Archive for setembro, 2010

set 30 2010

“O GRAVE PROBLEMA DA PREVIDÊNCIA” ?

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Que “graves problemas da previdência” são esses, tão apontados por Marina Silva no debate? O que significa “resolver o problema enquanto a população está jovem”?

O que significa a Reforma da Previdência tão enfaticamente defendida por Marina?

Ora, o “grave problema” apontado era, justamente, a falsidade do cálculo do déficit. A previdência tem 3 fontes, não apenas empregado e empregador: tem recursos orçamentários. Há o chamado “orçamento da seguridade”.

II

Lamentavelmente, a candidata “ouviu o galo cantar, mas não sabe onde”. Acha que o modelo atual está em crise, e não está. E diz que é nessário implantar o “regime de capitalização” na previdência geral. É um absurdo, é uma idiotice técnica, é a tentativa de resgatar a falência do modelo chileno de previdência.

III

Capitalização significa ACUMULAR ANTES PARA FRUIR DEPOIS. Acumula-se durante a vida ativa para, quando da aposentadoria, utilizar aqueles recursos. No regime atual, que é a REPARTIÇÃO SIMPLES, os ativos pagam os aposentados… e há suplementação orçamentária para que os valores sejam suficientes. Como fica, então, A TRANSIÇÃO DE UM REGIME PARA O OUTRO?

IV

Veja só: se o trabalhador ativo não contribuirá mais para o aposentado, mas capitalizará para si a sua parte e a do seu empregador, DE ONDE SAIRÁ O DINHEIRO PARA PAGAR OS ATUAIS APOSENTADOS? O valor é IMPAGÁVEL. Já foi calculado e é absurdo.

V

Como o Chile fez, então? Ora, DOANDO dinheiro aos bancos, que passaram a administrar a nova Previdência. Foi a grande privatização da previdência chilena.

VI

A proposta, portanto, parte exatamente da premissa tucana de “déficit da previdência”. Convivemos durante os 8 anos de FHC com a falsa acusação de déficit justamente porque excluíam do cálculo várias das receitas fiscais destinadas à Previdência, e computavam apenas a contribuição do empregado mais a do empregador. Para um falso problema, propõe uma falsa solução: a adoção do regime de capitalização, no exato modelo chileno que, por sinal, faliu.

VII

O assessor econômico de Marina é Roberto Gianetti da Fonseca, a fina flor do neoliberalismo brasileiro. É o comentarista econômico preferido da Globo, um privatista sem limites. E daí é que Marina opina pela “independência” do Banco Central. É o chamado “neoliberalismo verde”. Nisso, o neoliberalismo cai bem: o “excesso de desenvolvimento” polui, segundo querem alguns verdes. E o neoliberalismo é especialista em frear o desenvolvimento.

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set 30 2010

ÉRIKA KOKAY

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Há poucos dias, o Senador Cristovam Buarque, de Brasília, esteve na televisão e disse: “Quem conhece Érika Kokay, vota Érika Kokay”.
 
II
É isso mesmo. Érika foi Presidenta do Sindicato dos Bancários de Brasília, há vários anos. Iniciou um trabalho que colocava a entidade sindical a serviço do ser humano  bancário, em todos os aspectos, e não apenas nas questões ditas salariais ou trabalhistas. Um trabalho bonito, uma visão generosa da vida.
 
III
Após, Érika foi eleita Deputada Distrital. Érika se manteve digna, combatendo o lodaçal em que se transformou a Câmara Distrital de Brasília. Atuou fortemente contra os governos corruptos que se sucederam em Brasília. Teve forte atuação oposicionista contra o Governo Arruda, e por isso chegou a sofrer campanha de setores da imprensa ligados a Arruda. Arruda caiu, Érika ficou, cada vez mais forte.
 
