ago 02 2010

O BOLSA FAMÍLIA E OS “REVOLTADOS”

Postado por at 13:11 sob Uncategorized

Em um comentário abaixo há um texto que vem circulando na internet contra a bolsa família. Segundo dito, as pessoas estariam recusando emprego por causa do bolsa família.

II
O texto é falso. Não tem autoria, nem tem fonte. A elite escravagista rural é que não tolera o bolsa família: não pode, mais, “contratar” gente em troca de um prato de comida por dia. E aí se revoltam contra um programa de distribuição de renda.

III
Esse tipo de texto veio da direita, exatamente daqueles que receberam subsídios do Estado, que venderam superfaturado ao Estado. Daqueles que recebem dinheiro para anúncios que comunicam aquilo que as notícias já deveriam comunicar, ou seja, anúncios inúteis pagos pelo Estado para o cartel das televisões e jornais.

IV
Os beneficiários do bolsa família pagam, sim, impostos. De alguma maneira, consumiam, nem que fosse só farinha ou só arroz. Quando compram esses alimentos, pagam impostos, os piores, os mais caros, os impostos indiretos. Esses não vêem se o sujeito é mais rico ou mais pobre: quando Eike Batista compra 1 kg de arroz, paga o mesmo de impostos que qualquer outro.

V
A elite escravagista “contratava” gente por um prato de comida por dia. A bolsa família acabou com isso e gerou essa revolta dos afortunados. Vou mais longe, ainda: a Bolsa Família é um programa do Estado brasileiro. O impacto eleitoral da Bolsa Família é diferente do que está sendo dito: em outras eleições, valia a cesta básica, o pé de chinelo antes e o outro depois da vitória do candidato. Agora, essa cesta básica não mais é a diferença entre a vida e a morte. Esse povo miserável não precisará vender seu voto porque O ESTADO BRASILEIRO providencia sua subsistência mínima, absolutamente mínima, com aquele programa.

VI
O mais extraordinário é que, perdido como está, Serra anunciou que DOBRARÁ a bolsa família. Embora todas as críticas do PFL-DEM, resolveu sair em apoio à bolsa família. Ou seja, primeiro espalharam que o programa impede que as pessoas busquem trabalho – o trabalho da escravatura, do prato de comida por dia. E, agora, diz que vai dobrar o programa. O complicado é que há gente reproduzindo isso, como se precisasse disputar migalhas com a parcela mais miserável da população.

VII
Há um povo humilhado há 5 séculos, jogado na animalidade permanente: famílias inteiras dividindo de forma animalesca um único cômodo, catando restos em lixos. Pela primeira vez esse povo recebe algo do Estado. E aqueles que recebem há 5 séculos, que se apropriam do que é público, não aceita que sequer suas migalhas sejam direcionadas a esses desvalidos. Preferem que sejam jogadas no lixo.

VIII
Circulou algum texto dizendo que o Brasil paga 200 bilhões ao ano de juros da divida interna? Que esse valor só atinge essa altura porque o Banco Central tem a opção ideológica de favorecer os bancos, de drenar recursos públicos para os bancos? Algum email menciona que o orçamento do bolsa família é de apenas 10 bilhões ao ano, ou seja, 5% do que é gasto irresponsavelmente em juros da dívida pública? Claro que não. O que causa revolta, escândalo, é o dinheiro para os que foram jogados para a animalidade. Quando é para os clubes nos jardins, não há email, não há revolta.

13 respostas até o momento

13 Respostas em “O BOLSA FAMÍLIA E OS “REVOLTADOS””

  1. marcio6067em 02 ago 2010 �s 14:02

    Hi Dr. Maia,

    obrigado por este post. Por uma sincronicidade Junguiana comentei com uma amigo advogado, hoje de manhã, alguns aspectos do Brasil atual e citei o senhor com uma colocação que me impressionou e deu força à minha defesa do Bolsa Familia na sobrevivência destes miseráveis nordestinos meus irmãos.
    Foi quando o Sr. disse que vê esta Bolsa como reposição do que o Governo não dá aos brasileiros e que deveria dar: saúde, educação, etc.

    É obrigação dos Governos de paises civilizados dar isto a todos. Digo todos, mesmo, até ao Eike Batista, de cuja compra de arroz pelo mesmo preço foi aqui citado.
    Pois morando no Rio, na Zona sul ( hi Petra, um abraço), precisando de um atendimento de emergência, tenho o Miguel Couto que me ajuda, sem perguntar nada. O Estado o disponibiliza a todos. Bem sei que no interior de meu Rio Grande do Norte não tem isso. Assim o meu irmão lá recebe o Bolsa Familia e pode comer, e sobreviver, o que não podia fazer. E de uma maneira Keynesiana mandem um ciclo de produto-venda-compra-pagamento-poduto até então impensável gerando uma geral melhoria. É o que estão a mostrar recentes índices.

    É um asssunto complexo mas que, visto pelo lado humano, imprescindível.

    Os que o criticam só vêm o lado dos aproveitadores. Estes sempre existirão. Cabe aos governantes tornar mais justa a distribuição dos recursos.

    Agradeço. Paz e Saúde. Sempre.

