mai 17 2011

ACIDENTE DE TRABALHO

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Já havia visto o texto. Agora, retorna pelas mãos do professor Clóvis Marcolin. Tem a aparência de verdade: a explicação de um trabalhador lusitano à empresa seguradora.

_____________________________________________________

À
Cia. Seguradora.
Exmos. Senhores,

Em resposta ao seu gentil pedido de informações adicionais, esclareço:

No quesito nr. 3 da comunicação do sinistro mencionei:
‘tentando fazer o trabalho sozinho’ como causa do meu acidente.

Em vossa carta V. Sas. me pedem uma explicação mais pormenorizada.

Pelo que espero sejam suficientes os seguintes detalhes:

Sou assentador de tijolos e no dia do acidente estava a trabalhar sozinho num telhado de um prédio de 6 (seis) andares.

Ao terminar meu trabalho, verifiquei que haviam sobrado perto de 250 kg de tijolos.

Em vez de os levar à mão para baixo (o que seria uma asneira), decidi colocá-los dentro de um barril e, com ajuda de uma roldana, a qual felizmente estava fixada em um dos lados do edifício (mais precisamente no sexto andar), descê-lo até o térreo.

Desci até o térreo, amarrei o barril com uma corda e subi para o sexto andar, de onde puxei o dito cujo para cima, colocando os tijolos no seu interior.

Retornei em seguida para o térreo, desatei a corda e segurei-a com força para que os tijolos (250kg) descessem lentamente.

Surpreendentemente, senti-me violentamente alçado do chão e, perdendo minha característica presença de espírito, esqueci-me de largar a corda.

Acho desnecessário dizer que fui içado do chão a grande velocidade.

Nas proximidades do terceiro andar dei de cara com o barril que vinha a descer. Ficam, pois, explicadas as fraturas do crânio e das clavículas.

Continuei a subir a uma velocidade um pouco menor, somente parando quando os meus dedos ficaram entalados na roldana.

Felizmente, nesse momento já recuperara a minha presença de espírito e consegui, apesar das fortes dores, agarrar a corda simultaneamente. No entanto, o barril com os tijolos caiu ao chão, partindo seu fundo.

Sem os tijolos, o barril pesava 25kg. aproximadamente.
Como podem imaginar comecei a cair vertiginosamente, agarrado à corda, sendo que, próximo ao terceiro andar, quem encontrei? Ora, pois, o barril que vinha a subir.

Ficam explicadas as fraturas dos tornozelos e as lacerações das pernas.

Felizmente, a redução da velocidade de minha descida, veio minimizar os meus sofrimentos quando caí em cima dos tijolos embaixo, pois felizmente só fraturei três vértebras..

No entanto, lamento informar que ainda houve agravamento do sinistro, pois quando me encontrava caído sobre os tijolos, eu estava incapacitado de me levantar, porém, pude finalmente soltar a corda.

O problema é que o barril, que pesava mais do que a corda, desceu e caiu em cima de mim fraturando-me as pernas.

Espero ter fornecido as informações complementares que me haviam sido solicitadas.

Outrossim, esclareço que este relatório foi escrito por minha enfermeira, pois os meus dedos ainda guardam a forma da roldana.

Atenciosamente,

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mai 17 2011

PARA COMPARAR

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Para comparar. Abaixo, cartaz com anúncio de plano de celular, com ligações gratuitas;  internet de 100 mega (!) e 50 filmes ao mês, disponíveis a qualquer hora. Tudo por 39,90 Euros, ou seja,  R$ 91,77 ao câmbio de 2,30.  E a França deve ser campeã mundial de impostos.

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mai 16 2011

OS DOENTES PAGARÃO MAIS

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Li, há poucos dias, que a Agência Nacional de Saúde Suplementar  está propondo pagamento diferenciado de plano de saúde para quem participa, por exemplo, de programas antitabagismo e questões parecidas. Pagariam mais barato seu plano de saúde, portanto.

II

Conversa fiada. O que há no fundo dessa notícia é fazer quem está doente pagar mais pelo plano de saúde. Assim, quem está saudável e não usa o plano de saúde terá descontos; quem estiver doente e usando o plano, pagará mais. É a busca,  sempre, da quebra do mutualismo, agora na saúde suplementar.