IV
Não há bandeira inspirada, generosa, grandiosa, humana, que não tenha contado com a militância generosa de Érika Kokay. Usei, propositalmente, pela segunda vez a palavra “generosa” para me referir a Érika. É que não há palavra melhor para definir essa forma de militância despojada, que não é voltada à conquista de votos, mas à proteção ao ser humano, à solidariedade. Perdi a conta do número de vezes que vi Érika cessar atividades políticas para se dedicar exclusivamente a um caso de injustiça, de alguém precisando de ajuda, que não reverteria voto, que muitas vezes sequer seria divulgado. Acima de tudo está a solidariedade humana, a noção da nossa fragilidade, da forma desesperada como precisamos uns dos outros. Érika traz isso na alma, transbordando uma solidariedade doce, e uma ira vigorosa contra a injustiça.
 
V
Agora, finalmente, é possível votar em Érika Kokay para Deputada Federal. É a única ponta de arrependimento que tenho por não votar em Brasília: não poderei votar em Érika. Votaria, sem dúvida. Pediria votos, bradaria o número 1331. Minha confiança absoluta em Érika Kokay, minha candidata a deputada federal em Brasília.

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set 29 2010

PRIMEIRO NA LEGENDA, DEPOIS NO CANDIDATO

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O sistema eleitoral brasileiro tem uma curiosidade no que se refere às chamadas eleições proporcionais, ou seja, para deputados federais, estaduais e vereadores. O voto conta duas vezes: a primeira, para a legenda ou coligação; a segunda, para o candidato.
 
II
É uma característica, provavelmente uma característica boa. O seu voto, portanto, pesa primeiro na legenda, para fortalecer o partido político, e, após, pesa para o seu próprio candidato. É muito freqüente que o nosso candidato não seja eleito, mas sim outro, da mesma legenda.
 
III
A idéia é boa. A organização da política brasileira é por partidos políticos. Muito justo, portanto, que o voto seja computado para o partido. O problema é que não temos partidos mais ou menos definidos do ponto de vista do programa. A rigor, há uma geléia geral, onde a confusão mais evidente é o PMDB: há desde a extrema esquerda até a velha direitona lá dentro. Qual o perfil do PR, por exemplo? Não sei. Então, o problema passa a ser esse leque imenso.
 
IV
Sei em que vou votar para Presidente, sei em quem vou votar para Senador. Mas ainda não sei em quem votarei para Deputado Federal e nem para Deputado Estadual. A propósito, voto no Rio Grande do Sul.
 
V
O problema é que nas últimas eleições votei no meu candidato e, evidentemente, meu voto computou também para a legenda dele. Um dos deputados daquela legenda votou pela liberação dos transgênicos, o que eu considero um crime contra o Brasil e contra a natureza. Quero evitar que isso ocorra novamente. Quero evitar que o meu voto, por via transversa, se volte contra o que eu quero.
 
VI
O problema é que meus interesses não estão, apenas, na questão dos transgênicos. Não quero uma reforma da previdência absurda, calcada em falsas premissas, que impute falsos déficits porque retira recursos orçamentários da previdência. Quero, de outra parte, uma reforma agrária moderna, que facilite o ingresso do Brasil no grupo de países desenvolvidos, de economia avançada. Quero educação pública gratuita com escola em tempo integral para primeiro e segundo graus. Quero o fortalecimento da universidade pública. Quero, sim, mecanismos de garantia no emprego, que façam com que as demissões não se dêem ao humor do empregador, mas que exijam critérios. Quero o fim do fator previdenciário, o fim do cálculo proporcional das aposentadorias. Quero uma previdência complementar justa, calcada no Benefício Definido, que garanta o futuro, o benefício contratado, que proteja as famílias. Quero uma previdência complementar com características de previdência, e não de mera jogatina, não de mera especulação financeira, mas voltada, sim, ao desenvolvimento do País. Quero uma política de proteção às riquezas do subsolo – dimante, ouro, urânio, nióbio, para que revertam para o Brasil, para os brasileiros. Quer um Plano Nacional de Ferrovias, que mapeie todo o território nacional, estabeleça como deve ser nossa malha ferroviária, e aparte recursos orçamentários para que possa ser, à medida do possível, construída.  E isso é apenas o começo, sem falar em programas sociais, sem falar no fortalecimento da economia nacional, na baixa da taxa de juros, e por aí afora.
 