  2. Petraem 02 ago 2010 �s 15:00

    Muito bem , Dr. Maia , como prometido vai a primeira parte de uma das histórias do livro Força Estranha do Nelson Motta .
    É a primeira parte do conto chamado ” Os sentidos da vida ” .
    Prometo escrever cada dia um pedaço . Se por algum acaso o Sr. não gostar da idéia é só não publicar esta primeira parte que entenderei , está bem ?
    _______________________

    ” Os Sentidos da vida ”

    Tudo começou com uma simples gripe . Era natural que , além da febre e da tosse , a congestão nasal comprometesse meu olfato . Tomei as pílulas antigripais , fui para a cama e logo os sintomas começaram a regredir . Comecei a respirar melhor , aos poucos o olfato foi voltando , e logo eu estava bom .
    Não por muito tempo . Na semana seguinte , o feroz inverno nova-iorquino fez mais uma vítima , durante uma chuva que me deixou encharcado e à mercê do vento gélido e cortante que varre as esquinas da cidade . O termômetro do Citibank marcava amenos 3 graus , mas , em compensação , a temperatura do vento chegava aos 14 graus negativos .
    Dos primeiros espirros á febre e aos calafrios não se passou muito tempo . Logo o nariz , além de entupido , começava a escorrer . Tomei o antigripal , me enfiei debaixo dos cobertores e avisei que não ia trabalhar no dia seguinte .
    Em dois dias a gripe passou . Mas o olfato não voltou . De nada serviram os sprays e as gotas descongestionantes . Nem os antialérgicos . Não havia nada congestionado , nem qualquer sintoma de alergia . Apenas não sentia nenhum cheiro .
    Ah , isso passa , me disse o médico , me disseram os amigos , eu disse a mim mesmo . Mas não passava . Já curado da gripe , a função olfativa havia se restaurado , digamos , em uns dez por cento . Sentia alguns odores fortes , como o charuto do gordão ao lado e o perfume vagabundo da lourinha que passava , mas como se fossem fracos e longínquos . Mas nem isso durou . Uma semana depois eu estava cego de nariz .
    Não sentia cheiro de nada . Nem de amônia , nem de queimado , nem de merda . Não sentia nem cheiro de gás aberto no fogão . Além de ser muito perigoso , letal como um escapamento de gás . Ou um alimento podre .
    Comecei a peregrinação aos médicos . Primeiro , com otorrinos Hugh tech , com aparelhos e doutores de última geração , e preços também , e cheguei a uma alergista indiana . E depois a uma homeopata alemã que me prescreveu vários pós e aguinhas , sem qualquer resultado . Nas mãos de um otorrino obtuso , me submeti até a dolorosas – e inúteis – injeções de cortisona na parte de dentro do nariz . Rezei e implorei na minha fé , em todas elas . Se houvesse um terreiro de macumba em Manhattan , ou mesmo em Nova Jersey , eu tentaria .
    Fatalista , eu pensava que como algo muito ruim tinha mesmo que me acontecer , Deus havia sido bom comigo . Como sou músico , perder o olfato é menos grave do que perder a audição : surdo e desempregado eu perderia meu maior prazer e meu pão de cada dia . Na miséria , o olfato me serviria apenas para sentir o aroma do que eu não poderia comer . O cheiro da fome .
    O mundo sem olfato era cheio de perigos . Mas tinha algumas vantagens para alguém de paladar bastante restritivo e cheio de idiossincrasias , como eu : tenho pavor de alho , detesto brócolis e abobrinha , não como peixes , moluscos ou crustáceos , nem carne de aves , de caça e de nenhum bicho que não seja vaca . E mesmo assim , ou disfarçada por uma capa á milanesa , ou então muito bem passada , torrada , negra , sem qualquer vestígios de sangue , ou de carne . Morro de fome mas não como coentro , dendê , molho pardo , sarapatel , tucupi , buchada , pratos regionais exóticos de ingredientes duvidosos . Gosto mesmo de massas , doces e sorvetes .
    Com a cegueira nasal , meus problemas á mesa , que já me provocaram muito constrangimento no passado , acabaram : comia de tudo , com o mesmo prazer . Fiquei reduzido ao paladar , que , como sentido , deixa muito a desejar , é apenas um complemento do olfato . Sem ele , o gosto reduz –se a doce e salgado , azedo e amargo . O resto é textura .
    Passei a comer de tudo , sem o menor intusiasmo , mas de tudo . Poderia fechar os olhos e escolher a esmo em qualquer cardápio . Continuei comendo as minhas pizzas e macarronadas , tentando me lembrar daqueles aromas amados , mas a memória olfativa é mais precária do que a afetiva . Restaram-me os doces , com seus cremes , camadas de açúcar , geléias , crostas caramelizadas , massas folhadas que farfalham entre os dentes , agradando mais à audição do que ao paladar . Como o baguete saindo do forno , que proporcionava o contraste entre a casca torradinha e o miolo macio e ainda crocava deliciosamente no ouvido .
    Meu bem-amado café expresso , meus capuccinos , se reduziram a uma tinta grossa e escura , com o amargor quebrado pelas gotas de adoçante . Serviam apenas para dar vontade de fumar . O cheiro do primeiro cigarro do dia , depois do café da manhã , era um passado remoto .
    Durante meses busquei informações sobre a doença e seus possíveis tratamentos . Mas os resultados eram desanimadores . Sabia apenas que a perda do olfato se chamava anosmia e podia ter diversas causas , entre elas a radioterapia intensiva em tratamentos de câncer ou em acidentes de automóvel , quando se seccionam as fibras dos nervos que contêm os receptores do olfato . Nenhuma delas era o meu caso .
    Logo me resignei e me adaptei à vida sem olfato , mas ainda com um resto de sabor : tudo mais em mim continuava funcionando bem . Porém não poderia mais dizer que alguém não fede nem cheira .
    Depois de três anos eu estava completamente adaptado , nem me lembrava do tempo em que sentia cheiros . A memória olfativa só existe enquanto o sentido está ativo . Não me lembrava nem dos cheiros de minha infância , de cavalo , de leite de vaca tirado na hora , de tangerina no pé , de abacaxis apodrecendo no lixo . O cheiro da terra molhada logo depois da chuva . Da grama recém-cortada e recendendo a clorofila . de maresia .
    E o cheiro de sexo? Essa era uma das minhas perdas mais doloridas – não podia mais sentir nos dedos o aroma íntimo e úmido da mulher amada . E os perfumes das mulheres , até mesmo os doces , enjoativos , azedos , vagabundos , teria que viver sem eles .
    Cheguei a pensar em contratar um “ guia de olfato “ , como os de cegos , para me conduzir pelos cheiros da cidade . Sempre ao meu lado , ele , ou melhor , ela , iria me informando : “ Café torrando na máquina da lanchonete á direita . Senhora gorducha entrando no metrô com forte cê-cê . Motorista paquistanês do táxi há dias sem banho “ . E , caso fosse necessário , me advertiria baixinho e com respeito :
    “ Talvez o seu desodorante esteja vencido . Você está com um leve bafo , aceita um chiclete? Acho melhor você recolocar o tênis . E mandar lavá-lo logo . Você pisou em cocô de gato ou está com algum problema intestinal ?
    É dura a vida de um sem – olfato , embora mais tolerável do que sem visão ou audição . Eu me consolava vendo televisão e comendo jujubas , que poderiam ser de abacaxi , uva ou framboesa . Sem olfato , todas as jujubas eram vermelhas .
    Tudo ia muito bem , ou melhor , muito mal , quando encontrei uma amiga que não via fazia tempos . Ela estava saindo de uma sessão de terapia nas vizinhanças e me recomendou os serviços fantásticos de um fabuloso acupunturista e herbalista chinês , um sábio . Desde que começara a fazer uma sessão semanal , Letícia nunca mais havia ficado doente . Ele a ajudara a parar de fumar e a perder peso . Curara minha amiga de uma dolorosíssima hérnia de disco . Chamava-se dr. Chan e atendia em um consultório ali perto no Village , em cima do restaurante Silver Lake . Era conhecido como mestre Chan.