III

Esse é o destino das tais agências ditas reguladoras: serem capturadas pelo mercado que deveriam fiscalizar. E aí são empresas e mais o Estado, representado por essas agências, a oprimir a população, os usuários de planos de saúde.

IV

No mesmo rumo segue a previdência complementar. A Previc vem autorizando as tais “retiradas de patrocínio”, que nada mais são do que a expulsão do Plano de Benefícios de quem já está aposentado — isso mesmo, a Previc vem admitindo a retirada de patrocínio de benefícios já concedidos, inclusive pensão de viúvas. Ou seja, você paga a vida inteira, se aposenta  na confiança não só na aposentadoria, mas que na sua falta deixará pensão para a viúva. Nisso, vem a patrocinadora e quer indenizar de uma só vez o valor da sua aposentadoria. E a Previc autoriza a quebra do contrato, a retirada da patrocinadora sobre benefícios já concedidos. E, na sequência, evidentemente, você não mais deixará pensão para a viúva quando chegar a sua hora.

V

E aí a situação é complicada: o governo lava as mãos sob o pretexto da “autonomia”, por sinal inconstitucional, das tais agências. A oposição de direita nada faz porque foi exatamente quem criou as tais agências. E a oposição de esquerda é mínima no Congresso e pouco consegue fazer.

VI

Os dois casos ilustram bem a atuação desses órgãos ditos fiscalizadores. A Agência Nacional de Saúde Suplementar, com essa proposta muito mal travestida, que pouco consegue esconder do que verdadeiramente pretende; a Previc, de outro lado, que nada vê ou, quando vê, autoriza. É o caso dessas expulsões dos velhos dos planos de benefícios. É permanente o ataque contra a população, principalmente o ataque aos mais frágeis, aos que já se retiraram do mercado de trabalho. Agora, o cúmulo da vergonha acontece no governo Dilma: o ataque contra os doentes.

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mai 15 2011

AINDA SOBRE A DIFAMAÇÃO

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A Revista Carta Capital da semana passa traz uma matéria impressionante, que não repercutiu na extensão que deveria. Diz respeito ao delegado da Polícia  Federal que foi, até há pouco tempo, secretário da segurança do Distrito Federal. Está transcrita abaixo.

II

Segundo a Carta Capital, o delegado fazia parte de um esquema montado pela CIA para semear permanentemente o preconceito contra árabes. Foi esse o delegado que anunciou a existência de grupos terroristas em Foz do Iguaçu. A mesma Carta Capital faz referência ao site wikileaks, especializado em vazar documentos confidenciais. Está naquele site correspondência sigilosa de órgãos norte-americanos fazendo referência  a “parceiros” que poderiam ser conquistados para manter permanente campanha contra o povo árabe. Não campanha contra o terrorismo, mas campanha permanente contra o povo árabe.

III

Faz todo o sentido. Cada vez é mais comum ver a associação entre a palavra “árabe” e fundamentalismo religioso, quando não associada ao ridículo, ao exagero, ao grotesco. Não é só aqui, é no mundo ocidental que isso tem ocorrido. Quanto ao fundamentalismo, o católico também é impressionante. Impressiona, ainda hoje, o uso do autoflagelo como forma de “controlar os desejos da carne”, assim como a permanente pregação do sexo apenas para reprodução. Ou seja, o fundamentalismo está aí, em cada religião, inclusive a muçulmana. Não se trata de privilégio de uma ou outra. No caso árabe, no entanto, há uma campanha paga contra todo o povo, para ridicularizar o povo e sua religião.

IV

Historicamente, há extraordinária contribuição árabe na matemática, na astronomia, na medicina, na arquitetura, na poesia. Para se ter uma idéia, o pai da alquimia árabe foi Jabir Ibn Hayyn. De Al Jabir veio a palavra álgebra.  Sem dúvida, até o Renascimento a cultura árabe se impunha pelo seu avanço, seu refinamento.

V

Veja aqui mesmo, no Brasil. O Hospital Sírio Libanês, grande referência médica brasileira, foi construído pelos árabes que para cá vieram. E grandes nomes em todas as áreas, lembrando, lembrando Adib Jatene, na medicina, lembrando Luís Nassif no jornalismo e na economia. E, para ampliar o espectro, também o Vice-Presidente da República Michel Temer e o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab são de origem árabe. A extraordinária cultura árabe, herança presente em vários ramos, é esquecida a partir de uma campanha financiada pela CIA onde busca ridicularizar todo um povo e fazer esquecer sua contribuição à humanidade.

