos , empresários , funcionários e lobistas . Os métodos de Heidi teriam que ser adaptados à realidade brasileira , onde a prostituição não era criminalizada . A oferta era abundante , tanto entre as profissionais como entre as amadoras , que se tornariam clientes , e algumas até amigas , de madame Rosy .
    Uma cafetina de 2 anos , moça de família , formado no exterior , que audácia , hein? Pensava Rosângela no espelho , experimentando novos looks para sua nova atividade .
    Com menos de 1,60 metro , moreninha e magrelinha , de peito pequeno e quadris estreitos , pouca bunda , cabelos rebeldes , óculos de miopia , Rosângela sempre soube que não poderia contar muito com a sua estampa para impressionar os homens . Mas a carinha – Rosângela se sorria no espelho , beliscando as bochechas como um bebê – era mesmo uma bonequinha , com seu narizinho fino e empinado , imensos olhos pretos , e uma boquinha de lábios carnudos , sempre rubros de batom , cobrindo dentes perfeitos e levemente projetados para frente .
    Cortou os cabelos bem curtinhos , como Mia Farrow e Elis Regina em velhas fotos , que davam uma moldura entre o punk eo chique para o seu rosto ovalado . Mandou colocar lentes de miopia nos óculos modelo gatinho dos anos 50 , de plástico colorido , comprados em brechós de Los Angeles . Madame Rosy entrava em cena .
    Os últimos meses foram dedicados a escolher e manter contato intenso com seus dois colaboradores mais importantes , profundos conhecedores da fauna noturna e do mercado sexual brasiliense : a bicha Pauléte , ex-cabelereiro , ex-maquiador , atual intermediário sexual e segurança , pois é fortíssimo , malhador compulsivo , com 1,90 metro de altura ; e a maranhense Zélia das Mercês , baixinha e atarracada , com feições indígenas e cabelos crespos , conhecida como Zelão , uma experimentada cafetina de Brasília , interessada em uma parceria com as amizades , os contatos , o dinheiro , as costas quentes e a audácia da filha do deputado Fabão Guedes .
    Nas missões de recrutamento Rosy se arrebentou de dançar nas pistas com Pauléte ,, enquanto Zelão revia clientes e fazia novos contatos com profissionais .
    Em Brasília o método de Heidi Fleiss fracassaria : que garota vai querer dar para um político de graça ? Isto só funcionaria com estrelas de televisão , do futebol e da música pop , homens tidos como bonitos e desejados , que gostam de garotas de programa . Mas esses não vão muito a Brasília , e quando vão , evitam festas , preferem recebê-las nas suas suítes de hotel , como uma pizza . Era um segmento lucrativo , mas muito competitivo .
    O passo seguinte foi um seminário na Câmara dos Deputados . A pretexto de uma pesquisa para um fabricante de lingerie e guiada por seu amigo de adolescência Rogerinho , que se assumira como gay e era assessor parlamentar no gabinete de seu pai . Era educadíssimo e profundo conhecedor dos meandros , bastidores e das fofocas da casa . Foi informada detalhadamente sobre possíveis clientes em todas as bancadas ; Rogerinho dizia que na horizontal não há ideologia .
    Passeavam pelo plenário de braços dados , trocando risinhos e piscadelas . Aquele gosta muito . Aquele outro , de gravata abacate , gosta de surubas , dizem que é bi . Aquele coroa de terno azul-claro brilhante , gosta de menininhas . Aquele de cabelo acaju … epa! São muitos de cabelo acaju , quase tantos quanto os negros como as asas de graúna , Rogerinho debochava . Rosy ria e anotava tudo em seu caderno . Foram percorrendo bancada a bancada , nome a nome , eliminando os improváveis ou com informações escassas . E , com a ajuda dos muitos contatos de Rogerinho , detalhou as preferências dos devassos , dos putanheiros , dos come-quieto , dos comedores de gente de todos os estilos , gerações e credos políticos , dezenas deles , muitos do círculo de amigos e correligionárioas do seu pai , freqüentadores de sua casa .
    Os lendários almoços de domino à beira da piscina do deputado Fábio Guedes se tornaram uma instituição em Brasília , reunindo lobistas , altos funcionários e políticos de todos os partidos para troca de idéias , construtivos diálogos e fartos comes e bebes . Quantos acordos políticos , quantos negócios , quanta bandalha foi combinada e fechada ali ? pensava Rosy , enquanto reconhecia no site da Câmara as fotos de muitos participantes do “ Domingão do Fabão “ , como ficaram conhecidos os almoços na mansão à beira do lago Paranoá . Seriam seus clientes preferenciais . E , claro , jamais a veriam , só falariam com ela ao telefone .
    A administração direta das meninas e o recolhimento do dinheiro seriam feitos por Zelão e Paulète . Rosy fará as relações públicas com os clientes , só por telefone , e recrutaria moças de família , universitárias , que dançavam na noite e buscavam um casamento rico , e também as ratinhas , vagabundinhas e piranhinhas que estavam a um passo da prostituição , garotas de muitas ambições e poucos escrúpulos , abundantes em Brasília . Garantiria ás patricinhas um mínimo de 1.500 reais , e mais , elas poderiam escolher , usando o anuário da Câmara como um book de clientes , para quem dariam e por quanto . O papel de Rosy era negociar e juntar as duas pontas . Zelão e Paulète faziam o resto . Tudo no mais absoluto sigilo , num apartamento discreto de um conjunto modesto , mas luxuosamente mobiliado e equipado .
    Equipadíssimo , com microfones e câmera de última geração , microscópios , incrustados e invisíveis em pontos-chave do quarto , da sala e do banheiro , operados remotamente por outro amigo de adolescência , Rick Jordan , filho de um executivo americano , que havia se tornado um expert em eletrônica , um nerd obcecado em tecnologia , que vibrou quando Rosy lhe expôs os seus planos . Ele monitoraria as conversas e a fudelança de seu carro , estacionado em frente ao prédio , com as antenas apontadas para o apartamento 101 , gravaria e arquivaria tudo num HD . Zelão lhe informaria os horários e a agenda dos encontros . Com codinomes , é claro .
    O deputado Rangel seria o Raposão , o deputado Fiquiera , o Urso , o senador Fiúza , o Ratazana , e assim por diante . Rosy e Paulète se divertiam fumando maconha e atribuindo codinomes aos futuros clientes do Anuário da Câmara . Mas não só usariam nomes de animais , também os étnicos , como o Mexicano , o Turco , o Alemão , o Japa …epa ! Só as bancadas de São Paulo e Paraná tinham mais de dez clientes potenciais com este perfil , se divertia Rogerinho .
    Rosy dividia as suas atividades entre o que chamava de self-service , ou bufê , e o serviço á la carte , e eventualmente a delivery em hotéis e motéis , mercado muito competitivo , dominado pela internet . O mais lucrativo era o self-service , quando ela alugava por uma noite uma bela casa ,cada semana uma diferente , onde promovia festinhas com número certo de casais , 15 ou vinte garotas e clientes , no máximo , que se escolhiam entre si , como em um bufê humano , sem que ninguém terminasse sozinho , apenas uns com mais e outros com menos sorte . A alta rotatividade de garotas e clientes , e endereços era um dos sucessos dos bufês de Rosy . Os telefones para os pedidos à la carte eram constantemente trocados e informados aos clientes , e só a eles , com a recomendação de sigilo absoluto para sua própria segurança , pedia Rosy .
    O serviço á la carte era customizado , os clientes pediam o que queriam , ou Rosy oferecia as novidades , como um maître oferecia os pratos do dia , as carnes frescas , de acordo com as prefeências de cada um , que ela aprendeu a conhecer . E como !
    Tomando Coca-Cola e comendo chocolate , como dois adolescentes dinate da TV , Rosy e Rick rolavam de rir com as performances sexuais grotesca de algumas excelências , debochavam dos paus pequenos , dos ejaculadores precoces , dos brochas , dos pervertidos , chegavam a sentir pena de algumas meninas . mas ninguém estava ali obrigada , eram fodidas , sim , mas muito bem pagas , riam . Mas também ficavam muito excitados com as seleções que Rick fazia dos melhores momentos pares , alguns jovens deputados cheios de músculos e vigor , garotas bonitas e tesudas , um ou outro coroa charmosos mostrando a sua experiência com uma mulher nova , bonita e carinhosa , que , como no xote de Zé Ramalho , faz o homem gemer SM sentir dor . Foram tardes inesquecíveis trancados no quarto de Rick , que eles chamavam de Central de Putaria Digital .
    Este era o lazer . O trabalho seria selecionar , principalmente nas gravações de áudio , as informações importantes , as fofocas , as acusações , sobre os próprios clientes . Além de sexo , uma parte dos homens quer carinho e aceitação , alguém para ouvir suas queixas , bravatas e conquistas , ou , melhor ainda , as informações que os boquirrotos ofereceriam sobre o seus adversários e aliados . Um arsenal de venenos , invejas e traições . Nitroglicerina pura . Como dizia Nelson Rodrigues , se todo mundo soubesse da vida sexual de todo mundo , ninguém falaria com ninguém .
    Rosy sabia . Não de todos , mas de muitos , que se achavam muito importantes e eram tão vaidosos e confiantes que jamais imaginariam que o ninho de amor onde exerciam a sua macheza , ou nem tanto , estava cheio de microfones e câmeras .
    Quando descobrissem , seria tarde demais , Rosy já estaria longe , em Paris , ou no Caribe , dando as cartas . Por e-mails. Fotos . Vídeos . Áudios . E o número de sua conta bancária num paraíso fiscal com uma cifra do lado . A chantagista adotaria o nome de guerra Pink .
    Mas antes havia muito trabalho pela frente , na criação de um banco de dados que geraria os dossiês que os parlamentares , jornalistas , lobistas e empresários tanto amam e vivem trocando entre si . Todo cuidado é pouco .
    Tudo quase foi por água abaixo quando , pouco antes da abertura de um dos bufês , um convidado importante e bastante paranóico , ou apenas cauteloso e experiente , um ex-delegado com vários rabos presos , casado com uma mulher feroz e vingativa , telefonou para Rosy avisando que mandaria uma equipe de sua confiança para fazer uma varredura na casa , só por via das dúvidas :
    “ A bruxa anda solta em Brasília “
    Rosy ainda tentou argumentar que a casa era alugada , que ninguém sabia o que aconteceria ali , todas as providências de segurança e sigilo haviam sido tomadas . O pessoal de serviço – meninas , inclusive – seria conduzido em vans de vidros fumê ; só saberiam o endereço quando chegassem lá , em vão .
    “ É , mas eu já combinei com o pessoal , eles já devem estar a caminho , não tenho mais como falar com eles . Bem , já que vão estar lá , que façam logo a varredura , não leva mais do que vinte minutos . Depois nos vemos lá “ , se despediu animado .
    “ OK , vou avisar á segurança para liberar a entrada deles “ , Rosy se despediu , “ mas não se atrase , a festinha está cheia de novidades , e você sabe , quem chega mais cedo fica com os melhores bocados …”
    Imediatamente mandou que Rick fosse voando para a casa e desativasse todo o equipamento que havia instalado , sem deixar vestígios . Sem perguntas . Era uma emergência .Quando os dois varredores chegaram , a casa estava totalmente limpa . Ufa ! Não convidaria mais aquele deputado , que recebeu o codinome de Varredor , muito menos o atenderia no serviço à la carte . Já pensou se ele cisma de fazes uma varredura no apê ? Ele só poderia ser cliente da delivery , em um motel , e olhe lá . Era melhor não arriscar .
    Em menos de seis meses Rosy já tinha material para abalar a República , ou pelo menos provocar sérios danos a dezenas de parlamentares , a maioria casados , vários ladrões , muitos mentirosos e quase todos mulherengos contumazes . O problema é que ela se afeiçoara a alguns deles , só por telefone , é claro . Se tornou uma espécie de confidente , com sua voz doce , seu bom humor permanente e sua malícia na dose certa . Era , ou pelo menos soava , tão confiável e sedutora , que vários insistiam em marcar um programa com ela , alguns até lhe pediam para dar seu preço , sem limites . Outros se contentariam só em conversar , mas ao vivo .
    Em vão . Ela sequer dava a sua descrição física , apesar de eles implorarem , “ por motivos d segurança “ . Os gagás , os garanhões e os autoritários eram chatos , mas alguns eram tão carentes , tão babacas , tão provincianos e deslumbrados com o “ pudê” , que até chegava a sentir alguma pena deles . E dela mesma . Porque eles a lembravam de seu pai , no início da carreira política .
    E mais ainda quando os via , com suas mulheres gordas , cafonas e cheis de jóias , nos domingões do Fabão . Eles nunca imaginariam que aquela punkzinha de piercing no nariz ( ah! , se soubessem que também tinha nos mamilos ) , de shorts , camiseta e havaianas , era a Rosy das suas fantasias . A sua mercadora de ilusões . Olhando o lago tranquilo e o horizonte panorâmico de 360 graus de Brasília , os coitados nem desconfiavam da tempestade que se armava em discos digitais , num quarto de solteiro de uma casa no Lago Sul . E breve começaria a desabar sobre algumas cabeças escolhidas . E ricas . De ladrões . De corruptos . De mulherengos . Assim que Rosy voasse para Paris e virasse Pink , a vingadora .
    Não , o objetivo de Pink não seria fazer justiça informal em nome do povo oprimido , enganado e roubado , como faziam os velhos guerrilheiros dos anos 70. Era ficar rica com 25 anos e desfrutar a vida , viajando , namorando , e depois formando uma família honesta , como qualquer moça de sua classe , de seu tempo .
    A vingança seria contra seu pai .
    Rosy sabia que aquele dia chegaria , mas foi mais cedo do que esperava . A voz grossa , autoritária e inconfundível do deputado Fabão Guedes se apresentando ao telefone , dizendo que seus serviços tinham sido muito elogiados pelo deputado Robson Reis , que tomara a liberdade de dar-lhe seu telefone .
    Fingindo voz rouca e tossindo em pânico , Rosy pediu desculpas , e que ele acertasse o programa com Zelão no telefone tal . E imediatamente o avisou . Ufa ! Seria demais ouvir as paparicações , confidências e cafajestices do canalha , fingindo que não o conhecia .
    Hesitou bastante antes de dizer a Zelão que avisasse Rick para que fosse gravar o encontro no apê . Ela vomitaria de visse e ouvisse o que ele dizia na cama com moças mais novas do que ela , o porco . Mas era difícil imaginar que aquelas gravações o embaraçassem de alguma forma , ou lhe provocassem algum dano ; pelo contrário , ele se mostraria orgulhosos de sua virilidade sertaneja , afinal , era divorciado , maior de idade e não devia nada a ninguém. Só ao povo que o elegera em sucessivo mandatos .
    Grosso , mulherengo e violento , Fabão era um personagem quase folclórico da política . Mas para Rosângela era a memória dolorida do abandono , de surras e humilhações . Do gosto de sangue na boca . De sua mãe sempre chorando . Mandou que Rick gravasse tudo , era um cliente como outro qualquer . Suas performances sexuais não lhe interessavam . Mas o falastrão descontraído e beberrão certamente falaria barbaridades dos colegas e correligionários , das mulheres deles e de suas filhas , faria fofocas e bravatas , invadiria intimidades , denunciaria ladrões , venais e corruptos , menos ele mesmo . Isso , sim , poderia ser de alguma utilidade na hora da vingança de Pink , tomando-lhe algum dinheiro , bastante , antes de intrigá-lo , comprometê-lo e desgraçá-lo definitivamente na Câmara e no partido . O canalha pagaria pela sua língua grande .
    As meninas de madame Rosy eram instruídas a dar papo , conversar bastante com os clientes , se mostrarem disponíveis para ouvir histórias , mentiras , fantasias , isso era tão importante quanto o sexo , fazia parte do trabalho ; homens gostam disso , mais de falar do que de fazer . O controle de qualidade era feito por Rosy , ouvindo e vendo as gravações de Rick . As tímidas , as impacientes , as que não sabiam conversar , mesmo se gostosas , eram dispensadas . E novas eram testadas . Aos poucos ia depurando o plantel de máquinas de fazer dinheiro – e informações – de Rosy . Uma etapa adiante de Heidi Fleiss .
    Estava na hora de chamar Rogerinho , o assessor parlamentar , para o time . Mas sem que ele soubesse , pelo menos por enquanto , que as trepadas também estavam sendo filmadas . Ele analisaria as informações , e as cruzaria , organizaria as fofocas , consultaria as fontes na Câmara , não só parlamentares , mas funcionários , jornalistas e lobistas .
    Um bom material extra veio de fonte não prevista . Os celulares tocavam sem parar no apê da bandalha . E eles atendiam com naturalidade . Alguns chamados tão urgentes , os faziam até interromper as atividades sexuais . Falavam à vontade , certos de que aquela loura idiota ao lado não tinha a menor idéia de que assunto ou com quais pessoas eles falavam . Mas tudo era gravado e analisado por Rogerinho e Rosy , que sabiam quem era quem .
    Em seis meses , prazo limite de Rosy , armazenaram um volume colossal de lixo audiovisual , de valor incalculável – o principal objetivo do projeto Heidi , como escrevera na primeira folha do seu caderno , quando ainda se chamava Rosângela .
    Nesse momento-chave , Rosy balançou : o negócio da cafetinagem estava indo tão bem , estava todo mundo tão feliz , ganhando tanto dinheiro , se divertindo tanto , que pensou em continuar , só por mais três meses . As comissões médias de 400 reais em cada programa estavam gerando quase 200mil reais líquidos por mês , entre festas sel-service semanais com trinta casais , média de cinco serviços diários á la carte no apê e outros tantos em missões externas , e a imprevisível delivery . Tudo naturalmente livre de impostos .
    Rosy era generosa , ou encontrara uma maneira inteligente de manter a fidelidade e os bons serviços de seus colaboradores . Depois de pagar as despesas , dividia o lucro líquido em cinco partes iguais entre ela e sua equipe , o que havia dado mais de 40 mil reais para cada um no último mês . Rosy estava muito satisfeita com os resultados . Todos estavam satisfeitíssimos . O negócio crescia em proporção geométrica , só uma louca pararia naquele momento .
    O jogador não sai da mesa quando está ganhando , dobra a aposta . E,assim , perde sempre , a banca sempre ganha , pensava Rosy , fazendo grande esforço para se manter live da tentação e se manter file ao seu projeto , seus prazos , suas etapas e suas metas .
    Por isso Rosy ia parar .
    Havia pensado muito , desde o início . O problema das cafetinas era parecido com o dos traficantes de drogas . Não duram muito . Quanto mais sucesso fazem , mais visados se tornam . Mais cedo ou mais tarde acabam presos , são denunciados , derrotados por rival , ou mortos .
    Era esse o pulo da gata . Sair no auge do sucesso , do crescimento vertiginosos , sem deixar rastros , sumir em Paris , ou no Caribe , com cópias de todos os vídeos e áudios armazenados em um site secreto , sabe-se lá em que lugar do ciberespaço , e uma conta aberta em um paraíso fiscal .
    Seu maior problema no momento seria administrar o entusiasmo e as expectativas dos seus colaboradores . Zelão , Paulète e Rick estavam embalados com o trabalho e os ganhos e nem desconfiavam , nem ninguém poderia , de que a gata pularia do barco em alto-mar . Enlouqueceriam se soubessem . Iam chamá-la de maluca , de mimada , de egoísta , a submeteriam a pressões sufocantes , a ameaçariam . Depois eles entenderiam , e não ficariam mal : poderiam até continuar tocando o negócio sozinhos e dividindo a grana , como uma herança , não para se lembrarem , mas para se esquecerem de madame Rosy . Até brigarem ou serem presos . Aí ela já estaria longe .
    Todos os dias Rick fazia um DVD para ela com um “ the Best of” e outro com o “ the worst of “ do dia anterior , e um CD de áudio integral , que ele nem ouvia , ia direto para Rogerinho analisar . Só estava interessado em imagens em movimento , muito movimento . Rick não era bobo e estava ficando cada vez mais ansioso , louco para saber o que Rosy faria com aquela montanha de lixo . Certamente não seria para transformar em DVDs piratas e vender na feira de Taguatinga .
    A pressão crescia , Rick estava começando a fazer perguntas demais , mas Rosy não lhe abria os seus planos , nem poderia . A menos que contasse tudo e o levasse com ela para Paris , ou o Caribe , uma possibilidade que não lhe provocava o menor entusiasmo . Estava mesmo na hora de cair fora .
    Claro que ele ficará com todo o acervo , mas sem saber direito o que fazer com aquilo , ou então fazendo péssimo uso , calculava Rosy , concluindo que Rick até poderia criar problemas para ele mesmo , mas em nada iria interferir no seu business .
    Com aquela personalidade tão exuberante e comunicativa , Rosy pensava com ironia , Rick não irá muito longe de casa . Ou talvez acabe preso , se fizer bobagens com pessoas erradas , na hora errada , na cidade errada . Mas ele não é burro . Vai pensar muito antes de fazer qualquer coisa . O mais provável é que não faça nada , a não ser divertir os amigos .
    Rogerinho é o maior problema , mas também é parte da solução , refletia Rosy .. Para analisar as gravações , estabelecer as relações entre os personagens e formatar os dossiês . Um sócio secreto , a distância , se comunicariam só de lan houses ou celulares anônimos . seria seu informante no teatro de operações , mantendo-a atualizada com os boatos e os fatos , os eventos e desdobramentos , sem correr riscos e sem participar diretamente de nenhuma operação , que ela executaria com segurança de seus celulares e de suas lan houses . Montaria com calma os dossiês com a ajuda de Rogerinho , e lhe daria uma generosa comissão . Só para ele Rosy poderá abrir os seus planos . Mas não por enquanto , só quando estiver longe .
    A bicha era inteligentíssima , manhosa e malandra , considerava Rosy , e já tinha certeza , ou quase , de que ela usaria as gravações e as análises dele para chantagear políticos , mas não sabia como nem quando , e nem desconfiava de que o primeiro seria o pai dela , patrão dele . E muito menos imaginava como e de onde Rosy iria fazer seus negócios , porque ela vai passar alguns dias em umas cinco ou seis cidades antes de se fixar , com um novo visual e um novo nome em um passaporte português , em Paris , ou no Caribe .
    E começaria a trabalhar . Organizando cuidadosamente os primeiros dossiês com a colaboração de Rogerinho , estabelecendo prioridades , alvos mais fáceis , melhores possibilidades de ganhos . Primeiro os casados e ricos . Sobre Fabão , Rosy não diria nada , nem Rogerinho perguntaria , seria assunto pessoal .
    Tudo em absoluta segurança . Os celulares descartáveis , os e-mails temporários e as lan houses eram muito seguros , quase impossíveis de serem rastreados . E , afinal , ela não era uma terrorista , mas estaria lidando com profissionais , bandidos como ela . Só que muito mais atrasados , que trabalhavam com dinheiro vivo , papel e armas de fogo . Suas mulheres , seus filhos , correligionários e adversários iam receber por e-mail vídeos e áudios constrangedores , vindos de uma anônima lan house , caso não depositassem o regate na conta secreta de Rosy . Ou melhor , de Pink .
    Au revoir , Brasília .
    Até breve , papai .
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    Só faltam mais 2 contos para acabar de transcrever o livro do Nelson Motta .
    Dr. Maia , abraços e beijinhos carinhosos recheados de saúde , saúde e mais … saúde .

