Archive for setembro, 2011

set 27 2011

FUNDOS DE PENSÃO NÃO ATINGIRÃO O MÍNIMO ATUARIAL

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A Folha de São Paulo de hoje noticia que NENHUM fundo de pensão atingirá, neste ano, a meta atuarial de 6%, segundo declaração do presidente da ABRAPP – Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Privada. De um lado, houve a diminuição das taxas de juros; de outro, a queda da Bolsa de Valores.

II

O Conselheiro Deliberativo da Petros Paulo Teixeira Brandão, eleito pelos participantes, explica: “é por isso que fomos contra vincular as aposentadorias à rentabilidade dos mercados. Previdência significa segurança, e não deixar o aposentado à mercê dos movimentos das bolsas de valores. Lamentavelmente, no governo Lula houve a implantação de um plano dessa espécie na Fundação Petros, voltado aos trabalhadores novos da empresa, com o apoio de uma parcela do movimento sindical que apostou “no mercado” e queria até mesmo quebrar os contratos antigos. Agora, a cada crise, a cada movimento da bolsa, os participantes ficam vulneráveis. É preciso cobrar isso, também, dos sindicatos que apoiaram o neoliberalismo na previdência complementar”, finaliza Brandão.

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set 27 2011

“DE VOLTA AO DESENVOLVIMENTO”

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DE VOLTA AO DESENVOLVIMENTO
Luiz Carlos Bresser Pereira
Folha de São Paulo de 26.09.2011
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Desde 1991 a política econômica do Brasil se pautava pelo ortodoxia convencional ou o consenso de Washington. A partir, porém, de 2006, já com Guido Mantega no Ministério da Fazenda e Luciano Coutinho no BNDES, o governo Lula começou a mudar a estratégia de desenvolvimento em direção ao novo desenvolvimentismo.

Em 2009 um passo decisivo nesse sentido foi dado com o início do controle da entrada de capitais. Agora, no nono mês do governo Dilma Rousseff, a decisão do Banco Central de baixar a taxa de juros, surpreendendo o mercado financeiro, e a decisão do governo de taxar a importação de automóveis com menos de 35% de conteúdo nacional consolidam essa mudança.

O aprofundamento da crise mundial tendo a Europa como epicentro e o
desaquecimento da economia brasileira confirmam a boa qualidade da decisão.
O novo desenvolvimentismo não é uma panaceia, mas está ancorado teoricamente em uma macroeconomia estruturalista do desenvolvimento, tem como critério o interesse nacional, e sabe que este só pode ser atendido por governantes que em vez de aplicarem fórmulas prontas avaliam cada problema e cada política com competência. Adotado com firmeza e prudência, o Brasil crescerá a taxas mais elevadas, com maior estabilidade financeira, e com a inflação sob controle.

Enquanto o tripé ortodoxo é “taxa de juros elevada, taxa de câmbio sobreapreciada, e Estado mínimo”, o tripé novo-desenvolvimentista é “taxa de juros baixa, taxa de câmbio de equilíbrio, que torna competitivas as empresas industriais que usam tecnologia moderna, e papel estratégico para o Estado”.

Enquanto para a ortodoxia convencional os mercados financeiros são autorregulados, para o novo desenvolvimentismo apenas mercados regulados podem garantir estabilidade e crescimento.

Novo desenvolvimentismo e ortodoxia convencional defendem a responsabilidade fiscal, mas o mesmo não pode ser dito em relação à responsabilidade cambial.

Enquanto o novo desenvolvimentismo rejeita os deficits em conta corrente, a ortodoxia convencional os promove, e, assim, se comporta de maneira populista (populismo cambial).

Argumenta que a “poupança externa” aumentaria o investimento do país, mas, as entradas de capitais para financiar esses deficits aumentam mais o consumo do que o investimento, endividam o país, o tornam dependente do credores e de seus “conselhos”, e resultam em crise de balanço de pagamentos.

