Archive for abril, 2012

abr 27 2012

Obrigada por tudo, Nair

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Transformo em post esse lindo texto da minha tia Rita, que me arrancou lágrimas…

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Ausentei-me por um período, tentando me recompor de novo.

Vivi novamente um drama dentro da minha casa. Uma perda…

Há mais de 10 anos morava comigo uma senhora que era um anjo na terra.

Acho que ás vezes Deus nos dá esta chance, mostra que podem haver anjos na Terra , envia-nos alguns , como forma de talvez nos questionarmos se isto tudo existe mesmo….uma forma de confrontação ….

Esta senhora que não tinha laço de sangue nenhum nem comigo nem com o meu marido, tornou-se uma peça fundamental na nossa vida.Ela havia cuidado do meu marido quando ele tinha uns 5 anos de idade ….isto há muito tempo…coisa do século passado……..

Ela era a mais pura manisfestação da simplicidade e da humildade ….ela conseguia nos provar de forma absolutamente simples que nós, os humanos, podemos viver com o mínimo….e sermos felizes.O mínimo bastava…e só….

Tinha uns lindos olhos verdes….que nos transmitiam serenidade.

Deu-me banho, lavou meus cabelos, quando estava de repouso absoluto durante a minha gestação …e fez isto com toda a delicadeza e respeito.
Fazia-me mingau de maizena todas as manhãs e me levava na cama- alimentava de forma indireta os meus filhos na minha barriga , já naquela época…

Fez meus filhos dormirem no seu colo, balançando-os nos seu braços magros e fininhos ….assoviando uma canção que ela mesma criava….não cantava….acho que talvez não cantasse para não atrapalhar….pois era discreta nas manifestações de seu amor e dedicação .

Fez a comida dos meus filhos por anos a fio…com todo o carinho e capricho… e os deixou cheios de vontades e manias …..e recheados de amor e carinho…..e “fofinhos ” de alegria…

Foi muito amada por nós ….muito querida por todos …

Esperava-me todo o final de tarde com o mate pronto….Aqui no Sul, no final da tarde, tomamos um mate para nos aquecermos no inverno e para matar a sede no verão ….e esperar alguém com um mate pronto é sinal de que somos lembrados , um sinal de boas vindas ….de que somos amados….

Sempre em cima da mesa…o meu mate estava pronto….assim como a comidinha dos meus filhos estava encaminhada ,aguardando-me para concluirmos juntas a nossa tarefa de alimentarmos os rebentos .

Quando ela ficou doente …sentimos o quanto ela fazia parte de uma engrenagem tão fundamental de nossas vidas …..nossa ….que susto…que falta … e que dor…

Como ela tinha 86 anos e não tinha cabelos brancos….como ela se abaixava e se acocorava no chão , se arrastava no chão atrás de um tênis debaixo do sofá, de um brinquedo….nós achávamos que ela duraria pra sempre….e juro….juro ..que a imaginava no aniversário de 15 anos dos meus filhos …e até mesmo na formatura deles….a imaginação é livre……e ela parecia eterna com a sua saúde, sua disposição e sua tranquilidade ….

Ela era sozinha nos seus laços de sangue….era viúva há muitos anos ….não tinha tido filhos e seus irmãos nunca a visitavam….ela era nossa….e tornou-se nossa…e como isto era real…e verdadeiro..e como era bom.

Achávamos graça de seu jeito…suas características peculiares de mudar o nome das pessoas …ela colocava outro nome na pessoa ,conforme o jeito que ouvia…..Quando chegava alguém novo…..já ficávamos esperando …como será que ela vai chamar o fulano?

Fazia as suas confusões ….todas com boa intenção ….aliás ela era a expressão da bondade….para ela todos eram bons….pois eram com estes olhos que ela via o mundo.Aqueles olhos verdes ….cor do mar…via o mundo azul…e cor de rosa também…

E juro que ás vezes eu tinha uma certa inveja desta sua capacidade de ver o mundo…de sua serenidade….