  69. Admiradoresem 14 ago 2010 �s 08:58

    Estimada Petra,

    Ficamos,meu marido e eu, muito tristes ao ler sua postagem.Gostariamos de poder ajudar voce,assim como voce faz com todos nos,sempre trazendo alguma alegria para os sofridos aposentados,familiares e ex funcionários da nossa querida Varig.
    A falta de dinheiro sacrifica muito,porem o sentimento de vermos o fruto de nosso trabalho virado em cinzas fere nosso orgulho,para os outros pode ter terminado mas para os Variguianos a lembrança de fazer parte da melhor empresa aérea que o Brasil ja teve, vai permanecer sempre.
    Vamos continuar confiando no trabalho do Dr. Maia da Graziela e ter muita fé em Deus .
    Abraços carinhosos

  70. Petraem 14 ago 2010 �s 14:25

    Crônica de Lya Luft da Veja desta semana :

    ” Plataforma contra as fomes ”

    Somos um país de famintos , e boa plataforma para candidatos seria atender a esse nosso estado de desnutição , física ou emocional . Se pensamos na fome física , vemos as crianças comendo no lixo ou a tradicional farinha com água . Esse podia ser o primeiro desejo de qualquer candidato a governante : cuidar de sua gente , não só nas tragédias como inundações e secas , mas na doença e falta de tudo , de alimento á educação . O dever de um governo , e seu desejo ardente , deve ser atender ao povo ( que , atenção , são todos brasileiros ) . Mas não vamos esquecer as carências da alma , as fomes da nossa condição humana , eventualmente mais duras e mortais do que aquela que faz doer o estômago . Elas têm a ver com mais do que feijão : ligam-se à saúde , segurança , confiança e educação . Narcotráfico derrotado . Juventude mais motivada .
    Várias fomes cabem no conceito justiça , como segurança , confiança e dignidade . Para sermos dignos , precisamos ter certeza de que cada um tem aquilo de que precisa para tanto , começando com leis sensatas , bem executadas e aplicadas a todos . Culminando com todos terem aquilo de que precisam para que a sua vida não se reduza a mera sobrevivência . E o que seria justiça ? Dar a todos a mesma coisa , e ver como cada um lida com o que recebeu ? A cada um conforme suas limitações naturais , mais inteligente , mais talentoso , menos saudável , mais neurótico ? Ou ainda : a cada um segundo suas necessidades ? Nunca haverá um conceito universalmente aceito , mas querermos justiça é um começo . Punições adequadas para os infratores , e interesse pelas vítimas e sua famíia.
    Há trinta e poucos anos , meus filhos jogavam bola no bairro onde ainda moro com a meninada da vila próxima , até o escurecer , e ninguém se preocupava . Eram amigos : pobres e remediados , brancos , negros e pardos , os filhos do verdureiro ou do professor . Bandos de jovens drogados não vagavam nas ruas , crianças pedintes não rolavam nas esquinas , as casas não tinham cerca . Hoje , se eu morasse em uma casa , seria possívelmente num condomínio bem protegido . Pois , nesta Idade Média higiênica e sofisticada , os feudos são os edifícios e condomínios fechados , guardas nas cabines , bandidagem rondando . Séculos atrás , eram os miseráveis que se instalavam em torno do castelo onde recolhiam esmolas ou prestavam pequenos serviços ; ou extensas populações igualmente miseráveis que se instalavam em torno de gigantescas catedrais erguidas em séculos de labuta mortal . ( O senhor feudal de hoje pode ser o morador mais rico , ou quem sabe o síndico , interessado em que as coisas se mantenham num nível aceitável de funcionamento , civilidade , educação ).
    Doentes de medo , desviamos o olhar da realidade : ” Faz de conta que isto nunca vai me atingir ” . Mas no fundo queremos proteção de uma polícia eficaz , porque nos cansamos de ser caçados e mortos pelos marginais , feito bichos desprotegidos . Há quem reclame : os policiais deviam ao menos cuidar do lugar onde vão atingir os fascínoras : ” Quem sabe um tiro no braço ou no pé ?”. Imaginei o policial com revolverzinho mirando o bandidão que segura um fuzil de última geração , e pedindo , licença , moço , vou só dar um tirinho no seu pé . Também não queremos conviver mais com a miséria e a falta de tudo que muitas vezes produzem a violência . Isso também é justiça .
    Animais predadores na selva pós-moderna , não se iludam os que se julgam bonitos e limpos , bons e especiais , a salvo das dores do mundinho que sonha com o prato de cada dia , o salário justo , a vida atendida . Ainda estamos nas cavernas , apesar do vidro fumê e dos controles remotos , com fome de tudo o que é merecido , desejável , necessário e deveria ser mais do que natural , para qualquer cidadão deste belo , cruel , confuso e fascinante planeta-país que ainda precisamos conquistar .

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    Beijinhos carinhosos .

  71. Petraem 14 ago 2010 �s 15:02

    Vai a crônica de J.R.Guzzo , também da Veja desta semana ;

    ” Miragem na linha ”

    Uma das maravilhas que o Brasil tem diante de si neste momento é o trem-bala . Que outro prodígio poderia competir com ele ? Como o personagem da canção Funiculi , Funiculá , que promete qualquer coisa para levar a namorada até o alto do Vesúvio pelo funicular que hoje não existe mais , os animadores do trem-bala descrevem os benefícios espantosos que o atual governo acaba de nos dar com mais essa realização . Na canção , nosso herói jura à sua Nanniné que o fogo do vulcão não sai correndo atrás de ninguém . O bondinho sobe ao topo , garante ele , com rapidez do ” vento ” . Lá de cima da montanha ela vai ver até a ” França ” , ou mesmo a ” Espanha ” – isso para não falar da Ilha de Prócida , que fica ali mesmo . Aqui , já se dá como certo que ninguém precisará levar mais de oitenta minutos para ir do Rio de Janeiro a São Paulo , chispando a 280 quilômetros por hora ao longo dos 500 quilômetros , ou algo assim , do percurso . Com mais 24 minutinhos se chega a Campinas . Entre uma ponta e outra , o trem -bala pode fazer paradas nas cidades de Resende , ou Barra Mansa , Ou volta Redonda , mais Aparecida , São José dos Campos e até Jundiaí . Ainda não dá para saber o custo ; a conversa começou nos 33 bilhões de reais e já está nos 40 , mas acena-se com dinheiro privado para pagar a fatura , e se faltar o BNDS está aí justamente para estas coisas . No palavrório de palanque , em suma , é a última palavra em matéria de Brasil Grande . E na vida real ? O que temos , aí , já é puro uísque paraguaio .
    O trem-bala é uma lição perfeita de como governar um país e levar adiante uma campanha eleitoral através da fabricação , divulgação e venda de fantasias -ou , mais exatamente , de como fazer política com a utilização consciente do embuste em estado puro . Trata-se de mercadoria falsificada , logo de cara , porque o mundo oficial apresenta o Trem de Alta Velocidade como uma conquista nunca antes vista neste país ; só que não há trem nenhum , de nenhuma velocidade , alta ou de qualquer outro tipo . Não há um metro sequer de trilho no chão . Nem poderia haver , pois não há um projeto de engenharia para a linha . Não se sabe nem mesmo por onde , exatamente , o trem vai passar , ou em que lugares vai parar . Sem isso não dá para saber quantas e quais propriedades serão desapropriadas . Sem essa informação não se pode calcular quanto será gasto em desapropriações . Sem esse cálculo , enfim , ninguém consegue dizer qual será o custo final da coisa . Mas e daí ? Para o governo , isso tudo é miudeza . O que interessa , a menos de dois meses da eleição , não é o trem -é a miragem do trem . Já basta ; para que falar em alguma obra que existe , coisa sempre difícil de encontrar , se dá para arrumar voto com uma obra que não existe ? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva , pelo menos , acha que o truque funciona – tanto que veio a público tempos atrás , apesar das proibições legais , dizer que o “sucesso ” do trem-bala se deve á sua candidata Dilma Rousseff e que tinha que dar este crédito a ela por uma ” obrigação moral ” . Como é mesmo ? Que sucesso ? Que trem ? Que crédito ? Não pode haver crédito se não houve sucesso , e não poderia haver sucesso se não há trem . Ficamos assim , portanto : não existe obra , mas existe uma autora , e devemos estar muito agradecidos a ela . Na feira de Acari se encontra mercadoria mais legítima .
    O segundo ato dessa comédia é a conversa fiada sobre o novo patamar de progresso que Rio de Janeiro e São Paulo viveriam com o trem-bala , e sua necessidade para a Olimpíada de 2016 . Todos os países ricos têm este tipo de trem ; como negar ao povo brasileiro o acesso ao mesmo benefício , sobretudo quando está garantido que o Brasil , segundo nos informa o presidente lula , será a quinta maior economia do mundo em 2016? Essa conversa deveria parar no exato momento em que se constata que milhões de moradores do Rio e de Sçao Paulo gastam duas , três ou mais horas por dia , todos os dias , para ir ao trabalho e voltar para casa , tempo pelo qual não recebem nenhum tostão furado ; levantamento da prefeitura de São Paulo mostra que 50% dos paulistanos , e um número ainda maior de cariocas , consomem neste trajeto entre uma e quatro horas diárias , num sistema de transporte que tem uma das velocidades mais baixas do planeta . Nas áreas metropolitanas do Brasil como um todo , isso lhes custa mais de 90 bilhões de reais por ano em esforço não remunerado . Quanto aos países ricos , o governo parece não ter percebido que só começaram a ter trem-bala depois que ficaram ricos , e não antes .
    Mas para que perder tempo com fatos ?
    A farsa compensa muito mais .

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    Beijinhos carinhosos .

  72. Petraem 14 ago 2010 �s 15:18

    Aos admiradores não identificados que mandaram palavras tão carinhosas o meu muito obrigada !
    Fico feliz em saber que estou amenizando com os contos e crônicas estes dias angustiantes para todos nós .
    Ontem juntou mais o fim de uma sexta feira sem as tão aguardadas notícias por nós , e aí veio sim , a notícia da fusão da TAM com a LAN CHILE .
    Isto me remeteu aos nossos últimos tempos da Varig voando , as fofocas todas de que haveriam compradores interessados na compra dela , de que a companhia seria salva , que a LAN estava interessadíssima na compra da Varig…
    Tempos terríveis aqueles , pelo menos para mim. E isto tudo eu rememorei ontem com a notícia da compra da TAM.
    Não desejo nada de mal para a Tam ou para quem trabalha nela ,pois tenho muitos ex-colegas trabalhando nela , torço para que vá para a frente , mas eu , jamais serei sua passageira , se puder evitar , a não ser numa emergência e eu não tendo outra opção .
    Quanto a continuar confiando em Graziella e dr. Maia , isto , sempre !
    Não há hipótese de não acreditar no trabalho sério e competente deles , cada um á sua maneira .
    Vamos conseguir , sim !!!! Não existe outra hipótese nas nossas vidas , mas é que tá demoraaaando …

    Beijinhos muito carinhosos e um bom fim de sábado á todas/os .