O Brasil, ao retornar ao novo desenvolvimentismo, está voltando a se comportar como uma nação independente. Havia deixado de agir assim em 1991, porque vivia profunda crise, e porque a hegemonia neoliberal americana sobre todo o mundo era, então, quase irresistível.

Mas desde meados da década passada a sociedade brasileira começou a perceber que o projeto neoliberal era um grande equívoco, e que havia uma alternativa para ele.
Como a crise financeira global de 2008 demonstrou de maneira cabal, as políticas econômicas neoliberais não eram boas nem mesmo para os países ricos.

Dessa maneira, a hegemonia neoliberal entrou em colapso, e as forças
desenvolvimentistas -os empresários industriais, os trabalhadores e uma parcela da classe profissional- fortaleceram-se, o que abriu espaço para que o governo Dilma aprofundasse seus compromissos para com elas. Um novo e amplo pacto político está se formando no Brasil. Vamos esperar que leve o Brasil mais depressa para o desenvolvimento.

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set 26 2011

O CÂMBIO E AS ROLETAS

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O câmbio e as roletas
Delfim Netto
Revista Carta Capital desta semana
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Quando o ministro Guido Mantega alertou para as consequências da ausência de controles nos mercados financeiros, ampliando o risco do que ele chamou de guerra cambial, notáveis banqueiros europeus desdenharam da sua preocupação. Um banqueiro suíço de menor expressão ainda encontrou espaço na mídia para dizer agressivamente que ele “tinha ficado maluco”. Pois não foi preciso esperar muito para os mesmos banqueiros estremecerem diante de uma série de ataques (logo!) ao franco-suíço, em meio a um tombo superior a 2 bilhões de dólares em nebulosas transações cambiais, num único banco.

Mesmo sabendo que ninguém tem instrumentos para exercer controle eficaz sobre o câmbio, o aviso do nosso ministro se justifica plenamente: a moeda deixou de ser unidade de conta para se transformar em mercadoria, transacionada em mais de 4 mil fundos, em operações que em 24 horas somam 2 trilhões de dólares (mais da metade de um PIB brasileiro), processadas em milésimos de segundos. São verdadeiras roletas com programas instalados em computadores garimpando diferenças até a terceira casa decimal. Não vejo como organizar essa jogatina. E não consigo identificar em nossa história, fora dos períodos de conflagração mundial, uma situação tão complicada quanto esta, com tantos países envolvidos.

As consequências dramáticas de tais movimentos estão crescendo, na medida em que aumenta a velocidade das comunicações. Um simples rumor se propaga a todos os mercados do mundo em um milésimo de segundo e não permite o efetivo conhecimento do assunto, o que pode transformá-lo em realidade. No mundo das redes, a velocidade da comunicação e o uso de algoritmos, cuja resposta é quase instantânea, transformaram potencialmente o mercado financeiro numa arma de destruição em massa que pode ser manipulada pelos proprietários do mercado (os bancos de investimento, as financeiras, os fundos de toda espécie, as agências de risco, as bolsas mal reguladas etc.).

Não se trata de um problema moral que possa ser corrigido por um “imperativo categórico” autoimposto pelos próprios agentes financeiros. Como esses não são anjos e as vantagens monetárias (preliminares do poder econômico) são enormes, o desvio sempre valerá a pena. O comportamento de tais agentes está inscrito no seu DNA à espera de uma oportunidade para se manifestar. Quando encontra um espaço desregulado, a tendência natural do setor financeiro é submeter ao seu controle o setor real da economia, ao qual deveria servir, e apropriar-se do poder político. O recente cabo de guerra nos EUA entre o Executivo- e o Legislativo para a regulação financeira mostrou quem detém, efetivamente, o poder no Congresso.

A existência de um setor financeiro sofisticado e hígido é condição necessária (mas não suficiente) para a construção de um processo de desenvolvimento eficiente, que permita a maior mobilização possível dos recursos naturais e humanos disponíveis. A crise de 2007/2009 (e o que ainda está ocorrendo em 2011) mostra que o colapso do sistema financeiro leva à destruição instantânea do circuito econômico: uma dúvida de confiança produz uma descontinuidade do crédito interbancário e leva ao encolhimento do crédito para produtores e consumidores. Todos os agentes procuram salvar-se aumentando sua liquidez: os bancos liquidam seus estoques para fazer caixa e os consumidores cortam suas compras, com medo do desemprego. Quando todos estão líquidos, morrem afogados na sua própria liquidez, porque interromperam o circuito econômico!