    _______________________

    Escrevo aqui o que sempre estava escrito nos velhos folhetins alemães ao final das histórias que eram escritas em capítulos que eu lia quando criança : ” Vortsetzung Volkt ” , ou seja , ” Aguardem continuação ” …
    _____________________________

    Márcio , um abraço , concordo com voce e com a explanação de Dr. Maia , a bolsa família é o que faz a diferença entre a vida e a morte em muitos casos nas regiões miseráveis deste país . Prefiro que o nosso dinheiro seja investido em bolsa família para alimentar brasileiros paupérrimos , do que financiar metrô em Caracas e outras benesses parecidas feitas num passado não tão distante …
    Isto para não falar em mensalões , caixas – dois etc…
    Beijinhos carinhosos .

  3. paizoteem 02 ago 2010 �s 15:20

    A única critica aceitável aos benefícios que os menos privilegiados recebem ,é a de que estes benefícios são apenas um “band-aid” num atropelado socialmente.
    Mesmo assim, melhor do que nada.
    Porém está muito longe das reais necessidades e dos direitos exigidos numa sociedade igualitária.
    Preservar a bolsa e defende-la é necessário.
    Conformar-se com a insignificância da mesma num contexto social digno é imperdoável.
    A luta e a discussão devem ser no sentido de ampliar todos os direitos.
    E que um dia ninguém precise de “bolsa” alguma, até lá…

  4. Peterem 02 ago 2010 �s 16:30

    Só que o Bolsa Família tornou-se uma moeda de troca, pois vê-se claramente que os principais presidenciáveis se tornaram reféns do mesmo. Acho isto uma vergonha. Quanto mais Bolsa Família, mais votos. É ou não é comércio de votos, já que não se vê projeto algum que extinga a necessidade do Bolsa Familia.

  5. Petraem 02 ago 2010 �s 17:15

    Repassando …

    Principalmente para professores, alunos, e aqueles que escrevem muito, como os advogados.

    Vale a pena repassar para aqueles que vocês conhecem e podem fazer uso.

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    Beijinhos carinhosos .

  6. Petraem 02 ago 2010 �s 17:23

    Sentada no PC e escutando músicas gostosas depois de passear com Sophie pelas redondezas antes que caia a chuva que está prometendo desde ontem , acabei digitando mais um pedaço da história de Nelson Motta :