  73. Gabrielaem 14 ago 2010 �s 16:34

    Petra, vamos lá. Você sempre nos diz “Vamos conseguir”, nada de desânimo. Eu te entendo amiga.Não podemos deixar cair a SUA peteca, senão vamos todos juntos pro brejo, e não é isso que vai acontecer. Você sempre está nos ajudando, cabeça para cima.
    Beijinhos carinhosos só para você
    Gabi

  74. Roberto Haddadem 14 ago 2010 �s 17:06

    Nossa Querida Musa,
    quando nada, o arrastar das correntes serve para exercitar a musculatura das pernas. O chato disso é que o ruído que esse arrastar produz, deve incomodar bastante seus vizinhos. Suponho que a tal corrente seja de aço, não???. Espere mais um pouquinho só porque você terá que fazer muito mais força pra arrastar uma corrente feita com “ELOS DE OURO”. Aguarde e continue com suas mensagens que nos trazem muito lazer. Reparou como todos gostamos bastante da “senhora”??????
    R. Haddad

  75. Petraem 14 ago 2010 �s 19:04

    Queridos amigos Gabi e Roberto Haddad , foi só uma tristeza passageira , hoje li muito e transcrevi mais ainda , assim o dia passou rápido , tempinho feio , chuvinha chata , boa para ficar debaixo das cobertas .
    Ah! Sr. Haddad , se pelo menos as corretes das minhas madrugadas insones fossem de ouro , isto já ajudaria bastante … os sonhos seriam mais tranquilos …
    Mas aguardemos o porvir .
    Gabi , quer dizer que eu não posso ficar um tantinho triste ? Você me conhece muito bem , sabe que tento não me deixar apanhar por ela , mas as vezes não dá tempo de escapar , quando vejo já estou envolvida .
    Roberto que bom que gostam desta senhora , adoro quando ao tentar me colocar para cima você me faz sentir uns 10 anos a mais dos que eu já tenho …(rs,rs,rs,) eu não tenho problema nenhum quanto a idade ou envelhecer , pois a outra opção é péssima , não é ?
    Beijinhos carinhosos de boa noite com uma música não muito conhecida , Carlos irmão deve conhecer , é da mesma época do 10 CC , uma música da qual gosto muito ;

    http://www.youtube.com/watch?v=ry4ngf766N0&feature=related

  76. Terezaem 14 ago 2010 �s 19:13

    Petra

    Não desanime, a angustia é grande.
    Tente não se abater, pois isso só vai te fazer mal.
    Sei que isso é um martirio, venho ao blog para ver se tem notícias boas, porque eu tenho um irmão na mesma situação, que vive amargurado.
    Me coloco na situação de vocês, acho um absurdo, o que está acontecendo, um pecado, mas quem deveria resolver não toma conhecimento.
    Vamos seguir confiantes, ainda existe uma luz no fim do tunel.
    Vocês tem um anjo, que procura uma solução insistentemente Dr.Maia.
    Coragem dias melhores virão.

  77. Amaury A. Guedesem 14 ago 2010 �s 19:40

    O Brasil que a gente ama nas mãos de quem só engana!

    http://www.youtube.com/watch?v=pbVFqTWbcxE

    Meu País
    Zezé Di Camargo e Luciano
    Composição: Zezé di Camargo

    Aqui não falta sol
    Aqui não falta chuva
    A terra faz brotar qualquer semente
    Se a mão de Deus
    Protege e molha o nosso chão
    Por que será que tá faltando pão ?
    Se a natureza nunca reclamou da gente
    Do corte do machado, a foice, o fogo ardente

    Se nessa terra tudo que se planta dá
    Que é que há, meu país ?
    O que é que há ?

    Tem alguém levando lucro
    Tem alguém colhendo o fruto
    Sem saber o que é plantar
    Tá faltando consciência
    Tá sobrando paciência
    Tá faltando alguém gritar

    Feito um trem desgovernado
    Quem trabalha tá ferrado
    Nas mãos de quem só engana
    Feito mal que não tem cura
    Estão levando à loucura
    O país que a gente ama

    Feito mal que não tem cura
    Estão levando à loucura
    O Brasil que a gente ama

  78. paizoteem 14 ago 2010 �s 22:09

    Eu não quero ir para o céu!
    À proposito do – Deus lhe pague – dirigido a mim por um conhecido, fiquei matutando;
    Porque repassar ao divino a divida de gratidão, ao invés de buscar formas de retribuir os favores?
    É muito cômodo, e um tanto inconsequente.
    E se Deus e o agraciado não estiverem com as relações em dia?
    Quando alguém me presta um favor ou uma gentileza, faço questão de eu mesmo pagar.
    No mínimo retribuo a gentileza. Espero que façam o mesmo comigo.
    Porque só nos dizem Deus sabe o que faz – quando nos acontece algo lamentável?
    Não precisamos que alguém desculpe ao divino por não ter-nos brindado com o que havia de melhor.
    Pode ser que seja apenas consequência de algum ato impensado de nossa parte.
    E mesmo que não seja, em nada ajuda este comentário.
    Piora! Prejudica!
    Pois se não formos atendidos nas próximas necessidades, nos levará a pensar definitivamente que não somos merecedores da divina misericórdia.
    Este amigo vive dizendo aos outros para que lhe reservem um lugar no céu,quando lá chegarmos.
    Acredita o mesmo que isto é uma manifestação carinhosa da parte dele, afirmando que não pode ser outro nosso destino.
    Quem disse a ele que eu pretendo chegar lá primeiro?
    Como pode afirmar que para lá irei, ou que queira ir.
    Imaginem um cara ansioso ter que passar o resto da eternidade de camisolão branco tocando harpa e pulando de nuvem em nuvem.
    Impossível!
    Foi pensando nisto tudo que eu chego a conclusão definitiva.
    Quero mais é que meus inimigos explodam .
    Quero que meus algozes sequem como pimenteiras.
    E que aqueles que prejudicaram meus interesses, negaram meus direitos , dificultaram as soluções, estes sim eu desejo que vão para o céu.
    E podem partir rápido, pois não farão falta.
    Aos que amo prefiro quero-os junto à mim o maior tempo possível aqui na terra mesmo.
    E quando algum destes seres amados partir , duvidarei do confortável e passivo dito popular ; Deus sabe o que faz!
    Se souber, praticará a justiça, devolvendo meus direitos para poder usufruir gozar dos mesmos junto aos que amo.
    E nada de esperar o céu por recompensa .
    Eu não quero ir para o céu !

    PS.; Tem sim! Tem muito a ver com Aerus e com o Direito. (justiça).

  79. Roberto Haddadem 14 ago 2010 �s 23:52

    Srta. Petra,
    “senhora”, eu escrevi no email só de brincadeira. Aguarde a corrente com “elos de ouro”. Não vai demorar, garanto.
    Sr. Haddad

  80. Petraem 15 ago 2010 �s 07:25

    Bom dia , Dr. Maia !
    Acho que o Sr. Haddad e eu estamos levando o Sr. á loucura com esta brincadeira de Sr. e Sra . , mas , na falta de assunto , fazer o que ? Qualquer prazer nos diverte .
    Sr. Haddad , é claro que entendi que era brincadeira , aliás , os amigos tudo podem e aos inimigos a lei , não é assim : Como voce faz parte dos amigos , tá liberado me chamar do que quizer . Mas o correto seria : Fräulein Petra , Srta. Petra em alemão , que tal , fácil não ?

    Bem , vamos deixar de brincadeiras e vamos ao penúltimo conto do Nelson Motta , depois só mais um , e voces economizaram R$ 29,90 ao não pecisar comprar o livro , isto se chama de leitura solidária , mas que o Nelson Motta não nos ouça…