VI

O fantástico na matéria da Carta Capital é que um delegado da Polícia Federal fizesse parte desse esquema  denunciado pelo  wikileaks. E lá mesmo são apontados 3  órgãos de imprensa brasileiros que seriam “possíveis parceiros” para difamar a comunidade árabe, para associar árabes permanentemente ao terrorismo e ao fundamentalismo islâmico.

VII

Enfim, tudo seria uma inacreditável teoria da conspiração se não estivesse documentada a atuação deliberada da CIA, pagando gente e órgão de imprensa para difamar permanentemente os árabes.

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mai 15 2011

“NA FOLHA DA CIA?”

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Da Revista Carta Capital, da semana anterior

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NA FOLHA DA CIA?

Por: Leandro Fortes

Ao pedir demissão do cargo de secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, em 19 de abril, o delegado federal Daniel Lorenz alegou não suportar “interferências políticas” na sua pasta. Lorenz estava havia apenas quatro meses no cargo. Fora indicado ao governador Agnelo Queiroz, do PT, pelo ex-diretor-geral da Polícia Federal Luiz Fernando Corrêa. O governador petista não se mexeu, é fato, para impedir que o trabalho de Lorenz, ex-chefe do Serviço Antiterrorismo (Santer) e ex-diretor de Inteligência da PF, fosse atrapalhado pelo histórico conflito corporativo das polícias Civil e Militar de Brasília, nem pelas bancadas policiais que se digladiam na Câmara Distrital. Deixou o secretário cair de podre, mas tinha um motivo para tanto.

Lorenz não sabia, mas logo depois de indicado para o cargo, aliados petistas e da base do governo federal no Congresso Nacional fizeram chegar a Queiroz uma série de informações sobre as ligações do delegado com a CIA e com o ex-governador José Roberto Arruda, defenestrado do cargo, em 2009, por ter se metido no maior esquema de corrupção já documentado na história do Brasil.

Queiroz foi avisado tardiamente que em 2008, também por indicação de Corrêa, Arruda havia tentado se blindar de investigações federais ao nomear o delegado federal Valmir Lemos, atual superintendente da PF no Rio de Janeiro, para a secretaria. À época, o ex-governador estava apavorado por conta da Operação Satiagraha, de julho daquele ano, na qual imaginava ter sido filmado e grampeado em conversas com Durval Barbosa, o delator do esquema de corrupção brasiliense apanhado na Operação Caixa de Pandora, realizada a partir de uma investigação do Ministério Público Federal, um ano depois. Mesmo sob suspeita, Arruda caiu nas graças de Corrêa ao dar posse a um subordinado do ex-diretor-geral. Eleito Queiroz, o ex-diretor da federal correu para emplacar Lorenz. Ao saber das relações anteriores de Corrêa, o governador petista ficou desconfiado.
Mas a gota d’água foi a publicação, em 6 de abril, de uma “reportagem” na revista Veja sobre uma suposta rede de terrorismo na região de Foz do Iguaçu, no Paraná. Lorenz é o principal -suspeito de ter vazado os documentos da PF relativos a uma investigação na região, de 2009, tocada pela Divisão de Inteligência, então chefiada por ele. Suspeita-se que Lorenz também tenha sido a fonte que vazou à Folha de S.Paulo a existência de uma investigação contra o banqueiro Daniel Dantas. O vazamento obrigou o delegado Protógenes Queiroz a apressar o que viria a ser a Satiagraha. O secretário deixou a pasta na semana seguinte à publicação da “reportagem” da Veja.
Em 17 de abril, dois dias antes de Lorenz pedir demissão, cerca de mil pessoas fizeram uma manifestação em Foz do Iguaçu, na sede da Sociedade Beneficente Islâmica, em repúdio ao texto da semanal da Editora Abril. O ato contou com a presença das principais lideranças islâmicas da região, entre elas o xeque sunita Mohsin Al-Husseini e o xeque xiita Mohamed Khalil. Ambos condenaram a tentativa de demonização da comunidade árabe no Brasil e nos países vizinhos e apontaram a CIA como a principal fomentadora desse movimento, sobretudo na mídia brasileira.