VII
E aí é que está meu problema: não posso votar no mesmo candidato que votei nas últimas eleições porque meu voto ajudará a eleger outro candidato, e esse outro não tem os mesmos compromissos que o meu.
 
VIII
Significa dizer: vou ter que, primeiro, escolher uma legenda que contemple as minhas preocupações. E, após, escolherei um candidato dessa legenda a quem destinarei o meu voto. Assim, não haverá risco de votar contra mim mesmo. De nada adianta eu votar no meu candidato, que partilha da minha opinião a respeito daqueles temas que exemplifiquei, e ajudar a eleger outro, do mesmo partido, que pensa exatamente o contrário. Se eu fizer assim, meu voto estará anulado: de um lado, um bom candidato; de outro, com o mesmo voto, estarei ajudando a escolher exatamente o contrário.
 
IX
Então, repito: anda não tenho candidato nem a Deputado Federal, nem a Estadual. E, neste ano, não vou cometer o mesmo erro, o de permitir que meu voto fortaleça quem, no momento seguinte, irá me trair.

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set 29 2010

SERRA: “HÁ PESQUISAS COMPRADAS”

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Da página eletrônica do TERRA -

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Serra minimiza queda de Dilma e dispara: “há pesquisas compradas”

Mesmo após um tímido recuo de sua adversária Dilma Rousseff (PT) registrados pelos institutos de pesquisa, o candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, voltou a criticar os levantamentos e se mostrou confiante em chegar ao segundo turno. Questionado sobre a queda de Dilma, disse: “Eu não me oriento muito por pesquisas. Você já foi pesquisado?”, indagou, durante coletiva de imprensa.

“Há pesquisas compradas e pesquisas sérias. A minha dúvida é sobre metodologia, sobre como conseguir captar uma coisa tão fluida como o ânimo do eleitor, especialmente com as características deste processo eleitoral”, disse.

O tucano disse que suas dúvidas não implicam naturalmente na existência de “uma indústria de mentira”, mas que há “limitações em pegar a subjetividade humana”.

Comparando as campanhas de 2002, quando acabou derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e 2010, Serra disse que “nessa época, ninguém achava que eu iria ao segundo turno. Achavam que eu teria 30% e acabei tendo 40%. Na eleição para a prefeitura de São Paulo, achavam que Marta ia levar no primeiro turno e eu ganhei”, lembrou. “Acho que vamos ter segundo turno. Uma batalha até o dia 31 de outubro”, profetizou.

Questionado se mudaria algo em seu desempenho num eventual segundo turno, o tucano negou. “Para mim, é só manter a forma física, como fiz até hoje. Espero que vocês (jornalistas) aguentem”. Logo em seguida, brincou com os jornalistas: “está todo mundo querendo que termine no primeiro turno!”.

Serra garantiu que não estão previstas alterações de rumo em sua campanha. “Vocês sempre acham que há grandes estratégias. Não é bem assim. As coisas não funcionam desse jeito”, disse. “É menos planejado do que a imprensa imagina”, completou.

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set 28 2010

O PARTO

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É impossível não chover em Brasília. Hà 3 dias que o tempo fecha, o calor fica insuportável, venta… e não chove. O final de seca se assemelha a um doloroso parto. E a chuva não veio, até agora.

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set 28 2010

AS MANIPULAÇÕES DE VÉSPERA

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O Datafolha resolveu seguir, ainda no início do processo eleitoral, o caminho da desmoralização. Seu primeiro ato foi, uma semana antes do lançamento da candidatura de Serra, apontar uma expressiva subida da candidatura. Nâo houve qualquer fato, qualquer exposição, qualquer notícia  que justificasse a subida. O Datafolha achou, tão somente, que a candidatura de Serra não poderia ser lançada em clima melancólico, e jogou os números para cima.
 
II
Em um segundo momento, o Datafolha resolveu simplesmente ignorar os demais institutos de pesquisa que mostravam tendência de Dilma vencer no primeiro turno. Pior ainda: o Datafolha lançou a polêmica de que os OUTROS institutos poderiam estar manipulando resultados. Em outras palavras, saiu na frente gritando “pega-ladrão”.
 