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    Hummmm… acupunturista e herbalista chinês , chamado de mestre , no Village , era um pouco alternativo demais para meu gosto . Antevi a cortina de bambu , o biombo de papel , o cheiro de incenso , o Buda de bronze , o grande pôster com o corpo humano e os pontos de acupuntura , aquelas breguices chinesas de papel pintado . Da cozinha do restaurante subiria o cheiro enjoativo de tempuras e frituras , de gorduras e temperos fortes … epa ! Quanto a cheiros desagradáveis e enjoativos eu não tinha nada a temer . Às vezes me lembrava do meu olfato como quem ainda sente dor na perna amputada .
    Nada contra , até gosto de acupuntura . Fiz muitas vezes quando morava no México , para problemas musculares , com bons resultados . Freqüentava a clínica do professor Yoshiaki , um acunpunturista japonês que atendia alguns artistas e diretores da gravadora onde eu trabalhava , numa casinha colorida no Largo de Coyhoacan .
    Logo me veio à cabeça “ Simplesmente Alice “ , o filme de Woody Allen em que Mia Farrow , uma tímida dona de casa , começa a se tratar com o acunpunturista e herbalista chinês e acaba tomando três poções mágicas : a primeira a transforma em uma vampe sedutora e voraz . A segunda traz de volta o espírito de seu falecido marido , que a leva para um sobrevôo romântico em Manhattan iluminada . E a última a torna invisível , testemunhando uma traição do marido e ouvindo o que as amigas falam dela . Perguntei a Letícia se o consultório do mestre Chan era tão cinematográfico como o do filme , esses ambientes orientais tão comuns na cidade , que , mesmo quando autênticos sempre parecem fake como Chinatown .
    “ Meu problema não é com a acupuntura , é com a ambientação “ , brinquei com ela .
    Ela riu , sacudindo a cabeça como quem nega ou confirma . minha amiga era uma paulista séria , dona de uma boa galeria de arte no Soho , uma mulher inteligente , que me parecia muito saudável e equilibrada .
    Para o mestre Chan , ela disse , não existem doenças , apenas energias paradas . As agulhas desobstruem os pontos bloqueados nos canais de circulação , as energias voltam a irrigar o corpo e o próprio organismo se cura . Simples assim .
    “ Se você não gostar , pode deixar na minha conta que eu pago “ , desafiou Letícia , me oferecendo um cartão de consulta do dr. Chan.
    Alguns dias depois eu acordava paralisado de dor . Do ouvido ao tornozelo , com pontos agudos na lombar e no meio da bunda , descendo como uma linha de fogo ao longo de todo o nervo ciático . Dores tão fortes que exigiram um esforço enorme e apenas para me arrastar para fora da cama . E estender o braço para telefonar para o Dr. Chan .
    A mensagem da secretária eletrônica era bastante enigmática e pouco animadora :
    “ Aqui é o consultório do dr. Chan . por favor deixe sua mensagem . E não fique nervoso : você não está solto no ar “ .
    Por sorte , ou altos desígnios , a agenda abarrotada do mestre abriria um horário no fim da tarde , como me informou uma voz doce de mulher falando inglês com um delicioso sotaque cheinês . Passei o dia deitado , quase imóvel , me enchendo de analgésicos e relaxantes musculares que tinham o poder de um balde d`água em um incêndio de floresta .
    Cheguei ao dr. Chan de táxi e levei quase cinco minutos , pé ante pé , para atravessar o pequeno hall e entrar no elevador . Me sentei na saleta de espera com muita dificuldade e imaginei a tortura que seria tirar os sapatos , como pedia o aviso na parede . Não havia ninguém na mesinha da recepcionista .
    Mas a agonia durou pouco . Logo fui resgatado por um simpático chinês de uns poucos 30 e poucos anos , de olhos vivos e cabelos negros bem curtinhos , que me deu boa-tarde , me ajudou a tirar os sapatos e me amparou até a sala de consultas . E depois me pediu que tirasse a roupa , ficasse só de cueca , e me deitasse na cama alta . Se apresentou , com uma leve curvatura da cabeça e do tronco :
    “ Chian Chan . Em que posso servi-lo ?”
    Um mestre tão jovem não me inspirava lá muita confiança . Começamos a trocar perguntas . Logo depois de responder a minha idade , perguntei a dele :
    “ Cinqüenta e dois . Nascido no ano do dragão . “
    Mas , porra , parecia no máximo 35 . O homem era formado em medicina tradicional chinesa na Universidade de Pequim . Fizera mestrado em acunpuntura , daí o Máster Chan . Recém formado , emigrara com os pais e dois irmãos para os Estados Unidos , no início dos anos 70 , fugindo da revolução cultural maoísta que , entre 1966e 1976 , mandou muitos cientistas , inclusive seu tio , para reeducação em plantações de arroz ou fábricas de geladeiras .
    Ao contrário do acunpunturista do filme de Woody Allen , o dr. Chan não fumava como uma chaminé . Nem o consultório recendia a incenso , isto é , se recendia , na minha condição olfativa , é difícil de afirmar , mas posso dizer que não havia nenhum incenso à vista . Nem biombos ou divisórias de papel .Não havia nada além de uma cama alta com um lençol branco , uma cadeira e um pequeno aparelho de som numa mesinha . Nenhuma decoração . Paredes nuas . Chão branco de fórmica . Uma cortina negra vedando a janela . Uma única luminária , fraca , no centro do teto . Puro zen urbano . É verdade que na saleta de espera havia o clássico pôster do corpo humano . E ainda um outro , só com as dezenas de pontos de acunpuntura em uma orelha gigante . A mesa da recepcionista tinha um laptop , uma máquina de cartão de crédito e um panda de louça .
    “ Isto não é nada . Você vai ficar bem logo “ , ele dava risadinhas de chinês de filme americano e me virava de bruços , com cuidado e firmeza .
    Começou a me contar uma história dos tempos da revolução cultural , quando médicos foram enviados para trabalhar como pedreiros na construção civil , enquanto epidemias se alastravam por toda a China e as pessoas morriam como moscas . e sacudia a cabeça dando risinhos de Fu Manchu .
    Ia falando e cravejando minhas costas de agulhas douradas , longas e finíssimas , sem que eu sentisse nada além de uma picadinha de mosquito . Uma agulha atrás da outra , com grande rapidez , percorrendo as minhas costas ao longo da coluna vertebral e descendo pelas cochas e panturrilhas , falando sem parar . Posso imaginá-lo enfiando as agulhas em minhas costas sem procurar pelos pontos exatos e sem escolher muito onde cravá-las , como se fosse um trajeto rotineiro para as suas mãos de cirurgião , com tal segurança e precisão de movimentos que dava a impressão de que poderia fazê-lo até de olhos fechados .
    “ Os pontos de acupuntura são muitos “ , ele explicava com seu sotaque carregado , trocando o R pelo L e vice-versa , sem parar de me enfiar agulhas , “ mas exigem muita precisão “ . um pouquinho para cá ou para lá do ponto exato pode levar a agulha a atingir uma enervação ou um pequeno vaso sanguíneo , provocando muita dor e desconforto ao paciente .
    Desinfetadas e descartáveis , as agulhas podem fazer tanto o bem quanto o mal , quando entram na carne fracções de milímetros além do que deveriam . E são sentidas como agulhadas . Só doem e não curam nada , o mestre ria , em suas mãos as agulhas voavam .
    Colocou uma sinfonia de Mahler no CD player , bem baixinho , apagou a luz fraquinha , e saiu , me deixando sozinho com minhas dores e esperanças . De olhos fechados , apenas aspirando profundamente pelo nariz e depois expirando lentamente , procurando não pensar em nada , conforme as suas instruções .
    Uma hora depois ele voltou e me encontrou em um estado de agradável torpor , me sentindo bastante confortável . Com velocidade ainda maior , foi retirando as agulhas do meu corpo e esfregando um algodãozinho com álcool nas picadas . A dor amenizara bastante , mas o mestre recomendou que eu me levantasse e caminhasse bem devagar, estava convalescendo , mas logo estaria bom .
    Me deu um saquinho de ervas , mandou fazer um chá e tomar ao longo do dia :
    “ São cem dólares , por favor . Volte amanhã para continuar o tratamento “ , e pediu que eu marcasse uma hora com a recepcionista .
    “ Minha noiva , muito bonita “ , e soltou sua risadinha de Fu Manchu , ”pode pagar com cartão de crédito “.