A comunidade árabe afirma que a CIA reservou 1 bilhão de dólares para financiar o sistema de difamação da religião islâmica desde os atentados de 11 de setembro de 2001. Para o Brasil, de acordo com levantamento feito pela Federação Árabe-Palestina, apenas em 2011, a verba prevista para a mídia local, vinda dos cofres da agência de inteligência dos Estados Unidos, seria de 120 milhões de dólares.
Teoria conspiratória? De acordo com documentos da diplomacia dos EUA vazados recentemente pelo WikiLeaks, o Departamento de Estado norte-americano montou uma poderosa estratégia de financiamento da mídia para difamar a religião muçulmana e, em outra linha, garantir a impunidade daqueles que o fizerem. Para tal, diz o despacho, seria necessária “uma campanha mais intensa pela mídia e mobilizando comunidades religiosas a favor de não se punir quem difame religiões”. E, mais adiante, aponta parceiros: “Grandes veículos de imprensa, como O Estado de S. Paulo e O Globo, além da revista Veja, podem dedicar-se a informar sobre os riscos que podem advir de se punir quem difame religiões-, sobretudo entre a elite do País”.
Um segundo despacho reforça a suspeita da comunidade árabe: “Essa embaixada tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas a jornalistas, com altos funcionários do governo dos EUA e intelectuais respeitados”. Além disso, propõe que visitas ao Brasil de “altos funcionários do governo dos EUA seriam excelente oportunidade para pautar a questão para a imprensa brasileira”. À época desse comunicado, a Organização das Nações Unidas estava para votar uma resolução que condenava a difamação de religiões. Os Estados Unidos eram contra. No dia 26 de março de 2009, a ONU aprovou a resolução e considerou o ato como uma violação dos direitos humanos.

Em abril do mesmo 2009, Lorenz, então chefe da Inteligência da PF, foi a uma audiência pública na Câmara dos Deputados para revelar a suposta existência de terroristas na Tríplice Fronteira. Aos deputados ele acusou o libanês Khaled Hussein Ali, dono de uma lan house em São Paulo, que chegou a ser preso sob a acusação de “propagar ideias racistas” na internet, de ter ligações com a Al-Qaeda. Segundo Lorenz, Ali utilizava a rede para recrutar e treinar militantes em outros países, além de dar apoio logístico e fazer reconhecimento de potenciais alvos terroristas. Curiosamente, Ali é o personagem principal da capa recente da Veja, onde aparece como coordenador da Jihad Media Battalion, que seria uma espécie de serviço de divulgação de comunicados da Al-Qaeda. Lorenz havia se referido ao mesmíssimo tema na audiência pública na Câmara.
A obsessão do delegado com terroristas árabes só se iguala a seu alinhamento com as doutrinas antiterroristas disseminadas pela CIA e pelo FBI mundo afora. Antes de sair da secretaria do DF, ele havia firmado um acordo de cooperação com o Grupo Especial de Operações da Espanha, tropa de elite de combate ao terrorismo, para treinar 20 policiais brasilienses. Outros 20 policiais foram escalados para treinamentos nos EUA, em Israel e na Colômbia, onde, aliás, Lorenz ocupou o posto de adido policial antes de assumir a secretaria.
“Não há terroristas entre a comunidade árabe brasileira, mas, sim, dentro de setores da imprensa”, dispara o hoje deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP). Queiroz fez parte da equipe da Divisão de Combate ao Crime Organizado (Decoi) da Polícia Federal que atuou, entre 2000 e 2001, na Tríplice Fronteira. Segundo ele, havia uma miscelânea permanente de serviços de inteligência na região, entre os quais a CIA, o Mossad (de Israel), agências de países do Oriente Médio e a Agência Brasileira de Inteligência. Mas nunca foi provada a existência de terroristas.