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    “ O Édipo feliz “

    Zanzando pela Rambla de San Josep quase deserta , Jordi se sentou em um banco ao lado de uma barraca de flores , acendeu um cigarro , e disse baixinho , para si mesmo :
    “ Como pude ser tão louco !”
    Aos 35 anos , diretor consagrado de filmes publicitários , Jordi Serrat já realizara três longas de ficção . Modernos e inteligentes , os filmes tiveram boa acolhida de público e a crítica falava de Jordi como um “ Almodóvar catalão “ , uma das melhores promessas do cinema espanhol.
    Por muito dinheiro e algumas garantias de liberdade criativa , Jordi acabava de assinar o contrato mais importante de sua vida : para dirigir o filme sobre a vida bagaceira da polêmica atriz de musicais , Lupita Valdez , sua mãe .
    A idéia fora de seu amigo , roteirista e ex-companheiro de publicidade , Carlos Domenèc , um louro bigodudo e grandalhão , em permanente atividade criativa . A qualquer hora , em qualquer lugar , tomava notas , gravava , escrevia idéias e situações . Trabalhava praticamente 24 horas por dia , já que a primeira cisa que fazia ao acordar era anotar tudo de que se lembrasse de seus sonhos , talvez ali estivesse uma boa idéia para um filme . Ou um comercial . Carles se dizia um caçador de histórias e trabalhava compulsivamente , era sua forma de não pensar na sua vida e nos seus problemas , criando e desenvolvendo problemas e soluções para vidas alheias , para serem filmados por outras pessoas , com o objetivo de vender produtos e divertir estranhos .
    Carles não tinha ilusões . Assim como o teatro é a arte do ator e a televisão , do patrocinador , o cinema é do diretor , mas quem manda é o produtor . O roteirista estava condenado à frustração dos intermediários : nunca o que ele escreveu apareceria na tela . Seria melhor , ou quase sempre pior , do que ele imaginara , mas não seria mais o seu roteiro .Tudo seria mudado , cenas seriam cortadas ou trocadas ao longo da filmagem , diálogos reescritos , boa parte do material filmado cairia na sala de montagem .
    “ O roteirista tem que aceitar a sua própria insignificância . Não é autor de nada , o diretor faz o filme que quiser . Ou que o produtor mandar . Quem quiser ser autor que vá escrever livros “ , vociferava , “ pero hay que tener cojones “ . E continuava , como um Sísifo , escrevendo roteiros , sabendo que só uma mínima parte deles chegaria a ser filmada . E quase sempre malfilmada .
    Uma possibilidade seria dirigir . Mas para isto Carles não tinha temperamento nem paciência . Só a experiência de ver filmagens bastava para saber que jamais teria saco para as esperas infindáveis entre a iluminação e o grito de “ ação “ . Detestava ensaios e a convivência com atores e seus egos inchados e sensíveis , olhava-os como animais em um zoológico . Para Carles , eram um mal necessário , apenas instrumentos para expressar as suas criações .
    Carles era fã ardoroso de Lupita , desde adolescente . Quando conheceu Jordi , na Escola de Cinema i Audiovisuals , morreu de vergonha de cumprimentá-lo com aquela mão que já havia tocado incontáveis punhetas pensando na mãe dele , olhando as suas fotos pelada , revendo cenas tórridas dos seus filmes . Jordi era boa gente , um rapaz muito inteligente e criativo , um bom amigo . Deveria ser um pesadelo para ele carregar a história dos escândalos e putarias de sua mãe . E nada melhor do que um filme para exorcizar esses fantasmas .
    Foi esse o impulso generoso de Carles ao propor a Jordi a idéia de filmar a vida de Lupita , mas foi xingado de tudo e quase acabou espancado . Mais calmo , Jordi aceitou ouvi-lo . E Carles tentou convencê-lo de que seria uma oportunidade única para um acerto de contas com sua mãe , em que poderia revelá-la como ele a via , editar os seus conflitos , um tributo à memória dela . Uma liberação para ele .
    “ Sim , porque não se pode subestimar o talento e a importância de Lupita , sua liberdade e sua independência numa terra de hipócritas e subservientes “ , argumentou Carles , “ quanta alegria , esperança e paixão ela despertou em tantas pessoas , que tiveram nela uma alegria ? Ou um consolo ? Por isso era tão querida pelo povo , enquanto a elite a chamava de pornográfica e devassa . Você deve se orgulhar dela “.
    Jordi ouvia em silêncio , de olhos baixos , como se um filme passasse em sua cabeça.
    “ Além disso , você vai economizar dez anos de análise , amigo “, assegurava Carles .
    Jordi disse que iria pensar melhor , de cabeça fria , ver os prós e os contras , mas estava seduzido pelo desafio . Carles deu mais um empurrão :
    “ Já se passaram mais de cinco anos da morte dela , você já tem o distanciamento suficiente para começar a vê-la como ela era . E ela era uma mulher e tanto , Jordi . Quando estiver pronto me avise , que já tenho o roteiro na cabeça . Começa na Plaza Catalunya , com a câmera fechando em …”
    “ Porra “! , interrompeu Jordi , e os dois se abraçaram ás gargalhadas .
    Dois dias depois , Jordi ligava para Carles querendo conversar sobre o filme de Lupita . Passara os dois dias sem dormir , sem drogas , sem álcool , só fumando e pensando , sozinho em casa . Por que não ?, se perguntava . Não teria muito a perder , a menos que fizesse uma merda de um filme , mas com uma história e um personagens daqueles , só não faria um filmaço se não quisesse . Era mesmo uma grande oportunidade , qualquer diretor sonharia em filmar uma história como aquela , uma atriz popular de temperamento exuberante e vida turbulenta , com muitos amores e um final trágico .
    E se eu faço o filme , refletia Jordi , pelo menos estou em controle , posso escolher o que mostrar e o que esconder . Não para poupá-la , mas também para não julgá-la . Para tentar encontrar um equilíbrio entre o melhor e o pior dela , que muitas vezes se confundiam : ás vezes , quanto pior ela era , melhor para o público . Mas não para o filho . O difícil seria encontrar este equilíbrio .
    E por pior que o filme a mostrasse , seria melhor do que o que diziam dela por aí , pensava Jordi , se lembrando das dolorosas gozações dos colegas de ginásio , crueldade de adolescentes , “ se eu tivesse uma mãe assim , não saía de casa “ . Falava-se barbaridades dela , que tinha dado para o padre reitor para o filho entrar no Colégio dos Jesuítas de Barcelona . Recebia bilhetinhos querendo marcar encontros com ela . Afrontas , “ não podia xingar o filho da puta quem já é “. Caralhos desenhados com o nome dela na parede do banheiro . Jordi penou por causa das estrepolias de Lupita – e de seu corpaço de sereia , com peitos e quadris exuberantes de rumbeira , característicos de sua origem cubana .
    LUpita fazia e acontecia , falava muito palavrão , mostrava tudo , provocava com despudor , mas tinha uma mentalidade bem careta sob a aparência de libertinagem . Nunca levou homem para casa , não bebia , não tomava drogas e , apesar da infinidade de namorados , era fiel , enquanto durasse a paixão . O problema é que quase sempre durava pouco . E , além disso , Lupita tinha um temperamento forte , não levava desaforo para casa , se envolvia em brigas na rua , batia em jornalistas , era tomada por fúrias indomáveis , destruía bares e maldizia quem estivesse pela frente com as piores blasfêmias . Sem uma gota de álcool , uma linha de cocaína ou uma pílula , na pura tradição do temperamento gitanocaribenho . E talvez por isso sua carreira tenha mais baixos do que altos . Morrer de câncer aos 48 anos , ainda em forma , apenas aos primeiros sinais de decadência , pensava Carles , pode ter sido um desejo secreto de Lupita , ou nem tanto , já que ela sempre dizia em entrevistas que queria morrer jovem .
    Jordi era filho de uma aventura dela com um playboy de província , quando Lupita ainda se chamava Rosário , tinha 20 anos e era uma bailarina promissora , recém-chegada a Barcelona , que engravidou sem querer e foi abandonada pelo namorado . Este , sim , era um merda , Jordi só o conhecera quando já tinha 12 anos e nunca o havia aceitado como pai . Era um babaca , um inútil , que nunca fez nada e vivia então ás custas minguadas rendas do avô , um rico proprietário de terras que perdeu quase tudo e virou um velho pobre e autoritário , que já não dizia coisa com coisa e era sugado de suas últimas antiguidades pelo filho . O avô Adrià jamais o aceitara como neto , nunca sequer quisera conhecê-lo .
    Lupita , não . Pode ter feito o que fez , ou dizem o que fez , dormido com quantos homens dormiu , falado as merdas que falou , mas nunca faltou com carinho e conforto para Jordi . Quando estava por perto . O problema é que Lupita viajava muito . Batalhava para manter a casa sozinha depois que o pai declarou-se falido e deixou de pagar a pensão judicial , estabelecida quando ela o fez reconhecer á força de exames de DNA, a paternidade .
    Não tinha culpa se os homens ficavam loucos . Quer dizer , um pouco tinha , pensava Jordi , porque ela adorava provocar , era uma profissional da provocação , daquelas que seduzem muito mas demoram a dar , quando dão , pensava Jordi , deitado no terraço ajardinado de seu apartamento high-tech , no alto da colina de Montjuich , sob o vento quente do Mediterrâneo .
    Ia procurar Carlos e topar . Sua única exigência seria ter o controle da produção , o que era bem mais difícil . Mas não poderia ficar na mão do produtor , que podia estar mais interessado em fazer um filme de sexo e escândalos para estourar as bilheterias a qualquer preço . E isso ele não faria .
    Quando chegou ao Café dês Arts , Jordi já encontrou carles entrando em meia garrafa de Rioja . Assim que o viu , levantou-se e o saudou em voz alta . Estava excitadíssimo e não o deixou falar .
    “ Estou saindo de um encontro com Don Augustín na Iberfims e ele aceita produzir dando a você o corte final . Você vai poder fazer o que quiser , desde que não estoure os prazos , nem o orçamento , certo ?”
    “ Como é que você sabia que eu ia topar ?”
    “ Ora , meu caro diretor , não seja ridículo , o velho Carles não nasceu ontem . Eu vi seus olhos brilhando quando falei . E como você é uma pessoa inteligente , e , ás vezes com alguma lucidez , tive certeza de que era só uma questão de tempo . Então , para adiantar as coisas , fui falar com Don Augustín que ficou louco pela idéia , embora duvidasse que você toparia …”
    “ Mas eu ainda não topei nada … “
    “ … e como os seus três filmes que ele produziu deram lucro , você se comportou bem , só estourou um pouquinho os orçamentos e os prazos e faltou a alguns eventos de lançamento , ele não tem do que se queixar : ganhou o seu dinheiro , e você entregou os filmes que prometeu . Alguns até melhores do que ele esperava , como “ Lábios de Fogo . “
    “ É pior dele três “.
    “ Implicância sua , só porque é o mais popular “.
    “È o mais superficial , isso sim “.
    “ Então está na hora de dar um mergulho profundo . No maravilhoso mundo de Lupita Valdez “ , Carles seviu a Jordi um copo de Rioja .
    Foram dias e noites febris escrevendo o roteiro na bela e isolada casa de Jordi em Palma de Mallorca , tentando equilibrar entre a visão e os sentimentos de um fã e de um filho , o humor e o sex appeal , os romances e escândalos , os sucessos e fracassos , as grossuras e finesses de Lupita Valdez . No fim do verão , quando voltaram a Barcelona , já tinham um primeiro tratamento , aprovado por Don Agustín junto com o cronograma de produção . Começava a contagem regressiva , pela parte mais defícil : encontrar uma atriz , por volta dos 30 anos , morena , gostosa e abusada , que cantasse e dançasse , para encarnar Lupita em “ Turbilhão de Paixões “ , disposta aos altos teores de sexualidade e de despudor da biografada .
    Seria duro para Jordi dirigir as cenas mais quentes , pensava , mas não dizia , Carles . Em Mallorca , ele ficara impressionado com a disposição de Jordi para expor a mãe , sem julgamentos , ressentimentos ou rancor , mas com orgulho por ela ser como era , contraditória , fascinante e sedutora . E com um irresistível apetite por homens bonitos . Os que eram só ricos ou poderosos não tinham chance com ela . Uma vez trocou um político rico e prestigiado , e ainda bonitão , pelo motorista dele , um jovem Apolo sobre rodas . Ela era assim , e assim seria mostrada no filme de Jordi , que parecia se distanciar da mãe para se aproximar de Lupita . Ou vice-versa .
    Dezenas de candidatas , vindas de toda a Espanha , entre nomes conhecidos e jovens atrizes iniciantes , se apresentaram para os testes em Barcelona . Era o novo filme de Jordi Serrat , e sobre a sua mãe . A imprensa estava fervilhando , adorou o assunto – Lupita nunca teve tantas matérias . Mas Jordi , como exigira em contrato , não daria qualquer entrevista até o lançamento do filme . Lupita Valdez era o papel dos sonhos de qualquer atriz , capaz d eproporcionar-lhe um show de interpretação , mostrar o melhor do seu corpo e de sua alma , e fazer dela uma estrela .
    Núria Ferran tinha 28 anos , era uma morena bonita que transpirava sensualidade , embora não fosse a candidata mais parecida com Lupita . Mas foi ela a escolhida , com a aprovação silenciosa de Don Angustín , que adorava sessões de teste de jovens atrizes , mas não dera nenhum palpite . A mãe era de Jodi , ele deveria saber .
    Outras poderiam ser mais parecidas de rosto com Lupita , ter corpos melhores , mas Nùria era muito melhor atriz do que elas , tinha se preparado , cortara e pintara os cabelos como Lupita , aprendera a falar como ela . Ás vezes , fechando os olhos , Jordi podia ver a mãe ali na sua frente , aos 30 anos , cantando e dançando sobre saltos altíssimos , com um biquíni de leopardo e um rabo de penas de avestruz .
    A escolha do resto do elenco não foi difícil . Entre legiões de jovens galãs e atores maduros e bonitões , foram selecionados os coadjuvantes . Diante de Lupita , todos eram coadjuvantes : namorados , amigos , empresários , jornalistas , empregados , vizinhos , afetos e desafetos . Difícil foi escolher o garoto de 10 a 12 anos , moreninho de cabelos crespos e olhos vivos , para interpretar o filho de Lupita . E diretor do filme .
    Carles estava admirado e fazia questão de registrar o quanto estava orgulhoso dos “ cojones “ do amigo . Não só de filmar a vida controvertida de sua própria mãe , mas também de se colocar na tela , como o menino que via fascinado aquela mulher se vestindo e se despindo , saindo e chegando , rindo e chorando . Lupita não tinha problemas com seu corpo , não usava calcinha , andava nua pela casa , tomava banho de sol em pelo na laje do pequeno edifício onde moravam , Jordi sempre baixava os olhos .
    Adolescente , ela fez dele um relutante confidente , e passou a contar-lhe suas aventuras e desventuras amorosas , como uma colega , uma amiga . A história era sempre parecida ; ela cheia de esperanças no início , ele cheio de promessas , com tudo para dar certo , as brigas , os ciúmes , o rompimento , a volta , o rompimento , a volta , até a próxima esperança .:
    Diante do desconforto de Jordi , se justificava :
    “ Te conto para você aprender tudo que não se deve fazer com as mulheres .”
    Eram muitos namorados , em constante movimento , mas um de cada vez . Lupita sempre foi fiel , jamais havia traído um namorado , jurava , antes rompia com ele , ou , quase sempre , rompiam com ela . E não namorava homem casado . Eram regras escritas na pedra para ela .
    Ao mesmo tempo em que escancarava as suas emoções para Jordi , era discretíssima , como se não tivesse vida sexual , como se os seus namoros fossem feitos só de sentimentos e carinhos . Não recebia seus amantes em casa nem revelava seus nomes a Jordi , embora alguns , artistas e esportistas , que a deixavam na porta , fossem seus conhecidos dos jornais e da televisão . Talvez por isso tivesse freqüentes pesadelos com Lupita trepando com homens sem rosto , um depois do outros .
    Com o cabelo e a maquiagem , Núria estava a cara de Lupita e mostrava a mesma exuberância corporal . Mas tinha um temperamento muito diferente . Era tímida e tensa , falava baixo , se vestia com desleixo , sempre de jeans , camiseta e tênis , e só pensava naquilo, o teatro , o palco , a arte de representar , muito mais até do que o estrelato . Ex-alcoólatra e dependente química , achava que fora salva pelo teatro , estava limpa e disciplinada : havia dois anos , quarenta dias , e 11 horas não bebia nem tomava drogas .
    Enquanto eram selecionadas as locações , montados os cenários e costurados os figurinos , Jordi dirigia os ensaios no terraço de seu apartamento , no alto da colina de Montjuich , com Barcelona iluminada aos seu pés e o Mediterrâneo escuro ao fundo .
    Núria tinha todo o texto decorado antes do primeiro ensaio , como se fosse uma peça de teatro . Já havia construído o personagem na sua cabeça quando disse a primeira fala , que seria filmada com ela saindo de uma banheira de espuma , de braços abertos e os peitões balançando , gritando :
    “ Olá , putada “”
    Núria estava apaixonada por Lupita , e que mulher não estaria ? Viver um sonho de liberdade e independência , de ingenuidade e inocência , movida por sentimentos intensos e fugazes , com a sexualidade à flor da pele e um esplêndido despudor . Para provocar , seduzir e divertir estranhos , mas se dar inteira só aos seus amores , um de cada vez . Tudo que Núria não era , e por isso mesmo gostaria de experimentar, protegida por um personagem .
    O diretor era uma amor , um cavalheiro , a cercava de gentilezas e atenções , era um homem acostumado a trabalhar com artistas , paciente e educado . Assim conseguia deles o que queria . Jordi estava encantado com o talento , a seriedade e o profissionalismo de Núria , que se agarrara ao papel como se fosse o último e o único de sua vida . E era dócil às suas direç~eos , aberta a riscos e mudanças , estava entregue ao personagem . E ao diretor , ele pensava .
    Quando Núria apareceu a primeira vez vestida de Lupita , numa prova de figurino , Carles e Jordi vibraram . De biquíni mínimo de leopardo , com o rabo de penas de avestruz e sobre saltos altíssimos , ela cantava e dançava pela sala , sob aplausos . A própria Lupita não faria melhor .
    \as Câmeras estavam prontas para rodar .
    E Jordi se deu conta de que estava , como todos no set se apaixonando por Lupita , o que era até bom para o filme , mas nem tanto para ele . Tinha que manter o controle , a frieza era indispensável para poder expressar as suas emoções , mas na tela . Sete set , filme é tela , pensava .
    Pobre Jordi , pensava Carle , apaixonado pela mãe de verdade e agora pela mãe de fantasia . Ás vezes se sentia até um pouco culpado por tê-lo levado àquela aventura em mares tão bravios . O problema era que Carles , como todos no set , também estava se apaixonando por Lupita . Era como se a fantasia erótica de sua adolescência se encarnasse diante dos olhos do garoto punheteiro . E melhor , não era a mãe de seu amigo , mas uma jovem atriz talentosa e ambiciosa , gostosíssima , interessada em manter ótimas relações com quem escrevia suas falas e criava suas situações e seus conflitos , as suas cenas de amor .
    Carles convenceu Jordi da necessidade de estar presente no set . Ele detestava , mas faria como sacrifício , para reescrever a cada dia as cenas , de acordo com a dinâmica dos acontecimentos e o desenvolvimento dos personagens . Com Jordi dando a última palavra , é claro .
    Qualquer possível equilíbrio entre a visão do filho e a do fã desapareceu com a entrada em cena de Núria , por quem os dois estavam apaixonados . Jordi , se esforçando para não misturar ainda mais as coisas em sua cabeça e em seu coração ; e Carles , fazendo todos os esforços para agradá-la , louco para comê-la . Afinal , estava esperando havia vinte anos .
    Sempre com doçura e suavidade , com seu jeito tímido e desprotegido , Núria conseguia o que queria , refilmar cenas , trocar figurinos , cortar falas , acrescentar outras , usando a sua autoridade como Lupita . E o tesão e a fantasia de Jordi e de Carles . Era desconcertante para eles vê-la em cena como Lupita , dançando nua , aos beijos com um amante , e depois do “ corta “ se enrolar num roupão , e voltar em silêncio para o camarim.
    Por mais poder que estivesse conquistando , Núria sabia que ele ainda seria pouco na sala de montagem , quando o diretor e o montador fariam o que quisessem , cortariam cenas , diminuiriam papéis , eliminariam personagens , fariam o filme do diretor .
    Cada vez mais segura do que fazia , e menos do que Jordi faria com o trabalho dela , Núria fez uma tórrida cena de sedução com um garotão aparvalhado . Jordi aplaudiu , e ela saiu sorridente do cenário , só de calcinha e de saltos altíssimos , enlaçou Jordi pelo pescoço e deu-lhe um beijo longo , molhado e profundo , finalizando a cena que havia começado como Lupita .
    Carles sentiu que o roteiro estava mudando . Sentiu inveja de Jordi , que recebeu aquele beijão de sua própria mãe , abraçado ao seu corpo nu , sem culpa e sem pecado , o Édipo feliz.
    Dali para a cama foi um passo , um passo em falso . Jordi brochou na primeira tentativa . Núria era insegura sexualmente , tensa , ansiosa , tinha sérios problemas para gozar , era incapaz de se entregar , de ser um furacão em cima ou embaixo de alguém , ao contrário do que se imaginava de Lupita . Para Jordi , tudo nela parecia falso , embora fosse verdadeiro . Bem , Núria não era Lupita , concluiu meio aliviado e meio frustrado debaixo do chuveiro , depois da segunda tentativa , consumada porém sem brilho ou emoção . Não que fosse ruim , mas bom também não foi , nem nada do que ele esperava . Nada poderia ser o que ele esperava . E , afinal , o que ele esperava ? O verdadeiro prazer era vê-la em cena , desejá-la , e não comê-la .
    Carles estava em campanha : chegava todos os dias com propostas de cenas mais audaciosas , não previstas no roteiro inicial , trepadas escandalosas em lugares públicos , cenas de sadomasoquismo e surubas , com a aprovação entusiástica de Núria , e a aceitação relutante de Jordi . Decidiria o que fazer delas na sala de montagem , só filmá-las já seria muito divertido e excitante .
    Seria duro para Jordi dirigir as cenas sexo ? Nem tanto . Depois de conhecê-la e de se decepcionar carnalmente , ela era mais Núria do que nunca , uma atriz talentosa e disciplinada que obedeceria aos comando do diretor , . Lupita era uma ficção .
    Como Lupita , ela foi um furacão em cima ou debaixo , atrás ou na frete do ator , que não conseguiu conter uma ereção de verdade e se cobriu constrangido quando Jordi gritou “ corta” , sob risadas e piadas do set , enquanto Núria vestia o roupão e voltava em silêncio para o camarim.
    A grande virada do roteiro se deu na festa comemorativa do encerramento das filmagens , no prazo , e com o orçamento só um pouquinho estourado . Don Agustín estava feliz com o que havia visto do material bruto , sem que Jordi soubesse , e apaixonado , profissionalmente , por Núria Ferran . Como todos no set .
    Como todos no set , Núria brindou com champanhe , duas , três , vária taças . Ex-alcólatra , logo estava incontrolável , falando e agindo como Lupita , gritando palavrões , pegando no pau dos homens , beliscando o peito das mulheres , subindo na mesa e , sem parar de dançar , tirando a calcinha e a jogando para os convidados :
    “ Lupita de calcinha não é Lupita “!
    “ Viva Lupita !” , todos gritavam e aplaudiam , o DJ aumentava o som e botava músicas com batidas mais rápidas . Núria circulava pelo salão dando beijos de língua em homens e mulheres . Parecia uma performance de Lupite , mas era Núria .
    Jordi estava cansado , preferiu ir embora ; aquele filme estava filmado .
    Sorte – e perseverança – teve Carles , que vários drinques depois , abraçou Núria e beijou a boca de Lupita com apetite . Levou-a para casa e ela superara tudo que ele imaginara , e ele imaginara tudo , como um roteiro de cinema .
    Núria se levantou com as primeiras luzes do dia entrando pelas frestas da cortina , num quarto estranho , nauseada , com a boca amarga e a cabeça estourando . Olhou para o lado e viu Carles escorneado , com o bundão de fora , roncando feliz . Morreu de vergonha e de arrependimento . Depois de lavar o rosto e a boca , se vestiu e saiu .
    Apesar da grande atuação de Núria , o filme foi desancado pela crítica , que o acusou de vulgar e apelativo . Jordi foi execrado por vender a mãe . E não entregar . O roteiro de Carles foi considerado inverossímil e cheio de clichês .
    Mas o público adorou .

    ___________________________________________________________________

    Hoje não tem feira nem pastel , meus pais vem almoçar aqui em casa … pobrezinhos …

    Abraços e beijinhos carinhosos , Dr. Maia , saúde , carinho , relaxe bastante , se pudesse lhe mandaria um pouco da nossa chuva para acabar com a secura de vocês daí . Então é isso , beijinhos carinhosos , cafuné , paz e muita chuva para o Sr.

    A música só poderia ser uma …

    http://www.youtube.com/watch?v=15kWlTrpt5k

  81. Petraem 15 ago 2010 �s 08:22

    Repassando ;

    Vale a pena escutar , muito interessante !!!!

    Do presidente do Grupo Santander no Brasil.

    ……………………………………………………………………………………………………………………
    Ética, construção de um mundo novo no dia-a-dia. Clicar no link.

    http://www.youtube.com/watch?v=SrONJfa9lZU

    Beijinhos carinhosos

  82. Petraem 15 ago 2010 �s 13:09

    Sr. Haddad , fiquei me perguntando , por que só os elos da minha corrente seriam de ouro ?
    Por que não a corrente toda ?

    Paizote , que depois de uma semana de silêncio nos proporciona mais uma das suas pérolas escritas , adorei !!!!
    Também concordo que esta história de céu é meio chata , eu só quero as pessoas das quais gosto perto de mim , seja por aqui ou na eternidade , céu ou inferno , tanto faz.

    Concordo com voce de que tudo tem a ver com o nosso Aerus e Justiça !!!!

    Beijinhos carinhosos .

