Archive for dezembro, 2010

dez 31 2010

O FUTURO QUE CHEGA

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Foi um ano de muita expectativa, onde o debate político acabou se sobrepondo. Alguns dos nossos se foram, a grande maioria permanece cheia de vontade de construir um mundo melhor.
Já chegou 2011 em boa parte do mundo. Que o futuro esteja chegando risonho, carregado de saúde, de vitórias, de felicidade e abastança.
Feliz 2011!

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dez 31 2010

Julian Assange: o homem de 2010

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Impossível terminar o ano sem falar de Julian Assange. Fundador do Wikileaks, projetou aquela página eletrônica ao mostrar o extermínio de civis a partir de rajadas lançadas de helicóptero americano no Iraque, e que matou, dentre outros, dois jornalistas da Reuters.

A partir dali, começaram os vazamentos de telegramas da dilomacia dos EUA, demonstrando a grande diferença entre ter uma diplomacia de carreira, como é no Brasil, e ter um prêmio aos financiadores de campanha e compadres, como é nos EUA.

Com o Wikileaks, uma das principais promessas da internet é realizada: a da democratização das informações. Até agora, mesmo a internet vivia sob o domínio da informação oficial, de governos, serviços de informação e contra-informação, da grande imprensa.

A Suécia, tida como democracia exemplar, resolveu processar Julian Assange. A acusação: fazer sexo sem usar preservativo, com o consentimento de duas mulheres. Ou seja, a Suécia a serviço da CIA. No rastro, as grandes corporações norte-americanas tentaram asfixiar o Wikileaks negando o acesso aos sistemas de Cartao de credito que permitiam as doações que permitem a continuidade do Wikileaks.

Aí, portanto, um registro necessário, ainda no ano de 2010.

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dez 30 2010

AS CONCILIAÇÕES

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É dever do juiz promover a conciliação. Está no CPC, deve ser sempre oportunizada a possibilidade de “autocomposição”. Às vezes é possível, na Justiça do Trabalho acontece com mais frequência, principalmente em causas com valor baixo. Na verdade, em boa parte dos casos é uma injustiça: o sujeito faz as contas do quanto gastará indo a mais duas ou três audiências e oferece aquilo.

II

De qualquer maneira, também é dever do advogado contribuir para que as partes se componham. Então, fica feito o registro.

III

No entanto, fico irritado em ver campanhas do Judiciário, particularmente do Conselho Nacional de Justiça, pela conciliação. Já houve, inclusive, semanas de conciliação, com audiências convocadas especificamente para isso. Em boa parte dos casos, absolutamente inúteis. Para o devedor, principalmente se for um banco, vale mais a pena girar com o seu dinheiro do que fazer acordo.

IV

O que me irrita, no fundo, é o Judiciário pedindo que a população faça o seu trabalho – o trabalho dele. Por que não uma campanha pública dizendo a quantidade de juízes necessária para dar conta do trabalho, a necessidade de assessores, de escrivães? Até mesmo a necessidade de desdobrar tribunais, como é o caso do inviável TRF da 1ª Região, que colhe, por exemplo, o DF, Goias, Tocantins, Bahia, Minas Gerais e todo o Norte.

V

Mas não. a impressão que dá é que alguém pisa no seu pescoço, você corre atrás do Judiciário para pedir socorro, e o Judiciário faz um apelo para que pescoço e coturno cheguem a um acordo. Parece, no fundo, a confissão de falência do modelo e o apelo às partes para que resolvam aquilo que o Estado campeão de arrecadação de impostos dentre os ditos emergentes não consegue resolver.

VI

Agora, vem a proposta de um novo CPC – Código de Processo Civil. É anunciada a diminuição dos recursos. Poderemos recorrer menos, portanto. Isso nós, claro, pessoas físicas, associações, sindicatos. União, Esados, municípios, não. Esses inventam seus próprios recursos a cada momento, como foi o caso da União na época das privatizações, como é o caso, por exemplo, de conseguir levar ao STF aquilo que sequer foi julgadem um colegiado em instância inferior.

VII

E pior: e se perder, simplesmente não pagar, como ocorre com Estados e municípios. Os tais precatórios nunca honrados.

VIII

Quando se fala em diminuição de recursos, é contra nós: povo, sindicatos, associações, nunca contra a União, Estados e municípios.