O parlamentar acaba de aprovar na Câmara uma Proposta de Fiscalização e Controle (PFC) para começar a investigar como funciona, e quem financia, o combate ao terrorismo no Brasil. Crime, aliás, que nem sequer é tipificado, apesar de intenso lobby do governo americano a favor. Ele quer saber se a CIA continua a irrigar os cofres da PF com dinheiro, como acontecia até 2009, a partir de depósitos em contas pessoais de delegados e sem nenhum tipo de prestação de contas. A PFC tem a mesma natureza jurídica de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, mas é pouco conhecida no Congresso. Ao contrário de uma CPI, pode ser conduzida apenas por um parlamentar, no caso o próprio Queiroz, com amplos poderes de investigação.
O deputado do PCdoB poderá investigar todas as contas da PF envolvidas no combate ao terrorismo no Brasil, como elas são utilizadas, quem se beneficia desses recursos, quais operações foram feitas ou estão em andamento, e quem são os investigados. Ele foi nomeado para a função pelo presidente da Câmara, Marcos Maia (-PT-RS-), dentro das atribuições da Comissão de Combate ao Crime Organizado. O parlamentar, que sofre 32 processos administrativos na PF por ter comandado a Satiagraha, todos abertos na gestão de Corrêa, poderá convocar o ex-diretor-geral para prestar informações no Congresso. O mesmo deverá acontecer com Lorenz.

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mai 15 2011

AS MÚLTIPLAS VITÓRIAS DE OSAMA

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Bin Laden é cria direta da CIA. Foi financiado pela CIA para promover a rebelião afegã contra a extinta União Soviética. Ali, com o treinamento e também o dinheiro recebidos da CIA, passou a desenvolver suas atividades.

II

O atentado de 11 de setembro foi no ano de 2001. Desde 1998 havia uma ordem internacional de captura contra Bin Laden. Essa ordem foi expedida por Kadafi em virtude dos atentados praticados por Bin Laden contra assessores alemães que prestavam serviços ao governo Líbio.

III

Bin Laden conseguiu, a partir de 2001, colocar os EUA no rumo do fascismo. Além de Guantânamo, o estrangeiro que entra nos EUA não tem qualquer direito. Ou seja, se você for aos EUA e, por algum motivo esdrúxulo, for apontado como suspeito de terrorismo – até mesmo por um sobrenome árabe – não adianta pedir por advogado ou por julgamento. Você, como estrangeiro, não tem direito a nada. Essa foi uma primeira e extraordinária vitória de Bin Laden: comprometer a democracia nos Estados Unidos da América.

IV

Uma estrondosa vitória foi obtida por Bin Laden quando de seu assassinato. Até agora, somente era admitida a pena de morte devidamente precedida de julgamento, com direito de defesa. Julgamento significa submeter o tema ao Poder Judiciário. No caso de Bin Laden, não houve julgamento. E também não houve combate. Foi pura e simplesmente assassinato  ordenado pelo Presidente dos EUA. Foi admitida – porque já existia, praticada aos borbotões pela CIA –  a pena de morte por mero ato do Poder Executivo. Antes, da CIA. Agora, ordenado diretamente pelo Presidente dos EUA.

V
Uma terceira vitória decorre daí, portanto, para Bin Laden: a esperança norte-americana na democratização, simbolizada por Barack  Obama, foi soterrada. Também Obama foi transformado em mero assassino, mero ordenador de assassinato a partir da invasão de um outro País. A ordem não foi de prisão para ir a julgamento. A ordem foi de assassinar alguém desarmado e dominado.

VI

Nâo poderia haver, do ponto de vista de Bin Laden, maiores vitórias do que essas: a usurpação da liberdade do povo norte-americano e daqueles estrangeiros que se atrevem a visitar os EUA; o soterramento da pretensa democracia norte-americana, onde o direito a um julgamento justo foi simplesmente ignorado em troca do assassinato premeditado a mando do Poder Executivo.

VII

Conclui-se, portanto, que a vida de Bin Laden foi repleta de vitórias. Ao fim, ainda foi transformado em mártir: alguém assassinado premeditadamente e desarmado.

VIII

A partir do momento em que os EUA resolveram enfrentar o terrorismo abrindo mão das garantias individuais, atentando concretamente e à frente de todos contar os direitos humanos, torturando barbaramente pessoas em Guantânamo, se igualaram  em barbárie a Bin Laden. E conseguiram, ao final, demonstrar que são tão avessos à lei como Bin Laden, tão terroristas quanto ele. E acenderam, por fim, um rastilho no mundo árabe que não se sabe onde vai terminar. Tudo isso em troca da eleição de Barack Obama para fazer exatamente o que Bush Júnior vinha fazendo.

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abr 30 2011

“O AMOR”

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“O AMOR”

            Maiakovski

Um dia, quem sabe,

ela, que também gostava de bichos,

apareça

numa alameda do zôo,

sorridente,

tal como agora está

no retrato sobre a mesa.