    Vortsezung Volgt / Aguardem continuação

    ___________________________________________________________________

    Abraços e beijinhos carinhosos .

  7. Petraem 02 ago 2010 �s 20:08

    Dr. Maia e amigos repasso este presentão que recebi de um amigo ex.colega nosso , vale a pena , é grátis mesmo !!!!

    Já testei, tem até series de TV.

    Se você gosta de cinema, faça uma visita ao endereço eletrônico:
    http://filmesfree.tv/sitemap
    e tenha acesso a mais de mil filmes (Ação, Aventura, Comédia, Ficção,
    Faroeste, Guerra, Romance , Terror,etc.)
    que podem ser assistidos no seu computador, sem necessidade de download.

    Beijinhos carinhosos .

  8. paizoteem 02 ago 2010 �s 21:19

    Bolsa familia
    Leiam por favor;
    E estão perdoados os que acreditaram, até eu fui buscar mais informações.
    Isto que eu desconfio de tudo. Juusto eu que “não como o ovo sem ter visto a galinha “. rsrsrs

    http://www.quatrocantos.com/LENDAS/407_bolsa_familia_costureiras_ceara.htm

  9. O ANARQUISTAem 02 ago 2010 �s 23:36

    Prezado Dr Maia
    Como fui o motivador do comentário em epígrafe, senti-me na obrigação de desvendar a origem e tudo mais sobre o assunto. Apenas para seu conhecimento, fica a seu critério publicar ou não.
    1- A origem deveu-se a um encontro entre o jornalista Gilberto Simões Pires, editor do site PONTOCRITICO.COM (me parece que é do RS) com um diretor do SINDITEXTIL num almoço na FIEC – Federação das Indústrias do Estado do Ceará em agosto de 2009, desse encontro originou o texto do e-mail.
    2- O curso era do Projeto de Inclusão Produtiva e eram 429 mulheres relacionadas no bolsa família e não 500, das quais só 172 fariam o curso de costureiras, as demais foram distribuidas entre vários outros cursos como , informática, panificação, reciclagem, etc.., ministrados pelos parceiros do SEMAS, Senai e Casa Brasil. Não se soube se alguma recebeu oferta de emprego, consequentemente quantas aceitaram, segundo informações do SINDITEXTIL, alegando que como o curso foi na administração passada não tinham como dar mais pormenores.
    3- Acordo o Sinditextil, estranho a alegação sobre a recusa do emprego com carteira assinada porque a maior bolsa família (básico) é de R$ 182,00 (pai,mãe e tres filhos) enquanto o salário de costureira é de R$439,00 mais benefícios e produção, explicação dada pelo Min. Patrus Ananias.
    4- Para finalizar, acordo informações do MDS (Ministério do Desenvolvimento Social) Foram 240 mulheres que iniciaram o curso de costureira, 154 finalizaram. Acordo o SEMAS 145 foram qualificadas para trabalhar mas apenas 16 (11%) foram indicadas pelo SINDITEXTIL para seus associados e parceiros. O SEMAS ainda informou que 57 foram inseridas no mercado de trabalho mesmo sem a participação do Sinditextil.
    Espero que o resumo tenha dado uma idéia do imbroglio. abçs e saúde

  10. Petraem 03 ago 2010 �s 08:52

    Bom dia , Dr. Maia !
    Transcrevo a última parte do conto iniciado nos comentários acima :