  83. Petraem 15 ago 2010 �s 17:55

    Nada como um dia atrás do outro , sexta eu estava triste ao ler sobre a fusão da TAM com a LAN , seu crescimento , e hoje este texto me fez muito bem , alguém pelo menos ( ainda ) se lembra de nós …
    Transcrevo a crônica de Paulo Rabelo de Castro , da revista Época ;

    ” Na fila do aeroporto , ao menos estamos seguros ”

    O programa Casseta e Planeta da segunda semana de agosto bateu duramente nas companhias aéreas . Lembrou o que dizem as mães – creio que todas – quando recomendam aos filhos : ” Evitem as más companhias , quer dizer … as aéreas !”
    O quadro dos cassetas mostrava a frustrada tentativa dos clientes de embarcar nas “Tabajaras Airlines , figurativa de algo que não apenas funciona mal , mas também teima em não buscar solução para o problema aflitivo de quem quiser viajar .
    Já é hora de começar a lidar melhor com esse trauma e elaborar algumas causas do caos instalado , que mais uma vez ameaça , talvez com contornos sinistros . Tomara que não . Que sejam só embaraços e desconfortos . O fato é que o setor aéreo tupiniquim tem andado no fio da navalha desde o episódio da eliminação da Varig , em 2006 . Antes disso , é bem verdade , já não andava bem .Mas o equívoco da sentença de morte contra a maior empresa aérea do setor deixou um buraco na aviação comercial brasileira que as autoridades ainda não conseguiram superar . Como qualquer serviço público essencial e regulado , a Varig não poderia jamais ter sido desbancada e substituída do jeito atabalhoado que o foi pela Agência Nacional de Aviação Civil ( Anac) e pelo judiciário . Lembrando : algumas revistas e alguns jornais , na ocasião , repetiam um refrão a favor do ” livre mercado ” , concluindo que a Varig deveria ter fim por ser sinônimo de ineficiência e bancarrota , pela baderna administrativa e por suas tripulações estufadas para a quantidade de aeronaves na sua frota . Também diziam que a Varig devia os tubos aos credores , sem apontar que ela também era ( e ainda é ) credora do governo . E que era uma oligopolista agindo como se fosse uma estatal . Etc.Etc.Etc.
    Fatos : quatro anos se passaram , e o domínio do mercado por duas aéreas só mudou de mãos . A qualidade do serviço não melhorou um milímetro sequer ; perderam-se , porém , algumas referências do modo Varig de voar . Além disso , desfez-se o mito do excesso de pessoal , que seria o pior defeito da companhia mais querida do Brasil , pois a relação piloto-aeronave não avançou no padrão da propalada eficiência . Nota : os vôos intercontinentais foram para as concorrência externa . E você sabia que 600 dos mais competentes pilotos da antiga Varig foram buscar emprego em Londres ,Dubai ,Hong Kong, Xangai , Mumbai e Lisboa ? Sim , ” exportamos ” os mais experientes pilotos para o exterior .O que acharíamos de perder para o resto do mundo nossos 600 melhores médicos e engenheiros ? Tragédia . Foi o que aconteceu nas barbas das autoridades . Se o capital humano de uma empresa ou coletividade se vai , o que ocorre em seguida com a qualidade e confiabilidade do serviço ? Isso todo mundo sabe responder .
    Mas tramita um projeto de lei na Câmara que tenta alterar o Artigo 158 do Código da Aeronáutica , a fim de permitir que se importem pilotos estrangeiros em grandes quantidades para voar em solo brasileiro . Francamente , já fomos mais inteligentes . Sabíamos educar e treinar brasileiros . Hoje , o mote é o corte de custos em pleno voo para , supostamente , melhorar o padrão financeiro das empresas aéreas . Será ? A Varig quebrou devendo metade do seu passivo aos próprios trabalhadores que aprovaram um Plano de Recuperação Judicial para injetar de volta na empresa parte desse crédito como risco . Passaram por cima desse plano para vender ativos picados . E quem depende do fundo de pensão até passa fome .
    É patente a responsabilidade das autoridades nesse processo , que ainda nos fará morrer de vergonha quando chegarem a Copa e a Olimpíada . Se as atuais companhias são um time que joga mal , pior é o técnico , no caso a Anac . Abrindo o site da agência , vemos estatísticas estagnadas em 2008 . A ineficiência administrativa , e no caso da Varig , também a judiciária , não tem paralelo na história da aviação brasileira . A conclusão é paradoxal : nosso sofrido viajante reclama de mofar nas filas de aeroportos , mas , possívelmente , está mais seguro lá do que voando como sardinha em lata .

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    Assim , desejo uma boa noite de sono á todas/os , sem correntes , de ouro , aço , ferro para arrastar .
    A música é antigiiiinha , mas insuperável para quem gosta de aviação …

    http://www.youtube.com/watch?v=AQg42BVPx0U

    Beijinhos carinhosos .

  84. paizoteem 15 ago 2010 �s 18:28

    Lendo o texto acima da Amiga Petra , eu noto que comungamos nos sentimentos.
    Fala a mesma que ficou triste quando soube da aliança da TAM (LATAM).
    Isto seria a solução para esta empresa.
    Diz que ficou feliz que na crônica de Paulo Castro , ele comenta que as empresas nunca mais foram as mesmas após a RG..
    Ou seja ambos queremos que elas e os que nos lograram expludam.
    Só que eu uso menos sutilezas.
    Acho que este é um sentimento da maioria, mas por decoro ou por regras politicamente corretas, temos dificuldades de admitir.
    Já não fico triste como antes com a nossa situação, o tempo esta cuidando disto.
    Mas a indignação ,esta esta cada vez maior.
    Quando varios colegas consolavam nossa amiga pela tristeza da mesma ,e tive que me conter para não fazer o mesmo.
    Afinal não havia nenhuma tragédia nova , apenas mais do mesmo com que temos que nos adaptar.
    Indignação ,sim! Tristeza não!
    A pior coisa que podemos fazer aos nossos algozes,é ser feliz apesar deles.
    Eles não suportariam , e …
    Abçs!

  85. Petraem 15 ago 2010 �s 18:57

    Paizote !
    Comungamos ” quase ” dos mesmos sentimentos . Não quero que as empresas aéreas explodam , pois temos muitos ex-colegas voando nelas , e eles não mereceriam mais uma demissão etc.etc.
    Mesmo porque isto não nos ajudaria em nada , não mudaria em nada a nossa situação , e não nos traria a nossa Varig de volta , então para que causar mais tristeza para pessoas que não tem nada a ver com isso ?
    Agora , como voce bem diz : aos que nos lograram , nos enganaram , nos espoliaram , sim , à estes sim , eu desejo que provem do mesmo veneno que nos deram para beber , que lhes aconteça em dobro o que nos fizeram passar , enfim , a famosa lei do retorno . Importa que nós estamos com as nossas consciências tranquilas , de termos sempre feito o melhor que estava a nosso alcance e o que era esperado de nós .
    Eu deito a cabeça no meu travesseiro à noite , tranquila, e se acordo no meio da noite e começo a pensar como poderá ser a minha vida daqui para frente e perco o meu sono , não é de remorso ou de dor na consciência por ter feito algo de errado ou ter causado dor , morte e tristeza para milhares de pessoas inocentes que fizeram a sua parte ( trabalharam honestamente e pagaram por anos a sua parte num contrato chamado Aerus …) .
    Não somos nós que deveríamos passar noites insones , mas sim os nossos algozes …
    Você tem toda a razão , apesar de tudo que estamos passando , somos mais felizes do que áqueles que nos causaram isto tudo .
    Indignação , sim , sempre !!!

    Beijinhos carinhosos , amigo Paizote !!

  86. Roberto Haddadem 15 ago 2010 �s 21:38

    Petra 15/08/2010 13:09,
    Você quis dizer, “por que não as correntes de todos”, não foi???.
    Ë que a única que arrastou a corrente foi você, simples, né???. (a corrente é feita de elos. Dê uma olhada no que você escreveu. ficou esquisito).
    Ah…O “Sr.” me deixou 20 anos mais novo. Costumam me chamar de ancião.
    R. Haddad

  87. Rubens Fonsecaem 15 ago 2010 �s 22:58

    Que infelicidade do Presidente Lula de tentar vender a imagem da Sra Dilma como a solucao do Brasil para os proximos anos…. que infelicidade! No debate da Band associei a imagem dela a de Dubai, Las Vegas, enfim puro artificialismo!!! Ela nao consegue nem acreditar nas verdades que conta para si propria quanto mais para convencer os eleitores mais esclarecidos….
    Duro e ver aquele sorrisinho laboratorial no final dos seus speeches, vendendo simpatia que nao tem e nunca tera.
    Mudando de assunto: por que brigar atraves de greve por centavos e nao se falar em o greve pelos calotes trabalhistas e previdenciarios do passado? So posso crer que essa briga atual na Varig Gol e so para justificar a existencia sindical mas que nao sera em nenhum momento apoiado por ele.
    Nao sejamos tolos ou mudamos a aviacao zerando a sacanagem do passado e avancando em busca de melhores condicoes para os funcionarios de hoje ou seremos acusados de insanidade…. briga-se por centavos, fecha-se os olhos para o roubo ocorrido e que somos todos vitimas!

  88. Petraem 16 ago 2010 �s 07:34

    Bom dia , Dr. Maia !!!!

    Roberto Haddad , você tem razão , a minha colocação em relação ao arrastar das corretes de ouro ficou muito estranha , mas como eu tive a ajuda do Carlos Eduardo ( 13/08 ás 23:53) no arrastar de correntes , elas ficaram um pouco mais leves …
    Agora , correntes de ouro para todos do Aerus, Aeros ,Aerus Transbrasil , é claro !!!

    Como prometido vai o último conto do livro de Nelson Motta , peninha né ?
    Eu adorei transcrevê-los e espero que tenham gostado de lê-las .

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    “ Vale o escrito “

    Boipeba é um paraíso tropical na Bahia de Todos os Santos , uma ilha de vegetação exuberante , separada do continente por um rio e um braço de mar , onde as águas doces se misturam com as salgadas e o reino de Oxum se encontra com o de Iemanjá.
    De rente para a imensidão azul , cercada por matas virgens e manguezais , com praias de areis fina e branca , com ar-condicionado , internet e televisão por satélite , além de uma boa conexão de celular . Do jeito que eu gosto : natureza e tecnologia .
    Adoro a natureza selvagem , que me relaxa e me inspira , mas não vivo sem a tecnologia . Sem meu laptop e sem internet , não consigo trabalhar . Bem , até poderia , muitos escritores escrevem à mão , em cadernos , usando apenas uma Bic e sua imaginação . Alguns escrevem até a lápis , como Vargas Llosa , para poder apagar com a borracha e reescrever . Não é o meu caso . E o que seria de mim sem o Google ? Não só para as biografias , mas para os meus romances , com informações sobre cidades , pessoas , eventos , músicas e filmes que definem épocas , venenos ou armas para crimes , nomes de pessoas e lugares argentinos ou catalães , cenários e personagens , o Rio de Janeiro nos anos 60 , a geografia e a cultura da Índia … está tudo lá , pronto para se tornar ficção nas mãos de um profissional . Imagino que se Balzac tivesse um Google poderia ter escrito uns quatrocentos romances , Proust não precisaria puxar tanto pela memória , escritores não perderiam tanto tempo pesquisando e poderiam usá-lo para trabalhar as informações e a forma de contá-las , como se pode fazer hoje em dia .
    Depois do surpreendente sucesso comercial do meu romance “ Noites Quentes “ , recebi um bom adiantamento de minha editora para escrever um novo livro e desembarquei em Boipeba leve e esperançoso , com uma mochila , o meu querido MacBook e nenhuma idéia na cabeça . A paisagem , a paz e o conforto ajudavam , mas ao mesmo tempo não deixavam espaço para desculpas e justificativas para não fazer o que tinha que ser feito : um bom livro .E todo mundo sabe que a inspiração vem com a transpiração ; a tela em branco é o campo de batalha .
    E em branco ela continuava depois de três dias , um período de adaptação natural ; era uma espécie de relaxamento concentrado para que as idéias pudessem fluir e frutificar .
    Fluir até que fluíram , mas como um rio de águas turvas . Eram poucas e bobas , previsíveis e inaproveitáveis , mas com certeza as boas aparecerão naturalmente , tentei me tranqüilizar . mas para isso era preciso colocar para fora tudo , as ruins , as vagabundas , as preguiçosas , todo o lixo , maioria absoluta .