É por isso que, nos momentos de crise, os governos não podem deixar quebrar o sistema financeiro. Isso não significa, entretanto, que devam poupar os agentes da destruição que se infiltram, como células cancerosas, no tecido do organismo de cuja higidez depende todo o processo de funcionamento econômico da sociedade, em particular as oportunidades de emprego. Agora mesmo, estamos assistindo como fundos agressivos (que, na melhor das hipóteses, produzem apenas transferência de renda) continuam destruindo empresas que produzem bens e serviços e criam emprego. Apertado pelas circunstâncias, um deles desovou às pressas a participação acionária que tinha numa empresa. Literalmente, destruiu quase um terço do seu capital com graves consequência para seu futuro e depois… quebrou.

A pergunta que os bancos centrais em todo o mundo deviam estar se fazendo é: por que precisamos dessas 4 mil roletas?

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set 15 2011

SOBRE A NOTA ABAIXO

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Há cerca de dois meses, houve uma discussão pública a propósito da compra, pela Petros, de cerca de 15% do capital votante da Itausa, que é a holding do grupo Itau. A FENASPE é a Federação Nacional das Associações de Petroleiros, envolvendo entidades associativas petroleiras de todo o Brasil, e divulgou nota de apoio aos Conselheiros Eleitos da Fundação Petros, que concordaram com a operação.
Tendo em vista a relevância do tema e os esclarecimentos, reproduzo, abaixo, a nota da Fenaspe, recomendando a leitura. É tema muito importante, diz respeito aos investimentos de fundos de pensão e à postura responsável que deve ser adotada pelos dirigentes da entidade, inclusive os eleitos.
Voltarei ao assunto.

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set 15 2011

NOTA DA FENASPE

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I
No ano de 2001, durante a tentativa de implantação do PPV, a Petrobrás se comprometeu a aportar recursos na Petros. Esses recursos foram aportados via NTN série B, indexados pelo IPCA e com rentabilidade de 6% ao ano. À época, as entidades representativas dos petroleiros foram contra, essencialmente pelos seguintes motivos: o primeiro, que os títulos foram recebidos pelo valor de face, e não pelo valor de mercado; segundo, porque um capital imenso era ancorado a 6% ao ano, quando as possibilidades de mercado apontavam para a possibilidade de rentabilidade bem maior. Por fim, que a Petros se comprometeu a manter esses títulos até o vencimento, ou seja, não poderia vender no mercado secundário, ainda que com deságio. Esse compromisso de quitação apenas a vencimento era parte das condições para poder contabilizar os títulos pelo valor de face, para inflar o valor efetivamente recebido.

II
À época a própria Secretaria do Tesouro Nacional registrou que os títulos recebidos pela Petros por 8 bilhões de reais, e assim contabilizados, na verdade valiam apenas 4,4 bilhões. Evidentemente, contabilizar estes títulos pelo valor de face era uma jogada contábil, mas plenamente aceita pela SPC e com resolução autorizativa do CGPC. De qualquer maneira, a Petros encarteirou estes títulos sem poder negociá-los. No histórico de lesões à Fundação, a “repactuação”, em decorrência do AOR feita no Governo Lula, conseguiu ser ainda pior, porque a Petrobras não entregou títulos e pagará apenas juros de 6% durante alguns anos, sem nunca pagar o principal.