    _____________________

    A noiva do mestre era mesmo um colosso de mulher . Estava à altura dele . Mas quando se levantou , vi que deveria ser bem mais alta do que ele . Paguei com cartão de crédito e me estiquei para tentar ver alguma coisa no seu decote , mas só vislumbrei o início de dois peitos redondos e pequenos , atrás do vestido de tecido leve e claro .
    Assinei o recibo , ela encaminhou a paciente que aguardava para a sala do dr. Chan e saiu comigo , fechando a porta . estava muito calor , ia para a natação , me disse simpática e sorridente , com seu sotaque delicioso , enquanto esperávamos o elevador .
    Devia ter uns 30 anos no máximo . Ou talvez 13 , com esses chineses nunca se sabe . Mas com certeza era linda . Sua pele tinha o tom do marfim novo , que apenas começa a amarelecer .
    O contraste com os cabelos negros , grossos e lisos , presos em coque com dois pauzinhos coloridos , era como as teclas de um velho piano . Uma bela dama de Shangai em Manhattan , trabalhando como recepcionista em um consultório e nadando todos os dias em uma academia próxima da casa. Era uma das explicações para a boa forma do corpo longelineo , com as pernas compridas levemente arqueadas . Assim como as mãos , os pés nas sandálias tinham dedos finos e delicados e unhas pintadas de rosa . Na esquina , fomos cada um para um lado , entre sorrisos e votos de melhoras .
    Enquanto conversava com ela , havia até me esquecido das dores que ainda me fustigavam as costas , mas pelo menos eu podia me locomover sem que meu lombo ameaçasse explodir . Chamei um táxi e embarquei para casa .
    Voltei no dia seguinte , no mesmo horário , e ela estava lá , de cabelos molhados , como uma seda brilhante escorrendo pelos ombros . Vinha da piscina . O calor estava tão forte que ela havia antecipado a natação . .
    “ Quando ficar bom , você devia fazer umas sessões “ , recomendou , “ natação é um ótimo exercício para a musculatura das costas e das pernas “ .
    O dr. Chan se apresentou na porta e me convocou para a sala branca com um sorriso que , talvez já por um tiquinho de culpa , senti como meio melífluo , como se fosse uma advertência sutil .
    Na sala , ele só perguntou como eu estava . Deitado na cama , respondi que as dores estavam passando , que havia dormido e atravessado o dia muito bem . E estava muito grato a ele .
    Risinhos de Fu Manchu . As agulhas na mão .