    A vila de Boipeba tem um comércio básico , posto de saúde , delegacia de polícia , um campo de futebol , alguns bares e pequenos restaurantes , e uma pizzaria bem razoável , até mesmo para os exigentes turistas paulistas e italianos que abundam no verão baiano .
    No fim da tarde , depois de uma jornada infrutífera diante do Mac , saí para dar uma espairecida . Fui caminhando pela areia , maravilhado com o crepúsculo vermelho descendo sobre as ilhas , e, atraído pelo cheiro saboroso de uma fornada , parei na Pizzaria Verona . Foi lá que conheci o Jonas .
    Aparentava 30 e poucos anos , era bem moreno e muito magro , com o rosto encovado , barba e bigode , boné e óculos Ray-ban . Falava e gesticulava muito em uma mesa próxima , cercado por turistas que ouviam com atenção e pontuavam com gargalhadas as suas narrativas , em inglês fluente , mas com forte sotaque baiano .
    “ É o Jonas , um contador de história “ , me disse a garçonete tomando meu pedido ; “ é muito querido na ilha , quase todo dia , no fim da tarde , vem para a pizzaria . E nem paga , é convidado da casa , porque sempre trás com ele grupos de turistas . Todo mundo gosta das histórias dele , um vai falando para o outro , e ele vai ganhando freguesia . Tem gente que até volta com os amigos e pede para ele repetir a história “.
    Enquanto eu tomava cerveja e esperava a pizza , Jonas terminava sua história , a terceira da noite , com gargalhadas e aplausos . Ainda rindo felizes e satisfeitos , os turistas o cumprimentavam e se despediam , deixando dinheiro sobre a mesa .
    Jonas ainda recolhia as notas quando seu olhar cruzou com o meu e nos cumprimentamos com um aceno de cabeça . Ofereci-lhe uma cerveja e ele aceitou ; guardou as notas no bolso do short e se sentou à minha mesa .
    “ Muito prazer . Jonas , “ estendeu a mão sorridente .
    “ Muito prazer “ , respondi , “ eu sou um escritor do Rio de Janeiro à procura de boas histórias “ , disse num tom de autogozação .
    Ele riu , com dentes bastante maltratados .
    “ Tem um cigarro aí , veio ?”
    Dei-lhe o cigarro e servi-o de cerveja . Ele perguntou que livros eu havia escrito , mas não conhecia nenhum . Não lia muitos livros , mas , desde criança , em Vitória da Conquista , o que mais gostava era de ouvir histórias ; sua avó era uma grande contadora de histórias , especializada em bruxas e feiticeiros . De sua babá preta ouvia histórias das entidades do candomblé e da mitologia africana . Sua mãe também contava boas histórias , que inventava na hora , repetidas mas sempre diferentes . Jonas foi desenvolvendo uma paixão pelas narrativas que superava o futebol , a televisão e as brincadeiras de rua entre os seus interesses de menino , em Salvador , para onde a mãe havia se mudado depois da morte do pai , quando ele tinha 5 anos .
    Graças à pensão do pai como engenheiro do DNER , ele e a mãe puderam sobreviver com relativo conforto , até a morte dela , quando ele tinha 18 anos . Enterrou a mãe , vendeu tudo que tinham , inclusive a casa em que moravam , deu a um amigo de confiança uma procuração para receber a pensão do pai e partiu para o mundo .
    Estava pronto para usar tudo que aprendera com tanto esforço , desde menino , nos cursos da Aliança Francesa e do Instituto Britânia de Salvador , que o permitia ler revistas em inglês e francês , traduzir letras de músicas para os amigos , conhecer histórias de personagens célebres , se preparando para o mundo que iria conhecer pessoalmente .
    Chegou a Lisboa na primavera , se hospedou em um hotelzinho na Praça da Alegria e saiu para conhecer a cidade . Ouviu muitas histórias em bares da Alfama , algumas até do tempo do terremoto e de quando os mouros cercavam Lisboa . Era o início de uma longa viagem , que só terminaria 12 anos depois , na ilha de Boipeba .
    Pedi mais uma cerveja para nós , e a Jonas que continuasse .
    Depois de dois meses em Lisboa , ele passara um ano entre Paris , Londres , Amsterdã , Barcelona , Berlim e Roma , gastando dinheiro , conhecendo pessoas , bebendo vinho e ouvindo histórias . De marinheiros bêbados no cais do porto , de putas nos bordéis , de velhos empregados de hotéis e pensões , de garçons e motoristas de táxi falastrões , de vagabundos de rua . Umas boas , outras ruins , umas pareciam verdadeiras e outras , falsas , embora não lhe interessasse saber qual era o quê . Boas mentiras bem-contadas eram mais divertidas do que verdades triviais .
    Durante três anos zanzou pela Europa , conhecendo pequenas cidades do interior e do litoral , confraternizando com camponeses e pescadores em volta de garrafas de vinho , conversando com estranhos em bares e tabernas , ouvindo histórias de crimes , mistérios e maldições .
    Quando completou 21 anos e parou de receber a pensão do pai , o dinheiro da venda da casa acabara havia muito tempo . Era hora de começar vida nova . Em Madri trabalhou como vigia noturno , faxineiro de um asilo de velhos , frentista de posto de gasolina , recepcionista de uma escola de línguas , e até mesmo como acompanhante de senhoras solitárias . Conseguiu juntar algum dinheiro e voou para Nova York , onde passaria os sete anos seguintes .
    Jonas se levantou , agradeceu a cerveja e partiu , prometendo que continuaria no dia seguinte , como um capítulo de novela . Eram apenas os canapés , que abririam o apetite para as entradas e os pratos principais . Fui dormir com a cabeça pegando fogo , invejando alguém que tinha tantas histórias para contar . E o dia demorou a passar , mais uma vez em branco diante da tela do Mac , consumido pela ansiedade pelo encontro .
    Mas ele não apareceu na pizzaria , esperei até as nove da noite e nada . A garçonete me disse que ás vezes ele não aparecia ; na vila diziam que Jonas era um homem muito doente .
    “ Mas doente como ? O que ele tem “? , ele tinha mesmo uma aparência meio doentia .
    “ Ninguém sabe e nem ele diz , é uma doença grave , coisa séria , mas ele não fala nisso e ninguém comenta o assunto . Ele é muito respeitado por aqui .
    No dia seguinte , consumido em mais uma jornada infrutífera diante do laptop , quando cheguei à pizzaria , ele já estava lá , tomando cerveja e fumando um cigarro , e me recebeu com muita simpatia como se fôssemos velhos amigos , e como se não houvesse faltado ao nosso encontro .
    Ofereci-lhe uma cerveja, mas ele disse que agora era por sua conta , afinal éramos colegas de profissão .
    “ Depois você me conta a sua história “ , disse e riu , mas não achei muita graça .
    “ onde é que a gente parou ? Ah, em Nova York , para onde fui com 21 anos “ , retomou .
    Foram oito anos de aventuras , em que verdades e mentiras se harmonizavam na fluência da sua narrativa . Foi em Nova York que descobriu que podia ganhar uns trocados contando histórias , curtas e engraçadas , na tradição do stand-up comedy que ele via na televisão e que os americanos adoravam . Contava histórias em bares , em praças e parques , depois passava o chapéu . Chegou até a trabalhar como voluntário em hospitais , para divertir os pacientes sofredores . Se casou com uma porto-riquenha naturalizada para ter um passaporte americano , trabalhou na cozinha de vários restaurantes , esteve preso dois meses por uma briga em um bar do Bowery , conheceu putas , traficantes , mafioso , granfinos e madames , trabalhou como jardineiro em uma casa de verão em East Hampton , tocou surdo em uma escola de samba brasileira que se apresentava em festas de casamento , foi vendedor de bijuterias e de cachorro – quente , sempre ouvindo histórias .
    “ Só voltei ao Brasil com 30 anos , quando fui diagnosticado com uma doença em estágio terminal , “ disse sem alterar a voz , “ que me dava , talvez um ano de vida , e decidi me antecipar e passá-los já no paraíso terrestre , em Boipeba . Cheguei ao paraíso há doze quilos “, brincou com a magreza doentia .
    Fiquei chocado ; sem condições de dizer nada e muito menos de perguntar-lhe sobre a natureza de seu mal secreto e fatal . Ele me olhava com um sorriso beatífico , ou melífluo e tomava cerveja , saboreando a minha reação . Afinal , podia nem ser verdade , apenas mais uma de suas histórias , pensei , tentando aparentar naturalidade .
    Olhando de perto , à luz do pôr do sol de Boipeba , ele tinha mesmo uma aparência terminal . Muito magro , faces encovadas e um bronzeado escuro de aparência não muito saudável , com um tom meio esverdeado . Será que ele tinha AIDS? Com todos os tratamentos que existem hoje em dia ? Muita gente está com vinte anos de sobrevida , inteiraço . Ele era jovem , morava nos Estados Unidos , teria se tratado , não chegaria a este ponto , embora a sua aparência seja muito parecida com o de um aidético terminal . Sabe-se lá quantas doenças fatais existem , infinitos tipos de câncer , vírus ,e bactérias raros , novas infecções , formas desconhecidas de morrer em pouco tempo , sem que a ciência possa dar uma resposta .
    Mas , com certeza , Jonas não está muito bem . Algum dia ele me contará , talvez , mas não vou perguntar . Pedi uma pizza e que ele me contasse uma história , como se eu fosse um turista , profissionalmente :
    “ Faço questão de pagar como um cliente normal , você já está pagando a cerveja “.
    “ E a pizza , ele completou ; “ então vou te contar uma história . São vinte reais , dez dólares “.
    E me contou uma incrível história , com grande riqueza de detalhes , que jurou ser verídica , mas para mim não fazia a menor diferença . Um médico casa a filha única com um diplomata , a moça vai morar em Londres , tem um bebê e morre no parto . A sogra , uma bela senhora de 40 anos , ajuda o genro a criar o neto e acaba abandonando o marido para se casar com ele . Com seu estilo exuberante , seu timing de comédia , seus gestos amplos , a narrativa levou uns quinze minutos e me divertiu em cada momento . Paguei os vinte reais satisfeito e ganhei uma solução . E um problema.
    Meu plano inicial era escrever um romance , mas não estava em condições de desperdiçar oportunidade de um conto como aquele , solto no ar , pronto para ser transformado em dígitos na tela em branco .
    Em dois dias adaptei a história para o Rio de Janeiro dos anos 50 em um conto de vinte páginas , trocando o nome dos personagens , mudando a causa da morte da filha e dando formato literário à história que Jonas contara numa linguagem falada exuberante .
    Com a história pronta , voltei à pizzaria . Jonas terminou com um grupo de paulistas , aplaudido , recolheu o dinheiro e veio até a minha mesa sorridente :
    “ Como é ? Já escreveu a sua história ?” , brincou , e me senti meio constrangido , com um sorriso amarelo , como um menino flagrado com a mão na lata de biscoitos . Quase disse : Mas eu paguei , posso até pagar mais , se for o caso” , mas não tive coragem , ele poderia se ofender . E não me contar mais histórias . Era melhor ir em frente como se nada tivesse acontecido , além do início auspicioso de um livro de contos .
    “ Então , vamos a mais uma degustação de histórias ?”, propus .
    ” Claro , eu estava mesmo tentando escolher uma história para te contar , afinal , você é um profissional . É um problemão quando você tem um m onte de histórias e com o tempo vai misturando umas com as outras , concentrando , remixando , de um jeito que nunca uma história é contada duas vezes exatamente da mesma maneira . Senão , nem eu agüentaria “ , e riu , malandro .
    Jonas não era um mero contador de causos , como se encontra em qualquer roça ou roda de botequim . Suas histórias eram complexas , tinham estrutura narrativa sólida , eram cheias de detalhes dos personagens e de cenários que ele parecia conhecer muito bem .
    “ Você nunca pensou em escrever ?” , provoquei .
    “ Quando era garoto , queria estudar História , mas acabei viajando e fazendo a minha própria história . Mas não sei escrever direito , não gosto , não tenho paciência . Minhas histórias não são para ser lidas , mas ouvidas , escritas devem ser muito chatas , sem os recursos da voz e dos gestos , sem a presença física de quem as conta .”
    “ E você não tem medo de que roubem as suas histórias ? Tem muito gringo malandro por aí “ , adverti .
    “ Que nada “ , ele riu , “ uma história não vale por si , mas pela forma como é contada . A mesma trama pode ser ótima ou péssima , qualquer falha ou omissão podem ser fatais para o seu entendimento .
    Todos os detalhes interessam , mas não devem desviar a tenção do ouvinte para ações marginais que não sirvam ao desenvolvimento da história . Palavra tem que puxar palavra , para levar o ouvinte à próxima frase , ao parágrafo seguinte , para mantê-lo hipnotizado com aqueles ritmos e aquelas cadências que conduzem o fluxo de informações “ , ele falava e eu me lembrava dos ensinamentos de Gabriel Garcia Márquez sobre a arte de hipnotizar o leitor .
    As narrativas de Jonas eram caudalosas , pródigas em adjetivos , que ele dizia com a boca cheia , caprichando nas entonações . Eram eles que davam o ritmo da narração , que colocavam o ouvinte no ambiente da ação , que davam cores , volumes e formas aos personagens.
    Todo mundo escreve , sabe . A maioria absoluta dos adjetivos . e principalmente dos advérbios de modo , é desnecessária e deve ser evitada , porque levam à imprecisão e ao lugar – comum ; são sinais de pobreza de linguagem . Para ser eficiente , para provocar emoções , a escrita deve ser seca , substantiva e precisa . Felizmente Jonas não escrevia e não sabia disso .
    Quando reencontrei Jonas , ele estava começando a contar para um grupo de franceses a sua terceira história da tarde , sobre um rapaz que estava em uma grande rebordosa amorosa e, no desespero , vai a um terreiro de candomblé e recebe um santo , sem querer .
    Peguei carona na história que ele contava em francês fluente e forte sotaque baiano , sobre “ Le cheval de saint “ . Os gringos estavam fascinados com as descrições dos rituais e dos terreiros . As mulheres se comoviam com o desespero de paixão e com o abandono que o levara ao terreiro ; todas adorariam ter um homem tão apaixonado .
    No final , Jonas foi aplaudido , recolheu a grana e veio para a minha mesa:
    “ Como é que vai o livro ?”
    “ Estou ralando , mas agora está fluindo melhor , suas histórias são uma grande inspiração , despertam a minha criatividade “.
    “ Quem me contou essa história foi a minha mãe .Aconteceu com um primo dela , e misturei tudo com uma combinação de várias rebordosas amorosas por que passei . Você é um homem experiente , sabe do que eu falo .
    Depois que escrevi a história do cavalo de santo , e pior , ou melhor , fiquei muito contente e satisfeito , a situação chegou a um ponto moralmente insustentável .
    Jonas me recebeu com um sorriso que , talvez pela culpa , imaginei irônico , mas nada muito diferente das outras vezes . Convidei-o para a cerveja e entrei no assunto . Contei-lhe que estava escrevendo os contos com as histórias dele . Mas que estava disposto a pagar , não vinte reais , mas o preço justo , de mercado ; metade do que havia recebido como adiantamento do livro , 20 mil reais .
    Ele ficou estupefato . Parecia ter levado um soco . Sacudiu a cabeça como quem acorda ; depois abriu um sorriso e se levantou para me dar um abraço .
    Preenchi um cheque de 10 mil reais , que parecia de uma concretude grosseira naquele ambiente paradisíaco , e o entreguei a Jonas , prometendo a outra parte depois de mais algumas histórias , e ele ficou muito feliz e emocionado .
    E me contou várias histórias ótimas .
    Assim se passou a minha temporada de verão em Boipeba , ouvindo as histórias de Jonas e as transformando encontos . Mas mesmo lhe pagando o que considerava justo , e ele estava muito grato por isso , eu continuava atormentado com questões de consciência sobre a autoria dos contos . Cheguei a pensar em lhe oferecer um crédito na folha de rosto , um “ com a colaboração de “ , que achei meio ridículo . E até mesmo uma coautoria na capa do livro , mas achei um pouco demais . Só contadas , as histórias não eram nada ; afinal , eu lhes havia dado uma forma literária , como muitos outros escritores que se baseiam em lendas , mitos , causos e histórias contadas por outras pessoas . Vale o escrito , como no jogo do bicho . O que seria de Isabel Allende sem a sua abuelita contadora de histórias de espíritos ? E de Paulo Coelho sem seus livrinhos de lendas árabes ? Eu , ao menos , estava pagando .
    As histórias de Jonas acabaram mesmo despertando a minha criatividade e , como mulheres aparentemente estéreis que engravidam após adotar uma criança , consegui escrever três histórias originais , usando a minha memória e imaginação para criar personagens e situações baseados em pessoas reais , algumas até bem próximas , no estilo de meu herói “ Harry “ , desconstruído por Woody Allen .
    Com o livro pronto , paguei a parte final a Jonas , tomamos uma última cerveja e nos despedimos com um longo e emocionado abraço . Dei-lhe meus telefones e pedi que me ligasse para qualquer coisa que precisasse . Qualquer coisa mesmo , enfatizei , e ele não deu bola :
    “ Tudo que eu preciso – inclusive os remédios , que tem no posto de saúde – está aqui em Boipeba “ , e disse que se quisesse falar com ele , se precisasse de mais uma história , deixasse recado na pizzaria , que ele ligaria de volta .
    Foi a última vez que falei com ele . Três meses depois , ás vésperas do lançamento do meu livro de contos , recebi um telefonema da pizzaria Verona e nem precisei ouvir o que a garota falaria . A melhor forma de homenageá-lo não seria lhe dar crédito no livro , mas contar a sua história .
    ____________________________________________________________

    Fiquei pensando o que eu poderia transcrever para passar o tempo enquanto as nossas vidas não voltarem ao normal ( Aerus integral ) , e lembrei-me de um livro do qual eu gosto muito que é de crônicas do genial Stanislaw Ponte Preta ( pseudônimo de Sergio Porto ) .
    Então prometo sem a obrigação de tempo , transcrever as crônicas do livro ” O melhor de Stanislaw ” crônicas escolhidas .

    A música de hoje é um rock muito do bom , suingado , com Eric Clapton , concordo que o título não é dos mais otimistas para se começar bem uma semana , mas ele reflete bem a maior parte do nosso estado de ânimo ;
    ” Sick and Tired ”

    http://www.youtube.com/watch?v=eaVMgtnns2o

    A música é genial e tem um balanço que ajuda a pegar ” no tranco ” numa segunda-feira .
    Pena que o vídeo não é dos melhores , não é profissional , é amador .

    Dr. Maia , abraços e beijinhos carinhosos recheados de muita saúde , carinho , trabalho e paz !!!!

  89. carlos irmãoem 16 ago 2010 �s 09:53

    A tristeza maior de tudo isso foi o governo não ter movido uma palha para solucionar a crise na Varig. Ela, não pedia nada, tinha créditos. No entanto, foi sendo dilapidada dia a dia. Até ser “vendida” na bacia das almas por um preço simbólico. Não podiam fazer nada, ela tinha que arrumar uma solução de mercado, isso era dito pelo vice-presidente José de Alencar e na época pela ministra chefe da Casa Civil, hoje candidata a presidência da répública.
    Solução de mercado??? Recentemente distribui-se toneladas de dinheiro a bancos, montadoras, construtoras, etc
    O pior de não termos uma empresa à altura da Varig é que muitas das divisas que entravam no país foram para as empresas estrangeiras. Dias atrás a imprensa noticiou que o maior número de slots distribuidos , recentemente , foram em maior número para as estrangeiras do que para a própria Tam e Gol.
    Tudo isso não trará a Varig de volta . O que nos resta é a esperança numa solução que resolva o sofrimento de milhares de pessoas. Vai terminar o mandato do presidente Lula e o que ele fez para minimizar essa tragédia??????

  90. paizoteem 16 ago 2010 �s 10:59

    Petra ,
    Na verdade quem eu quero que “expludam” são os que nos causaram direta ou indiretamente algum prejuízo.
    É óbvio que isto não deseja alcançar os funcionários que como nós nada pode contra a corja.
    Embora sempre sobre para os mais fracos.
    A proposito ontem no programa canal livre, assisti o senador Álvaro Dias tentar levantar o assunto da Varig.
    Um deputado federal do PT, que não lembro o nome, era seu oponente no debate .
    Este deputado ,e foi bem lembrado, debatia como se atuasse perante um tribunal de júri.
    Usando a tese de que sem morto não existe assassino, vociferava perguntando onde estão as provas que responsabilizam a Dilma sobre o caso da Varig. Insistia para que fosse apresentada alguma sentença em que Dilma tivesse sido responsabilizada , e afirmava que o governo não podia assumir culpas de crimes pressupostos.
    Acaba que o Sen Álvaro Dias abandona o assunto , desprotegido de argumentos.
    Todos podem afirmar responsabilidades deste ou daquele, mas provar…
    Quem sabe um dia…
    Enquanto isto permitam-me rogar algumas pragas.rsrsrsr

  91. Petraem 16 ago 2010 �s 11:52

    Repassando ;

    Quem é o seu amante?
    (Jorge Bucay – Psicólogo)

    ” Muitas pessoas tem um amante e outras gostariam de ter um.
    Há também as que não tem, e as que tinham e perderam”.
    Geralmente, são essas últimas que vem ao meu consultório, para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia,apatia, pessimismo, crises de choro, dores etc.
    Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre.
    Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.
    Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme:
    “Depressão”, além da inevitável receita do anti-depressivo do momento.
    Assim, após escutá-las atentamente,
    eu lhes digo que não precisam de nenhum anti-depressivo; digo-lhes que precisam de um AMANTE!!!
    É impressionante ver a expressão dos olhos delas
    ao receberem meu conselho.
    Há as que pensam: “Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas”?!
    Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais.
    Aquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte:
    “AMANTE” é aquilo que nos “apaixona”, é o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono, é também aquilo que, às vezes, nosimpede de dormir.
    O nosso “AMANTE “é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta.
    É o que nos mostra o sentido e amotivação da vida.
    Às vezes encontramos o nosso “AMANTE” em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis.
    Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente,
    na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto….
    Enfim, é “alguém!” ou “algo” que nos faz “namorar a vida” e nos afasta do triste destino de “ir levando”!..
    E o que é “ir levando”? Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que oespelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.
    Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão, de que talvez possamos realizar algo amanhã*.
    Por favor, não se contente com “ir levando”; procure um amante, seja também um amante e um protagonista… DA SUA VIDA!

    Acredite:
    O trágico não é morrer, afinal a morte tem boa memória, e nunca se esqueceu de ninguém.
    O trágico é desistir de viver… Por isso, e sem mais delongas, procure um amante …
    A psicologia após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental:
    “PARA ESTAR SATISFEITO, ATIVO E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA”.

    ___________________________________________________________________

    Beijinhos carinhosos .

  92. Freitasem 16 ago 2010 �s 12:23

    Publicado na coluna Dos Leitores do Globo de hoje, 16/8:

    “Preciso agradecer ao presidente Lula por mais esta ajuda financeira a um país estrangeiro. Desta vez ao Paquistão. Por esta e por outras o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, pode continuar visitando o pai em sua mansão na França enquanto o povo a quem ele deveria estar servindo passa por uma situação de calamidade. Entre doações e perdões de dívidas, Lula tem pulverizado quantias exorbitantes, que seriam muito bem-vindas para atender vítimas das enchentes que devastaram nosso país de Nordeste a Sul. Teriam sido muito bem-vindas também para ajudar a VARIG que, por não ter recebido um centavo do que lhe era devido, fechou as portas demitindo milhares de funcionários, que não receberam nada do que tinham direito. Esse dinheiro poderia ter sido ainda empregado no AERUS, plano de previdência privada sob intervenção e que, pelo mesmo descaso, deixa milhares de aposentados da VARIG à mingua, apesar de terem contribuido durante anos para terem uma velhice tranquila. É digno ajudar aos necessitados, mas a benfeitoria tem que começar na própria casa ”

    Marco Antonio Arieta
    Niterói

    Valeu, Marco Antonio. Sua iniciativa foi excelente. Pena que os aposentados do Aerus, ao que tudo indica, já se conformaram e admitem que a causa está perdida e não terão seus benefícios restituidos. A passividade dos nossos colegas é incrivel. Pararam de lutar. Desistiram de tudo. Não aparecem mais em lugar nenhum. Parece que estão dispostos a simplesmente sentar e esperar a morte chegar. Entregaram os pontos. Simply gave up !!!!!
    Se a ideia de alguns colegas de fazerem greve de fome tivesse sido levada adiante DUVIDO que estívéssemos nesta situação desesperadora. Mas também esta ideia fez parte da passividade de nossos colegas.
    Vamos deixar por isso mesmo, sentar e esperar a morte chegar???????????