E achava, na minha ignorância , que ela era assim pois era muito humilde…e com pouco estudo e com certa dificuldade de aprender as coisas , com certo grau de retardo pelo que passou na vida…e…e… e …e o não entendimento era meu !…..na minha “grande sapiência” não conseguia ver que ela me mostrava que sábia era ela….ela que sabia viver nesta vida ligeira….

Com ela a vida não foi ligeira….foi no ritmo que devia ser….e quando ela ficou doente…e ficou muito doente por alguns meses…ela ainda teve a serenidade e a bondade de nos dar tempo para irmos nos acostumando com a sua falta….devagar…irmos nos acostumando com a sua ausência….no nosso dia a dia ….mesmo estando no quarto no fim do jardim de inverno….mesmo nos mostrando de certa forma que estava conosco, ela despedia-se devagarinho…mas eu não queria ver, pois isto acontecia de novo comigo neste ano…

Ela nos deu tempo para nos acostumarmos com a realidade de que ela não iria estar nos 15 anos dos meus filhos, nem na formatura ….e mostrou-me de novo que a vida é um ciclo….nascemos , crescemos , envelhecemos e morremos…..e que com ela isto havia sido respeitado…..não houve a sensação de traição ….mas a sensação de finalização….. por mais que eu negasse isto. E deu-me a oportunidade de mostrar isto para os meus filhos ….ensiná-los como a vida é ….

E também me deu a oportunidade e o privilégio de cuidá-la com todo o meu carinho e dedicação …..e cuidei muito e muito…..Ela me deu a oportunidade de lhe dar um pouquinho da sua bondade….e de mostrar pra mim mesma o quanto sou capaz de amar e de cuidar….E de mostrar-lhe o quanto a amávamos e o quanto era importante para nós…

Na manhã da sexta feira santa quando novamente ela ia para o hospital….ela olhou-me com os seus olhos verdes, bem no fundo dos meus olhos ….e eu vi que ela não voltava mais ….nada foi dito….mas palavras atrapalham ás vezes….e despedi-me ….como havia feito com o meu irmão na garage da casa dele há meses atrás ….

E quando atualmente chego na minha casa no início da noite , as luzes de fora ainda estão apagadas , a lareira não está acesa ,aquecendo a casa neste início de período frio da fronteira….as flores e as parreiras não foram molhadas….a casa está escura e fria , não há panelas no fogão, nem mate em cima da mesa, nem cheiros gostosos …. a casa está morta …e.. aos poucos, vamos acendendo luzes, colocando fogo na lareira….fazendo comida….dando vida de novo. Devagar….

Mate , não tomo mais por enquanto….ainda fico com um nó na garganta …perdi minha companheira de vida …minha companheira de final de dia….minha companheira de mate….

Ela morreu na madrugada da quarta feira após a Páscoa,depois de alguns dias na UTI.

Quando ela estava saindo de carro da minha casa,naquela manhã , ainda bati no vidro e lhe acenei….meu marido a estava levando para o hospital ,junto com a pessoa que a cuidava…e eu…eu havia ficado em casa ….tinha que fazer comida para as crianças ….eu bati no vidro …mas ela não me olhou………….acho que já havia me dito Adeus…………e eu tentava lhe dizer MUITO OBRIGADA POR TUDO NAIR.

Rita Maia

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abr 04 2012

Esperança

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Esperança

Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…

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abr 02 2012

Conclusão para sentença

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Temos uma movimentação importante no processo da AERUS perante a 14ª Vara Federal de Brasília.

Após anos de instrução processual, o processo foi finalmente concluso ao Juiz para sentença.

Com paciência, devemos aguardar a decisão. Não podemos prever quanto tempo ainda levará para que o juiz decida, pois existem inúmeras teses, de todas as partes, que devem ser enfrentadas.

Mas é, sem dúvida, uma boa notícia.

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