IX

Essa diminuição de recursos, a rigor, já houve. o STJ julga o que bem entender. Há os chamados “carimbos-padrão”: “Recurso Especial não se presta a reolver matéria de fato; não se presta a revolver provas”. Mesmo que não se trate disso, está o carimbo-padrão a ensejar outro recurso: o agravo regimental e, a seguir, os embargos de declaração. E mais: “o recurso especial não se presta à análise de cláusula contratual”. Sim, mas se o que eu quero é impor a lei sobre um contrato ilegal? Aí é outro convencimento. E no STF não é tão diferente.

X

Veja que esses filtros são estabelecidos contra o cidadão comum, contra sindicatos, contra associações. União, Estados e municípios levam à exaustão. E, no caso de estados e municípios, simplesmente não cumprem a decisão e fica por isso mesmo.

XI

Um novo CPC com menos recursos significa perpetuar o mau julgamento, o julgamento injusto, impedir que as partes recorram do que não está correto. Tive um julgamento, há algum tempo, em um tribunal de outro Estado, em que o acórdão não citou UM artigo, UM inciso, UMA alínea, um decreto, uma lei, a Constituição Federal, nada. Simplesmente o desembargador deu sua solene opinião e mais nada. Não aplicou a lei ao caso. Deu sua opinião sem citar um artiguinho que fosse. Pelo novo CPC proposto, teria que me conformar àquela verdadeira falta de julgamento.

XII

Talvez seja essa a idéia do novo CPC: conforme-se e, de vez em quando, compareça a uma audiência de conciliação onde o pescoço negociará com o coturno. Há crise no Judiciário, sim, e há crise no andamento de processos. Mas não está no excesso de recursos das pessoas físicas, dos sindicatos e das associações. Está em julgamentos superficiais, em pareceres pífios do Ministério Público, na falta de estrutura, de juízes de funcionários, na falta, mesmo, de comprometimento com a vocação de decidir. Está na nomeação de peritos de pouca competência, experiência, e às vezes de pouca honestidade. É preciso aperfeiçoar a cultura do Judiciário, restabelecer sua autoridade, sua força. Restabelecer o respeito que todos devemos ter pela Justiça. Justiça é decidir, mandar, resolver, não implorar que as partes decidam por elas mesmas.

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dez 30 2010

SOBRE O AUMENTO DOS PARLAMENTARES

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Houve chiadeira, há pouco, com o aumento dado pelos parlamentares para si próprios e também para o salário de Presidente da República.

II

O salário de Presidente da República era ridículo: algo próximo a 12 mil reais. Quanto ao salário dos parlamentares, vale uma observação.

III

O salário só é importante para parlamentar honesto. Esses é que dependem do salário para sobreviver. É há, sim, parlamentar de colarinho puído e terno pedindo troca desde a legislatura passada.

IV

Certa vez, Alexandre Garcia comentou sobre a carta de vinhos de um famoso restaurante em Brasília, onde há garrafas custando 12 mil reais. Perguntou ao sommelier se havia quem os consumisse. A resposta: alguns parlamentares. E como pagam? Com cartão de crédito e pedem uma nota.

V

E a nota vai para o financiador de campanha. Ou seja, o financiador não é só da campanha, mas da vida do parlamentar desonesto. Vira um funcionário não do povo,  mas um assalariado do seu financiador.  Não raro, um moleque de recados de seu financiador. Em épocas de CPI já houve casos mais graves: denúncia de que, se o empresário não pagasse a determinado parlamentar, seria chamado a depor em algo que nada tinha a ver. Tudo para queimar a imagem da empresa e do empresário.  Banditismo explícito.

VI

Daí porque, com minhas desculpas, não tenho essa indignação toda contra esse auto-aumento dos parlamentares. É que, a rigor, mudará a situação apenas dos honestos, dos que efetivamente precisam daquele dinheiro para sobreviver, dos que não contam com “doações periódicas” injustificáveis. Ou seja, o aumento, na verdade, só é importante para os parlamentares honestos.

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dez 30 2010

SOBRE O CASO BATISTI

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Emborã não oficialmente, a imprensa afirma que será cofirmada a permanência de Cesare Batisti no Brasil.

II

A decisão do STF foi confusa. Foram necessárias 3 votações para que não se chegasse a lugar algum.

III

Imagine a cena: Cristina Kirschner liga para Lula pedindo asilo em virtude de golpe militar. Lula diz: espere um pouco porque primeiro tenho que pedir autorização para o STF. A hipótese é absurda. A concessão de asilo – não só de asilo – é prerrogativa do Presidente da República. Idem em relação à simples extradição.