Ela é tão bela,

que, por certo, hão de ressuscitá-la.

Vosso Trigésimo Século

ultrapassará o exame

de mil nadas,

que dilaceravam o coração.

Então, de todo amor não terminado

seremos pagos

em inumeráveis noites de estrelas.

Ressuscita-me,

nem que seja só porque te esperava

como um poeta,

repelindo o absurdo cotidiano!

Ressuscita-me,

nem que seja só por isso!

Ressuscita-me!

Quero viver até o fim o que me cabe!

Para que o amor não seja mais escravo

de casamentos,

concupiscência,

salários.

Para que, maldizendo os leitos,

saltando dos coxins,

o amor se vá pelo universo inteiro.

Para que o dia,

que o sofrimento degrada,

não vos seja chorado, mendigado.

E que, ao primeiro apelo:

- Camaradas!

Atenta se volte a terra inteira.

Para viver

livre dos nichos das casas.

Para que doravante

a família seja

o pai,

pelo menos o Universo;

a mãe,

pelo menos a Terra.

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abr 27 2011

É PARA JÁ

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Da Folha de hoje -

_________________________

Ministro confirma mudanças na regra de pensões por morte

ANA CAROLINA OLIVEIRA
DE BRASÍLIA

O ministro Garibaldi Alves (Previdência) confirmou nesta quarta-feira que o governo estuda limitar os critérios de concessão de pensões por morte no Brasil.

Governo discute norma para cortar pensões por morte
Previdência Social registra deficit de R$ 3,13 bi em março

No domingo, a Folha antecipou que o ministério analisa um conjunto de normas para disciplinar a concessão do beneficio.

Segundo Garibaldi, atualmente não há regras para o recebimento de pensão por morte, o que pode causar problemas no futuro para a Previdência.

“Não há regras, há uma frouxidão total. Se compararmos essa realidade com a de outros países, não temos critérios, carências e nem constatação de que aquela pessoa realmente está merecendo aquela pensão. Se não corrigimos isso, podemos ter problemas maiores no futuro”, afirmou o ministro.

Segundo a reportagem, o governo estuda uma proposta que prevê ao menos cinco regras: impor período mínimo de contribuição; obrigar o dependente a provar que não pode se sustentar sozinho; definir limite de tempo para que viúvas jovens recebam os valores; proibir o acúmulo da pensão com outro benefício; e limitar a liberação da pensão integral para casos específicos.

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abr 26 2011

NO GOVERNO DAS MULHERES, AS VIÚVAS É QUE SÃO GOLPISTAS?

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A notícia é do fim de semana, mas indica que vem bomba por aí. O ataque, agora, é às pensões pagas pelo INSS. Na carona, claro, virão as pensões pagas pela previdência complementar.

II

 Segundo a notícia absolutamente tendenciosa divulgada, o grande problema, hoje, do INSS é o pagamento de pensões às viúvas. Para ilustrar o que seria o problema, é citado o caso do falecimento do marido um mês após o casamento, e isso já teria deixo pensão para a viúva. Logo, isso é imoral; logo, todas as pensões são imorais. Foi esse o raciocínio vendido pelo governo e prazerosamente comprado pela imprensa.

III

O raciocínio é torpe, e não poderia deixar de ser diferente quando se trata de ataque a direitos previdenciário. As pensões fazem parte dos chamados “benefícios de risco”, assim como a aposentadoria por invalidez, embora essa definição, segundo nos ensina o professor Clóvis Luís Marcolin, não seja exata: a rigor, todos os benefícios previdenciários são de risco, inclusive a aposentadoria normal, a própria expectativa de vida. Nâo há exatidão e, não havendo, há risco. A atuária é, justamente, a ciência dos riscos.

IV

Voltemos: a pensão é “benefício de risco”, ainda mais essa do exemplo, gerada pelo falecimento do trabalhador quando em atividade, e não quando já está aposentado. E, nesse caso, o raciocínio vale para as outras áreas: ora, pagou o segudo do carro apenas uma semana, e já bateu? A seguradora, então, não deve pagar o sinistro, não é mesmo? E se o trabalhador trabalhou apenas um mês e teve acidente de trabalho, também não deve o INSS pagar aposentadoria por invalidez, não é verdade? O raciocínio é o mesmo.