  93. Fernandoem 16 ago 2010 �s 14:50

    Olha, Paizote, se eu tiver que apontar um grande culpado eu começaria com o meu próprio nome. Claro que em seguida viriam muitos outros nomes e que seriam dos bandidos da história, mas eu assumo ter sido meio banana desde o dia em que entrei no Aerus, nos anos 80.

    Naquela ocasião o país vinha de uma crise em que muitos bancos sumiram do mapa, alguns bem tradicionais. Eu então pensei que faltavam mais de 20 anos para eu começar a usar a poupança do Aerus. E então eu pensei mais um pouquinho e me veio a frase: o que dura mais de 20 anos na nossa economia? Nem os melhores bancos. Fiquei entre a cruz e a caldeirinha, pois deixar na mão daquela micharia que o INSS paga o meu futuro de aposentado era pouco.

    Então resolvi pensar só mais um pouquinho e vi que contar com uma poupança individual ao invés de poupar pelo Aerus não ia dar certo, eu ia acabar usando aqui ou ali. Achei que valia arriscar. E assinei com o Aerus. Veja que bananice, Paizote, eu tinha tido uma visão de realidade e a deixei de lado para adotar uma atitude cômoda, confortável e … banana!

  94. CARLOS EDUARDOem 16 ago 2010 �s 15:15

    Acredito que está morrendo mais pessoas do aerus do que na guerra.
    Foi proposto uma greve de fome, alguns concordaram outros acharam que não resolveria,outros nem quiseram entrar no mérito da questão.
    A verdade é uma só, somos uma classe desunida, não existe aquela coisa de pegar fogo, vamos fazer e todos saem correndo ,temos vergonha de que vão pensar de nós, eu não estou nem ai, na minha casa ninguem bate para pagar minhas contas, ou colocar comida.
    Meses atrás a cut iria interceder por nós, cadê, não falaram mais nada, vão para Brasilia e nada, ninguem fala nada, estamos mesmo chegando ao fim, precisamos saber, acabou? nos diga, como disse a Carolina, não dá, nossas reservas acabaram, Grazilela, sei que voce não está parada, mas por favor nos dê um parecer, somos os interessados, precisamos saber o que vamos fazer de nossas vidas daqui para frente.
    Zoroastro, não fique em cima do muro, parace o psdb está sempre em cima do muro, coloca uma notinha e pronto, cansei de depender deste pessoal, quem quiser fazer algo me avise eu topo tudo, é minha vida e de minha família, as eleições estão ai, depois acabou, quem entrar não vai resolver nosso problema, vamos pessoal, tirar a bunda da cadeira, o dedo da internet, e nos virar, porque ficar mandando e mails o dia todo não resolveu e não vai resolver.
    Fico no aguardo de quem quiser de quem ter uma idéia, sou a favor da grevede fome,sei que chamaríamos atenção, mais nada de meia dúzia de gatospingados, a Dilma está sempre no rio cadê o sindicato que tem por obrigação de correr atrás, cadê a aprus, que só sabe pedir associados, não queremos mais jornal para ter ou saber de nada, queremos resolver nossas vidas.
    Petra querida, gostaria de arrastar todas crrentes para que ninguem sofresse, o constrangimento é horrivel, depender de família pior ainda, não aguento mais, ver um filho pedir e voce não poder comprar, porque hoje comprar é só a prioridade, vamos pessoal, Petra encabeça esta campanha ai no Rio, estou aqui em SP, vamos voce tem um grande fã clube, olho só, fã clube da Petra, vamos nos dê esta força, Paizote voce ai no Sul, não vamos deixar elesnos esquecerem, mesmo sem dinheiro dá para fazer barulho, eu estou sem cabeça para pensar, mas faço o que mandarem,.
    Graças a Deus temos esse blog que Dr. Maia nos cedeu para nos ajudar, colocar idéias, manter contato, vamos eu tenho orgulho de ter voado com muitos de voces,a varig quebrou nósainda não, somos fortes, lutadores guerreiros,vamos pessoal, levantar a bandeira, chega de impunidade, queremos o que é nosso, quanto a Grazilella, precisamos de noticias, somos os únicos interessados, o dinheiro é nosso de mais ninguem, se voces não podem resolver, então nos passem o bastão. mais não nos enganem mais, chega de notícias falsas, chega são muitas vidas.
    Sudeste,Sul.Nordeste vamos nos unir, vamos provar que somos guerreiros, porque realmente somos, viver com o salário que estamos vivendo só heróis mesmo.
    Petra aceite este pedido, Paizote, e todos vamos nos ajudar, porque senão vai acabar tudo, e logo.
    Dr. Maia obrigado mais uma vez pelo espaço, um grande abraço, e por favor se o Sr. tiver alguma ideia nos ajude.

  95. Roberto Haddadem 16 ago 2010 �s 16:21

    Prezado Freitas 16/08/2010 12:23,
    procure raciocinar um pouco melhor. Somos idosos, não temos mais capacidade de fazermos passeatas, o corpo dói, ninguém dá atenção, a midia ignora. Sabe por que???. Porque não fazemos a menor diferença. Você acha, com a pureza de sua alma que a greve de fome surtiria algum efeito?????. Duvido. Com esse governo que ai esta, fazendo tudo pelos outros conforme narrado por Marco antonio, só de raivinha que ele tem do pessoal da VARIG, deixaria todos morrerem. Não temos ninguém na ativa pra nos apoiar com greves.
    Se tentarem mexer com o fundo do B/B, o pessoal da ativa entra em greve e tudo se resolve logo. O mesmo com FURNAS, ELETROBRAS, PETRBRAS e vários outros fundos de pensão que têem pessoal na ativa que podem dar suporte aos aposentados. Lembra das reuniões no hangar do SDU?????, batíamos palmas a cada decolagem de nossos aviões!!!. Como fazer greve se precisávamos voar????.
    O nosso caso é suigeneris, diferente mesmo. Ou as autoridades, através dos nossos defensores Dr. Maia e a Valente Graziella, reconheçam a perversidade que a UNIÃO esta fazendo conosco ou….sei la, tenho até medo de pronunciar. Talvez o próximo governo faça algo, não é mesmo????.
    Agora, dizer: “A passividade dos nossos colegas é incrível”. Incrível foi você, amigo, escrever tamanho absurdo.
    Roberto Haddad

  96. Petraem 16 ago 2010 �s 18:16

    Faltou o beijinho musical carinhoso de boa noite . É a música tema de um filme muito especial e lindo chamado ” O verão de 42 ” , quem não viu trate de ver , mas vão aproveitando a música por enquanto ;

    http://www.youtube.com/watch?v=mEzH0FuL8qo&feature=related

  97. Petraem 16 ago 2010 �s 21:21

    Freitas , não podemos mais ser ingênuos e pensar que uma greve de fome nesta altura do campeonato resolveria os nossos problemas . Eu não posso e não quero encabeçar nenhuma loucura , principalmente por não acreditar num resultado positivo .
    A única solução para nós que vejo no momento é a vontade política do nosso presidente Lula em celebrar este nosso tão esperado acordo .
    Está única e exclusivamente nas mãos dele , mais nada .
    Isto é o que eu penso , quero deixar isto claro .
    Sempre participei de passeatas e manifestações pois acreditava serem necessárias para chamar a atenção da opinião pública .
    Tento fazer o que posso para manter o moral elevado aqui no Blog , seja com as crônicas , músicas , passatempos , etc. qualquer coisa que possa trazer algum estímulo para continuar na luta e acreditando de que a nossa vitória possa ser possível .
    E repito o que tenha falado a pelo menos três anos : Só deixo de acreditar quando o ponto final for colocado por Dr. Maia ou Graziella .
    É uma questão de opção , cada um escolhe em quem e no que acreditar , eu fiz a minha escolha á tempos .
    Quanto ao meu arrastar de correntes , também é em relação a vergonha de estar vivendo depois de tantos anos de trabalho meio que ás custas dos meus pais que deveriam ter o direito de aproveitar a sua velhice sem ( voltar ) a sustentar uma filha e se preocupar com o seu ( meu ) futuro , não é ? Isto também me constrange e muito , e é uma das razões das minhas noites insones .
    Beijinhos carinhosos , desejo uma boa noite , sem correntes .

  98. Roberto Haddadem 16 ago 2010 �s 21:39

    Carlos Eduardo 15:15,

    Você escreveu:
    _ “Graziella, precisamos de noticias, somos os únicos interessados, o dinheiro é nosso de mais ninguém, se vocês não podem resolver, então nos passem o bastão. mais não nos enganem mais, chega de notícias falsas, chega são muitas vidas”.

    Que mal eu pergunte, passar o bastão pra quem????.

    Passeata é bobagem.
    Greve de fome é suicídio.
    A única coisa que poderia dar certo, seria, simultâneamente, invadirmos as pistas do SDU, SAO, GRU, GIG (as duas) e POA, com cadeiras de rodas muletas, mancando devido a hérnia e tudo mais. Deitarmos nas pistas e aguardar. Ou o caso se resolveria (???), ou morreríamos todos atropelados por aviões ou carros da policia e, da mesma forma tudo estaria resolvido (terminado).

    Na impossibilidade das alternativas acima, fico ainda com a inteligencia e dedicação de Graziella e Dr. Maia.
    Roberto Haddad.

    Nota: Não devemos ser ingratos.

  99. Peterem 16 ago 2010 �s 23:46

    Carlos Eduardo, parabéns pela coragem e incentivo. É muito mais digno morrer esperneando do que morrer resignados com tamanha injustiça. Não temos mais nada a perder a esta altura. Qualquer iniciativa é válida! Vamos em frente.

  100. Freitasem 17 ago 2010 �s 00:28

    Meu querido Roberto Haddad

    Desculpe-me se você ficou ofendido quando falei que a passividade dos aposentados do Aerus é incrivel. Mas meu amigo, eu gostaria que você me provasse o contrário. Você tem visto alguma manifestação dos nossos colegas? Ninguém mais aparece, NADA tem sido feito. Como vamos convencer as autoridades e a opinião pública que estamos em situação crítica e insustentável se não temos feito rigorosamente nada? O povão pensa que nossa situação já está resolvida.
    Penso que até o senador Paim nos abandonou, talvez até em consequência desta passividade a que me referi. Você também disse que uma greve de fome não traria resultado. Não penso assim. Tenho certeza que isto comoveria de tal maneira o Brasil inteiro que as autoridades fatalmente tomariam alguma atitude a nosso favor.
    Acho que se até setembro não tivermos nenhuma noticia devemos começar a organizar esta greve de fome. Tenha certeza que se em cada aeroporto das principais capitais ficarem 10 idosos fazendo greve de fome no dia seguinte toda a mídia estará divulgando e o país inteiro ficará sabendo da nossa real situação. As autoridades finalmente se sentirão pressionadas e terão que fazer alguma coisa.
    Mas isso tem que ser feito ANTES das eleições. Principalmente porque tudo indica que Dilma será eleita e ela já demonstrou enorme má vontade em nos ajudar. Se ela antes de ser eleita desprezou nossos 40 mil votos, depois de eleita não vai fazer nada pois não precisará mais de nós.
    Aproveito pra incluir meu nome nesta greve. Podem contar comigo. Estarei no aeroporto com toda certeza.

  101. Petraem 17 ago 2010 �s 07:49

    Bom dia , Dr. Maia !

    Depois de uma noite sem correntes , dormida das 10 da noite até ás 7 da manhã sem interrupções e pesadelos , começo o dia cheia de ânimo e otimismo .
    O tempo por aqui continua instável e maluco . Uma hora solão , depois chuvinha fina , gelado ( para padrões cariocas ) , e acabo de ver um gigantesco arco-íris em cima do mar , isto é ou não é prenúncio de coisas boas ????
    Eu tenho certeza que sim .
    Como havia dito ontem , os contos de Nelson Motta acabaram , mas hoje começo a transcrição dos contos de Stanislaw Ponte Preta , vale lembrar a quem não conhece suas crônicas que ele começou a escrever em 1951 e sua primeira coletânea foi publicada em 1958 , digo isto só para que vocês não se espantem com o dia a dia da época relatado por ele , mas o principal não mudou , a genialidade da sua narrativa e seu humor .
    Espero que voces se divirtam ;

    ___________________________________________________________________

    “ Perfil de Tia Zulmira “

    Quem se dá ao trabalho de ler o que escreve Stanislaw Ponte Preta – e quem me lê é apenas o lado alfabetizado da humanidade – por certo conhece Tia Zulmira , sábia senhora que o cronista cita abundantemente em seus escritos . E a preocupação dos leitores é saber se essa Tia Zulmira existe mesmo .
    Pouco se sabe a respeito dessa ex-condessa prussiana , ex-vedete do Follies Bergére ( coleguinha de Colette) , cozinheira da Coluna Prestes , mulher que deslumbrou a Europa com a sua beleza , encantou os sábios com a sua ciência e desde menina mostrou-se personalidade de impressionante independência , tendo fugido de casa aos sete anos para aprender as primeiras letras , pois na época as mocinhas – embora menos insipientes do que hoje – só começavam a estudar aos 10 anos . Tia Zulmira não resistiu ao nervosismo da espera e , como a genialidade borbulhasse em seu cérebro , deu no pé .
    Quando a revista SR recomendou uma entrevista exclusiva com titia , conhecida em certas rodas como a “ ermitã da Boca do Mato “ , cobriu as propostas de Paris Match , de Life , e da Revista do Rádio .
    Esta é a entrevista .