III
E a Folha de São Paulo se notabilizou por várias manipulações: a primeira, divulgando uma falsa ficha policial de Dilma. Manteve a farsa no ar durante alguns dias, até ser desmoralizada. Depois, colocou em manchete que Dilma havia tirado 1 bilhão do povo brasileiro, ou coisa parecida. No dia seguinte, em letras miúdas, resolveu esclarecer que era a aplicação de uma lei do tempo de FHC. Agora, há poucos dias publicou matéria completamente deturpada sobre a análise das contas de Dilma pelo Tribunal de Contas do RS. A Folha omitiu que as contas haviam sido aprovadas. Omitiu dolosamente, manipulando como vem fazendo durante todo o processo eleitoral.
 
IV
Agora, sai uma pesquisa do Datafolha que busca apontar uma súbita modificação no quadro eleitoral. É a tentativa final de levar para segundo turno as eleições. Aponta uma suposta queda de Dilma em 3 pontos percentuais, e um crescimento de Marina. Os institutos de pesquisa utilizam uma medição diária denominada “tracking”. É por ali que mensuram a variação das candidaturas, dos seus índices. E os diversos tracking nada apontaram em relação a eventual queda de Dilma ou, mesmo, migração de votos de Serra para Marina.
 
V
Na pesquisa anterior, o Datafolha havia se limitado a manipular no limite da margem de erro. Agora, chegou a vez do tudo ou nada. Hoje, o Datafolha. A seguir, aguarda-se para ver qual será  a reação do Ibope. Pouco importa o que digam Vox Populi e Sensus, os jornalões já têm o que publicar.
 
VI
A rigor, o serviço sujo fica a cargo do Datafolha. Aos demais, cabe apenas repercutir,divulgar o que o Datafolha fabricar.
 
VII
Nâo há problema em a imprensa tomar partido. Deveria fazer isso às claras, sempre. O Estado de São Paulo fez isso há poucos dias, embora com um  Editorial semeando o terror, ao pior estilo de 64.  Não teve coragem de dizer que era a favor de Serra. Achou mais confortável semear o terror e dizer que é preciso evitar, a qualquer custo, a terrível vitória de Dilma. Discurso do medo, discurso de manipulação. Mas a Folha sequer assumiu isso. A Folha continua fazendo de conta que faz jornalismo. Não faz. É um órgão de distorsão, de manipulação, de semear confusão. É um jornal ideológico que ouve apenas quem lhe interessa: os que divulgam falsos déficits da previdência, os que propagandeiam reformas para “diminuir o custo da mão-de-obra”, os que querem diminuir benefícios sociais, os que querem aviltar as condições de trabalho, os que querem privatizar o petróleo.
 
VIII
Até domingo será assim. Depois, tão somente creditam o resultado a “mudanças do humor do eleitorado ocorrido na última hora”. E ficam impunes.

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set 28 2010

O EXERCÍCIO DA AUTORIDADE E O SEU ABUSO

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Foi no momento do impeachment, em 1992, que o País redescobriu o Ministério Público. Ali se apresentou uma nova geração, particularmente de Procuradores da República, a atacar casos de corrupção.
 
II
Começou uma nova fase. A visão anterior do Ministério Público era diferente. O MP, no Brasil, era visto como o braço da ditadura para mover ações contra os perseguidos políticos. É claro: a ordem jurídica era perversa; a legislação, autoritária. Cabia ao Ministério Público fazer cumprir aquela legislação autoritária. E muitos se prestaram maravilhosamente àquele papel.
 
III
Passado o momento do impeachment, em 92, ainda perdurou o fascínio pelo MP, exatamente em virtude dos jovens procuradores que se apresentavam à socieade. Mas havia, e ainda há, vícios no Ministério Público, inércia. Há falta de procuradores, de promotores, mas em boa parte dos casos o que há é falta de mecanismos de cobrança, que apontem a produtividade, a dedicação às causas e à profissão. Não raro o papel do Procurador ou do Promotor é apenas o de exarar pareceres, as “cotas”, em processos, não raro de uma superficialidade gritante.
 