IV

E onde fica a competência do STF?  Tão somente no chamado controle da “razoabilidade”, ou seja, se um doido oferecer asilo ao chefão do Cartel de Cali, por exemplo, caberá ao STF exercer o controle da razoabilidade. Há, no Direito Administrativo, o juízo de “conveniência e oportunidade” da administração pública, sobre o qual não interfere o Judiciário desde que não haja abuso.

V

No caso Batisti, houve um julgamento completamente absurdo na Itália: seu nome não aparecia no primeiro momento. No momento seguinte, os então presos, e que já tinham confessado, fazem um acordo de delação premiada e levantam o nome de Cesare Batisti. Essa é apenas uma das curiosidades. A partir daí, começam as irregularidades, a começar pela defesa comum por advogado que defendia interesses contraditórios.

VI

Concessão ou não de asilo, ou negativa de extradição,  nunca mereceu essa atenção toda. Stroessener, ex-ditador do Paraguai, morou aqui no Brasil, mais especificamente em Brasília, no Lago Sul. E ficou por isso mesmo. No caso italiano, o que houve foi tão somente a tentativa de vincular a sua imagem – um suposto terrorista – à de Dilma, uma assumida militante de organização de esquerda contra o golpe militar de 64. Duas questões completamente diferentes, mas que serviam à bandeira de agitar o medo contra Dilma.

VII

Em outras palavras, o caso Batisti não teria qualquer repercussão se não houvesse uma eleição onde a candidata de situação era acusada, injustamente, pela imprensa de “terrorista”. Guerrilha é uma coisa, terrorismo é outra. O caso Batisti é banal e será absolutamente justo, e soberano, que o Brasil decida não entregá-lo à Itália.

VIII

Agora, mais justo ainda que o Brasil não entregue Batisti, a partir das declarações do ministro de defesa da Itália, em tom ameçador, de que “ninguém deve imaginar que um ‘não’ à extradição não deve gerar conseqüências”. Ora, a Itália, hoje, é a bola da vez logo atrás de Portugal e Espanha no que se refere a uma possível quebra econômica. É um País em profunda crise econômica, governado por uma figura ridícula como Berlusconi. Hoje, a Itália é um país risível.

IX

A negativa de extradição de Batisti é legítima, e é da competência do Presidente da República. O resto é agitação tardia de uma eleição que já passou.

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dez 30 2010

BREVE BALANÇO I

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Está findando a chamada “Era Lula”. Algumas considerações a ser feitas.

II

Já disse, em outra oportunidade, que a salvação de Lula foi a crise do “mensalão”. O que era meramente um governo neoliberal com pitadas de caridade se transformou. Era o amigo da Globo, dos grandes órgãos de comunicação. Era, enfim, o novo príncipe do neoliberalismo: taxas de juros altas, o mero continuísmo do governo FHC. A crise de 2005 transformou os novos amigos naquilo que sempre foram: a aristocracia que mal e porcamente tolerava um operário na Presidência da República. E ali chegou o momento de tentar derrubar.

III

Por sorte, por milagre, seja lá o que tenha sido naquele momento de torpor coletivo governamental, parece que alguém viu que os novos amigos — a Globo, a grande imprensa – resolveram abrir mão da nova amizade e, se possível, derrubar o governo. Na verdade, a idéia sequer era derrubar, mas a de “sangrar” Lula até a anemia profunda, deixando-o impossibilitado de tentar a reeleição. A sangria não foi suficiente. E foi possível a Lula disputar o segundo mandato.

IV

Foi ali, na crise do mensalão, que o governo mudou pela primeira vez. Os “novos amigos” eram um peso, e, a bem da verdade, também alguns velhos amigos que foram defenstrados no decorrer da crise. Ali foi o momento, também, em que o governo ganhou uma executiva pública que mostrava talento político. Dilma começava a aparecer ali.

V

Por incrível que pareça, a partir do mensalão o governo ficou mais livre. Na verdade, a partir do segundo mandato de Lula. Por fim, com a crise mundial de 2008 viu-se que os países que seguiram à risca a receia neoliberal e praticamente não tinham empresas estatais, nos modelos BB, CEF, Petrobrás, não dispunham de instrumentos para acelerar a saída da crise. Viam-se obrigados a injetar dinheiro na economia por intermédio de bancos quebrados. Ali o Brasil passou a caminhar com o passo ainda mais firme. E houve o PAC para direcionar os investimentos estatais, para aquecer a iniciativa privada.