III
Estes títulos do ano de 2001 foram trocados, neste ano, por outros, com diferentes vencimentos. A Petros calcula suas necessidades de liquidez, para que possa honrar mês a mês as aposentadorias. Não basta apenas ter patrimônio. É preciso, mês a mês, de forma projetada e programada, ter disponíveis os recursos para pagar os benefícios. Esse cálculo complexo normalmente é espelhado na chamada “ALM – Asset Liability Management”. Ou seja, não basta ter recursos no mercado de ações, ou em renda fixa, ou em imóveis, sem que haja possibilidade de transformar parte disso em recursos líquidos, mês a mês, para honrar os benefícios. A Petros trocou os seus títulos de vencimento 2033, contabilizados pelo valor de face, por outros com diversos vencimentos, inclusive posteriores aos títulos originais.
Aqui, não houve o compromisso da Petros de manter até o vencimento. Daí a contabilização de mercado, não mais pelo valor de face. Passo seguinte, a Petros vendeu parte destes títulos no mercado secundário, “realizando prejuízo” próximo a 0,6%. Outra parte resolveu manter em carteira porque as necessidades de liquidez apontavam para essa possibilidade e necessidade.

IV
Em sã consciência, e, evidentemente, analisando-se de boa fé, o preço suportado pela Petros para dar liquidez àqueles títulos foi absolutamente insignificante: 0,6%. E, com esses recursos comprou expressiva participação acionária na Itaúsa.

V
O controle acionário de uma empresa, ou parte desse controle, tem um preço a mais em relação ao valor negociado em bolsa. Essas operações são chamadas de “block trade”, ou seja, a compra e venda em bloco de ações. Daí ser no mínimo ingênuo querer comparar o preço de uma ação avulsa na Bolsa de Valores com o preço pago por cerca de 15% do capital votante da empresa, e que deu direito inclusive a estar presente no Conselho de Administração da Itaúsa. No máximo essa comparação serve para demonstrar o excelente negócio feito pela Fundação, ou como mero balizamento para calcular o “plus” a ser pago pelo controle acionário ou parte dele.

VI
De outra parte, circulou na internet o argumento de que “a rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura”. Parece que esqueceram que estão tratando com petroleiros, gente acostumada a pensar e a fazer cálculos. O argumento é esquizofrênico. Neste caso, o prejuízo passado também não é garantia de prejuízo futuro? Assim, as portas estariam abertas para que a Petros aplicasse em ações historicamente deficitárias usando o mesmo argumento esquizofrênico?

VII
Que fique claro: os títulos públicos rendiam IPCA + 6% ao ano. Não raro, a rentabilidade dos grandes Bancos ultrapassa os 20% ao ano. Veja-se mais, sempre na tentativa de deturpar, foi divulgado que a Previ não quis “aumentar sua posição” em ações da Itaúsa. É claro! A PREVI JÁ DETÉM PARTICIPAÇÃO EXPRESSIVA NAS AÇÕES DA ITAUSA. O texto divulgado, no entanto, tenta fazer confundir, como se a Previ não quisesse ingressar no negócio. Ora, a Previ já está lá há anos! Com assento no Conselho de Administração, apenas quis manter sua estratégia de diversificação.

VIII
Tenha-se presente que a Itaúsa e a holding do Banco Itaú, o maior Banco privado nacional. A operação deveria ser motivo de orgulho para a Fundação Petros e seus participantes: cerca de 15% das ações com direito a voto passaram a ser de nossa Fundação. Misturar isso com crise internacional e outros argumentos forçados é indício de desespero e pior, demonstra o baixo nível que envolve a disputa pela Fundação. Falar da saúde financeira do Banco Itaú é um absurdo e sequer a crise internacional dá abrigo ao argumento histérico. Em 2008, o Itaú aproveitou-se da crise para comprar o Unibanco. Foi considerado o banco mais sustentável do mundo!

IX
Durante toda luta em defesa do pré-sal para os brasileiros, contra os leilões de nossas riquezas, já esperávamos por agressões, por tentativas de desmoralizar nossas lideranças, no exato estilo praticado pela CIA em todo mundo. É tática antiga a divulgação de falsos dados, falsos estudos, sempre para tentar dividir, para tentar atingir nossas lideranças e enfraquecer nossos ideais. Os petroleiros já conhecem isso e não se deixam enganar.