IV
No caso Aerus, por exemplo, deveria ser instalado inquérito civil público, em Brasília, tão logo a ação foi para o primeiro parecer do MP. Isso não aconteceu. Ao contrário, o Ministério Público opinou pela ILEGITIMIDADE ATIVA do Sindicato para mover a ação em defesa dos participantes do Aerus. Em outas palavras, o Ministério Público não agiu, e também não queria que o Sindicato agisse. Também no que se refere ao Aeros, onde o Ministério Público obrigatoriamente atua na ação, também na CAPAF, fundo de pensão do BASA. Todos têm ações que foram ao Ministério Público. Caberia ao Ministério Público dar início a procedimentos investigatórios, por si mesmo. E assim não ocorreu.
 
V
Ou seja, já ultrapassamos o período de endeusamento do Ministério Público. E está aí, hoje, com suas fraquezas à mostra, frequentemente com sua inércia, com a falta de mecanismos de aferição da produtividade dos seus procuradores, não raro com pareceres de uma superficialidade deprimente. O Ministério Público, pois, é outro órgão que precisa se repensar, que precisa reconquistar o respeito que já teve há poucos anos.
 
VI
Essa foi uma longa introdução para falar da vice-procuradora geral eleitoral Dra. Sandra Cureau. A referida senhora perdeu completamente a dimensão do seu cargo e, portanto, perdeu a autoridade. É mais grave do que isso, ainda: há nítido abuso de autoridade por parte da referida vice-procuradora geral eleitoral. Há poucos dias, resolveu requisitar à revista Carta Capital cópia de todos os contratos de publicidade da revista com o governo federal desde o ano de 2007. Nada pediu à Veja – que tem contratos milionários com o governo de São Paulo, à Época, à Folha de São Paulo, ao Estadão, à Globo. Requisitou à Carta Capital. A Carta, por sua vez, olhou qual a origem disso tudo: uma denúncia anônima. E o STF já pacificou que denúncia anônima não é base suficiente para mover o Ministério Público. Mas a Dra. Cureau fez isso, e expôs o Ministério Público ao ridículo.
 
VI
Ontem, foi pior. A mesma Dra. Sandra Curea dá entrevista à Folha de São Paulo e diz que “Lula quer eleger sua sucessora a qualquer custo”. Qualquer custo, como? Lula está fazendo campanha para Dilma fora dos comícios? Está usando a máquina pública? Ou tão somente tem ido aos comícios, aparecido na propaganda eleitoral e pedido votos para sua candidata? E é a mesma Dra. Cureau quem cita “o manifesto”, ou seja, um manifesto insano, golpista, de uma reunião ocorrida na semana passada e que reuniu a fina flor da UDN, do reacionarismo. 
 
VII
A questão é: enquanto a máquina pública não for utilizada – e não houve denúncia concreta de que esteja sendo – o Presidente da República tão somente declara o seu apoio e pede votos à sua candidata. O problema todo está no peso desse apoio, o de alguém que tem 80% de votos. O inconformismo da Dra. Sandra Cureau, e de mais gente, é com relação à popularidade de Lula. Só que popularidade de 80% não é proibida. Lula tem essa popularidade e direciona à sua candidata. É diferente de FHC, que praticamente foi escondido por Serra em 2002, quando estava na Presidência da República. Serra não queria sua imagem vinculada a Fernando Henrique, e continua não querendo, e todos sabem os motivos. O mais curioso: a campanha de Serra sequer faz comício. Nunca vi disso. Até a UDN fazia: comícios pequeninos, fechados, mas fazia. Então, fica difícil querer transferir votos se sequer comício há.
 
VIII
Dra. Sandra pode votar em quem bem entender. Sua declaração, agora, à Folha, deve ter conseqüências. Se simplesmente critica o empenho de Lula em eleger sua candidata, está exorbitando de suas funções. Não cabe à Dra. Cureau tecer considerações políticas, manifestar simpatia ou antipatia. A autoridade pública deve ser a lei em ação, a lei em movimento, tão só. Se sua declaração, diferentemente, aponta no sentido de alguma ilegalidade, deve imediatamente agir. Só que não agiu, nada fez. Portanto, fica no plano da crítica. Nâo cabe à autoridade pública simplesmente fazer a crítica sem conseqüência. Ou age, ou é leviana.
 