VI

É preciso registrar o sucesso do PRO-UNI, o aumento de 15 milhões de trabalhadores com carteira assinada. É necessário, ainda, citar o feito extraordináro: o ingresso de 20 milhões de pessoas, ou seja, mais de 10% da população na classe-média, vindas da fronteira da pobreza. Isso é um feito, isso não pode ser escondido. 20 milhões de seres humanos que ingressaram na classe média. No mesmo esforço, em 10 anos acaba a miséria no País. Em síntese, os dados sociais melhoraram de uma forma inegável, ao ponto de José Serra querer na sua campanha demonstrar que era mais lulista do que Dilma.

VII

E houve o novo modelo do pré-sal. O anterior era uma doação do nosso subsolo: quem comprava, levava tudo. E a Petrobrás chegou a ser impedida de disputar licitações, quando foi colocado teto para a arrematação de blocos.  E isso, essa insanidade,  ocorreu no governo Lula, com a Agência Nacional do Petróleo sendo presidida por um ex-deputado do PCdoB. Mas foi no governo Lula que o regime de concessão acabou, e está sendo implantado o regime de partilha. O papel da Petrobrás foi resgatado, essa riqueza toda permanecerá na mão do Brasil. Acima de tudo, é dinheiro que não se confundirá com o resto da arrecadação do governo: foi feito um fundo específico para a aplicação desses recursos. Aqui há, sim, o passaporte do Brasil para o ingresso no primeiro mundo.

VIII

E há o comércio exterior, onde um dado ressalta: nosso comércio, hoje, com os países do Mercosul é maior do que com os Estados Unidos. Não que o Brasil tenha esfriado relações comerciais, mas soube cultivar e ganhar mercado aqui, com os vizinhos, que também se aproveitam dessa relação próxima. Os ovos, portanto, não estão mais todos na mesma cestinha.

VIII

Houve áreas que o Brasil permaneceu exatamente o mesmo do início do governo. É a área de previdência complementar. Salta aos olhos a ignorância, a falta de projeto, o comando vindo de lições velhas e ultrapassadas de multinacionais da atuária que se instalaram aqui no Brasil.  Talvez seja pior: talvez o tucanato soubesse o que estava fazendo e tentasse fazer à luz da legalidade plena. No governo Lula, não. As ilegalidades estão aí, visíveis, e a falta de vontade do órgão fiscalizador salta aos olhos. É todo voltado à proteção às patrocinadoras, ao atendimento dos seus pleitos, à criação de resoluções esdrúxulas que extrapolam o que está na lei. A previdência complementar nos EUA e Europa demonstrou que, com a crise, houve empobrecimento em massa dos fundos e dos aposentados e pensionistas. Nem isso levou a uma reflexão dos órgãos de previdência complementar brasileira.

IX

Há uma inércia ruim, uma mesmice, um descaso com o pleito dos participantes, um vício de não decidir. Isso se dá com relação ao superávit, com relação à interpretação retroativa de trato de déficits, ao desrespeito a contratos firmados, às retiradas de patrocínio. A previdência complementar brasileira está vulnerável. E, repare-se, que se descolou dos vícios da previdência norte-americana ainda em 1977, com a Lei 6.435 do governo Geisel. Ali passamos a construir uma previdência autônoma, não sujeita aos riscos diretos da patrocinadora porque deveria ter fundos e contabilidade própria, além de constituir pessoa jurídica autônoma. Isso tudo foi sendo jogado por terra, inclusive e principalmente no governo Lula.

X

Há méritos no governo Lula pelo que não fez. Não fez, por exemplo, nova Reforma da Previdência, embora tenha feita um fiasco no ano de 2002. Não fez Reforma trabalhista, embora circulassem emails de trabalhadores e aposentados, ou seja, as vítimas dessas duas reformas, acusando o governo Lula de não tê-las feito, reproduzindo colunas do Globo ou da Veja. Ou seja, basta ser crítica ao governo que vale divulgar, inclusive ser for contra meus próprios direitos.

XI

Enfim, aí, um breve apanhado do governo Lula. É claro que há muito mais por dizer, inclusive sobre o papel da imprensa durante todo o governo. Tentou-se atribuir diretamente ao Presidente da República, por exemplo, a queda do avião da Tam em Congonhas. E há outros episódios. Mas fica uma primeira avaliação neste 30 de dezembro de 2010.

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dez 29 2010

O DEBATE SOBRE O NOVO MINISTRO

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Paulo Henrique Amorim abre o debate sobre o novo ministro da Justiça. Para acessar, clique aqui.

