Archive for fevereiro, 2011

fev 26 2011

“ÚLTIMOS DIAS”

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                            Carlos Drummond de Andrade

Que a terra há de comer,
Mas não coma já.

Ainda se mova,
para o ofício e a posse.

E veja alguns sítios
antigos, outros inéditos.

Sinta frio, calor, cansaço:
para um momento; continue.

Descubra em seu movimento
forças não sabidas, contatos.

O prazer de estender-se; o de
enrolar-se, ficar inerte.

Prazer de balanço, prazer de vôo.

Prazer de ouvir música;
sobre o papel deixar que a mão deslize.

Irredutível prazer dos olhos;
certas cores: como se desfazem, como aderem;
certos objetos, diferentes a uma luz nova.

Que ainda sinta cheiro de fruta,
de terra na chuva, que pegue,
que imagine e grave, que lembre.

O tempo de conhecer mais algumas pessoas,
de aprender como vivem, de ajudá-las.

De ver passar este conto: o vento
balançando a folha; a sombra
da árvore, parada um instate
alongando-se com o sol, e desfazendo-se
numa sombra maior, de estrada sem trânsito.

E de olhar esta folha, se cai.
Na queda retê-la. Tão seca, tão morna.

Tem na certa um cheiro, particular entre mil.
Um desenho, que se produzirá ao infinito,
e cada folha é uma diferente.

E cada instante é diferente, e cada
homem é diferente, e somos todos iguais.
No mesmo ventre o escuro inicial, na mesma terra
o silêncio global, mas não seja logo.

Antes dele outros silêncios penetrem,
outras solidões derrubem ou acalentem
meu peito; ficar parado em frente desta estátua: é um
torso de mil anos, recebe minha visita, prolonga
para trás meu sopro, igual a mim
na calma, não importa o mármore, completa-me.

O tempo de saber que alguns erros caíram, e a raiz
da vida ficou mais forte, e os naufrágios
não cortaram essa ligação subterrânea entre homens e coisas;
que os objetos continuam, e a trepidação incessante
não desfigurou o rosto dos homens;
que somos todos irmãos, insisto.

Em minha falta de recursos para dominar o fim,
entrentanto me sinta grande, tamanho de criança, tamanho de torre,
tamanho da hora, que se vai acumulando século após século e causa vertigem,
tamanho de qualquer João, pois somos todos irmãos.

E a tristeza de deixar os irmãos me faça desejar
partida menos imediata. Ah, podeis rir também,
não da dissolução, mas do fato de alguém resistir-lhe,
de outros virem depois, de todos sermos irmãos,
no ódio, no amor, na incompreensão e no sublime
cotidiano, tudo, mas tudo é nosso irmão.

O tempo de despedir-me e contar
que não espero outra luz além da que nos envolveu
dia após dia, noite em seguida a noite, fraco pavio,
pequena amplo fulgurante, facho lanterna, faísca,
estrelas reunidas, fogo na mata, sol no mar,
mas que essa luz basta, a vida é bastante, que o tempo
é boa medida, irmãos, vivamos o tempo.

A doença não me intimide, que ela não possa
chegar até aquele ponto do homem onde tudo se explica.
Uma parte de mim sofre, outra pede amor,
outra viaja, outra discute, uma última trabalha,
sou todas as comunicações, como posso ser triste?

A tristeza não me liquide, mas venha também
na noite de chuva, na estrada lamacenta, no bar fechando-se,
que lute lealmente com sua presa,
e reconheça o dia entrando em explosões de confiança, esquecimento, amor,
ao fim da batalha perdida.

Este tempo, e não outro, sature a sala, banhe os livros,
nos bolsos, nos pratos se insinue: com sórdido ou potente clarão.
E todo o mell dos domingos se tire;
o diamante dos sábados, a rosa
de terça, a luz de quinta, a mágica
de horas matinais, que nós mesmos elegemos
para nossa pessoal despesa, essa parte secreta
de cada um de nós, no tempo.

E que a hora esperada não seja vil, manchada de medo,
submissão ou cálculo. Bem sei, um elemento de dor
rói sua base. Será rígida, sinistra, deserta,
mas não a quero negando as outras horas nem as palavras
ditas antes com voz firme, os pensamentos
maduramente pensados, os atos
que atrás de si deixaram situações.
Que o riso sem boca não a aterrorize
e a sombra da cama calcária não a encha de súplicas,
dedos torcidos, lívido
suor de remorso.