    Antes que ele começasse a me agulhar , contei ( era mentira) que tinha revisto “ ALICE “ na televisão e me lembrado dele .
    Risinhos de Fu Manchu :
    “ Muito bom filme . Mr. Allen é muito talentoso . Faz as pessoas rirem “ .
    “ É claro que ninguém acredita naquelas histórias de poções mágicas , mas os poderes da acupuntura poderiam ter sido mais explorados no filme “ .
    “ Mr. Allen exagera um pouco , né ? “ , o mestre sorriu e fez uma pequena pausa . “ Mas para efeito de comicidade é bom . Ele já se tratou comigo durante um período . Problemas de coluna . Mr. Allen , homem de muitos problemas , muito ansioso .”
    Que bom , agora já posso me dizer colega do Woody Allen . Pelo menos de acunpunturista . E de ansiedade .
    “ Por exemplo : eu li que pacientes podem ser completamente anestesiados para cirurgias altamente invasisvas só com a aplicação de agulhas . Mas será que com uma , ou algumas agulhas , nos lugares certos , é possível … matar uma pessoas ?”
    Risinhos de Fu Manchu .
    “ Sem deixar vestígios . Pode parecer que sofreu um ataque cardíaco . Ou uma embolia pulmonar . Ou um acidente vascular . Tudo isso pode ser provocado com as agulhas nos lugares certos . Ou errados “ , mais um risinho chinês .
    “ Mas ervas também podem matar . E por que você quer saber isso ? Um músico que quer escrever um romance policial ? O crime perfeito ?” , e espetou a primeira agulha . Senti um arrepio .
    Mulheres tão bonitas não deveriam ter noivos acunpunturistas . E armados .
    Saí da sessão me sentindo novo , como uma disposição que não tinha antes da crise ciática . Combinei de marcarmos uma sessão semanal , só para a manutenção do equilíbrio . Era melhor prevenir doenças do que remediá-las ou curá-las , ele disse , e me perguntei por que qualquer obviedade na boca de um oriental logo adquire ares de filosofia .
    “ Passe bem . Doença não existe . É só energia parada “ , ele repetiu seu mantra , me levando até a saleta de espera , onde a bela Chai Ling me esperava com a máquina do cartão do cartão de crédito e o panda de louça . E um sorriso estonteante .
    Na semana seguinte , voltei ao consultório , mas ela não estava . Dr. Chan abriu a porta sorridente , como se adivinhando os meus pensamentos . Ou percebendo a minha frustração :
    “ Chai Ling foi passar férias na china , com família, volta fim do verão . Vamos entrar ?
    Até o fim do verão , as sessões se sucederam semanalmente e eu me sentia cada vez melhor . Melhor ainda com as primeiras folhas de outono , quando cheguei ao consultório e encontrei Chai Ling atrás da mesinha , com sua máquina de cartão de crédito e seu panda de louça . E suas pernas ! E seus braços , suas mãos e seus pés ! Seu rosto de máscara de porcelana .
    Estava com os cabelos mais curtos , com uma franja e um corte Chanel que lhe davam um ar mais moderno e elegante . E , surpresa , no rosto muito claro afloravam seus lábios carnudos com um batom rosado que os fazia parecer úmidos , e , talvez , pelos dentes grandes e alvíssimos , jamais se fechavam completamente , pareciam sempre meio entreabertos .
    Na saída , depois que paguei a conta , ela abriu com cuidado uma gaveta , olhou para a porta da sala do dr. Chan , para o cliente que esperava , e colocou rápidamente na minha mão um pequeníssimo panda de pelúcia . E fechou minha mão com as suas .
    “ Trouxe da China para você . Traz boa sorte “ .
    Falou baixo . Talvez para que o cliente na cadeira não ouvisse . A porta da sala se abriu , saudei o dr. Chan com a cabeça e saí . Desta vez tive certeza de que seu sorriso era melífluo .
    Duas semanas depois , a mesma combinação de chuva e vento , que dera início ao meu calvário olfativo , me pegou de novo em mais uma gripe , a primeira do outono .
    Tomei os antigripais de costume e fui para o consultório do dr. Chan para a minha sessão semanal .Cumprimentei Chai Ling e entrei direto : o mestre me esperava com a porta da sala aberta , como sempre , sorridente . Pode ser só impressão , ou culpa , mas senti alguma ironia no rosto dele .
    Quando ouviu minha voz rouca e fanha e minhas queixas da gripe , ele perguntou se eu estava mudando de voz , como adolescentes , e soltou seus risinhos de Fu Manchu , que nunca me soaram tão ameaçadores . E eu sabia bem por quê .
    Deitado de costa , olhando para a lâmpada fraca no teto , vi a sua mão golpear repetidas vezes a minha testa , meu rosto , o alto da minha cabeça , deixando cravadas diversas agulhas nas minhas orelhas , no meu nariz , entre meus olhos , nos seios da face , em toda a área congestionada . Depois distribui o resto ao longo do meu corpo , com movimentos rápidos e precisos , em lugares mais ou menos habituais : eram meus pontos fracos , ele dizia , que precisavam ser estimulados . Mal imaginava , ou será que desconfiava , que o meu fraco era a sua noiva ? Que era ela que me estimulava .
    Quando o dr. Chan voltou à sala e acendeu a luz , me espreguicei na cama , respirei fundo e … senti um cheirinho de álcool , nos algodões que ele usava para desinfetar as picadas das agulhas . E também , muito distante , o cheiro de detergente do lençol . Eu estava sentindo alguns cheiros !
    Nos últimos anos , conformado com meu destino , eu havia aceitado completamente a perda do olfato . Havia tentado de tudo , e o melhor era procurar esquecer , como se eu houvesse nascido assim, continuando a viver sem cheiros . Era um caso perdido , estava completamente resignado e adaptado . E tanto , que nunca havia comentado com o dr. Chan sobre meus problemas olfativos . Gaguejando emocionado , fiz um relato atropelado do meu drama , eu estava me sentindo como um cego que começa a rever a luz . Ou recomeça a ver a luz. Sua resposta foi uma risadinha de Fu Manchu :
    “ Isto é muito fácil de curar . Em três sessões você vai ficar bom “ , ele prometeu , “ marque com Chai Ling “.
    Parecia uma provocação . Ou um duplo sentido . Ou uma advertência .
    Depois de mais duas sessões , não com Chai Ling , mas com o seu noivo , que me aplicou agulhas nos seios da face e no nariz , eu estava curado . Cruzei o Village aspirando fundo o cheiro das pizzas que saíam do forno , das maquinas de café que despejavam expressos fumegantes nas xícaras , o delicioso aroma de fumaça , fuligem , óleo e gasolina que saía dos carros que passavam , das gorduras que derramavam dos kebabs ao fogo . Com os olhos rasos d`água , como um cego que , sim , voltava a ver , aspirei fundo a fumaça do meu cigarro , saboreando-o na boca e soltando-a pelo nariz , senti o aroma doce de um baseado que um negão fumava pedalando uma bicicleta . Quase desmaiei de emoção na banca de flores do coreano . Subi a Quinta Avenida e entrei na Sephora , um imenso supermercado de cosméticos , e experimentei tantos óleos , cremes e perfumes , que me arrisquei a uma overdose olfativa . A vida voltava a ter sabor .
    Estava me sentindo um novo homem , ou pelo menos o mesmo de sempre , mas completo . E a vida entrava pelas narinas .
    A pretexto de iniciar sessões de natação para fortalecer os músculos das costas e prevenir novas crises ciáticas , eu havia pedido a Chai Ling que me acompanhasse á academia , já que ela a freqüentava havia algum tempo , conhecia os professores .
    “ Amanhã às quatro da tarde , na academia “ , me despedi .
    “ Ótimo . Eu estou mesmo com vontade de nadar , me dá uma incrível sensação de liberdade . Mesmo em uma piscina “ , ela sorriu com seus dentes grandes , os caninos levemente tortos , que lhe davam ainda mais charme . Exalava um suave perfume de jasmim .
    “ Amanhã às quatro da tarde na academia “ , me despedi .
    Quando ela sorria com aquela boca rosada cheia de dentes e promessas , fazendo covinhas nas bochechas , seus olhos se apertavam tanto que pareciam fechados .
    “ Vejo você lá “ .
    É difícil manter a compostura ao relatar o impacto que me causou ver Chai Ling na piscina da academia , com um maiô de natação inteiro e colante , vermelho sangue com listras finas em amarelo-ouro , as cores da China . O tecido molhado era leve e elástico o suficiente para revelar um esboço de seus pequenos peitos . A água da piscina era aquecida , mas um vento frio entrava pelos janelões e passeava pelo deque , ondulando a água e eriçando os mamilos de chinesas lindas e proibidas .
    Ao som de música clássica , nadamos lado a lado , mais de uma hora , com pequenas interrupções para que eu recuperasse o fôlego e visse o sorriso molhado dela , que parecia se divertir com a minha falta de prática e habilidade na natação . E quem disse que eu estava ali para nadar?
    O melhor veio depois , tomando sucos naturais no café orgânico da academia , quando ela me disse que , dentro de duas semanas , o dr. Chan iria viajar para o Canadá , para fazer palestras e atender pacientes . E ela gostaria muito de conhecer as montanhas Catskills , a cerca de hora e meia de Nova York . Mas não tinha companhia .
    Eu poderia pular sobre a mesa e agarrá-la , beijá-la e penetr-a-la ali , na frente de todas aquelas pessoas , tal a excitação que me tomava . Mas a acunpuntura estava equilibrando meu organismo , eu estava aprendendo ser paciente , a aceitar minhas limitações e as da vida em sociedade .
    Depois do banho , ela saiu do vestiário com um vestido leve e de cabelos molhados , mais brilhantes do que nunca . Mal saímos da academia , fomos surpreendidos por uma chuva forte . Por sorte , eu estava com uma capa , que foi suficiente para nos abrigar ao longo das poucas quadras que separavam a academia do consultório . Quase abraçados sob a capa , o perfume de pele fresca e de jasmim de Chai Ling me entontecia .
    Quando estávamos quase chegando , um carro passou veloz , tocando rap em alto volume , quase subindo na calçada , e nos deu um banho de água suja acumulada da sarjeta . E pior , ou melhor , quando nos afastamos , abraçados sob a capa , tentando , tentando evitar o banho de lama , nossos lábios se roçaram , e ela apenas sorriu .
    Rindo muito e com as roupas encharcadas , chegamos ao prédio do consultório . Aproveitei os últimos momentos em que seu corpo se mostrava inteiro , muito mais do que com o maiô vermelho , coberto apenas pela malha fina e molhada do vestido que se colava à sua pele e realçava todas as suas curvas e reentrâncias .
    Trocamos alguns e-mails discretos durante a semana . Mandei-lhe umas fotos das Montanhas Catskills , sugestões de pequenas pousadas e chalé , lugares românticos para conhecer , cafés charmosos , lareiras crepitantes .
    Na semana seguinte , o dr. Chan foi para o Canadá .
    E Chai Ling foi para as Catskills , sozinha .
    Espremido entre a gratidão e o medo , nem um canalha nelson-rodrigueano , desses que não respeitam nem a cunhada , poderia ser tão escroto .