IX
A ação do Ministério Público, no júri, frequentemente é comparada à atuação do Inspetor Javert, de Victor Hugo, o perseguidor de Jean Valjean. Jean Valjean roubou um pão, e foi perseguido implacavelmente e por vários anos por causa disso. Ao Inspetor Javert nada interessava, a não ser perseguir. Na oratória do Júri, frequentemente é referido “Complexo de Javert”, a perseguição exacerbada, o uso da autoridade fugindo do princípio da impessoalidade, exorbitando dos meios normais, dos meios razoáveis. Ossos do ofício, a missão do Ministério Público nem sempre é a mais simpática: pauta-se pela defesa da lei, acima de tudo.
 
X
Aqui, em Brasília, no escândalo de Arruda, a denúncia era a de que o chefe do Ministério Público do DF, que é um ramo do Ministério Público Federal, recebia 150 mil reais ao mês para não mover ações contra o governo Arruda. Outra Procuradora do DF também foi denunciada, e em sua casa foi encontrada uma quantidade imensa de dinheiro vivo. Agora, no Mato Grosso do Sul, há denúncia envolvendo o Ministério Público também em situação semelhante, a de receber dinheiro para fechar os olhos. Um absurdo, porque se trata exatamente da autoridade que deve fiscalizar, que deve mover ações contra a corrupção nos demais poderes. A autoridade fiscalizadora, pelo que consta das denúncias, foi corrompida nesses dois casos.
 
XI
O limite da autoridade é a lei. A autoridade só existe dentro da lei. A autoridade só é autoridade quando está a serviço da lei. Tudo o que desbordar da lei, tudo o que desbordar dos princípios constitucionais, e for feito a pretexto do exercício da autoridade, é abuso de autoridade. Abuso de autoridade é a negação da autoridade. Não há nada mais grotesco do que ver alguém, distinguido socialmente por exercer cargo de autoridade, valer-se da autoridade que lhe foi outorgada pela República para negar os princípios da República, para sobrepor-se. É grotesco, é usurpação de poder. O poder não lhe foi concedido para isso, mas para fazer valer a lei. 
 
XII
Dra. Sandra Cureau ultrapassou a linha, e não é de hoje. Que o Ministério Público não caia na tentação do corporativismo, o que tornaria a todos partícipes do abuso. 

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set 27 2010

TIRIRICA

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Quando soube da candidatura de Tiririca a deputado federal por São Paulo, senti uma revolta. Lembrei do elenco de candidatos folclóricos que surge a cada eleição. Depois, comecei a pensar um pouco mais no assunto.

II

Creio que a militância política de Tiririca é praticamente nula. E é nula, também, a militância política de qualquer filho de banqueiro, ou de político, que subitamente se arvore defensor do povo e busque um mandato eletivo. Ou de qualquer apresentador de televisão, ou de qualquer comentarista de televisão, que busque mandato eletivo.

III

Ou seja, até aí, nada de mais. Quanto à profissão de Tiririca, é a de fazer rir, diferentemente de outros cuja profissão é tão somente a de fazer sofrer.

IV

Há uma dose brutal de preconceito contra a candidatura de Tiririca. Quanto ao apresentador ou apresentadora de televisão, que nunca teve opinião, ou apenas reproduziu a opinião de sua grande emissora, nada é dito. Quanto ao cantor, nada é dito. Quanto à socialite que busca se candidatar, nada é dito. Quanto ao ex-jogador de futebol, nada é dito. Tiririca, no entanto, é de origem humilde, é desdentado, e agora surgem rumores sobre seu suposto analfabetismo.

V

Foi isso o que me levou a escrever sobre Tiririca, hoje. Foi noticiado que um Promotor Eleitoral pedirá em juízo que Tiririca seja submetido a um teste, a um DITADO e leitura. O Tiririca, o desdentado, a depender do Ministério Público, talvez tenha que se submeter a um ditado, à humilhação pública. Por que não exigir ditado de Maluf, então? Por que não mandar Maluf escrever 200 vezes a palavra honestidade? Por que o teste é destinado exclusivamente a um desdentado?