X
Nossos conselheiros eleitos são homens sérios, honrados. Não são apenas profundamente comprometidos com os participantes e assistidos, com as questões da Previdência Complementar. São lutadores da área do Petróleo, militantes históricos, que não titubearam ao optar por aprovar um excelente negócio em vez de ceder à demagogia fácil. São oposição ao entreguismo e peleguismo da FUP no Governo Lula e no Governo Dilma, mas isso não se confunde com os interesses da Petros e seus participantes.

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set 13 2011

UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA

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Há um processo curioso em curso, para o qual chamo a atenção. Há uma tentativa de desmoralização de entidades, de associações, de sindicatos, de qualquer forma de movimento popular organizado. E isso vem acontecendo de forma sistemática, por diversos meios.

II
As entidades de representação tiveram um papel tão importante a partir da Era Vargas, que uma das primeiras preocupações do golpe militar de 1964 foi buscar soterrar sindicatos, associações, grêmios estudantis, centros acadêmicos. Houve cassações, houve mortes, houve os “desaparecimentos”, houve perseguição de todos os tipos. E aí foi enfraquecida, naquele momento, a representação do povo brasileiro nas diversas formas como se expressava.

III
Não foram contra sindicatos, associações, movimento estudantil simplesmente porque não gostavam. É que havia um projeto em curso: era preciso acabar com a estabilidade no emprego e implantar o FGTS, o que retirou boa parte da capacidade de luta das categorias; era preciso facilitar o processo de entrega de riquezas nacionais, aí incluído o urânio, até mesmo o petróleo, e permitir o domínio maciço das multinacionais sobre a economia brasileira. Essas entidades populares anteriores a 1964 se colocavam contra esse entreguismo, ao mesmo tempo que lutavam pelo ensino público de qualidade. Converse com quem estudou em escola pública, à época, e fez o antigo “ensino clássico”. Compare com o que foi feito com a escola pública a partir dos militares, o desmonte ocorrido e que teve seguimento também quando do período democrático. Essas questões, todas, faziam parte das áreas de interesse e de defesa de associações, de sindicatos, e a perseguição a essas entidades não veio gratuitamente, por antipatia, mas para implantar um projeto que começava pelo aviltamento dos direitos trabalhistas. As lideranças sindicais eram tiradas à força e substituídas por interventores, por delatores, por informantes dos órgãos de repressão.

IV
Houve sucesso na estratégia: a submissão do Brasil aos Estados Unidos, o abandono temporário de projeto de desenvolvimento soberano. Do ponto de vista da informação e do entretenimento, o domínio foi absoluto. A produção cultural brasileira foi jogada a segundo plano, atrás, sempre, dos pacotes de lixo exportados pelos Estados Unidos da América.

V
O que quero frisar, aqui, é que o ataque a mecanismos de representação do povo brasileiro – e citei, aqui, especificamente sindicatos e associações – não se deu por mera antipatia. Ocorreu para implantação de um projeto, para afastar qualquer visão crítica a respeito dos rumos que eram impostos ao Brasil. Já a carta-testamento de Getúlio, em 1954, dizia “a Eletrobrás foi obstaculada até o desespero”, logo após a referência à criação da Petrobrás. E assim ocorreu, a exemplo das telefônicas, do que poderia significar desenvolvimento de tecnologia nacional.

VI
Boa parte, a esmagadora parte, de sindicalistas e dirigentes de associações que conheço é composta de gente dedicada, séria, que leva a representação de suas categorias e de seus associados com um fervor quase religioso. Sacrificam suas vidas pessoais, o convívio familiar, o tempo que poderia ser dedicado a marido, esposa, filhos, em prol de ideias que elegeram em suas vidas. Há uma obstinação extraordinária nisso, a do ser humano tentando ser maior do que ele mesmo, tentando construir algo que permaneça para a posteridade, que contribua para fazer um mundo mais humano, mais doce, mais generoso para as gerações que vierem. Essas pessoas são movidas pelo inconformismo, frequentemente pela solidariedade ao seu semelhante ou a causas que afetam diretamente o ser humano.