    Sentada em sua velha cadeira de balanço – presente do primeiro marido – Tia Zulmira tricotava casaquinhos para os órfãos de uma instituição nudista mantida por D. Luz Del Fuego . E foi assim que a encontramos ( isto é , encontramos titia ) , na tarde em que a visitamos , no seu velho casarão da Boca do Mato .
    Antiga correspondente do TIMES ( Não confundir Times – jornal inglês – no plural , com TIME – revista americana – das menos singulares ) na Jamaica , a simpática macróbia é dessas pessoas fáceis de entrevistar porque , pertencendo ao metiér , facilita o nosso trabalho , respondendo com clareza e desdobrando por conta própria as perguntas , para dar mais colorido à entrevista .
    – Sou natural do Rio mesmo – explicou – e isto eu digo sem a intenção malévola de ofender os naturais da província . Fui eu , aliás , que fiz aquele verso no samba de Noel Rosa , verso que diz Modéstia à parte , meus senhores , eu sou da Vila .
    E é . Tia Zulmira mostra seu registro de nascimento , feito na paróquia de Vila Izabel . Documento importante e valioso , pois uma das testemunhas é a própria Princesa Isabel ( antigamente a “ Redentora “ e hoje nota de 50 cruzeiros ). Ela explica que sua mãe foi muito amiga da Princesa , tendo mesmo aconselhado à dita que assinasse a Lei Áurea ( dizem que o interesse dos moradores da Vila em libertar os escravos era puramente musical . Queriam fundar a primeira escola de samba ).
    – Por que se mudou de Vila Isabel para a Boca do Mato ? – indagamos .
    - Por dois motivos . O primeiro de ordem econômica , uma vez que esta casa é a única coisa que me sobrou da herança de papai e que Alcebíades ( oitavo marido de Tia Zulmira ) não perdeu no jogo . O outro é de ordem estética . Saí de Vila Isabel por causa daquele busto de Noel Rosa que colocaram na Praça . É de lascar .
    – O que é que tem o busto ?
    _O que é que tem ? É um busto horrível . E se não fosse uma falta de respeito ao capital colonizador , eu diria que é um busto do que o de Jayne Mansfield .
    Tentamos mudar de assunto , procurando novas facetas para a entrevista , e é ainda , a entrevistada quem vai em frente , mostrando um impressionante ecletismo . Fala de sua infância , depois conta casos da Europa , quando daqui saiu em 89 , após impressionante espinafração de Marechal Deodoro ( Hoje bairro que explode ) que proclamara a República sem ao menos consultá-la .
    Não que Tia Zulmira fosse uma ferrenha monarquista . Pelo contrário : sempre implicou um pouco com a Imperatriz ( achava o Imoerador um bom papo ) e teria colaborado para o movimento de 89 , não fosse os militares da época , quase tão militares quanto os militares de hoje.
    – Hoje estou afastada da política , meu amigo , embora devido mais a razões sentimentais , eu pertenço ao PLC.( Partido Lambretista Conservador )
    Fizemos um rápido retrospecto dos apontamentos até ali fornecidos . A veterana sorri , diz que assim não vamos conseguir contar a sua vida em ordem cronológica e vai explicando outra vez , com muita paciência : Nasci no dia 29 de fevereiro ( Tia Zulmira é bissexta) de 1872 . Aprendi as primeiras letras numa escola pública de São Cristóvão , na época São Christovam e com muitas vagas para quem quisesse aprender …
    O resto nós fomos anotando .
    Mostrou desde logo um acentuado pendor para as artes , encantando os mestres com as anotações inteligentes que fazia à margem da cartilha . Completou os seus estudos num convento carmelita , onde aprendeu de graça , numa interessante troca de ensinamentos com as freiras locais : enquanto estas lhe ministravam lições de matérias constantes do curso ginasial , Tia Zulmira lhes ministrava lições de liturgia . Mocinha , partiu para a Europa , para aproveitar uma bolsa de estudos , ganha num concurso de pernas ; então foi morar em Paris , dividindo o seu tempo entre o Follies Bergére e a Sorbonne . Nesta Universidade , concedeu em ser mestra de Literatura Francesa , proporcionando a glória a um dos seus mais diletos discípulos , o qual ela chamava carinhosamente de Andrezinho , que vocês conhecem melhor pelo nome completo : André Gide
    Tia Zulmira prossegue explicando que , aos vinte e poucos anos , casou-se pela primeira vez , unindo-se pelos laços matrimoniais a François Aumert – o Cruel . O casamento terminou trágicamente , tendo Aumert morrido vítima de uma explosão , quando auxiliava a esposa numa demonstração de radioatividade aplicada , que a mesma fazia para Mme. Curie .
    A hoje encanecida senhora lamentou profundamente a inépcia do marido para lidar com tubos de ensaio e , desgostosa , mudou-se para Londres , aproveitando a deixa para disputar a primeira travessia a nado do Canal da Mancha . Houve quem desaprovasse esta decisão , dizendo que não ficava bem a uma jovem de boa família se meter com o Canal da Mancha . A resposta de Tia Zulmira é até hoje lembrada.
    – O Canal da Mancha não pode manchar a minha reputação . Na minha terra , sim , tem um canal que mancha muito mais . ( Mangue)
    E ela acabou atravessando a Mancha mesmo , chegando em terceiro , devido à forte ca~ibra que a atacou nos últimos 2 mil metros . Fez um jacaré na arrebentação da última onda e chegou a Londres para morar numa pensão em Lambeth , onde viveu quase pobre , apenas com os sustentos de uma canção , que fez em homenagem ao bairro . ( The Lambert Walk )
    Na pensão , onde morava a nossa entrevistada , vivia no quarto ao lado o então obscuro cientista Darwin , e com ela manteve um rápido flerte . Proust , cronista mundano francês que esteve em Londres na época , chegou a anunciar um casamento provável entre Tia Zulmira e Darwin , mas os dois acabaram brigando por causa de um macaco .
    – Em 1913 , onde estava eu ? – perguntava Tia Zulmira a si mesma , olhando os longes com olhar vago .
    Lembra-se que houve qualquer coisa importante em 1913 e, de repente , se recorda . Em 13 , atendendo a um convite de Paderewski , passou uma temporada em Varsóvia , dando concertos de piano a quatro mãos com o futuroso músico , que deve a ela os ensinamentos de teoria musical .
    Quando o primeiro conflito mundial estourou , ela estava em Berlim e teria ficado retida na capital alemã , não fosse a dedicação de um coleguinha ( Einstein) que lhe arranjou um passaporte falso para atravessar a fronteira suíça . Durante a I Grande Guerra , a irrequieta senhora serviu aos aliados no Serviço de Contra-Espionagem , tornando-se a grande rival de Mata-Hari , mulher que não suportava Zulmira e – muito da fofoqueira –tentou indispor a distinta com diversos governos europeus . Zulmira foi obrigada a casar-se com um diplomata neozelandês de nome Marah Andolas –para deixar o Velho Mundo .
    É interessante assinalar que este casamento , motivado por interesse , acabou por se transformar em uma união feliz . O casal viveu dias esplendorosos em São Petersburgo , infelizmente interrompidos por questões políticas . A revolução russa de 17 acabou por envolver o bom Andolas . O marido de Tia Zulmira foi fuzilado pelos comunistas de Lenine , somente porque conservava o hábito fidalgo de usar monóculo , sendo confundido com a burguesia reacionária que a revolução combatia . Morto Andolas , Tia Zulmira deixou a Rússia completamente viúva , após uma cena histórica com Stalin e Trotsky , quando , dirigindo-se aos dois , exclamou patética :
    – Vocês dois são tão calhordas que vão acabar inimigos .
    Dito isto , Zulmira virou as costas e partiu , levando consigo apenas a roupa do corpo e o monóculo do falecido . Chegou ao Brasil pobre , mas digna , e a primeira coisa que fez foi empenhar o monóculo na Caixa Econômica , sendo o objeto , mais tarde , arrematado em leilão pelo pai do hoje Embaixador Décio de Moura , que o ofertou ao filho no dia em que este passou no concurso para o Itamarati.
    Zulmira estaria na miséria se uma herança não viesse ter ás suas mãos . O falecimento de seu bondoso pai – Aristarco Ponte Preta ( o Audaz) -, ocorrido em 1920 , proporcionando-lhe a posse do casarão da Boca do Mato , onde vive até hoje . Ali estabeleceu ela o seu habitat , disposta a não mais voltar ao Velho Mundo , plano que fracassaria dez anos depois .
    Tendo arrebentado um cano da Capela Sistina , houve infiltração de água numa das paredes e – em nome da Arte – Zulmira embarcou novamente para a Europa , a fim de retocar a pintura da dita . Como é do conhecimento geral , ali não é permitida a entrada de mulheres , mas a sábia senhora , disfarçada de monge e com um pincel por debaixo da batina , conseguiu penetrar no templo e refazer a obra de Miguel Ângelo , aproveitando o ensejo para aperfeiçoar o mestre . Este episódio , tão importante para a História das Artes , não chegou a ser mencionado por Van Loon , no seu substancioso volume , porque , inclusive , só está sendo revelado agora , nesta entrevista .
    Nessa sua segunda passagem pela Europa , Tia Zulmira ainda era uma coroa bem razoável e conheceu um sobrinho do Tzar Nicolau , nobre que a revolução russa obrigou a emigrar para Paris e que , para viver , tocava balalaica num botequim de má fama . Os dois se apaixonaram e foram viver no Caribe , onde casaram pelo facilitário . O sobrinho do Tzar , porém não era dado ao trabalho e Tia Zulmira foi obrigada a deixá-lo , não sem antes explicar que não nascera para botar gato no foguete de ninguém .
    Voltou para o Rio , fez algumas reformas no casarão da Boca do Mato e vive ali tranquilamente , com seus quase 90 anos , prenhe de experiência e transbordante de saber . Vive modestamente , com o lucro dos pastéis que ela mesma faz e manda por um dos seus afilhados vender na estação do Méier . No seu exílio voluntário , está tranqüila , recebendo suas visitinhas , ora cientistas nucleares da Rússia , ora Ibrahim Sued , que ela considera um dos maiores escritores da época . ( Aqui não ficamos bem certos se Tia Zulmira estava querendo gozar Ibrahim, ou se estava querendo gozar a época ).
    A velha dama pára um instante de tecer o seu crochê , oferecendo-nos um “ Fidel Castro “ ( Cuba Libre , sem Coca-Cola) com gelo . É uma excelente senhora esta , que tem a cabeça branca e o olhar vivo e penetrante das pessoas geniais .
    ___________________________________________________________________

    Abraços e beijinhos carinhosos !!!!

  102. CCFem 17 ago 2010 �s 08:32

    Tive uma depressão em 1992.
    Lembro que dentre os motivos que levaram-me ladeira abaixo, sobressai a imensa decepção com o Collor (Argh!), com a Tereza, PC (Argh!)e toda a cascata de escândalos que rolava borbulhante.
    Tive muita vergonha, pois neguei meu voto ao então humilde candidato Lula.

    Hoje, estou recuperado, remido e lavado pelo sangue do Cordeiro.
    Quando jogaram os jacarés na piscininha morna que eu repousava mansamente(minha aposentadoria do Aerus) nadei como jamais pensei que poderia nadar e saí em busca de novas oportunidades: humildemente buscava nas ruas uma porta; voltei a estudar, fui vendedor de bugingangas, trabalhei por salários irrizórios para Associações de Moradores, Igrejas evangélicas e Associações Comerciais, fazendo palestras e investindo no que acreditava: Administração com bases em Programas de Motivação, ações de Marketing, Recursos Humanos focados por ações de Endomarketing, etc.
    Surgiu a oportunidade, lutei e luto até hoje, acordando antes das 5 h. e chegando em casa após 18 h.
    Em Cristo, hoje sou mais que vencedor! (Rom 8:37)

    Lamento pela amargura que devem sofrer hoje os meus colegas que tanto bradaram pelos corredores da Varig, nos DOs, a bordo e em conversas de pernoites alardeando o nome daquele que representava tanta esperança de reversão de tantas injustiças neste país, o defensor dos velhinhos aposentados, que combatia o FMI e a maldita CPMF.

    Pobres de nós, que um dia acreditamos em ídolos humanos.
    Solução só em Jesus; caminho, verdade e vida!

  103. CARLOS EDUARDOem 17 ago 2010 �s 09:36

    Caro Roberto Haddad, eu penso assim,estão sim sem nos dar notícias,estão sim nos enrolando, em momento algum citei Dr. Maia, pois ele é o único que aparece e nos comunica alguma coisa, se não fosse por ele, estaríamos a ver navios.
    Quanto a parados cada uma tem sua opinião, até agora ninguem nos chamou para umaconversa, o dinheiro como disse anteriormente é meu tambem, voce se lembra Roberto, quantas cervejas nos mandaram colocar na geladeira?, quantos churrascos? e as lagostas?, estamos mesmo comendo arroz e feijão, e olha lá.
    Se voce é contra legal é sua opinião, se a Petra não aceita é a opinião dela, masnão vou parar nãoporque meia duziaacha errado lutar.
    Deixar nas mãos do sindicato,sei que a Graziela não esta parada, sei que esta lutando , mas vamos ajuda-la, estamos fracos mas não morremos ainda.
    Ela tambem precisa de um incentivo, precisamos nos unir, não ficar ai discutindo quem tem razão, todos estão procurando o melhor, e tem aqueles que prefere cruzar os braços e deixar.
    Vamos deixar bem claro, cada um tem sua opinião, quem quiser fazer alguma coisa e não ficar parado é só avisar, medo eu não tenho, nem de cara feia, agradeço sim a uma pessoa Dr. Maia, eleesta aqui, ele noscomunica quando acha oportuno, então aele eu agradeço sim, os outros por enquanto ainda não.

  104. paizoteem 17 ago 2010 �s 10:06

    O que sinto, é que estamos confusos, perdidos , sem líderes.
    Qualquer movimento precisa de liderança confiável ( e confiável significa que mereçam a confiança de todos e não apenas de grupos) e esteja disposta ao sacrifício pela causa.
    O governo não vai ceder ,com ou sem meia dúzia de “velhinhos” mortos de fome.
    A solução a meu ver seria um movimento organizado a nível nacional, que incorporasse os hoje aposentados e os ativos, com uma representatividade que desse coesão.
    Os líderes que se apresentaram foram rechaçados por grupos divergentes, e interesses obscuros.
    Líderes demais, interesses divergentes, politicagem.
    Muitas frentes , poucas batalhas que merecessem credibilidade.
    Este movimento teria que ser apolítico, incisivo em suas reivindicações , agressivo até.
    Exatamente como agiam as entidades sindicais em outros tempos.
    Não é pouca coisa que fará com que nos brindem com soluções depois de tanto tempo.
    Imaginem o pesadelo dos marketeiros do governo se este resolvesse ceder e admitir a culpa às vésperas de eleições.
    Ia ser uma enxurrada de protestos, acusações , e reivindicações que não teriam fim. Todos os prejudicados neste país exigiriam mesmo tratamento.
    Melaria a candidatura da indicada.
    A solução ,para não ser contestada ,inclusive e principalmente pela mídia, terá que vir através de uma robusta sentença , que a oficialize.
    Temos que ter em mente que apesar de toda a injustiça de que somos vitimas, nossa causa é apenas um grão de poeira , nos problemas sociais deste país continente.
    Ninguém esta nos dando muita importância, nossa causa não dá “ibope”, nem elege ninguém.
    Acho que greve de fome é um recurso extremo, quem começar uma deve estar disposto a morrer, não haverá alternativas .
    Não deve contar com a “sensibilidade” da mídia escrota, pois o que vende jornais é a morte , jamais a tentativa.
    Portanto ,viver ainda é a melhor alternativa.
    Enquanto isto buscar formas,sejam através de voto, da justiça, etc… para manter acesa a indignação , até surgir uma solução .
    Solução esta, que eu admito , já nem tenho ideia de qual sería .
    O que sei é que é preciso estar vivo para achar alguma.
    Abçs à todos.

  105. carlos irmãoem 17 ago 2010 �s 10:07

    O que falta abrir???

    Folha de São Paulo
    São Paulo, domingo, 15 de agosto de 2010
    Fusão Lan e TAM mira “céus abertos”
    Companhia acirra competição em mercado emergente, quando AL discute abertura de mercados domésticos
    Latam será maior empresa aérea privada em Bolsa no mundo; chilenos detêm 70%, mas dividem direitos
    MARIANA BARBOSA
    DE SÃO PAULO

    A associação com a TAM transforma a chilena Lan na grande empresa de bandeira da América Latina, região que registra as maiores taxas de crescimento do setor aéreo no mundo.
    A Lan é hoje a companhia aérea com maior valor de mercado das Américas: US$ 9,24 bilhões. A TAM, que faturou US$ 4,9 bilhões no ano passado -US$ 1,2 bilhão a mais do que a Lan-, está avaliada em US$ 3 bilhões, segundo cálculos da Economática.
    A supervalorização da Lan se explica pela alta rentabilidade: 22,5%, uma das maiores do mundo no setor, contra 14% da TAM. A companhia transportou no ano passado 15 milhões de passageiros, metade do que foi transportado pela TAM.
    Mas a Lan precisa crescer e, para isso, é fundamental colocar um pé no maior mercado da América Latina.
    Com a TAM, a Lan se transforma na maior empresa aérea privada de capital aberto do mundo em valor de mercado (US$ 12, 2 bilhões). Perde apenas para as estatais Air China e Singapore.
    E ganha musculatura para conter o avanço da Gol na América do Sul e também de outros grupos, como a colombiana Avianca, que, no ano passado, se fundiu com a Taca, de El Salvador. E que está presente no Brasil, com a OceanAir, recém-batizada de Avianca Brasil.
    Musculatura será fundamental quando o mercado da América do Sul passar a funcionar em regime de céus abertos. Sob esse regime, objeto de negociação entre os países da região, companhias da América do Sul poderão fazer voos domésticos no Brasil. E vice-versa.
    A medida vai estimular a competição e o crescimento do setor. Com a associação com a Lan, a TAM, que poderia se opor ao regime, passará a se beneficiar dele.
    O acordo entre Lan e TAM dependerá da aprovação da Anac . A Latam terá sua sede em Santiago. E a Lan será a acionista majoritária.
    Segundo o presidente da TAM, Líbano Barroso, o respeito à legislação brasileira, que limita em 20% a participação estrangeira no setor aéreo, será garantido por meio de um acordo de acionistas. Pelo acordo, apesar de a Lan deter 70,6%, os direitos e obrigações serão divididos meio a meio.

    Para analistas, chilena comprou TAM
    O mercado se surpreendeu com a engenharia jurídica montada pela TAM e a LAN para se enquadrar na legislação brasileira, que hoje limita a participação de estrangeiros. Na prática, a empresa chilena comprou a brasileira, dizem especialistas, o que não seria permitido. O pulo do gato para driblar a restrição, acreditam, está no fato de as empresas manterem estruturas operacionais e administrativas independentes.

  106. carlos irmãoem 17 ago 2010 �s 10:09

    :33 \ Economia
    Gol e TAM conversaram
    Meses atrás, representantes da Gol e da TAM andaram se encontrando para avaliar uma fusão das operações. Mas as conversas, preliminares, ressalte-se, deram em nada.

    Por Lauro Jardim

  107. Petraem 17 ago 2010 �s 10:35

    Eu não concordo com uma greve de fome pois não consigo ver respostas práticas para um ato destes .
    Mas , o que impede de qualquer pessoa que acredita ser este o caminho para uma solução definitiva sentar na frente ( do lado de fora) dos respectivos aeroportos numa cadeira com uma garrafa de água nas mãos levando uma greve de fome á frente com cartazes explicando a razão do seu tresloucado gesto?
    Eu não acho que é o acertado , mas cada um segue a sua cabeça e suas convicções fazendo o que acha melhor mas por sua própria conta e risco .
    Ruas na frente de aeroportos são espaços livres , de circulação pública onde cada um pode sentar a sua cadeirinha e fazer a sua reinvidicação . Se terão resultados práticos , chamarem a atenção da mídia isto são outros quinhentos . Acreditem , se o Sindicato não está patrocinando mais passeatas é por que no momento elas devem ser inócua s , não vão trazer resultado prático nenhum , pois em outras ocasiões onde elas eram necessárias fomos a todas para pressionar o judiciário . E o que tivemos de projeção na mídia ? … NENHUMA !!!!!
    Entendo esta angústia de não termos notícias a tempos , também sofro com ela e com a ansiedade , mas no momento me parece que não há nada que possa ser feito para mudar o atual momento .

    Beijinhos carinhosos.

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