VI

Essa notícia, a do Promotor, é que me levou a escrever sobre Tiririca. Pretendemos construir uma democracia. Em uma democracia, todos têm o direito de pleitear ser candidatos, o que dependerá do partido político escolhido. É provável que alguém, visando engrossar os votos da legenda, tenha convidado Tiririca, e ele tenha aceitado. Está dentro das regras atuais, não é esse o problema da nossa democracia. Lembre-se de Schwarzneger na Califórnia, por exemplo.

VII

Fiquei revoltado com as notícias do “ditado”. Fiquei com pena de Tiririca. E acho que essa notícia vai despertar solidariedade a ele, e que seu número de votos cresça ainda mais. Creio, sim, que pode haver dignidade naquele homem, que pode vir a ser um bom parlamentar. E digo mais: entre votar em Tiririca, e votar no Deputado Federal Paulo Pimenta, do PT-RS, mencionado no tópico anterior, que votou a favor da liberação dos transgênicos, não tenho a menor dúvida: votaria em Tiririca.

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set 26 2010

TRANSGÊNICOS: PARA RECORDAR ÀS VÉSPERAS DAS ELEIÇÕES

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Foi no governo Lula que o Brasil se transformou no paraíso dos transgênicos. Durante o governo FHC, as autorizações para plantio eram dadas de forma provisória. No governo Lula, o tema veio, primeiro, por medida provisória, o que é absurdo; a seguir, pela votação daquela medida no Congresso Nacional.

II
Foi aprovado o plantio da soja transgênica. O grande problema dos transgênicos não é a modificação genética da planta, tão somente, cujas conseqüências desconhecemos. O grande problema é que essa modificação e feita para que a planta suporte uma dose CINCO VEZES maior de herbicida. No caso, é o glifosato, fabricado pela Monsanto.

III
O glifosato é um derivado do agente laranja, utilizado pelos EUA na guerra do Vietnã. O mesmo glifosato é utilizado nas pulverizações de lavoura de coca feitas na Colômbia. É tão poderoso que nada sobrevive, a não ser aquilo que foi geneticamente programado para suportar altíssimas cargas tóxicas.

IV
E isso vai para a água subterrânea. Lembremos do aquífero Guarani, exatamente abaixo das grandes lavouras de soja transgênica. E por que tudo isso? O Brasil não conseguia produzir soja, a não ser a transgênica?

V
A soja é um sucesso no Brasil há muito tempo. Curiosamente, foi a pedido do então governador do RS, Leonel Brizola, ao então Presidente da República, Jânio Quadros, que o Banco do Brasil passou a financiar o plantio da soja. De lá para cá, só cresce. Então, por que admitir o plantio de soja transgênica?

VI
Não é do interesse do povo, não é do interesse do consumidor, é contra a natureza. Então, por que? Exclusivamente, porque interessava para a Monsanto.

VII
O agricultor compra a semente geneticamente modificada, fabricada pela Monsanto. A seguir, compra o glifosato, também fabricado pela Monsanto. E, quando colhe, é obrigado a pagar royalties à Monsanto. Ou seja, é tudo mais caro, e o agricultor fica o tempo todo nas mãos da Monsanto. Então, por que foi autorizado?

VIII
Mas foi ainda pior. Na mesma medida provisória foi aprovado o plantio do algodão transgênico – claro, da Monsanto. E foi diminuído o quorum do CTNBIO, o órgão governamental que autoriza ou não novos transgênicos, para facilitar a infestação de mais transgênicos no País.

IX
Qual o interesse público, qual o interesse do povo? Nenhum, nenhum. Não serviu à natureza, não serviu ao povo.

X
Aquela medida provisória foi relatada pelo Deputado Federal Paulo Pimenta, do PT-RS. Para lembrar daquele episódio, clique aqui.

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set 26 2010

O DEBATE DOS MELHORES DO MUNDO…

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Já que ainda é domingo, “Os Melhores do Mundo”, um grupo excelente aqui de Brasília, com seu “debate político”.

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