    ____________________________________

    Abraços e beijinhos carinhosos .

  11. valdenor de oliveira monteiroem 04 ago 2010 �s 02:42

    Ilustre Dr. Maia, saúde e paz… e demais colegas
    As eleições estão chegando! É muito exíguo o espaço que resta para alguns candidatos fazerem algumas ultrapassagens. A não ser uma daquelas que o campeoníssimo alemão apelou (covardemente) encima do nosso Barriquelo.
    Quando a maioria dos brasileiros escolheu um presidente fora da hereditariedade política, até a própria Natureza revelou suas impressões voltadas para a luz pelos efeitos de um encantamento. Parecia uma fantasia que se exalta em nossa orla sensorial, no exercício de contemplação.. Era o resultado do deslumbramento no choque com a realidade. Mas esta não chegava a ser o alvo dos nossos olhares.
    Contudo, não imaginávamos ficar despidos, logo, logo, daqueles valores humanos, ainda, amarrados naquela esperança que acabava de se realizar. Não aconteciam os compromissos. E a tal redução dessa DESIGUALDADE SOCIAL PERVERSA tão invocada nos nossos corações, estava esquecida. O Poder ofuscava em outras direções, no sentido dele mesmo. Felizmente, ou tardiamente, foi dado o primeiro passo, a Bolsa Família, que não incomodou, inicialmente, pois embutia, ainda, o lema “antes tarde do que nunca”. Veio muito vagarosamente, sem despertar, praticamente, a força hercúlea dos “donos do País.
    E, agora, se constituiu o ponto mais importante dessa competição cívica. Talvez, haja umas falhas no programa desse benefício. Ela está se expondo como uma moeda de leilão. E, também, criou no meio carente, a figura paternalista, que naturalmente, se impregna na fragilidade emocional dos beneficiados, que tendem a manter essa dependência.
    .

  12. valdenor de oliveira monteiroem 11 ago 2010 �s 01:27

    Ilustre Dr. Maia, saúde e paz e demais colegas
    Desculpas por continuar o texto anterior, um pouco tarde, como ninguém postou nada nesse ínterim, e por desejar acrescentar algum detalhe complementar em relação às lindas imagens que ficaram dos comentários, particularmente a sensibilidade da Petra, nas suas expressões literárias e como contadora de estórias, adequadamente escolhidas para realçar as coisas que brilham, se renovam nesse espetáculo do mundo digno de nossa contemplação, enquanto os dados da realidade adversa vão sendo filtrados e, por esse efeito, adjetivando-se com as belezas do mundo. E ao afinar os nossos sentidos, faz deles alvo de seu olhar para conferir que realmente fugimos para dar uim giro de contemplação de alguns instantâneos dessa beleza.
    Até que os julgamentos cheguem……….. …….
    Grato, valdenor

  13. CJem 22 ago 2010 �s 19:33

    O que a maioria não percebeu é que o salário não importa para a maioria desses pobres” e sim o fato de não trabalhar e ao menos sobreviver. Esta é a mesma temática daqueles que procriam para ter filhos(as) sendo prostituídos ou vivendo de vendas no semáforo. Acordem e parem de viver escondidos por trás de suas bancadas enquanto o mundo urge.. Patético.

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