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dez 28 2010

E O LIXO É QUE FOI PARA A TELEVISÃO

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O Jornal Nacional, agora à noite, mostrou a sujeira das ruas e quadras de Brasília, o acúmulo de lixo. É só uma parte, ínfima parte, do problema.

II

Durante este ano, 12 crianças morreram em uma maternidade pública de Brasília. Aí há motivo suficiente para que seja aberta investigação de homicídio, seja culposo no início, seja assumindo o risco de que continuasse a acontecer.

III

De outro lado, vários hospitais privados, que prestavam serviço ao SUS, alegando não pagamento cancelaram os atendimentos. Não há internação nem com ordem judicial. Isso mesmo que você leu: nem com ordem judicial.

IV

Após a prisão de Arruda e a curiosíssima tentativa do vice-governador de não ser notado ocupando o primeiro cargo, o caos se instalou. Primeiro, assumiu o Governo do Distrito Federal o então presidente da Câmara Legislativa – uma aberração, mistura de Câmara de Vereadores com um pouco mais de empáfia.

V

O STF, de outra parte, não decretou intervenção federal em Brasília. A Câmara Legislativa, então, por 10 votos – dez votinhos de deputados distritais – elegeu um de seus pares para ser o governador interino. E o sujeito assumiu cheio de vontade. Não apenas ele, mas a esposa – no caso, como diria a revista Caras, a “primeira dama do Distrito Federal”, deu um jeito de impedir a demolição de um prédio comercial. Ou seja, se postou em frente aos fiscais do próprio DF e impediu, no grito e na histeria, que fosse cumprida a ordem de derrubada de um prédio ilegal. E teve seu desejo atendido.

VI

Aí se consolidou o caos no DF, a partir dos dez votinhos e da negativa do STF em decretar a intervenção federal no Distrito Federal.

VII
Crianças morreram, recém-nascidas. Doze mortes em uma maternidade é mortandade até no Iraque. De outro lado, a negativa dos hospitais privados em admitir internações. Há uma conta imensa não paga, mas há pessoas morrendo por falta de atendimento. E há, sim, a possibilidade de cobrar com a mudança de governo. Mas nem ordem judicial de internação estava sendo cumprida.

VIII

E aí temos essa vergonha. Quanto à mortandade das crianças, pouco é dito. Avolumou-se o lixo na rua, no entanto, e aí a imprensa deu ampla divulgação.

IX
A capital federal, hoje, é um imenso monumento ao descaso. Um governador ladrão que foi obrigado a renunciar. Um vice que se mandou ao acender do primeiro holofote sobre seus atos. Um presidente de câmara que assume interinamente. Um governador “eleito” com dez votos. O chefe do Ministério Público do DF – que, não nos esqueçamos, é um ramo do Ministério Público Federal — é acusado de cobrar 300 mil reais ao mês de propina do governador que renunciou.

X

Em breve haverá a posse do novo governador, eleito com grande margem de votos. E aí contaremos com todas as autoridades, inclusive do STF, para rezar para que as criancinhas ressuscitem. Mas aí já é questão para a Páscoa.

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dez 26 2010

PAUL KRUGMAN E A ECONOMIA DOS EUA

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Do blog Vi o Mundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha, originalmente publicado no NY Times  -

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“QUANDO OS MORTOS-VIVOS VENCEM”

Paul Krugman

Quando historiadores olharem de volta no período 2008-10, o que mais vai intrigá-los, acredito, é o estranho triunfo de ideias falidas. Os fundamentalistas do mercado erraram sobre tudo — ainda assim eles dominam a cena política mais completamente que nunca.

Como isso aconteceu? Como, depois que bancos descontrolados colocaram a economia de joelhos, acabamos com Ron Paul, que diz “não penso que precisamos de regulamentação”, assumindo um comitê-chave do Congresso que vigia o Banco Central? Como, depois das experiências dos governos Clinton e Bush — o primeiro aumentou impostos e presidiu sobre uma espetacular criação de empregos; o segundo cortou impostos e presidiu sobre um crescimento anêmico mesmo antes da crise –, acabamos com um acordo bipartidário para cortar os impostos ainda mais?

A resposta da direita é que os fracassos econômicos do governo Obama mostram que as políticas de “grande governo” não funcionam. Mas a resposta a eles deveria ser, que política de grande governo?