E a matéria se veja acabar: adeus composição
que um dia se chamou Carlos Drummond de Andrade.
Adeus, minha presença, meu olhar e minas veias grossas,
meus sulcos no travesseiro, minha sombra no muro,
sinal meu no rosto, olhos míopes, objetos de uso pessoal, idéia de justiça, revolta e sono, adeus,
adeus, vida aos outros legada.

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fev 22 2011

SACO SEM FUNDO

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Ando ruim de contas, e nunca fui bom em matemática. Mas vamos lá: primeiro, foi dito que o Banco Panamericano tinha um rombo de 2,5 bilhões, fruto de escrituração fraudulenta de empréstimos. Depois, a parte de Sílvio Santos no Banco foi vendida por quase 500 milhões. Então, eu já não havia entendido isso, como é que aquilo ainda valia alguma coisa. E na semana passada foi divulgado que a CEF injetou MAIS DE 10 BILHÕES no Banco Panamericano.
 
II
Não entendi e continuo não entendendo. Se o banco precisava de uma injeção de mais de 10 bilhões, Silvio Santos ainda tinha alguma coisa por receber? E ele podia “vender a sua parte”, ou seja, 50% do banco, a um outro banco? Ou, no fundo, a parte vendida deveria ser da própria CEF?
 
III
E a CEF tem tanto dinheiro, assim, sobrando? E quando a CEF comprou parte do banco, à época, a consultoria responsável nada viu? O mais curioso é que, nessa hora, na hora de dinheiro para bancos, não há oposição nem situação

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fev 22 2011

A INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL

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Renovo a proposta já levantada antes: é preciso modificar a Constituição Federal e instituir o júri civil para os casos de indenização por dano moral.

II

A justiça comum e a justiça federal já demonstraram que não querem julgar ações relativas a dano moral. E transformam esses processos em festivais de humilhação: 800 reais, 1.200 reais de indenização por inscrição indevida no SPC, por exemplo. Ou um pouquinho mais para quem passou vários anos atormentado por uma inscrição indevida, um protesto indevido, ou foi extorquido pelas contas absurdas enviadas. Do jeito como está, de regra é melhor orientar os constituintes a não mover a ação. Vão se incomodar e vão adoecer esperando por justiça – a justiça dos 3 mil reais de indenização.

III

É preciso que a própria sociedade, que os próprios pares, que os cidadãos digam se ocorreu ou não ou dano moral, e que fixem a quantia necessária à reparação. Os casos envolvendo bancos, contas telefônicas e por aí afora demonstram isso: o cidadão é quem sabe se houve o dano, e que sabe qual o valor necessário à reparação. Se o Judiciário não quer julgar esse casos, criemos o Júri Civil para Indenização por Danos Morais.

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fev 22 2011

A FALTA DE CORRUPTORES

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Não sei de quem é a frase, e há o risco de ser minha: no Brasil não há mais corruptos por falta de corruptores.
II
Passei mais de 15 dias analisando uma documentação técnica, retrato do banditismo contra participantes de um fundo de pensão. É fácil: vender os direitos de velhos e viúvas em troca de vantagens pessoais.

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fev 22 2011

CASO AERUS

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Na semana passada houve uma reunião importante, envolvendo a Graziella Baggio e o Ministro Gilberto Carvalho. Não publiquei naquele momento porque não sabia se era ou não matéria divulgável ou se o tema era confidencial. Por via das dúvidas, como faço sempre, silenciei. Após, houve nota do Sindicato Nacional dos Aeronautas dando publicidade ao tema. O assunto caminhou, vem sendo tratado na ante-sala do gabinete da Presidenta da República. Isso é muita coisa. É momento de ter esperança.
 