VII

Há diversos motivos para simplesmente não se envolver com a vida associativa, com sindicatos e associações. Há gente que simplesmente privilegia a própria carreira e, enquanto outros buscam as questões de interesse coletivo, esses buscam apenas os interesses individuais. Tudo legítimo, cada um é livre para fazer o que bem entende, embora um pouco de sentimento de solidariedade de classe seja inerente ao exercício da cidadania, embora a solidariedade humana possa se expressar em qualquer lugar, principalmente no trabalho. É absolutamente frequente encontrar altos gerentes e executivos que fazem questão de prestigiar as entidades associativas e sindicais. A não participação pode ser mero desinteresse, mera despreocupação com as questões coletivas, até mesmo alguma noção equivocada de que nada tem para contribuir. Há, sempre, um grupo, no entanto, que nos momentos mais difíceis tenta manter acesa a esperança, tenta animar os demais para que se encham de coragem para atravessar os tempos sombrios.

VIII
Daí que vem chamando a atenção os ataques sistemáticos que tenho visto tanto a dirigentes sindicais, quanto a dirigentes de associações, quanto às próprias associações e sindicatos. E vejo isso em diversas categorias, o que mostra um movimento amplo. Esse tipo de coisa não vem de graça, sempre faz parte de algum projeto.

IX
Agora mesmo, há pouco, no 07 de setembro, houve uma “manifestação-carona” em Brasília “contra a corrupção”. Conheço várias pessoas que, “já que estavam lá”, resolveram, também, se engajar legitimamente no movimento. Mas havia algo curioso: é que não permitiam que ingressasse quem estivesse com qualquer bandeira de sindicato, de associação, de central, de partido, seja lá o que fosse. Curioso, isso, curiosa essa exclusão. E no dia seguinte começam a surgir notícias: que o “movimento contra a corrupção” é a favor do voto distrital (!) e mais uma série de bandeiras que os que estavam lá de boa-fé sequer ouviram falar. A tentativa de manipulação ficou completamente evidente, particularmente a da imprensa após o ato ao selecionar as faixas que foram mostradas. E, sempre, a preocupação em excluir qualquer associação, qualquer sindicato, qualquer entidade. O mundo nasceu naquele dia, assim como a busca pela honestidade. Imagine – se o sujeito estivesse com uma bandeira do PSOL, cuja atuação contra a corrupção é inquestionável, não poderia participar daquele movimento. Era exclusivo para os “sem bandeira”, por iniciativa não se sabe de quem.

X
E, na internet, circulam os e-mails agressivos contra sindicatos, contra associações e contra seus dirigentes. Há, sim, direções sindicais que se confundiram com os rumos diferentes que o País tomou há alguns anos, que não sabiam qual o papel de suas entidades e o seu próprio papel. Houve equívocos, houve, em alguns casos, até mesmo o abandono de certas reivindicações históricas porque, creio, equivocadamente temeram mais atrapalhar do que ajudar na construção de uma nova realidade. Em outras palavras, os tempos foram repletos de equívocos. Mas é preciso diferenciar o que é divergência política, o que é equívoco, do que é mera agressão voltada contra todos os sindicalistas, todos os dirigentes de associações, todos que fazem parte de qualquer movimento coletivo.

XI
Alguns dos e-mails que tenho visto mal conseguem disfarçar o ódio por quem conquistou o respeito da categoria, por quem é conhecido, por quem é reconhecido publicamente até mesmo por algumas autoridades. Na grande maioria dos casos esses e-mails são, simplesmente, anônimos. Em outros, fica evidente que a pessoa nunca foi liderança de qualquer coisa na vida, ou nunca foi consultada para nada. E se é alguém de nítido perfil autoritário, gente que, quando ocupou cargos de alto mando, na verdade se portava como verdadeiro carrasco dos mais humildes e agora não tem mais subordinados contra quem voltar a sua raiva? Não é um processo de discordância, ou mesmo de disputa política. Não raro, sequer há propostas, mas um apanhado de ofensas, de frases de baixo nível, de uma evidente inveja.