V

O que há de mais abjeto é pegar uma exceção absoluta, e tentar transformar isso em um escândalo. E, a partir daí, propor uma reforma geral que busque atacar as pensões pagas pelo INSS. O exemplo dado pelo governo é um fato normal, da mesma forma como bater o carro uma semana após fazer o seguro também é um fato normal, previível, atuarialmente mensurável. Estava no período coberto, e pronto. Acabou.

VI

O mais grave e que isso está sendo feito em um governo onde a representação das mulheres nunca foi tão grande. E a proposta é, sim, um ataque às mulheres. Isso já havia acontecido na previdência complementar. No Plano “novo” da Petros – na verdade, um plano velhíssimo, anterior à noção de proteção social – há a “opção”: ao chegar o momento da aposentadoria, o trabalhador pode escolher se deixará ou não pensão para a viúva e seus futuros órfãos. É um retrocesso inimaginável, uma desumanidade impressionante. O que o Ministério Público diz disso? É possível ao pai optar se deixará ou não pensão para o futuro órfão? E é, então, possível, deixar a futura viúva ao completo desamparo, sem a sua concordância ou, mesmo, na sua completa ignorância? É um absurdo, e está lá no “novo” plano tristemente oferecido aos novos participantes da Fundação Petros.

VII

Agora, vem o governo deixando claro que o ataque é às viúvas. Cita um caso corriqueiro, normal, na tentativa de transformar em escândalo. Transforma uma tragédia – a morte do marido no primeiro mês de casamento – em uma tentativa de golpe contra a previdência social. Ou seja, no governo das mulheres, o golpe, agora, é dado pelas viúvas. Não têm mais o direito de chorar seus mortos. Devem, de imediato, se proteger da acusação de golpistas e começar a procurar emprego. É o fim da picada.

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abr 26 2011

UM MINUTINHO, POR FAVOR

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Há poucos dias, em Taguatinga, aqui no DF, um grupo de cerca de dez alunas saiu da escola para linchar uma das colegas. Bateram até que a vítima ficasse desacordada.  Ainda aqui, em Brasília, no Conic – um conjunto central de prédios, ao lado do Conjun to Nacional — um militar que, aparentemente, teria furado a fila do elevador, foi baleado por um advogado que se deu ao trabalho de subir ao seu escritório, pegar o revólver, descer até a garagem e atirar. Aqui em Sobradinho, na disputa por uma vaga de estacionamento, o “perdedor” foi até o supermercado, comprou uma faca, voltou ao estacionamento e enfiou a faca no peito do “vencedor” da disputa pela vaga. Na asa norte, soube de dois senhores, homens por volta dos 60 anos, que saíram no tapa em uma padaria. E em Porto Alegre, há poucos dias, vimos o caso do sujeito que jogou o carro contra um grupo de cicilistas.

II

Há um surto de violência, há uma energia negativa latente, pronta para explodir. E vem explodindo. Há uma irritação crescente – e falo isso por mim. Não que nos falte motivo para a irritação, para o descontentamento, até para a revolta. Mas as coisas estão saindo de controle. Há muita gente de índole boa perdendo o controle, fazendo coisas ruins. Observe. Isso está extremamente preocupante. Daí este texto, esta reflexão.

III

É preciso acalmar a mente. Não significa não mobilizar, não lutar. Ao contrário, é preciso acalmar a mente até para que possamos dar eficácia às reivindicações, às lutas, para que as atitudes não se voltem contra o que queremos defender. É preciso diferenciar o que é travar o bom combate, a luta justa, do que é simplesmente semear o descontrole, ou a violência, que até mesmo desunem e impedem o exercício da cidadania, da pressão e da reivindicação.

IV

Há vários anos tive contato com o pessoal da Meditação Transcendental, criada por Maharishi – que ficou muito conhecido porque foi procurado, à época, pelos Beatles. Maharishi desenvolveu uma técnica de meditação voltada ao homem ocidental. Não temos o preparo, a cultura, a disciplina dos orientais. Daí a necessidade de uma técnica própria, adaptada, voltada ao ocidente.