II
De outra parte, acabamos passando um aperto, que também não divulguei por motivo óbvios. Havia necessidade de dar vistas da documentação que juntamos na ação civil pública do caso Aerus. Saiu o despacho, dando dez dias sucessivos para os réus. E aí nessa expressão estava o problema: como são mais de vinte réus, significa 10 dias para o primeiro, e mais dez para o segundo, e assim até o último. Ou seja, daria mais de 220 dias. Peticionei, ainda na semana passada, explicando essa situação. O processo foi imediatamente despachado pela nova Juíza Federal que está respondendo pela 21ª Vara Federal de Brasília, Doutora Ana Paula Martini Tremarin, que fixou prazo comum de 30 dias para os réus. Absolutamente razoável, mas importante porque o processo não só volto a andar, como voltou pelo caminho certo.

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fev 19 2011

“Apelo à Pele”

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Não deixes de arrepiar e tremer quando te tocarem

Lábios, brisa ou outra pele.

Pelo apelo de ser pleno

Vale arriscar a própria pele

Apelo à pele

Não te envergonhes ao enrugares pela erosão do tempo

Não te inibas ao te expores frente ao aço ou calibre assassino

Não negues teu calor ao contato qualquer

Pele, abre e recebe o sol por tuas grutas profundas

Não sejas cútis, e resiste ao marketing da “maciez encantadora”

Queima e racha quando te impuserem o trabalho árduo.

Defende-te com calos quando te oprimirem desumanamente

E, por favor,

Ensina ao coração qual o mistério da cicatriz.

 

                                               Tetê Catalão

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fev 12 2011

“UMA VIOLA DE AMOR”

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UMA VIOLA DE AMOR

          Vinicius de Moraes

Dêem ao homem uma viola-de-amor e façam-no cantar um canto assim…

“Sairei de mim mesmo e irei ao encontro das flores humildes dos caminhos e das lentas aves dos crepúsculos, cujo pipilo suspende na paisagem uma lágrima que nunca se derrama. Sairei de mim mesmo em busca de mim mesmo, em busca de minha imagem perdida nos abismos do desespero, minha imagem de cuja face já não me lembro mais…
“Sairei de mim mesmo em busca das melodias esquecidas na memória, em busca dos instantes de total abandono e beleza, em busca dos milagres ainda não acontecidos…
“Que eu seja novamente aquele que ergue do chão o pássaro ferido e, no calor de sua mão, dá-lhe de morrer em paz; aquele que, em sua eterna peregrinação em busca da vida, ajuda o carnponês a consertar a roda do seu carro…
“Que me seja dado, em minhas andanças, restituir a cada ser humano o consolo de chorar dias de lágrimas; e depois levá-lo lá onde existe a luz e chorar eu próprio ante a beleza do seu pranto ao sol…
“Possa eu mirar novamente os pélagos e compreendê-los; atravessar os desertos e amá-los. Possa eu deitar-me à noite na areia das praias e manter com as estrelas em delírio o colóquio da eternidade. Possa eu voltar a ser aquele que não teme ficar só consigo mesmo, numa dura solidão sem deliqüescência…
“Bem haja o meu irmão no meu caminho, com as suas úlceras à mostra, que a ele eu hei de curar e dar abrigo no meu peito, Bem haja no meu caminho a dor do meu semelhante, que a ela estarei desvelado e atento…
“Seja a mulher a mãe, a esposa, a amante, a filha, a bem-amada do meu coração; possa eu amá-la e respeitá-la, dar-lhe filhos e silêncios. Possa eu coroá-la de folhas da primavera em seu nascimento, seu conúbio e sua morte. Tenha eu no meu pensamento a idéia constante de querê-la e lhe prestar serviço…
“Que o meu rosto reflita nos espelhos um olhar doce e tranquilo, mesmo no mais fundo sofrimento; e que eu não me esqueça nunca que devo estar constantemente em guarda de mim mesmo, para que sejam humanos e dignos o meu orgulho e a minha humildade, e para eu cresça sempre no sentido de Tempo…
“Pois o meu coração está antes de tudo com os que têm menos do que eu, e com os que, tendo mais do que eu, nada têm. Pois o meu coração está com a ovelha e não com o lobo; com o condenado e não com o carrasco…
“E que este seja o meu canto e o escutem os surdos de carinho e de piedade; e que ele vibre com um sino nos ouvidos dos falsos apóstolos dos falsos apóstatas; pois eu sou o homem, ser de poesia, portador do segredo e sua incomunicabilidade – e o meu largo canto vibra acima dos ócios e ressentimentos, das intrigas e vinganças, nos espaços infinitos…”.
Dêem ao homem uma viola-de-amor e façam-no cantar um canto assim, que sua voz está rouca de tanto insulto inútil e seu coração triste, de tanta vã mentira que lhe ensinaram.