XII
São movimentos de destruição. Em alguns casos, são apenas fruto da manipulação. O movimento geral é o de tentar desacreditar qualquer forma de atuação coletiva, qualquer forma de eficácia nas ações. Assim, em meio a discussões extremamente duras que o Brasil deve fazer, a exemplo dos trilhões – isso mesmo, trilhões – de reais que serão obtidos com o pré-sal e que pertencem ao povo brasileiro, é preciso desacreditar qualquer forma de luta coletiva. Não é só no pré-sal. Há direitos trabalhistas – a tal “reforma trabalhista”, há direitos previdenciários sob ataque. Há propostas de setores conservadores de diminuir o teto do INSS para 3 salários mínimos, há o argumento de que os direitos trabalhistas impedem a competitividade do Brasil frente, por exemplo, à China. Há muito mais: há propostas relativas à água doce, à pesca internacional, à venda ilimitada de terras para estrangeiros. Ou seja, há uma série de propostas enfileiradas, aguardando a oportunidade do desfecho. Assim como houve em 64, todo esse trabalho, particularmente de ataque aos direitos de trabalhadores e aposentados, começa por tentar afastar do caminho sindicatos e associações, qualquer um que simbolize atuação coletiva e organizada.

XIII
Há beleza, sim, na disputa politica, no debate, na exposição vigorosa de teses e ideias. Mas disputa política é uma coisa. Ofensas, baixo nível, praguejar sem sentido é outra coisa. É despolitização, é emprestar o próprio nome para servir também à causa de destruição das poucas coisas que o povo brasileiro tem de seu. Há momentos na vida em que, não por virtude ou iluminação, a gente se dá conta dessas coisas, que é preciso ter sempre presente a sensibilidade do ser humano, a dimensão do que lhe pode abençoar a vida ou lhe provocar dor. Bem ou mal estamos todos tateando por algum caminho, e que o mais provável é que, na vida, acabemos por errar o mesmo número de vezes que acertamos. A cada email recebido, antes de passar adiante pergunte a quem ele serve, quais os interesses por detrás dele e se você compartilha desses interesses. E pergunte se você gostaria de ser tratado da mesma forma.

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set 11 2011

PRIORIDADE É O JULGAMENTO

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Vários emails circulam a propósito de expectativa de acordo no caso Aerus. Essas informações chegam de forma dispersa, frequentemente incompletas. Não há qualquer possibilidade de ser tomada iniciativa de acordo que signifique atraso no julgamento. Nossa prioridade é o julgamento. Se, de um lado, é obrigaão de todos tentar resolver por acordo, de outro temos absolutamente clara a prioridade: julamento o mais breve possível. É o que digo eu, é o que diz o SNA.

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set 11 2011

PEQUENO ATRASO

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Na segunda-feira, 12.09, deve ser publicado despacho do Juiz Federal da 14ª Vara de Brasília a respeito do caso Aerus. Por sugestão do Ministério Público, o despacho abrirá prazo para que as partes – os réus – respondam a agravos retidos, o que evitará, no futuro, qualquer alegação de nulidade.

II
A rigor, portanto, não há novidade. A rigor, é mera faculdade de apresentar respostas a um recurso que somente será analisado após sentença, quando o proceso for para o segundo grau.

III
Oúnico inconveniente, e que também não chega a trazer problemas insolúveis, é um pequeno atraso, um degrau a mais colocado nessa escadas que às vezes aparente ser infinita. Esse despacho, no entanto, deve atrasar o andamento apenas umas três semanas. Em seguida, apresentadas as respostas, os autos devem serguir à senntença.

IV
É aguardar com fé, com torcida, com pensamento positivo. Não nos faltam argumentos para vencer a causa.

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set 11 2011

DEPOIS DO MAU TEMPO

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Passado o mau tempo, a idéia é colocar o blog em dia a partir desta semana e manter as informaçõe atualizadas. Obrigado pela paciência.

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