V

A meditação é, essencialmente, “cessar o fluxo incessante do pensamento”. Não é uma coisa fácil: temos o verdadeiro vício desse fluxo incessante, e temos uma indisciplina em relação a isso. Digo isso lembrando o ditado: “quem sabe, faz; quem não sabe, ensina”. Estou, aqui, de forma tosca, tentando ensinar o que efetivamente não sei. Mas é uma tentativa de socializar um pouquinho do que li, do que aprendi a respeito, mas que lamentavelmente não consegui, ainda, incorporar ao meu cotidiano. Meditação é fazer silêncio interior, é criar um verdadeiro “ branco” que faça cessar completamente o pensamento. Daí a necessidade de algo para prender, no primeiro momento, a atenção da mente. Um mantra, por exemplo. Ou, ainda mais fácil, prestar atenção, exclusivamente, na respiração. Só isso. Que nada mais exista, apenas a respiração, apenas prestar a atenção no inspirar e no expirar. Duas vezes por dia, vinte minutos.

VI

Deepak Chopra, o médico especialista em medicina ayurvédica que mora, hoje, nos EUA, longamente fala sobre os benefícios da meditação. E conta um episódio: uma experiência, levando-se, se não me engano, dois mil meditadores para Washington para meditar duas vezes por dia, durante vinte minutos  cada, por uma semana. Só isso. Durante essa semana, os índices de criminalidade caíram de forma impressionante, menores ainda do que ocorre nas grandes nevadas, quando a cidade praticamente para e todos ficam dentro de casa. A conclusão: a meditação não é apenas um processo interior. É como se um “campo de harmonia” fosse criado, e envolvesse de forma acolhedora os que estão em volta. E aí há uma paz envolvente, crescente.

VII

É preciso espalhar isso, disseminar isso: a técnica de meditação. Conheço essas duas, que comentei: uma, que envolve recitar um mantra; a outra, que envolve prestar a atenção no inspirar e no expirar, exclusivamente, duas vezes por dia, vinte minutos cada. As duas principiam por fechar os olhos, sentado, respirando profunda e confortavelmente durante um ou dois minutos iniciais, como um primeiro relaxamento. A seguir, o mantra ou o prestar a atenção exclusivamente na respiração. Rajneesh – que, depois de sua morte, passou a se chamar Osho – também ensina algumas técnicas.

VIII

Creio que é necessário um movimento nesse sentido, uma adesão a essa tentativa de acalmar a mente, de buscar a paz duas vezes por dia. Ainda mais: creio que é preciso implantar isso nos locais de trabalho, com a mesma ênfase com que se discutiu, há alguns anos, a ginástica laboral. Não raro, os locais de trabalho se tornam locais de sofrimento, frequentemente desumanos. É preciso humanizar, e a meditação pode ser um bom começo para isso. Também nas escolas, preferencialmente a partir de dicas de quem tem a admiração das crianças, dos jovens, e pratica a meditação.

IX

Este texto é só uma introdução, uma tentativa de compartilhar essa angústia e lançar esse debate. Gostaria que você comentasse sua experiência com a meditação pura, com o silêncio interior. Não pretendo abrir espaço, aqui, para a religião. Não é por falta de sentimento religioso, mas para que, nesse momento, os olhos se voltem só para a paz. Frequentemente a discussão sobre religião acaba trazendo uma pitada ou outra de intolerância: há poucos dias, vimos a queima do Al-Corão promovido por uma autoridade religiosa. Não raro, vê-se uma dose de preconceito contra religiões de origem africana. Então, por enquanto, melhor falar no bem e na paz que, suponho, as religiões já estariam até melhor contempladas do que em um debate teológico. A idéia, aqui,  é o silêncio interior, a paz interior.

X

Então, seguem as perguntas: seria possível fazermos círculos de meditação, reais e virtuais? Seria possível identificarmos alguns instrutores sérios, que dominem essas técnicas relativamente fáceis, e que não envolvem religião (cada um continuará cultivando a sua), para que possam dar uma aulinha sobre o tema, ensinar suas técnicas? Seria possível fazer grupos para, uma vez por semana, meditar coletivamente, exclusivamente para manter o hábito, a constância? É possível criar esses espaços coletivos?

XI

Acho que o momento é grave, sério, que pessoas de bem estão perdendo o controle, que nós mesmos corremos esse risco. E que é possível fazer alguma coisa de forma aberta, tranquila, sem pretensão de santidade ou de demagogia, mas simplesmente para que acalmemos, todos, nossos corações e possamos travar nossas justas batalhas de forma altiva, generosa, até mesmo ensinando um pouco de doçura a quem cultiva o amargor na vida e no exerc ício de seus temporários cargos.

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