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fev 10 2011

JUÍZA RESPONDE PELA 14ª VARA FEDERAL DE BRASÍLIA

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Conforme comentado anteriormente, o Juiz Federal titular da 14ª Vara Federal de Brasília, onde tramita a ação civil pública que beneficia os participantes do Aerus, foi convocado para o TRF. O Dr. Jamil Rosa de Jesus Oliveira, portanto, está atuando como desembargador federal. O Juiz Federal Substituto daquela Vara, segundo a organização adotada, Doutor Roberto Luís Luchi Demo, atua apenas sobre os processos de final ímpar. O processo que originou a conexão da ação civil pública no caso Aerus era de final par e, portanto, de responsabilidade do juiz titular.

No dia de ontem, quarta-feira, foi confirmado que a Juíza Federal Doutora Ana Paula Martini Tremarin passará a responder pelos processos que até agora estavam sob a responsabildiade do Dr. Jamil, ou seja, do Juiz Federal titular da 14ª Vara.

A partir de agora, portanto, há Juiz Federal destacado para a 14ª Vara, e será o responsável, pelo menos até o mês de agosto, pela condução da ação civil pública do Aerus. Evidentemente, é o primeiro passo para que o processo volte a caminhar. Força e esperança porque as coisas voltaram a andar.

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fev 08 2011

BOLETIM DO SNA

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Fonte: Boletim do Sindicato Nacional dos Aeronautas

O ano de 2011 começou e o SNA e a Fentac continuam insistindo na busca de um acordo que venha atender aos interesses dos aposentados, pensionistas do grupo Varig, Vasp e Transbrasil, “dos ativos” e do passivo trabalhista. Não desistimos dessa luta!

Fomos surpreendidos com o não julgamento do processo dos sindicatos, que está sob os cuidados do Dr. Maia, na 14ª Vara de Brasília, apesar de estar incluído no Projeto Meta 2 (com prioridade de julgamento) em 2010, fato que não ocorreu. Além disso, o juiz da causa foi convocado para o Tribunal e ainda estamos aguardando a indicação oficial do juiz substituto para dar continuidade ao processo, apesar do ultimo movimento do dia 27/01, que abre prazo para os patrocinadores do fundo Aerus se manifestarem, e das ultimas movimentações jurídicas.

Enquanto isso, no inicio de 2011 a AGU (Advocacia Geral da União) solicitou e pediu vistas ao processo – recurso na ação de defasagem tarifária – que corre no STF. Esse movimento causou preocupação a muitos, mas é absolutamente normal e pode ser positivo. Precisamos lembrar que muitos fatos jurídicos ocorreram durante o ano de 2010, como, por exemplo, a falência da Varig e movimentos no caso de falência da Transbrasil, que mudaram completamente as prioridades no caso de um acordo. Portanto precisamos nos manter alerta e unidos em um único objetivo que é a solução definitiva.

O Aeros, que desde o início da liquidação do plano não distribui mensalmente antecipação de reserva aos seus 330 participantes aposentados e pensionistas, fez mais um rateio de reservas no inicio de 2011. Com relação à ação dos sindicatos referente ao plano Aeros, que também está sob os cuidados do Dr. Maia em Brasília, lamentavelmente a juíza do caso está de licença maternidade até março de 2011 e a falta de juiz substituto não permitiu um maior e melhor desdobramento jurídico da ação. Enfim, as duas ações têm tido todo o acompanhamento jurídico necessário.

Por estas e outras, os sindicatos insistem e buscam convencer e sensibilizar as autoridades da necessidade de um acordo justo para todos. A demora e as dificuldades junto ao Judiciário têm sido um grande desafio e é nossa maior preocupação.

Mais do que nunca as entidades sindicais continuam empenhadas e em contato com as autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em busca da solução definitiva para todos os participantes.

Não podemos esmorecer!!! Fique atento aos boletins do SNA!

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