Pois o fato é que o estímulo econômico de Obama — que em si era quase 40% baseado em cortes de impostos — foi muito cauteloso para dar uma guinada na economia. E isso não é uma crítica feita em retrospectiva: muitos economistas, dentre os quais me incluo, alertaram desde o começo que o plano era grosseiramente inadequado. Coloquem assim: uma política sob a qual os empregos públicos foram reduzidos e na qual os gastos do governo em bens e serviços cresceram mais devagar que durante os anos Bush não contitui exatamente um teste de economia keynesiana.

Bem, talvez não tenha sido possível ao presidente Obama conseguir mais diante do ceticismo do Congresso em relação a seu governo. Mas mesmo que fosse verdade, apenas demonstra o contínuo controle de uma doutrina falida sobre nossa política.

Também vale a pena dizer que tudo o que a direita falou sobre os motivos do fracasso da Obamanomics estava errado. Por dois anos temos sido advertidos de que os empréstimos do governo fariam disparar os juros; na verdade, as taxas flutuaram com o otimismo ou pessimismo sobre a recuperação econômica, mas se mantiveram consistentemente baixas se comparadas a padrões históricos. Por dois anos fomos alertados de que a inflação e até mesmo a hiperinflação estava a caminho; em vez disso, a deflação continuou, com a inflação básica — que exclui a volatilidade dos preços de alimentos e energia — sendo a menor do último meio século.

Os fundamentalistas do livre mercado cometeram tantos erros sobre os Estados Unidos quanto sobre eventos no Exterior — e sofreram poucas consequências disso. “A Irlanda”, declarou George Osborne em 2006, “é um brilhante exemplo da arte do possível na formulação econômica de longo prazo”. Epa! Agora o sr. Osborne é a maior autoridade econômica britânica.

E nessa nova posição ele está copiando as políticas de austeridade implementadas pela Irlanda depois que a bolha local estourou. Aliás, conservadores dos dois lados do Atlântico passaram boa parte do ano passado saudando a austeridade irlandesa como um sucesso absoluto. “A política irlandesa funcionou em 1987-89 e está dando certo agora”, declarou Alan Reynolds do Cato Institute em junho passado. Epa!, de novo.

Mas tais fracassos não parecem importar. Emprestando o título de um livro recente do economista australiano John Quiggin sobre doutrinas que a crise deveria ter matado mas não matou, estamos ainda — talvez mais que nunca — sendo governados pela “economia dos mortos-vivos”. Por que?

Parte da resposta, certamente, é que as pessoas que deveriam ter tentado matar as ideias mortas-vivas tentaram, em vez disso,  fazer acordo com elas. E isso é especialmente verdadeiro do presidente [Obama], mas não apenas dele.

As pessoas tendem a esquecer que Ronald Reagan muitas vezes cedeu em questões políticas de substância — mais notadamente, ele aprovou múltiplos aumentos de impostos. Mas ele nunca foi mole com ideias, nunca recuou da postura de que sua posição ideológica estava correta e de que a dos adversários estava errada.

O presidente Obama, por contraste, tem consistentemente tentado fazer acordo com o outro lado, dando cobertura aos mitos da direita. Ele felicitou Reagan por restaurar o dinamismo dos Estados Unidos (quando foi a última vez que você ouviu um republicano elogiando Roosevelt?), adotou a retórica da oposição sobre a necessidade do governo de apertar o cinto mesmo diante da recessão e ofereceu congelamento simbólico de gastos e salários federais.

Nada disso fez com que a direita deixasse de denunciá-lo como socialista. Mas essa postura ajudou a dar poder a ideias ruins, de forma que elas podem causar danos imediatos. Neste momento o sr. Obama está saudando o acordo para corte de impostos [dos ricos] como uma forma de estimular a economia — mas os republicanos já estão falando em cortes de gastos do governo que acabariam com qualquer estímulo resultante do acordo. E como é que ele pode enfrentar os republicanos se ele mesmo abraçou a retórica de apertar o cinto?

Sim, política é a arte do possível. Todos entendemos a necessidade de fazer acordos com inimigos políticos. Mas uma coisa é fazer acordo para adiantar seus objetivos; outra é abrir as portas para as ideias dos mortos-vivos. Quando você faz esta concessão, os mortos-vivos acabam comendo o seu cérebro — e possivelmente também a sua economia.

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dez 24 2010

FELIZ NATAL!

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Que o Natal seja repleto de carinho e afeto, e que nos compense de tudo o que nos faltou durante o ano. Feliz Natal!

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